sábado, 26 de janeiro de 2008

38 Buddha Fada d'árvore



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Engano não lucra...etc.” – Esta história foi contada pelo Mestre enquanto em Jetavana sobre um Irmão alfaiate.

Tradição diz que em Jetavana morava um Irmão que era extremamente hábil em trabalhos realizados com pano, tais como cortar, juntar, arranjar e alinhavar. Por causa desta habilidade ele costumava fazer roupas e semelhantes e recebeu o nome de ‘Alfaiate de mantos.’ O quê, você pergunta, ele fazia? – Bem, ele exercitava seu ofício em trapos velhos e transformava em mantos novos e belos, que após o tingimento, enriquecia na cor com uma lavagem contendo um pó para valorizar a roupa, envolta como com uma concha, até torna-la esperta e atraente. E então deixava o artesanato do lado.

Ignorantes da feitura de roupas, os Irmãos usavam vir a ele com tecidos novos de pano, dizendo, “Não sabemos fazer roupas; faça-as para nós.” “Senhores,” ele respondia, “uma roupa leva muito tempo para ser feita; mas tenho uma que acabei de fazer. Podem levá-la, se deixarem estes panos em troca.” E, assim falando, ele traz a roupa para fora e mostra-lhes. E eles, percebendo apenas sua bela cor, e não sabendo de nada de como fora feita, pensavam que era uma roupa boa e forte, e então trocaram os panos novos com o ‘Alfaiate de mantos’ e saíram com o manto que ele dera a eles.

Quando ficou sujo e estava sendo lavado em água quente, revelou seu caráter verdadeiro, e as costuras alinhavadas ficaram visíveis aqui e lá. Então os proprietários se arrependeram da barganha. Em todo lugar este Irmão ficou conhecido por lesar deste jeito os que vinham até ele.

Bem, havia um alfaiate de manto numa aldeia que lesava todos justo como o irmão fazia em Jetavana. Os amigos deste homem entre os Irmãos disseram a ele, “Senhor, eles dizem que em Jetavana há um alfaiate de manto que lesa a todos justo como tu.” Atingiu-lhe um pensamento, “Vamos agora, que eu lese este homem da cidade!” então ele fez de trapos velhos um manto bem fino, que tingiu em bela cor laranja. Colocou o manto e foi para Jetavana. No momento que o outro o viu, o cobiçou, e disse ao dono, “Senhor, me dê este manto; pode pegar outro no lugar.” “Mas, senhor, para nós Irmãos do campo é difícil arranjar Requisitos; se ter der isto, o quê vestirei?” “Senhor, tenho panos novos no meu alojamento; pegue-os e faça um manto para ti.” “Reverendo senhor, aqui mostro meu artesanato; mas se falas assim, que posso fazer? Pegue.” E tendo deste jeito lesado o outro trocando trapos velhos por panos novos, saiu fora.

Depois de vestir a roupa remendada, o homem de Jetavana não muito depois lavou-a em água quente quando percebeu ser de trapos, velhos; e foi humilhado. Toda a Irmandade escutou as novidades que o homem de Jetavana fora lesado pelo alfaiate de manto do campo.

Bem, um dia os Irmãos estavam sentados no Salão da Verdade, discutindo quando o Mestre entrou e perguntou o quê discutiam; e contaram a ele tudo sobre.

Disse o Mestre, “Irmãos, não foi a única vez em Jetavana que houve destes truques do alfaiate de manto para enganar; em tempos passados também ele fez o mesmo, e, foi lesado como agora pelo homem do campo, como o foi também em dias passados.” E assim falando, contou uma história do passado.

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Certa vez o Bodhisatva veio à vida em um certo refúgio na floresta como Fada d'árvore de uma certa árvore que estava num certo lago de lótus. Naqueles dias a água costumava todo verão cair lentamente num certo lago, não muito grande, - que tinha estoque abundante de peixe. Vendo estes peixes, uma siriema disse para si mesma, “Tenho que achar um jeito de engambelar e comer estes peixes.” Então ela foi e sentou em profundo pensar do lado da água.

Bem quando os peixes a viram, disseram, “Pensas em que, meu senhor, sentado aí?” “Penso em vocês,” foi a resposta. “E qual será este pensar senhorial sobre nós?” “A água neste lago sendo pouca, comida escassa, e o calor intenso, - pensava comigo mesma aqui, o quê vocês peixes farão.” “E o quê podemos fazer, meu senhor?” “Bem, se vocês aceitarem meu conselho, pegarei vocês um a um no bico, e carregarei vocês todos para um lago belo e largo coberto com as cinco variedades de lótus, e lá os deixarei.” “Meu senhor,” eles disseram, “nenhuma siriema jamais teve a menor preocupação com peixes desde que o mundo começou. Você deseja é comer-nos um a um.” “Não; não comerei se acreditares em mim,” disse a siriema. “Se vocês não acreditam na minha palavra que existe tal lago, mande alguém de vocês ir comigo lá em tal lago, envia um de vós para ver por si mesmo.”

Acreditando na siriema, os peixes apresentaram a ela um baita dum peixão (aliás, cego de um olho), que pensavam seria páreo para a siriema mesmo fora d’água; e eles disseram, “Vai este aqui contigo.”

A siriema tirou o peixão fora e o colocou no outro lago, e após mostrá-lo toda a extensão, trouxe de volta, e o colocou no lago anterior com os outros peixes. E contou a todos os encantos do novo lago.
Após o relato, eles ficaram ansiosos para lá ir, e disseram à siriema, “Muito bem, meu senhor; por favor atravesse-nos.”

Primeiro de todos a siriema pegou o peixão de um olho de novo e carregou-o para a borda do lago de onde ele via a água, mas na realidade pendurou numa árvore Varana que crescia na margem.

Colocando o peixe de cabeça para baixo numa forquilha da árvore, ela o pendurou para morrer, - após o quê comeu com o bico o peixe todo e deixou os ossos caírem aos pés d'árvore. E voltou e disse, “Joguei ele lá; quem é o próximo?” E assim ela/ele tomou os peixes um a um, e comeu todos, até que por fim quando voltou não achou nenhum. Mas havia ainda um caranguejo que ficou no lago; então a siriema que queria comer ele também, disse, “Senhor Caranguejo, peguei todos aqueles peixes e levei para um lago belo e largo coberto de cinco tipos de lótus. Venha; levarei você também.” “Como me carregarás?” disse o caranguejo. “Pois, no meu bico, com certeza,” disse a siriema. “Ah, você assim me deixaria cair,” disse o caranguejo; “Não quero ir com você.” Pensou o caranguejo consigo mesmo, “Ele não colocou os peixes no lago. Mas se realmente ele me colocasse seria excelente. Se ele não colocar, - pois corto a cabeça dele fora e mato-o.” Então falou para a siriema, “Nunca serias capaz de me segurar apertado o suficiente, amiga siriema; enquanto que nós caranguejos temos um apertar forte e seguro. Se puder segurar seu pescoço com minhas garras, teria firmeza e poderia ir contigo.”

Sem suspeitar que o caranguejo queria enganá-la, a siriema consentiu. Com suas garras o caranguejo agarrou no pescoço da siriema como pinças de um ferreiro, e disse, “Agora pode partir.” A siriema levou-o e mostrou-o o lago primeiro e depois subiu para a árvore.

“O lago lá descansa, irmãzinha,” disse o caranguejo; “mas levas-me para outro lado.” “Sua irmãzinha eu sou mesmo! disse a siriema; “e meu sobrinho és tu! Suponho que pensas que sou seu escravo para levá-lo e carregá-lo por aí! Apenas olhe para o monte de ossos no pé da árvore; comi todos aqueles peixes, e também comerei você.” Disse o caranguejo, “Foi por causa da loucura deles que estes peixes foram comidos por ti; mas não te darei a mínima chance de me comer. Não; o quê devo fazer é matar-te. Pois tu, tolo que és, não vê que estou te enganando. Se morrermos, morreremos os dois juntos; eu cortarei tua cabeça fora.” E assim dizendo ele apertou a raquítica siriema com sua garras como pinças fossem. Com a boca largamente aberta, e lágrimas correndo dos olhos, a siriema, temendo pela vida, disse, “Senhor, realmente não te comerei ! Poupe minha vida!”

“Bem, então, apenas pouse no lago e deixe-me lá entrar,” disse o caranguejo. Então a siriema retornou e voltou para o lago direto, e deixou o caranguejo no mangue, na borda d’água. Mas o caranguejo, antes de entrar na água, habilmente podou a cabeça da siriema como se cortasse um caule de lótus com uma faca.

A Fada d'árvore, que nela morava, marcando esta coisa maravilhosa, fez a floresta toda soar de aplauso repetindo esta estrofe em doces tons:-

Engano não lucra à pessoa enganosa.
Marquem o quê a enganosa siriema obteve do caranguejo!

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“Irmãos,” disse o Mestre, “não é esta a primeira vez que este sujeito foi enganado pelo alfaiate de manto do campo; no passado foi lesado da mesma maneira.” Sua lição terminada, ele mostrou a conexão, e identificou o Jātaka, dizendo, “O alfaiate de manto de Jetavana era a siriema daqueles dias, o alfaiate de manto do campo era o caranguejo, e eu mesmo a Fada d'árvore.”








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