sexta-feira, 10 de julho de 2009

324 Buddha e o monge com roupa de couro

324
“A besta gentil...etc.”- Esta história foi contada pelo Mestre enquanto vivia em Jetavana, sobre um padre mendicante que vestia uma jaqueta de couro. Ambas as roupas a de cima e de baixo eram de couro. Um dia excursionando fora do mosteiro foi colher ofertas em Savatthi, até que chegou no campo de briga dos carneiros. Um carneiro vendo-o recuou, no intuito de investir contra o mendicante. Este pensou, “Ele está fazendo isto num ato de respeito por mim,” e não recuou, o mendicante. O carneiro veio correndo e o acertou na coxa,derrubando-o no chão. Este caso de saudação imaginária foi proclamado na Congregação dos Irmãos. A matéria discutida por eles no Salão da Verdade em como o mendicante em roupa de couro imaginou que estava sendo saudado e encontrou sua morte. O Mestre veio e inquirindo sobre o tema da discussão e a ele sendo contado o que foi dito, disse, “Não apenas agora, Irmãos, mas antigamente também este asceta imaginou que estava sendo saudado e assim encontrou sua morte,” e contou uma lenda do velho mundo.
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Certa vez o Bodhisatva nasceu numa família de mercadores, exercia seu comércio. Naquele tempo um certo religioso mendicante, vestido numa roupa de couro, e saindo nas rondas de ofertas, chegou no campo de briga dos carneiros, e vendo um carneiro que recuava diante dele imaginou que o fazia em sinal de respeito e não se retirou. “Em todo o mundo,” ele pensou, “este carneiro apenas reconhece meus méritos,” e levantando as mãos juntas em saudação respeitosa permaneceu de pé e declarou a primeira estrofe:

A gentil besta faz sinal de obediência diante
Do brahmin de alta casta versado em tradição santa.
A ti criatura boa e honesta
Famosa acima de todas as outras bestas, meu voto!

Neste momento o mercador sábio sentado nos seus víveres, para reter o mendicante, pronunciou a segunda estrofe:

Brahmin, não seja tão precipitado , crendo nesta besta
Ou ela te jogará logo na poeira,
Por isto o carneiro recua,
Para ganhar ímpeto no ataque.

Enquanto o sábio mercador falava ainda, o carneiro veio à toda velocidade, atingindo o mendicante na coxa, derrubando-o. Ele ficou louco de dor e enquanto jazia lamentando-se, o Mestre, para explicar o incidente, pronunciou a terceira estrofe:

Com a perna quebrada e a tigela de ofertas virada,
De sua sorte danosa arrepender-se-á amargamente.
Que ele não chore com braços estendidos em vão,
Rápido ao resgate antes que morra o sacerdote.

Então o mendicante respondeu a quarta estrofe:

Assim toda honra prestada ao que nada vale,
Partilha do mesmo fado que ho-je encontrei ;
Pronado [prostrado] no pó, por um carneiro marrento atirado
à tola confiança devo minha morte.

Assim lamentando, ele, lá e então (then & there), encontrou sua morte.
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O Mestre sua lição terminada, assim identificou o Jataka : “O homem da roupa de couro era o mesmo de ho-je. E eu mesmo era o sábio mercador.”

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