terça-feira, 22 de janeiro de 2008

34 Buddha e o Lamento do Peixe



34
Não é o frio...etc.” – Esta história foi contada pelo Mestre enquanto em Jetavana, sobre ser levado pela esposa da vida mundana de antes de juntar-se a Irmandade. Disse o Mestre nesta ocasião, “É vero, como escuto, Irmão, que estais apaixonado?”
“Sim, Bento.”
“Por causa de quem?”
“Minha antiga esposa, senhor, é doce de tocar; não posso largá-la !” Então disse o Mestre, “Irmão, esta mulher te machuca. Foi por ela que em tempos atrás, também estavas encontrando o teu fim, quando te salvei.” E assim dizendo ele contou uma história do passado.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva veio a vida como padre da sua família.

Naqueles dias uns pescadores jogaram a rede no rio. E um baita de um peixe grande vinha brincando amorosamente com sua esposa. Ela, cheirando a rede enquanto nadava à frente dele , fez uma volta e escapou. Mas seu esposo amoroso, cego pela paixão, navegou direto para as malhas da rede. Logo que os pescadores o sentiram na rede, a puxaram, e tiraram o peixe fora; não o mataram logo, mas o atiraram n’ areia. “Vamos cozinhá-lo na brasa e comer,” eles disseram; e  passaram a fazer espeto e juntar graveto para assá-lo. O peixe lamentou dizendo para si mesmo, “Não é a tortura das brasas ou a angústia do espeto ou qualquer outra dor que me aflige; mas o pensar estressante que minha esposa esteja infeliz na crença que fugi com outra.” E repetiu esta estrofe:

Não é o frio nem o calor nem a rede que ferem;
Mas o temor de minha querida esposa pensar
Que outro amor fisgou o esposo dela.

Justo então o padre passava na margem do rio com seus ajudantes para banhar-se. Bem, ele entendia a linguagem de todos os animais. Por isto, escutando o lamento do peixe, pensou consigo mesmo, "Este peixe está chorando o lamento da paixão. Se ele morrer neste estado de mente, não escapará a renascer nos ínferos. Vou salvá-lo!" Então ele foi aos pescadores e disse, “Meus senhores, vocês não fornecem peixe todo dia para nosso curry?” “Que dizes, senhor?” disseram os pescadores; “prego, pegue o peixe que quiseres e leves.” “Nós não precisamos de outro além deste; dê-nos apenas este.” “Ele é seu, senhor.”

Tomando o peixe com as duas mãos, o Bodhisatva sentou-se na areia e disse, "Amigo peixe, se não tivesse te visto ho-je, terias encontrado tua morte. Cesse no futuro de ser escravo da paixão." E assim exortando atirou o peixe na água, e voltou à cidade.

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A lição terminada, o Mestre pregou as Verdades, no final das quais o Irmão apaixonado ganhou o Primeiro Caminho. Também, o Mestre mostrou a conexão e identificou o Jātaka dizendo, “A esposa anterior era a fêmea peixe daqueles dias, o apaixonado Irmão o peixe macho, e eu mesmo o padre da família.”
// Jātakas  216 e  297.






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