terça-feira, 25 de maio de 2010

A Natividade de Buddha



Quatro cenas da Natividade ( de Buddha ). ( Placa de baú, Amaravati, terceiro século A.D., British Museum.)
( “O modo da concepção é explicado como segue. No tempo do festival de meio de verão em Kapilavasthu, Maha Maya, esposa de Suddhodana, dormia em sua cama e sonhou um sonho. Ela sonhou que os Quatro Guardiães dos Quartos levantavam-na e a carregaram para os Himalaias e lá ela foi banhada no lago Anotatta e deixada descansar em uma cama celestial dentro de uma mansão dourada na Montanha Prateada. Então o Bodhisatva, que tornara-se um belo elefante branco, levando em sua tromba uma flor de lótus branca, aproximou-se vindo do Norte e aparentemente tocou o lado direito dela e entrou no seu útero. Dia seguinte quando acordou ela relatou o sonho ao marido e foi interpretado pelos Brahmans como segue : esta senhora concebeu uma criança macho que, adotando a vida de dono de casa, tornar-se-á um Monarca Universal ; mas se adotar a vida religiosa tornar-se-á um Buddha, removendo do mundo os véus da ignorância e do pecado.
Deve ser dito também que no momento da incarnação os céus e a terra mostraram sinais, o mudo falou, o paralítico andou, todos as pessoas passaram a falar gentilmente, instrumentos musicais tocavam por si mesmos, a terra foi coberta com flores de lotus e lotus desceram dos céus e toda árvore produziu flores. A partir do momento da encarnação, além disso, quatro devas guardavam o Bodhisatva e sua mãe, protegendo-os de todo os perigos. A mãe não estava cansada e podia perceber criança em seu útero plenamente como alguém pode ver uma linha numa gema, conta, transparente. A Senhora Maha Maya carregou o Bodhisatva então por dez meses lunares ; no final deste tempo ela expressou o desejo de visitar sua família em Devadaha ; e partiu em viagem. No caminho de Kapilavasthu para Devadaha há um agradável parque de Salgueiros ( Árvore Sāl -Vatica Robusta ) que pertence ao povo das duas cidades e no momento da viagem da rainha, estava cheio de frutos e flores. Neste lugar a rainha desejou descansar e foi levada ao maior dos Salgueiros e ficou debaixo dele. Quando ela levantou a mão para segurar em um dos galhos ela percebeu que era hora do parto e permanecendo em pé segurando no galho de Salgueiro ele deu à luz. Quatro Brahma devas receberam a criança em uma rede dourada e o apresentaram a sua mãe, dizendo, : “Alegre-se, Ó Senhora ! Um grande filho nasceu para ti.” A criança ficou de pé e deu sete passos e gritou : “Sou supremo no mundo. Este é meu último nascimento : depois não haverá mais nascimento para mim !”
Naquela mesma hora vieram a vida os Sete Que Nasceram Juntos, quais sejam, a mãe de Rahula, Ananda o discípulo favorito, Channa, o ajudante, Kanthaka o cavalo, Kaludayi o ministro, a grande árvore Bodhi e os vasos do Tesouro.” Coomaraswamy, Ananda, Buddha and the Gospel of Buddhism, p. 14)

Em cima a direita é a concepção : Māyā Devī está dormindo numa cama, sua empregada está inclinada em um pitha ( assento tamborete ) dormindo, enquanto os quatro Regentes dos Quartos ( pontos cardiais ) mantêm vigilância.

Em cima a esquerda o sonho é interpretado : Suddhodana sentado no seu trono ; Maya Devi sentada abaixo à direita ; acima deles estão os ajudantes com leques e o ministro e Yuvaraja ( príncipe mais velho ) à esquerda ; abaixo estão dois adivinhos Brahman.

Abaixo à direita está a 'natividade' real ; Maya Devi no parque Lumbini segurando-se no salgueiro ; à direita dela em pé uma mulher ajudando. À esquerda de pé estão os quatro Regentes, segurando um pano aonde colocarão a criança, cuja presença é indicada por duas pequenas pegadas vistas no pano segurado pelo primeiro Regente. O pitha abaixo é o símbolo do primeiro banho dado no Bodhisatva.

À esquerda a criança é apresentada ao Yaksha Sakyavardhana, que com mãos juntas emerge do altar no pé da árvore, inclinando-se às pegadas da criança, levando todos a exclamar, “Ele é o Deus dos Deuses,” Devatideva. A mulher deve ser Mahaprajapati, segurando a criança num pano ; novamente sua presença é indicada por pegadas. ( Idem, Ibidem.)

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