sábado, 26 de janeiro de 2008

37 Buddha Perdiz



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Pois aqueles que honram idade...etc.” – Esta história foi contada pelo Mestre enquanto a caminho de Sāvatthi, sobre o modo como o Ancião Sāriputra dormiu na rua.

Pois quando Anātha-pindika construiu seu mosteiro, e mandou avisar que estava pronto, o Mestre deixou Rājagaha e veio para Vesāli, colocando-se em viagem novamente depois de aí ficar a bel prazer. Foi quando os discípulos dos Seis correram na frente e, antes que quartos pudessem ser dados os Anciãos, monopolizaram o conjunto dos aposentos, que distribuíram entre seus superiores, seus professores e para eles mesmos. Quando os Anciãos chegaram mais tarde, não encontraram quartos para passar a noite. Até os discípulos de Sāriputra, depois de muito buscarem, não puderam encontrar aposentos para o Ancião. Ficando sem quarto, o Ancião passou a noite ao pé de uma árvore próxima ao quarto do Mestre, ao andando ao redor da árvore ou sentado ao pé da árvore.

Aurora o Mestre tossiu quando saiu. O Ancião tossiu também. “Quem ‘tá aí?” perguntou o Mestre. “É Sāriputra, senhor.” “Que ‘cê ‘tá fazendo aqui a esta hora, Sāriputra?” Então o Ancião contou a história ao final da qual o Mestre pensou, “Mesmo agora, ainda enquanto ainda estou vivo, os Irmãos perdem a cortesia e a subordinação; o quê eles não farão quando eu tiver morrido e partido?” E o pensamento o encheu de ansiedade pela Verdade. Logo que veio o dia, fez reunir a assembléia dos Irmãos, e os perguntou dizendo, “É vero, Irmãos, como escuto, que os discípulos dos Seis correram na frente e deixaram os Anciãos entre os Irmãos dormindo à noite à rua?” “É vero, Bento,” foi a resposta. Por isto com uma censura aos discípulos dos Seis e como lição a todos, ele se dirigiu aos Irmãos e disse, “Digam-me, quem merece o melhor aposento, a melhor água, e o melhor arroz, Irmãos?”

Alguns responderam, “Aqueles que eram nobres antes de tornarem-se Irmãos.” Outros disseram, “Aquele que originalmente era brahmin, uma pessoa de meios.” Outras severamente disseram, “A pessoa versada nas Regras da Ordem; a pessoa que pode expor a Lei; as pessoas que alcançaram o primeiro, segundo, terceiro e quarto estágio do ênstase místico.” Enquanto outros disseram, “A pessoa no Primeiro, Segundo, ou Terceiro Caminho da Salvação, ou um Arahat; alguém que saiba as Três Grandes Verdades; alguém que tenha os Seis Altos Conhecimentos.”

Após os Irmãos terem colocado a quem pensavam seriamente tinha a precedência em matéria de alojamento e similares, o Mestre disse, “Na religião que ensino, o padrão da precedência em matéria de alojamento e similares não é dada, por nobre nascer, ou ter sido brahmin, ou ter posses antes de entrar na Ordem; o padrão não é a familiaridade com as Regras da Ordem , com os Sutras, ou com os Livros Metafísicos (as três cestas, tri pitakas) ; nem está no atingir quaisquer dos quatro estágios de ênstase místico, ou de andar em quaisquer dos Quatro Caminhos da salvação. Irmãos, na minha religião é antiguidade que clama respeito em palavra e ato, saudação, e serviço devido; são os mais velhos que devem gozar do melhor alojamento, da melhor água, e do melhor arroz. Este é o padrão verdadeiro, e portanto o Irmão mais velho deve ter estas coisas. Contudo, Irmãos, aqui está Sāriputra, que é meu discípulo chefe, que girou a Roda da Verdade Menor, e que merece alojamento junto do meu. E Sāriputra passou esta noite sem quarto ao pé de uma árvore! Se vocês faltam ao respeito agora, como será o comportamento de vocês depois?”

E para posterior instrução, ele disse, “Em tempos passados, Irmãos, mesmos os animais chegaram a conclusão que era impróprio a eles, viver sem respeito e subordinação mútua, ou sem ordenar a vida comum; estes animais mesmos resolveram encontrar entre eles, quem era o mais velho, e então mostrar-lhe todos os tipos de reverência. Então pesquisaram a matéria, e tendo encontrado quem entre eles era o sênior, apresentaram-lhe todas as formas de reverência, de onde passaram ao terminar aquela vida para o céu das gentes.” E assim dizendo, ele contou esta história do passado.

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Certa vez, junto de uma grande árvore banian nas encostas dos Himālaias , moravam três amigos, - uma perdiz, um macaco, e um elefante. E vieram a perder respeito e subordinação um pelo outro, e desordenaram a vida comum. E veio-lhes o pensamento de que não era conveniente para eles viverem deste jeito, e teriam de descobrir quem entre eles era o sênior, o mais velho, e honrá-lo.

Enquanto pensavam quem era o mais velho, um dia uma ideia atingiu-lhes. Disse a perdiz e o macaco ao elefante quanto os três sentavam juntos ao pé da árvore banian, “Amigo, quão grande era esta árvore banian na sua primeira memória?” Disse o elefante, “Quando eu era bebê, esta árvore banian era um mero arbusto, por cima do qual passava andando; se parava em cima dela, seus ramos mais altos alcançavam minha barriga. Lembro dela quando mero arbusto.”

Depois ao macaco foi feito a mesma pergunta pelos outros dois; e ele respondeu, “Meus amigos, quando ainda pequenino, tinha só que esticar o pescoço parado no chão , e podia comer os brotos desta banian. De modo que conheço esta banian desde pequenina.”

Então à perdiz foi feita a mesma pergunta pelos outros dois; e ela disse, “Amigos, antes havia uma grande árvore banian em tal e tal lugar; comi as sementes dela, as evacuei aqui; que é a origem desta árvore. Portanto conheço esta árvore antes dela nascer e sou mais velhos que vocês dois.”

Daí o macaco e o elefante disseram à perdiz sábia, “Amiga, és a mais velha. Portanto deves ter de nós atos de honra e veneração, marcas de obediência e homenagem, respeito na palavra e ato, saudação e tudo que é devido; e seguiremos seus conselhos. Você da sua parte agradar-se-á em dar conselhos quando precisarmos.”

Daí em diante a perdiz deu-lhes conselhos, e estabeleceu-os nos Mandamentos, que ela também seguia e mantinha. Estando estabelecidos nos Mandamentos, e sendo respeitáveis e subordinados uns aos outros, com ordem própria na vida comum, estes três asseguraram-se renascer no céu ao término da vida.

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“Os esforços destes três” – continuou o Mestre – “veio a ser conhecido como a ‘Santidade da Perdiz,’ e se estes três animais, Irmãos, viveram juntos em respeito e subordinação, como podem vocês, que abraçaram uma Fé as Regras da qual são bem conhecidas, vivem juntos sem respeito e subordinação? De agora em diante, ordeno, Irmãos, que à antiguidade devem ser prestados respeitos de palavra, ação, saudação, e tudo devido; tal antiguidade deve ter o título do melhor alojamento, a melhor água, e o melhor arroz; e que nunca mais um ancião durma na rua lugar preterido por jovens. Quem quer que faça um ancião dormir na rua comete ofensa.”
Foi no fechar desta lição que o Mestre, como Buddha, repetiu esta estrofe:-

Pois aqueles que honram idade, são versados em Verdade;
Louvor agora, benção depois, são seus prêmios.

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Quando o Mestre terminou de falar da virtude de reverenciar idade, ele fez a conexão e identificou o Jātaka dizendo, “Moggaallāna era o elefante naqueles dias, Sāriputra o macaco, e eu mesmo a sábia perdiz.”

 [ Nota-se a origem do velho adágio, 'quem cospe a semente é que é dono da fruta' trazendo aos dias atuais o ensinamento antigo de respeito aos anciãos ; e no jataka anterior a origem do tempestade em copo d'água que veio do jacaré em poça d'água. A Codorna e a Perdiz : a cidade dos pássaros era em Kashmir .]












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