segunda-feira, 14 de julho de 2008

150 Buddha e Ajatasatru




    ( Pilar de Ajatasatru, Bharhut, clique na imagem para vê-la ampliada ) 

150
“Ajude um vil...etc.” - Esta história foi contada pelo Mestre enquanto no Bosque de Bambu, sobre àdesão de Rei Ajatasatru a falsos professores (Kulla-Vagga VII, 3 as várias tentativas de matar Buddha, tentadas por Devadatra, com àjuda do príncipe Ajatasatru a quem ele instiga a matar o rei pai Seniya Bimbisara, que entrega o trono ao filho quando sabe que este o quer matar por isto ). Pois ele acreditava no rancoroso inimigo dos Buddhas, o mau e vil Devadatra, e em sua insensatez, querendo fazer honras a Devadatra, gasta vasta soma erigindo um mosteiro em Gayasisa. E seguindo os perversos conselhos de Devadatra, ele mata o bom e virtuoso ancião rei seu pai o Rei, que entrara nos Caminhos, e com isto destruiu sua própria oportunidade de ganhar bondade e virtude semelhante e trouxe grande dano para si mesmo.

Escutando que a terra engolira Devadatra, ele teme fado semelhante consigo mesmo. E tal o frenesi de seu medo que não mais se interessou pelo bem-estar de seu reino, não dormia na cama mas vagava fora tremendo em todos os membros, como um elefante jovem em agonia de dor. Em fantasia via a terra de mandíbulas abertas e as chamas dos ínferos projetando-se ; ele podia se ver atado a cama de metal em chamas com lanças de ferro atravessando seu corpo. Como galo ferido, nem por um instante ele ficou em paz. O desejo veio a ele de ver o Buddha Todo-Sapiente, reconciliar-se com ele, e pedir orientação ; mas devido a magnitude de suas transgressões ele encolheu-se de ir à presença de Buddha. Quando celebrava-se já o festival Kattika, e de noite Rajagaha iluminava-se e adornava-se como a cidade dos deuses, o Rei [ n. do tr.: Ajatasatru tem este título porque seu pai passou-lhe o trono; ele apesar disto mata o pai de fome numa prisão], enquanto sentado em alto trono de ouro, viu Jivaka Komarabhacca sentado próximo. A idéia de ir ao Buddha com Jivaka, iluminou a mente dele mas sentiu que não podia dizer imediatamente que não iria sozinho mas queria que Jivaka o acompanhasse. Não ; o melhor curso, trajeto, seria, após louvar a beleza da noite, propor sentar aos pés de algum sábio ou brahmin, e perguntar aos cortesãos qual professor pode dar paz ao coração. Claro que irão todos louvar individualmente seus próprios mestres ; mas Jivaka iria com certeza exaltar o Buddha Todo-Iluminado ; e ao Buddha o Rei com Jivaka iria. Então ele irrompe nos cinco louvores à noite, dizendo - “Como é bela, senhores, esta clara noite sem nuvens! Como brilha! Como encanta! Como delicia! Como ama! ( n. do tr.: palavras de abertura do Samaññapala Sutra ) Que sábio ou brahmin devemos buscar, para ver se com felicidade pode dar paz aos nossos corações ?”

Então um ministro recomendou Purana Kassapa, outro Makkhali Gosala e outros ainda Ajita Kesakambala, Kakudha Kaccayana, Sañjaya Belatthiputra, ou Nigantha Nathaputra [este, Maha-Vira, Grande-Irmão ]. Todos estes nomes o Rei escutou em silêncio, esperando que seu ministro chefe, Jivaka, falasse. Mas Jivaka, suspeitando que oobjetivo real do Rei era fazê-lo falar, manteve silêncio de modo a ter certeza. Por fim o Rei disse, “Bem, meu bom Jivaka, por quê você não tem nada a dizer ?” Bastou esta frase para Jivaka saltar do assento e com mãos postas em adoração em direção ao Abençoado, gritou, “Senhor, lá, no meu bosque de manga mora o Buddha Todo-Iluminado com mil e trezentos e cinqüenta Irmãos. Esta é a alta fama que surgiu relativa a ele.” E aqui ele segue recitando os nove títulos honoríficos atribuídos a ele, começando com 'Venerável' (cf. Digha Nikaya para esta lista e para o sutra em questão). Quando depois mostrou como desde o nascimento mesmo os poderes de Buddha ultrapassavam todos antigos presságios e expectativas, Jivaka fala, “Até ele, o Abençoado, encaminhe-se o Rei, para escutar a verdade e colocar questões.”

Seu objetivo assim atingido, o Rei pede a Jivaka que apronte os elefantes e vá em formalidade real ao bosque de manga, onde encontrou no pavilhão perfumado o Buddha no meio da Irmandade que estava tranquilo como oceano em repouso perfeito. Olhando para onde olhasse, os olhos do Rei viam apenas os ranks, as fileiras sem fim dos Irmãos, excedendo em séqüito qualquer número que já vira. Agraciado com a postura dos Irmãos, o Rei inclinou-se baixo e falou palavras de louvor. Saudando então o Buddha, sentou-se, e perguntou a ele uma questão, 'Qual o fruto da vida religiosa ?' E o Abençoado pronunciou o Samaññapala Sutra em duas seções. Com o coração feliz , o rei fez as pazes com o Buddha ao término do Sutra, e levantando-se, partiu em solene obediência. Logo depois que o Rei partiu, o Mestre dirigiu-se aos Irmãos e disse, “Irmãos, este Rei está desenraizado ; não tivesse este Rei assassinado em luxúria por poder, aquele reto legislador seu pai, ele teria ganho a clara visão da Verdade de Arahat, antes de levantar do assento. Mas por seu vil favorecer a Devadatra, perdeu o fruto desde primeiro caminho.”

Dia seguinte os Irmãos conversavam juntos sobre tudo isto e disseram que o crime de parricídio de Ajatasatru, que era devido ao mau e perverso Devadatra foi a ruína do Rei. Neste ponto o Mestre entra no Salão da Verdade e pergunta o tema da conversa. Entendendo, o Mestre fala, “Esta não é a primeira vez, Irmãos, que Ajatasatru sofre por favorecer o mal ; conduta semelhante no passado custou a ele sua vida.” Assim falando, ele contou esta história do passado.

---------------------

Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares (  Varanasi ), o Bodhisatva nasceu numa família de brahmin rico. Chegando na idade da discrição, foi estudar em Takkasila ( Taxila ) , onde recebeu educação completa. Em Benares como professor gozava de fama mundial e tinha quinhentos jovens brahmins como pupilos. Entre estes estava um de nome Sañjiva, a quem o Bodhisatva ensinou o encanto de ressuscitar mortos. Mas apesar do jovem ter aprendido isto, não aprendeu o contra encanto. Orgulhoso do seu novo poder, ele saiu com seus pupilos estudantes para a floresta catar lenha, e lá encontram um tigre morto.
“Agora me vejam fazer o tigre voltar à vida,” disse ele.
“Não consegue,” disseram eles.
“Vocês olhem e me verão fazê-lo.”
“Bem, se podes, então faça-o,” disseram eles e subiram em uma árvore em seguida.
Então Sañjiva repetiu seu encanto e bateu na cabeça do tigre morto com uma louça de barro [ n. do tr.: provavelmente quebra um vaso com óleo, cena semelhante à de IHS XTO em Bethânia na Quinta-feira da Paixão, quebrando um vaso de óleo da Índia ]. Levanta-se o tigre e rápido como um raio, salta em Sañjiva e morde-o na garganta, matando-o imediatamente. Cai morto o tigre lá e então, then and there, e morto cai Sañjiva também no mesmo lugar. De modo que os dois jazem deitados mortos lado a lado.

Os jovens brahmins catam sua lenha e voltam a seu mestre para quem contam a estória. “Meus caros pupilos,” disse ele, “notem aí como por razão de mostrar favor a um ruim e prestando homenagem onde não era devida, ele trouxe toda esta calamidade sobre si mesmo.” E falando assim ele disse esta estrofe:-

Ajude um vil, ampare-o na necessidade,
E, como aquele tigre que Sañjiva ressuscitou
À vida, imediatamente, para sofrimento seu, ele te devora.

[n. do tr.: A Glosa sugere ironia com o nome de Sañjiva que significa 'Vivo'.]

Tal foi a lição do Bodhisatva aos jovens brahmins, e após vida de caridade e obras boas outras, ele passou sendo tratado de acordo com seus méritos.

--------------------

Sua lição terminada o Mestre identificou o Jataka dizendo, “Ajatasatru era o jovem brahmin daqueles dias que ressuscitou o tigre morto, e eu o professor famoso.”




domingo, 6 de julho de 2008

149 Buddha Brahmin




                     ( Vesali, Índia ) 

149
“Se veneno esconde-se...etc.” - Esta história foi contada sobre o Príncipe Licchavi, o Mau de Vesali pelo Mestre quando vivia na casa oitanada na grande floresta perto de Vesali.

 Naqueles dias Vesali gozava de maravilhosa prosperidade. Tripla muralha
rodeava a cidade, cada muro uma légua de distância do outro, e haviam três portões com torres de vigília. Naquela cidade haviam sempre sete mil setecentos e sete reis para governar o reino e número semelhante de vice-reis, generais e tesoureiros. Entre os filhos dos reis havia um conhecido como Príncipe Licchavi o Mau, jovem feroz, irascível e cruel , punindo sempre. Como uma víbora irada. Sua natureza irascível era tal que ninguém podia falar mais de duas ou três palavras à presença dele ; e nem os pais, parentes, nem amigos podia fazê-lo ficar melhor. Então por fim seus pais resolveram levar o jovem desgovernado ao Buddha Todo-Sapiente, entendendo que ninguém a não ser ele possivelmente poderia domar o espírito feroz de seu filho. Assim trouxeram-no ao Mestre, a quem, com obediência devida, suplicaram que lesse uma leitura para o jovem, [que fizesse um discurso, que desse uma preleção].

Dirigiu-se então o Mestre ao príncipe, falando: -”Príncipe, seres humanos não devem ser cruéis, irascíveis e ferozes. O homem feroz é aquele que é duro e grosso mesmo com a mãe que o carregou, com seu pai e seu filho, com os irmãos e irmãs, com a esposa, amigos e parentes ; inspirando terror como uma víbora que projeta-se para picar, como um ladrão saltando sobre uma vítima na floresta, como um ogro avançando para devorar, - o homem feroz, direto vai re-nascer após esta vida no ínfero ou em outro lugar de punição ; e mesmo nesta vida, não importa quão bem trajado esteja, parece feio. Seja bela sua face como lua cheia em órbita, ainda assim é repugnante como lótus escorchada em chamas, como um disco de ouro coberto de sujeira. É tal raiva que leva, os homens a matarem-se, uns aos outros, com a espada, tomando veneno, a enforcarem-se, a jogarem-se do alto dos precipícios ; e então acontece que encontrando sua morte por causa da própria raiva , re-nascem em tormento. Assim também aqueles que injuriam os outros, são odiados mesmo nesta vida e devem por seus pecados passarem com a morte do corpo para ínfero e punição ; e quando uma vez mais nascem como pessoas, doenças e males os atingem nos olhos nos ouvidos, em todo lugar, a partir do seu nascimento. Daí, deixe toda pessoa mostrar gentileza e ser doadora de bem, e então com certeza, ínfero e punição não serão temidos por elas.”

Tal foi o poder desta única preleção sobre o príncipe que o orgulho foi humilhado a partir daí ; sua arrogância e egoísmo saíram dele e seu coração girou, voltou, para o amor e a gentileza. 

Nunca mais ele xingou ou bateu mas tornou-se gentil como cobra com presas arrancadas, como caranguejo com garras cortadas, como um touro com chifres quebrados.

Notando esta mudança de temperamento, os Irmãos falavam reunidos no Salão da Verdade de como o Príncipe Licchavi o Mau, a quem as exortações incessantes dos pais não conseguiram curvar, humilhou-se e abrandou-se com uma única preleção do Buddha Todo-Sapiente, e como isto era igual a domesticar seis elefantes berrantes de uma só vez. Bem, foi dito que, 'O amansador d'elefante, Irmãos, guia o elefante que ele treina, fazendo ele ir p'ra esquerda ou p'ra direita, p'ra trás ou p'ra frente, de acordo com seu desejo ; de modo semelhante o domador de cavalo e o de boi com cavalos e bois ; e assim também o Abençoado, o Buddha Todo-Sapiente, guia a pessoa que ele treina à retidão, para onde quer que ele queira em qualquer das oito direções, e faz seu pupilo discernir as formas externas a si-mesmo. Tal é o Buddha e Ele apenas,' - e assim por diante, descendo até as palavras, - 'Ele que é aclamado como chefe dos treinadores de pessoas, supremo em vergá-las ao jugo da Verdade.' “Pois, senhores,” disseram os Irmãos, “não há treinador de pessoas como o Supremo Buddha.”

E aqui o Mestre entra no Salão e questiona-os sobre o quê conversavam. Então eles dizem a ele, e ele fala, “Irmãos, esta não é a primeira vez que uma simples preleção minha conquistou o príncipe ; o mesmo aconteceu antes.”

E assim falando, ele contou esta história do passado.

-----------------

Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), o Bodhisatva veio à vida novamente como um brahmin no país Norte, e quando ele cresceu, primeiro aprendeu os Três Vedas e todo o ensino, em Takkasila ( Taxila ), e por algum tempo viveu vida mundana. Mas quando seus pais morreram ele se tornou um recluso, morando nos Himalaias, e alcançou os Conhecimentos e as Consecuções místicas. Lá morou bastante tempo, até necessidade de sal e outros artigos da vida, trazê-lo de volta aos caminhos das pessoas, e ele chega em Benares, onde abriga-se, aloja-se, no jardim real. Dia seguinte vestiu-se com cuidado e esmero, e trajando a melhor roupa de asceta foi em busca de coleta de oferta na cidade e chega ao portão do rei. O rei estava sentado e vê o Bodhisatva da janela e nota consigo mesmo como o eremita, sábio de coração e de alma, fixando a vista imediatamente nele, move-se em majestade leonina, como se em cada passo, depositasse bolsa com mil peças.

 “Se bondade habita em algum lugar,” pensou o rei, “deve ser no peito deste homem.” Chamando então um cortesão, pediu-lhe que trouxesse o eremita à sua presença. E o cortesão foi até o Bodhisatva e com obediência devida, tomou sua tigela de coleta da mão. “E agora, sua excelência ?” falou o Bodhisatva. “O rei chama sua reverência,” respondeu o cortesão. “Minha morada,” diz o Bodhisatva, “é nos Himalaias e não gozo do favor do rei.”
Então o cortesão voltou e relatou isto ao rei. Lembrando-se que estava sem conselheiro confidencial naquele momento, o rei pede que tragam o Bodhisatva e o Bodhisatva consente em vir.

O rei o saúda com grande cortesia à entrada e pede que sente em um trono dourado debaixo de um parassol real. E o Bodhisatva foi alimentado com finas comidas que fora aprontada para alimentar o rei mesmo.

Então o rei perguntou onde o asceta vivia e entendeu que sua casa era nos Himalaias.
“E aonde vais agora ?”
“ Em busca, senhor, de um abrigo para a estação das chuvas.”
“Por quê não moras em meu parque -jardim ?” sugeriu o rei. Então, tendo ganho o consentimento do Bodhisatva e tendo comido ele também, foi com seu convidado até o jardim e lá fez construírem um eremitério, com uma cela para o dia e uma cela para a noite. Esta morada era provida dos oito requisitos de um asceta. Tendo assim instalado o Bodhisatva, o rei colocou-o aos cuidados do jardineiro e voltou ao palácio. Acontece então do Bodhisatva passar a morar no parque-jardim do rei, e duas ou três vezes por dia o rei vir visitá-lo.

Bem, a rei tinha um filho feroz e irascível que era conhecido como Príncipe Mau, que estava fora do controle de seu pai e parentes. Conselheiros, brahmins e cidadãos todos apontavam ao jovem seus modos ruins mas em vão. Ele não presta atenção aos conselhos deles. E o rei sente que a única esperança de recuperar seu filho, depositava-se no asceta virtuoso. Então como última tentativa ele pega o príncipe e entrega ao Bodhisatva para lidar com ele. O Bodhisatva então anda com o príncipe pelo parque-jardim até chegarem onde um arbusto de árvore Nimb crescia, no qual contudo cresciam apenas duas folhas, uma de um lado, uma do outro.

“Prove a folha deste arbusto, príncipe,” disse o Bodhisatva, “e veja como te parece.”
O jovem o fez; mas bastou colocar a folha na boca, que ele a cuspiu para fora com um palavrão, praguejando e escarrando para tirar o gosto da boca.
“Qual o problema, príncipe ?” perguntou o Bodhisatva.
“Senhor, ho-je esta árvore só sugere veneno mortal ; mas, se deixada crescer , mostrará que é mortal para muita gente,” falou o príncipe, e em seguida arrancou e picou com as suas próprias mãos, o arbusto, recitando estas linhas:-

Se veneno esconde-se no arbusto
O quê não acontecerá em crescimento pleno ?

Disse então o Bodhisatva a ele, “Príncipe, temendo o quê o arbusto venenoso crescendo seria, você o arrancaste e picaste de uma vez. Do mesmo modo que agiste com o arbusto, o povo deste reino, temendo o quê um príncipe tão feroz e irascível pode se tornar quando rei, não te entronizará mas te arrancarão como esta árvore Nimb e te mandarão para o exílio. Portanto aceite o conselho do arbusto e mostre misericórdia e abunde em gentileza amável.”
A partir daquele momento o temperamento do príncipe muda. Cresce em humildade, mansidão, misericórdia e transborda de gentileza. Conformando-se ao conselho do Bodhisatva, quando veio a morte de seu pai, tornou-se rei, abundando em caridade e outras obras boas, e no fim passou, sendo tratado de acordo com seus méritos.

---------------------------

Sua lição terminada, o Mestre diz, “Então, Irmãos, esta não é a primeira vez que abrando Príncipe Mau ; fiz o mesmo em dias idos.” Então ele identificou o Jataka dizendo, “O Príncipe Licchavi Mau de ho-je era o Príncipe Mau da estória, Ananda o rei, e eu o asceta que exortou o príncipe à bondade.”



quarta-feira, 2 de julho de 2008

148 Buddha Chacal




   ( A cena do chão medido com moedas de ouro quadradas, Barhut, Índia )

148
“Morda uma vez, a segunda acautele-se...etc.” - Esta história foi contada pelo Mestre enquanto em Jetavana, sobre subjugar os desejos.

Nos é dito que certos quinhentos amigos ricos, filhos de mercadores de Savatthi, foram levados ao escutarem os ensinamentos do Mestre, a entregarem seus corações à Verdade e juntos à Irmandade viver em Jetavana na parte que Anatha-pindika pavimentou com moedas de ouro postas lado a lado ( Kulla-vaga VI,4 [ Jeta príncipe diz a Sudattha, Alimentador dos pobres, que não vendia aquela terra nem que ele cobrisse o chão todo com moedas quadradas – ele leva a sério e cobre o chão com moedas muitas e assim efetua a venda. Príncipe Jeta logo cede a terra toda como oferta quando vê que o assunto é sério. E adere à Fé. ]).

Bem, no meio de certa noite pensamentos luxurientos tomam todos, e, no sofrimento deles começam a se agarrar às luxúrias que haviam abandonado. Naquela hora o Mestre eleva ao alto a lâmpada da sua omnisciência e descobre qual paixão agarra os Irmãos em Jetavana, e, lendo os corações deles, percebe que luxúria e desejo brotaram dentro deles. Como a mãe que vigia seu filho único, ou como um homem que têm apenas um olho cuida de seu olho que resta, vigilante igual está o Mestre sobre seus discípulos ; - de manhã ou à tarde, na hora que suas paixões guerreiam contra eles mesmos, ele não deixará seu fiel ser dominado mas naquela hora mesma subjugará as luxúrias alinhavadas que os assedia. Daí o pensamento veio a ele, “Isto é como quando ladrões que invadem cidade de imperador ; desdobrarei direto a Verdade a estes Irmãos, com o fim de que, subjugando as luxúrias deles, eleve-os à Arahat(idade).”

Então ele saiu de seu quarto perfumado e em fala macia chamou o venerável Ancião, Ānanda, Tesoureiro da Fé. E o Ancião veio e com obediência devida permaneceu diante do Mestre para saber seu desejo. O Mestre pediu que ele reunisse em sua câmara perfumada todos os Irmãos que moravam naquele quarteirão de Jetavana [próximo ao portão portanto aonde houvera o 'negócio' entre Sudattha e príncipe Jeta]. Tradição diz que o pensamento do Mestre era que se apenas reunisse aqueles quinhentos Irmãos, eles concluiriam que ele estava cônscio do humor luxuriento deles, e seriam impedidos, agitados, de receberem a Verdade ; deste jeito mesmo reuniu todos os Irmãos que moravam lá. E o Ancião pegou uma chave e foi de cela em cela reunindo os Irmãos até que todos estavam juntos na câmara perfumada. 

Após o quê aprontou o trono de Buddha. Em dignidade de estado como Monte Sineru descansando em sólida terra, o Mestre sentou-se no trono de Buddha, fazendo com que brilhasse ao seu redor como que pares de guirlandas sobre guirlandas das seis cores de luz, que dividia-se e dividia-se em massas do tamanho de uma bandeja, de um pálio, ou de uma torre, até, como raio de raio, os raios alcançarem o céu acima. Era mesmo como o sol que eleva-se, agitando as profundezas do oceano.

Com obediência reverente e corações também, os Irmãos entram e sentam-se ao redor dele, em circunferência como se fossem cortina de cor laranja. Em voz e tons como de Maha-Brahma o Mestre disse, “Irmãos, um Irmão não deve ancorar os três pensamentos ruins, - luxúrias, ódios e crueldade. Nunca pensem imaginar que desejos maus são assunto trivial. Pois tais desejos são como um inimigo ; e um inimigo não é assunto trivial, mas, dada oportunidade, obra apenas destruição. Assim mesmo é desejo, apesar de pequeno ao primeiro surgir, apenas cresce, quando deixado, de modo que obra posterior destruição. Desejo é como veneno na comida, coceira na pele, como uma víbora, como o raio de Indra, sempre a ser evitado, sempre a ser temido. Aonde quer que surja desejo, daí, sem encontrar em nenhum momento ancoradouro no coração, deve ser expelido pelo pensar e refletir, - como uma gota de chuva que rola na folha da lótus. O sábio de tempos anteriores tinham ogeriza tanto ao menor desejo, que o esmagavam para fora antes que ele crescesse.” E assim falando, ele contou esta história do passado.

--------------------------

Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), o Bodhisatva re-nasceu na vida como chacal e morava na floresta à margem de um rio. Bem, um velho elefante morreu às margens do Ganges, e o chacal, encontrando a carcaça, parabenizou a si mesmo por topar com tal estoque de carne. Primeiro ele mordeu a tromba mas era como morder cabo de arado. “Não há nada de comer aqui,” disse o chacal e mordeu perto da presa. Mas era como morder ossos. Tentou então a orelha mas era como mastigar o aro de uma cesta de joeirar. Caiu então em cima do estômago mas a achou dura como cesta de grãos. As patas não eram melhores pois estavam como pilões. Depois tentou o rabo este como a cuia. “Aqui também não vai dar,” disse o chacal ; e falhando em todo lado em encontrar um pedaço de carne, ele tenta as costas e descobre que era como bolo macio. “Por fim,” disse ele, “encontrei o lugar certo,” e comeu seu caminho indo direto para dentro da barriga, onde fez banquete copioso dos rins, coração e do resto, temperando a sede com sangue. E quando a noite vem, ele descansa dentro. Enquanto deitava lá, o pensamento veio à mente do chacal, “Esta carcaça é ambos, alimento e casa para mim, e por quê deveria deixá-la ?” Então lá ficou e morava nas entranhas do elefante, comendo em volta. Passa o tempo até que o sol e os ventos de verão secam e encolhem o couro do elefante, fechando a entrada pela qual o chacal entrou e o interior ficar em trevas completas. Assim foi o chacal, como que, cortado para fora do mundo e confinado a um interspaço entre os mundos. Depois do couro, a carne secou e o sangue acaba. Em um frenesi desesperado, ele corre batendo de um lado e de outro contra as paredes da sua prisão na tentativa infrutífera de escapar. Enquanto ele chacoalhava para cima e para baixo dentro como uma bola de arroz numa panela fervendo, logo cai uma tempestade e a chuva molha o corpo da carcaça e a restaura a sua forma anterior, até que luz brilha como uma estrela através do caminho pelo qual o chacal entrara. “Salvo! Salvo!” grita o chacal, e, voltando à cabeça do elefante corre enfiando a cabeça primeiro para fora pelo escape. Ele tenta atravessar, é vero, mas foi apenas deixando todo seu pêlo no caminho. Primeiro correu, depois parou e sentou vendo seu corpo pelado, agora macio como tronco de palmeira. “Ah!” ele exclama, “este infortúnio caiu sobre mim por causa de minha cobiça e apenas por causa dela. De agora em diante não serei ganancioso nem novamente entrarei na carcaça de um elefante.” E seu terror encontrou expressão nesta estrofe:-

Morda uma vez, a segunda acautele-se. Ah, grande foi meu medo!
Entranhas de elefante evitarei de agora em diante.

E com estas palavras o chacal partiu, e ele nem mesmo olhou novamente aquela carcaça nem outra qualquer. E daí em diante não foi mais ganancioso.

----------------------

Sua lição terminada, o Mestre disse, “Irmãos, nunca deixem desejos se enraizarem no coração mas arranquem-los fora onde quer que brotem.” Tendo pregado as Quatro Verdades (nos finais das quais aqueles quinhentos Irmãos ganharam Arahat(idade) e o resto ganhou vários graus menores de salvação), o Mestre identificou o Jataka como segue:- “Eu mesmo era o chacal daqueles dias.”

[ N. do Tr.: Cf. com a parábola tradicional hebraica da Raposa e das Galinhas, evangélica mesma, em que IHS é a galinha e Herodes a raposa, quando a raposa por três dias assombra à noite o galinheiro passando por porta estreita : na noite terceira, gorda, farta, não passa na estreita porta e é pega. Metáfora da vida mesma em que no 'muito comer', no saciar-se em excesso, se fica preso na roda das coisas, na roda das existências. O final feliz do Chacal aparece na versão, Lebre no Jardim do Hortelão guardado por Cão (constelações mesmas) : “a Lebre a quem o Cão persegue, numa corrida sem fim.” teria dito Arato no séc. II A.D em 'Phainomena'.. Ela consegue escapar levando seu Fruto da Vida, também passando por porta estreita não sem perder o rabo, mordida pelo Cão na passagem como o Chacal que perdeu seu pêlo. No céu permanece a imagem do movimento eternizado (cf. constelações à noite fria). Corrida sem fim do Cão atrás da Lebre. Daí a Lebre ser símbolo da Ressurreição, imagem da Páscoa. ]




147 Buddha Espírito do Ar



                           ( Pintura de Ajanta, Índia ) 

147
“Como dor não conto...etc”.- Esta história foi contada pelo Mestre enquanto em Jetavana sobre um Irmão apaixonado. Sendo questionado pelo Mestre, ele admite sua frivolidade, explicando que ansiava pela esposa da vida mundana, “Pois, oh senhor!” disse ele, “ela é uma mulher tão doce que não posso viver sem ela.”

“Irmão,” disse o Mestre, “ela te é danosa. Ela foi em dias idos a razão de teres sido empalado numa estaca ; e por chorares por ela à tua morte renasceste no ínfero. Por quê então agora anseias por ela ?” E assim falando ele contou a seguinte história do passado.

----------------------

Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), o Bodhisatva nasceu Espírito do Ar. Bem, em Benares celebrava-se o festival noturno de Kattika ; a cidade estava decorada como uma cidade dos deuses, e todo o povo guardava o feriado. E um pobre homem tinha apenas um par de roupas toscas que lavara e passara até ter, cem, não, mil vincos. Mas sua esposa disse, “Meu marido, quero roupa  colorida d'açafrão para vestir uma por fora e outra por dentro, quando for ao festival pendurada no teu pescoço.”

“Como povo pobre como nós conseguirá açafrão ?” disse ele. “Coloque tua roupa bela e limpa e me siga.”

“S'eu não puder tê-las coloridas com açafrão, não quero ir de jeito nenhum,” disse a esposa. “Arranje outra mulher para ir no festival com você.”

“Agora, por quê me atormentas assim ? Como conseguiremos açafrão ?”

“Onde há um desejo, há um jeito ( 'Where there's a will, there's a way' ),” respondeu a mulher. “Não há açafrão na despensa do rei ?”

“Esposa,” disse ele, “a despensa real é como um lago infestado por um ogro. Não há como entrar lá, com guarda reforçada na vigilância. Desista desta fantasia e contente-se com o quê tens.”

“Quando porém está escuro e é noite,” disse ela, “o quê impede um homem de ir aonde ele quer ?”

Persistindo ela em suas súplicas, o amor dele por ela por fim o fez desistir e prometer que faria o desejo. Arriscando a própria vida, partiu impetuosamente para a despensa na cidade à noite e entrou através da cerca. O barulho que fez quebrando a cerca levantou os guardas, que saíram para pegar o ladrão. Eles o capturaram e com golpes e maldições logo o aprisionaram. De manhã foi trazido diante do rei que prontamente ordenou que o empalassem vivo. Arrastado foi para fora, com mãos atadas às costas, e levado para fora da cidade para execução ao som do tambor de execução e foi empalado vivo. Intensas foram suas dores ; e, para somar a elas, corvos pousaram em sua cabeça e bicaram para fora das órbitas, seus olhos, com bicos de adagas. Ainda assim, desconsiderando a dor, e pensando só na esposa, o homem murmura para si mesmo, “Ai, perderei o passeio ao festival contigo adornada em roupas açafrão, com seus braços ao redor do meu pescoço.” Assim falando, ele pronunciou esta estrofe:-

Como dor não conto estar aqui empalado,
Por corvos sendo rasgado. Minha dor de coração é esta,
Que minha cara esposa não guarde festa
Adornada em vestido lindo de cor rubra.

E enquanto balbuciava isto sobre sua esposa, ele morre e renasce no ínfero.

------------------

Sua lição terminada, o Mestre identifica o Jataka dizendo, “Este marido e esposa eram o marido e esposa daqueles dias também, e eu era o Espírito do Ar que fez sabida esta história.”




146 Buddha Espírito do mar



                        ( Pintura de teto de Ajanta, Índia )

146
“Nossas gargantas estão cansadas...etc.” - Esta história foi contada pelo Mestre enquanto em Jetavana sobre alguns Irmãos idosos. Ainda no mundo , eram escudeiros ricos de Savatthi, todos amigos ; e tradição diz que enquanto engajados em obras boas , escutaram o Mestre pregar. Unanimemente gritaram, “Somos idosos ; o quê são para nós, casas e coisas ? Que nos juntemos à Irmandade e seguindo a amável doutrina de Buddha terminemos com a dor.”

Então partilharam todos seus bens com crianças e famílias, e, deixando seus parentes chorosos, vieram pedir ao Mestre que os recebessem na Irmandade. Mas quando admitidos não viveram vida de Irmãos ; e devido à idade falharam em ter mestria na Verdade. Enquanto em suas vidas como donos de casa, agora também como Irmãos viviam juntos, ao construírem um agrupamento de cabanas vizinhas nas 'franjas' do mosteiro. Mesmo quando saíam em coleta de ofertas, eles geralmente iam para as casas das esposas e dos filhos e lá comiam. Particularmente, todos estes homens idosos eram mantidos pela bondade da esposa de um deles, a casa de quem todos mobiliaram. Uma doença tendo-a carregado, os idosos Irmãos seguiram de volta para o mosteiro e caíam uns aos ombros dos outros chorando andando a morte da benfeitora deles, doadora de temperos. O barulho do choro deles, trouxe ao lugar os Irmãos, querendo saber o quê os afligiam. E os homens idosos contaram como morrera a gentil benfeitora e que choravam porque a perderam e nunca encontrariam outra como ela. Chocados com tal impropriedade, os Irmãos falavam no Salão da Verdade o que causara o sofrer dos homens idosos e falaram ao Mestre também, quando ele entra no Salão da Verdade e pergunta do quê falam. “Ah, Irmãos,” diz ele, “em dias idos, também, a morte desta mesma mulher, os fez lamentar e chorar por aí ; naqueles dias ela era uma 'corva' (corvo fêmea) que foi afogada pelo mar, e estes atarefavam-se em esvaziar o mar de água de modo a tirá-la de lá, quando o sábio daqueles dias os salvou.”

E assim falando ele contou esta história do passado.

---------------------

Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), o Bodhisatva era um espírito do mar. Bem, um corvo com sua companheira desceram à praia em busca de comida, onde, junto antes, certas pessoas haviam ofertado um sacrifício às Nagas de leite, e arroz, e peixe, e carne e bebida forte e semelhantes. Caiu em cima o corvo com sua companheira e comeram livremente dos alimentos do sacrifício e beberam bastante bebida forte. Ambos então ficaram bêbados. E passaram a querer brincar n'água do mar e tentando surfar, foi quando uma onda carregou a corva para o mar afora e veio um peixe e a engoliu.

“Oh, minha pobre esposa está morta,” chorava o corvo, explodindo em lágrimas e lamentos. Então uma multidão de corvos levados pelo choro dele ao local quer saber o quê o aflige. E quando ele conta que sua esposa foi carregada mar afora eles então começam a chorar também unanimemente. De repente o pensamento de que eram mais fortes que o mar, atinge a eles e o quê tinha que fazer era esvaziá-lo e resgatar a companheira. Começam então a trabalhar com seus bicos para esvaziar o oceano com a boca, logo descansando em terra firme quando suas gargantas ardiam com àgua salgada. E continuaram atarefados até que as bocas estavam feridas e as mandíbulas inflamadas e os olhos vermelhos e prontos a caíram de cansados. Em desespero viraram um ao outro e disseram que era em vão que trabalhavam para esvaziar o mar pois logo que tiravam uma água de um lugar, outra fluía para dentro, e todo o trabalho tinha que ser feito de novo ; eles nunca teriam sucesso em baldear àgua para fora do mar. E, assim falando, pronunciaram esta estrofe:-

Nossas gargantas estão cansadas, as bocas em chagas;
Reflui o mar sem parar.

Os corvos todos então passam a louvar a beleza do bico e dos olhos dela, sua postura, figura e doce voz, dizendo que fora as excelências dela que provocaram o mar a roubá-la deles.

 Mas enquanto falavam este nonsense o espírito do mar fez um espectro aparecer no mar e colocar eles todos para correr. Deste modo foram salvos.

---------------------

Sua lição terminada, o Mestre identificou o Jataka dizendo, “A mulher idosa esposa do Irmão era a corva daqueles dias, e o marido o corvo macho; os outros Irmãos idosos eram o resto dos corvos, e eu o espírito do mar.”




145 Buddha Papagaio



 ( Pintura de teto de Ajanta vihara buddhista construída por Arhat Acharya ) 

145
“Quantos mais...etc.” - Esta história foi contada pelo Mestre enquanto em Jetavana sobre ansiar pela esposa da vida mundana. Os incidentes da história introdutória serão contados no Jataka 423.

O Mestre falou assim ao Irmão, “É impossível guardar uma mulher ; nenhuma guarda pode manter uma mulher no caminho reto. Você mesmo em dias idos descobriste que toda sua guarda era inútil ; e como podes agora esperar ter sucesso ?”

E assim falando, ele contou esta história do passado.


------------------------------

Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva nasceu papagaio. Um certa brahmin do país Kasi era como um pai para ele e seu irmão mais moço, tratando-os como se seus filhos fossem. Potthapada era o nome do Bodhisatva e Radha o de seu irmão.

Bem, o brahmin tinha uma esposa má impudente. E quando ele deixava a casa a negócio, dizia aos dois irmãos, “Se sua mãe, minha esposa, pensar em ser levada, pare ela.” “A impediremos, pai,” disse o Bodhisatva, “se pudermos ; mas se não pudermos manteremos a paz.”

Tendo assim confiado sua esposa ao encargo dos papagaios, o brahmin partiu à negócios. Todo dia a partir daí ela errava ; não havia fim para a corrente de amantes que entravam e saíam da casa. Movidos por esta visão, Radha diz ao Bodhisatva, “Irmão, a injunção na partida [dada] por nosso pai era de parar qualquer ato errado por parte da esposa dele e agora ela só faz errar. Vamos impedí-la.” “Irmão,” disse o Bodhisatva, “tuas palavras são palavras loucas. Podes carregar no colo uma mulher e ainda assim ela não estar guardada. Não tente o impossível.” E falando ele pronunciou esta estrofe:-

Quantos mais trará a meia-noite ? Teu plano
É vão. Nada a não ser amor de esposa, curvaria
A luxúria dela ; e amor de esposa é o quê falta!

E por estas razões dadas, o Bodhisatva não permitiu que seu irmão falasse com a esposa do brahmin, que continuou a vadiar até contentar coração durante a ausência do marido. Ele voltando, o brahmin perguntou a Potthapada sobre a conduta da esposa e o Bodhisatva relatou fielmente o quê acontecera.

“Por quê, pai,” ele disse, “deverias ter ainda algo a ver com tal mulher má ?” E adicionou estas palavras, -”Meu pai, agora que relatei a fraqueza de minha mãe, não podemos morar mais aqui.” Dizendo isto, inclinou-se aos pés do brahmin e voou para a floresta com Radha.

---------------------

Sua lição terminada, o Mestre ensinou as Quatro Verdades no final das quais o Irmão que ansiava pela esposa mundana (do mundo, do século) foi estabelecido na fruição do primeiro Caminho.

“Este esposo e esposa,” disse o Mestre, “eram o brahmin e sua esposa daqueles dias, Ananda era Radha e eu mesmo Potthapada.”




terça-feira, 1 de julho de 2008

144 Buddha Brahmin do Norte



   ( Pintura de teto de Ajanta, vihara buddhista construída por Arhat Acharya )


144
“Vil Jataveda...etc.” - Esta história foi contada pelo Mestre enquanto em Jetavana, tocando sobre a falsa austeridade dos Ajivikas, ou ascetas nus. Tradição diz que atrás de Jetavana eles usavam praticar falsas austeridades ( n. do tr.: cf. Majjhima Nikaya, 77-8 ). Alguns dos Irmãos vendo-os naquele lugar sentados nos calcanhares, girando no ar como morcegos, reclinados em espinhos, escorchando-se com os cinco fogos, e assim por diante em suas várias falsas austeridades, - foram movidos a perguntar ao Abençoado se algum resultado bom delas adviam. “Nenhum absolutamente,” respondeu o Mestre. “Em dias idos, os sábios e bons entraram na floresta com seu fogo de nascença, pensando em lucrar com tais austeridades ; mas não achando-se melhorados apesar de todos seus sacrifícios ao Fogo e por todas as práticas similares, direto, temperaram o fogo de nascimento com água até ele apagar. Através de um ato de Meditação foram ganhos os Conhecimentos e as Consecuções e ganho título para o Reino de Brahma.” Assim falando ele contou esta história do passado.

--------------------

Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ),o Bodhisatva nasceu brahmin do país Norte e no dia do seu nascimento seus pais acenderam um fogo de nascimento.

Aos dezesseis anos eles se dirigiram a ele falando, “Filho, no dia do seu nascimento acendemos um fogo de nascimento para você. Agora portanto escolha. Se desejas levar vida de família, aprenda os Três Vedas ; mas se desejas alcançar o Reino de Brahma, leve seu fogo contigo para a floresta e lá cuide dele, de modo a ganhar o favor de Maha-Brahma e daí entrar no Reino de Brahma.”

Dizendo a seus pais que a vida de família não lhe encantava, ele foi para dentro da floresta e morava num eremitério cuidando do seu fogo. Um boi lhe foi dado como pagamento um dia em uma vila da fronteira e quando levava o boi para casa no eremitério, pensamento veio a ele de sacrificar uma vaca ao Senhor do Fogo. Mas dando-se conta de que não tinha sal e sentindo que o Senhor do Fogo não poderia comer a oferta de carne sem ele, resolveu voltar e buscar um pouco na vila para este propósito. Então amarrou o boi e saiu de novo para a vila.

Quando já tinha ido, um bando de caçadores chegou e, vendo o boi, mata-o e cozinha-o para janta deles. E o quê não comeram ele carregaram deixando só rabada mocotó e couro.

 Encontrando apenas estes tristes restos ao voltar, o brahmin exclamou, “Como este Senhor do Fogo não consegue nem mesmo guardar o que é seu, como me guardaria ? É perda de tempo servi-lo, não me trazendo nem bem nem lucro.” Tendo assim perdido todo desejo de venerar Fogo, ele disse - “Meu Senhor do Fogo, se não consegue proteger-se a si mesmo, como me protegeria ? A carne foi embora, deves te arranjar com estes restos de comida.”

 Assim falando, colocou no fogo a rabada e o mocotó deixados pelos ladrões e pronunciou esta estrofe:-

Vil Jetaveda, aqui tem a rabada para você ;
E considere-se sortudo por tanto!
As primícias idas, alimente-se de mocotó ho-je.

Assim falando o Grande Ser apagou o fogo com água e partiu tornando-se um recluso. Ele ganhou os Conhecimentos e as Consecuções, e assegurou seu re-nascer no Reino de Brahma.

--------------------------

Sua lição terminada, o Mestre identificou o Jataka dizendo, “Eu era o asceta daqueles dias que apagou o fogo.”