quarta-feira, 30 de setembro de 2009
363 Buddha Mercador de Benares
363
“Quem apesar da honraria...etc.” - Esta história foi contada pelo Mestre enquanto em Jetavana, sobre um rico mercador amigo de Anātha-pindika, que vivia em uma província da fronteria. Ambas as histórias introdutórias e a do passado estão relatas inteiras no Jataka 90 mas nesta versão quando o mercador de Benares soube que os seguidores do mercador estrangeiro foram espoliados de todas as suas propriedades e após perderem tudo que tinham, tiveram que fugir, disse, “Porque falharam em fazer o quê deviam para os estrangeiros que vieram a eles, não encontraram ninguém pronto a devolver-lhes o favor.” E assim falando ele repetiu estes versos :-
Quem apesar da honraria, enquanto faz a parte
De humilde servo, te detesta no coração,
Pobre em boas obras e rico em palavras apenas –
Ah! Tal amigo certamente não possues.
Sejas tu em atos, verdadeiro às promessas,
Recuses prometer o que não podes ;
Sábios olham de lado para fanfarrões vazios.
Nenhum amigo suspeita sem causa,
Ou cuidadosamente procurará por falhas ;
Mas permanecerá com seu amigo em verdade
Como uma criança da mãe ao seio,
E nunca por uma palavra estranha
Apartar-se-á de seu amigo do peito.
Quem puxa bem o arado da amizade humana,
Pode falar de uma vida aumentada de benção e de honra :
Mas alguém que sabe as alegrias do calmo repouso,
Bebendo largos goles de Verdade – ele só sabe
Escapar dos laços do pecado e de todos seus pesares.
Assim o Grande Ser, desgostoso em entrar em contato com parceiros ruins, através do poder da solidão, trouxe seu ensinamento ao clímax e levou as pessoas ao Nirvana eterno.
O Mestre, sua lição terminada,assim identificou o Jataka : “Naquele tempo eu mesmo era o mercador de Benares.”
A terceira estrofe repete a dita pelo leão ao tigre no jātaka 361. Jataka // 90.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
362 A história da Cobra boa.
362
“Virtude e conhecimento...etc.” - Esta história o Mestre, enquanto residia em Jetavana contou, relativa a um brahmin que testou o poder da virtude. O rei, dizem, devido a reputação do outro pela virtude, olhava-o com respeito especial, além do que era prestado aos outros brahmins. Ele pensou, “O rei me olha com consideração especial porque sou dotado de virtude ou por ser dedicado àquisição de conhecimento ? Testarei a importância comparativa entre virtude e conhecimento.”
Então um dia tirou uma moeda da mesa do tesouro real. O tesoureiro devido ao respeito que tinha por ele nada falou. Aconteceu uma segunda vez e o tesoureiro nada disse. Mas na terceira ocasião o prendeu como alguém que vivia de furtos e o trouxe para diante do rei. E quando o rei perguntou qual a ofensa dele, o acusou de roubar a propriedade real.
“É verdade, brahmin ?” disse o rei.
“Não tenho o hábito de roubar tua propriedade, Senhor,” ele disse, “mas tenho minhas dúvidas da importância relativa da virtude e do conhecimento e em testando qual era a maior das duas, por três vezes retirei uma moeda e então fui preso e trazido para diante de ti. Agora que sei a grande eficácia da virtude comparada com o conhecimento, não quero mais viver a vida de leigo. Me tornarei um asceta.”
Obtendo consentimento para fazer tal, sem nem mesmo olhar para trás para a porta de casa, foi direto para Jetavana e suplicou ao Mestre que o ordenasse. O Mestre concedeu a ele ambas as ordens, diaconal e sacerdotal. E não ficou muito tempo nas ordens, logo atingindo insight espiritual e alcançando a fruição mais alta. O incidente foi discutido no Salão da Verdade, como certo brahmin, após provar o poder da virtude, tomou ordens e obteve insight espiritual alcançando Santidade. Quando o Mestre veio e perguntou aos Irmãos qual a natureza do tema que discutiam ali sentados, escutou qual era, ele disse, “Não apenas este homem apenas, mas sábios antigos também colocaram virtude à prova e tornando-se ascetas realizaram a própria salvação.” E com isto ele contou uma história do passado.
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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), o Bodhisatva nasceu em uma família brahmin. E quando ele estava com idade, adquiriu toda arte liberal em Takkasila ( Taxila ) e voltando para Benares foi ver o rei. O rei ofereceu a ele o posto de sacerdote da família e enquanto guardava o cinco preceitos morais, o rei o considerava respeitosamente como homem virtuoso. “Será que,” ele pensou, “que o rei me considera respeitosamente como homem virtuoso ou porque devoto da aquisição de conhecimento ?” E toda a história corresponde exatamente à variante moderna, mas neste caso o brahmin disse, “Agora sei a grande importância da virtude comparada com o conhecimento.” E com isto falou estas cinco estrofes :-
Virtude e conhecimento estava a testar;
Doravante não duvido mais, virtude é a melhor.
Virtude excede os vãos dons da forma e do nascimento,
Sem a virtude aprendizagem não tem valor.
Um príncipe ou camponês, se escravo do pecado,
Em nenhum mundo é salvo da miséria.
Pessoas de casta alta e aqueles de nível básico,
Se virtuosos aqui, no céu serão iguais.
Nem nascimento, nem conhecimento, nem amizade, valem algo,
Pura virtude somente lega benção futura.
Assim o Grande Ser cantando os louvores da virtude, e tendo ganho o consentimento do rei, naquele mesmo dia transladou-se para a região do Himālaia, e adotando a vida religiosa de asceta desenvolveu as Faculdades e as Consecuções, e tornou-se destinado a nascer no mundo de Brahma.
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O Mestre aqui terminou a lição e identificou o Jataka : “Naquele tempo eu mesmo que coloquei a virtude em teste e adotei a vida religiosa como asceta.”
Jatakas 86, 290, 330 //. História da Cobra Boa aqui simplificada.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
361 Mooggaallana Tigre e Sariputra Leão
361
“É assim que Sudatha...etc.” - Esta história o Mestre contou, enquanto morava em Jetavana, relativa aos dois discípulos principais. Em certa ocasião os dois discípulos principais resolveram durante a estação das chuvas dedicarem-se à solidão, soledad. E então deram adeus ao Mestre e deixando a companhia dos Irmãos saíram de Jetavana, levando hábito e tigela, e viviam perto de uma vila na fronteira. Um certo homem, que servia aos anciãos e que vivia de partes das provisões deles, morava aparte no mesmo lugar. Vendo como estavam felizes os Irmãos vivendo juntos, ele pensou: “Imagino ser possível colocá-los em desacordo.” Então aproximou-se de Sāriputra e disse, “Será possível, Reverendo Senhor, que haja querelas entre você e o venerável chefe ancião Moggaallāna?” “Por quê, Senhor?” ele perguntou. “Ele sempre fala, Santo Senhor, te desprezando e diz, ‘Quando eu tiver ido, o que valerá Sāriputra comparando-se comigo em casta, linhagem, família e etnia, ou poder de consecuções nos sacros volumes?” O ancião sorriu e disse, “Sai fora patife!” Outro dia aproximou-se do chefe ancião Moggaallāna, e disse a mesma coisa. Ele também disse, “Sai fora patife!” Moggaallāna foi até Sāriputra e perguntou, “Este indivíduo que vive do que largamos, disse algo para você?” “Sim, amigo, ele disse.” “E ele disse a mesma coisa para mim. Devemos mandá-lo embora.” “Muito bem, amigo, mande-o embora.” O ancião disse, “Você não deve ficar aqui,” e estalando os dedos para ele, expulsou-o. Os dois anciãos viveram felizes juntos e retornaram para o Mestre, obedecendo e sentando. O Mestre falou amigavemente com eles e perguntou se foi agradável o Retiro. Eles disseram, “Um certo mendigo desejou nos colocar em desacordo mas falhando na tentativa, foi embora.” O Mestre disse, “Verdadeiramente, Sāriputra, não apenas agora, mas antes também ele pensou em colocá-los em desacordo mas falhando na tentativa, fugiu.” E assim ao pedido dele contou uma história dos tempos antigos.
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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva era uma árvore-deus na floresta. Naquele tempo um leão e um tigre viviam numa cova na montanha, na floresta. Um chacal, os ajudava e vivia dos restos deles, começou a engrossar o corpo. Um dia foi tomado pelo pensamento, “Nunca comi carne de leão nem de tigre. Devo pegar estes dois animais pelos ouvidos, e quando em conseqüência da disputa eles se matarem, comerei a carne deles.” Assim aproximou-se do leão e disse, “Há alguma querela, Senhor, entre você e o tigre?” “Por que isto, Senhor?” “Sua Reverência,” ele disse, “ele sempre fala com desprezo de ti e diz, ‘Quando eu tiver ido, este leão não terá atingido um dezesseis avos de minha beleza pessoal, nem de minha estatura e largura, nem de minha força natural e poder.’ ” Então o leão disse a ele, “Fora com você. Ele nunca falaria assim de mim.” Então o chacal aproximou-se do tigre também, e falou do mesmo modo. Escutando, o tigre correu ao leão, e perguntou, “Amigo, é vero, que disseste isto e isto de mim?” E falou a primeira estrofe:- (Sudātha, dentes-fortes, é o leão; Subāhu, braço-forte, o tigre.)
É assim que Sudātha fala de mim?
“Na graça da forma e em pedigree,
Em força e proeza no campo,
Subāhu a mim deve dar lugar.”
Escutando isto Sudātha repetiu as quatro estrofes:-
É assim que Subāhu fala de mim?
“Na graça da forma e em pedigree,
Em força e proeza no campo,
Sudātha a mim deve dar passagem.”
Se tais palavras injuriosas fossem tuas,
Não serias mais meu amigo.
A pessoa que empresta pronto ouvido
A qualquer fofoca que escute,
Logo arranja querela com um amigo,
E àmizade em ódio amargo terminará.
Nenhum amigo suspeita sem causa,
Ou cuidadosamente procurará por falhas;
Mas permanecerá com seu amigo em verdade
Como uma criança da mãe ao seio,
E nunca por uma palavra estranha
Apartar-se-á de seu amigo do peito.
Quando as qualidades da amizade foram assim estabelecidas nestas quatro estrofes, o tigre disse, “A falta é minha,” e pediu perdão ao leão. E continuaram a viver felizes juntos no mesmo lugar. Mas o chacal foi embora e fugiu para outro lugar.
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O Mestre tendo levado a lição ao fim, identificou o Jataka : “Naquele tempo o mendicante que vivia de restos era o chacal, Sāriputra o leão, Moggaallāna o tigre, e a deidade que habitava àquela floresta e viu a coisa toda com seus próprios olhos, era eu mesmo.” Cf. Jātaka 272 e 349.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
360 Buddha rei Garuda
360
“Cheiro o perfume...etc.” - Esta história o Mestre contou em Jetavana relativa a um Irmão que errava. O Mestre perguntou se era verdade que queria voltar ao mundo, e o quê o fez arrepender-se de tomar ordens. O Irmãos respondeu, “É tudo devido aos encantos de uma mulher.” O Mestre disse, “Verdadeiramente, Irmão, não há jeito de guardar-se de mulheres. Sábios antigos, apesar de precaverem-se e morarem no lugar dos Garudas, falharam em guardá-las.” E sendo incitado por ele, o Mestre contou uma história do passado.
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Certa vez rei Tamba reinava em Benares e sua rainha chamada Sussondi era uma mulher de beleza extraordinária. Naquele tempo o Bodhisatva veio a vida como um jovem Garuda ( Pássaro ). Então a ilha Nāga era chamada de ilha Seruma, e o Bodhisatva vivia nesta ilha na morada dos Garudas. E ele foi a Benares, disfarçado como um jovem, para jogar dados com o rei Tamba. Realçando em beleza disseram a Sussondi, “Tal e tal jovem joga dados com nosso rei.” E anseia em vê-lo, e um dia adorna-se e acorre a sala de jogo de dados. Lá, permanecendo entre os empregados, fixou o olhar no jovem.
Ele também olhou para a rainha, e os dois caíram de amor um pelo outro. O rei Garuda por um ato de poder sobrenatural, espalhou uma tempestade na cidade. O povo com medo que a casa caísse, fugiu do palácio. Pelo seu poder fez com que escurecesse, e carregando a rainha com ele pelos ares, foi para sua própria morada na ilha Nāga. Mas ninguém soube da vinda ou ida de Sussondi. O Garuda teve prazer com ela, e ainda voltou para jogar dados com o rei. O rei tinha um menestrel chamado Sagga, e sem saber para onde a rainha foi, o rei dirigiu-se ao menestrel e disse, “Vá e explore toda a terra e o mar, e descubra o que aconteceu com a rainha.” E assim dizendo o mandou ir.
Ele tomou o que era necessário para a jornada, e começando pelos portões da cidade, por fim chegou em Bhārukacha. Naqueles dias certos mercadores de Bhārukacha levantavam velas para a Terra Dourada. Ele aproximou-se e disse, “Sou menestrel. Se remido do dinheiro da passagem, toco como menestrel. Levem-me com vocês.” Eles aceitaram e colocando-o a bordo, levantaram âncora. Quando o barco já tinha bem navegado, o chamaram e pediram que tocasse algo. Ele disse, “Faria música, porém se fizer, os peixes se excitarão tanto que acabarão por quebrar o barco.” “Se um mero mortal,” eles disseram, “faz música, não haverá nenhuma excitação por parte dos peixes. Toque para nós.” “Então não se enfureçam comigo” , ele disse, e afinando sua viola e mantendo perfeita harmonia entre as palavras da canção e as cordas do violão, fez música para eles. Os peixes enlouqueceram com o som e começaram a pular. E um certo monstro do mar pulando caiu em cima do barco e o quebrou em dois. Sagga descansando numa prancha foi levado pelo vento até que alcançou uma árvore banian na ilha Nāga, onde o rei Garuda vivia. Bem, a rainha Sussondi, quando o rei Garuda ia jogar dados, descia de sua casa, e quando vagava na ponta da praia, ela viu e reconheceu o menestrel Sagga, e perguntou-lhe como chegou lá. Ele contou toda a história. E ela o confortou e disse, “Não tema,” e abraçando-o , levou para casa e o colocou na cama. E quando ele estava reestabelecido, alimento-o com comida celeste, banhou-o com água perfumada celeste, vestiu-o com vestes celestes, e adornou-o com flores de perfumes celestes e o fez deitar numa cama celeste. Assim ela o guardou, e quando o rei Garuda voltava, ela escondia seu amante, e logo que o rei saía, sob a influência da paixão ela tomava seu prazer com ele. No final de um mês e meio, alguns mercadores que moravam em Benares, aportaram aos pés da árvore banian nesta ilha, para pegar lenha e água. O menestrel entrou no barco deles, e alcançando Benares, logo que viu o rei, enquanto estava jogando dados, Sagga tomou seu violão, e fazendo música recitou a primeira estrofe:-
Cheiro o perfume no bosque de timira,
Escuto o murmúrio do mar que vira em roda:
Tamba, atormento-me com meu amor,
Pois a bela Sussondi habita longe de mim.
Escutando isto o rei Garuda falou a segunda estrofe:-
Como atravessaste o tempestuoso alto-mar,
E Seruma alcançaste salvo?
Como tu, Sagga, diga-me, peço,
À bela Sussondi ganhaste o caminho?
Então Sagga repetiu três estrofes:-
Com povo comerciante da terra de Bhārukaccha
Meu barco foi destruído pelos monstros do mar;
Numa prancha à praia salvo cheguei,
Quando uma rainha ungida com mão gentil
Ergueu-me ternamente com seu joelho
Como se um filho de verdade fosse para ela.
Ela trouxe comida e vestes, e enquanto eu jazia
Com olhos de amor abandonado, estendia-se sobre meu leito.
Saiba, Tamba, bem ; estas palavras são verdadeiras.
O Garuda, enquanto o menestrel assim falava, encheu-se de remorso e disse: “Apesar de morar na residência dos Garudas, falhei em guardá-la em segurança. O quê esta mulher fraca é para mim ?” Então ele a trouxe de volta e entregou-a ao rei e saiu. E daí em diante não foi mais lá.
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O Mestre, sua lição terminada, declarou as Verdades e identificou o Jataka :- Na conclusão das Verdades o Irmão com a mente mundana atingiu a fruição do Primeiro Caminho :- “Naquele tempo Ananda era o rei de Benares e eu mesmo era o rei Garuda.”
Jataka 327 // .
terça-feira, 22 de setembro de 2009
359 Buddha Cervo real
359
“Ó Pata dourada...etc.” - Esta história foi contada pelo Mestre quando morava em Jetavana, sobre uma donzela nobre de Sāvatthi. Ela era, dizem, filha de um servidor dos dois discípulos chefes em Sāvatthi, e crente fiel, ternamente unida a Buddha, Dharma, Sangha, cheia de bons trabalhos, sabendo sobre salvação, e devota de oferta e atos piedosos assim. Outra família de Sāvatthi de rank igual mas de visões heréticas, escolheu ela para casar. Então seus pais disseram, “Nossa filha é crente fiel, devota dos Três Tesouros, dada a ofertas e outros bons trabalhos mas vocês sustentam crenças heréticas. E como vocês não permitirão que ela faça ofertas, ou escute a Verdade, ou visite o mosteiro, ou guarde a lei moral, ou observe dias santos, como lhe agrade, não a daremos em casamento a vocês. Escolham uma donzela de uma família de crenças heréticas como a de vocês.” Quando a oferta foi rejeitada, eles disseram, “Que sua filha quando vier para nossa casa, faça todas estas coisas, que a agradem. Não a impediremos. Aceitem.” “Então podem tomá-la,” eles responderam. Então festejaram num casamento em estação auspícia e a levaram para casa. Ela se mostrou fiel no cumprimento das obrigações, e esposa dedicada, e prestou serviços ao sogro e a sogra. Um dia ela disse ao esposo, “Desejo fazer ofertas aos sacerdotes de nossa família.” “Muito bem, querida, pode oferecer o que quiser.” Então um dia ela convidou estes sacerdotes, e fazendo um grande encontro, alimentou-os com comida requintada, e ela tomando um lugar disse-lhes, “Senhores santos, esta família é herética e descrente. Eles são ignorantes do valor dos Três Tesouros. Então, Senhores, até que esta família entenda o valor dos Três Tesouros, continuem a receber a comida aqui.” Os padres aceitaram e continuaram a fazer as refeições lá. Então ela falou para o marido, “Senhor, os padres vêm constantemente aqui. Por quê você não os vê ?” Escutando isto ele disse, “Muito bem, eu os verei.” De manhã ela o chamou quando os padres já tinham acabado a refeição. Ele veio e sentou-se respeitosamente de um lado, conversando afavelmente com os padres. Então o Capitão da Fé pregou a Lei para ele. Ele ficou tão encantado com a exposição da fé, e com o comportamento dos padres, que depois daquele dia passou a preparar esteiras para os anciãos sentarem, e a filtrar a água para eles, e durante a refeição escutava a exposição da fé. Aos poucos sua visão herética acabou. Assim um dia o ancião na exposição da fé declarou as Verdades ao marido e a esposa, e quando o sermão já estava terminado, ambos estavam estabelecidos na fruição do Primeiro Caminho. Daí em diante todos eles, dos pais aos empregados, desistiram das visões heréticas, e tornaram-se devotas ao Buddha, Dharma, Sangha. Então um dia esta jovem disse a seu marido, “O quê, Senhor, tenho a ver com a vida de dona de casa? Quero adotar a vida religiosa.” “Muito bem, querida,” ele disse, “eu também quero ser asceta.” E ele a conduziu com grande pompa à irmandade feminina, e ela foi admitida como noviça, e ele mesmo foi ao Mestre e pediu para ser ordenado. O Mestre admitiu-o primeiro no diaconato e depois no sacerdócio. Ambos receberam clara visão espiritual, e logo atingiram a Santidade. Um dia levantaram discussão no Salão da Verdade, “Senhores, uma certa mulher por causa de sua fé e da de seu marido tornou-se noviça. E ambos tendo adotado a vida religiosa, e ganho clara visão espiritual, atingiram a Santidade.” O Mestre, quando veio, inquirindo qual o tópico que os Irmãos sentados em conselho discutiam, e escutando qual era, disse, “Irmãos, não apenas agora, ela libertou o marido dos laços da paixão. Antes também ela libertou sábios antigos mesmos do laço da morte.” E com estas palavras ele calou mas sendo pressionado por eles, contou uma história do passado.
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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva veio a vida como um jovem cervo, e cresceu belo e gracioso, da cor do ouro. Suas patas dianteiras e traseiras eram como que cobertas por tinta. Seus chifres como uma trança de prata, seus olhos pareciam jóias redondas, e sua boca como uma bola de lã carmin. A cerva sua companheira também era bela criatura e eles viviam felizes e em harmonia juntos. Oito miríades de cervos malhados seguiam os passos do Bodhisatva. Enquanto assim viviam, um certo caçador colocou armadilha em trilha de cervos. E assim um dia o Bodhisatva, enquanto liderava a horda, pisou na armadilha, e tentando soltar o nó, corta a pele. Novamente puxa e corta a carne, e uma terceira vez e fere o tendão. E o laço penetrou até o osso. Sem ser capaz de quebrar a armadilha, o cervo assustado com o medo da morte, gritou gritos. E escutando-os a horda de cervos fugiu em pânico. A cerva contudo, enquanto fugia, olhando entre os cervos, não viu o Bodhisatva, e pensou, “Este pânico deve certamente ter a ver com meu senhor,” e correndo até ele, com lágrimas e lamentos ela disse, “Senhor, és muito forte. Por quê não sais da armadilha? Ponha para fora sua força e quebre-a.” E assim animando-o a fazer uma força pronunciou a primeira estrofe:-
Ó Pata dourada, não poupe esforço
Para soltar-se da armadilha de couro.
Como posso alegrar-me, privada de ti,
Em vagar livre na floresta ?
O Bodhisatva, escutando isto, respondeu numa segunda estrofe:-
Não poupo esforço, mas é vão,
Minha liberdade não ganho.
Quanto mais luto para soltar-me,
Mais me aperta o laço de couro.
Então a cerva disse: “Meu senhor, não tema. Pelo meu próprio poder solicitarei ao caçador, e desistindo da minha vida, ganharei a sua em troca.” E assim confortando o Grande Ser, ela continuou abraçada ao ensangüentado Bodhisatva. Mas o caçador aproximou-se, com espada e lança na mão, como a chama destruidora no começo de um ciclo. Vendo-o, a cerva disse, “Meu senhor, o caçador está vindo. Com meu próprio poder o resgatarei. Não tema.” E assim consolando o cervo, ela foi ao encontro do caçador, e permanecendo a uma distância respeitosa, o saudou e disse, “Meu senhor, meu marido é da cor do ouro, e dotado de todas as virtudes, rei de oito miríades de cervos.” E assim louvando as virtudes do Bodhisatva, suplicou que matasse a ela mesma, para que o rei da horda se salvasse, e falou a terceira estrofe:-
Que na terra uma cama de folha,
Caçador, onde possamos cair, seja espalhada:
E tirando da bainha tua espada,
Mate-me e depois a meu senhor.
O caçador, escutando isto, foi tomado de assombro e disse, “Nem os seres humanos dão suas vidas pelos reis; muito menos as bestas. O quê isto significa? Esta criatura fala com voz doce na linguagem das pessoas. Ho-je lhe darei a vida e a de seu companheiro.” E bastante encantado com ela, o caçador falou a quarta estrofe:-
Uma besta que fala com voz de gente,
Nunca apareceu diante da minha percepção.
Descanse em paz, gentil cerva,
E largue, Ó Pata dourada, o temor.
A cerva vendo o Bodhisatva livre, ficou altamente deliciada e retornando agradecida ao caçador, falou a quinta estrofe:-
Como ho-je alegro-me em ver
Este animal poderoso em liberdade,
Do mesmo modo, caçador que soltaste àrmadilha,
Alegre-se com todos os seus.
E o Bodhisatva pensou, “Este caçador deu-nos a vida a mim e a esta cerva, e a oito miríades de cervos. Ele foi meu refúgio, e devo ser um refúgio para ele.” E com o caráter de alguém supremamente virtuoso ele pensou, “Deve-se retornar propriamente um benefício,” e deu ao caçador uma jóia mágica que ele tinha achado na sua área de alimentação e disse: “Amigo, de agora em diante não tire a vida de nenhuma criatura mas com esta jóia estabeleça uma casa e mantenha esposa e filhos, e faça ofertas e outros bons trabalhos.” E assim o advertindo, o cervo desapareceu na floresta.
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O Mestre aqui terminou sua lição e identificou o Jātaka: “Naquele tempo Channa (um Irmão suspenso por ficar do lado dos heréticos) era o caçador, esta mulher noviça era a cerva, e eu mesmo era o cervo real.”
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
358 Buddha príncipe Dhammapala
Veluvana, Bosque de Bambu, Bambual, Índia.
358
“A infeliz rainha...etc.” - Esta história o Mestre, enquanto morava no Bosque de Bambu, contou, relativa as tentativas de Devadatra em matar o Bodhisatva. Em todos os outros nascimentos, Devadatra falhou em excitar um átomo que seja de medo no Bodhisatva, mas neste jātaka 358, quando o Bodhisatva tinha apenas sete meses de idade, teve suas mãos e pés e cabeça, cortados do corpo, e o corpo mesmo picado como uma grinalda. No jataka 172 e 304 matou-o torcendo o pescoço, e cozinhando a carne num fogão e comendo-o. No jataka 313 açoitou-o com duas mil chibatadas, e ordenou que orelhas nariz mãos e pés fossem cortados e amarrado pelos cabelos foi arrastado até ficar todo esfolado, e chutando-o na barriga naquele mesmo dia morreu o Bodhisatva. Em ambos, no Culla Nandaka e no Vevaiyakapi jatakas, meramente matou-o. Assim Devadatra por muito tempo segue a matá-lo, e continua a fazer isto, mesmo após o Bodhisatva ter-se tornado Buddha. Então um dia levantou-se uma discussão no Salão da Verdade, “Senhores, Devadatra está continuamente formando planos para matar os Buddhas. Pensando em matar o Supremo Buddha, ele subornou arqueiros para acertá-lo, atirou uma rocha sobre ele, e soltou nele o elefante Nalagiri.” Quando o Mestre veio e inquiriu o tema da discussão dos Irmãos reunidos, ouvindo o que era, ele disse, “Irmãos, não só agora, mas antes também ele segue a me matar, mas agora falha em excitar uma partícula de medo, mas antes quando eu era príncipe Dhammapāla ele me matou apesar de ser seu próprio filho , cortando o corpo todo em picadinhos como numa guirlanda. “ E assim falando contou uma história do passado.
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Certa vez quando Mahāpatāpa reinava em Benares, o Bodhisatva veio à vida como o filho de sua rainha Candā e o chamou Dhammapāla. Quando tinha sete meses de idade, sua mãe o banhou em água perfumada, o vestiu ricamente e sentou para brincarem. O rei veio para o lugar em que estavam. E como ela brincava com o menino, cheia de amor de mãe por sua cria, ela esqueceu de levantar-se, ao ver o rei. Ele pensou, “Já agora esta mulher enche-se de orgulho por seu filho, e não me dá o valor de uma palha, e quando o garoto crescer, ela pensará, ‘meu homem é meu filho,’ e nem me notará. Vou matá-lo logo de uma vez.” Então ele voltou e sentando no trono chamou o carrasco, com todos os instrumentos de seu ofício. O homem colocou sua roupa amarela e vestindo uma grinalda carmin, colocou seu machado no ombro e levando um cepo e uma tigela nas mãos, veio e ficou diante do rei saudando-o dizendo, “Qual a sua vontade , Senhor ?”
“Vá ao real closet da rainha e traga aqui Dhammapala,” disse o rei.
Mas a rainha sabia que o rei saíra irado e colocou o Bodhisatva em seu seio e sentou chorando. O carrasco veio e golpeando-a pelas costas arrancou o garoto das mãos dela e foi até o rei e saudando-o disse, “Qual a sua vontade, Senhor ?” O rei fez com que se trouxesse uma tábua e a colocassem diante de si, dizendo, “Deitem-no aí.” O homem assim o fez. Mas rainha Canda veio e ficou justo atrás do seu filho, chorando. Novamente o carrasco disse, “Qual a tua vontade , Senhor ?” “Corte fora as mãos de Dhammapala,” disse o rei. Rainha Canda disse, “Grande rei, meu filho é apenas uma criança, de sete meses. Nada sabe. A falta não é dele. Se há falta, é minha. Portanto mande que se corte fora minhas mãos.” E para fazer -se entender, pronunciou a primeira estrofe :-
A infeliz rainha de Mahapatapa,
Eu apenas sou culpada.
Mande que se liberte Dhammapala, Senhor,
E tirem de mim, infeliz, as mãos.
O rei olhou para o carrasco. “Qual a tua vontade, Senhor ?” “Sem mais delongas, corte as mãos dele,” disse o rei. Neste momento o carrasco pega o machado afiado e cortou fora as duas mãos do menino como se fossem dois brotos jovens de bambu. O menino, quando suas mãos foram cortadas, nem chorou nem se lamentou, mas movido pela paciência e pela caridade suportou com resignação. Mas rainha Canda colocou as mãos no seu colo e banhada em sangue continuou chorando. Novamente o carrasco perguntou, “Qual a tua vontade, Senhor ?” “Corte fora os pés dele,” disse o rei. Escutando isto, Canda pronunciou a segunda estrofe :-
A infeliz esposa de Mahapatapa
Eu apenas sou culpada.
Mande que se liberte Dhamapala, Senhor,
E tirem de mim, infeliz, os pés.
Mas o rei deu um sinal ao carrasco e ele cortou fora os pés do menino. Rainha Canda colocou também os pés no colo e banhada em sangue, chorando disse, “Meu senhor Mahapatapa, as mãos e os pés dele foram cortados fora. Mãe é obrigada a amparar seus filhos. Trabalharei por salário e cuidarei de meu filho. Dê ele para mim.” O carrasco disse, “Senhor, está a vontade do rei satisfeita ? Meu serviço terminado ?” “Não ainda,” disse o rei. “Qual então é tua vontade, Senhor ?” “Corte fora a cabeça dele,” disse o rei. Canda então repetiu a terceira estrofe :-
A infeliz esposa de Mahapatapa
Eu apenas sou culpada.
Mande que se liberte Dhamapala, Senhor,
E tirem de mim, infeliz, a cabeça.
E com estas palavras ela ofereceu a própria cabeça. Novamente o carrasco perguntou, “Qual a tua vontade, Senhor ?” “Corte fora a cabeça dele,” disse o rei. Assim ele cortou fora a cabeça do menino e perguntou, “Está a vontade do rei satisfeita ?” “Não ainda,” disse o rei. “Que mais devo fazer, Senhor ?” “Pegue-o com a ponta da espada,” disse o rei, “rodeie-o de cortes de espada como se com grinalda.” Então ele atirou o corpo do menino no ar e pegando-o com a ponta da espada, rodeou-o com cortes de espada, como se fosse uma grinalda e espalhou pedaços pelo estrado, tablado. Canda colocou a carne do Bodhisatva em seu colo e sentada no estrado chorando, falou estas estrofes :-
Nenhum conselheiro amigo aconselha o rei,
'Não mates o herdeiro que dos teus rins brota' :
Nenhum parente amável urgindo o tenro apelo,
'Não mates o menino que deve a vida a ti.'
Com isto após falar estas duas estrofes, rainha Canda, apertando ambas as mãos no peito, repetiu a terceira estrofe :-
Tu, Dhammapala, eras por direito de nascença
Senhor da terra :
Teus braços, banhados em óleo de sândalo da floresta,
Jazem banhados em sangue.
Meu respirar caprichoso, ai ! Está chocado de suspiros
E gritos fragmentados.
Enquanto ela assim chorava, teve um ataque cardíaco, como um estalo de bambu, quando o bosque está em chamas e e caiu morta no mesmo lugar. Quanto ao rei sendo incapaz de permanecer no trono, caiu no estrado. Um abismo abriu-se separando o chão, e nele entrou direto. Então a sólida terra, apesar de espessa mais de duzentos mil quilômetros, sendo incapaz de suportar tal fraqueza, clivou separando-se, e abriu um abismo. Chama saiu dos ínferos de Avici e o pegou, envolvendo-o, como com uma veste real de lã, e o jogou em Avici. Seus ministros realizaram os ritos fúnebres de Candā e do Bodhisatva.
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O Mestre, tendo terminado este discurso, identificou o Jātaka : “Naquele tempo Devadatra era o rei, Mahā Pajāpati era Candā, e eu mesmo era o príncipe Dhammapāla.”
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
357 Buddha Elefante
357
“Elefante de sessenta...etc.” - Esta história foi contada pelo Mestre enquanto residia no Bosque de Bambu, relativa a Devadatra. Um dia levantaram uma discussão no Salão da Verdade, dizendo, “Senhores, Devadatra é ríspido, cruel e violento. Ele não tem um átomo de piedade pelas pessoas.” Quando o Mestre veio, inquiriu qual o tópico que os Irmãos juntos discutiam, e escutando o quê era, ele disse, “Irmãos, não somente agora, mas antes também ele foi sem piedade.” E com isto contou uma história do passado.
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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva veio à vida como um jovem elefante, e crescendo como um belo animal, tornou-se líder da horda, com um contigente de oitenta mil elefantes e habitava nos Himālaias. Naqueles dias uma codorna deixou seus ovos no campo de alimentação dos elefantes. Quando os ovos estavam prontos para serem partidos, os jovens pássaros quebraram as cascas e saíram. Antes que suas asas crescessem, e enquanto ainda eram inaptos para voar, o Grande Ser seguido de oitenta mil elefantes, rondando por comida, chegou naquele lugar. Vendo-os a codorna pensou, “Este elefante real vai pisar nos meus filhotes e matá-los. Vejam! vou implorar sua correta proteção para a defesa da minha ninhada.” Então ela levantou suas duas asas e em pé diante dele repetiu a primeira estrofe:-
Elefante de sessenta anos,
Senhor da floresta entre seus pares,
Sou apenas um pequeno pássaro,
Tu líder de uma horda;
Com minhas asas homenagem presto,
Poupe meus pequenos, peço.
O Grande Ser disse, “Ó codorna, não se preocupe. Protegerei teus filhotes.” E permanecendo acima dos jovens passarinhos, enquanto os oitenta mil elefantes passavam, ele depois se dirigiu à codorna: “Atrás de nós vem um elefante mau solitário. Ele não fará o que pedirmos. Quando vier, fale com ele também, e assim assegure a segurança de seus filhotes.” E com estas palavras, foi-se. E a codorna saiu a esperar o outro elefante, e com ambas as asas abertas, fazendo uma saudação respeitosa, falou a segunda estrofe:-
Vagando por montes e vales
Acalentando teu caminho solitário,
Tu, ó rei da floresta, eu saúdo,
E com minhas asas presto homenagem.
Sou apenas uma codorna infeliz,
Poupe minha tenra cria da morte.
Escutando as palavras dela, o elefante falou a terceira estrofe:-
Matarei seus jovens filhotes, codorna;
De que vale teu pobre pedido?
Minha pata esquerda pode esmagar fácil
Milhares de pássaros como estes.
E assim dizendo, com sua pata ele esmagou os passarinhos em átomos, e urinando neles levou-os para uma corrente d'água, e saiu trompeteando alto. A codorna pousou num galho de árvore e disse, “Então fora contigo e seu trumpete. Logo verás o que farei. Pouco sabes da diferença entre força do corpo e força da mente. Bem! Te ensinarei esta lição.” E assim ameaçando-o repetiu a quarta estrofe:-
Abuso de poder não é ganho,
Poder geralmente é a perdição do tolo.
Besta que mataste meus pequeninos,
Obrarei ainda o teu mal.
E assim dizendo, logo depois ela fez um favor a um corvo, e quando o corvo, que estava altamente agradecido, perguntou, “O que posso fazer por você?” a codorna respondeu, “Não há nada a ser feito, Senhor, apenas espero que você atinja com o bico e fure e retire os olhos do elefante mau, cruel.” O corvo prontamente concordou, e a codorna tendo feito um serviço a um azulão, este perguntou, “O que posso fazer por você?” ela disse, “Quando os olhos do elefante mau forem retirados pelo corvo, então você deixe cair lêndeas neles.” O azulão concordou, e então a codorna tendo sido gentil com um sapo , e o sapo perguntando o que faria, ela disse, “Quando o elefante mau ficar cego, deverá procurar água para beber, então tome posição e coaxe no topo da montanha, e quando ele subir para o topo, desça e coaxe novamente no fundo do precipício. Este tanto deixarei em tuas mãos.” Após ouvir o que a codorna disse, o sapo logo aceitou. Assim um dia o corvo com seu bico, arrancou ambos os olhos do elefante, e o azulão largou lêndeas neles, e o elefante sendo comido por larvas de insetos, enlouqueceu de dor, e tomado de sede, errava à procura d’água. Neste momento o sapo, no topo da montanha, coaxou. Pensou o elefante, “Deve haver água lá,” e subiu o monte. O sapo desceu, e parado no fundo do abismo, coaxou novamente. O elefante pensou, “Deve haver água lá,” e movendo-se para frente em direção ao precipício, rolou para baixo da montanha e foi morto. Quando a codorna soube que o elefante estava morto, ela disse, “Vi as costas do meu inimigo,” e em um alto estado de prazer andou empertigada sobre seu corpo, e foi-se sendo tratada de acordo com seus atos.
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O Mestre disse, “Irmãos, não deve-se incorrer em hostilidade com ninguém. Estas quatro criaturas, juntas, trouxeram o elefante à destruição, forte como era.
Uma codorna com um corvo, aliada de um azulão e um sapo
Certa vez mostraram o fim de uma hostilidade mortal.
Através deles o rei elefante morreu fora de hora:
Portanto toda querela deve ser evitada. “
Pronunciando esta estrofe inspirada pela Sabedoria Perfeita, ele assim identificou o Jataka : “Naquele tempo Devadatra era o elefante mau e eu mesmo era o líder da horda de elefantes.”
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