sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

44 Buddha Mercador


44
Amigos insensatos ...etc.” – Esta história foi contada pelo Mestre enquanto em peregrinação de coleta de oferta em Magadha, sobre uns aldeões estúpidos de uma certa vila. Tradição diz que após viajar de Sāvatthi para o reino de Magadha, estava na sua volta naquele reino quando chegou numa certa aldeia, repleta de tolos. Nesta aldeia estes tolos se encontraram um dia e discutindo diziam, “Amigos, quando estivermos trabalhando na jângal, os mosquitos nos devoram; e isto atrasa nosso trabalho. Vamos armados de arcos e e armas, guerrearmos os mosquitos e acertá-los e rachá-los até a morte.” Então saíram para a jângal e gritando, “Acertem os mosquitos,” acertaram e atingiram um ao outro, até estarem em triste estado e retornarem, só para jogarem-se no chão, dentro ou fora da vila ou na entrada.

Cercado pela Ordem dos Irmãos, o Mestre veio em busca de oferta naquela vila. Uma minoria sensível entre os habitantes logo que viram o Abençoado, erigiram um pavilhão na entrada da vila deles e, após concederem largas ofertas à Irmandade com o Buddha à cabeça dela, inclinaram-se ao Mestre e sentaram-se também. Observando pessoas feridas sentadas ao redor deste lado e do outro, o Mestre perguntou àqueles irmãos leigos, dizendo, “São numerosos os lesados aqui; o quê aconteceu a eles?” “Senhor,” foi a resposta, “ eles saíram em guerra aos mosquitos mas apenas atingiram um ao outro e lesaram-se mutuamente.” Disse o Mestre, “Esta não é a primeira vez que este povo tolo dá golpes em si mesmo ao invés de aos mosquitos que propunham-se matar; em dias anteriores também, houve quem propondo-se atingir um mosquito acertou, ao invés, uma criatura amiga.” E assim dizendo, ao pedido daqueles aldeões ele contou esta história do passado.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), o Bodhisatva ganhava sua vida como comerciante. Naqueles dias numa vila da borda de Kāsi moravam um número de carpinteiros. E aconteceu que um deles, um calvo de cabelos ainda cinzas, fazia tábuas de madeiras, com sua cabeça brilhando como uma tigela de cobre, quando um mosquito pousou no seu escalpo e o picou com seu ferrão afiado.

Disse o carpinteiro para seu filho, que sentava-se bem do lado, - “Meu garoto, há um mosquito me picando na cabeça; por favor tire-o.” “Segura então pai,” disse o filho; “um golpe decide isto.”
(Naquele momento mesmo o Bodhisatav alcançava aquela cidade no seu caminho de comércio, e estava sentado na loja do carpinteiro.)

“Livre-me dele,” gritou o pai. “’Tá certo, pai,” respondeu o filho, que estava às costas do velho, e, levantando um machado pesado no alto com a intenção de matar apenas o mosquito, ele clivou – a cabeça do pai em duas. E assim o velho caiu morto no lugar.

Pensou o Bodhisatva, que foi testemunho da cena toda, - “Melhor que um tal amigo é um inimigo com senso, quem, temendo a vingança humana, deteria-se de matar uma pessoa.” E recitou estas linhas:-

Amigos insensatos são piores que inimigos com senso;
Testemunhem o filho que buscava matar o mosquito,
Mas clivou, pobre tolo, em dois, o crânio de seu pai.

Assim dizendo, o Bodhisatva levantou-se e saiu, falecendo depois de dias sendo tratado de acordo com seus méritos. Quanto ao carpinteiro, seu corpo foi queimado pelos parentes.

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“Assim, irmãos leigos,” disse o Mestre, “em tempos passados também, houve quem, buscando atingir mosquito, atinge gente amiga.” Esta lição terminada, ele mostrou a conexão e identificou o Jātaka dizendo, “Naqueles dias eu mesmo era o sábio e bom mercador que faleceu após repetir a estrofe.”








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