terça-feira, 1 de janeiro de 2008

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Perguntas quanto vale um punhado de arroz?” - Isto foi contado pelo Mestre enquanto em Jetavana, sobre o Ancião Udāyi, chamado o Beócio.
Naqueles dias reverendo Dabba, o Málio, era ecônomo da Irmandade. Quando cedo de manhã Dabba separava as partes de arroz, algumas vezes era arroz escolhido, outras arroz de qualidade inferior, que caía como parte do Ancião Udāyi. Usava quando recebia arroz de qualidade inferior, fazer escândalo no refeitório, perguntando, “Dabba é o único que sabe dividir? Nós não sabemos?” Um dia quando estava fazendo esta comoção, entregam-lhe a cesta de partilha, dizendo, “Aqui! Toma, você faz a distribuição ho-je!” Daí em diante era Udāyi que fazia a divisão para a Irmandade. Mas, na partilha, ele não conseguia distinguir o arroz melhor do inferior; nem sabia que os sêniors (N. do Tr: o ecônomo chamava para fora por uma lista. Nela os sêniors eram primeiros) tinham a titulatura do melhor arroz e os outros a do inferior. Então também, quando relacionava a lista, não tinha idéia da senioridade dos Irmãos nela contida. Conseqüentemente, quando os Irmãos tomaram os lugares, ele fez uma marca no chão ou na parede para mostrar que um destacamento encontrava-se aqui outro lá. Mas no dia seguinte haviam poucos Irmãos de um grau e muitos do outro no refeitório; onde haviam poucos, a marca estava muito baixa; e onde o número era grande, estava alta. Mas Udāyi, ignorante das diferenças, fez a distribuição de acordo com as marcas velhas.
Por isto, os Irmãos disseram a ele, “Amigo Udāyi, as marcas ou estão muito alta ou muito baixa; o melhor arroz é para aqueles de tal e tal senioridade, e o de inferior qualidade para tais e tais outros.” Mas ele os afastou com o argumento, “Se a marca está onde está, por quê vocês estão aqui? Por quê acreditaria em vocês? Acredito nas minhas marcas.”
Então, os garotos e noviços, o empurraram para fora do refeitório, gritando, “Amigo, Udāyi o Beócio, quando fazes a partilha privas os Irmãos do que têm direito; não és adequado para partilhar; saias daqui.” Daí, levanta-se uma gritaria no refeitório.
Escutando o barulho, o Mestre pergunta ao Ancião Ānanda, dizendo, “Ānanda, acontece uma barulhada no refeitório. O que é este barulho?” O Ancião explicou tudo ao Buddha. “Ānanda,” ele disse, “não é a primeira vez que Udāyi por estupidez rouba os outros de seu lucro; ele fez o mesmo em tempos anteriores também.” O Ancião pede ao Abençoado que explique, e Ele torna claro o quê estava escondido pelo re-nascer.

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Certa vez Brahmadatra reinava em Benares em Kāsi. Naqueles dias nosso Bodhisatva era seu avaliador. Usava avaliar cavalos, elefantes, e semelhantes; e jóias, ouro, e semelhantes; e usava pagar aos proprietários dos bens o preço justo, quando fixo.
Mas o rei era ganancioso e sua cobiça sugeriu-lhe este pensamento: “Este avaliador com seu estilo de avaliar logo vai exaurir minhas riquezas; devo arranjar outro avaliador.” Abrindo a janela e olhando para fora no jardim, viu um estúpido andando na rua, cobiça colocada em quem viu um candidato para o posto. O rei manda chamar o indivíduo e pergunta-lhe se pode ou não fazer o trabalho. “ Ah, sim,” disse ele; e então, para guardar o tesouro real, este estúpido foi apontado como avaliador. Depois disto, o tolo, avaliando elefantes e cavalos e semelhantes, usava fixar um preço ditado por sua fantasia, negligindo o valor real; mas, como era o avaliador, o preço era aquele e não outro.
Naqueles dias chegava do país do norte um vendedor de cavalos com 500 cavalos. O rei enviou o avaliador e o mandou avaliar os cavalos. E o preço que deu par os 500 cavalos foi apenas uma medida de arroz, que ordenou ser paga ao comerciante, dirigindo os cavalos para o estábulo. O comerciante de cavalos dirigiu-se para o velho avaliador, a quem contou o que acontecera, e perguntou o que fazer. “Dê a ele uma propina,” disse o ex-avaliador, “e pergunte-lhe isto: ‘Sabendo como sabemos que nossos cavalos valem apenas uma única medida de arroz, estamos curiosos para aprender de você qual o valor preciso de uma medida de arroz; poderias determinar este valor na presença do rei?’ Se ele disser que sim, leve-o diante do rei; eu estarei lá.”
Prontamente seguindo o conselho do Bodhisatva, o comerciante de cavalos subornou o indivíduo e fez-lhe a pergunta. O outro, tendo mostrado sua habilidade em avaliar medida de arroz, foi prontamente levado ao palácio, onde para também foram o Bodhisatva e outros ministros. Com devida obediência o comerciante de cavalos disse, “Senhor, não disputo que o preço dos 500 cavalos seja apenas uma medida de arroz; mas pediria a sua majestade que perguntasse seu avaliador o valor de uma medida de arroz.” Ignorante do que acontecera, o rei disse ao indivíduo, “Avaliador, qual o valor de 500 cavalos?” “Uma medida de arroz, senhor,” foi a resposta. “Bom , meu amigo; se 500 cavalos valem uma medida de arroz, qual o valor de uma medida de arroz?” “Vale toda Benares e seus subúrbios,” foi a resposta do tolo.
(Assim aprendemos que, tendo primeiro avaliado os cavalos em uma medida de arroz selvagem para agradar ao rei, foi subornado pelo comerciante de cavalos para estimar uma medida de arroz como valendo Benares e seus subúrbios. E isto apesar dos muros de Benares serem de vinte quilômetros, enquanto a cidade e o subúrbio juntos de quatrocentos quilômetros de circunferência! Ainda assim o tolo avaliou toda esta vasta cidade e seus subúrbios em uma única medida de arroz!)
Daí os ministros bateram palmas e riram alegres. “Pensávamos,” disseram debochando,”que a terra e o reino eram sem preço; mas agora aprendemos que todo o reino de Benares e seu rei vale uma única medida de arroz ! Que talento tem o avaliador! Como reteve tanto tempo este posto? Mas na verdade cai bem ao rei.”
Então o Bodhisatva falou esta estrofe:

Perguntas quanto vale uma medida de arroz?
- Pois, toda Benares, por dentro e fora.
E, estranho de dizer, quinhentos cavalos também
Valem precisamente esta mesma medida de arroz!

Assim exposto a vergonha pública, o rei mandou o tolo fazer as malas, e deu ao Bodhisatva o ofício novamente. E quando sua vida terminou, o Bodhisatva passou sendo tratado de acordo com seus méritos.

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Terminada a lição e as duas histórias contadas, o Mestre fez a conexão juntando, e identificando o Jātaka dizendo em conclusão, - “Udāyi o tolo era o estúpido avaliador rústico daqueles dias, e eu mesmo era o sábio avaliador.”

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