quinta-feira, 28 de maio de 2009

300 Buddha Sakra

300
“O lobo que pega...etc.” - Esta história o Mestre contou em Jetavana sobre velha amizade. As circunstâncias são as mesmas detalhadas no Vinaya ( Mahavagga p.175) ; este é um resumo delas. O reverendo Upasena, discípulo de apenas dois anos, visitou o Mestre com um discípulo de apenas um ano que viviano mesmo mosteiro ; o Mestre o censurou e ele se retirou. Tendo adquirido insight espiritual e atingido santidade, tendo conseguido contentamento e virtudes afins, tendo realizado as Treze Práticas de um Recluso e as ensinado a seus seguidores, enquanto o Abençoado estava em reclusão por três meses, ele com seus irmãos, tendo aceito a culpa dada inicialmente por falar errado e sem conformidade, conseguiu em uma segunda oportunidade, aprovação, nas palavras, “De agora em diante, deixem que qualquer irmão me visite quando queira, dado que siga as Treze Práticas de um Recluso.” Assim encorajado, ele voltou e contou isto aos Irmãos. Após o quê, os irmãos seguiram estas práticas antes de visitar o Mestre ; então, quando ele saiu da reclusão, eles jogaram fora os velhos trapos e colocaram vestes limpas. Quando o Mestre com todo o corpo de Irmãos fez a ronda para inspecionar os aposentos, ele notou estes trapos largados e perguntou o quê era aquilo. Quando disseram a ele, ele falou, “Irmãos, a prática realizada por estes irmãos é de vida curta, como a guarda de dia santo por lobo “; e ele contou a eles um conto(a) do mundo antigo.
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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva veio à vida como Sakra, rei dos deuses. Naquele tempo um Lobo vivia nas rochas próximas às margens do Ganges. As cheias do inverno chegaram e cercaram a rocha. Ele ficou lá na rocha sem comida e sem modo de conseguí-la. Àgua subia e subia e o lobo ponderava : “Nenhuma comida aqui e nenhum jeito de conseguí-la. Aqui me deito, sem nada para fazer. Devo portanto guardar uma festa de sábado [um dia santo]. “ Assim resolvido a guardar um sábado, enquanto estava deitado resolveu-se solenemente a guardar preceitos religiosos. Sakra em suas meditações percebeu a resolução má do lobo. Pensou ele, “Vou atormentar aquele lobo” ; e tomando a forma de um bode selvagem, permaneceu perto e deixou o lobo vê-lo.
“Guardarei o Sábado outro dia !” pensou o Lobo, enquanto o percebia ; levantou-se e pulou na criatura. Mas o bode também pulou de modo que o Lobo não pode pegá-lo. Quando nosso Lobo viu que não poderia apanhá-lo, parou, e voltou, pensando consigo mesmo enquanto deitava novamente, “Bem, meu Sábado não está quebrado afinal de contas.”
Então Sakra, com seu poder divino, pairou acima nos ares ; disse ele,
“O quê tem alguém como tu, todo instável, a ver com guardar o Sábado ? Não sabias que eu era Sakra e querias uma refeição de carne de bode !” e assim o censurando e atormentando, ele retornou ao mundo dos deuses.

O lobo que pega criaturas vivas para comer,
E alimenta-se com o sangue e a carne,
Habilitou-se certa vez a pagar um voto santo ,-
Colocou na mente guardar o dia de Sábado.

Quando Sakka compreendeu o que ele decidira fazer
Assumiu aparência de bode.
E então o bebedor de sangue pulou para apanhar a presa,
Seu voto esquecido, sua virtude abandonada.

Do mesmo modo algumas pessoas neste nosso mundo,
Que fazem resoluções além de seus poderes,
Desviam-se de seu propósito, como fez aqui o lobo
Tão logo viu o bode aparecer.

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Quando o Mestre terminou este discurso, identificou o Jataka como segue : “Naquele tempo eu mesmo era Sakra.”

[ N. do tr.: “O homem é o lobo do homem”, 'hominem homini lupus' . A imagem do lobo é larga tanto em Esopo Buddhista como nos Evangelhos : o lobo entra no curral das ovelhas, as dispersa e o pastor é morto. As vezes o pastor mesmo cria o lobo como cão. As vezes mercenários que cuidam das ovelhas, fogem dos lobos. O lobo põe veste de cordeiro. A porta das ovelhas.]

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