segunda-feira, 13 de julho de 2009

325 Buddha Lagarto real

325
“Aquele que interpreta...etc.” - Esta história foi contada pelo Mestre, enquanto vivia em Jetavana, relativa a um certo tratante impostor. A história introdutória já foi dada inteiramente (no Jataka 277). Mas nesta ocasião, trouxeram o Irmão até o Mestre e o apresentaram dizendo, “Santo Senhor, este Irmão é um impostor.” O Mestre disse, “Não apenas agora mas anteriormente também ele foi um tratante.” E então contou uma história do mundo antigo.
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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva nasceu como um jovem lagarto ; quando cresceu e estava lusty (saudável, robusto) e forte, habitava uma floresta. Um certo asceta mau construiu uma cabana de folhas e passou a residir ali perto. O Bodhisatva, rondando por comida, viu esta cabana de folhas e pensou consigo mesmo,”Esta cabana deve certamente pertencer a algum asceta santo,” e lá foi e após saudar o santo homem retornou a seu próprio lugar.
Um dia este falso asceta comeu um pouco de comida temperada preparada por um de seus clientes, e perguntou que carne era. Ouvindo que era carne de lagarto tornou-se tão escravo de sua adição por iguarias que pensou, “Matarei aquele lagarto que tão constantemente fica indo ao meu eremitério e o cozinharei ao meu gosto e o comerei.” Assim pegou ghee, iogurte, temperos e com seu porrete escondido debaixo do manto amarelo sentou-se ereto na porta da cabana, esperando pelo Bodhisatva chegar, tão quieto quanto podia.
E quando o Bodhisatva viu este indivíduo depravado pensou, “Este vil deve ter comido carne de parente meu. O colocarei em teste.” Então ficou a sotavento dele e tomando o cheiro de sua pessoa soube que tinha comido carne de um lagarto, e sem aproximar-se virou e fugiu. E quando o asceta viu que o lagarto não vinha, atirou o porrete nele. O porrete errou o corpo atingindo apenas a ponta do rabo. O asceta dizendo, “Fora do meu alcance eu te perdi.” Disse o Buda, “Sim você errou mas não errará o quádruplo Estado de Sofrimento.” E fugiu e desapareceu em um monte de formigueiro que ficava no fim do corredor claustral, e colocando a cabeça para fora, em outro buraco, dirigiu-se ao asceta nestes dois versos:

Aquele que interpreta o papel ascético
Deve mostrar auto-controle.
Atiraste este pedaço de pau em mim,
Falso asceta deves ser.

Cabelos em tranças, roupa de pele
Servem para cobrir algum secreto pecado.
Tolo! Limpando aparência de fora
Deixando o errado por baixo.

O asceta ouvindo respondeu:

Por favor, lagarto, volte rápido,
Aqui não falta sal e óleo :
Pimenta também sugiro
Podemos temperar o arroz cozido!

O Bodhisatva ouvindo respondeu, com a quarta estrofe:

Me esconderei no aconchego quentinho
No meio das miríades dos formigueiros.
Cesse de tagarelar sobre óleo e sal
Abomino pimenta.

E ainda o ameaçou dizendo, “Fora! Falso asceta, se continuares a habitar aqui, o farei ser pego como ladrão pelo povo que vive no meu campo de alimento, e o destruirão. Saia fora.” E o falso asceta fugiu daquele lugar.
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O Mestre, sua lição terminada, identificou o Jataka : “Naqule tempo o Irmão impostor era o falso asceta mas eu mesmo era o lagarto real.”

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