sexta-feira, 5 de junho de 2009

307 Buddha espírito d'árvore da Judéia

307
“Por quê, brahmin, apesar...etc.” - “O Mestre quando deitado no leito de morte, contou esta história sobre o Ancião Ānanda.
O venerável homem, sabendo que o Mestre neste nesma tarde morreria, disse a si mesmo, “Ainda estou sob disciplina e tenho obrigações a fazer e meu Mestre certamente morrerá e então o serviço que prestei a ele por vinte e cinco anos será infrutífero.” E assim tomado de tristeza apoiou-se na cabeça de macaco que forma o ferrolho [da porta] do depósito do jardim e explodiu em lágrimas.
E o Mestre, sentindo falta de Ananda, perguntou aos Irmãos onde ele estava, e ouvindo do que se tratava , endereçou-lhe as seguintes palavras: “Ananda, você armazenou mérito em abundância. Continue a esforçar-se sinceramente e logo serás livre da paixão humana. Não se aflija. Por que deveriam os serviços que você me prestou até agora serem infrutíferos, visto que os seus serviços anteriores em dias de teus pecados não foram sem prêmio ?” Então ele contou uma lenda do passado.
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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva veio à vida na forma de um espírito de árvore da Júdeia. Bem, naquele tempo todos os habitantes de Benares eram devotos da veneração de tais deidades e constantemente engajados em ofertas religiosas e semelhantes.
E um certo brahmin pobre pensou, “Eu também vou cuidar de alguma divindade.” Então ele encontrou uma grande árvore da Judéia crescendo em um alto morro e varrendo tudo em volta e jogando cascalho , mantinha as raízes macias e livres de grama. Então presenteou-a com guirlanda perfumada com os cinco ramos e acendendo lâmpadas, oferecia flores, perfumes e incenso. E após saudação reverente ele dizia, “Paz esteja contigo,” e seguia seu caminho. No dia seginte veio bem cedo e perguntou sobre como ela estava. Bem, um dia ocorreu ao espírito d'árvore, “Este brahmin é muito atencioso comigo. Vou testá-lo e descobrir por quê ele me venera deste jeito e premiá-lo com seu desejo.” Quando o brahmin veio e varria ao redor das raízes, o espírito aproximou-se dele disfarçado como um ancião brahmin e repetiu a primeira estrofe :-

Por quê , brahmin, apesar de abençoado de razão
Estais a dirigir-se a esta árvore insensata ?
Vã é tua reza, tua gentil saudação também vã,
Desta madeira insensata não ganharás resposta.

Escutando isto o brahmin respondeu com a segunda estrofe :-

Muito tempo neste lugar permaneceu uma famosa árvore ,
Lugar de encontro e moradia de espíritos da floresta ;
Com espanto profundo tais seres venero,
Eles guardam, creio, aqui, um tesouro sagrado.

O espírito da árvore ouvindo estas palavras ficou satisfeito com o brahmin e disse-lhe, “Ó brahmin, nasci como a divindade desta árvore. Nada tema. Vou premiá-lo com este tesouro.” E para assegurá-lo, por grande manifestação de poder divino, permaneceu sentado nos ares na entrada da sua mansão celestial, enquanto recitava mais duas estrofes :-

Ó brahmin, percebi teu ato de amor ;
Um gesto piedoso nunca será infrutífero.
Veja ! Lá onde aquela figueira joga sua ampla sombra,
Sacrifícios devidos e dons antigos foram pagos.
Abaixo daquela figueira descansa enterrado um tesouro,
O ouro desenterre e clame-o como teu prêmio.

O espírito ainda adicionou estas palavras : “ Ó brahmin, tu ficarias cansado se tivesses que desenterrar este tesouro e carregá-lo contigo. Tu portanto siga teu caminho e eu o levarei até tua casa e o depositarei em tal e tal lugar. Então desfrute dele por toda a tua vida e faça ofertas e guarde a lei moral.” E após assim aconselhar o brahmin, o espírito d'árvore, exercitando seu poder divino, transportou o tesouro para a casa do brahmin.
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O Mestre aqui terminou sua lição e identificou o Jataka : “Naquele tempo Ananda era o Brahmin e eu mesmo o espírito d'árvore.”

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