quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

50 Buddha Brahmadatra



50
“Milhares de praticantes do mal...etc.” – Esta história foi contada pelo Mestre enquanto em Jetavana, sobre ações praticadas para o bem do mundo, como será explicado no Jātaka 469.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), o Bodhisatva renasceu no útero da Rainha. Quando nasceu, foi chamado Príncipe Brahmadatra no dia do batismo. Com dezesseis anos de idade foi bem educado em Takkasilā ( Taxila ), aprendeu os Três Vedas de cor[ação], e instruiu-se nos Dezoito Ramos do Conhecimento. E seu pai fez dele Vice-rei.

Bem, naqueles dias o povo de Benares era muito dado a festivais aos ‘deuses’, e usavam mostram honra aos ‘deuses.’ Era costume deles matarem muitos carneiros, bodes, cavalos, porcos e outras criaturas vivas, e realizarem seus ritos não meramente com flores e perfumes mas com sangue de carcaças. Pensou o Senhor Misericordioso consigo mesmo, “Desviados pela superstição, as pessoas agora sacrificam em vão a vida; a multidão é dada em sua maior parte à irreligião: mas com a morte de meu pai e a minha sucessão por herança, encontrarei meios para terminar com tal destruição da vida. Pensarei numa inteligente estratégia em que o mal seja parado sem machucar um único ser humano.” Com este humor o príncipe um dia montou em seu carro e saiu da cidade. No caminho viu uma multidão aglomerada junto a uma árvore banian sagrada, pedindo à fada que renascera naquela árvore, que concedesse a seus filhos e filhas, honra e saúde, cada um de acordo com o desejo de seu coração. Descendo da sua carruagem, o Bodhisatva aproximou-se d' árvore e comportou-se como um adorador de modo que ofereceu perfumes e flores, borrifando água na árvore, e andando reverentemente ao redor de seu tronco. Então montando no carro novamente, fez seu caminho de volta para a cidade.

Daí em diante o príncipe fez de tempos em tempos saídas semelhantes até a árvore, e venerava-a como um verdadeiro crente nos ‘deuses’.

No devido tempo, quando seu pai morreu, o Bodhisatva legislou em seu lugar. Evitando os quatro cursos errados, e praticando as dez virtudes reais, ele legislou seu povo com retidão. E agora que seu desejo se realizou e ele era rei, o Bodhisatva determinou-se a cumprir sua anterior resolução. E então reuniu os ministros, os brahmins, os nobres, e as outras ordens do povo, e perguntou à assembléia se eles sabiam como fora feito rei. Mas ninguém soube dizer.
“Vocês nunca me viram venerar reverencialmente uma árvore banian com perfumes e semelhantes, e inclinar-me diante dela ?”
“Sim, senhor, vimos,” eles disseram.
“Bem, estava fazendo um voto; e o voto era que, se me tornasse rei, ofereceria um sacrifício àquela árvore. E agora que com a ajuda de deus me tornei rei, oferecerei meu sacrifício prometido. Então podem prepará-lo com toda a pressa.”
“Mas de quê faremos ele?”
“Meu voto,” disse o rei, “era este: - Todos aqueles adictos dos Cinco Pecados, que testemunham a matança de criaturas vivas e assim em diante, e todos que andam nos Dez Caminhos Desviantes, a estes matarei, e com sua carne e seu sangue, com suas entranhas e vísceras, farei minha oferta. Então proclamem com o bater do tambor que o senhor seu rei nos dias de vice-rei votou que se se torna-se rei, mataria, e ofereceria em sacrifício, todos os seus súditos que quebrassem os Mandamentos. E agora o rei quer matar mil de tais adictos dos Cinco Pecados ou que andam nos Dez Caminhos Desviantes; com os corações e carnes dos mil será feito um sacrifício em honra à deus. Proclame isto para que todos saibam pela cidade. Para aqueles que transgredirem depois desta data,” somou o rei, “matarei mil, e oferecerei-os como sacrifício ao deus em cumprimento do meu voto.” E para se fazer entender claramente o rei pronunciou esta estrofe:-

Milhares de praticantes do mal, ofereci
à morte, em gratidão pia;
Os praticantes do mal são uma multidão tão grande
Que agora vou cumprir meu voto.

Obedientes aos comandos do rei, os ministros fizeram a proclamação conformemente com o bater do tambor por toda a largura e comprimento de Benares. Tal foi o efeito da proclamação no povo que ninguém persistiu na velha fraqueza. E por todo o reinado do Bodhisatva nem uma pessoa foi condenada por transgredir. Assim, sem machucar nenhum dos seus súditos, o Bodhisatva os fez observar os Mandamentos. E no final de uma vida de ofertas e obras boas ele passou com seus seguidores para amontoar a cidade dos devas.

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Disse o Mestre, “Esta não é a primeira vez, Irmãos, que o Buddha agiu para o bem do mundo; ele agiu de maneira igual em tempos passados.” Sua lição terminada, ele mostrou a conexão e identificou o Jātaka dizendo, “Os discípulos do Buddha eram os ministros naqueles dias, e eu mesmo era o Rei de Benares.”









terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

49 Buddha e o asceta jain.



49
“O tolo até pode vigiar...etc.” – Esta história foi contada pelo Mestre enquanto em Jetavana sobre um certo Asceta-nu [ Jain ]. Tradição diz que um nobre do campo perto de Sāvatthi pediu em casamento para seu filho, uma jovem senhora de Sāvatthi de rank igual. Tendo marcado o dia e buscado a noiva, ele depois consultou um asceta-Nu que era íntimo da sua família, se as estrelas estavam favoráveis para dar uma festa naquele dia.

“Ele não me perguntou primeiro,” pensou o asceta indignado, “tendo já fixado o dia, sem me consultar, apenas me conta agora. Muito bem; darei uma lição nele.” Então respondeu que as estrelas não estariam favoráveis naquele dia; que as núpcias não podiam ser celebradas naquele dia; e que, se fossem, adviria grande infortúnio. E a família do campo na sua crença no asceta não foram até a noiva naquele dia. Bem, os amigos da noiva na cidade fizeram todos os preparativos para a celebração das núpcias, e quando viram que o outro lado não vinha, disseram, “Foram eles que marcaram ho-je, e ainda assim não vieram; e estamos tendo uma grande despesa com isto tudo. Quem é este povo, afinal? Casemos a garota com outra pessoa.” Então eles encontraram outro noivo e deram a noiva em casamento para ele com toda a festa que tinham preparado.

Dia seguinte o partido do campo veio buscar a noiva. Mas o povo de Sāvatthi trata-os assim:- “Vocês do campo são ruins; marcam o dia vocês mesmos e depois nos insultam deixando de vir. Demos a noiva para outro.” O partido do campo começou uma briga mas no final foram para casa pelo caminho que vieram.

Bem, os Irmãos vieram a saber como o Asceta-nu frustrou a festa, e começaram a falar do assunto no Salão da Verdade. Entrando no Salão, e sabendo ao perguntar do assunto da conversa, o Mestre disse, “Irmãos, esta não é a primeira vez que este mesmo asceta frusta a festa da família; ofendido com eles, ele fez justo o mesmo uma vez antes.” E assim falando, ele contou uma história do passado.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ) alguns citadinos pediram uma garota do campo em casamento e marcaram o dia. Tendo já combinado tudo, perguntaram ao asceta da família se as estrelas eram propícias para a cerimônia naquele dia. Ultrajado deles terem marcado o dia adequado a eles sem antes o perguntarem, o asceta decidiu frustrar a festa de casamento naquele dia; e conformemente respondeu que as estrelas não estavam favoráveis naquele dia, e que, se insistissem, poderia resultar grave infortúnio. Assim, na crença ao asceta, ficaram em casa ! Quando o povo do campo viu que o partido da cidade não vinha, disseram entre si, “Foram eles que marcaram o dia do casamento para ho-je, e agora eles não vêm. Quem são eles, afinal?” E eles casaram a garota com outro.

Dia seguinte os citadinos vieram e perguntaram pela garota; mas aqueles do campo responderam assim: - “A vocês da cidade falta decência comum. Vocês mesmos marcaram o dia e mesmo assim não vieram buscar a noiva. Como vocês se afastaram, casamos ela com outro.” ‘Nós perguntamos ao nosso asceta e ele disse que as estrelas não eram favoráveis. Por isto não viemos ontem. Dê-nos a garota.” “Vocês não vieram no tempo marcado e agora ela é de outro. Como a casaríamos uma segunda vez?” Enquanto discutiam assim uns com outros, um sábio da vila passava pelo campo a negócio. Escutando os citadinos explicarem que consultaram seu asceta e que a ausência deles era devida a disposição desfavorável das estrelas, ele exclamou, “Para que em verdade importam as estrelas? Não é a coisa de sorte tomar a garota?” E, assim dizendo, ele repetiu esta estrofe:-

O tolo pode até vigiar por ‘dias de sorte,’
E ainda assim perder sempre a sorte;
É a sorte mesma a estrela da sorte de cada um.
O quê podem meras estrelas realizarem?

Quanto aos citadinos, como não conseguiram a garota apesar de toda a discussão, tiveram que voltar para casa !

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Disse o Mestre, “Esta não é a primeira vez, Irmãos, que este Asceta-nu frustrou a festa da família; ele fez justo a mesma coisa em dias passados.” Sua lição terminada, ele mostrou a conexão e identificou o Jātaka dizendo, “Este asceta é o mesmo de dias passados, e as famílias também eram as mesmas; eu mesmo o homem sábio e bom que pronunciou a estrofe.”

[ O Jataka é uma brincadeira com o Jains doutrina irmã do buddhismo ; há mais de um falando dos Jains. ]



segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

48 Buddha e o brahmin Vedabbha




48
“Esforços desorientados...etc.” – Esta história foi contada pelo Mestre enquanto em Jetavana sobre um Irmão rebelde. Disse o Mestre a este Irmão, “Esta não é a primeira vez, Irmão, que foste rebelde; você foi justo com esta mesma disposição em dias passados; e daí foi que, como não seguiste o conselho do sábio e bom, vieste a ser cortado em dois por uma espada afiada e atirado na estrada; e foste a única causa de mil homens encontrarem seu fim.” E assim falando, ele contou esta história do passado.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), havia um brahmin numa vila que conhecia o encanto chamado Vedabbha. Bem, este encanto, assim dizem, estava acima de qualquer preço. Pois, se em uma certa conjunção de planetas o encanto fosse repetido e a vista estendida para cima para os céus, direto dos céus choviam as Sete Coisas Preciosas, - ouro, prata, pérola, coral, olhodegato, rubi e diamante.

Naqueles dias o Bodhisatva era o pupilo deste brahmin; e um dia seu mestre deixou a vila em algum negócio, e veio com o Bodhisatva para o país de Ceti.

Na floresta no caminho moravam quinhentos ladrões – conhecidos como “os Despachantes” – que tornavam o caminho impassável. E eles pegaram o Bodhisatva e o brahmin-Vedabbha. (Por quê, você perguntaria, eram chamados os Despachantes? - Bem, a história diz que de cada dois prisioneiros que fizessem, usavam despachar um para buscar resgate; e daí porque eram chamados os Despachantes. Se capturassem um pai e um filho, mandavam o pai ir e buscar resgate para livrar o filho; se capturassem mãe e filha, enviavam a mãe para buscar dinheiro; se pegassem dois irmãos, deixavam o mais velho ir; e assim também, se apanhassem um professor e um pupilo, era ao pupilo que libertavam. Neste caso portanto, eles mantiveram o brahmin-Vedabbha, e enviaram o Bodhisatva para obter resgate.) E o Bodhisatva disse inclinando-se a seu mestre, “Em um dia ou dois certamente volto; não tema; apenas não falhe em fazer como digo. Ho-je será a conjunção dos planetas que faz chover as Coisas Preciosas. Preste atenção para não, levado por este acidente, repetires o encanto e fazeres descer a chuva preciosa. Pois, se fizeres, calamidade certamente cairá sobre ti e sobre este bando de ladrões.” Com este aviso a seu mestre, o Bodhisatva seguiu seu caminho na busca de resgate.

Ao crepúsculo os ladrões amarraram o brahmin e o deixaram sob os calcanhares. Justo neste momento a lua cheia levantou-se no horizonte leste e o brahmin estudando os céus, soube que a grande conjunção estava acontecendo. “Por quê,” pensou ele, “devo sofrer esta miséria? Repetindo o encanto chamarei para baixo a chuva preciosa, pago aos ladrões o resgate, e saio livre.” Então ele chamou os ladrões, “Amigos, por quê me aprisionam?” “Para ter um resgate, reverendo senhor,” eles disseram. “Bem, se é isto tudo o quê querem,” disse o brahmin, “se apressem e me soltem; lavem minha cabeça, e me coloquem em roupas novas; e que eu seja perfumado e ornado de flores. E então deixem-me só.” Os ladrões fizeram como ele ordenou. E o brahmin, marcando a conjunção dos planetas, repetiu seu encanto com olhos voltados para os céus. Sem demora as Coisas Preciosas derramaram-se dos céus ! Os ladrões pegaram tudo, embrulhando o butim e guardando nos mantos.

 Então a irmandade saiu andando pelo caminho; e o brahmin seguindo atrás. Mas, como se a sorte aí estivesse, o partido foi capturado por um segundo bando de quinhentos ladrões ! “Por quê nos aprisionam?” disse o primeiro bando para o segundo. “Pelo butim,” foi a resposta. “Se são riquezas que querem, peguem aquele brahmin que simplesmente olhando para os céus faz descer riquezas em chuva. Foi ele que nos deu tudo que temos.” Assim o segundo bando de ladrões deixa o primeiro bando ir e pegam o brahmin, gritando, “Dê-nos riquezas também!” “Isto me seria de grande prazer,” disse o brahmin; “mas demorará um ano antes que a conjunção requerida dos planetas aconteça novamente. Se forem bons e esperarem até lá, invocarei a chuva preciosa para vocês.”

“Brahmin farsante !” gritaram os ladrões irados, “fizeste o outro bando rico sem demora, mais quer que esperemos um ano inteiro !” E o cortaram em dois com uma espada afiada, e atiraram o corpo no meio da estrada. Correndo então atrás do primeiro bando de ladrões, mataram todos os homens também em luta, e tomaram o butim. Depois, eles se dividiram em dois grupos e brigaram entre si, companhia contra companhia, até estarem duzentos e cinqüenta mortos. E continuaram matando um ao outro, até que sobraram apenas dois. Assim chegarem aquele milhar de homens à sua destruição.

Bem quando os dois sobreviventes entenderam-se em ficar com o tesouro, o esconderam na jângal perto da vila; e um deles sentou lá, espada na mão, para guardá-lo, enquanto o outro foi para a cidade para arranjar arroz e cozinhá-lo de janta.

“Cobiça é a raiz da ruína!” Cismava aquele que parado estava junto ao tesouro, “Quando meu parceiro voltar, ele vai querer metade disto. Suponhamos que eu o mate quando estiver voltando.” E então empunhou a espada e sentou esperando pelo retorno do parceiro.

Enquanto isto, o outro refletia igualmente que o butim deveria ser dividido, e pensava consigo mesmo, “Suponhamos qu’eu envenene o arroz, e o dê a ele para comer e assim o mate, e fique com todo o tesouro para mim.” Conformemente quando o arroz estava cozido, ele comeu primeiro sua parte, e depois colocou veneno no resto, que carregou de volta com ele para a jangal. Mas logo que chegou o outro ladrão o cortou em dois com sua espada, e escondeu o corpo num lugar afastado. Em seguida ele comeu o arroz envenenado, e morreu then and there, lá e então. Assim, por causa do tesouro, não apenas o brahmin mas todos os ladrões foram destruídos.

Entretanto, após um dia ou dois o Bodhisatva voltou com o resgate. Não encontrando seu Mestre onde o tinha deixado, mas percebendo tesouro espalhado ao redor, seu coração tornou-se apreensivo de que, a despeito do aviso, seu mestre tinha chamado para baixo uma chuva de tesouros dos céus, e que como conseqüência todos pereceram; e ele continuou pela estrada. “Ai!” ele gritou, “ele está morto por não ter escutado meu conselho.” Então juntando gravetos fez uma pira e queimou o corpo de seu mestre, fazendo uma oferta de flores silvestres. Mais adiante na estrada, chegou aos quinhentos “Despachantes,” e mais adiante ainda aos duzentos e cinqüenta, e assim por diante em graus até que por fim chegou onde só haviam dois cadáveres. Marcando como dos mil, pereceram todos menos dois, e sentindo com certeza haverem dois sobreviventes, e que estes não evitariam a briga, forçou para ver onde tinham ido. Então foi até achar o caminho pelo qual com o tesouro, eles seguiram na jângal; e lá achou o monte de bolsa de tesouro, e um ladrão jazendo morto com sua tigela de arroz virada. Dando-se conta de toda a história com um olhar, o Bodhisatva passou a procurar pela pessoa que faltava, e por fim encontrou seu corpo num lugar afastado onde tinha sido jogado. “E assim,” meditava o Bodhisatva, “por não seguir meu conselho meu mestre em sua rebeldia foi o meio de destruição não apenas de si mesmo mas de outros mil também. Verdadeiramente, aqueles que buscam ganho próprio por meios errados e desorientados, colhem ruína, como meu mestre mesmo.” E ele repetiu esta estrofe:-

Esforços desorientados levam à perda, não ao ganho;
Ladrões mataram Vedabbha e foram eles mesmos mortos.

Assim falou o Bodhisatva, e ele seguiu dizendo, - “E como o esforço mesmo desorientado e deslocado de meu mestre em causar a chuva de tesouros cair do céu, obrou sua própria morte e a destruição de outros com ele, assim mesmo qualquer pessoa que por meios errados busca encontrar vantagem, perece completamente e envolve outros em sua destruição.” Com estas palavras o Bodhisatva fez a floresta soar; e com esta estrofe pregou a Verdade, enquanto as Fadas das árvores aplaudiam alto. O tesouro ele deu um jeito de levar para sua própria casa, onde ele viveu seu fim de vida no exercício de ofertas e outros bons trabalhos. E quando sua vida fechou, ele partiu para o céu que tinha ganho.

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Disse o Mestre, “Esta não é a primeira vez, Irmão, que és rebelde; foste rebelde em dias passados também; e por sua rebeldia encontraste completa destruição.” Sua lição terminada, ele identificou o Jātaka dizendo, “O Irmão rebelde era o brahmin-Vedabbha daqueles dias, e eu mesmo seu pupilo.”







domingo, 3 de fevereiro de 2008

47 "É conhecimento...". ( outro )




47
“É o conhecimento...etc.” – Esta história foi contada pelo Mestre enquanto em Jetavana sobre alguém que estragou as bebidas. Tradição diz que Anātha-pindika tinha um amigo que mantinha uma taberna.

 Este amigo preparou um suprimento de bebidas fortes que ele vendia por ouro e por prata (n. do tr. : aparentemente visto como um procedimento ‘judeu’, oposto a um escambo normal ), e sua taberna estava cheia. Ele deu ordens ao aprendiz que vendesse por dinheiro apenas, e saiu para tomar banho.

 Este aprendiz, enquanto servia o grogue aos fregueses, observou-os pegando sal e açúcar mascavo como aperitivo. Pensou consigo mesmo, “Não deve haver sal nenhum em nossa bebida; vou colocar algum.” E assim colocou um peso de sal na jarra de grogue, bebida, e serviu aos clientes. E eles assim que botaram na boca, cuspiram fora, dizendo, “O quê você esteve aprontando?” “Vi vocês comendo sal depois da bebida, então misturei um pouco de sal nela.” “E foi assim que estragaste nossa boa bebida, estúpido,” gritaram os clientes, e xingando foram levantando um após o outro e saíram da taberna. Quando chegou do banho em casa o dono do bar, e não viu nenhum cliente, ele perguntou para onde todos tinham ido. E o aprendiz contou tudo que aconteceu. Corrigindo-o da tolice, o homem saiu e contou a Anātha-pindika. E este último, pensando ser a história boa para se contar, foi à Jetavana, onde após a obediência devida, contou ao Mestre tudo.

“Esta não é a primeira vez, leigo,” disse o Mestre, “que este aprendiz estraga a bebida. Ele fez justo o mesmo uma vez antes.” Então ao pedido de Anātha-pindika, ele contou esta história do passado.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), o Bodhisatva era o Tesoureiro de Benares, e tinha um dono de bar que vivia sob a proteção dele. Este homem tinha preparado um suprimento de bebidas fortes, que deixou com o aprendiz ( n. do tr. : com um humor seco, o Pāli aplica ao publicano e seu aprendiz os termos normalmente aplicados a professor e pupilo religioso) para vender enquanto ele mesmo saía para tomar banho; durante sua ausência o aprendiz misturou sal com a bebida, e estragou ela toda justo do mesmo modo. Quando tendo voltado o guia e mestre do jovem toma conhecimento do que tinha sido feito, ele conta a história ao Tesoureiro.

‘Verdadeiramente,’ disse este último, ‘o ignorante e tolo, com todo o desejo de fazer o bem, apenas consegue fazer dano.’ E recitou esta estrofe:-

É conhecimento que coroa esforço com sucesso;
Pois tolos frustram-se em sua sua tolice,
- testemunhem a tigela de grogue salgada de Kondañña.

Nestas linhas o Bodhisatva ensinou a verdade.

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Disse o Mestre, “Leigo, este mesma pessoa estragou as bebidas no passado como agora.” Então ele mostrou a conexão e identificou o Jātaka dizendo, “Ele que estragou as bebidas agora, era o que estragou também em dias passados, e eu mesmo então era o Tesoureiro de Benares.”







sábado, 2 de fevereiro de 2008

46 "É o conhecimento...".




46
“É o conhecimento...etc.” – Esta história foi contada pelo Mestre numa certa aldeia de Kosala sobre alguém que estragou um jardim.

Tradição diz que, no curso de uma coleta de oferta por entre o povo de Kosala, o Mestre chegou em uma certa aldeia. Um escudeiro do lugar convidou o Buddha para almoçar na sua casa, e fez seu convidado sentar-se num jardim, onde mostrou hospitalidade à Irmandade com o Buddha à sua cabeça, e cortesmente deu licença a eles de passearem ao redor. Assim os Irmãos levantaram-se e deram uma volta andando com o jardineiro. Observando ao passearem, uma área nua, disseram ao jardineiro, “Discípulo-leigo, em todo lugar neste jardim há sombra abundante; mas aqui não há nem árvore nem arbusto. Como aconteceu isto?”

“Senhores,” respondeu o homem, “quando este jardim estava sendo arrumado, um moleque da vila, que carregava água, retirou todas as árvores jovens daqui e deu-lhes muita ou pouca água de acordo com o tamanho de suas raízes. Assim as árvores jovens secaram e morreram; e daí porque este espaço está nu, deserto.”

Aproximando-se do Mestre, os Irmãos contaram a ele isto. “Sim, Irmãos,” ele disse, “esta não é a primeira vez que um moleque da vila estraga um jardim; ele fez precisamente o mesmo em dias passados.” E assim falando, ele contou esta história do passado.

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Certa vez quando Brahmadatra era rei de Benares ( Varanasi ), um festival foi proclamado na cidade; e às primeiras notas do tambor do festival, chamando, derramou-se o povo para fora, guardando o feriado.

Bem, naqueles dias, uma tribo de macacos vivia no jardim do rei ; e o jardineiro do rei pensou consigo mesmo, “As pessoas estão festejando o feriado na cidade. Vou colocar os macacos para aguarem as plantas para mim, e sair fora para festejar com o resto.” Assim dizendo, ele foi até o rei dos macacos, e, primeiro estendendo-se nos benefícios que sua majestade e seus súditos gozavam por residir no jardim com flores e frutos para comer, terminou falando, “Ho-je há festival de feriado na cidade, e sairei para aproveitar também. Poderiam vocês, aguarem as jovens árvores enquanto estou fora?”

“Oh! sim,” disse o macaco.

“ Apenas prestem atenção no que fazem,” disse o jardineiro; e saiu fora, deixando com os macacos os vasos de couro e madeira de fazer o trabalho de aguar.

Os macacos então pegaram os vasos de couro e madeira e desceram para aguar as plantas jovens. “Mas devemos prestar atenção para não desperdiçar água,” observou o rei deles; enquanto águam, primeiro retirem cada árvore jovem e olhem o tamanho de suas raízes. Então deem água bastante para a que tem raízes fundas , mas apenas pouca para aquelas com poucas raízes. Quando a água tiver ido, teremos dificuldades em pegar mais.”

“Podes crer,” disseram os outros macacos, e fizeram como ele ordenou a eles.

Nesta conjuntura um certo sábio, vendo os macacos assim atarefados, perguntou-lhes por quê retiravam árvore atrás de árvore e as aguavam de acordo com suas raízes.

“Porque tal foi a ordem de nosso rei,” responderam os macacos.

A resposta deles moveu o sábio a refletir como, com todo o desejo de fazer o bem, o ignorante e tolo apenas consegue fazer dano. E recitou esta estrofe:

É o conhecimento que coroa o esforço com sucesso,
Pois os tolos são frustrados em suas tolices,
- Testemunhem o macaco que matou as árvores do jardim.

Com esta censura ao rei dos macacos, o sábio saiu com seus seguidores do jardim.

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Disse o Mestre, “Esta não é a primeira vez, Irmãos, que este moleque da vila estraga jardins; ele fez justo o mesmo em tempos passados.” Sua lição terminada, ele mostrou a conexão e identificou o Jātaka dizendo, “O moleque da vila que estragou o jardim era o rei dos macacos naqueles dias, e eu mesmo o homem sábio e bom.”
Cf. Jātakas // : 268 e 271.


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

45 Buddha Alto Tesoureiro

                                               

45
“Amigos insensatos...etc.” – Esta história foi contada pelo Mestre enquanto em Jetavana, sobre a empregada do Senhor Alto Tesoureiro, Anātha-pindika. Pois ele disse ter uma empregada chamada Rohini, cuja mãe veio visitá-la enquanto socava o arroz, e deitou para descansar. Os mosquitos rodearam a velha mulher e picaram-na como com agulhas, de modo que ela gritou para a filha, “Os mosquitos estão me picando minha querida; por favor afaste-os.” “Ah! vou afastá-los, mãe,” disse a garota, levando o pilão até os mosquitos que pousaram na cabeça da mãe. Gritando então, “Vou matá-los!” ela golpeou a mãe com tal golpe que matou a velha mulher direto. Vendo o quê fez, a garota começou a chorar e lamentar, “Oh! mãe, mãe!”

A notícia foi levada ao Senhor Alto Tesoureiro, que, após ter queimado o corpo, seguiu seu caminho até o Mosteiro, e contou ao Mestre o quê aconteceu. “Esta não é a primeira vez, leigo,” disse o Mestre, “que na ansiedade de matar os mosquitos em sua mãe, Rohini, atinge sua mãe mortalmente com o pilão; ela fez exatamente o mesmo no passado.” Então ao pedido de Anātha-pindika, ele contou esta história do passado.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), o Bodhisatva nasceu como filho do Senhor Alto Tesoureiro, e veio a ser também Senhor Alto Tesoureiro ele mesmo, à morte do pai. E ele, também, tinha uma empregada cuja mãe era Rohini. E sua mãe do mesmo jeito, foi até onde a filha estava batendo o arroz, e lá deitou, e gritou, ‘Por favor afaste estes mosquitos de mim, minha querida,’ e justo da mesma maneira ela atingiu sua mãe com o pilão, e a matou, e começou a chorar.

Escutando o quê tinha acontecido, o Bodhisatva refletiu: ‘Aqui, neste mundo, mesmo um inimigo com senso, seria preferível,’ e recitou estas linhas:-

Amigos insensatos são piores que inimigos com senso,
Testemunhem a garota que a mão imprudente deitou à terra
Sua mãe, a quem agora, chora em vão.

Nestas linhas em louvor à sabedoria, o Bodhisatva pregou a Verdade.

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“Esta não é a primeira vez, leigos,” disse o Mestre, “que a ansiedade de Rohini em matar os mosquitos fez ao invés que matasse a própria mãe.” Terminada a lição, ele mostrou a conexão e identificou o Jātaka dizendo: - “A mãe e a filha de ho-je são tão a mãe e a filha de dias passados, e eu mesmo o Senhor Alto Tesoureiro.”








44 Buddha Mercador




44
“Amigos insensatos ...etc.” – Esta história foi contada pelo Mestre enquanto em peregrinação de coleta de oferta em Magadha, sobre uns aldeões estúpidos de uma certa vila. Tradição diz que após viajar de Sāvatthi para o reino de Magadha, estava na sua volta naquele reino quando chegou numa certa aldeia, repleta de tolos. Nesta aldeia estes tolos se encontraram um dia e discutindo diziam, “Amigos, quando estivermos trabalhando na jângal, os mosquitos nos devoram; e isto atrasa nosso trabalho. Vamos armados de arcos e e armas, guerrearmos os mosquitos e acertá-los e rachá-los até a morte.” Então saíram para a jângal e gritando, “Acertem os mosquitos,” acertaram e atingiram um ao outro, até estarem em triste estado e retornarem, só para jogarem-se no chão, dentro ou fora da vila ou na entrada.

Cercado pela Ordem dos Irmãos, o Mestre veio em busca de oferta naquela vila. Uma minoria sensível entre os habitantes logo que viram o Abençoado, erigiram um pavilhão na entrada da vila deles e, após concederem largas ofertas à Irmandade com o Buddha à cabeça dela, inclinaram-se ao Mestre e sentaram-se também. Observando pessoas feridas sentadas ao redor deste lado e do outro, o Mestre perguntou àqueles irmãos leigos, dizendo, “São numerosos os lesados aqui; o quê aconteceu a eles?” “Senhor,” foi a resposta, “ eles saíram em guerra aos mosquitos mas apenas atingiram um ao outro e lesaram-se mutuamente.” Disse o Mestre, “Esta não é a primeira vez que este povo tolo dá golpes em si mesmo ao invés de aos mosquitos que propunham-se matar; em dias anteriores também, houve quem propondo-se atingir um mosquito acertou, ao invés, uma criatura amiga.” E assim dizendo, ao pedido daqueles aldeões ele contou esta história do passado.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), o Bodhisatva ganhava sua vida como comerciante. Naqueles dias numa vila da borda de Kāsi moravam um número de carpinteiros. E aconteceu que um deles, um calvo de cabelos ainda cinzas, fazia tábuas de madeiras, com sua cabeça brilhando como uma tigela de cobre, quando um mosquito pousou no seu escalpo e o picou com seu ferrão afiado.

Disse o carpinteiro para seu filho, que sentava-se bem do lado, - “Meu garoto, há um mosquito me picando na cabeça; por favor tire-o.” “Segura então pai,” disse o filho; “um golpe decide isto.”
(Naquele momento mesmo o Bodhisatav alcançava aquela cidade no seu caminho de comércio, e estava sentado na loja do carpinteiro.)

“Livre-me dele,” gritou o pai. “’Tá certo, pai,” respondeu o filho, que estava às costas do velho, e, levantando um machado pesado no alto com a intenção de matar apenas o mosquito, ele clivou – a cabeça do pai em duas. E assim o velho caiu morto no lugar.

Pensou o Bodhisatva, que foi testemunho da cena toda, - “Melhor que um tal amigo é um inimigo com senso, quem, temendo a vingança humana, deteria-se de matar uma pessoa.” E recitou estas linhas:-

Amigos insensatos são piores que inimigos com senso;
Testemunhem o filho que buscava matar o mosquito,
Mas clivou, pobre tolo, em dois, o crânio de seu pai.

Assim dizendo, o Bodhisatva levantou-se e saiu, falecendo depois de dias sendo tratado de acordo com seus méritos. Quanto ao carpinteiro, seu corpo foi queimado pelos parentes.

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“Assim, irmãos leigos,” disse o Mestre, “em tempos passados também, houve quem, buscando atingir mosquito, atinge gente amiga.” Esta lição terminada, ele mostrou a conexão e identificou o Jātaka dizendo, “Naqueles dias eu mesmo era o sábio e bom mercador que faleceu após repetir a estrofe.”