terça-feira, 14 de julho de 2009

326 Buddha Indra / Sakra

326
“Aquele que refreia...etc.” - Esta história foi contada pelo Mestre enquanto estava em Jetavana, sobre Devadatra que depois de causar um cisma na Ordem enquanto estava com os discípulos chefes e Àssembléia dissolvera-se, acabou cuspindo sangue (chutado por Kokalika). Os Irmãos discutiam este assunto no Salão da Verdade e diziam que Devadatra falando falsamente criara um cisma e depois acabou doente sofrendo grande dor. O Mestre veio e inquiriu sobre o assunto que os Irmãos conversavam, lá sentados em conclave, e entendendo qual era, disse, “Não apenas agora Irmãos, mas antigamente também este sujeito foi mentiroso e não apenas agora, mas antes também sofreu grandes dores como penalidade por mentir.” e assim falando ele repetiu esta lenda do mundo antigo.
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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva tornou-se um certo deus no céu dos Trinta e três. Neste tempo havia um grande festival em Benares. Uma multidão de Nāgas e pássaros Garudas e deidades terrestres vieram e assistiram o festival. E quatro seres divinos do céu dos Trinta e três, vestido grinaldas de flores kakkāru celeste , vieram para ver o festival. E a cidade pelo espaço de doze léguas [aproximadamente vinte quilômetros] ficou preenchida com a fragrância destas flores. As pessoas andavam, questionando quem vestia tais grinaldas. Os deuses disseram, “Eles nos olham”, e voando da corte real, por um ato de poder sobrenatural eles permaneceram pousados no ar. A multidão se aglomerou, e o rei com os príncipes vassalos vieram e perguntaram de que mundo dos deuses eles tinham vindo.
“Viemos do céu dos Trinta e três.”
“Com que propósito?”
“Para ver o festival.”
“Que são estas flores?”
“Elas são chamadas as flores kakkāru celestes.”
“Senhores,” eles disseram, “no mundo dos deuses deve haver outras flores para vestir. Dá-nos estas.”
Os deuses responderam, “Estas flores divinas são próprias para aqueles que possuem grandes poderes: para o tolo, ímpio, sem fé e pecador neste mundo das pessoas, não são apropriadas. Mas quem entre as pessoas esteja dotada com tais e tais virtudes, para ele é adequada.” E com estas palavras o chefe entre estes seres divinos repetiu a primeira estrofe:-

Aquele que refreia-se de furtar,
Sua língua impedindo de mentir,
E atingindo as alturas estonteantes da fama
Ainda mantém sua cabeça – esta flor pode clamar.

Ouvindo isto o pároco real pensou, “Não possuo nenhuma destas qualidades mas mentindo conseguirei as flores, e assim as pessoas me acreditarão com estas virtudes.” Então ele disse, “Estou dotado com estas qualidades,” e as flores foram trazidas e colocadas nele, e ele então pediu ao segundo deus, que respondeu com a segunda estrofe:-

Aquele que deve bens honestos buscar
E riquezas ganhas com fraude evitar,
Afastando-se do excesso de grosseiros prazeres
Esta flor celeste com mérito recebe.

Disse o pároco, “Estou dotado com estas virtudes”, e teve as flores trazidas e nele vestidas, pedindo então as do terceiro deus, que pronunciou a terceira estrofe:-

Aquele que do firme propósito não se desvia
E preserva sua fé sem mudança,
Comida escolhida despreza devorar,
Pode justamente estas flores celestes clamar.

Disse o pároco, “Estou dotado com estas virtudes”, e teve as flores trazidas e vestidas e pedindo então ao quarto deus, que respondeu com a quarta estrofe:-

Aquele que a homens bons nunca atacará
Quando presentes, nem por trás de suas costas,
E tudo que diz realiza-se em atos,
Esta flor pode clamar como galardão devido.

O pároco disse, “Estou dotado com estas virtudes,” e teve as flores trazidas e vestidas. Assim os seres divinos deram as quatro grinaldas de flores para o sacerdote e retornaram ao mundo dos deuses. Logo que foram, o pároco foi tomado de dores violentas na cabeça, como se golpeado por prego profundo, ou amassado por um instrumento de ferro. Enlouquecido com a dor rolava para cima e para baixo, e gritava em alta voz. Quando as pessoas perguntaram, “O que isto significa?” ele disse, “Clamei estas virtudes quando não as tinha, e falei falsamente e pedi as flores aos deuses: tirem-as de minha cabeça.” Eles as teriam tirado mas não puderam, pois elas estavam como que amarradas com arame de ferro. Então o levantaram e levaram para casa. E assim sete dias passaram com ele gritando alto. O rei falou aos conselheiros e disse, “Este brahmin fraco morrerá. O que faremos ?” Meu senhor” eles responderam, “celebremos novamente o festival. Os filhos dos deuses voltarão.”
E o rei fez o festival, e os filhos dos deuses retornaram e preencheram a cidade com o perfume das flores, e tomaram os mesmos lugares na corte real. A multidão juntou-se, e trouxe o brahmin fraco que foi largado diante dos deuses de bruços. Ele pediu aos deuses dizendo, “Meus senhores, poupem minha vida.” Eles disseram, “Estas flores não são adequadas a pessoa fraca e má. Você em seu coração pensou em nos enganar. Recebeste o prêmio por suas falsas palavras.”
Depois de repreendê-lo na presença do povo, removeram as grinaldas da sua cabeça e avisando as pessoas, retornaram para seu próprio domicílio.
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O Mestre tendo terminado sua lição, identificou o Jataka : “Naquele tempo Devadatra era o brahmin, e os quatro seres divinos, Kasyapaera um, Mooggaallana era outro, Sariputra um terceiro e eu mesmo era o chefe deles.”

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