segunda-feira, 10 de agosto de 2009

335 Buddha Leão

335
“Chacal acautele-se...etc.” - Esta história o Mestre contou enquanto residia na Gruta de Bambu, sobre a tentativa de Devadatra de imitar o Buddha. O incidente que deu origem à história foi contado todo antes no Jataka 204 [ E está contado em Kulla-Vagga VII,4 : Devadatra causa um cisma na Ordem levando para Gaya-sisa, quinhentos noviços. Sariputra e Moggaallana o seguem e sentam no seu convento escutando-o pregrar, até chegar a noite. Então, Devadatra senta e deita para descansar pois muito pregou e passa o abanico para Sariputra deixando-o que pregasse para os noviços. Os Capitães da Fé pregam até todos obterem o puro e imaculável Olho da Verdade –(que é o conhecimento de que) o quê quer que comece, tem inerente também a necessidade de sua dissolução. E voltam todos para Gautama. E Devadatra dormindo acorda com uma joelhada de Kokalika no peito, vendo que os discípulos se foram. Devadatra querendo imitar Gautama como um jovem elefante que come lótus de um lago sem limpá-la, antes de mastigar como fazem os elefantes adultos: metáfora de Gautama ainda no Kulla-Vagga . Neste jātaka a metáfora é outra, para a mesma situação ]. O Mestre disse, “Isto aconteceu a Devadatra antes,” e sendo pressionado pelo Ancião, contou uma lenda do mundo antigo.
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Certa vez quando Bramadatra reinava em Benares, o Bodhisatva nasceu como um leão, e habitava uma caverna dos Himālaias, e um dia após matar um búfalo e comer sua carne tomou um gole d’água e voltou para casa. Um chacal o viu e impedido de escapar deitou-se de barriga para cima.
O leão disse, “Qual o significado disto, Sr. Chacal?”
“Senhor,” ele disse, “serei seu empregado.”
O leão disse, “’Tá bem, venha então,” e conduzindo-o ao lugar em que morava, alimentou-o no dia-a-dia. Quando o chacal estava gordo com os restos da comida do leão, um dia o orgulho manifestou-se nele, e aproximando-se do leão disse, “Meu senhor, sou um impedimento. Constantemente tu me traz carne e alimento. Hoje permaneça aqui. Eu irei e matarei um elefante, e depois de comer trarei para ti alguma carne.” Disse o leão, “Amigo chacal, não olhe isto com bons olhos. Não saíste de um ramo que mata e alimenta-se de carne de elefantes. Eu matarei um elefante e trarei a carne para você. O elefante é grande. Não empreenda o que é contrário a tua natureza, mas escute minhas palavras.” E falou a primeira estrofe:-

Chacal, acautele-se!
São longas as presas dele.
Alguém da tua pequena raça
Dificilmente ousaria
Tão pesada e forte
Besta como esta, encarar.

O chacal, apesar de proibido pelo leão, saiu fora da cova e por três vezes deu o grito do chacal. E olhando para a base da montanha, espiou um elefante preto que movia-se embaixo, e pensando em cair em cima da cabeça dele, atirou-se e virando no ar, caiu aos pés do elefante. O elefante levantando a pata e colocando-a na cabeça do chacal esmagou seu crânio em pedaços. O chacal morreu e o elefante saiu trompeteando. O Bodhisatva veio e parado no topo do precipício viu como o chacal encontrou sua morte, e disse, “Pelo orgulho foi morto este chacal,” e pronunciou três estrofes:-

Um chacal certa vez tomou ares de leão
Desafiando como igual adversário um elefante.
Pronado em terra, enquanto o peito grunhe
Aprendeu a arrepender-se do duro encontro.

Quem portanto desafia um de fama sem par,
Sem marcar o vigor de sua estrutura bem ligada,
Partilha do triste fado que teve o chacal.

Mas quem a medida de seu próprio poder conhece,
E boa discrição mostra nas palavras,
Vive, verdadeiro com seu dharma e triunfa sobre os inimigos.

Assim o Bodhisatva nestas estrofes declarou os deveres, dharma, próprios a serem realizados neste mundo.
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O Mestre, tendo terminado sua lição, identificou o Jataka : “Naquele tempo Devadatra era o chacal e eu mesmo era o leão.”

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