terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

57 Buddha Macaco



57
“Quem, Ó rei dos macacos,...etc.”- Esta história foi contada pelo Mestre, enquanto no Bosque de Bambu, sobre Devadatra tentar matá-lo. Sendo informado das intenções homicidas de Devadatra, o Mestre disse, “Esta não é a primeira vez, Irmãos, que Devadatra tenta matar-me ; ele fez justo o mesmo em dias passados mas falhou ao executar sua vil intenção.” E assim falando, ele contou esta história do passado.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), o Bodhisatva veio à vida novamente como um macaco. Quando crescido, era grande como um potro de égua e enormemente forte. Vivia só nas praias de um rio, no meio do qual havia uma ilha em que crescia mangas e fruta-pão e outras frutas. No meio da correnteza, no caminho entre o ilha e a praia, uma pedra solitária levanta-se para fora da água. Sendo forte como um elefante, o Bodhisatva usava pular da praia para esta pedra e dela para a ilha. Nela, come os frutos que quer na ilha, retornando à tardinha pelo caminho que veio. E assim era sua vida no dia a dia.

Bem, vivia naqueles dias naquele rio um crocodilo e sua companheira; e ela, sendo jovem, foi levada pela visão do Bodhisatva passando para cá e para lá, em conceber desejo de comer o coração do macaco.

Pede assim a seu esposo que pegue o macaco para ela. Prometendo que realizaria seu desejo, o crocodilo saiu e ficou na pedra, pretendendo pegar o macaco na sua jornada à tardinha para casa.

Depois de vagar pela a ilha por todo o dia, o Bodhisatva olhando ao crepúsculo para a pedra pôs-se a imaginar por quê estaria tão alta para fora da água. Pois a história diz que o Bodhisatva sempre marcava a altura exata da água no rio, e a da pedra na água. Então, quando ele viu que, apesar de estar a água no mesmo nível, a pedra parecia mais alta na água, suspeitou que um crocodilo devia estar emboscado lá, para pegá-lo. E, para descobrir, os fatos do caso, ele gritou, como se dirigindo-se à pedra, “Olá! pedra!” E, como não vinha resposta de volta, ele gritou três vezes, “Olá ! pedra!” E como a pedra ainda mantinha silêncio, o macaco gritou, “Por quê, amiga pedra, não queres me responder ho-je?” “Ah!” pensou o crocodilo; “então a pedra tem o hábito de responder ao macaco. Devo responder pela pedra ho-je?” Conformemente, ele gritou, “Sim, macaco; o que é?” “Quem é você?” disse o Bodhisatva. “Sou um crocodilo.” “Por quê estais sentado nesta pedra?” “Para pegá-lo e comer teu coração.” Como não havia outro caminho de volta, a única coisa a fazer era enganar o crocodilo. Então o Bodhisatva gritou, “Não há saída então a não ser me entregar a ti. Abra a boca e pegue-me quando eu pular.”

Bem, você deve saber que quando crocodilos abrem a boca, seus olhos fecham. Então, quando o crocodilo sem suspeitar abriu a boca, ficou sem visão. E ficou lá esperando sem visão e com a boca aberta ! Vendo isto, o astuto macaco deu um pulo na cabeça do crocodilo, e dela, com a explosão semelhante a de um raio, chegou na praia. Quando a inteligência do feito manifestou-se ao crocodilo, ele disse, “Macaco, aquele que neste mundo possui as quatro virtudes vence seus inimigos. E você, eu acho, possui as quatro.” E assim falando repetiu esta estrofe:-

Quem, ó rei macaco, como você, combina
Verdade, previsão, determinação e destemor
Verá seus inimigos virarem e fugirem.

E com este elogio ao Bodhisatva retornou a sua morada.

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Disse o Mestre, “Então esta não é a primeira vez, Irmãos, que Devadatra tenta me matar ; ele fez justo o mesmo em dias passados.” E tendo terminado sua lição, o Mestre mostrou a conexão e identificou o Jātaka dizendo, “Devadatra era o crocodilo daqueles dias, a garota brahmin Ciñcā (n. do tr.: uma mulher asceta de rara beleza subornada pelos inimigos de Gautama para simular gravidez e acusá-lo da paternidade: a pedra-criança-falsa, cai em seu dedo do pé e jorra sangue, a terra se abre e ela desce aos ínferos) era a esposa do crocodilo e eu mesmo era o Rei Macaco.”

[ n. do tr. : Cf Jatakas 224, 226. Visnu Sarma, Pañcatantra, desenvolve em autêntico tratado político não só esta relação Macaco e Crocodilo mas tb aquela entre Corvos e Corujas, Chacal entre o Leão e  Touro. Estas histórias são vistas com lentes maiores ou em quadros mais amplos ].






segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

56 Buddha Lavrador



56
“Quando a alegria...etc.”- Esta história foi contada pelo Mestre enquanto em Sāvatthi, sobre um certo Irmão. Tradição diz que escutando o Mestre pregar um jovem nobre de Sāvatthi deu seu coração à Fé preciosa e tornou-se Irmão. Seus professores e mestres passam a ensiná-lo o conjunto dos Dez Preceitos de Moralidade, um após outro, mostrando as Moralidades Curtas, Médias e Longas, descreveu a Moralidade que descansa no auto-controle de acordo com o Pātimokkha (cf. Vinaya), a Moralidade que descansa no auto-controle dos Sentidos, a Moralidade que descansa num modo de vida sem culpa, a Moralidade relacionada ao modo de um Irmão usar os Requisitos. Pensou o jovem iniciante, “Há uma carga tremenda desta Moralidade; e eu sem dúvida falharei em cumprir tudo que votei. Contudo qual o bem de ser irmão, se não posso manter as regras de Moralidade? Meu caminho será melhor se voltar para o mundo, tomar esposa e erigir filhos, vivendo uma vida de ofertas e outras obras boas.” E então falou a seus superiores o que pensava, dizendo que propunha-se a retornar ao estado inferior de leigo, e desejava devolver sua tigela e hábitos. “Bem, se é assim para você,” eles disseram, “pelo menos pede licença ao Buddha antes de ir;” e eles levaram o jovem diante do Mestre no Salão da Verdade.

“Por quê, Irmãos,” disse o Mestre, “trazes este Irmão para mim contra sua vontade?”
“Senhor, ele disse que a Moralidade é maior do que ele pode observar, e quer devolver os hábitos e a tigela. Então o pegamos e trouxemos até você.”

“Mas por quê, Irmãos,” perguntou o Mestre, “vocês o oprimem tanto ? Ele só pode fazer o quê pode, não mais. Não cometam novamente este erro e deixem-me decidir o quê fazer no caso.”

Então, virando-se para o jovem Irmão, o Mestre disse, “Venha, Irmão; o quê te concerne Moralidade em grande quantidade? Achas que podes obedecer apenas três regras morais?”
“Ah, sim, Senhor.”
“Bem, então, vigie e guarde os três caminhos da voz, da mente, e do corpo ; não erre com a palavra, o pensamento e a ação. Não deixe de ser Irmão, mas continue e obedeça apenas estas três regras.”

“Sim, Senhor, de fato, as guardarei,” aqui exclamou alegre o jovem, e voltou novamente com seus professores. E enquanto guardava as três regras, ele pensava consigo mesmo, “Toda a Moralidade me foi ensinada pelos professores; mas porque não eram o Buddha, não conseguiram me fazer aprender este tanto. Enquanto o Todo-Iluminado, devido a sua Iluminação e por ser o Senhor da Verdade, ensinou toda a Moralidade em apenas três regras relativas aos Caminhos, e me fez entender claramente. Verdadeiramente, uma ajuda oportuna me deu o Mestre.” E ele ganhou Insight e em poucos dias atingiu Arahat(idade).

Quando isto chegou aos ouvidos dos Irmãos, eles falaram sobre, quando juntos, no Salão da Verdade, contando como o Irmão, que saía de volta para o mundo porque não esperava cumprir a Moralidade, foi munido pelo Mestre com três regras englobando a totalidade da Moralidade, e apreendeu estas três regras, e assim foi capacitado pelo Mestre a ganhar Arahat(idade). Como foi maravilhoso, eles gritaram, o Buddha.

Entrando neste momento no Salão, e escutando qual o tema da conversa, o Mestre disse, “Irmãos, mesmo fardo pesado fica leve, se levado aos poucos; e assim o sábio e bom de tempos passados, encontrando uma quantidade grande de ouro muito pesada para levar, primeiro quebrou-a e então foi capaz de carregar seu tesouro aos pedaços.” Assim falando, ele contou esta história do passado.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), o Bodhisatva veio à vida como um fazendeiro em uma vila e arava um dia um campo onde houvera uma vila. Bem, em dias passados, um mercador rico morreu deixando enterrado neste campo uma pesada barra de ouro, grossa como a coxa de um homem e de quatro côvados de comprimento. E o arado do Bodhisatva bateu em cheio nesta barra, e nela grudou. Pensando ser um raiz de árvore que espalhara-se, ele cava em volta; mas descobrindo sua real natureza, ele passa a trabalhar para tirar a sujeira do ouro. Terminado o trabalho diário, ao crepúsculo, ele deixa de lado o arado e acessórios, e tenta levantar o tesouro escondido e tirá-lo de lá. Mas, como não conseguiu nem levantá-lo, sentou-se do lado e ficou pensando que faria. “Terei um tanto para viver, um tanto para enterrar como tesouro, um tanto para comércio e um tanto para caridade e obras boas,” pensou ele consigo mesmo e conformemente cortou o ouro em quatro. A divisão tornou o ouro fácil de transportar ; e carregou para casa pedaços de ouro. Depois de um vida em caridade e outras obras boas, ele passou sendo tratado de acordo com seus méritos.

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Sua lição terminada, o Mestre, como Buddha, recitou esta estrofe:-

Quando a alegria preenche o coração e a mente
Quando a retidão é exercício de ganhar a Paz
Aquele que assim anda, ganha a vitória
E todos os Grilhões completamente destrói.



 [ Mateus 13, 44 : "O reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido no campo ; um homem o acha e torna a esconder e, na sua alegria, vai, vende tudo o que possui e compra aquele campo. " Jesus repete as palavras de Buddha neste Jataka  do tesouro escondido : comprar o campo não é ouvir o Buddha ? ] 







quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

55 Buddha e o Ogro


55
“Quando não se está apegado...etc.”- Esta história foi contada pelo Mestre enquanto em Jetavana, sobre um Irmão que desistiu de todo esforço em perseverar.

Disse o Mestre a ele, “É verdade, Irmão, que desvias?” “Sim, Abençoado.”

“Em dias passados, Irmão,” disse o Mestre, “o sábio e bom ganhou um trono por sua corajosa perseverança na hora da necessidade.”

E assim dizendo, ele contou uma história do passado.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), foi como filho da rainha que o Bodhisatva veio à vida mais uma vez. No dia do seu batismo, os pais perguntaram para oitocentos brahmins o fado, o destino da criança, e deram a eles todos os prazeres dos sentidos desejados de coração. Marcando a promessa que apresentaram de um destino glorioso, estes inteligentes brahmins predisseram que, chegando ao trono com a morte do rei, a criança seria rei poderoso dotado de toda virtude; famoso e renomado por suas façanhas com as cinco armas, ele seria inigualável em todo Jambudipa ( n. do tr. : esta era uma das quatro ilhas, ou dipā, que supunha-se constituía a terra; incluía a Índia, e representava o mundo habitado na mente Indiana e a árvore sagrada no centro, o jambo). E devido a esta profecia dos brahmins, os pais chamaram seu filho de Príncipe Cinco-Armas.

Bem, quando o príncipe chegava na idade da discrição, aos dezesseis anos, o rei enviou ele para fora para estudar.
“Com quem, senhor, estudarei?” perguntou o príncipe.
“Com o famoso professor na cidade de Takkasilā ( Taxila ) no país Gandhāra. Aqui está o pagamento dele,” disse o rei, entregando a seu filho mil dinheiros.

Assim foi o príncipe para Takkasilā e lá ensinado. Quando de lá partia, seu mestre deu-lhe um conjunto de cinco armas, armado com as quais após dizer adeus ao velho mestre, o príncipe deixou Takkasilā em direção a Benares.

No caminho chegou num floresta assombrada por um ogro chamado Pegada-cabeluda ; e, à entrada da floresta, homens que encontram com ele tentam pará-lo, dizendo:- “Jovem brahmin, não atravesse a floresta; é antro, refúgio do ogro Pegada-cabeluda, e ele mata quem encontra.” Mas, corajoso como um leão, o auto-confiante, Bodhisatva, prosseguiu, até encontrar o ogro no coração da floresta. O monstro mostrou-se à estatura do tamanho de uma palmeira, com a cabeça grande como uma latada (pérgula, caramanchão) e grandes olhos como tigelas, com duas presas como cebolões e com bico de gavião; sua barriga era borrada de púrpura ; e as palmas de suas mãos e as solas dos seus pés eram azul-escuro! “Para onde vais?” gritou o monstro. “Pare! És presa minha.” “Ogro,” respondeu o Bodhisatva, “eu sabia o quê fazia ou entrar nesta floresta. Seria um mau-conselho você aproximar-se de mim. Pois com uma flecha envenenada te matarei onde estais.” E com este desafio, ele colocou uma flecha no arco embebida em veneno mortal e atirou no ogro. Mas ela apenas cravou na pele felpuda do monstro. Então ele atirou outro e mais outra, até ter gasto cinqüenta, e todas apenas cravaram na pele felpuda do ogro. Daí o ogro, sacudindo as flechas fora, de modo que todas caíram a seus pés, aproximou-se do Bodhisatva; e este último, novamente berrou desafiadoramente, tirou a espada e atingiu o ogro. Mas, como com as flechas, a espada, que era comprida trinta e três polegadas, meramente cravava na pele felpuda. O Bodhisatva então atirou sua lança, e esta cravou firme também. Vendo isto atingiu com firmeza o ogro com seu porrete ; mas, como com as outras armas esta apenas grudou. E então o Bodhisatva gritou, “Ogro, nunca ouviste falar de mim, Príncipe Cinco-Armas. Quando me aventurei nesta floresta, pus minha crença não no arco ou outras armas, mas em mim mesmo ! Agora vou te dar um golpe que te reduzirá a cinzas.” Assim dizendo, o Bodhisatva bateu no ogro com sua mão direita; mas a mão grudou no cabelo. Então, seguidamente, com a mão esquerda e com o pé esquerdo e direito, atingiu o monstro, contudo mãos e pés do mesmo modo aderiram ao couro. Novamente gritando “Esmagarei você até virar pó!” ele atinge o ogro com a cabeça mas está também fica grudada.

Então mesmo assim pego e amarrado de cinco modos diferentes, o Bodhisatva, enquanto pendurava-se ao ogro, ainda assim sem medo, ainda estava corajoso. E o monstro pensou consigo mesmo, “Este é um verdadeiro leão entre as pessoas, um herói sem par, e não apenas um homem. Apesar de pego nas garras peludas de um ogro como eu, ainda assim não treme. Nunca, desde que comecei a matar viajantes nesta estrada, vi um homem igual a este. Por quê não está com medo ?” Não ousando devorar o Bodhisatva de uma vez, ele disse, “Por quê, jovem brahmin, não tens medo da morte?”

“Por quê deveria ?” respondeu o Bodhisatva. “Cada vida deve ter com certeza a morte destinada. Além do que, dentro do meu corpo existe uma espada de diamante, a qual você nunca digeriria, se me comesse. Cortaria você por dentro em pedaços, e minha morte envolveria você também. Por isto que não tenho medo.” (Por ela, é dito, o Bodhisatva queria significar a Espada do Conhecimento, que existia dentro dele [cf. s. Paulo, o Verbo enquanto espada afiada separando alma de espírito ] ).

A partir daí o ogro caiu pensativo. “Este brahmin jovem fala a verdade, nada mais que a verdade,” pensou ele. “Nem um pedaço do tamanho de uma ervilha poderia digerir deste herói. Vou deixá-lo ir.” E assim temendo por sua vida, ele deixou o Bodhisatva ficar livre, dizendo, “Brahmin jovem, és um leão entre as pessoas ; não te comerei. Saia das minhas garras, como a lua mesma das mandíbulas de Rāhu, e retorne para alegrar os corações dos seus pais, amigos, e do seu povo.”

“Quanto a mim mesmo, ogro,” respondeu o Bodhisatva, “eu irei. Quanto a você, foram seus pecados em dias passados que causaram seu renascimento como um ogro comedor de carne, assassino e devorador ; e, se você continuar em pecado nesta existência, você continuará de escuridão em escuridão. Mas, tendo me visto, serás incapaz de agora em diante de mais pecar. Saiba que destruir a vida é assegurar re-nascer seja nos ínferos ou em estado bruto ou como fantasma ou entre os espíritos decaídos. Ou, se o re-nascer for no mundo das pessoas, então tal pecado corta curto os dias de vida de uma pessoa.”

Deste e de outros modos o Bodhisatva mostrou as conseqüências dos cinco cursos ruins, e das bênçãos que vinham dos cinco cursos bons : e então obrou de diversos modos com os temores do ogro que com seu ensinamento ele converteu o monstro, imbuindo-o com auto-censura e o estabelecendo nos Cinco Mandamentos. Então fazendo do ogro, a fada ( fado) daquela floresta, com direito a taxas devidas (n. do tr. : ou, talvez, ‘a quem sacrifícios deviam ser oferecidos.’ A tradução do texto sugere uma teoria popular da evolução do coletor de impostos ; ver tb Jātaka 155 ), e incitando-o a permanecer constante o Bodhisatva seguiu seu caminho, fazendo saber na saída da floresta a mudança no temperamento do ogro. E por fim ele chegou, armado com as cinco armas, à cidade de Benares, e apresentou-se aos pais. Em dias posteriores, quando rei, foi legislador correto ; e após vida gasta em caridade e outras obras boas ele passou sendo tratado depois de acordo com seus méritos.

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Esta lição terminada, o Mestre, como Buddha, recitou esta estrofe:-

Quando não se está apegado a nada, coração e mente
Quando a retidão é exercício de ganhar a paz
Aquele que assim anda, ganhará a vitória
E todas as Correntes completamente destrói.

( Cf. Jātakas 56 e 156)

Quando assim levou seus ensinamentos até a Arahat(idade) como seu ponto culminante, o Mestre seguiu pregando as Quatro Verdades, ao final das quais o Irmão ganhou Arahat(idade). Também mostrou a conexão o Mestre, e identificou o Jātaka dizendo, “Angulimāla ( n. do tr. : Angulimāla, um bandido que usava um colar de dedos de suas vítimas, foi convertido pelo Buddha e tornou-se um Arahat. Cf. Majjhima Nikāya n.o 86) era o ogro naqueles dias, e eu mesmo o Príncipe Cinco-Armas.”









terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

54 Buddha Mercador


54
“Quando perto d’uma vila...etc.”- Isto foi contado pelo Mestre enquanto em Jetavana, sobre um irmão leigo hábil em conhecer frutas. Parece que um escudeiro de Sāvatthi convidou a Irmandade com o Buddha à frente dela e os fez sentarem-se no jardim, onde foram regalados com mingau de arroz e bolos. Depois ele pediu a seu jardineiro que passeasse com os Irmãos e desse mangas e outras frutas a Suas Reverências. Obediente às ordens passeou pelo jardim com os Irmãos e podia dizer só de olhar para cima das árvores que fruto estava verde, qual quase maduro, qual já bastante maduro, etc. E o quê ele dizia era sempre confirmado. Então os Irmãos vieram ao Buddha e mencionaram como era expert o jardineiro, e como no chão em pé podia dizer em que condição estava a fruta pendurada. “Irmão,” disse o Mestre, “este jardineiro não é o único que tem conhecimento de frutos. Um conhecimento semelhante foi mostrada pelo sábio e bom em dias anteriores também.” E assim dizendo, ele contou esta história do passado.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), o Bodhisatva nasceu mercador. Quando cresceu, e fazia comércio com quinhentos vagões, chegou um dia onde a estrada enveredava por uma grande floresta. Parando na borda, ele reuniu a caravana e dirigiu-se a eles:-“Árvores venenosas crescem na floresta. Atentem para não provarem folha, flor e fruto que não conheçais, sem primeiro me consultar.” Todos prometeram tomar o máximo cuidado; e começa a jornada dentro da floresta. Bem, justo já na borda da floresta tem uma vila, e justo fora dela cresce uma árvore de Quase-fruta. A árvore de quase-fruta parece a mangueira no tronco, ramos, folha, flor e fruto. E não apenas na aparência externa, mas também em gosto e cheiro, o fruto – maduro ou não – parece a manga. Se comido, é veneno mortal, e causa morte instantânea.

Bem alguns indivíduos gananciosos, que iam à frente da caravana, chegaram nesta árvore e, pensando ser manga, comeram de seus frutos. Mas outros disseram, “Perguntemos a nosso líder antes de comer”; e eles conformemente estacionaram à frente da árvore, fruto na mão, até que ele chegasse. Percebendo que não era manga, ele disse:- “Esta ‘manga’ é árvore quase-fruta; não a toque.”

Tendo-os impedido de comer, o Bodhisatva virou sua atenção para aqueles que já tinham comido. Primeiro os medicou com emético (que provoca vômito), e depois deu a eles as quatro comidas doces; de modo que no fim eles se recuperaram.

Bem, em ocasiões anteriores caravanas pararam debaixo desta mesma árvore, e morreram por comerem o fruto venenoso que confundiram com mangas. De manhã os da vila vinham, e vendo-os deitados lá mortos, os lançavam pelos pés em um lugar secreto, partindo com todos os pertences da caravana, carros e tudo.

E no dia da nossa história também, estes da vila não deixaram de correr aurora àrvore, na expectativa dos espólios. “Os bois serão nossos,” disseram alguns. “E nós ficaremos com os carros,” disseram outros; - e uns por sua vez clamavam as cargas como parte sua. Mas quando chegam esbaforidos àrvore, lá estava, toda a caravana, viva e boa !

“Como vocês souberam que não era mangueira?” perguntaram os da vila desapontados. “Nós não sabíamos,” disseram os da caravana; “era nosso líder que sabia.”

Assim os da vila foram até o Bodhisatva e disseram, “Homem de sabedoria, o que fizeste para descobrir que esta árvore não era mangueira ?”

“Duas coisas me disseram,” respondeu o Bodhisatva, e repetiu esta estrofe:-

Quando próximo a uma vila floresce àrvore
Não difícil de subir, é claro para mim,
Não preciso de mais provas para saber,
- nenhum fruto gostoso nela pode crescer!

E tendo ensinado a Verdade à multidão reunida, terminou sua jornada em segurança.

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“Assim, Irmãos,” disse o Mestre, “em tempos passados o sábio e bom eram experts em frutas.” Sua lição terminada, ele mostrou a conexão e identificou o Jātaka dizendo, “Os seguidores do Buddha eram o povo da caravana, e eu mesmo era o líder da caravana.”






53 Buddha Tesoureiro ( outro )


53
“O quê? Deixar sem provar...etc.” – Esta história foi contada pelo Mestre enquanto em Jetavana, sobre bebida com drogas.

Certa vez os ébrios de Sāvatthi encontraram-se para conversar, e disseram, “Não temos dinheiro para bebida; como conseguiremos?”
“Animem-se!” disse um dos rufiões; “tenho um plano.”
“Qual será este?” gritaram os outros.

“É costume de Anātha-pindika,” disse o indivíduo, “vestir seus anéis e roupas caras, quando vai esperar diante do rei. Vamos adicionar ( to doctor ) alguma droga alienante à bebida e montar uma barraca de drinques, em que todos nós estaremos sentados quando Anātha-pindika passar. ‘Venha e junte-se a nós, Senhor Alto Tesoureiro, gritaremos, e o cumularemos com nossa bebida até que ele perca os sentidos. Então pegaremos seus anéis e roupas, e teremos dinheiro para bebidas.”

Seu plano agradou grandemente os outros tratantes, e foi devidamente executado. Quando Anātha-pindika estava voltando, eles saíram para encontrá-lo e o convidaram para acompanhá-los; pois tinha conseguido uma bebida rara, e ele devia prová-la antes deles.

“O quê?” pensou ele, “deve um crente, que encontrou Salvação, tocar bebida forte? Entretanto, apesar de não ter desejo disto, vou expor estes tratantes.” E foi para a barraca deles, onde o procedimento que tomaram logo mostrou que haviam drogado a bebida ; e ele resolveu fazer os tratantes fugirem correndo. Então sem rodeios acusou-os de terem manipulado a bebida com o intuito de drogarem estranhos primeiro e depois roubarem seus pertences. “Vocês sentam na barraca que abrem, e louvam a bebida,” ele disse; “mas ninguém se aventura a bebê-la. Se está realmente sem aditivos, bebam vocês.” Esta exposição sumária fez a gang sair correndo, e Anātha-pindika foi para casa. Pensando que devia contar o incidente para o Buddha, foi para Jetavana e relatou a história.

“Desta vez, leigo,” disse o Mestre, “é a você que estes rufiões tentam enganar; também no passado tentaram enganar o bom e sábio daqueles dias.” Assim dizendo, ao pedido do que escutava, ele contou uma história do passado.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), o Bodhisatva era Tesoureiro daquela cidade. E então também a mesma gang de beberrões, conspirando da mesma maneira, drogou bebida, e saiu para encontrar com ele justo da mesma maneira e fizeram as mesmas preliminares. O Tesoureiro não queria beber, mas de todo modo foi com eles, apenas para expô-los. Notando o procedimento deles e detectando o esquema, estava ansioso para assustá-los e disse que seria grossura ele beber antes de ir ao palácio do rei. “Sentem aqui,” ele disse, “até que eu tenha visto o rei e tenha voltado; então pensarei a respeito.”

Na sua volta, os tratantes o chamaram, mas o Tesoureiro, colocando os olhos nas tigelas drogadas, os confundiu dizendo, “Não gosto do jeito de vocês. Aqui estão as tigelas tão cheias quanto quando deixei vocês; apesar de louvarem a bebida a altos brados, ainda assim nem uma gota delas passou pelos lábios de vocês. Pois se fosse bebida boa, teriam bebido sua parte já. Esta bebida está drogada !” E repetiu esta estrofe:-

O quê ? Deixar sem provar uma bebida que alardeiam tão rara?
Não, isto é prova de que não há aí bebida honesta.

Depois de uma vida em obras boas, o Bodhisatva passou sendo tratado de acordo com seus méritos.

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Sua lição terminada, o Mestre identificou o Jātaka dizendo, “Os tratantes de ho-je eram também os rufiões daqueles dias; e eu mesmo era então o Tesoureiro de Benares.”





segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

52 Buddha Maha Janaka



 https://www.youtube.com/watch?v=WEq3C-VZIU4


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“Trabalhe irmão...etc.” – Esta história foi contada pelo Mestre enquanto em Jetavana, sobre outro Irmão desviante. Todos os incidentes serão relatados no Jātaka 539, história do rei Mahajanaka . O rei, sentado debaixo do pálio branco da realeza, recitou esta estrofe:-

Trabalhe irmão, com esperança perseveres;
Não fraquejes nem canses, apesar de mortificação cruel.
Eu mesmo vejo, que, todos meus inimigos vencidos,
Lutei obstinadamente por meu caminho p'ra terra.

Aqui também o Irmão desviante ganhou Arahat(idade). O Buddha Todo-sapiente era o Rei Janaka.

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Certa vez quando um rei chamado Mahājanaka reinava em Mithilā no reino de Videha. Ele tinha dois filhos, Aritthajanaka e Polajanaka ; do mais velho fez vice-rei e do mais jovem comandante-chefe. Depois, quando Mahājanaka morreu, Aritthajanaka, tendo se tornado rei, deu a vice-realeza a seu irmão. Um dia um escravo foi ao rei e contou a ele que o vice-rei desejava matá-lo. O rei, depois de ouvir a mesma história repetidamente, ficou com suspeita, e colocou Polajanaka em grilhões e aprisionado com guardas numa certa casa não longe do palácio. O príncipe fez afirmação solene, “Se sou inimigo de meu irmão, que meus grilhões não sejam soltos nem a porta fique aberta; mas se não, possam os grilhões soltarem-se e a porta ser aberta,” e com isto quebram-se os grilhões em pedaços e a porta salta aberta. Ele saiu e indo para uma vila da fronteira passou a morar lá, e os habitantes tendo-o reconhecido ficaram juntos; e o rei foi incapaz de prendê-lo. Com o passar do tempo ele se tornou mestre do distrito da fronteira e, tendo agora muitos seguidores, disse para si mesmo, “Se antes não era inimigo de meu irmão, agora sou,” e seguiu para Mithilā com larga tropa, e acampou nos arredores da cidade. Os habitantes escutaram que Príncipe Polajanaka chegara, e a maior parte deles juntou-se a ele com seus elefantes e outros animais de montaria, e os habitantes de outras vilas também se uniram a eles. E assim ele manda uma mensagem a seu irmão, “Não era seu inimigo antes mas realmente agora sou; dê-me o guarda-sol real ou dê batalha.” Quando o rei saiu para dar batalha, deu adeus à rainha principal. “Senhora,” ele disse, “vitória e derrota em batalha não podem ser previstas, - se qualquer acidente fatal me ocorrer, preserve com cuidado a criança no seu útero” : assim dizendo ele partiu; e os soldados de Polajanaka sem demora o mataram na guerra. As novas da morte do rei causou uma confusão universal em toda a cidade. A rainha, tendo entendido que ele estava morto, rapidamente colocou seus tesouros e ouro numa cesta, botou roupas em cima e espalhou arroz torrado; e tendo vestido roupa suja e desfigurado sua pessoa, ela colocou a cesta na cabeça e saiu em hora não usual do dia, e ninguém a reconheceu. Ela saiu pelo portão norte; mas ela não conhecia o caminho, já que ela nunca tinha ido em lugar nenhum antes e era incapaz de marcar os pontos cardeais; assim já que ouvira falar que havia uma cidade chamada Kālacampā, ela senta-se e passa a perguntar se havia alguém que ia para para a cidade de Kālacampā. Bem, não era uma criança comum que estava em seu útero mas era o Grande Ser re-nato, após ter realizado as Perfeições, e todo o mundo de Sakra balançou-se com sua majestade.

Sakra considerando qual seria a causa, e refletindo que um ser de grande mérito devia ter sido concebido no útero dela, achou que devia ir e ver ; então ele criou uma carruagem coberta e preparou uma cama nela e parou na porta da casa em que ela estava sentada, como se ele fosse um velho ancião dirigindo carroça e perguntando se ninguém queria ir para Kālacampā. “Eu quero ir lá, pai.” “Então monte nessa carruagem, senhora, e tome seu lugar.” “Pai, estou grávida, não consigo subir ; seguirei atrás, apenas carregue esta minha cesta.” “Do que estais falando, mãe ? não há ninguém que saiba dirigir uma carruagem como eu ; não tema, apenas suba e sente.” Por seu poder divino ele fez a terra levantar-se enquanto ela subia, e a fez [a terra] tocar a traseira da carruagem. Ela subiu e deitou na cama, e ela soube então que devia ser um deus. Logo que deitou no leito divino ela dormiu. Sakra no final de cinqüenta quilômetros chegou em um rio, e ele a acordou, dizendo, “Mãe, desça e banhe-se no rio ; na cabeceira da cama há uma cogula, coloque-a ; e na carruagem há um bolo para comer, coma-o.” Ela fez tudo e deitou de novo e à tardinha quando ela alcançava Campā e via o portão, a torre de vigia e os muros, ela perguntou que cidade era aquela. Ele respondeu, “Cidade de Campā, mãe.” “O quê você está dizendo, pai? Não são noventa quilômetros de nossa cidade até Campā ?” “É sim , mãe, mas eu conheço um caminho reto.” Ele então a fez descer no portão sul ; “Mãe, minha vila é mais adiante, - entre na cidade,” e assim dizendo Sakra saiu fora, e sumiu, partindo para sua própria casa.

A rainha sentou num saguão [do portão]. Naqueles dias um certo Brahmin, recitante de hinos, que morava em Campā, ia com seus quinhentos discípulos banhar-se e a viu sentada lá tão bela e elegante, e, pelo poder do ser em seu útero, imediatamente enquanto a via ele concebia uma afeição por ela como por uma irmã mais nova, e fazendo seus pupilos ficaram do lado de fora ele entrou sozinho no saguão do portão e perguntou a ela, “Irmã, em que vila moras?” “Sou a rainha principal do Rei Aritthajanaka em Mithilā,” ela disse. “Por quê vieste para cá ?” “O rei foi morto por Polajanaka, e com medo vim para cá para salvar minha criança ainda não nascida.” “Há algum parente seu aqui nesta cidade?” “Não há nenhum, pai.” “Não fique ansiosa; sou um Brahmin do Norte de uma grande família, professor de larga fama, cuidarei de ti como de uma irmã, - chame-me seu irmão e agarre-se aos meus pés e chore alto.” Ela fez uma grande choradeira e caiu aos pés dele, e condoeram-se. Seus pupilos vieram correndo e perguntaram a ele o quê significava aquilo. “Esta é minha irmã mais nova, que nasceu no tempo em que eu estava fora.” “Oh professor, não chore, agora que por fim a conheceste.” Ele fez uma grande carruagem coberta ser trazida e a fez sentar e ser levada para sua própria casa, pedindo que avisassem sua esposa que era sua irmã e que ela fizesse tudo que fosse necessário. A esposa do Brahmin deu banho quente e preparou um cama para ela e a fez deitar. O Brahmin já tendo tomado banho voltou para casa ; e na hora da comida pediu que chamassem sua irmã e comeu com ela, e cuidou dela em casa. Logo depois ela deu a luz um filho, e o chamaram com o nome do avô, Príncipe Mahājanaka. Enquanto ele crescia e brincava com as crianças, - quando usavam provocá-lo com sua ascendência Kshatriya pura, ele batia duramente a partir de sua própria força superior e coragem no coração. Quando gritavam e perguntavam quem neles havia batido, respondiam apenas “O filho da viúva.” O príncipe refletiu “Eles sempre me chamam filho da viúva,- perguntarei a minha mãe sobre isto” ; e então um dia questionou-a, “Mãe, sou filho de quem? “ Ela o engana dizendo que o Brahmin era seu pai. Quando ele bateu de novo nos moleques noutro dia, eles o chamaram filho da viúva, e ele respondeu que o Brahmin era seu pai ; e quando eles replicaram “O quê o Brahmin tem a ver contigo?” ele ponderou, “Estes moleques dizem para mim ‘O quê o Brahmin tem a ver contigo?’ Minha mãe não me contará nada , ela não me dirá a verdade pelo bem da honra dela, - vamos, farei ela me contar a verdade.” Então quando ele estava mamando no peito dela ele mordeu o seio e disse para ela, “Diga-me quem é meu pai, - se não me disser cortarei seu seio fora.” Ela, sendo incapaz de enganá-lo, disse, “Meu filho, és filho do Rei
Aritthajanaka de Mitthilā ; teu pai foi morto por Polajanaka, e eu vim para esta cidade cuidando te salvar, e o Brahmin me tratou como uma irmã e cuidou de mim.” A partir de então não ficou mais com raiva quando era chamado filho da viúva : e antes que tivesse dezesseis anos tinha aprendido os três vedas e todas as ciências ; e quando com dezesseis mesmo tornou-se uma pessoa muito bonita. E pensou consigo mesmo, “Tomarei o reino que era de meu pai” ; e pediu a sua mãe “Você tem algum dinheiro disponível ? Se não, transportarei mercadorias, farei dinheiro e pegarei o reino de meu pai. ” “Filho, não vim sem nada, guardei pérolas e jóias e diamantes o suficiente para ganhar o reino – leve-os e tome o trono ; não precisa fazer transporte.” “Mãe,” ele disse, “me dê as jóias, mas levarei só metade, irei para Suvannabhumi e ganharei riquezas lá, e depois tomarei o reino.” Ele a fez trazer só metade, e tendo juntado a mercadoria colocou a bordo de um navio com alguns mercadores contratados em Suvannabhumi, e deu adeus à mãe dizendo que velejaria para aquele país. “Meu filho,” ela disse, “o mar tem poucas chances de sucesso e muitos perigos, - não vá,- tem riqueza bastante para tomar o reino.” Mas ele disse a ela que iria, - e assim embarcando no navio deu adeus. Naquele dia mesmo uma doença atingiu Polajanaka corporalmente e ele não podia levantar da cama. Haviam sete caravanas com suas bestas à bordo ; em sete dias o barco fez setecentas léguas náuticas, mas tendo ido muito violentamente não conseguiu ficar firme: - as pranchas começaram a ceder, a água a subir, e o barco a afundar no meio do oceano enquanto a tripulação chorava e se lamentava e invocava a seus diferentes deuses. Mas o Grande Ser nem chorava nem lamentava nem invocava qualquer deidade, mas sabendo que o barco estava condenado, misturou algum açúcar com ghee e mantendo a barriga cheia, esfregou óleo nas suas roupas limpas e apertou-as bem e encostou-se ao mastro. Enquanto o barco afundava o mastro ficava ereto. A multidão à bordo virou comida de peixes e tartarugas, e a água ao redor ficou cor de sangue ; mas o Grande Ser, permanecendo no mastro, tendo certificado-se para que lado ficava Mitthilā saltou do topo do mastro e pela sua força passou além dos peixes e tartarugas caindo a uma distância de 140 côvados de distância do barco. Naquele dia mesmo Polajanaka morreu. Depois disto o Grande Ser cruzou pelas ondas cor de jóias, fazendo seu caminho como uma massa dourada, tendo passado uma semana como se fosse um dia e quando viu praia novamente ele lavou a boca com água salgada e manteve jejum. Bem, naquele tempo uma filha dos deuses chamada Manimekhalā tinha sido indicada guardiã do mar pelos quatro guardiães do mundo. Disseram a ela, “Aqueles seres que possuem tais virtudes como reverência pela mãe e semelhantes, não merecem morrer no mar, - vigie isto” ; mas por aqueles sete dias ela não olhou para o mar, pois dizem sua memória extraviara-se no gozo da felicidade divina, e outros dizem também que ela estava presente numa assembléia divina ; contudo por fim ela olhou, dizendo para si mesma, “Este é o sétimo dia que não olho o mar, - quem é que está lá longe ?” E enquanto via o Grande Ser ela pensou consigo mesma, “Se Príncipe Mahājanaka perecesse no mar não manteria meu lugar na assembléia divina !” e então assumindo uma forma adornada pousou no ar não distante do Bodhisatva e pronunciou a primeira estrofe, enquanto testava os poderes dele:

Quem és tu, lutando como homem aqui no meio do oceano distante da terra?
Quem é o amigo em que confias, para te emprestar mão auxiliadora ?

O Bodhisatva respondeu, “Este é meu sétimo dia aqui no oceano, não vejo outro ser vivo aqui além de mim, - quem pode ser que fala comigo?” e, olhando para o ar, pronunciou a segunda estrofe:

Sabendo de meu dever no mundo, lutar, Oh deusa, enquanto posso,
Aqui no meio do oceano distante da terra faço o melhor como um homem.

Desejosa de escutar doutrina sonora, ela pronunciou para ele a terceira estrofe:-

Aqui neste deserto vasto e profundo onde não há praia a vista,
Teus esforços melhores são vãos, - aqui no meio do oceano, deves morrer.

O Bodhisatva respondeu, “Por quê falas assim ? Se pereço enquanto me esforço o máximo, escapo em todos eventos de culpa,” e ele falou a estrofe:

Aquele que faz tudo que um homem pode fazer está livre de culpa no sangue,
O senhor do céu o isenta também e ele não sente remorso por dentro.

Então a deusa falou uma estrofe:

Para que este esforço , onde trabalho estéril é todo teu ganho,
Onde não há prêmio a ganhar e só morte por toda tua dor?

Então o Bodhisatva pronunciou estas estrofes para mostrar a ela a vontade dela de discernimento:

Aquele que pensa que nada há a ganhar e não luta enquanto pode,-
Seja dele a culpa do que quer que perca, - foi seu coração fraco que fez perder o dia.
Pessoas neste mundo fazem planos e negócios como acham melhor,-
Os planos podem falhar ou prosperar, - o futuro desconhecido apresenta o resto.
Não vês, deusa, aqui ho-je são nossas ações que decidem;
Afogados estão os outros, - estou salvo, e tu estais parada do meu lado.
Assim sempre farei o melhor brigando através do oceano até a praia;
Enquanto mantenho forças lutarei, só me rendendo quando não puder mais lutar.

A deusa, escutando as palavras corajosas, pronunciou a estrofe de louvor:

Tu que tão bravamente lutas neste feroz mar sem limites
Sem encolher-se à tarefa almejada, lutando onde o dever te chama,
Vá onde teu coração quer te levar, nem estorvo nem obstáculo haverão.

Então ela perguntou a ele para onde podia levá-lo, e com a resposta dele “para a cidade de Mithilā,” ela o puxou para cima como uma guirlanda e tomando-o em ambos os braços e fazendo-o parar no seu seio, tomou-o como se fosse uma querida criança e lançou-se no ar. Por sete dias o Bodhisatva dormiu, seu corpo molhado da água que espirrava e arrepiado com o contacto celeste. Então ela o trouxe para Mithilā e o deixou virado do lado direito na pedra cerimonial do bosque de manga, e, deixando-o ao cuidado da deusa do jardim, partiu para sua própria morada. Bem Polajanaka não tinha filhos: ele deixou somente uma filha, sábia, e escolada, chamada Sivalidevi. ...
(continua no Jātaka 539).



https://www.youtube.com/watch?v=WEq3C-VZIU4





quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

51 Buddha Príncipe Bondade


51
“Trabalhe irmão...etc.” – Esta história foi contada pelo Mestre enquanto em Jetavana, sobre um Irmão que desistiu do esforço de perseverar. Sendo perguntado pelo Mestre se o relato era vero de que era desviante, o Irmão disse que era verdade. “Como pode você, Irmão,” disse o Mestre, “ficar frio numa fé tão salvadora? Mesmo quando o sábio e bom de dias passados perderam seu reino, ainda assim tão destemida era sua resolução que no final ganhou de volta sua soberania.” E assim dizendo, ele contou esta história do passado.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), o Bodhisatva veio à vida novamente como filho da rainha ; e no seu dia de batismo deram a ele o nome de Príncipe Bondade. Na idade de dezesseis sua educação estava completa; e por fim com a morte do pai veio a ser rei, e legislou seu povo com retidão com o título de grande Rei Bondade. Em cada um dos quatro portões da cidade ele construiu um lugar de oferta, outro no coração da cidade, e ainda outro no portão o seu palácio mesmo, - seis ao todo; e em cada um distribuía ofertas para os pobres viajantes e os necessitados. Ele mantinha os Mandamentos e observava os dias de jejum; ele abundava em paciência, gentileza amável e misericórdia; e em retidão ele legislava a terra, cuidando de todas as criaturas de maneira igual com o amor carinhoso de um pai por seu filho.

Bem, um dos ministros do rei conduziu-se traiçoeiramente no harém real, e isto se tornou matéria de conversa pública. Os ministros relataram isto ao rei. Examinando a matéria ele mesmo, o rei entendeu que era clara a culpa do ministro. Então mandou chamar o culpado, e disse, “Oh, cego pela loucura! você pecou, e não mereces habitar no meu reino; pegue seus bens, sua esposa e sua família e vá para outro lugar.” Expulso do reino, aquele ministro deixou o país Kāsi, e, entrando em serviço para o rei de Kosala, gradualmente chegou a conselheiro confidencial do monarca. Um dia disse ao rei de Kosala, “Senhor, o reino de Benares é como uma boa colmeia imaculada de abelhas; seu rei é a fraqueza em pessoa ; e uma força insignificante seria suficiente para conquistar o país inteiro.”

Imediatamente, o rei de Kosala refletindo que o reino de Benares era grande e considerando isto em conexão com o conselho de que uma força insignificante poderia conquistá-lo, tornou-se desconfiado de que seu conselheiro era mercenário pago para levá-lo a uma armadilha. “Traidor,” ele gritou, “és pago para dizer isto!”
“Em verdade não,” respondeu o outro; “falo apenas a verdade. Se duvidas de mim, envie homens para massacrarem um vila na fronteira dele, e veja se, quando forem pegos e trazidos diante dele, o rei não os deixa seguir livres até enchendo-lhes de presentes.”
“Ele mostrou face bem corajosa ao fazer a asserção,” pensou o rei; “Testarei seu conselho sem demora.” E de acordo, enviou criaturas suas para arrasar um vila na fronteira de Benares. Os bandidos foram capturados e trazidos diante do rei de Benares, que perguntou a eles, dizendo, “Meus filhos, por quê mataste os camponeses?”
“Porque não temos como viver,” eles disseram.
“Então por quê não vieram a mim?” disse o rei. “Vejas que não façais isto de novo.”
E deu a eles presentes e os mandou embora. De volta foram e contaram ao rei de Kosala. Mas esta evidência não era suficiente para incitá-lo à expedição; e um segundo bando foi enviado para massacrar outra vila, desta vez no coração do reino. Mas estes também foram do mesmo modo mandados embora com presentes pelo rei de Benares. Mas até esta evidência não foi forte o suficiente; e um terceiro grupo foi enviado para saquear as ruas mesmas de Benares ! E estes, como seus antecessores, foram mandados embora com presentes ! Satisfeito por fim de que o rei de Benares era um rei inteiramente bom, o rei de Kosala resolve tomar o reino dele, e partiu contra, com tropas e elefantes.

Bem, nestes dias o rei de Benares tinha um milhar de guerreiros galantes, que encarariam até ataque de elefante doido, - a quem nem o raio de Indra disparado pode aterrorizar, - um bando incomparável de heróis invencíveis prontos para ao comando do rei reduzirem a Índia toda a seu controle ! Estes, escutando que o rei de Kosala vinha para tomar Benares, foram até seu soberano com as novas, e rogaram que fossem enviados contra o invasor. “Nós o derrotaremos e o capturaremos, senhor,” eles disseram, “antes que possa pisar na fronteira.”
“Não assim, meus filhos,” disse o rei. “Ninguém deve sofrer por minha causa. Deixem que aqueles que cobiçam reinos me apanhem, se eles quiserem.” E ele recusou a licença de que marchassem contra o invasor.

Então o rei de Kosala cruzou a fronteira e veio para o centro do país; e novamente os ministros foram até o rei imploram a licença. Mas o rei ainda recusava. E então o rei de Kosala apareceu do lado de fora da cidade, e enviou uma mensagem ao rei obrigando-o ou a desistir do reino ou a dar batalha. “Eu não luto,” foi a mensagem do rei de Benares em resposta; “que ele tome meu reino.”

Ainda uma terceira vez os ministros vieram a ele e rogaram que não permitisse o rei de Kosala entrar, mas permitisse a eles saírem e capturá-lo diante da cidade. Ainda recusando, o rei obrigou que abrissem os portões da cidade, e ele mesmo se sentou no trono real elevado com seus mil ministros ao redor.

Entrando na cidade e não encontrando ninguém que barrasse seu caminho, o rei de Kosala passou com seu exército para o palácio real. Os portões permaneceram abertos; e lá no seu belo trono com seu milhar de ministros ao redor sentava Rei Bondade em majestade. “Peguem-nos todos,” gritou o rei de Kosala ; “amarrem as mãos deles apertadas atrás das costas, e levem-os para fora para o cemitério ! Lá cavem buracos e enterre-nos vivos até o pescoço, de modo que não possam mexer mãos ou pés. Os chacais virão à noite e darão a eles sepulturas !”

À ordem do rei bandido, seus seguidores amarraram o rei de Benares e seus ministros, e arrastaram eles para fora. Mas mesmo nesta hora nem mesmo um pensamento irado ancorou-se no Rei Bondade contra os bandidos; e nenhum dos homens entre seus ministros, mesmo quando eles marchavam para fora amarrados, podia desobedecer o rei, - tão perfeita é dita ser a disciplina entre seus seguidores.

Assim Rei Bondade e seus ministros foram levados e enterrados até o pescoço em buracos no cemitério, - o rei no meio e os outros em cada lado dele. O chão por cima deles foi pisado, e lá foram deixados. Sempre humilde e livre de raiva contra seu opressor, Rei Bondade exortou seus companheiros, dizendo, “Que o coração de vocês não se preencha com nada que não amor e caridade, meus filhos.”

Bem, à meia-noite os chacais vieram em tropa para o banquete de carne humana; e à vista das bestas o rei e seus companheiros soltaram um grito alto todos juntos, espantando os chacais. Parando, o grupo olha para trás, e, não vendo ninguém perseguindo, retornam novamente. Um segundo grito os afasta novamente, mas só para retornarem como antes. Mas na terceira vez, vendo que nenhum homem entre eles todos os perseguiam, os chacais pensaram consigo mesmos, “Estas devem ser pessoas fadadas a morrer.” E vieram corajosamente ; mesmo quando os gritos foram novamente elevados, não viraram o rabo. Entraram, cada um escolhendo sua presa, - o chefe chacal indo até o rei, e os outros para os ministros. Fértil em recurso, o rei nota a aproximação da besta, e, levantando a garganta como que para receber a mordida, prende seus dentes na garganta do chacal com pegada de víbora ! Incapaz de livrar sua garganta da pegada poderosa das mandíbulas do rei e temendo a morte, o chacal soltou um grande uivo. No seu grito de dor o grupo entendeu que seu líder devia ter sido pego por uma pessoa. Sem coragem de aproximarem-se então das destinadas presas, fora fugiram temendo por suas vidas.

Buscando livrar-se dos dentes do rei, o chacal agarrado mergulhava loucamente para cá e para lá, e daí soltou a terra acima do rei. Este último portanto, deixando o chacal ir, colocou para fora sua força, e forçando dos dois lados conseguiu livrar as mãos ! Então, apoderando-se da borda do buraco, saiu para fora, como uma nuvem escudada por vento. Ordenando a seus companheiros que mantivessem o bom ânimo, ele então começa a trabalhar para soltar a terra ao redor deles e tirá-los fora, até que com todos seus ministros ele estava livre novamente, no cemitério.

Bem, aconteceu que um cadáver estava exposto naquela parte do cemitério entre os respectivos domínios de dois ogros; e os ogros disputavam sobre a divisão do espólio.
“Nós não podemos dividi-lo nós mesmos,” disseram eles; mas este Rei Bondade é reto; ele dividirá para nós. Vamos a ele.” Então arrastaram o cadáver pelos pés até o rei, e disseram, “Senhor, divida esta pessoa e dê-nos a cada um sua parte.” “Com certeza, o farei, meus amigos,” disse o rei. “Mas, como ‘tou sujo, devo me banhar primeiro.”

Logo, com seus poderes mágicos, os ogros trouxeram a água perfumada preparada para o banho do usurpador. E quando o rei já tinha se banhado, Eles trouxeram as roupas que tinham sido deixadas para o usurpador vestir. Quando já tinha colocado estas, eles trouxeram para sua majestade uma caixa contendo os quatro tipos de perfumes. E quando ele já tinha se perfumado, eles trouxeram flores dos mais diversos tipos armadas em leques-jóias numa caixa de ouro. Quando já tinha se ornado de flores , os ogros perguntaram se eles podiam ser úteis em mais alguma coisa. E o rei deu a entender que estava com fome. Saíram então os ogros, e retornaram com arroz temperado com todos os aromas escolhidos, que tinha sido preparado para a mesa do usurpador. E o rei, já banhado e cheiroso, vestido e ornado, comeu comida gostosa. Depois os ogros trouxeram água perfumada do usurpador para beber, na tigela de ouro do usurpador, sem esquecer de trazer o copo de ouro também. Quando o rei já tinha bebido e lavado a boca e estava lavando as mãos, trouxeram bétel fragrante para mastigar, e perguntaram se sua majestade tinha mais alguma ordem. “Pega para mim,” ele disse, “com o poder mágico de vocês a espada do estado que descansa debaixo do travesseiro do usurpador.” E direto a espada foi trazida para o rei. Então o rei pegou o cadáver, e colocando-o em pé, cortou em dois seguindo a coluna, dando metade para cada ogro. Isto feito, o rei lavou a lâmina e botou a espada na bainha e a cingiu (na cintura).

Tendo comido sua parte, os ogros ficaram de corações felizes, e na gratidão deles perguntaram ao rei o quê mais poderiam fazer por ele. “Coloquem-me com o poder mágico de vocês,” ele disse, “na câmara do usurpador, e coloquem cada um dos meus ministros de volta a sua própria casa.” “Certamente, senhor,” disseram os ogros; sendo feito em seguida. Bem, naquela hora o usurpador deitava dormindo na cama real da câmara de estado. E enquanto dormia com toda a tranqüilidade, o bom rei bateu nele com o lado da espada em cima da barriga. Acordando com medo, o usurpador vi a lâmpada de luz que era o grande Rei Bondade. Reunindo toda sua coragem, ele levantou da cama e disse: - “Senhor, é noite; a guarda estabelecida; as portas estão fechadas; e ninguém pode entrar. Como então chegaste ao lado da minha cama, espada na mão e vestido com esplendor ?” Então o rei contou a ele em detalhe toda a história do seu escape. Então o coração do usurpador foi mexido por dentro, e ele chorou, “Oh rei, eu, apesar de abençoado com a natureza humana, não reconheci sua bondade; mas conhecimento foi dado aos ferozes e cruéis Ogros, cuja comida é carne e sangue. De agora em diante não irei contra este sinal de virtude, que possuis." Assim dizendo, ele jurou um juramento de amizade sobre a espada do outro e pediu perdão ao rei. E fez o rei dormir na cama de estado enquanto ele dormia numa cama menor.

De manhã, aurora, quando o sol se levantava, toda a hoste em rank e grau foi reunida ao toque do tambor ao comando do usurpador; na presença deles exaltou Rei Bondade, como se elevando a lua cheia no alto céu; e diante de todos eles, ele novamente pediu desculpas ao rei e deu-lhe de volta seu reino, dizendo, “De agora em diante, deixe que eu me encarrego dos rebeldes; legisle teu reino, comigo para vigiar e guardar watch and ward.” E assim dizendo, ele deu sentença ao caluniador traidor, e com suas tropas e elefantes voltou para seu reino.

Sentado em majestade e esplendor debaixo do pálio branco da soberania em um trono dourado com pernas como de gazelas, o grande Rei Bondade contemplou sua própria glória e pensou assim consigo mesmo:- “Não tivesse perseverado, não estaria gozando desta magnificência, nem meu milhar de ministros estariam sendo nomeados entre os vivos. Foi pela perseverança que recuperei o estado real que perdera, e salvei as vidas de meu milhar de ministros. Verdadeiramente, devemos batalhar incessantemente com corações destemidos, vendo que o fruto perseverança é tão excelente.” E assim o rei explodiu numa fala de coração:-

Trabalhe irmão; com esperança perseveres;
Não deixes tua coragem fraquejar e cansar
Por mim vejo, que, com todos meus inimigos vencidos
Sou mestre do desejo do meu coração.

Assim falou o Bodhisatva de coração cheio, declarando como é certo que o esforço extremo ao bem, vem à maturidade. Após uma vida gasta em fazer o certo ele passou sendo tratado daí em diante segundo seus méritos.

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Sua lição terminada, o Mestre pregou as Quatro Verdades, ao fechar das quais o Irmão desviante ganhou Arahat(idade). O Mestre mostrou a conexão e identificou o Jātaka dizendo, “Devadatra era o ministro traidor daqueles dias, os discípulos do Buddha eram o milhar de ministros, e eu mesmo o grande Rei Bondade.”