quarta-feira, 5 de maio de 2010

407 Buddha Rei-Macaco

407

Fizeste de ti mesmo...etc.” - O Mestre contou isto enquanto residia em Jetavana, relativo as obras boas para com parentes. A ocasião aparecerá no Jataka 444. Começaram a falar no Salão da Verdade, dizendo, “O supremo Buddha faz boas obras para seus parentes.” Quando o Mestre perguntando soube qual o tema da conversa deles, disse, “Irmãos, esta não é a primeira vez que um Tathagata faz obras boas para seus parentes,” e assim ele contou um conto(a) de tempos antigos.


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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva nasceu do útero de uma macaca. Quando cresceu e atingiu estatura e robustez, ficou forte e vigoroso e vivia no Himalaia, com um seuqito de oitenta mil macacos. Próximo às margens do Ganges havia uma mangueira ( outros dizem que era uma bânia ), com galhos e forquilhas, tendo sombra profunda e folhas grossas, como um topo de montanha. Seus frutos doces, de fragância e sabor divinos, eram largos como uma cabaça : de um galho os frutos caíam no chão, de outro nas águas do Ganges e de dois junto ao tronco principal da árvore. O Bodhisatva, enquantocomia o fruto com uma tropa de macacos, pensou, “Um dia algo perigoso ocorrerá conosco devido ao fruto desta árvore cair n'água” ; e assim, para não deixar nenhum fruto no galho que crescia acima d'água, ele os fez comê-los ou derrubar as flores quando na estação ainda estava brotando. Contudo apesar disso, um fruto maduro não visto pelos oitenta mil macacos, escondido por um formigueiro, caiu no rio e prendeu na rede acima do rei de Benares, que banhava-se por divertimento com uma rede acima e outra abaixo. Quando o rei já tinha se divertido todoo dia e estava indo embora de tardinha, os pescadores, que recolhiam a rede, viram o fruto e não sabendo o que era, mostraram ao rei. O rei perguntou, “Que fruto é este ?” “Não sabemos, senhor.” “Quem saberá ?” “Os mateiros, senhor.” Chamaram os mateiros e aprendendo deles que era uma manga, ele a cortou com uma faca e fazendo primeiro os mateiros comerem, ele também comeu e fez com que um fosse dado um pouco para seu harém e seus ministros. O sabor da manga madura permaneceu impregnando todo o corpo do rei. Possuído pelo desejo do sabor, ele perguntou aos mateiros onde ficava aquela árvore e entendendo que era na margem do rio, na parte do Himalaia, fez com que se unissem vários caibros e navegou rio acima na rota apresentada pelos mateiros. A exata contagem de dias não é dada. No tempo devido eles chegaram no lugar e os mateiros disseram ao rei, “Senhor, lá está a árvore.” O rei parou as jangadas e seguiu a pé com um grande séquito e tendo preparado um leito ao pé d'árvore, descansou depois de comer fruto de manga, deliciando-se com os vários sabores diferentes. Em cada lado estabeleceram guardas e fizeram fogo. Quando os homens adormeceram, o Bodhisatva veio à meia-noite com sua tropa. Oitenta mil macacos movendo-se de galho em galho comeram as mangas. O rei, despertando e vendo a tropa de macacos, levantou seus homens e chamando os arqueiros disse, “Cerquem estes macacos que comem as mangas de modo que eles não possam escapar e acertem eles : amanhã comeremos mangas com carne de macaco.” Os arqueiros obedeceram, dizendo, “Muito bem,” e cercaram a árvore com as flechas prontas. Os macacos vendo temeram a morte, já que não podiam escapar, vieram até o Bodhisatva e disseram, “Senhor, os arqueiros estão ao redor da árvore, dizendo, 'Vamos acertar estes macacos errantes' : que faremos ?” e ficaram tremendo. O Bodhisatva disse, “Nada temam, darei a vocês a vida” ; e assim confortando a horda de macacos, subiu em um galho que elevava-se reto, e prosseguiu em outro galho que estendia-se em direção ao Ganges e saltando da ponta deste, percorreu cem distâncias de arco e pousou em um arbusto na margem ( N. do tr.: Este salto está ilustrado em um Stupa de Bharhut e parece que ele pulou através do Ganges) . Descendo ele marcou a distância, dizendo, “Esta será a distância que percorri” : e cortando um ramo de bambu na raiz e desfolhando-o disse, “Tanto será amarrado n'árvore e tanto permanecerá no ar,” e assim avaliou as duas distâncias, esquecendo a parte amarrada em sua cintura. Levando o bambu amarrou uma ponta dele n'árvore na margem do Ganges e a outra em sua própria cintura e então atravessando o espaço de cem tiros de arcos com a velocidade de uma nuvem empurrada pelo vento. Por não ter contado a parte amarrada a sua cintura, ele falha em alcançar àrvore : então segurando firmemente um galho com ambas as mãos deu sinal a tropa de macacos, “Sigam rapidamente com boa fortuna, passando pelas minhas costas e por sobre o bambu.” Os oitenta mil macacos assim escaparam, após saudar o Bodhisatva e pedir licença. Devadatra era então um macaco e no meio daquela horda : ele disse, “ Esta é minha chance de ver o fim do meu inimigo” , e então subindo em um galho deu um salto e caiu em cima das costas do Bodhisatva. O Bodhisatva teve um ataque cardíaco e grande dor o atingiu. Devadatra tendo causado aquela dor insuportável, saiu fora : e o Bodhisatva ficou só. O rei estando acordado viu tudo o quê foi feito pelos macacos e pelo Bodhisatva : e descansou pensando, “Este animal, desconsiderando a própria vida, salvou sua tropa.” Quando o dia raiou, estando deleitado com o Bodhisatva, ele pensou, “Não é certo destruir este rei dos macacos : trarei ele para baixo de algum modo e cuidarei dele” : e então fazendo a jangada descer o Ganges e construindo uma plataforma lá, fez o Bodhisatva descer gentilmente e o vestiu com manto amarelo nas costas e o lavoucom água do Ganges, dando a ele de beber água com açúcar e fazendo seu corpo ser limpo e ungido com óçeo efinado mil vezes ; depois colocou uma pele consevada numa cama e fazendo-o lá deitar, sentou-se num assento baixo e falou a primeira estrofe :-


Fizeste de ti mesmo uma ponte para eles passarem em segurança :

O quê é você para eles, macaco, e o quê são eles para ti ?


Escutando-o, o Bodhisatva instruindo o rei falou as outras estrofes :-


Rei vitorioso, guardo a horda, sou o senhor e o chefe dela,

Quando tomados de medo de ti e atingidos de aflição dolorosa.


Saltei cem vezes a distância de tiro de arco estendido,

E amarrei um bambu firmemente ao redor das pernas :


Alcancei àrvore como nuvem de trovão lançada por vento de tempestade;

Perdi minha força mas alcancei um galho : com as mãos o segurei firme.


E enquanto eu estava pendurado lá firmemente seguro no bambu e no galho,

Meus macacos passaram através das minhas costas e estão salvos agora.


Daí não sinto medo da morte, laços não me dão dor,

A felicidade daqueles sobre quem costumava reinar, foi conquistada.


Uma parábola para ti, Ó rei, se tu a verdade quiseres ler :

A felicidade do reino e do exército e dos corcéis

E da cidade devem ser caras para ti, se realmente quiseres legislar.


O Bodhisatva, assim instruindo e ensinando o rei, morreu. O rei, chamando seus ministros, deu ordens que o rei-macaco deveria ter exéquias de rei e chamou o harém, dizendo, “Venham ao cemitério, como séquito do rei-macaco, com vestes vermelhas e cabelos desgrenhados e com tochas nas mãos.” Os ministros fizeram uma pira fúnebre com cem carretos cheios de madeira. Tendo feito as exéquias do Bodhisatva como de rei, tomaram seu crânio e trouxeram ao rei. O rei fez com que se construísse no lugar do sepultamento do Bodhisatva, um templo, tochas a serem queimadas lá e ofertas de incenso e flores a serem feitas ; ele teve o crânio incrustado em ouro e colocado em frente elevado em uma ponta de lança : honrando-o com incensos e flores, ele o colocou no portão do rei quando veio a Benares, e tendo adornado toda a cidade prestou honras a ele por uma semana. Depois tomando-a como uma relíquia e elevando-a em um santuário, a honrou com incenso e guirlandas toda sua vida ; e estabelecido no ensinamento do Bodhisatva ele fez ofertas e outras obras boas e legislando seu reino retamente tornou-se destinado ao céu.


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Após a lição, o Mestre declarou as Verdades e identificou o Jataka : “Naquele tempo o rei era Ānanda, a tropa de macacos a assembléia e o rei macaco eu mesmo.”


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