terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

393 Buddha Sakra

393
“Feliz a vida daqueles ...etc.” – O Mestre contou esta história enquanto residia no Jardim Oriental, relativa àlguns Irmãos que se entregam ao divertimento. O grande Mooggaallāna sacudiu a morada deles e os assustou. Os Irmãos sentaram discutindo o erro destes Irmãos no Salão da Verdade. O Mestre escutando disse a eles, “Não é a primeira vez que se se entregam à diversão,” e assim contou uma velha história.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva era Sakra. Sete irmãos em uma certa vila de Kāsi vendo os maus desejos, renunciam-nos, e tornam-se ascetas : eles moravam em Mejjhārañña mas viviam se divertindo sem praticar diligentemente a devoção e sendo de completa formação corporal. Sakra, rei dos deuses, disse, “Vou assustá-los;” e tornou-se um papagaio, foi até a moradia deles e pendurado numa árvore, falou a primeira estrofe para assustá-los:-

Feliz a vida daqueles que de sobras dadas em caridade, vivem:
Louvor neste mundo é seu lote e no próximo felicidade.

Então um deles escutando as palavras do papagaio chamou o resto, e falou a segunda estrofe:-

Não devem sábios escutarem quando um papagaio fala em língua humana:
Escutem, irmãos : é claramente em nosso louvor que canta o papagaio.

Então o papagaio negando isto falou a terceira estrofe:-

Não seus louvores que canto, comedores de carniça: escutem-me,
Restos é a comida que comem, não sobras dadas em caridade.

Quando eles o escutaram, todos juntos responderam a quarta estrofe:-

Sete anos ordenados, com cabelo devidamente tonsurados,
Aqui em Mejjhārañña passamos nossos dias,
Vivendo de sobras : se culpas nossa parte,
A quem então louvas?

O Grande Ser falou a quinta estrofe, envergonhando-os:-

Restos de leão, tigre, bestas devoradoras, é o suprimento de vocês:
Restos realmente, apesar de vocês chamarem sobras dadas em caridade.

Escutando isto os ascetas dizem, “Se não somos comedores de sobras, prego, então quem é ?”

Então lhes dizendo o verdadeiro significado falou a sexta estrofe:-

Aqueles que fazendo ofertas a brahmins e sacerdotes, vontades satisfazendo
Comem os restos, são eles que vivem das sobras deixadas em caridade.

Então o Bodhisatva envergonhou-os e foi para sua morada.

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Depois da lição, o Mestre declarou as Verdades e identificou o Jātaka: “Naquele tempo os sete irmãos eram os Irmãos desportistas, Sakra era eu mesmo.”

[ N. do tr. : Mahabharata, Anusasana parva seção CXXI, diálogo entre Maitreya e Vyasa, quando este último vagava pelo mundo disfarçado e encontra em Varanasi ( Baranasi, Benares ) o primeiro. Segue uma parte da fala de Maitreya respondendo a de Vyasa.
“ ( ... )Em um campo bem arado, colheita abundante pode ser colhida. Do mesmo modo, pode-se colher grande mérito dando presentes [ fazendo ofertas ] para um Brahmana possuidor de grande entendimento. Se não houver Brahmanas dotados de conhecimento [ doutrina, lore ] Védico e boa conduta para aceitar presentes, a riqueza possuída pelas pessoas abastadas seria sem uso [ frase citada por M. Mauss em seu famoso artigo sobre dom e contra/dom que aqui continuamos ]. O Brahmana ignorante, comendo a comida que é ofertada a ele, destrói o quê ele come (pois não produz mérito naquele que a ofertou ). O alimento que é comido também destrói o comedor ( pois o comedor incorre em pecado comendo o quê é a ele oferecido.) Deve ser propriamente denominado, um alimento que é ofertado a um homem merecedor, em todos os outros casos, aquele que o toma faz a oferta do doador ser jogada fora e o recebedor é do mesmo modo arruinado por impropriamente aceitá-lo. O Brahmana possuidor de entendimento torna-se subjugador da comida que ele come. Tendo-a comido, ele gera outro alimento. O ignorante que come a comida oferecida a ele perde o direito sobre as crianças que procriou, pois estas últimas tornam-se daquele cuja comida habilitou o progenitor a procriá-las. Esta mesma é a falta sutil que se anexa a pessoas que comem a comida dos outros quando não têm poder para ganhar aquela comida. O mérito que o ofertante adquire por fazer a oferta, é igual àquele que o tomador adquire aceitando a comida. Ambos ofertante e receptor dependem igualmente um do outro. Tudo isto os Rishis disseram. Lá onde Brahmanas existem, possuidores de conhecimento Védico e conduta, o povo é capaz de ganhar os sagrados frutos das ofertas e de gozá-los aqui e na posteridade.(...).” ]

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