segunda-feira, 22 de junho de 2009

317 Chorem pelos vivos...etc.

317
“Chorem pelos vivos...etc.” - O Mestre enquanto residia em Jetavana contou esta velha história de um certo fazendeiro que morava em Savatthi.
Na morte de seu irmão, é dito, ficou tão tomado de dor que não comia nem se lavava, nem se perfumava mas em profunda aflição costumava ir ao cemitério ao amanhecer para chorar. O Mestre, cedo da manhã colocando os olhos no mundo e observando naquele homem a capacidade de atingir a fruição do Primeiro Caminho, pensou ,”Não há ninguém além de mim mesmo que possa, contando a ele o que aconteceu muito antes, aplacar sua tristeza e trazê-lo para a fruição do Primeiro Caminho. Devo ser seu Refúgio.” Assim no dia seguinte, retornando à tarde da sua ronda de coleta de ofertas, ele tomou um padre mais novo e foi a sua casa. Ouvindo da chegada do Mestre, o fazendeiro ordenou que um assento fosse preparado e ordenou que entrasse e saudou-o e sentou do seu lado. Respondendo ao Mestre, que lhe perguntou por que chorava ele disse que estava triste desde a morte do irmão. Disse o Mestre: “Todas as existências compostas são impermanentes, e o que é para ser quebrado é quebrado. Não deve-se fazer um problema disto. Sábios antigos, sabendo disto, não choraram, quando o irmão deles morreu.” E a seu pedido o Mestre relatou esta lenda do passado.
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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva renasceu numa família de mercadores ricos, possuídora de oitenta crores ( oitocentos milhões ). Quando já estava crescido, seus pais morreram. E com a morte deles um irmão do Bodhisatva passa a administrar os bens da família. E o Bodhisatva vivia na dependência dele. Logo logo o irmão também morreu de uma doença fatal. E os parentes, amigos e companheiros juntos, atirando os braços para cima, choram e lamentam, ninguém sendo capaz de controlar seus sentimentos. Mas o Bodhisatva nem lamentava nem chorava. As pessoas diziam, “Vejam agora, apesar de seu irmão estar morto, ele nem mesmo faz uma cara de tristeza : é um sujeito de coração muito duro. Parece que desejava a morte do irmão, na esperança de gozar o dobro de fortuna.” Assim eles culpavam o Bodhisatva. Seus parentes também o reprovavam, dizendo, “Apesar de teu irmão estar morto, tu não derramas nem uma lágrima.” Escutando estas palavras, ele disse : “Na loucura insana de vocês, desconhecendo as Oito Condições Mundanas, choram e gritam, 'Ai ! Meu irmão está morto,' mas eu também e vocês idem, teremos que morrer. Por quê então não choram com o pensamento de tua própria morte ? Todas as coisas são transitórias e consequentemente nenhum único composto é capaz de permanecer em sua condição natural. Apesar de vocês, tolos loucos, em teu estado de ignorância, desconhecendo as Oito Condições Mundanas, chorarem e lamentarem, por quê deveria eu chorar ?” E assim falando repetiu estas estrofes :-

Chorem pelos vivos antes do que pelos mortos !
Todas as criaturas que assumem forma mortal,
Bestas de quatro patas, pássaros e serpentes cabeçudas,
Anjos e pessoas, todos os mesmos caminhos trilham.

Impotentes para agüentar o destino, rejubilam-se em morrer
Entre a triste vicissitude da benção e da dor,
Por quê vertendo lágrimas vãs devem as pessoas queixarem-se,
E mergulhadas em lástimas por um irmão suspirar ?

Pessoas versadas em fraude e em excessos envelhecem,
O tolo sem tutor, mesmo homens valentes poderosos,
Se conhecentes do mundo e ignorantes do certo,
Podem considerar a sabedoria mesma como tolice.

Deste modo o Bodhisatva ensinou a estas pessoas a Verdade e os libertou de todo sofrimento.
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O Mestre, após ter terminado sua exposição religiosa, revelou as Verdades e identificou o Jataka :- Na conclusão das verdades o fazendeiro atingiu a fruição do Primeiro caminho :- “Naquele tempo o sábio que por seu discurso religioso livrou o povo do sofrimento era eu mesmo.”

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