terça-feira, 2 de setembro de 2008

181 Buddha Príncipe Sem-par


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                                                      Taxila, Paquistão. 


181
Príncipe Sem-par, hábil no ofício de arqueiro...etc.” - Esta história o Mestre contou em Jetavana, sobre a Grande Renúncia. O Mestre falou, “Não apenas ho-je , Irmãos, que o Tathagata fez a Grande Renúncia : em dias outros ele também renunciou ao parassol branco da realeza, fazendo o mesmo.” E ele contou uma história do passado.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), o Bodhisatva foi concebido como filho da Rainha. Ela deu a luz em segurança ; e no dia do batismo deram a ele o nome de Asadisa-Kumara, Príncipe Sem-par. Quando já andava, a Rainha concebeu outro que também era um ser sábio. Este ela também deu à luz em segurança e no dia do batismo chamaram o bebê de Brahmadatra-Kumara ou Príncipe Enviado do céu.

Quando Príncipe Sem-par estava com dezesseis, ele foi para Takkasila ( Taxila ) educar-se. Lá aos pés de um professor famoso aprendeu os Três Vedas e as Dezoito Consecuções ; na ciência do arco era sem-par ; e voltou então para Benares.

Quando o rei estava em seu leito fúnebre ele ordena que Príncipe Sem-par seja rei em seu lugar e Príncipe Brahmadatra herdeiro legítimo. Então ele morreu ; após o quê a realeza foi oferecida a Sem-par, que recusou, dizendo que não tinha interesse nela. Então consagraram Brahmadatra rei com uma aspersão. Sem-par não se interessava por glória e nada queria.

Enquanto o irmão mais jovem reinava, Sem-par vivia em todo o estado real. Os escravos vieram e o caluniaram para seu irmão ; “Príncipe Sem-par quer ser rei !” eles disseram. Brahmadatra acreditou neles e deixou-se enganar ; enviou alguns homens para aprisionar Sem-par.

Um dos ajudantes do Príncipe Sem-par, conta a ele o que se passa. Ele cresce em ira contra seu irmão e sai para outro país. Quando lá chega, envia mensagem ao rei dizendo que um arqueiro chega e espera por ele. “Qual o ordenado que ele pede?” inquire o rei. “Cem mil por ano.” “Bom,” disse o rei ; “deixe-o entrar.”

Sem-par entra à presença do rei e fica esperando. “É você o arqueiro ?” pergunta o rei. “Sim, Senhor.” “Muito bem, tomarei você a meu serviço.” Após o quê Sem-par ficou à serviço deste rei. Mas os velhos arqueiros ficaram incomodados com o salário que foi dado a ele ; “Muito,” resmungaram.

Um dia aconteceu do rei sair para o parque. Lá, debaixo da mangueira, onde uma tela foi levantada junto a um certo assento cerimonial de pedra, ele reclinou em magnífica cama. Aconteceu de levantar os olhos e direto ver no topo d'árvore um cacho de manga. “É muito alto para subir,” ele pensou ; chamando os arqueiros então, perguntou a eles se poderiam cortar o cacho lá no alto com uma flecha e trazê-lo para ele. “Oh,” eles disseram, “isto não é muito para nós fazermos. Mas sua majestade já viu o suficiente de nossa habilidade. O novo arqueiro é mais bem pago que nós, e talvez devas pedir a ele que traga o fruto para baixo. “

O rei chama então Sem-par e pergunta a ele se poderia fazê-lo. “Ah, sim, sua Majestade, se eu puder escolher minha posição.” “Que posição você quer ?” “O lugar em que está sua cama.” O rei fez a cama ser removida e deu o lugar.

Sem-par não tinha arco na mão ; ele usava carregá-lo debaixo da roupa ; por isto precisava da tela. O rei ordena que a tela seja trazida e colocada para ele, e nosso arqueiro entrou. Ele se despiu da roupa branca com que se cobria todo e colocou um roupa vermelha que colava na pele ; então amarrou o cinto colocando uma roupa vermelha na cintura. De um saco retirou uma espada em peças, que armou e colocou no seu lado esquerdo. Depois colocou uma cota de malha dourada, amarrou aljava às costas e pegou seu grande arco cortado, feito de várias peças, que ele armou, fixou uma corda, vermelha como coral ; colocou um turbante na sua cabeça ; rodando a flecha com as unhas, abriu a cortina, tela, e saiu, parecendo com um príncipe serpente justo emergindo de um leito de rio. Ele foi para o lugar de tiro, colocando a flecha no arco e fez esta pergunta ao rei. “Sua Majestade,” disse ele, “devo trazer a fruta para baixo com um tiro de baixo, ou caindo de cima a flecha sobre ele ?”

Meu filho,” disse o rei, “já vi várias vezes um alvo cair com um tiro de baixo mas nunca com um caindo de cima. E melhor se você fizer a flecha cair em cima dele.”

Sua Majestade,” disse o arqueiro, “esta flecha voará alto. Até o céu dos Quatro Grandes Reis ela voará e então retornará em si mesma. Você por favor tenha paciência até que ela retorne.”

 O rei prometeu. Então o arqueiro disse novamente, “Sua Majestade, esta flecha  na subida cortará o caule exactamente no meio ; e quando voltar para baixo, não desviará nem um fio de cabelo para nenhum dos lados mas atingirá o mesmo lugar com exatidão e trará para baixo o cacho com ela.” Assim ele lançou a flecha rapidamente. Enquanto a flecha subia cortou o galho do cacho de manga exactamente no centro. No momento que o arqueiro soube que sua flecha alcançara o lugar chamado dos Quatro Grandes Reis, ele soltou outra flecha com mais velocidade que a primeira. Esta atingiu a pena da primeira flecha e a fez girar ; e ela mesma segue tão longe quanto o céu dos Trinta e Três Arcanjos. Lá as deidades a catam e a guardam.

O som da flecha caindo enquanto clivava o ar era como o som de um trovão. “Que barulho é este ?” perguntava toda pessoa. “Isto é a flecha caindo,” respondeu nosso arqueiro. Os circundantes ficaram todos aterrorizados até a morte, temendo que a flecha caísse em cima deles ; mas Sem-par confortou-os. “Nada temam,” disse ele, “cuidarei para que não caia em terra.” Para baixo vinha a flecha, sem desviar nem um fio de cabelo para nenhum dos lados mas corta com exatidão o galho do cacho de manga. O arqueiro pega a flecha com uma das mãos e a fruta com a outra, de modo que não atingiram o solo. “Nós nunca vimos tal coisa antes !” gritaram os espectadores, com esta maravilha. Como louvaram o grande homem ! Como riram e bateram palmas e dedos, milhares de lenços agitados no ar ! Em sua alegria e delícia os cortesãos deram presentes a Sem-par que amontoaram em dez milhões de dinheiros. E o rei também concedeu presentes e honras a ele como chuva copiosa.

Enquanto o Bodhisatva recebia tal glória e honra às mãos deste rei, sete reis, que souberam que não estava Príncipe Sem-par em Benares, suscitaram uma liga ao redor da cidade e convocaram o rei para ou brigar ou se render. O rei temeu em perder a vida. “Onde está meu irmão ?” ele perguntou. “Ele está a serviço de um rei vizinho,” foi a resposta. “Se meu caro irmão não vier,” ele disse, “sou um homem morto. Vá, caiam aos pés dele em meu nome, apaziguem-no e tragam-lo aqui !” Seus mensageiros foram e fizeram a viagem. Sem-par tomou licença de seu patrão e retornou a Benares. Ele confortou seu irmão e disse para nada temer ; enrolou então uma mensagem em uma flecha dizendo assim : “Eu, Príncipe Sem-par, retornei. Pretendo matá-los todos com uma flecha só que atirarei em vós. Que aqueles que se importam com a vida, escapem.” Esta flecha ele atirou de tal modo que caiu no meio de uma tigela de ouro da qual comiam os sete reis juntos. Quando leram o que estava escrito, todos fugiram, meio mortos de medo.

Assim nosso Príncipe colocou para fugir sete reis, sem derramar nem mesmo o sangue que uma pequena mosquita pode sugar ; então, olhando para seu irmão mais jovem, ele renuncia suas luxúrias e abandona o mundo, cultivando as Faculdades e Consecuções e no fim da vida foi para o céu de Brahma.

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E deste jeito,” disse o Mestre, “Príncipe Sem-par derrotou os sete reis e ganhou a batalha ; após o quê tomou vida religiosa.” Então tornando-se perfeitamente iluminado ele fala estes dois versos :

Príncipe Sem-par, hábil no ofício de arqueiro, chefe forte ele era ;
Rápido como o relâmpago solta sua flecha, ruína de guerreiros grandes.

Entre seus inimigos, que estrago ele fez ! Ainda assim não feriu um'alma ;
Ele salvou seu irmão ; e ganhou a graça do auto-controle.

Quando o Mestre termina este discurso, identifica o Jataka: “Ananda era então o irmão mais jovem e eu mesmo o mais velho.”



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