quinta-feira, 3 de setembro de 2009

349 Buddha rei de Benares

349
“Nada em comum ...etc.” - Certa vez o Mestre escutando que os Seis Padres fizeram uma coleção de histórias difamatórias, chamou-os e perguntou-lhes, “É verdade Irmãos, que vocês colecionam histórias caluniosas de seus irmãos que inclinam-se à polêmica e à discussão e à disputa e que estas polêmicas assim, que de outro modo não surgiriam, levantam-se e quando assim surgem tem tendência de aumentar?” “É verdade,” eles disseram. Então repreendeu estes irmãos e disse, “Irmãos, maledicência na palavra é como um golpe com espada afiada. Uma amizade firme é rapidamente quebrada pela calúnia e as pessoas que a escutam tornam-se propensas a terem seus afetos pelos amigos destruídos, como aconteceu com o leão e o touro.” E assim dizendo contou um lenda do passado.
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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva nasceu como seu filho, e após adquirir todas as artes em Takkasilā ( Taxila ), com a morte do pai, legislou o reino com retidão.
Naqueles dias um certo vaqueiro, que cuidava do gado nos abrigos da floresta, voltou para casa e inadvertidamente deixou para trás um vaca preenhe. Entre esta vaca e uma leoa brota uma firme amizade. Estes dois animais tornaram-se amigos leais e andavam juntas. Assim depois de um tempo a vaca deu à luz um bezerro e a leoa a um cachorro [filhote de leão]. Estas duas jovens criaturas também pelos laços familiares tornaram-se amigos leais e vagavam juntos. Então um mateiro, observando sua afeição, tomou as mercadorias que são produzidas na floresta e foi para Benares e apresentou-as ao rei. E quando o rei lhe perguntou, “Amigo, viste alguma maravilha na floresta?” ele respondeu, “Vi nada de maravilhoso, meu senhor, mas vi um leão e um touro vagando juntos, muito amigos um do outro.”
“Se aparecer um terceiro animal,” disse o rei, “certamente haverá dano. Venha e diga-me, se vires o par unido a um terceiro animal.”
“Certamente senhor.” ele respondeu.
Bem, quando o mateiro deixou Benares, um chacal passou a ajudar o leão e o touro. Quando ele retornou para a floresta e viu isto, ele disse, “Direi ao rei que um terceiro animal apareceu,” e foi para a cidade de volta. O chacal pensava, “Não há carne que eu não comi a não ser a de leão e de touro. Colocando estes dois em divergência terei as carnes deles para comer.” E disse, “É deste jeito que ele fala de você,” e assim separando um do outro, logo brota a polêmica que reduziu-os a condições de morte.
Mas o mateiro veio e falou ao rei, “Meu senhor, um terceiro animal apareceu.” “Qual é ele?” disse o rei. “Um chacal, senhor.” Disse o rei, “Ele fará com que briguem e os deixarão quase mortos. Os encontraremos mortos quando chegarmos.” E assim dizendo, subiu na sua carruagem e viajando no caminho apontado pelo mateiro, chegaram justamente quando os dois animais numa briga destruíram um ao outro. O chacal altamente deliciado estava comendo, um pouco da carne do leão e um pouco da do touro. O rei quando viu que estavam ambos mortos, permaneceu onde estava na charrete, e dirigindo-se ao auriga, pronunciou estes versos:

Nada em comum tinha este par,
Nem comida nem esposas dividiam;
E veja como a palavra caluniosa,
Afiada como espada de dois gumes
Planejou com arte astuciosa
Velhos amigos apartar.
Assim touro e leão caíram
Presas da mais baixa das bestas:
Assim todos companheiros ficarão
Como este par , na miséria,
Se emprestarem ouvidos, propensos
Ao murmúrio de escárnio do caluniador.
Mas prosperam muito e bem,
Como os que habitam o céu mesmo,
Aqueles que à calúnia não escutam -
Calúnia que aparta amigo de amigo.

O rei falou estes versos, juntou e amarrou junto a crina, as garras, os dentes e a pele do leão, voltando direto para sua própria cidade.
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O Mestre tendo terminado sua lição, assim identificou o Jataka : “Naquele tempo eu mesmo era o rei.”

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