quarta-feira, 19 de maio de 2010

408 Buddha Oleiro

408

Uma mangueira na floresta...etc.” - O Mestre contou isto quando morava em Jetavana, relativo à censura ao pecado. A ocasião aparecerá no Jataka 459. Naquele tempo em Savatthi quinhentos irmãos, que se tornaram ascetas, residiam na Casa do Piso Dourado, e tinham à meia-noite pensamentos luxuriosos. O Mestre observava seus discípulos três vezes à noite e três vezes ao dia, seis vezes todo dia e noite, como uma azulão guarda seu ovo, ou uma vaca yaque, seu rabo, ou uma mulher seu filho amado, ou um homem de um olho seu olho único ; então naquele mesmo instante ele censurou um pecado que estava em seu início. Observava Jetavana à meia-noite e sabendo da conduta dos Irmãos em pensamentos, ele considerou, “Este pecado entre os Irmãos se ele crescer destruirá a causa da Santidade. Repreenderei neste momento mesmo o pecado deles e lhes mostrarei Santidade” : então deixando a câmara perfumada ele chamou Ananda e pedindo que reunisse todos os irmãos que moravam no lugar, juntou-os e sentou no lugar preparado para Buddha. Ele disse, “Irmãos, não é certo viver no poder de pensamentos pecaminosos ; um pecado se cresce traz grande ruína como um inimigo : um Irmão deve censurar mesmo um pequeno pecado : sábios antigos vendo mesmo um causa mínima, censuraram um pensamento pecaminoso que começava e assim aproximaram-se de 'pacceka-buddhidade' : e assim ele contou um conto(a) antigo.


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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva nasceu em uma família de oleiros em um subúrbio de Benares : quando ele cresceu tornou-0se dono de casa, teve um filho e uma filha e sustentava sua esposa e filhos com ofício de oleiro. Naquele tempo no reino de Kalinga, na cidade de Dantapura, o rei chamado Karandu, indo para seu jardim com um grande séquito, viu no portão do parque uma mangueira carregada de frutas doces : ele esticou seu braço do lugar que estva sentado no elefante e apanhou um cacho de mangas : então enrando no jardim ele sentou no assento real e comeu manga, dando algumas para os que mereciam favores. A partir do momento que o rei pegou a manga, ministros, brahmins e donos de casa, pensando que outros podiam também pegar, apanharam e comeram mangas daquela árvore. Vindo repetidamente eles subiam n'árvore e batiam nela com porretes e quebrando os galhos, que caíam, eles comeram os frutos, sem deixar nem mesmo as frutas verdes. O rei durante o dia divertiu-se no jardim e à tarde quando saía no elefante real, ele desmontou vendo a árvore e indo até sua raiz ele olhou para cima e pensou, “De manhã esta árvore estava bonita carregada de frutos e a platéia não pode se segurar : agora ela não está bela sem fruto e toda quebrada.” Novamente olhando em outro lugar ele viu outra magueira estéril e pensou, “Esta mangueira está bonita em sua esterilidade como uma montanha desprovida de jóias ; a outra de sua frutividade caiu em desgraça : a vida de dono de casa é como uma árvore frutífera, a vida religiosa como uma mangueira estéril.” Assim tomando como tema a árvore frutífera, ele permanceu de pé na raiz ; e considerando as três propriedades (impermanência, sofrimento, irrealidade) e aperfeiçoando o insight espiritual, atingiu pacceka-buddhidade e refletindo, “O invólucro do útero caiu de mim agora, re-nascer nas três existências está terminado, a sujeira da transmigração está limpa, o oceano de lágrimas seco, a parede de ossos quebrado abaixo, não há mais re-nascer para mim,” ele permaneceu de pé como se adornado como todos os ornamentos. Então seus ministros disseram, “Estais ahi de pé muito tempo, Ó rei.” “Não sou um rei, sou um paccekabuddha.” “Paccekabuddhas não são como tu, Ó rei.” “Então como eles são ?” “O cabelo e a barba deles é cortada, vestem roupa amarela, não são apegados à família ou tribo, são como nuvens rasgadas pelos ventos ou a órbita da lua liberta de Rahu e vivem no Himalaia na gruta Nandamula : tais, Ó rei, são os paccekabuddhhas.” Naquele momento o rei soltou sua mão e tocou sua cabeça e instantaneamente as marcas de dono de casa desapareceram, e as marcas de um sacerdote foram vistas :-


Três roupas, tigela, navalha, agulhas, filtro, faixa (cinto),

Um pio Irmão estas oito marcas deve ter,


os requisitos, como são chamados, de um sacerdote tornaram-se anexos ao corpo dele. Pousado no ar ele pregou à multidão e então foi pelos ares para a montanha da gruta Nandamula no Alto Himalaia.

No reino de Candahar na cidade de Takkasila ( Taxila ), o rei chamado Naggaji em um terraço, no meio de um leito real, viu uma mulher que havia colocado uma pulseira em jóias em cada mão e estava moendo um incenso enquanto sentava próximo : ele pensou, “Estas pulseiras em jóias não tocam uma na outra nem soam quando separadas,” e assim sentado contemplava. Ela então, colocando a pulseira da mão direita na esquerda e colhendo perfume com a direita, começou a triturá-lo. A pulseira da mão esquerda tocou na outra e fez barulho. O rei observava que estas duas pulseiras soavam quando tocavam uma na outra e ele pensou, “Aquela pulseira quando separada, nada toca, agora ela toca a outra e faz barulho : justo assim seres vivos quando separados não se tocam nem fazem barulho, quando se tornam dois ou três, se tocam um no outro, e fazem uma barulhada : atualmente legislo sobre os habitantes de dois reinos, ed Cashmira e de Candahar e eu também gostaria de viver como a pulseira sozinha legislando a mim mesmo e não legislando outro “ : assim fazendo do tocar das pulseiras seu tema, sentado como ele estava, ele entendeu as três propriedades, atingiu insight espiritual e ganhou paccekabuddhidade. Sendo o resto é como o anterior.

No reino de Videha, na cidade de Mithila, o rei, chamado Nimi, depois do café da manhã, cercado por seus ministros, permaneceu olhando para baixo para a rua através de uma janela aberta do palácio. Uma gavião, tendo apanhado um pouco de carne no mercado de carne, voava nos ares. Alguns abutres e ouros pássaros, cercando o gavião pelos lados, passaram a bicá-lo, bater nele com as asas e com as garras, querendo a carne. Sem resistir ao ataque mortal, o gavião largou a carne e outro pássaro a pegou : o resto largando o gavião caiu em cima do outro : quando ele a abandonou, um terceiro a pegou : e eles o bicaram também do mesmo jeito. O rei vendo estes pássaros pensou, “Quem quer que pegue a carne, o sofrimento cae ( cai ) sobre ele : quem quer que a abandone, felicidades cae sobre ele : quem quer que assuma os cinco prazeres dos sentidos,sofrimento cae sobre ele, felicidade a outra pessoa : isto é comum a muitos : agora tenho dezesseis mil mulheres : devo viver feliz largando os cinco prazeres dos sentidos, como o gavião abandonando o pedaço de carne.” Considerando isto sabiamente, em pé como estava, ele entendeu as três propriedades, atingiu insight espiritual e alcançou a sabedoria de paccekabuddhidade. Sendo o resto como o anterior.

No reino de Uttarapañcala, na cidade de Kampila, o rei chamado Dummukha, após o café da manhã, com todos seus ornamentos e cercado de seus ministros, estava de pé olhando o jardim do palácio de uma janela aberta. Naquele instante abriram a porta de um estábulo : os tourossaindo do estábulo subiram em uma vaca, luxurientos : e um grande touro com chifres pontiagudos vendo outro touro vindo, possesso de ciúme luxurioso, o atingiu na coxa com seus chifres afiados. Com a força do choque suas entranhas saíram e assim ele morreu. O rei vendo isto pensou, “Seres vivos do estado de bestas para cimaalcançam sofrimento a partir do poder da luxúria : este touro por causa da luxúria morreu : outros seres também são perturbados pela luxúria : devo abandonar as luxúrias que perturbam estes seres :” e assim em pé como estava ele entendeu as três propriedades, atingiu insight espiritual e alcançou a sabedoria de paccekabuddhidade. Sendo o resto como o anterior.

Então um dia estes quatro paccekabuddhas, considerando que era tempo para suas rondas, deixaram a caverna Nandamula e tendo limpado os dentes mastigando betel no lago anotatta e tendo feito suas necessidades em Manosila, apanharam tigela e manto e magicamente voando pelos ares e trilhando as nuvens de cinco cores, pousaram não distante de um subúrbio de Benares. Em um lugar conveniente eles colocaram suas roupas, pegaram a tigela e entrando no subúrbio começaram suas rondas em coleta de ofertas até chegarem na porta da casa do Bodhisatva. O Bodhisatva vendo-os ficou deliciado e fazendo-os entrar em sua casa deu-lhes assentos preparados, água e serviu-lhes comida excelente, sólida e macia. Então sentando em um dos lados ele saudou o mais velhos deles dizendo, “Senhor, vossa vida religiosa parece muito boa : teus sentidos estão calmos, tua aparência é muito clara : que tema de pensamento fez você tomar a vida religiosa e a ordenação ?” e enquanto perguntava ao mais velho deles, também chegou aos outros e os questionou. Então aqueles quatro disseram, “Eu era tal e tal, rei de tal e tal cidade em tal e tal reino” e continuaram, deste modo cada um contou as causas de sua retirada do mundo e falaram uma estrofe cada em ordem :-


Uma mangueira na floresta eu vi

Grande, escura e completamente carregada :

E querendo seus frutos as pessoas quebraram a mangueira,

Foi isto que inclinou meu coração a tomar a tigela.


Uma pulseira, polida por uma mão de renome,

Uma mulher vestia em cada pulso sem soar :

Uma tocou a outra e barulho começou :

Foi isto que inclinou meu coração a tomar a tigela.


Pássaros em bando atacavam um pássaro inimigo,

Que sozinho um pedaço de carniça carregava :

O pássaro foi golpeado por causa da carniça :

Foi isto que inclinou meu coração a tomar a tigela.


Um touro orgulhoso entre seus pares pastava ;

Alta s'elevava suas costas, agraciado com força e beleza :

De luxúria ele morreu : um chifre uma ferida lhe fez :

Foi isto que inclinou meu coração a tomar a tigela.


O Bodhisatva, escutando cada estrofe, dizia, “Bom, senhor : teu tema é adequado,” e elogiou cada um dos paccekabuddhas : e tendo escutado os discursos pronunciados por estes quatro, ele se tornou-se desinclinado à vida de dono de casa. Quando os paccekabuddhas partiram, após o café da manhã sentado relaxado, ele chamou a esposa e disse, “Esposa, aqueles quatro paccekabuddhas largaram os reinos pela Irmandade e agora vivem sem pecar, sem impedimentos, na benção da vida religiosa : enquanto eu vivo de ganhos : que que tenho a ver com a vida de dono de casa ? Você tome as crianças e fique em casa” : e ele falou duas estrofes :-


O rei de Kalinga, Karandu, de Gandhara, Naggaji,

O legislador de Paňcala, Dummukha, de Videha, o grande Nimi,

Deixaram seus tronos e vivem vida de Irmãos impecavelmente.


Aqui as formas divinas deles foram mostradas

Cada um como um fogo resplandecente :

Bhaggavi, eu também irei,

Largando tudo que as pessoas desejam.


Escutando estas palavras ela disse, “Marido, desde de quando escutei os discursos dos paccekabuddhas, eu também não me contento com casa,” e ela falou a estrofe :-


É o tempo marcado, eu sei :

Melhores professores não existem :

Bhaggava, eu também irei,

Como um pássaro que da mão se livra.


O Bodhisatva escutando as palavras dela ficou em silêncio. Ela enganava o Bodhisatva e estava ansiosa de tomar vida religiosa antes dele : então ela disse, “Marido, estou indo até a fonte (piscina) voc~e olhe as crianças,” e pegando um jarro como se fosse até lá, ela saiu e chegando até os ascetas fora da cidade ela foi ordenada por eles. O Bodhisatva vendo que ela não retornava cuidou das crianças ele mesmo. Depois quando eles cresceram um pouco e podiam entender por si mesmos, de modo a ensiná-los, quando cozinhando arroz ele cozinhava um dia um pouco duro e cru, um dia um pouco cozido demais, um dia bem cozido, um dia empapado, um dia insosso, outro dia salgado. As crianças diziam, “Pai, o arroz ho-je não está cozido, ho-je está empapado, ho-je bem cozido, ho-je insosso, ho-je salgado.” O Bodhisatva disse, “Sim queridos,” e pensou, “Estas crianças agora sabem o quê é cru e o que é cozido, o quê é salgado e o quê é insosso : eles serão capazes de viver por si mesmos : eu devo me ordenar.” Então mostrando-os aos parentes ele foi ordenado na vida religiosa, e morava fora da cidade. Então um dia a mulher asceta colhendo ofertas em Benares o viu e o saudou, dizendo, “Senhor, creio que mataste as crianças.” O Bodhisatva disse, “Eu não mato crianças : quando elas puderem entender por si mesmas, eu me ordenei : você não cuidou delas e agradou a si mesma sendo ordenada” : e então ele falou a última estrofe :-


Vendo que podiam distinguir sal de insosso, cozido de cru,

Me tornei um Irmão : me deixe, podemos seguir separados a lei.


Assim exortando a mulher asceta ele pediu licença a ela. Ela aceitando a exortação saudou o Bodhisatva e foi para um lugar que a agradava. Após aquele dia eles nunca mais viram um ao outro. O Bodhisatva alcançando conhecimento sobrenatural tornou-se destinado ao céu de Brahma.


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Após a lição, o Mestre declarou as Verdades e identificou o Jataka :- Após as Verdades os quinhentos Irmãos foram estabelecidos em Santidade : -“Naquele tempo a filha era Uppalavanna, o filho era Rahula, a mulher asceta a mãe de Rahula e o asceta era eu mesmo.”


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