segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

33 Buddha Codorna


33
Enquanto reina a concórdia...etc.” – Esta história foi contada pelo Mestre enquanto residia no Bosque de Árvore Banian perto de Kapilavasthu, sobre uma briga por causa de uma almofada, como será relato no Jātaka 536.

Nesta ocasião, contudo, o Mestre assim falou a seus parentes: - “Meus senhores, disputa entre familiares é imprópria. Sim, em tempos passados, animais, que derrotaram seus inimigos quando viviam em concórdia, foram destruídos quando brigaram.” E ao pedido dos parentes reais, contou uma história do passado.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), o Bodhisatva nasceu Codorna, e vivia na floresta chefiando muitos milhares de codornas. Naqueles dias um caçador que apanhava codornas chegou no lugar; ele usava imitar a nota de uma codorna até perceber que os pássaros se aproximavam, quando então ele jogava sua rede em cima, e amarrava os lados da rede de modo juntá-los todos em uma pilha. Enchia a cesta com eles e voltando para casa vendia sua presa para viver.

Bem, um dia o Bodhisatva disse a estas codornas, “Este caçador está destruindo nossa família. Conheço um artifício pelo qual ele será incapaz de pegar-nos. Assim, no momento mesmo que ele jogar a rede em cima de vocês, cada um coloque a cabeça através da malha e todos vocês juntos então devem voar com a rede para o lugar que quiserem, e lá deixem-na cair num espinheiro; isto feito, escaparemos destas muitas malhas.” “Muito bem,” disseram eles todos em pronto assentimento.

De manhã, quando a rede foi jogada em cima deles, eles fizeram justo como o Bodhisatva disse: - levantaram a rede, e a deixaram cair num espinheiro, escapando por baixo os pássaros. Enquanto o caçador desengatava sua rede chegou a noite; e ele voltou de mãos vazias. De manhã e nos dias seguintes as codornas utilizaram o mesmo truque. De modo que tornou-se coisa regular o caçador ficar engajado em desengatar a rede até a noite e então voltar para casa de mãos vazias. Com isto sua esposa ficou irada e disse, “Todo dia voltas de mãos vazias; suponho que tenhas em outro lugar uma outra para manter.”

“Não, minha querida,” disse o caçador; “Não tenho outra para manter. O fato é que aquelas codornas estão trabalhando juntas agora. No momento que jogo minha rede nelas, elas voam com ela e escapam, levando-a a um espinheiro. Deixa, elas não viverão unidas para sempre. Não te preocupes; logo que elas começarem a discutir entre si, ensacarei o lote, e isto trará a tua face um sorriso.” E assim dizendo, ele repetiu esta estrofe para a esposa:-

Enquanto reina a concórdia, os pássaros afastam a rede.
Quando surge querela, caem presa minha.

Não muito depois disto, uma das codornas, pousando no campo, pisou sem querer a cabeça de outra. “Quem pisou minha cabeça?” gritou irada esta última. “Fui eu; mas foi sem querer. Não fique bolado,” disse a primeira codorna. Mas, apesar desta resposta, a outra continuou irada como antes. Continuando a responder uma à outra, chegaram à troca de insultos, assim, “Suponho que é você sozinha que leva a rede.” Enquanto brigavam uma com a outra o Bodhisatva pensou consigo mesmo, “Não há salvação com a pessoa briguenta. Chegou o momento em que não mais levantarão a rede, e por isto irão para a destruição. O caçador terá sua oportunidade. Não posso mais ficar aqui."

Com certeza o caçador voltou uns poucos dias depois, e primeiro juntando-as imitando a nota de uma codorna, jogou a rede sobre elas. Disse então uma codorna, “Falam que quando levantando a rede, as penas da sua cabeça caem. Sua hora; levante-a.” O outro respondeu, “Quando levantas a rede, dizem que suas duas asas mudam as penas. Chegou sua hora; levante-a.”

E enquanto um convidava o outro para levantar a rede, o caçador levantou a rede por eles e amontoou-os numa cesta e levou-os para casa, de modo que o rosto de sua esposa ficou coberto de sorrisos.

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“Assim, senhor,” disse o Mestre, “tal coisa como querela entre parentes é imprópria; querela à destruição apenas leva.” Sua lição terminada, ele mostrou a conexão, e identificou o Jātaka, dizendo, “Devadatra era a tola codorna daqueles dias, e eu mesmo a Codorna boa e sábia.”









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