terça-feira, 13 de outubro de 2009

371 Buddha Príncipe Dighavu

371
“Estais sob meu poder...etc.” - Esta história o Mestre contou enquanto residia em Jetavana relativa a querela entre o povo de Kosambi. Quando vieram a Jetavana, o Mestre dirigiu-se a eles para reconciliarem-se e disse, “Irmãos, vocês são meus filhos leais na fé, criados com as palavras da minha boca. As crianças não devem menosprezar os conselhos dados pelos pais mas vocês não seguem minha advertência [ N. do tr.: a história é contada inteira no jātaka 428 à frente. Trata-se de um cisma na realidade entre os que seguem o Vinaya e os que seguem os Sutras: um destes últimos teria deixado um pouco de água no copo depois de lavar os dentes, e um dos primeiros acusou-o de pecar por causa disto ; o primeiro depois disse que prestaria mais atenção e o segundo que afinal não era um pecado tão grande mas depois espalhou que o que deixou água no copo era pecador (!!). Segue o cisma e a disputa por causa disto (!!) chegando a querela aos céus ]. Sábios antigos, quando homens que mataram seu pai e sua mãe e tomaram seus reinos, foram pegos por eles na floresta, não os mataram, apesar de serem rebeldes confirmados mas disseram, ‘Não desprezaremos os conselhos dados por nossos pais’.” E daí ele contou uma história do passado. [ A história é semelhante ao jātaka 336 em que o príncipe Chatra de Kosala toma de volta o quê o rei de Benares roubara. Nesta versão príncipe Dighāvu de Kosāla perdoa o usurpador ].
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Príncipe Dighāvu então, tendo encontrado o rei de Benares descansando no seu lado da floresta, pegou-o pelo cabelo e disse, “Agora cortarei em quatorze pedaços o usurpador que matou meu pai e minha mãe.” E naquele mesmo momento em que brandia a espada, lembrou-se o conselho dado por seus pais e pensou, “Apesar de sacrificar minha própria vida não desprezarei o conselho deles. Contentarei-me em assustá-lo.” E falou a primeira estrofe:

Tu estais em meu poder, ó rei,
Pronado jazes aí :
Que estratégia apresentas para
Libertar-te do temor ?

O rei então falou a segunda estrofe:

Em teu poder, meu amigo, jazo
No chão sem ajuda,
Nem sei de nenhum meio por onde
Livramento possa ser achado.

Então o Bodhisatva falou os versos restantes [que também são do Dhammapada] :

Ações e palavras boas apenas, não riquezas, Ó rei,
Na hora da morte podem trazer algum conforto.
“Esta pessoa abusou de mim, aquela me deu um golpe,
Uma terceira me dominou e me roubou há um tempo atrás.”
Todos que nutrem sentimentos deste tipo,
Nunca inclinam-se a mitigar a ira.
“ Ele abusou e me esbofeteou antes,
Ele me dominou e me oprimiu até sofrer.”
Aqueles que tais pensamentos recusam-se a entreter,
Apaziguam suas iras e vivem juntos novamente.
Não o ódio mas o amor apenas faz o ódio cessar:
Esta é a perene lei da paz.

Depois destas palavras o Bodhisatva disse, “Não te farei mal, Senhor. Mas você me mate.” E colocou sua espada na mão do rei. O rei também disse, “Nem eu te farei mal.” E fez um juramento, e foi com ele para a cidade e o apresentou aos conselheiros e disse, “Este, Senhores, é príncipe Dighāvu, filho do rei de Kosala. Ele poupou-me a vida. Não devo-lhe fazer nenhum mal.” E assim dizendo deu-lhe a filha em casamento, e estabeleceu-o no reino que pertencia a seu pai. E daí em diante os dois reis reinaram em harmonia e felizes juntos.
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O Mestre aqui terminou sua lição e identificou o Jataka : o pai e a mãe naqueles dias são agora os membros da casa real e o príncipe Dighavu era eu mesmo.”

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