quinta-feira, 11 de junho de 2009

311 Buddha Espírito da árvore Nimb

311
“Ladrão levantes...etc.” - O Mestre enquanto residia no Bosque de Bambu, contou esta história sobre o venerável Moggallāna .
Quando este Ancião vivia perto de Rājagaha em uma cabana na floresta, um certo ladrão, depois de assaltar uma casa no subúrbio, fugiu com as mãos cheias de pilhagem, até chegar ao átrio da cela do ancião, e pensando que lá encontrava-se a salvo, descansou, na entrada da cabana de folhas. O ancião notou-o, lá descansando, e suspeitando do seu caráter disse a si mesmo, “Seria errado para mim ter qualquer negócio com um ladrão.” E assim, saindo da cela, disse-lhe para não descansar lá e mandou-o embora.
O ladrão adiantou-se e fugiu rapidamente. E homens com tochas na mão, seguindo de perto o rastro do ladrão, vieram e viram as várias marcas da presença do ladrão e disseram, “Foi por este caminho que o ladrão veio. Aqui ele descansou. Ali ele sentou. E por ali ele fugiu. Ele não será encontrado aqui.” Então correram para lá e para cá mas por fim retornaram sem nada encontrar. No dia seguinte cedo de manhã, o ancião saiu em sua coleta de ofertas em Rājagaha e voltando de sua peregrinação foi ao Bosque de Bambu e contou ao Mestre o que tinha acontecido. O Mestre disse, “Você não é o único Moggallāna, a suspeitar quando suspeita é justificada. Sábios passado suspeitaram do mesmo modo.” E a pedido do ancião contou uma história de tempos antigos.
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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva veio à vida como espírito de uma árvore Nimb no bosque do cemitério desta cidade. Bem um dia um ladrão, culpado de um ato de roubo no arraial próximo da cidade, entrou no bosque do cemitério. Neste tempo duas velhas árvores estavam lá, uma árvore Nimb e uma árvore Bo. O ladrão colocou seus bens roubados nos pés da árvore Nimb e lá deitou. Bem, nesta epóca ladrões pegos eram torturados sendo impalados em estaca de árvore Nimb. Então o espírito da árvore Nimb pensou : “Se o povo vier e capturar este ladrão, eles cortarão um ramo e farão uma estaca de árvore Nimb e o impalarão nela. E neste caso àrvore será destruída. Então vou espantar o sujeito para longe.” Assim dirigindo-se a ele, ele repetiu a primeira estrofe :-

Ladrão levantes! por que dormes ? Não é tempo de cochilo,
Os homens do rei estão atrás de ti, vingadores do teu crime.

Além do mais adicionou estas palavras, “Parta antes que os homens do rei te apanhem.” Deste modo ele espantou o ladrão. E logo após ele ter fugido, a deidade da árvore Bo repetiu a segunda estrofe :-

E se este ladrão ousado de mãos vermelhas fosse pego,
A ti, Ó árvore Nimb, espírito da floresta , que diferença faria ?

A deidade da árvore Nimb escutando isto pronunciou a terceira estrofe :-

Ó árvore Bo, certamente não sabes o segredo do meu temor ;
Não queria que os homens do rei achassem aqui o mau ladrão.
Eles, da minha árvore sacra, sei, logo retirariam um ramo,
E para retribuir o infeliz culpado, impalariam-o na estaca.

Enquanto as deidades silvícolas assim conversavam juntas, os donos dos pertences , seguindo os rastros do ladrão, com tochas na mão, quando viram o lugar em que ele descansara, disseram, “ Vejam ! O ladrão acabou de levantar-se e fugir deste lugar. Ainda não o pegamos mas se o fizermos, voltaremos e o impalaremos aos pés desta árvore Nimb ou o enforcaremos em um de seus galhos.”
E com estas palavras correndo para cá e para lá e não encontrando o ladrão, eles partiram. E escutando o quê eles disseram o espírito da árvore Bo pronunciou a quarta estrofe :-

Acautele-se de um perigo ainda que despercebido: suspeite antes que seja tarde,
O sábio mesmo no mundo presente, olha para um estado futuro.
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O Mestre quando terminou esta lição, identificou o Jataka : “Naquele tempo Sariputra era o espírito da árvore Bo. Eu mesmo era o Espírito da árvore Nimb.”

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