sexta-feira, 11 de setembro de 2009

352 Buddha Fazendeiro

352
“Por quê diligentes...etc.” - Esta história o Mestre contou quando em Jetavana, a respeito de um fazendeiro que perdeu o pai. Com a morte do pai, diziam, saiu chorando incapaz de livrar-se da tristeza. O Mestre percebendo no homem uma capacidade para atingir o Fruto da Salvação, quando saiu na ronda de ofertas em Sāvatthi, em companhia de um padre ajudante, veio para a casa dele e sentando num lugar próprio e saudando ao hospedeiro, que também sentava-se, disse, “Irmão Leigo, choras ?” e com a resposta, “Sim, Reverendo Senhor, choro,” ele disse, “Amigo, sábios antigos escutaram palavras da Sabedoria, e quando perderam o pai, não choraram.” E ao pedido do fazendeiro contou uma história dos tempos antigos.
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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva veio a vida na casa de um fazendeiro. E o chamavam o jovem Sujāta. Quando já estava crescido seu avô faleceu. Então seu pai com a morte do avô encheu-se de tristeza e tomando os ossos no lugar da cremação, erigiu um monte de terra em um agradável jardim, depositando os restos lá, e quando visitava o lugar, adornava o topo com flores e diligentemente lamentava-se, sem banhar-se, ungir-se e sem comer. Nem prestou mais atenção aos negócios. O Bodhisatva observando isto, pensou, “Meu pai desde a morte do meu avô está tomado de dor. E ninguém, com certeza, a não ser eu mesmo tem poder de consolá-lo. Encontrarei um jeito de livrá-lo da dor.”
Assim, vendo um boi morto que jazia fora da cidade, trouxe grama e água, e colocando-se lá diante do boi morto disse, “Coma e beba, coma e beba.” E todos que passavam, vendo, diziam, “Amigo Sujāta, estais doido ? Ofereces grama e água a um boi morto ?” Mas ele não respondia palavra.
Então foram até seu pai e disseram, “Seu filho enlouqueceu. Ele ‘tá dando grama e água a um boi morto. Ouvindo isto o fazendeiro parou de chorar pelo avô e começou a chorar pelo filho. E foi correndo e gritou, “Meu querido Sujāta não estais sóbrio dos sentidos ? Por que ofereces grama e água a uma carcaça de boi ?” E daí falou duas estrofes :-

Por quê diligentes trazes grama agora moída,
E gritas à besta sem vida, ‘Levanta e coma’ ?

Nenhuma comida fará ressurgir um boi que está morto,
Tuas palavras são vãs e da loucura nascidas.

Então o Bodhisatva falou duas estrofes:-

Me parece que esta besta pode voltar de novo à vida,
Permanecem cabeça e rabo e as quatro patas.

Mas do meu avô cabeça e membros já se foram :
Nenhum tolo chora sobre seu túmulo, apenas tu.

Escutando isto o pai do Bodhisatva pensou: “Meu filho sabe. Sabe a coisa certa a ser feita para este mundo e para o próximo. Ele faz isto para me consolar.” E ele disse, “Meu querido e sábio filho Sujāta, sei que todas as coisas existentes são impermanentes. Portanto não chorarei. Todos os filhos devem ser como este que remove a dor do pai.” E cantando elogios ao filho disse:-

Como chama alimentada de ghee queimando vigorosamente
É apagada com água, assim ele apagou minha dor.
Com uma flecha de dor meu coração afligia-se na ferida,
Ele curou a ferida e restaurou minha vida.
A ponta extraída, enche-me de paz e alegria,
Paro de chorar e escuto meu filho.
Assim almas gentis curam mortais de suas dores,
Como o sábio Sujāta trouxe alívio a seu pai.
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O Mestre tendo terminado seu discurso, revelou as Verdades e identificou o Jataka :- Na conclusão das Verdades o fazendeiro atingiu a fruição do Primeiro Caminho :- “Naquele tempo eu mesmo era Sujata.”

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