sexta-feira, 14 de agosto de 2009

339 Buddha Pavão, Mahavira Corvo

339
“Antes do pavão de crista...etc.”- Esta história o Mestre contou quando em Jetavana sobre certos heréticos que perderam ganhos e glória anteriores. Pois os heréticos que antes do Nascer do Buddha recebiam ganhos e honras, perderam estas coisas quando do seu Nascimento, o que os tornaram como pirilampos ao pôr do sol. O fado destes heréticos foi discutido no Salão da Verdade. Quando o Mestre veio e perguntou qual tema conversavam em assembleia, tendo sido dito a ele qual era, disse, “Irmãos, não apenas agora, mas antes também, precedendo o aparecimento daqueles dotados de virtude, os que eram sem virtude atingiram ao maiores ganhos e glórias porém quando os dotados de virtude apareceram, aqueles dela destituídos , perderam seus ganhos e glórias.” E assim contou-lhes um lenda dos tempos passados.
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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva veio à existência como um jovem pavão. E quando estava crescido, era extremamente bonito e vivia na floresta. Naquele tempo alguns mercadores chegaram ao reino de Bāveru, trazendo a bordo do barco com eles um corvo. Naquele tempo, é dito, não havia pássaros em Bāveru. Os nativos que aos poucos vieram e viram o pássaro empoleirado no topo do mastro, disseram, “Olhem a cor das penas deste pássaro. Olhem seu bico e seu pescoço, e seus olhos como de jóias.” Assim, louvando o corvo disseram a estes mercadores, “Senhores, dê-nos este pássaro. Precisamos dele, e vocês podem pegar outro no seu país.”
“Então pegue-o por um preço,” eles disseram.
“Dê-nos por um dinheiro.”
“Não venderemos por isto,” disseram os mercadores.
Gradualmente aumentando sua oferta o povo disse, “Dê-nos por cem dinheiros.”
“Isto será útil,” responderam por fim, “para nós e que haja amizade entre nós e vocês.” E venderam por cem dinheiros.
Os nativos pegaram o corvo e colocaram numa gaiola dourada e o alimentaram com vários tipos de peixe e carne e frutas selvagens. Num lugar que não existia pássaros, um corvo dotado das dez qualidades más, atingiu os mais altos ganhos e honra. Numa outra vez que os mercadores vieram para o reino de Bāveru, trouxeram um pavão real que treinaram para piar quando estalassem os dedos e a dançar quando batiam palmas. Quando a multidão se juntou, o pássaro na proa do barco e batendo as asas, dançou e cantou uma doce melodia.
O povo que viu encantou-se e disse, “Este rei dos pássaros é belo e bem treinado. Dê-nos.”
Os mercadores disseram, “Primeiro trouxemos um corvo. Vocês levaram. Agora trazemos um pavão real e vocês pedem também. Está se tornando impossível, vir e mesmo mencionar o nome de qualquer pássaro aqui neste país!”
“Não chorem, Senhores,” eles disseram, “dê-nos este pássaro e peguem outro na sua terra.”
E subindo o preço da oferta por fim compraram por mil dinheiros. E colocaram-no numa gaiola ornada com as sete jóias e alimentaram-no com peixe, carne e frutas, também com mel, milho frito, caldo de cana, e coisas assim. Então o pavão real recebeu as mais altas honras e ganhos. A partir do dia de sua chegada, os ganhos e honras dos corvos caíram. E ninguém queria nem mesmo olhar para ele. O corvo sem poder conseguir comida de nenhum tipo, gritando “caw, caw”, foi-se e estabeleceu-se, no lixão.
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O Mestre depois de fazer a conexão entre as duas histórias, em sua Sabedoria Perfeita pronunciou estas estrofes:

Antes do pavão de crista aparecer,
Corvos eram reverenciados com presentes de frutas e carne:
A Bāveru chega o pavão de fala doce,
O corvo logo foi despojado de presentes e fama.

Assim as pessoas a diversos sacerdotes prestam a honra devida
Até Buddha apresentar a luz total da Verdade:
e quando o Buddha de voz melíflua pregou a lei,
dos heréticos todos os presentes e louvor, as pessoas retiraram.

Depois de falar estas estrofes, ele identificou o Jātaka: “Naqueles dias o Jain Nāthaputra era o corvo e, eu mesmo, o pavão real.”


[ N. do tr.: Mahavira sendo o Jain Nāthaputra, a história mostra a envergadura deste santo indiano, sendo então o termo ‘herético’ relativizado. Os Jains têm seus templos nos conjuntos sagrados Hindus de templos espalhados pela Índia. Hindus, Buddhistas e Jains. Thirtankaras são como que seu Buddha, em várias encarnações. Houveram vinte e quatro Thirtankaras. Nigantha Nathaputra seria o vigésimo quarto, contemporâneo de Siddartha Gautama. ]

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