terça-feira, 6 de outubro de 2009

366 Buddha e o Yaksha Gumbiya

366
“Veneno em aparência...etc.” - Esta história foi contada pelo Mestre enquanto morava em Jetavana, sobre um Irmão que se arrependeu de tomar ordens. O Mestre perguntou a ele se era verdade que ele se arrependia. “É vero, santo Senhor,” ele disse. “O que viste que te causou este sentimento ?” perguntou o Mestre. Quando o Irmão respondeu, “Foi devido aos charmes de uma mulher,” o Mestre disse, “Estas cinco qualidades do desejo são como mel borrifado todo com veneno mortal e deixado na estrada por um chamado Gumbiya.” Daí com o pedido do Irmão ele contou uma história do passado.
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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva veio à vida na residência de um mercador. E quando cresceu, ele saiu de Benares com mercadoria em quinhentas carroças com propósito de comércio. Chegando na auto-estrada, na entrada de uma floresta, chamou todos os membros da caravana e disse, “Vejam! nesta estrada existem folhas, flores, frutos e semelhantes, que são venenosos. Ao comerem vejam se não comem algo estranho, sem antes perguntarem para mim sobre: pois demônios colocam na estrada cestas com arroz fresco e vários frutos selvagens doces, e borrifam veneno em cima. Certifiquem-se de não comerem deles sem meu consentimento.” E após assim avisar, continuou a viagem.
Então um certo Yaksha, chamado Gumbiya, espalhou folhas num lugar no meio da floresta, e largando pedaços de mel [com favo], cobriu-os com veneno mortal, e ele mesmo vagou pela estrada, fingindo perfurar árvores, como se procurasse por mel. Ignorantes os homens pensaram, “Este mel foi deixado aqui como um mérito,” e comendo-o, eles morreram. E os demônios vieram e devoraram a carne deles. Os homens que pertenciam à caravana do Bodhisatva, alguns naturalmente gananciosos, vendo estas comidas finas, não puderam se conter, e as dividiram entre eles. Mas aqueles que eram sábios disseram, “Consultaremos o Bodhisatva antes de comer,” e permaneceram segurando-as nas mãos. E quando ele viu o que eles tinham nas mãos, mandou-os jogar fora. E aqueles que já tinham comido tudo, morreram. Mas os que comeram apenas metade, ele administrou um emético, e após vomitarem, deu-lhes das quatro coisas doces, e assim por seu poder sobrenatural eles se recuperaram. O Bodhisatva chegou em segurança no lugar que queria alcançar, e depois de vender suas mercadorias, retornou para sua casa.

Veneno em aparência, gosto e cheiro, como mel,
Foi deixado por Gumbiya com propósito desumano:
Todo que comer como mel o alimento nocivo,
Pela própria cobiça perecerá na floresta.
Mas aqueles que sabiamente abstem-se da isca,
Estão livres da tortura e permanecem em paz.
Assim a luxúria, como isca venenosa, é deixada para as pessoas;
E o desejo do coração entregam-nas freqüentemente à morte.
Mas quem, apesar de frágil, priva-se dos pecados costumeiros,
Escapa dos laços do sofrimento e da desgraça.
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O Mestre, após declarar estes versos inspirados pela Sabedoria Perfeita, revelou as Verdades e identificou o Jataka :- Na conclusão das Verdades o Irmão relapso atingiu o fruto do Primeiro Caminho :- “Naquele tempo eu mesmo era aquele mercador.”

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