sexta-feira, 23 de junho de 2017

503 Buddha Papagaio Pupphaka




503
Em grande hoste...etc.”- Esta história o Mestre contou quando alojava-se no bosque do cervo Maddakucchi, sobre Devadatra. Quando Devadatra jogou uma pedra e um fragmento dela cortou o pé do Abençoado, houve grande dor nisto. Numerosos Irmãos reuniram-se para ver o Tathagata. Quando o Abençoado viu o Povo reunido, disse a eles, “Irmãos, este lugar está cheio : haverá uma grande aglomeração. Vamos agora, carreguem-me numa liteira para Maddakucchi.” Assim então os Irmãos fizeram. Jivaka curou o pé do Tathagata. Os Irmãos sentados diante do Mestre falavam sobre isto : “Senhores, Devadatra é pecador e pecadores são todos do seu povo ; o pecador acompanha o pecado.” O Mestre perguntou, “O quê estão conversando Irmãos ?” Eles disseram. Ele disse, “Foi assim antes e esta não é a primeira vez que Devadatra o pecador acompanha o pecado.” Então contou-lhes uma história do passado.
________________________

Certa vez, um rei chamado Pañcala reinava na cidade de Uttara-Pañcala. O Grande Ser nasceu como o filho do rei dos Papagaios, em um bosque de paineiras que crescia no alto planalto no coração da floresta : eram dois irmãos. Subindo esta montanha havia uma vila de ladrões, onde habitavam quinhentos ladrões : ao seu sopé estava um eremitério com quinhentos sábios.
Na estação em que os papagaios estavam trocando as penas um remoinho de vento carregou um dos papagaios e ele caiu na vila de ladrões nomeio das armas dos ladrões : e porque caiu lá, eles o chamaram Sattigumba ou Lança assobiante. O outro papagaio caiu no eremitério entre as flores que cresciam num lugar arenoso devido ao que o chamaram Pupphaka, Pássaro flor. Sattigumba cresceu entre os ladrões, Pupphaka com os sábios.
Um dia o rei em bravos arreios, à cabeça de uma grande companhia, dirigiu sua carruagem esplêndida para caçar o cervo. Não distante da cidade, ele entrou em um bosque bonito com uma rica colheita de flores e frutos. E disse, “Se alguém deixar o passar a seu lado, responderá por isto !” Então ele desceu da carruagem e se cobriu, de pé, arco nas mãos na cabana designada para ele. Os batedores bateram os arbustos para começar o jogo. Um antílope levantou-se e procurou uma saída ; ele viu um vazio ao lado do rei, passou por ele e escapou. Todos perguntaram quem deixou o antílope passar. Foi o rei ! Escutando isto ele foram e fizeram piada dele. O rei em sua auto estima não tinha estômago para a brincadeira. “Agora pegarei o cervo !” gritou ele e subiu na carruagem. “Toda velocidade !” ele disse para o auriga e saiu perseguindo o cervo. Tão rápido foi o rei que os outros não conseguiram acompanhá-lo : rei e auriga, estes dois sozinhos, continuaram até o meio-dia mas não encontraram o cervo. O rei então retornou ; e vendo próximo à vila dos ladrões uma clareira aprazível, desmontou, banhou-se e bebeu e saiu do rio. Então o auriga trouxe um tapete da carruagem e o abriu debaixo da sombra de uma árvore ; o rei deitou nele, o auriga sentou a seus pés, esfregando-os : o rei cochilava e acordava. O Povo da vila dos ladrões, todos ladrões mesmo, tinham saído para a floresta para presenciar o rei : assim na vila não ficou ninguém a não ser Sattigumba e o cozinheiro, um homem chamado Patikolamba. Naquele momento Sattigumba saindo da vila e vendo o rei pensou, “E se matássemos aquele sujeito lá que dorme e tomássemos seus ornamentos !?”
Então ele retornou para Patikolamba e contou-lhe tudo a respeito.
________________________

Para explicar isto o Mestre recitou cinco estrofes :

Com uma grande hoste o rei de Pañcala saiu para caçar o cervo ;
Fundo na floresta extraviou-se o monarca e próximo ninguém havia.

Olhem, dentro da floresta ele vê um abrigo que ladrões fizeram,
Sai um Papagaio e em seguida esta cruéis palavras pronuncia :-

Um jovem dirigindo um carro, com joias muitas,
E em seu cenho uma coroa dourada brilha vermelha como o Sol !

Ambos rei e auriga dormem lá em pleno meio-dia :
Venha vamos espoliá-los de seus bens e levá-la rápido embora !

Está quieto como na profunda meia-noite : ambos rei e auriga dormem :
Seus bens e joias peguemos e guardemos,
Matemo-los e empilhemos galhos em cima numa pilha.

_____________________

Assim falou, o homem saiu e olhou e vendo que era o rei amedrontou-se e recitou esta estrofe :

Por quê Sattigumba, estás louco ? Que palavras são estas que escuto ?
Reis são como fogueiras em chamas e muito perigosos de se aproximar.

O pássaro respondeu em outra estrofe :

Fala de tolo, Patikolamba, esta ; e tu és doido, não eu :
Minha mãe nua ; por quê desprezar a vocação de que vivemos ?
[ a glosa, escoliasta, lembra aqui que a mãe nua significa que está vestida apenas com roupas de ramos d’árvore conforme hábito de lá e então ]

Acorda o rei agora e escutando conversarem na linguagem humana percebendo o perigo recita a seguinte estrofe para acordar seu auriga :

Levante-se rápido amigo auriga e atrele a carruagem :
Busquemos outro abrigo já que não gosto deste papagaio.

Ele levantou-se rápido e colocou a parelha, junta, e então recitou uma estrofe :

O carro está atrelado, Ó poderoso rei, atrelado e pronto ali :
Ponha o pé dentro, Ó Rei ! E vamos buscar abrigo em outro lugar.

Logo que estava dentro, voaram fora rápidos como o vento os puro-sangues. Quando Sattigumba viu a carruagem partindo, tomado de excitação repetiu duas estrofes :

Onde foram todos os companheiros que assombram este lugar ?
Pañcala foge embora, saindo porque não o viram.

Sairá à vontade com vida ? Peguem lança, arco. Azagaia :
Olhem, Pañcala foge ! Ó não deixem ele fugir !

Assim ele esbravejava, agitando-se para cá e para lá : enquanto isto no devido curso o rei chegou no eremitério dos sábios. Naquela hora os sábios tinham todos ido catar raízes e frutos e somente o Papagaio Puppha [ sic ] foi deixado no eremitério. Quando viu o rei, foi encontrá-lo e dirigiu-se com cortesia.
______________________

Então o Mestre recitou quatro estrofes para explicar :

O papagaio com seu bico vermelho cortes e corretamente disse,
Bem-vindo, Ó Rei ! Bonne chance te dirige direto para cá !
És poderoso e glorioso : que errância te traz aqui, prego ?

Folhas de ‘tindook’ e de ‘pyal’ e doce ‘kasumari’,
Apesar de pequenas e poucas, pegue o melhor que temos, Ó Rei, e coma.
[ Glosa: Diospyros embryopteris e Buchanania latifolia são nomeados.]

E esta água fria de uma cova alta escondida na montanha,
Ó poderoso monarca, tome dela, beba, se for tua vontade.

Estão todos catando na floresta aqueles que querem viver aqui :
Levante-se, Ó Rei, e pegue : não tenho mãos para oferecer.

O rei agraciado com as corteses palavras, respondeu com um par de estrofes :

Nunca houve um papagaio engaiolado tão bom ; um pássaro bastante correto :
Mas o outro papagaio de lá falou muitas palavras cruéis.

Ó, não deixem-no ir embora vivo, Ó venham e matem ou amarrem !’
Ele gritava : busco este eremitério e segurança aqui encontro.

Assim respondeu o rei, Puphaka pronunciou duas estrofes :

Somos irmãos, Ó poderoso Rei, alimentados por uma mesma mãe,
Criados ambos juntos na mesma árvore, alimentados em pastos diferentes.

Pois Sattigumba foi para os ladrões, eu vim para os sábios ;
Aqueles ruins, estes bons e daí que nossos modos não são os mesmos.

Ele então explicou as diferenças em detalhes, repetindo um par de estrofes :

Lá feridas e laços, traição, engano e mesquinharia giram,
Assaltos e atos de violência : tal o ensino que aprendeu.

Aqui auto-controle, sobriedade, gentileza, o reto e o verdadeiro,
Abrigo e bebida para os estranhos : estavam ao meu redor enquanto cresci.

Em seguida declarou a Lei para o rei nas seguintes estrofes :

A quem quer que, bom ou mau, uma pessoa preste honras,
Viciado ou virtuoso, esta pessoa o segura abaixo de suas tendências.

Como um camarada que alguém admira, como um amigo escolhido,
Tal se tornará a pessoa que mantém a seu lado, no fim.

Amizade faz o semelhante, e toque infecta toque, descobrirás isto verdadeiro :
Envenene a flecha e não muito depois a aljava estará envenenada também.

O sábio evita má companhia, por temer o toque infectado :
Envolva peixe estragado em gordura e logo a gordura federá tanto quanto.
E aquele que mantém companhia do tolo, tal se tornará logo.

Doce incenso envolvido com folha, a folha vai cheirar doce igual.
Igualmente logo crescerão sábios aqueles que sentam aos pés dos sábios.

Por esta similitude o sábio deve conhecer seu próprio benefício,
Que ele evite má companhia e com os retos caminhe :
Céu espera o reto mas o ruim está destinado ao ínfero abaixo.

O rei ficou agraciado com esta exposição. Então os sábios retornaram também. O rei saudou-os dizendo, “Sejam gentis senhores e venham e tomem residência nos meus terrenos, e persuadiu-os a aceitarem o convite. Quando ele chegou em casa novamente, proclamou imunidade a todos os papagaios. Os sábios foram lá também e o visitaram. E o rei lhes deu seu parque para que vivessem e cuidou deles enquanto viveu. Quando ele foi preencher as hostes celestes, seu filho teve o parassol real aberto sobre si e ele também cuidou dos sábios e e assim seguiu por sete gerações de reis todos bondosos em ofertas. E o Grande Ser morou na floresta até que passou de acordo com seus atos.

_________________________

Quando esta lição estava terminada, o Mestre disse, “Assim Irmãos vocês vejam que Devadatra manteve má companhia antes como mantém agora.” Então ele identificou o Jataka : “Naquele tempo Devadatra era Sattigumba, seus seguidores eram os ladrões, Ananda era o rei, os seguidores do Buddha eram os sábios e eu mesmo era o Papagaio Pupphaka.


segunda-feira, 15 de maio de 2017

502 Buddha Ganso Dourado





             ( Pintura de Ajanta com a reprodução em desenho de Monika Zin ; note-se no canto o caçador carregando os dois pássaros na vara de levar coisas ; clique na imagem para vê-la ampliada )

502
Lá vão os pássaros...etc.” - Esta história o Mestre contou enquanto residia no Bosque de Bambu sobre a renúncia à vida por Ancião Ananda. Então os Irmãos também estavam conversando no Salão da Verdade sobre as boas qualidades do Ancião, quando o Mestre entrou e perguntou-lhes o quê falavam lá sentados. Ele disse, “Esta não é a primeira vez, Irmãos, que Ananda renunciou sua vida por mim mas ele fez o mesmo antes.” E então ele contou-lhes uma história do passado.
__________________________

Certa vez reinava em Benares um rei chamado Bahuputtaka, ou Pai de muitos filhos e sua Rainha Principal era Khema. Naquele tempo o Grande Ser morava no Monte Cittakuta e era o chefe de noventa mil gansos selvagens, tendo vindo à vida como um ganso dourado. Naquele tempo, como já foi dito, a rainha teve um sonho, e contou ao rei que concebeu o desejo feminino de ouvir o discurso do Ganso Dourado sobre a Lei. Quando o rei questionou se haviam tais criaturas como gansos dourados, lhe foi dito que sim, havia no Monte Cittakuta. Então ele construiu um lago que chamou de Khema e fez com que se plantasse todo tipo de milho e diariamente nos quatro cantos se proclamava imunidade e enviou um caçador para pegar gansos. Como esta pessoa foi enviada, sua observação dos pássaros, como novidades foram contadas ao rei quando os gansos dourados chegaram, a maneira como a armadilha foi montada e o Grande Ser pego nela, como Sumukha capitão chefe dos gansos não o viu nas três divisões de gansos e retornou, tudo isto será estabelecido no Jataka 534 ( onde o nome de Dhatarattha também é dado ao Grande Ser ). Bem, como então o Grande Ser foi pego no laço e na armadilha e quando estava mesmo pendurado no laço na extremidade da armadilha , ele esticou o pescoço olhando o caminho que os gansos tomaram e percebendo Sumukha enquanto ele vinha, pensou, “Quando ele chegar vou colocá-lo em teste.” Então quando ele chegou, o Grande Ser repetiu as três estrofes :

Lá vão os pássaros, os gansos vermelhos, todos tomados de medo :
Ó dourado Sumukha, parta ! Que queres aqui ?

Meus amigos e parentes me largaram, todos voaram para longe,
Sem pensar voaram embora : por quê só você ficou ?

Voe, nobre pássaro ! Com prisioneiros não pode haver amizade :
Voe, Sumukha ! Não perca a chance enquanto ainda podes ser livre.

Ao o quê Sumukha respondeu, pousando na lama -

Não, não te deixarei, Ganso Real, quando problema se aproxima :
Mas permanecerei e a seu lado viverei ou morrerei.

Assim falou Sumukha, em tom leonino ; e Dhatarattha respondeu com esta estrofe:
Um coração nobre, bravas palavras são estas, Sumukha, que dizes :
Foi apenas para te testar que te mandei voar de volta.

Enquanto estavam assim conversando juntos, sobe o caçador cajado nas mãos para o topo a toda velocidade. Sumukha encoraja Dhatarattha e voa para encontrar o homem, respeitosamente declarando as virtudes do pássaro real. Imediatamente o coração do caçador amoleceu ; o quê, percebendo Sumukha, o faz voltar e permanecer encorajando o rei dos gansos. E o caçador aproximando-se do rei dos gansos, recitou a sexta estrofe :

Pisam nele por caminhos que não se pisa, pássaros voando no céu :
E você, Ó nobre Ganso, não espreitou de longe a armadilha ?

O Grande Ser disse :

Quando a vida está chegando ao fim e a hora da morte se aproxima,
Apesar de você estar em cima, nem armadilha nem laço você vê.
( este gatha, verso, aparece nos Jatakas 164 e 399 )
O caçador, feliz com a colocação do pássaro, então falou três estrofes para Sumukha.

Lá vão os pássaros, os gansos vermelhos, todos tomados de medo :
E você, Ó ave dourada, ainda está parada esperando aqui.

Eles comem e bebem, os gansos vermelhos : despreocupados eles voaram ;
Dispararam através dos ares e você foi deixado só.

O quê é esta ave, que enquanto o resto deixando-o voou
Apesar de livre, você se junta ao prisioneiro – por quê ficaste só ?

Sumukha respondeu :

Ele é meu camarada, amigo e rei, querido como minha vida ele é :
Abandoná-lo – não, nunca o farei, até a morte me chamar.

Escutando isto o caçador ficou muito agraciado e pensou consigo mesmo - “Se eu machucar criaturas virtuosas como estas, a terra abriria e me engoliria. Que me importa o prêmio do rei ? Os colocarei em liberdade.” E ele repetiu uma estrofe :

Vendo agora que pelo bem da amizade estás preparado para morrer,
Liberto teu rei e camarada, para te seguir em voo.

Isto dito, ele jogou para baixo Dhatarattha da armadilha e soltou o laço e o levou para a margem e piedosamente lavou seu sangue e recolocou os músculos e tendões deslocados. E em razão da gentileza de seu coração e pelo poder das Perfeições do Grande Ser, no mesmo instante sua pata ficou curada e nem marca ficou no lugar que foi pego. Sumukha contemplou o Grande Ser com alegria e agradeceu com estas palavras :

Com todos seus parentes e amigos, Ó caçador, seja feliz,
Como estou feliz vendo o Rei dos pássaros livre.

Quando o caçador escutou isto, ele disse, “Agora você deve partir amigo.” Então o Grande Ser disse a ele, “Você me capturou para fins próprios, meu bom senhor, ou devido a ordens de outro ?” Ele contou-lhes os fatos. O outro ponderou se era melhor retornar para Cittakuta ou ir até a cidade. “Se eu for até a cidade,” ele pensou, “o caçador será premiado, o desejo da rainha será realizado, a amizade de Sumukha será conhecida, e também pela virtude de minha sabedoria receberei o lago Khema, como presente. É melhor portanto ir até a cidade.” Isto estabelecido, ele disse, “Caçador, leve-nos na sua vara de levar coisas até ao rei e ele me libertará se quiser.” - “Meu senhor, reis são duros ; sigam seus caminhos.” - “O quê ? Apaziguei um caçador como você e e não encontraria favor em um rei ? Deixe isto comigo ; sua parte, amigo, é transportar-nos até ele.” O homem fez isto.

Quando o rei colocou seus olhos nos gansos ele ficou deliciado. Colocou ambos num poleiro dourado, deu-lhes mel e grãos fritos para comer e água adocicada para beber e com as mãos postas em súplica pediu-lhes que falassem da Lei. O rei dos gansos vendo quão ansioso ele estava para escutar, primeiro dirigiu-se a ele em palavras agradáveis. Estas são as estrofes expressando a conversa do rei e do ganso um com o outro.

Tem sua excelência, saúde e riqueza e o reino cheio
De bem-estar e prosperidade e justamente legislado ?

Ó aqui temos saúde e riqueza, Ó Ganso, e aqui reino cheio
De bem-estar e prosperidade e justa e retamente legislado.

Não há mancha à vista no meio da tua corte e estão teus inimigos
Distantes, como a sombra no sul, que nunca cresce ?

Não há mancha à vista no meio dos meus cortesãos e meus inimigos
Distantes como a sombra no sul, que nunca cresce.

E tua rainha de linhagem igual, obediente, melíflua,
Fértil, bonita, famosa, acompanha seus desejos, realizando cada um ?

Ó sim, minha rainha de linhagem igual, obediente, melíflua,
Fértil, bonita, famosa, acompanha meus desejos, realizando cada um.

Ó legislador criador ! Tens filhos muitos, nobremente criados,
Espertos, homens fáceis de agradar em qualquer coisa que sejam enviados ?

Ó Dhatarattha ! Filhos tenho de fama, cinco e mais um :
Diga-lhes seus deveres : não deixaram seu bom conselho desfeito.

Escutando isto, o Grande Ser deu-lhes conselhos em cinco estrofes :

Aquele que adia até muito tarde o esforço de fazer o bem,
Apesar de nobremente criado, com virtude dotado, ainda assim afunda debaixo da correnteza.

Seu conhecimento murcha, grande perda a sua ; como a cegueira noturna
Vê todas as coisas cheias duplamente em seu tamanho com a visão imperfeita.

Quem vê a verdade em falsidade não ganha sabedoria nenhuma,
Como em um caminho montanhoso escarpado o cervo frequentemente cairá.

Se um homem corajoso qualquer ama virtude, segue o correto,
Então mesmo um casta baixa, ele queima como fogueira na noite.

Usando esta similitude explique todas as verdades da sabedoria,
Cuidando de seus filhos até crescerem sábios, como árvore nova na chuva.

Assim o Grande Ser discursou para o rei toda a noite. O desjo da rainha foi apaziguado. Àurora ele o estabeleceu nas virtudes dos reis e o exortou a ser vigilante, então com Sumukha voou para fora pela janela norte a caminho do Cittakuta.

_______________________

Após este discurso, o Mestre disse, “Assim, Irmãos, este homem ofereceu sua vida por mim antes,” e então ele identificou o Jataka : “Naquele tempo Channa era o caçador, Sariputra o rei, uma irmã era a Raninha Khema, a tribo Sakiya era o bando de gansos, Ananda era Sumukha e eu mesmo o Rei Ganso.”

















sábado, 18 de março de 2017

501 Buddha Cervo



                    ( Pintura de Ajanta, vihara buddhista, Índia )

501
Com medo da morte ...etc.” - Esta história o Mestre contou enquanto residia no Bosque de Bambu sobre o reverendo Ananda, que fez a renúncia de sua própria vida. Esta renúncia será descrita no Jataka 533, o Amansar de Dhanapala. Quando este reverendo senhor renunciou sua vida pelo Mestre, fofocaram sobre isto no Salão da Verdade : “Senhores, o reverendo Ananda, tendo se mantido no conhecimento detalhado do curso de treinamento religioso, renunciou sua vida pelo Dasabala.” O Mestre entrou e perguntou o que falavam lá sentados. Eles disseram. Ele disse, “Irmãos, esta não é a primeira vez que ele entrega sua vida por mim ; ele o fez antes.” Então ele lhes contou uma história do passado.
______________________________

Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), sua esposa principal se chamava Khema. Naquele tempo o Bodhisatva nasceu na região do Himalaia, como um cervo : dourado ele era e belo, e seu irmão mais novo chamava-se Citta-miga, ou Malhado cervo, também era da cor do ouro e também sua irmã mais nova Sutana. Bem o nome do Grande Ser era Rohanta e ele era rei dos cervos. Atravessando duas cadeias de montanhas, na terceira ele vivia ao lado de um lago chamado Lago Rohanta e cercado por sua horda de oitenta mil cervos. Ele tinha o costume de amparar os pais, que eram velhos e cegos.

Bem, um caçador, que vivia numa vila de caçadores próxima a Benares, veio aos Himalaias e viu o Grande Ser. Ele retornou para sua cidade e em seu leito de morte disse a seu filho, “Meu garoto, em tal lugar de nosso chão de caça há um cervo dourado ; se o rei perguntar você deve contar para ele.”

Um dia Rainha Khema, aurora, teve um sonho e este era ele. Um cervo dourado sentado em um assento dourado e ele discursava para a rainha sobre a Lei com voz melíflua, como o som de um sino dourado tinindo. Ela escutou com grande prazer a este discurso mas antes que o discurso estivesse terminado o cervo levantou-se e saiu ; e ela acordou, gritando - “Peguem o cervo !”. As empregadas, escutando seu grito, caíram na gargalhada. “A casa está fechada, portas e janelas ; nem mesmo uma lufada de vento pode entrar e ainda assim a senhora grita para apanhar o cervo para ela !” Neste momento ela entendeu que era um sonho. Mas disse para si mesma, “Se eu falar, é um sonho, o rei não vai dar importância ; mas se eu disser que é desejo de mulher o rei vai dar com toda atenção. Escutarei o discurso do cervo dourado !” Então ela deitou se fazendo de doente. O rei veio : “O quê há de errado com minha rainha ?” ele disse. “Oh meu senhor, apenas um desejo natural.” - “O quê você deseja ?” - “Desejo escutar o discurso do justo cervo dourado.” - “Por quê, minha senhora, o quê anelas não existe : não há tal coisa como um cervo dourado.” Ela disse, “Se eu não conseguir isto, morro aqui mesmo.” Ela virou as costas para o rei e permaneceu deitada. “Se houver algum, será pego,” disse o rei. Então ele questionou seus cortesãos e brahmins, justo como no Jataka do Pavão, 129, se havia tal coisa como um cervo dourado. Descobrindo que havia, ele reúne seus caçadores e pergunta, “Quem de vocês já escutou ou viu tal criatura ?” O filho do caçador que falamos contou a história como ele escutou. “Meu amigo,” disse o rei, “quando você trouxer este cervo para mim, te recompensarei ricamente ; vá e traga-o aqui.” Ele deu dinheiro para as despesas e o despediu. O sujeito disse, “Nada tema : se não puder trazer o cervo trarei sua pele ; se não puder conseguir esta , trarei os pelos.” Então o homem retornou para sua casa e deu o dinheiro do rei para sua família. Então ele saiu e viu o cervo real. “Onde devo deixar minha armadilha ,” ele pensou, “de modo a pegá-lo ?” Percebeu que tinha chance no lugar de beber água. Trançou uma corda forte com tiras de couro e a colocou com uma vara no lugar que o Grande Ser descia para beber água.

Dia seguinte, o Grande Ser com oitenta mil cervos durante sua busca por comida, lá chegou para beber água na passagem de costume. Justo quando descia foi pego no laço. Então ele pensou, “Se eu gritar o grito de captura, toda a tropa fugirá aterrorizada sem beber água.” Apesar de estar amarrado na extremidade da vara, ele permaneceu fingindo beber, como se estivera livre. Quando os oitenta mil cervos já tinham bebido, ele por três vezes puxou o laço para rompê-lo se possível. A primeira vez ele cortou sua pele, a segunda cortou sua carne e a terceira ele atingiu um tendão, de modo que a armadilha atingiu o osso. Então, incapaz de quebrá-la, ele pronunciou o grito de captura : toda a horda dos cervos fugiu aterrorizada em três tropas. Cervo Malhado, Citta, não viu o Grande Ser em nenhuma das tropas : “Este perigo,” ele pensou, “que caiu sobre nós, atingiu meu irmão.” Então retornando, ele o viu lá preso amarrado. O Grande Ser também o viu e gritou, “Não fique aí, irmão, há perigo aqui !” Então, urgindo-o a que fugisse, ele repetiu a primeira estrofe :

Com medo da morte, Ó Cittaka, as hordas de criaturas fogem :
Vá com elas e não se retarde pois devem viver contigo.

As três estrofes que seguem são ditas pelos dois alternativamente :

Não, não, Rohanta, não irei ; meu coração me aproxima ;
Estou pronto para entregar minha vida, não te deixarei aqui.

Então cegos, com ninguém para cuidar deles, nossos pais ambos devem morrer :
Ó vá e deixe-os viverem contigo : Ó não se retarde mais !

Não, não, Rohanta, não irei ; meu coração me aproxima ;
Estou pronto para entregar minha vida, não te deixarei aqui.

Ele lá ficou amparando o Bodhisatva no lado direito e o animando.

Sutana também, a jovem cerva, corria entre os cervos mas não encontrava seus irmãos em lugar nenhum. “Este perigo,” ela pensou, “deve ter caído sobre meus irmãos.” Ela voltou-se e foi até eles ; e o Grande Ser, vendo ela vir, repetiu a quinta estrofe :
Vá, cerva tímida, fuja ; uma armadilha de ferro me prende :
Vá com os outros, não se retarde, eles viveram contigo.

As três estrofes próximas são ditas alternativamente como antes :

Não, não, Rohanta, não irei ; meu coração me aproxima ;
Estou pronta para entregar minha vida, não te deixarei aqui.

Então cegos, com ninguém para cuidar deles, nossos pais ambos devem morrer :
Ó vá e deixe-os viverem contigo : Ó não se retarde mais !

Não, não, Rohanta, não irei ; meu coração me aproxima ;
Perderei minha vida, mas não te deixarei amarrado e capturado aqui.

Assim ela também se recusou a obedecer ; e permaneceu a sua esquerda consolando-o.
Bem, o caçador viu os cervos escapando fora e escutou o grito de captura. “Deve ser o rei da horda que foi pego !” ele disse ; e segurando o cinto pegou a lança para matá-lo, e correu rapidamente para cima. O Grande Ser repetiu a nona estrofe vendo-o vir :

O caçador furioso, armas nas mãos, vejam ele se aproximando !
E ele nos matará aqui ho-je com flecha ou lança.

Citta não fugiu, apesar de ver o homem. Mas Sutana, não sendo forte o suficiente par ficar parada, correu um pouco com medo da morte. Então com o pensamento - “Para onde fugirei se abandonar meus dois irmãos?” ela retornou, renunciando sua própria vida, com morte no rosto e permaneceu do lado esquerdo do seu irmão.

____________________

Para explicar isto, o Mestre recitou a décima estrofe :

A tenra cerva em pânico de medo fugiu um pouco,
Então fez a coisa mais difícil de se fazer pois retornou para morrer.

_______________________

Quando o caçador chegou em cima, viu estas três criaturas em pé juntas. Um pensamento de piedade surgiu em seu coração, quando cogitava que eram irmãos e irmã nascidos do mesmo útero. “Só o rei da horda,” ele pensou, “esta preso na armadilha ; os outros dois estão presos com os laços da honra. Que parentesco terão com ele ?” questão que perguntou assim :

O que são estes cervos que esperam junto ao prisioneiro, apesar de livres
Que nem para salvar a própria vida o deixam aqui e fogem ?

Então o Bodhisatva respondeu :

Meu irmão e minha irmã estes, nascidos de uma mesma mãe :
Nem para salvar a própria vida me deixariam abandonado aqui.

Estas palavras fizeram seu coração amolecer ainda mais. Citta, o cervo real, percebendo que seu coração amolecia, disse, “Amigo caçador, não imagine que esta criatura é um cervo e nada mais. Ele é o rei de oitenta mil cervos, de vida virtuosa, amável com todas as criaturas, de grande sabedoria ; ele ampara pai e mãe, agora cegos e velhos. Se matares um ser correto como este, estarás matando pai e mãe, minha irmã e eu , todos os cinco ; mas se deres a meu irmão sua vida, concederás a vida a nós cinco.” Então ele repetiu a estrofe :

Tornados cegos, com ninguém para cuidar deles, ambos perecerão :
Ó concedas tu vida a todos os cinco e deixes meu irmão ir !

Quando o caçador escutou este pio discurso, ficou agraciado de coração. “Nada tema, meu senhor,” ele disse e repetiu a próxima estrofe :

Assim seja : vejam liberto agora o cervo que cuida dos progenitores :
Seus pais quando o encontrarem a salvo brincarão alegremente.

Quando disse isto ele pensou : “O que tenho a ver com o rei e suas honrarias ? Se machucar este cervo real, ou a terra se abrirá e me engolirá ou um raio cairá e me atingirá. O deixarei ir.” Então aproximando-se do Grande Ser, ele desarmou a vara e cortou a tira de couro ; então abraçou o cervo e o levou para próximo do rio e gentilmente o soltou do laço, juntou as extremidades do tendão e os lábios de carne aberta e as pontas das peles, lavou fora o sangue com água, piedosamente esfregando-o repetidamente. Pelo poder de seu amor e da perfeição do Grande Ser tudo se juntou novamente, tendões, carne e pele : couro e pelos cobriram a pata : ninguém cogitaria onde teria sido ferido. O Grande Ser ficou lá, cheio de felicidade. Citta olhava para ele e rejubilava-se e agradeceu ao caçador com esta estrofe :

Caçador, sejas feliz agora e possam seus familiares serem felizes,
Como estou feliz vendo o poderoso cervo ser liberto.

Agora o Grande Ser pensou, “Foi ideia do próprio caçador me prender ou foi ordem de outro ?” e ele questionou a causa de sua captura. O caçador disse : “Meu senhor, não tenho nada contra ti ; mas a esposa do rei, Khema, deseja escutar teu discurso sobre retidão ; por isto te prendi obedecendo as ordens do rei.” - “Sendo assim, meu bom amigo, tivestes coragem em me libertar. Vamos, leve-me ao rei e discursarei diante da rainha.” - “Na realidade, meu senhor, reis são cruéis. Quem sabe o que advirá disto ? Não ligo para honraria qualquer que o rei possa me agraciar : vás onde desejas.” Mas novamente o Grande Ser pensou que foi um gesto de coragem libertá-lo ; ele deve dá-lo a chance de ganhar a honraria prometida. Então disse, “Amigo, esfregue minhas costas com sua mão.” Ele fez isto ; sua mão tornou-se coberta com pelos dourados. “O quê devo fazer com estes pelos, meu senhor ?” - “Pegue-os, meu amigo, apresente-os ao rei e a rainha, diga-lhes que são os pelos do cervo dourado ; tome meu lugar e discurse para eles nas palavras destes versos que repetirei : quando ela escutar você, apenas isto será suficiente para satisfazer o desejo dela.” “Recite a Lei, Ó rei !” disse o homem ; e o outro ensinou-o dez estrofes de vida santa e descreveu as Cinco Virtudes e o despediu com um aviso para ser vigilante. O caçador tratou o Grande Ser como alguém trataria um professor : três vezes andou ao redor dele no sentido horário, fez as quatro obediências e embrulhando os pelos numa folha de lótus foi embora. Os três animais acompanharam-no um pouco então, após beber e comer, retornaram para seus pais.

Pai e mãe questionaram-no : “Rohanta, meu filho, escutamos que fora pego, e como estás livres ?” Colocaram a questão em uma estrofe :

Como ganhaste liberdade quando avida estava quase acabada :
Como o caçador te libertou da armadilha traiçoeira, meu filho ?

Em resposta ao o quê o Bodhisatva repetiu três estrofes :

Cittaka me ganhou a liberdade com palavras que encantam o ouvido,
Que tocam o coração, penetram o coração, palavras ditas clara e docemente.

Sutana me ganhou a liberdade com palavras que encantam o ouvido,
Que tocam o coração, penetram o coração, palavras ditas clara e docemente.

O caçador me deu a liberdade, escutando estas palavras encantadas,
Que tocam o coração, penetram o coração, palavras ditas clara e docemente.

Seus pais expressaram gratidão, dizendo :

Ele com sua esposa e família, Ó feliz eles sejam,
Como somos felizes contemplando Rohanta agora livre !

Bem, o caçador saiu da floresta e foi até o rei ; então saudando-o ficou em um dos lados. O rei quando o viu disse :

Venha, diga-me, caçador, : dizes ‘Vejam a pele do cervo trago’ :
Ou não tens couro de cervo para mostrar devido a qualquer coisa ?

O caçador respondeu :

Nas minhas mãos a criatura veio, na minha armadilha escondida,
E foi pega presa : mas outros, livres, ficaram do lado dele lá.

Então piedade fez minha carne estremecer, uma piedade estranha e nova.
Se matasse este cervo ( pensava ) então perecerei também.

Como eram estes cervos, Ó caçador, qual a natureza deles e maneiras,
Suas cores, qualidades, para merecerem tão alto louvor ?

O rei colocou esta questão várias vezes seguidas, como alguém bastante atônito. O caçador respondeu nesta estrofe :

Com chifres prateados e forma graciosa, couro e pelos muito brilhantes
Focinho vermelho e olhos brilhantes, tudo amável a vista.

Enquanto ele repetia esta estrofe, o caçador colocou nas mãos do rei os pelos dourados do Grande Ser e em outro verso adicionou a descrição da aparência destes cervos :

Tais são sua natureza e maneiras , meu senhor, e tais estes cervos :
Costumam buscar comida para os pais : não podia trazê-los para cá.

Com estas palavras ele descreveu as qualidades do Grande Ser e do cervo Citta e da cerva Sutana ; adicionando isto, “O cervo real, Ó rei, apresentou-me seus pelos ordenando-me que tomasse seu lugar e declarasse a Lei diante da rainha em dez estrofes sobre a vida santa. ( A recensão Burmesa, de Myanmar, Burma, Birmânia, lê : Então o rei o sentou em seu trono real incrustado com os sete tipos de gemas ; e sentando ele mesmo com sua rainha em um assento mais baixo, colocado do lado, com obediência reverente, pediu-lhe que falasse. O caçador falou assim, declarando a Lei :

Com teus pais, rei guerreiro, aja retamente ; e assim
Seguindo vida reta para o céu o rei irá.

Com esposa e filho, Ó rei guerreiro, aja retamente ; e assim
Seguindo vida reta para o céu o rei irá.

Com amigos e cortesãos, rei guerreiro, aja retamente ; e assim
Seguindo vida reta para o céu o rei irá.

Na guerra e em viagem, rei guerreiro, aja retamente ; e assim
Seguindo vida reta para o céu o rei irá.

Nas vilas e nas cidades, rei guerreiro, aja retamente ; e assim
Seguindo vida reta para o céu o rei irá.

Em toda terra e domínio, Ó rei, aja retamente ; e assim
Seguindo vida reta para o céu o rei irá.

Com brahmins e ascetas todos, aja retamente ; e assim
Seguindo vida reta para o céu o rei irá.

Com bestas e pássaros, Ó rei guerreiro, aja retamente ; e assim
Seguindo vida reta para o céu o rei irá.

Aja retamente, Ó rei guerreiro ; disto fluirão todas as bençãos :
Seguindo vida reta para o céu o rei irá.

Com vigilância atenta, Ó rei, vá pelas trilhas da bondade :
Os brahmins, Indra e os deuses ganharam suas divindades assim.

Estas são as máximas contadas desde antigamente : e seguindo os caminhos da sabedoria
A deusa de toda a felicidade ela mesma para o céu se eleva.

Desta maneira o caçador declarou a Lei, como o Grande Ser a mostrou a ele, com habilidade de Buddha, como se estivesse trazendo para baixo para a terra o celeste Ganges. A multidão com milhares de vozes gritou aprovando. O desejo da rainha foi satisfeito quando ela escutou o discurso.) O rei foi agraciado e repeti estas estrofes, enquanto recompensava o caçador com grande honra:

Te dou um brinco em joias, cem moedas de ouro,
Um belo trono como flor de linho, com almofadas quadradas,

Duas esposas de rank e valor iguais, um touro e cinco vacas,
Meu benfeitor ! E legislarei com justiça para sempre.

Comércio, agricultura, coleta, usura, qualquer que seja teu chamado ,
Veja que não peques mas com isto ampare sua família.

Quando ele escutou estas palavras do rei, ele respondeu, “Nenhuma casa ou lar para mim ; conceda, meu senhor, que me torne asceta.” Dado o consentimento do rei, entregou os ricos presentes do rei para sua esposa e família e seguiu para o Himalaia, onde abraçou a vida ascética, e cultivou as Oito Consecuções e tornou-se destinado ao mundo de Brahma. E o rei manteve-se fiel ao ensino do Grande Ser e foi preencher as hostes celestes. O ensinamento durou por mil anos.
__________________

Este discurso terminado, o Mestre disse, “Assim, Irmãos, muito tempo atrás, como agora, Ananda renunciou sua vida por mim.” Então ele identificou o Jataka : “Naquele tempo, Channa era o caçador e Sariputra o rei, uma monja era rainha Khema ; alguns da família do rei eram o pai e a mãe, Uppalavanna era Sutana, Ananda era Citta, o clã Sakiya eram os oitenta mil cervos e eu mesmo era o cervo real Rohanta.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

[ n. do tr : Buddha e os devas ]



A dança crepuscular de Shiva. Shiva dançando no chão dourado de Kailasa, acima dos picos dos Himalaias circundantes para um coro de Devas e Gandharvas ou Kinnaras e diante de Devi entronizada como Raj-rajesvari. Entre os Devas para a esquerda reconhecemos Brahma, Vishnu, Sarasvati, Lakshmi, Karttikeya, Surya, Candra, Ganeshae também Narada e outros rishis e reis ; Agni de três cabeças será visto à direita do grupo de músicos Kinnaras à direita da imagem. Devi é de tez vermelha, quatro braços, e segura o laço ( pasa ) e o chicote d’elefante ( ankusa ).
A descrição seguinte é dada no Shiva Pradosa Stotra :
Tendo a Mãe dos Três Mundos em um trono dourado crivado de gemas preciosas, Salapani dança nas alturas do Kailas e todos os deuses reúnem-se a seu redor.

Sarasvati toca a vina , Indra a flauta, Brahma segura os címbalos marcando o tempo, Lakshmi começa uma canção, Vishnu toca o tambor e todos os devas estão em pé ao redor.

Gandharvas, Yakshas, Patagas, Uragas, Siddhas, Saddhyas, Vidyadharas, Amaras, Apsarasas, e todos os seres habitantes dos Três Mundos reuniram-se lá testemunhando a dança celestial e escutando a música do coro divino na hora do crepúsculo.’


A imagem é Pahari ( Kangra ) fim do séc. XVIII. Tamanho original. Coleção de Babu Gagonendranath Tagore. Vol. I, p. 56.” Prancha LXVII de ‘Rajput Painting’ de Ananda Coomaraswamy, BR Publishing, Delhi, Índia, 2003 ( primeira edição 1916 ) com a explicação do grande mestre. Clique na imagem para vê-la ampliada.


Mahanama Sutta (AN VI.10) - Mahanama ( trad. de Michael Beisert )

Em certa ocasião o Abençoado estava com os Sakyas em Kapilavatthu no Parque da
Figueira-de-bengala. Então o Sakya Mahanama foi até o Abençoado e depois de
cumprimentá-lo, sentou a um lado e disse:
"Venerável senhor, como permanece com frequência um nobre discípulo que tenha
obtido o fruto e compreendido os ensinamentos?"
"Mahanama, um nobre discípulo que tenha obtido o fruto e compreendido os
ensinamentos permanece com frequência desta forma:

(1) "Aqui, Mahanama, um nobre discípulo se recorda do Tathagata assim: 'O
Abençoado é um arahant, Perfeitamente Iluminado, consumado no verdadeiro
conhecimento e conduta, bem-aventurado, conhecedor dos mundos, um líder
insuperável de pessoas preparadas para serem treinadas, mestre de devas e
humanos, desperto, sublime.' Quando um nobre discípulo se recorda do Tathagata,
nessa ocasião a sua mente não está obcecada pela cobiça, raiva, ou delusão; nessa
ocasião a sua mente seguirá firme, baseada no Tathagata. Um nobre discípulo cuja
mente segue firme obtém inspiração do significado, obtém inspiração do Dhamma,
obtém satisfação do Dhamma. Estando satisfeito, o êxtase surge nele; naquele que
está em êxtase, o corpo fica calmo; naquele, cujo corpo está calmo, sente felicidade;
naquele que sente felicidade, a mente fica concentrada. Ele é chamado um nobre
discípulo que permanece equilibrado em meio a uma população desequilibrada, que
permanece sem aflição em meio a uma população aflita. Aquele que entrou na
correnteza do Dhamma desenvolve a recordação do Buda.

(2) Novamente, Mahanama, um nobre discípulo se recorda do Dhamma assim: 'O
Dhamma é bem proclamado pelo Abençoado, visível no aqui e agora, com efeito
imediato, que convida ao exame, que conduz para adiante, para ser experimentado
pelos sábios por eles mesmos.' Quando um nobre discípulo se recorda do Dhamma,
nessa ocasião a sua mente não está obcecada pela cobiça, raiva, ou delusão; nessa
ocasião a sua mente seguirá firme, baseada no Dhamma. Um nobre discípulo cuja
mente segue firme obtém inspiração do significado, obtém inspiração do Dhamma,
obtém satisfação do Dhamma. Estando satisfeito, o êxtase surge nele; naquele que
está em êxtase, o corpo fica calmo; naquele, cujo corpo está calmo, sente felicidade;
naquele que sente felicidade, a mente fica concentrada. Ele é chamado um nobre
discípulo que permanece equilibrado em meio a uma população desequilibrada, que
permanece sem aflição em meio a uma população aflita. Aquele que entrou na
correnteza do Dhamma desenvolve a recordação do Dhamma.

(3) Novamente, Mahanama, um nobre discípulo se recorda da Sangha assim: 'A
Sangha dos discípulos do Abençoado pratica o bom caminho, pratica o caminho reto,
pratica o caminho verdadeiro, pratica o caminho adequado, isto é, os quatro pares
de pessoas, os oito tipos de indivíduos; esta Sangha dos discípulos do Abençoado é
merecedora de dádivas, merecedora de hospitalidade, merecedora de oferendas,
merecedora de saudações com reverência, um campo inigualável de mérito para o
mundo.' Quando um nobre discípulo se recorda da Sangha, nessa ocasião a sua
mente não está obcecada pela cobiça, raiva, ou delusão; nessa ocasião a sua mente
seguirá firme, baseada na Sangha. Um nobre discípulo cuja mente segue firme obtém
inspiração do significado, obtém inspiração do Dhamma, obtém satisfação do
Dhamma. Estando satisfeito, o êxtase surge nele; naquele que está em êxtase, o
corpo fica calmo; naquele, cujo corpo está calmo, sente felicidade; naquele que sente
felicidade, a mente fica concentrada. Ele é chamado um nobre discípulo que
permanece equilibrado em meio a uma população desequilibrada, que permanece
sem aflição em meio a uma população aflita. Aquele que entrou na correnteza do
Dhamma desenvolve a recordação da Sangha.

(4) Novamente, Mahanama, um nobre discípulo se recorda do seu próprio
comportamento virtuoso como intacto, não-lacerado, imaculado, não-matizado,
libertador, elogiado pelos sábios, desapegado, que conduz à concentração. Quando
um nobre discípulo se recorda do seu próprio comportamento virtuoso, nessa
ocasião a sua mente não está obcecada pela cobiça, raiva, ou delusão; nessa ocasião
a sua mente seguirá firme, baseada no comportamento virtuoso. Um nobre discípulo
cuja mente segue firme obtém inspiração do significado, obtém inspiração do
Dhamma, obtém satisfação do Dhamma. Estando satisfeito, o êxtase surge nele;
naquele que está em êxtase, o corpo fica calmo; naquele, cujo corpo está calmo,
sente felicidade; naquele que sente felicidade, a mente fica concentrada. Ele é
chamado um nobre discípulo que permanece equilibrado em meio a uma população
desequilibrada, que permanece sem aflição em meio a uma população aflita. Aquele
que entrou na correnteza do Dhamma desenvolve a recordação do seu próprio
comportamento virtuoso.

(5) Novamente, Mahanama, um nobre discípulo se recorda da sua própria
generosidade assim: 'É deveras um ganho, um grande ganho que numa população
obcecada com a mácula da avareza, eu permaneça em casa com uma mente
desprovida da mácula da avareza, espontaneamente generoso, mão aberta,
deliciando-me com a renúncia, devotado à caridade, deliciando-me em dar e
compartir.' Quando um nobre discípulo se recorda da sua própria generosidade,
nessa ocasião a sua mente não está obcecada pela cobiça, raiva, ou delusão; nessa
ocasião a sua mente seguirá firme, baseada no comportamento virtuoso. Um nobre
discípulo cuja mente segue firme obtém inspiração do significado, obtém inspiração
do Dhamma, obtém satisfação do Dhamma. Estando satisfeito, o êxtase surge nele;
naquele que está em êxtase, o corpo fica calmo; naquele, cujo corpo está calmo,
sente felicidade; naquele que sente felicidade, a mente fica concentrada. Ele é
chamado um nobre discípulo que permanece equilibrado em meio a uma população
desequilibrada, que permanece sem aflição em meio a uma população aflita. Aquele
que entrou na correnteza do Dhamma desenvolve a recordação da sua própria
generosidade.

(6) Novamente, Mahanama, um nobre discípulo se recorda dos devas assim: 'Há os
devas dos Quatro Grandes Reis, os devas do Trinta e três, os devas de Yama, os devas
de Tusita, os devas que se deliciam com a criação, os devas que possuem poderes
sobre a criação dos outros, os devas do cortejo de Brahma, os devas que estão mais
além. Seja qual for a convicção com a qual eles estiveram dotados pela qual - ao
falecer desta vida - eles ressurgiram lá, o mesmo tipo de convicção está presente em
mim também. Seja qual for a virtude com a qual eles estiveram dotados pela qual -
ao falecer desta vida - eles ressurgiram lá, o mesmo tipo de virtude está presente em
mim também. Seja qual for o aprendizado com o qual eles estiveram dotados pelo
qual - ao falecer desta vida - eles ressurgiram lá, o mesmo tipo de aprendizado está
presente em mim também. Seja qual for a generosidade com a qual eles estiveram
dotados pela qual - ao falecer desta vida - eles ressurgiram lá, o mesmo tipo de
generosidade está presente em mim também. Seja qual for a sabedoria com a qual
eles estiveram dotados pela qual - ao falecer desta vida - eles ressurgiram lá, o
mesmo tipo de sabedoria está presente em mim também.' Em todos os momentos
em que um nobre discípulo estiver se recordando da convicção, virtude,
aprendizado, generosidade e sabedoria encontrado tanto nele como nos devas,
nessa ocasião a sua mente não está obcecada pela cobiça, raiva, ou delusão; nessa
ocasião a sua mente seguirá firme, baseada nos devas. Um nobre discípulo cuja
mente segue firme obtém inspiração do significado, obtém inspiração do Dhamma,
obtém satisfação do Dhamma. Estando satisfeito, o êxtase surge nele; naquele que
está em êxtase, o corpo fica calmo; naquele, cujo corpo está calmo, sente felicidade;
naquele que sente felicidade, a mente fica concentrada. Ele é chamado um nobre
discípulo que permanece equilibrado em meio a uma população desequilibrada, que
permanece sem aflição em meio a uma população aflita. Aquele que entrou na
correnteza do Dhamma desenvolve a recordação dos devas.

"Mahanama, um nobre discípulo que tenha obtido o fruto e compreendido os
ensinamentos permanece com frequência desta forma."