terça-feira, 1 de janeiro de 2008

7 "Seu filho eu sou..."




       ( Imagem de ruínas de Savatthi em Kosala )

7
Seu filho eu sou, etc.” – Esta história foi contada pelo Mestre enquanto em Jetavana sobre Vāsabha-Khattiyā, cuja história será contada no Jātaka n.o 465. Tradição nos diz que ela era filha de Mahānāma Sakra com uma escrava chamada Nāgamundā, e que ela depois tornou-se consorte do rei de Kosala. Ela concebeu um filho do rei; mas o rei vindo a saber sua origem servil, baixou o rank dela, e também do filho Vidudabha. Mãe e filho nunca saíram para fora do palácio.

Escutando isto, o Mestre cedo àurora veio ao palácio junto com quinhentos Irmãos, e, sentando no lugar para ele preparado, disse, “Senhor, onde está Vāsabha-Khattiyā?”

Então o rei contou o que tinha acontecido.

 “Senhor, filha de quem é Vāsabha-Khattiyā?” “Filha de Mahānāma, senhor.” “Quando ela veio, veio para ser esposa de quem?” “Minha esposa, senhor.” “Senhor, ela é filha de rei; é casada com rei; para o rei concebeu seu filho. Não tem este filho autoridade sobre o reino que pertence ao governo de seu pai? Em dias passados, um monarca que teve um filho com uma catadora de lenha casualmente ( n. do tr.: a palavra muhuttikāya significa, literalmente, “momentâneo,” ou talvez possa ser traduzida por “com quem casou por um tempo.” Professor Künte (Ceylon R.A.S. Journal, 1884, p.128) vê na palavra uma referência a forma de casamento tipo Muhurta (mohotura), que “contrai-se mais entre os Mahrathas do que entre os Brahmanas,” e o qual ele compara com a forma familiar Gāndharva, i.e. união (legal) por consentimento mútuo, no estímulo do momento, sem quaisquer preliminares formais), deu a este filho a soberania.”

O rei pediu ao Abençoado que contasse esta história. Bento tornou claro o quê estava escondido pelo re-nascer.

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Certa vez em Benares, Brahmadatra o rei, saiu em grande estado para o jardim, e, errando em busca de frutas e flores chegou em uma mulher que cantava feliz enquanto catava lenha no bosque. Caindo de paixão a primeira vista, o rei tornou-se íntimo dela e o Bodhisatva foi concebido then and there lá e então. Sentindo-se pesada dentro como se carregasse o raio de Indra, a mulher soube que seria mãe, e disse isso ao rei. Ele deu a ela o anel-sinete do dedo e a despediu com estas palavras: - “Se for uma menina, gaste o valor do anel com sua alimentação; mas se for um menino, traga criança e anel para mim.”

Quando chegou o dia do parto, nasce o Bodhisatva. E quando já podia correr e brincar no playground, um grito se levantou, “Sem-pai me bateu!” Escutando isto, o Bodhisatva correu até sua mãe e perguntou quem era seu pai.

“És filho do Rei de Benares, meu filho.” “Que prova há disto, mãe?” “Meu filho, o rei quando me deixou me deu este anel-sinete e disse, ‘Se for menina, gaste o valor na alimentação dela; mas se for menino, traga a criança e o anel para mim.’” “Por quê então você não me leva no meu pai, mãe?”
Vendo o garoto de cabeça feita ela o leva ao palácio, e fez sua chegada ser anunciada ao rei. Sendo chamada ela entra e abaixa-se diante de sua majestade e diz, “Este é seu filho, senhor.”

O rei bem que sabia que era verdade, mas a vergonha diante de toda a corte fê-lo responder: “Ele não é meu filho.” “Mas aqui está seu anel-sinete, senhor; você o reconhecerá.” “Nem isto é meu anel-sinete.” Então a mulher disse, “Senhor, não tenho testemunha para provar minhas palavras, a não ser apelar à verdade. Portanto, se és o pai do meu filho, prego que ele pouse no ar; mas se não, que caia no chão e morra.” Assim dizendo ela com o pé atirou o Bodhisatva no ar.

Sentado de pernas cruzadas pousado no ar, o Bodhisatva em doces tons repetiu a estrofe a seu pai, declarando a verdade:-

Seu filho eu sou, grande monarca; erija-me, Senhor!
O rei erige os outros, e ainda mais seu filho.

Escutando o Bodhisatva ensinar a verdade a ele pousado no ar, o rei estendeu os braços e gritou, “Venha p’ra mim, meu filho! Ninguém, ninguém a não ser eu, deve erigi-lo e nutri-lo!” Milhares de mãos foram estendidas para receber o Bodhisatva; mas foi nos braços do rei e em nenhum outro que ele desceu, sentando na perna do rei. O rei fez dele vice-rei e da mãe rainha. À morte do pai, chegou ao trono com o título de Rei Katthavāhana – catador de lenha -, e após reinar retamente, passou sendo tratado de acordo com seus méritos.

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Terminada a lição ao rei de Kosala, e as estórias duas contadas, o Mestre fez a conexão juntando as duas, e identificando o Jātaka dizendo:- “Mahāmāyā era a mãe naqueles dias, Rei Suddhodana era o pai, e eu mesmo Rei Katthavāhana.”






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