quarta-feira, 28 de outubro de 2009

380 Buddha e a moça Asanka

380
“No jardim celeste...etc.” - O Mestre contou esta estória enquanto residia em Jetavana, relativa ao impulso de um Irmão pela antiga esposa. O caso aparecerá no Jātaka 423. O Mestre achou que o Irmão errava porque pensava em sua esposa, então ele disse, “Senhor, esta mulher te machuca: antes também por ela sacrificaste um exército das quatro divisões e habitaste o Himālaia por três anos em grande miséria” : e então contou um velho conto(a).
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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva nasceu numa família brahmin em certa vila daquele país. Quando cresceu, aprendeu as artes em Takkasilā ( Taxila ), tornou-se um asceta e atingindo as Faculdades e as Consecuções vivia de raízes e frutas no Himālaia. Naqueles dias um ser de mérito perfeito caiu do Céu dos Trinta-três e foi concebido como uma menina dentro de uma lótus num lago : e enquanto as outras lótus envelheciam e caíam, ela permaneceu e cresceu. O asceta indo tomar banho e vendo aquilo, pensou, “Outras lótus caíram mas aquela lá permanece e cresce ; por quê isto?” Então botando roupa de banho cruzou o lago, e abrindo a lótus viu a menina. Sentindo como se uma filha fora, tomou-a e levou-a à cabana e cuidou dela. Quando ela chegou aos dezesseis, era bela, e sua beleza excedia a humana mas não atingia a dos deuses. Sakra veio visitar o Bodhisatva. Ele viu a garota, perguntou e soube o modo que foi encontrada e questionou, “O quê ela deve receber?” “Uma moradia e suprimentos de vestuário, ornamento e comida, ó senhor.” Ele respondeu, “Muito bem, senhor,” e criou um palácio de cristal para moradia dela, fez uma cama para ela, roupas ornamentos comida e bebidas divinas. O palácio descia e descansava no chão quando ela saía ; quando ela entrava ele subia e pousava no ar. Ela fazia muitos serviços para o Bodhisatva enquanto vivia no palácio. Um mateiro viu e perguntou, “O quê é esta pessoa para você, senhor?” “Minha filha.” Ele foi a Benares e falou para o rei, “Ó rei, vi no Himālaia uma filha de asceta de grande beleza.” O rei foi pego, escutando isto, e fazendo do mateiro seu guia foi com o exército nas suas quatro divisões para aquele lugar, instalando acampamento pegou o mateiro e sua corte de ministros e entrou no ermitério. Saudou o Bodhisatva e disse, “Senhor, mulheres maculam a vida religiosa ; cuidarei de sua filha.” Bem o Bodhisatva deu à menina o nome de Asankā [Dúvida] porque ela chegou a ele devido o atravessar ao lago questionando-se [duvidando] (āsankā), “O que é esta lótus?” Ele não disse ao rei diretamente, “Pegue-a e vá,” mas disse antes, “Se souberes o nome desta garota, Ó grande rei, pegue-a e vá.” “Senhor, se assim dizes, devo saber.” “Não devo dizê-lo mas quando souberes pegue-a e vá.” O rei concordou, e considerou com seus ministros, “Qual poderá ser o nome dela?” Ele apresentou todos os nomes difíceis de imaginar e falou ao Bodhisatva dizendo, “Tal e tal é seu nome” : mas o Bodhisatva disse que não e o recusou. Assim passou um ano o rei cogitando. Leões e outras bestas apanhavam elefantes e cavalos e pessoas, havia o perigo das cobras, perigo dos mosquitos, e muitos morriam de frio sem coberta. O rei disse ao Bodhisatva, “Que necessidade tenho dela ?” e tomou seu caminho. A jovem Asankā estava na janela de cristal aberta. O rei vendo-a disse, “Não conseguimos descobrir seu nome, viva aqui no Himālaia, iremos embora.” “Grande rei, se você for nunca encontrarás uma esposa como eu. No Céu dos Trinta e três, no jardim Citralatā, há uma trepadeira chamada Asāvati : do seu fruto brota uma bebida e aqueles que dele bebem uma vez enebriam-se por quatro meses e descansam numa cama divina: dá fruto uma vez a cada mil anos e os filhos dos deuses, apesar de dados a bebidas fortes, aguentam a sede por aquele fruto divino dizendo, “Colheremos fruto dela,” e vêm constantemente por todo os mil anos olhar a planta dizendo, “Ela está bem?” Mas você desistiu em apenas um ano: aquele que alcança o fruto de sua esperança, é feliz, não desista ainda,” e então falou três estrofes:

No jardim celeste cresce Asāvati;
Uma vez por mil anos, não mais, a árvore
Dá fruto: por ele os deuses esperam pacientemente.
Tenha esperança, Ó rei, o fruto da esperança é doce :
Um pássaro espera e nunca é derrotado.
Seu desejo, apesar de distante, realiza completamente :
Tenha esperança, Ó rei : é doce o fruto da esperança.

O rei foi pego por suas palavras : reuniu os ministros de novo e cogitando o nome, fez dez tentativas por vez até que outro ano se passou. Mas o nome não estava entre os dez e assim o Bodhisatva o recusou. Novamente o rei disse, “Que necessidade tenho dela?” e tomou seu caminho. Ela se apresentou na janela: e o rei disse, “Você fica, nós partimos.” “Por quê ir embora, grande rei?” “Não consigo descobrir seu nome.” “Grande rei, por que não consegue encontrá-lo ? Esperança não é sem sucesso ; uma siriema no alto do monte realiza seu desejo : por quê você não pode ? Persevere, grande rei. Uma siriema alimenta-se num lago de lótus, mas voando pousou no alto de um monte : ela ficou lá um dia e o dia seguinte pensando, ‘Sou feliz aqui no alto deste monte : se sem sair daqui achar comida e água para beber e assim permanecer este dia, ah, seria delicioso.’ Naquele mesmo dia, Sakra, Rei do céu, esmagou os Asuras e sendo agora senhor do céu dos Trinta e três, estava pensando, ‘Meus desejos foram todos realizados, há alguém na floresta cujos desejos estejam incompletos?’ assim considerando, ele viu a siriema e pensou, ‘Realizarei os desejos deste pássaro até a completude’ ; não longe do lugar em que estava a siriema havia uma corrente e Sakra enviou a corrente num dilúvio até o topo do monte: e então a siriema sem se mover comeu peixe e bebeu água e lá morou por um dia : depois a água desceu e foi embora : assim, grande rei, a siriema fruiu da sua esperança e por quê você não realizaria ? Tenha esperança,” ela disse, seguindo com o resto dos versos. O rei, escutando a história, foi pego e atraído por suas palavras : não conseguiu sair, mas juntando seus ministros, e selecionando cem nomes gastou outro ano cogitando nestes cem nomes. No final do terceiro ano ele veio ao Bodhisatva e perguntou, “Estaria o nome entre os cem, Senhor?” “Você não o sabe, grande rei.” Ele saudou o Bodhisatva, e dizendo, “Iremos agora,” tomou seu caminho. A moça Asankā novamente estava na janela de cristal. O rei a viu e disse, “Você fica, nós saímos.” “Por quê grande rei?” “Você me satisfaz com palavras e não com amor : pego por suas doces palavras gastei aqui três anos, agora irei embora,” e falou três estrofes:

Você agrada-me com palavras não em atos :
A flor sem cheiro, mesmo bela, é mato.
Boas promessas sem cumprimento, é jogar amigo fora,
Nunca doando, sempre acumulando : assim é o fim da amizade.
As pessoas devem falar como fazem, sem prometer o que não podem fazer:
Se falam sem realizar, sábios vêem através dele.
Minhas tropas estão acabadas, meu estoques terminados,
Duvido que minha vida preste: é tempo de ir.

A moça Asankā escutando as palavras do rei disse, “Grande senhor, sabes meu nome, acabaste de dizer ; diga a meu pai meu nome, pegue-me e leve-me,” assim falando com o rei disse:

Príncipe, disseste a palavra que é meu nome:
Venha rei : meu pai atenderá o clamor.

O rei foi ao Bodhisatva, saudou-o e disse, “Senhor, sua filha chama-se Asankā.” “Já que sabes seu nome, pegue-a e leve-a, grande rei.” Então saudando o Bodhisatva, e indo ao palácio de cristal ele disse, “Senhora, seu pai a deu para mim, venha.” “Venha, grande rei, tomarei licença com papai,” ela disse, e descendo do palácio ela saudou o Bodhisatva, tomou licença e foi com o rei. O rei a levou a Benares e viveram felizes, com muitos filhos e filhas. O Bodhisatva continuou em meditação contínua e nasceu no mundo de Brahma.
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Após a lição, o Mestre declarou as verdades e identificou o Jataka :- Após as Verdades, o Irmão foi estabelecido na Fruição do Primeiro Caminho :- “Asankā era a esposa primeira, o rei era o Irmão descontente, o asceta era eu mesmo.” .

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