quinta-feira, 4 de março de 2010

399 Buddha Abutre


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399
Como os velhos darão conta,” etc.- O Mestre contou esta história quando residia em Jetavana, relativa a um Irmão que amparava a mãe.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva nasceu como abutre. Quando ele cresceu colocou seus pais, agora velhos e com olhos obscurecidos, numa caverna de abutres e alimentava-os trazendo carne de vaca e semelhantes. Naqueles dias um caçador deixou armadilhas para abutres pelo cemitério de Benares. Um dia o Bodhisatva buscando carne veio ao cemitério e teve a pata pega pela armadilha. Ele não pensou em si mesmo mas lembrou-se de seus velhos pais. “Como irão meus pais viver agora? Acho que morrerão, ignorantes de que fui pego, sem ajuda e miseráveis, definhando naquela cova montanhosa:” assim lamentando falou a primeira estrofe:-

Como os velhos darão conta agora na cova montanhosa?
Pois estou atado a armadilha, escravo do cruel Niliya.

O filho de um caçador, escutando seu lamento, falou a segunda estrofe, o abutre falou a terceira, e assim alternadamente:-

Abutre, que estranho choro é este seu que captam meus ouvidos?
Nunca escutei ou ouvi pássaro falar em voz humana.

Cuido de meus velhos pais numa cova montanhosa,
Como os velhos darão conta se me tornei teu escravo?

Carcaça, abutre vê a duzentos quilômetros de distância;
Por quê falhaste em ver armadilha e rede tão junto à vista?

Quando a ruína chega a uma pessoa e o fado demanda a morte,
Falha em ver armadilha ou rede apesar de junto à vista.

Vá cuidar de seus idosos pais na cova montanhosa,
Vá, visite-os em paz, tens de mim a liberdade ansiada.

Ó caçador, sejas tua a felicidade, com todos seus amigos e parentes (kith & kin):
Cuidarei de meus idosos pais na cova montanhosa.

Então o Bodhisatva, liberto do medo da morte, alegre agradeceu e falando a estrofe final pegou um punhado de carne e foi embora e deu a seus pais.

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Após a lição, o Mestre declarou as Verdades e identificou o Jātaka:- Após as Verdades, o Irmão foi estabelecido na fruição do Primeiro Caminho:- “Naqueles dias, o caçador era Channa, os pais eram parentes do rei, o rei abutre, eu mesmo.”





segunda-feira, 1 de março de 2010

398 Buddha Pobre



398
“O Rei envia-te,” etc.- O Mestre contou esta história quando residia em Jetavana, relativa a um Irmão que amparava a mãe. A ocasião aparecerá no Sāma Jātaka número 540.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva nasceu em uma família de um pai de família pobre : chamaram-no Sutana. Quando ele cresceu ganhava salários e sustentava seus pais: quando seu pai morreu, amparava a mãe. O rei daqueles dias gostava de caçar. Um dia ele entrou com um grande cortejo na floresta dois ou três quilômetros, e fez uma proclamação (para todos), “Se um cervo escapar no posto de algum homem, este homem pagará uma multa no valor do cervo.” Os ministros tendo feito uma cabana camuflada do lado da estrada principal deram-na ao rei. Os cervos levantaram-se com o grito dos homens que circundaram suas tocas e um antílope veio para o posto do rei. O rei pensou, “Vou acertá-lo,” e soltou uma flecha. O animal, que sabia de truques, viu que a flecha vinham do seu lado, girando, caiu como que ferido pela flecha. O rei pensou, “Acertei-o,” e correu para pegá-lo. O cervo levantou-se e fugiu como um vento. Os ministros do resto do cortejo zombaram do rei. Ele perseguiu o cervo e quando este estava cansado, ele o cortou em dois com sua espada : segurando as peças em um pau ele veio como se carregando um poste e dizendo, “Descansarei um pouco,” dirigiu-se para perto de uma árvore banian do lado da estrada e deitando dormiu. Um yaksha chamado Makhādeva havia renascido naquele banian e obtido de Vessavana ( rei dos yakshas ) todo ser vivo que vinha até ele, como sua comida. Quando o rei levantou-se ele disse, “Pare, você é minha comida,” e pegou-o pela mão. “Quem é você?” disse o rei. “Sou um yaksha aqui nascido, tomo toda pessoa que vem aqui, é minha comida.” O rei, tendo bom coração, perguntou, “Você comerá só ho-je ou habitualmente?” “Habitualmente comerei o quê tiver.” “Então coma este cervo ho-je e deixe-me ir; a partir d’a-manhã mandarei uma pessoa com um prato de arroz todo dia.” “Cuidado então: no dia que ninguém for enviado, comerei você.” “Sou rei de Benares: não há nada qu’eu não possa fazer.” O yaksha aceitou a promessa e deixou ele ir. Quando o rei veio para a cidade, contou o caso para um ministro e perguntou o que devia ser feito. “Foi fixado um limite de tempo, Ó rei?” “Não.” “Isto foi errado enquanto te afeta: mas não liga, tem muita gente na cadeia.” “Então administre este caso, e dê-me vida.” O ministro concordou, e tirando uma pessoa da prisão todo dia enviou-os ao yaksha com um prato de arroz , sem contar nada. O yaksha comia ambos, arroz e gente. Depois de um tempo a cadeia ficou vazia. O rei sem encontrar ninguém para carregar o arroz tremia de medo de morrer. O ministro confortando-o disse, “Ó rei, desejo de riqueza é mais forte que o desejo da vida: vamos colocar um pacote com mil moedas nas costas de um elefante e proclamar aos tambores, ‘Quem pegará o arroz e levará ao yaksha e tomará esta riqueza?’” e ele assim o fez. O Bodhisatva pensou, “Tenho centavos e meios centavos de salários, dificilmente consigo amparar minha mãe: tomarei esta riqueza e darei a ela, e então irei para o yaksha : s’eu levar a melhor sobre ele, bom, se não, ela viverá confortavelmente”: e assim ele falou com sua mãe, mas ela disse, “Tenho o suficiente,querido, não necessito de riquezas,” e assim o proibiu duas vezes; mas na terceira vez sem pedir a ela, ele disse, “Senhores, tragam-me as mil moedas, levarei o arroz.” Assim ele deu à mãe as mil moedas e disse, “Não te atormentes [to fret], querida; dominarei o yaksha e darei felicidade ao povo : voltarei e farei tua face chorosa sorrir,” e então saudando-a foi até o rei com os homens do rei, e saudando-o lá ficou. O rei disse, “Meu bom homem, levarás o arroz?” “Sim, ó rei.” “O quê deves levar contigo?” “Suas sandálias douradas, ó rei.” “Por quê?” “Ó rei, aquele yaksha toma para comer as pessoas que estão no chão ao pé da árvore : estarei nas sandálias não no chão dele.” “Alguma coisa a mais?” “Seu parassol, ó rei.” “Por quê?” “Ó rei, o yaksha toma para comer as pessoas que estão na sombra de sua árvore : estarei na sombra do parassol não na da árvore dele.” “Algo mais?” “Sua espada, ó rei.” “Com qual propósito?” “Ó rei, mesmo os duendes temem aqueles com armas em suas mãos.” “Algo mais?” “Sua tigela dourada, Ó rei, cheia do teu próprio arroz.” “Por quê, bom homem?” “Não cai bem para um sábio como eu, levar comida estragada numa tigela de barro.” O rei consentiu e enviou oficiais que lhe dessem tudo que pediu. O Bodhisatva disse, “Não tema, Ó grande rei, voltarei ainda ho-je tendo dominado o yaksha e fazendo-te feliz,” e assim tomando as coisas necessárias e indo para o lugar, colocou pessoas não distantes d'árvore, calçou as sandálias douradas, cingiu a espada, colocou o parassol na cabeça, e levando arroz numa tigela dourada foi para o yaksha. O yaksha olhando a estrada viu-o e pensou, “Este homem não vem como os que vieram nos outros dias, qual a razão?” O Bodhisatva aproximando-se da árvore esticou a tigela de arroz na sombra com a ponta da espada, e estando perto da sombra falou esta estrofe:-

O rei envia-te arroz preparado e temperado com carne:
Se Makhādeva está em casa, que saia e coma !

Escutando o yaksha pensou, “O enganarei e o comerei quando entrar na sombra,” e assim falou a segunda estrofe:-

Venha p’ra dentro, jovem, com tua temperada comida,
Os dois, você e ela, jovem, são bons de comer.

Então o Bodhisatva falou duas estrofes:-

Yaksha, perdes uma coisa grande por uma pequena,
As pessoas temendo a morte não trarão comida alguma.
Você terá um bom suprimento de comida,

Pura e doce e cheirosa à tua mente :
Mas uma pessoa para trazê-la aqui,
Se me comeres, vai ser difícil descobrir.

O yaksha pensou, “O jovem fala em bom senso,” e estando inclinado ao bem falou duas estrofes:-

Jovem Sutana, meus interesses estão claros mostrados por ti :
Visite tua mãe então, em paz, tens permissão de ir.

Leve espada, parassol e tigela, jovem, e siga teus caminhos,
Visite feliz tua mãe e traga a ela dias felizes.

Escutando as palavras do yaksha, o Bodhisatva ficou contente, e pensando, “Minha tarefa está completa, o yaksha dominado, mais riquezas ganhas e a palavra do rei guardada,” e assim agradecendo ao yaksha falou a estrofe final:-

Com todos teus parentes e familiares, yaksha, possas ser retamente feliz:
A vontade do rei foi realizada, e riquezas ganhei.

Assim advertiu o yaksha, dizendo, “Amigo, fizestes más ações antes, fostes cruel e duro, comes a carne e o sangue dos outros pois nascestes yaksha : de agora em diante não mates nem faças coisas semelhantes:” Então falando das bênçãos da virtude e da miséria do vício, estabeleceu o yaksha nas cinco virtudes : então disse, “Por quê morar na floresta? Venha, te colocarei no portão da cidade e terás o melhor arroz.” Assim ele foi com o yaksha, fazendo-o carregar a espada e outras coisas, e vieram para Benares. O rei com seus ministros saíram fora para encontrar o Bodhisatva, estabeleceu o yaksha no portão da cidade e fê-lo receber o melhor arroz : então ele entrou na cidade, proclamando aos tambores e clamando por assembléia do povo falou em louvor do Bodhisatva e deu-lhe o comando do exército : ele mesmo estabelecendo-se no aprendizado do Bodhisatva, fez boas ações e caridade e outras virtudes, e tornou-se fadado ao céu.

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Após a lição, o Mestre declarou as Verdades, e identificou o Jātaka:- Depois das Verdades, o Irmão que amparava sua mãe foi estabelecido na fruição do Primeiro Caminho:- “Naqueles dias o Yaksha era Angulimalā, o rei Ānanda, o jovem eu mesmo.”



quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

397 Buddha Leão


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397
O arco está curvado... etc”. – O Mestre contou esta história quando residia no Bosque de Bambu, relativa a um Irmão que tinha más companhias. A ocasião foi apresentada amplamente no Jātaka 26. O Mestre disse, “Irmãos, não é a primeira vez que ele tem más companhias,” e contou um conto antigo.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva era um leão e vivendo com uma leoa tinha dois filhotes [cachorros] , um macho e uma fêmea. O nome do macho era Manoja. Quando ele cresceu tomou uma leoa por esposa : e assim tornaram-se cinco. Manoja matava búfalos selvagens e outros animais, e assim tomava carne para alimentar seus pais, irmã e esposa. Um dia no seu campo de caça viu um chacal chamado Girlya, incapaz de correr e deitado de bruços. “Como estais, amigo?” ele disse. “Desejo serví-lo, meu senhor.” “Então, faça isto.” E assim levou o chacal para seu covil. O Bodhisatva vendo-o disse, “Querido Manoja, chacais são fracos e pecadores, e dão mau conselho; não traga este para perto de ti :” mas não conseguiu impedí-lo. Então um dia o chacal desejoso de comer carne de cavalo, disse a Manoja, “Senhor, a não ser carne de cavalo, não há nada que não comemos; vamos pegar cavalo.” “Mas onde há cavalos, amigo ?” “Em Benares na margem do rio.” Ele aceita o conselho e vai com ele para lá onde os cavalos banham-se no rio; ele pegou um cavalo e jogando nas costas, veio rápido para a boca do seu covil. Seu pai comendo a carne de cavalo disse, “Caro, cavalos são propriedades do rei, reis têm estratagemas vários, eles têm arqueiros habilidosos no tiro; leões que comem carne de cavalo não vivem muito, de agora em diante não pegue cavalos.” O leão sem seguir o conselho do pai continuou a pegá-los. O rei, escutando que um leão estava pegando os cavalos , fez um tanque de banho para os cavalos dentro da cidade : mas o leão continuou vindo e pegando. O rei fez um estábulo, e dava forragem e água dentro dele. O leão veio por cima do muro e pegava cavalos mesmo dentro dos estábulos. O rei chamou um arqueiro que atirava como um raio e perguntou se podia acertar o leão. Ele disse que podia e fazendo uma torre perto do muro por onde o leão vinha, lá esperou. O leão veio e posicionando o chacal no cemitério do lado de fora, saltou dentro da cidade para pegar cavalos. O arqueiro pensando, “Sua velocidade é muito grande quando ele vem,” não o acertou, mas quando estava saindo levando um cavalo, ancorado pelo peso pesado, acertou-o no quadril traseiro com uma flecha afiada. A flecha saiu pelo quadril dianteiro voando pelos ares. O leão urrou “Fui atingido.” O arqueiro depois de acertá-lo tocou a corda do arco como um som de trovão. O chacal escutando o barulho do leão e do arco disse para si mesmo, “Meu camarada foiatingido e deve estar morto, não há amizade com os mortos, voltarei agora para minha velha residência na floresta,” e assim falou duas estrofes:-

O arco está curvado, a corda soa amplamente;
Manoja, rei das bestas, meu amigo, está morto.

Ai, buscarei na floresta o melhor que possa:
De tal amizade nada; outros serão meu esteio.

O leão numa corrida veio e atirou o cavalo na boca do covil, caindo morto ele também. Seus parentes saíram e o viram cheio de sangue, que saía das feridas, morto por seguir o fraco; e seu pai, mãe, irmã e esposa vendo-o falaram quatro estrofes respectivamente:-

Não é próspera a fortuna daquele seduzido pelo fraco;
Vejam Manoja jazendo aí, devido ao conselho de Giriya.

Não alegra-se as mães com um filho cujos camaradas não são bons:
Vejam Manoja jazendo aí todo coberto de sangue.

Com tal porção queda-se o homem, jaz em baixa condição,
Quem segue não o conselho da verdadeiro e sábio amigo.

Este, ou pior que este, seu fado
Do que é alto, mas crê no baixo:
Vejam, assim do estado de rei
Ele cai diante do arco.

Por último, a estrofe da Sabedoria Perfeita:-

Quem segue os proscritos, é ele atirado para fora,
Quem corteja iguais nunca será traído,
Querm curva-se diante do mais nobre, cresce rápido;
Busque portanto aos teus melhores para conselho.

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Depois da lição, o Mestre declarou as Verdades, e identificou o Jātaka:- Depois das Verdades o irmão que mantinha más companhias foi estabelecido na fruição do Primeiro Caminho:- “Naqueles dias o chacal era Devadatra, Manoja o que mantinha má companhia, sua irmã era Uppalavannā, sua esposa a Irmã Khemā, sua mãe a mãe de Rāhula, seu pai eu mesmo.”

domingo, 21 de fevereiro de 2010

396 Buddha Sábio Ministro


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396
O pico de um côvado... etc”.- O Mestre contou isto quando resida em Jetavana, relativo a advertência ao rei [ Jātaka 521, em conversa com o rei de Kosala, Gautama adverte sobre o seguir ou evitar os prazeres sensuais, comparando a sonhos e semelhantes, dizendo,
No caso destas pessoas, nenhuma propina moverá a inexorável morte,nem a amolecerá com gentileza. Na briga ninguém vence a morte.Pois tudo está fadado a morrer.” ].
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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva era seu conselheiro em coisas temporais e espirituais. O rei foi instigado a seguir caminhos errados, reinando com injustiça e coletando riqueza com a opressão ao povo. O Bodhisatva querendo advertí-lo buscava uma parábola. Bem, o quarto de dormir do rei estava faltando acabar , o telhado não estava completo : os caibros suportavam um pico mas estavam apenas colocados em posição. O rei tinha saído para divertir-se no parque: quando voltou para casa e olhou para cima viu o pico : temendo que caísse , saiu e ficou do lado de fora, e olhando para cima novamente pensou “Por quê aquele pico está largado e solto ? e como estão os caibros?” e perguntando ao Bodhisatva ele falou a primeira estrofe:-
O pico de um côvado e meio de altura,
Oito palmos de circunferência encompassada,
Construído reto de simsapa e sāra:
Por quê estende-se estável?

Escutando-o o Bodhisatva pensou “Tenho aí uma parábola de advertência ao rei,” e falou estas estrofes:-

Os trinta caibros vergados, de madeira sāra,
Colocados em omni forme , encompassam-no, ao redor,
Eles o pressionam rijamente, pois é boa sua preensão:
O retificam e estabilizam.

Assim é a pessoa sábia, cercada de amigos fiéis,
Por conselheiros constantes e puros:
Nunca da altura da fortuna descerá:
Como os caibros seguram estável o pico.

Enquanto o Bodhisatva assim falava o rei considerava sua própria conduta, “Se não houver nenhum pico, os caibros não firmarão; o pico não eleva-se preso pelos caibros; se os caibros quebram, o pico cai : e assim um mau rei, se não mantém unido amigos e ministros, seus exércitos, seus brahmins e chefes de famílias, se estes quebrarem, não é mais sustento por eles e cai de seu poder : um rei deve ser reto.” Naquele momento lhe trouxeram um limão de presente. O rei disse ao Bodhisatva, “Amigo, coma esta laranja.” O Bodhisatva pegou e falou, “Ó rei, pessoas que não sabem como comer isto, tornam-o amargo ou ácido : mas sábios que saboreiam [que sabem] , tiram o amargo e sem machucar a polpa, a comem,” e com esta parábola mostrou ao rei o jeito de coletar bens, e falou duas estrofes:-

A casca dura da laranja é amarga de comer,
Se permanecer intacta pelo aço que a corta :
Pegue só a polpa, ó rei, e ela é doce :
Estraga a doçura adicionar a casca.

Assim a pessoa sábia sem violência,
Avoluma-se no devido ao rei em vilas e cidades,
Aumenta a riqueza, e não ofende :
Anda no caminho reto, do renome.

O rei tomando conselho com o Bodhisatva foi para um lago de lótus, e vendo uma flor de lótus, com a cor do sol nascente, não violada pel' água, disse : “Amigo, aquela lótus crescida n'água permanece inviolada pel'água.” Então o Bodhisatva disse, “Ó rei, assim deve ser um rei,” e falou estas estrofes em advertência:-

Como a lótus no lago,
Brancas raízes, pur' água, a sustêm;
À face do sol floresce inteira,
Nem poeira, nem lama nem umidade podem manchá-la.

Assim a pessoa em que regra a virtude,
Humilde, pura e boa a estilizamos:
Como lótus no poço,
Manchas de pecado não podem maculá-la.

O rei escutando a advertência do Bodhisatva regrou seu reino com retidão a partir daí, e fazendo boas ações, caridade e o resto, destinou-se ao céu.

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Após a lição, o Mestre declarou as Verdaes e identificou o Jātaka: “Naquele tempo o rei era Ānanda, o sábio ministro era eu mesmo.”

  Cf.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

395 Buddha Pombo




395
“Nosso velho amigo,” etc. – O Mestre contou esta história enquanto residia em Jetavana, relativa a um Irmão ganancioso. A ocasião é a mesma que a anterior. [ Uma das variantes da história de Buda Pombo, jātakas 42, 274].

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva era um pombo e vivia numa cesta de taquara na cozinha de um mercador de Benares. Um corvo torna-se íntimo dele e passa a viver lá. Aqui a história se desenvolve como nas outras versões. O cozinheiro depena o corvo e passa na farinha, e depois pendura um cauri no pescoço do corvo e joga ele na cesta. O Bodhisatva chega da floresta, e vendo-o, troça e fala a primeira estrofe:-

Nosso velho amigo! Vejam-no!
Veste uma jóia brilhante;
Sua barba em corte galante,
Como aparece belo nosso amigo!

O corvo escutando-o falou a segunda estrofe:-

Minhas unhas e cabelos crescem tão rápido,
Me estorvam em tudo que faço:
Finalmente veio um barbeiro,
E dos cabelos supérfluos estou livre.

O Bodhisatva falou a terceira estrofe:-

Graças teres um barbeiro então,
Que cortou seu cabelo tão bem :
Ao redor do seu pescoço, explicaria-me,
O que é isto que soa como um sino?

O corvo pronuncia duas estrofes:-

Homens da moda vestem jóias
Ao redor do pescoço : faz-se sempre:
Estou imitando-os :
Não pense que é apenas diversão.

Se realmente invejas
Minha barba bem escanhoada:
Posso fazê-lo barbear-se assim
E terás a jóia também.

O Bodhisatva escutando falou a sexta estrofe:-

Não, é em ti que elas ficam boas,
Jóia e barba caindo tão bem.
Sua chegada foi problemática:
Eu me vou e bom dia para você.

Com estas palavras ele voou e foi para outro lugar; e o corvo morreu lá e então.

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Após a lição, o Mestre declarou as Verdades e identificou o Jātaka:- Após as Verdades, o Irmão ganancioso foi estabelecido na fruição do Terceiro Caminho: “Naqueles dias o corvo era o Irmão ganancioso, o pombo era eu mesmo.”

[ N. do tr.: Detalhe do cauri, molusco moeda (gênero Cypraea L.) usado até o século retrasado na Ásia e África. Vale o dobro do ouro como já vimos em outro jataka. ]



domingo, 7 de fevereiro de 2010

394 Buddha Codorna



394
“Óleo e manteiga,” etc. – O Mestre contou isto quando em Jetavana, relativo a um Irmão ganancioso. Encontrando-o com ganância o Mestre disse-lhe, “Esta não é a primeira vez que és ganancioso: antes certa vez por cobiça em Benares não satisfeito com carcaças de elefantes, gado, cavalos e gente; e desejoso de ter comida melhor foi para a floresta;” e assim contou um conto antigo.
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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva nasceu como codorna e vivia na floresta de rude grama e sementes. Naquele tempo havia em Benares um corvo ganancioso que, não contente com carcaças de elefantes e outros animais, foi para a floresta buscando melhor comida: comendo frutos silvestres lá viu o Bodhisatva e pensando “Esta codorna é bem gorda : imagino que coma doces alimentos, perguntarei a ela sobre sua comida e comendo dela me tornarei gordo,” pendurou-se num galho acima do Bodhisatva. O Bodhisatva, sem ser perguntado, saudou-o e falou a primeira estrofe:-

Óleo e manteiga são seus mantimentos; rica sua comida, eu creio [i trow] :
Diga-me então qual a razão de tua magreza, mestre corvo.

Escutando estas palavras o corvo falou três estrofes:-

Moro no meio de muitos inimigos, meu coração vive palpitando
Aterrorizado quando em busca de comida: como pode ser gordo um corvo ?

Corvos passam a vida com medo, suas mentes alertas para o mal ;
O pouco que bicam não é suficiente ; boa codorna, por isto sou magro.

Grama rude e sementes é toda tua comida : há pouca riqueza aí :
Diga-me então, boa codorna, por quê és gorda, com tal comida reduzida.

O Bodhisatva escutando-o falou estas estrofes, explicando a razão de ser gordo:-

Tenho a mente contente e tranqüila, distâncias curtas a percorrer,
Vivo daquilo que colho, e asssim sou gordo, bom corvo.

De mente contente e feliz com pouca preocupação no coração,
Um padrão de fácil conquista : esta é a melhor parte da vida.

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Após a lição, o Mestre declarou as Verdades, e identificou o Jātaka: - Ao final das Verdades o Irmão foi estabelecido na fruição do Primeiro Caminho: “Naquele tempo o corvo era o Irmão ganancioso, a codorna era eu mesmo.”



terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

393 Buddha Sakra



393
“Feliz a vida daqueles ...etc.” – O Mestre contou esta história enquanto residia no Jardim Oriental, relativa àlguns Irmãos que se entregam ao divertimento. O grande Mooggaallāna sacudiu a morada deles e os assustou. Os Irmãos sentaram discutindo o erro destes Irmãos no Salão da Verdade. O Mestre escutando disse a eles, “Não é a primeira vez que se se entregam à diversão,” e assim contou uma velha história.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva era Sakra. Sete irmãos em uma certa vila de Kāsi vendo os maus desejos, renunciam-los, e tornam-se ascetas : eles moravam em Mejjhārañña mas viviam se divertindo sem praticar diligentemente a devoção e sendo de completa formação corporal. Sakra, rei dos deuses, disse, “Vou assustá-los;” e tornou-se um papagaio, foi até a moradia deles e pendurado numa árvore, falou a primeira estrofe para assustá-los:-

Feliz a vida daqueles que de sobras dadas em caridade, vivem:
Louvor neste mundo é seu lote e no próximo felicidade.

Então um deles escutando as palavras do papagaio chamou o resto, e falou a segunda estrofe:-

Não devem sábios escutarem quando um papagaio fala em língua humana:
Escutem, irmãos : é claramente em nosso louvor que canta o papagaio.

Então o papagaio negando isto falou a terceira estrofe:-

Não seus louvores que canto, comedores de carniça: escutem-me,
Restos é a comida que comem, não sobras dadas em caridade.

Quando eles o escutaram, todos juntos responderam a quarta estrofe:-

Sete anos ordenados, com cabelo devidamente tonsurados,
Aqui em Mejjhārañña passamos nossos dias,
Vivendo de sobras : se culpas nossa parte,
A quem então louvas?

O Grande Ser falou a quinta estrofe, envergonhando-os:-

Restos de leão, tigre, bestas devoradoras, é o suprimento de vocês:
Restos realmente, apesar de vocês chamarem sobras dadas em caridade.

Escutando isto os ascetas dizem, “Se não somos comedores de sobras, prego, então quem é ?”

Então lhes dizendo o verdadeiro significado falou a sexta estrofe:-

Aqueles que fazendo ofertas a brahmins e sacerdotes, vontades satisfazendo
Comem os restos, são eles que vivem das sobras deixadas em caridade.

Então o Bodhisatva envergonhou-os e foi para sua morada.

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Depois da lição, o Mestre declarou as Verdades e identificou o Jātaka: “Naquele tempo os sete irmãos eram os Irmãos desportistas, Sakra era eu mesmo.”

[ N. do tr. : Mahabharata, Anusasana parva seção CXXI, diálogo entre Maitreya e Vyasa, quando este último vagava pelo mundo disfarçado e encontra em Varanasi ( Baranasi, Benares ) o primeiro. Segue uma parte da fala de Maitreya respondendo a de Vyasa.
“ ( ... )Em um campo bem arado, colheita abundante pode ser colhida. Do mesmo modo, pode-se colher grande mérito dando presentes [ fazendo ofertas ] para um Brahmana possuidor de grande entendimento. Se não houver Brahmanas dotados de conhecimento [ doutrina, lore ] Védico e boa conduta para aceitar presentes, a riqueza possuída pelas pessoas abastadas seria sem uso [ frase citada por M. Mauss em seu famoso artigo sobre dom e contra/dom que aqui continuamos ]. O Brahmana ignorante, comendo a comida que é ofertada a ele, destrói o quê ele come (pois não produz mérito naquele que a ofertou ). O alimento que é comido também destrói o comedor ( pois o comedor incorre em pecado comendo o quê é a ele oferecido.) Deve ser propriamente denominado, um alimento que é ofertado a um homem merecedor, em todos os outros casos, aquele que o toma faz a oferta do doador ser jogada fora e o recebedor é do mesmo modo arruinado por impropriamente aceitá-lo. O Brahmana possuidor de entendimento torna-se subjugador da comida que ele come. Tendo-a comido, ele gera outro alimento. O ignorante que come a comida oferecida a ele perde o direito sobre as crianças que procriou, pois estas últimas tornam-se daquele cuja comida habilitou o progenitor a procriá-las. Esta mesma é a falta sutil que se anexa a pessoas que comem a comida dos outros quando não têm poder para ganhar aquela comida. O mérito que o ofertante adquire por fazer a oferta, é igual àquele que o tomador adquire aceitando a comida. Ambos ofertante e receptor dependem igualmente um do outro. Tudo isto os Rishis disseram. Lá onde Brahmanas existem, possuidores de conhecimento Védico e conduta, o povo é capaz de ganhar os sagrados frutos das ofertas e de gozá-los aqui e na posteridade.(...).” ]