quinta-feira, 17 de setembro de 2009

356 Buddha Brahmin Karandiya


356
“Por quê na floresta...etc.” - Esta foi uma história contada pelo Mestre enquanto residia em Jetavana, relativa ao capitão da Fé ( Sariputra ). O ancião, dizem, quando pessoas simples iam até ele, tais como, caçadores, pescadores e semelhantes, pregava a lei moral a eles, e a quaisquer outras pessoas que viesse a ver, dizendo, “Recebas tu a lei.” Por respeito ao ancião, não podiam desobedecer suas palavras e aceitavam a lei mas falhavam em mantê-la e em seguida cada um ia  para seu próprio negócio. O ancião aconselhou-se com seus companheiros padres e disse, “Senhores, estas pessoas recebem a lei mas não a mantem.” Eles responderam, “Santo Senhor, pregas a eles em detrimento do desejo deles e como não ousam desobedecer o que pregas a eles, aceitam. De agora em diante não apresente a lei a estes.” O ancião ficou chateado. Escutando o iincidente, começaram uma discussão no Salão da Verdade, como o ancião Sariputra pregara a lei a quem quer que acontecesse de ver. O Mestre veio e inquiriu qual o assunto que os Irmãos debatiam em assembleia e entendendo qual era, disse, “Não apenas agora, Irmãos, mas antes também ele pregou a lei a qualquer pessoa que tivesse a chance de ver, mesmo que elas não o pedissem tanto.” E com isto ele contou uma história do passado.
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    Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), o Bodhisatva nasceu e cresceu
em uma casa brahmin e tornou-se o pupilo principal de um famoso professor de Takkasilā ( Taxila ). Naquele tempo este professor pregava a lei moral a qualquer um que ele via, pescadores, caçadores, e semelhantes, mesmo que não quisessem repetidamente solicitando que aceitassem a lei. E apesar de recebê-la eles não a guardavam. O professor falou disto a seus discípulos. Seus discípulos disseram, “Santo Senhor, pregas a eles contra o desejos deles, e por isto não guardam a lei. Assim pregue somente para aqueles que desejam te ouvir, e não àqueles que não desejam.” O professor ficou desapontado mas mesmo assim continuou a pregar a todos que via.

Bem, certo dia algumas pessoas vieram de uma cidade e convidaram o professor para partilhar dos bolos oferecidos aos brahmins. Ele convocou seu discípulo chamado Kārandiya e disse, “Meu querido filho, eu não vou, mas você vai com os quinhentos discípulos e receba os bolos, e traga-me o pedaço que me cabe.” E o enviou. O discípulo foi e quando retornava, viu no caminho uma caverna e um pensamento o acertou, “Nosso mestre prega a lei, sem que ninguém peça, a todos que ele vê. De agora em diante farei que pregue apenas àqueles que desejam escutá-lo.” E enquanto os outros discípulos estavam confortavelmente sentados, ele levantou-se e pegando uma pedra pesada, jogou-a dentro da caverna, e novamente repetiu a ação, sem parar. Então os discípulos ficaram de pé e disseram, “Senhor, o que fazes?” Kārandiya não disse nenhuma palavra. E foram correndo avisar o Mestre. O mestre veio e conversando com Kārandiya falou a primeira estrofe:-

Por quê totalmente só na floresta
Tomando sem parar pedras pesadas,
Joga-as como que com vontade
De encher a caverna da montanha ?

Ouvindo estas palavras, Kārandiya para levantar seu mestre pronunciou a segunda estrofe:-

Farei esta terra cercada de mar
Plana como a palma da mão humana :
Assim outeiro e monte nivelarei
E com pedras cada buraco encherei.

O brahmin, escutando isto, repetiu a terceira estrofe:-

Nunca alguém de nascimento mortal
Terá poder de nivelar a terra.
Mal Kārandiya pode esperar
Dar conta de uma única caverna.

O discípulo, escutando isto, falou a quarta estrofe:-

Se uma pessoa de nascimento mortal
Não tem poder de nivelar a terra,
Heréticos podem bem recusar,
Brahmin, tuas visões adotar.

Escutando o professor deu uma resposta apropriada. Pois agora reconheceu que outras pessoas podem ser diferentes dele, e pensando, “Não agirei mais asssim,” pronunciou a quinta estrofe:-

Amigo Kārandiya, de forma resumida
Para meu bem, exortas:
Terra nunca pode ser nivelada,
Nem todas as pessoas concordarem.

Então o professor cantou louvores ao discípulo. E ele, após assim ter advertido seu professor, conduziu-o para casa.
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O Mestre, tendo terminado esta lição, identificou o Jataka : “Naquele tempo Sariputra era o brahmin e eu mesmo era o discípulo Kāraņdiya.”



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