sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

18 Buddha Fada d'Árvore




              ( moeda de Magadha com dharma chakra e as quatro nobres verdades
                                            representadas junto com outros símbolos )


18
Se o povo apenas soubesse...etc.” – Esta história foi contada pelo Mestre enquanto em Jetavana sobre Banquetes para os Mortos. Pois nestes dias o povo matava bodes, carneiros e outros animais, e os ofereciam em sacrifício, em ofertas, no assim chamado Banquete para os Mortos, para o bem dos parentes mortos. Encontrando as pessoas assim atarefadas, os Irmãos perguntaram ao Mestre, dizendo, “Justo agora, senhor, o povo está tirando a vida de muitos seres vivos e os oferecendo em sacrifício no que é chamado Banquete aos Mortos. Pode haver, senhor, algum bem nisso ?”
“Não, Irmãos,” respondeu o Mestre; “nem mesmo quando a vida é tirada para realizar um Banquete aos Mortos, qualquer bem advém. Em dias passados o sábio, pregando a Verdade pousado no ar, e mostrando as conseqüências ruins da prática, fez todo o continente renunciá-la. Contudo agora, quando suas existências prévias estão confusas nas mentes deles, a prática brotou novamente.” E, assim dizendo, contou uma história do passado.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, um brahmin, versado nos Três Vedas e famoso professor, tendo a intenção de oferecer um Banquete aos Mortos, pegou um bode e disse a seus pupilos, “Meus filhos, levem este bode até lá embaixo no rio e banhem ele; depois coloquem um guirlanda ao redor do pescoço dele, e dêem uma tigela cheia de grão para comer, passem a escova nele, e tragam-o de volta.”
“Muito bem,” eles disseram, e desceram com o bode até o rio, onde banharam e escovaram a criatura na margem. O bode, tendo consciência dos atos das vidas passadas, encheu-se de alegria ao pensar que naquele mesmo dia se livraria de toda a sua miséria, e riu alto como um pote que se quebra. Então ao pensar que o brahmin ao matá-lo carregaria a miséria que ele carregava, o bode sentiu uma grande compaixão pelo brahmin, e chorou em alta voz. “Amigo bode,” disseram os jovens brahmins, “sua voz elevou-se no rir e no chorar; o quê te fez rir e o quê te fez chorar?”
“Façam-me esta pergunta diante de seu mestre.”
“Então foram com o bode até o mestre e contaram a ele o quê aconteceu. Depois de escutar a história, o mestre perguntou ao bode porque ria e porque chorava. Em relação a isto o animal, relembrando seus atos passados pelo poder de lembrar as existências anteriores, assim falou ao brahmin:- “Em tempos passados, brahmin, eu, como você, era um brahmin versado em textos místicos dos Vedas, e eu, para oferecer um Banquete aos Mortos, matei um bode em oferta. Por ter matado aquele simples bode, tive minha cabeça cortada quinhentas vezes faltando apenas uma. Este é meu nascimento de número quinhentos e último; e por isto ri alto quando pensei que naquele dia mesmo me libertaria da miséria. Por outro lado, chorei quando pensei que, como eu, por matar um bode fiquei fadado a perder a cabeça quinhentas vezes, estava ho-je sendo liberto da miséria, você, como pena por matar-me fadaria-se a perder a cabeça, como eu, quinhentas vezes. Assim foi por compaixão por ti que chorei.” “Não tema, bode,” disse o brahmin; “não te matarei.” “O quê que você disse, brahmin?” disse o bode. “Mate-me você ou não, não escaparei à morte ho-je.” “Não tema, bode; vou te proteger.” “Fraca é tua proteção, brahmin, e forte é a força da minha ruindade.”
Libertando o bode, o brahmin disse a seus discípulos, “Não deixem ninguém matar este bode;” e, e companhia dos jovens, ele seguiu de perto o animal. No momento que o bode foi liberto, ele esticou o pescoço para pastar folhas de arbusto que cresciam perto de uma rocha. Naquele mesmo instante um raio atingiu a pedra, talhando-a um pedaço que por sua vez atingiu o bode na nuca e cortou a cabeça dele. E o povo reuniu-se em volta.
Naqueles dias o Bodhisatva era uma Fada da Árvore naquele lugar mesmo. Por seus poderes sobrenaturais ele agora sentava-se pousado no ar enquanto toda a multidão olhava. Pensando consigo mesma, ‘Se estas criaturas pelo menos soubessem qual o fruto do erro, talvez desistissem de matar,’ em voz doce ensinou a eles a Verdade nestas estrofes:-

Se o povo apenas soubesse que incorre na pena
De nascer em tristeza, de seres vivos cessariam
De tirar a vida. Duro é o fado de quem mata.

Assim o Grande Ser pregou a Verdade, assustando os ouvintes com medo do inferno; e o povo, escutando-a, ficou tão aterrorizado com medo dos ínferos que pararam de matar. E o Bodhisatva depois de estabelecer a multidão nos Mandamentos pregando a eles a Verdade, passou sendo tratado de acordo com seus méritos. O povo, também, permaneceu firme nos ensinos do Bodhisatva e passou a vida em caridade e boas obras, de modo que no fim lotaram a Cidade dos Devas.

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A lição terminada, o Mestre mostrou a conexão, e identificou o Jātaka dizendo, “Naqueles dias eu era a Fada da Árvore.”


17
Na luz ou na escuridão...etc.” – Esta história foi contada pelo Mestre enquanto em Jetavana sobre dois Irmãos que juntaram-se à Irmandade já velhos. A Tradição diz que viviam em cabanas na floresta no país de Kosala, e que um foi chamado o Ancião Escuridão e o outro Ancião Luz. Bem, um dia Luz perguntou perguntou a Escuridão, “Senhor, em que momento aparece o frio?” “Ele aparece na metade escura do mês.” E um dia Escuridão perguntou a Luz, “Senhor, em que momento o frio aparece?” “Ele aparece na metade luminosa do mês.”
Como os dois juntos não conseguiram resolver o problema, foram ao Mestre e com saudação devida, disseram, “Senhor, em que momento aparece o frio?”
Depois de ter escutado o que eles tinham para dizer, falou, “Irmãos, em dias passados também, respondi a vocês esta mesma pergunta; mas suas existências prévias confundiram-se nas suas mentes.” (n. do tr:: O termo bhavasamkhepagatattā ocorre aqui e no próximo Jātaka. O significado da palavra parece ser que pelo re-nascer, os eventos das existências prévias tornaram-se misturados, confusos juntos, de modo que não resta memória distinta. Buddha tem o poder de lembrar a totalidade de suas existências prévias). E assim falando, contou uma história do passado.

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Certa vez ao pé de determinado monte viviam juntos numa única e mesma caverna dois amigos, um leão e um tigre. O Bodhisatva também vivia ao pé do mesmo monte, como eremita.
Bem, um dia a disputa levantou-se entre os dois amigos sobre o frio. O tigre disse que era frio na metade escura do mês, enquanto o leão sustentava que era frio na metade luminosa. Como os dois não resolveram a questão, colocaram-na ao Bodhisatva. Ele repete a estrofe:-

Na metade luminosa ou na escura, quando quer que o vento
Assim sopre, é frio. Pois o frio é causado pelo vento.
E, portanto, decido que os dois estão certos.

Deste jeito o Bodhisatva pacificou os dois amigos.

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Quando o Mestre terminou a lição explicando o que dissera de ter respondido a mesma questão em dias passados, ele pregou as Quatro Verdades (existência individual é anseio... etc) e no final ambos os Irmãos ganharam o Fruto do Primeiro Caminho. O Mestre mostrou a conexão e identificou o Jātaka, dizendo, “Escuridão era o tigre daqueles dias, Luz o leão, e eu mesmo o asceta que respondeu a questão.”

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

16 Sobre Rahula



           ( pintura de Yasodhara e Rahula diante do Buddha ; Ajanta, construída por acharya Achara )


16
Em todas as três posturas...etc.” - Esta história foi contada pelo Mestre enquanto residia no Mosteiro de Badarika em Kosambi, sobre o Ancião Rāhula ( Seu filho ) cujo coração estava colocado na observância das regras da Irmandade.

Certa vez quando o Mestre morava no Templo Aggālava junto da cidade de Ālavi, muitas mulheres leigas e Irmãs aglomeravam-se lá para escutar a Verdade pregada. A pregação era de dia mas com o passar gradual das horas as mulheres não permaneciam e ficavam apenas Irmãos e homens presentes. Então a pregação passou a ser de tarde; e ao final os Anciãos Irmãos retiravam-se para suas celas. Mas os mais jovens com os leigos deitavam para descansar no Salão de serviço. Quando eles dormiram, alto foram os roncos e ranger de dentes enquanto dormiam. Após uma pequena soneca alguns se levantaram e relataram ao Abençoado a impropriedade que testemunhavam. Disse ele, “Se um Irmão dorme na companhia de Noviços, é um pecado Pācittiya (que requer confissão e absolvição.)” E após determinar este preceito ele saiu para Kosambi.

Em cima disto os Irmãos disseram ao Reverendo Rāhula, “Senhor, o abençoado deu este preceito, e agora, por favor, encontre um lugar para você.” Bem, antes disso, os Irmãos, além do respeito pelo pai e porque o filho muito desejava observar as regras da Irmandade, tinham bem recebido o jovem, como se o lugar fosse dele; - arrumaram uma cama pequena e pano para ele fazer um travesseiro. Mas no dia da nossa história eles nem lhe deram moradia, tão temerosos estavam de transgredir. O excelente Rāhula não foi nem ao Buddha, sendo este seu pai, nem a Sāriputra, Capitão da Fé, que era seu preceptor, nem ao Grande Mooggaallāna que era seu professor, nem ao Ancião Ānanda seu tio; mas ficou na lado de fora da câmara de Buddha e dormiu como que numa mansão celeste. Bem, no lado de fora a câmara estava sempre fechada: o chão elevado era de terra perfumada; flores e guirlandas penduravam-se ao redor das paredes; e por toda a noite uma lâmpada lá queimava. Mas não foi este esplendor que fez Rāhula dormir aí. Não, foi simplesmente porque os Irmãos falaram para ele achar um lugar por si mesmo, e porque reverenciava as instruções e anelava as regras da Ordem. Na realidade, de tempos em tempos, os Irmãos o testavam, vendo-o vindo a certa distância, usavam atirar ao chão escovas e vassouras, e então perguntavam quem jogou no chão depois que Rāhula passava. “Bem, Rāhula passou por aqui,” era ressaltado, mas nunca o futuro Ancião disse nada saber sobre o assunto. Ao contrário, usava remover o lixo e humildemente pedir perdão ao Irmão, sem sair até estar certo de que foi perdoado; - tão adicto estava da observância das regras. E foi apenas esta adição que o fez dormir do lado de fora.

Bem, enquanto naquele dia a aurora ainda não chegara, o Mestre parou na porta de fora e tossiu ‘Aham.’ ‘Aham,’ respondeu o Reverendo Rāhula. “Quem está aí?” disse Buddha. “Sou eu, Rāhula,” foi a resposta; e o jovem apareceu e se prostrou. “Por quê você estava dormindo aqui Rāhula?” “Porque não tinha nenhum lugar para ir. Até hoje, senhor, os Irmãos foram muito gentis comigo; mas tal é o medo deles em errar atualmente que não me darão mais abrigo. Conseqüentemente dormi aqui, porque pensei que era um lugar onde não entraria em contato com ninguém.”
Então o Mestre pensou consigo mesmo, “Se eles até a Rāhula tratam assim, o quê não farão com os outros jovens que entram para a Ordem ?” E seu coração foi movido com ele para a Verdade. Assim, cedo de manhã reuniu os Irmãos, e perguntou ao Capitão da Fé , “Suponho que saibas, Sāriputra, onde Rāhula está dormindo?”
“Não, senhor, não sei.”
“Sāriputra, Rāhula dormiu hoje no lado de fora. Sāriputra, se você trata Rāhula desse jeito, como não será o tratamento que você dá aos outros jovens admitidos à Ordem? Tal tratamento não manterá aqui aqueles que se juntam. No futuro, mantenha os Noviços no seu próprio quarto por um dia ou dois, e só no terceiro dia deixe-os buscar alojamento fora, cuidando você mesmo disto.” Com esta orientação, o Mestre, estabeleceu o preceito.
Reunidos no Salão da Verdade, os Irmãos falaram da bondade de Rāhula. “Veja, senhores, como anela Rāhula as regras. Quando a ele foi dito para encontrar alojamento por si mesmo, ele não disse, ‘Sou filho do Buddha; o que vocês tem a ver com alojamento? Saiam!’
Não; nem a um único Irmão desalojou, mas dormiu na rua.”
Enquanto assim falavam, o Mestre veio ao Salão e sentou-se no seu trono, dizendo, “Qual o assunto da conversa, Irmãos?”
“Senhor,” foi a resposta, “estávamos falando da vontade de Rāhula em manter as regras, nada mais.”
Então disse o Mestre, “Esta vontade Rāhula mostrou não apenas agora mas também no passado, quando nasceu bicho.” E assim falando, contou uma história do passado.

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Certa vez um certo rei de Magadha reinava em Rājagaha; nestes dias o Bodhisatva, nasceu como cervo, vivendo numa floresta liderando uma horda de cervos. Bem, sua irmã traz a ele o filho dela, dizendo, “Irmão, ensine seu sobrinho os truques de cervo.” “Com certeza,” disse o Bodhisatva; “pode ir agora, meu jovem, e volte em tal e tal hora para a aula.” Pontualmente na hora mencionada pelo tio, o jovem cervo apareceu e recebeu a aula de truques de cervo.
Um dia quando vagava na floresta foi pego numa armadilha e gritou o choro dos cativos. Foge a horda e conta a mãe da captura do filho. Ela vem até o irmão e pergunta a ele se o sobrinho dele aprendeu os truques de cervo. “Não tema; seu filho não teve nenhuma falta,” disse o Bodhisatva. “Ele aprendeu todos os truques de cervo, e voltará logo para sua grande alegria.” E assim dizendo, repetiu esta estrofe:-

Em todas as três posturas – nas costas e nos lados-
Seu filho é versado; está treinado em usar os oito cascos,
E a não ser a meia-noite, nunca sacia a sede;
E deita espalhado no chão, parecendo sem vida,
Respirando só muito sutilmente.
Seis truques sabe meu sobrinho para enganar os inimigos.

Assim o Bodhisatva consolou a irmã mostrando a ela como o filho dela era versado nos truques do cervo. Enquanto isto o jovem cervo pego na armadilha não lutou, deitou esticando-se todo de lado, com as pernas retas e duras. Ele escava o chão ao redor com as patas para mostrar a terra ao redor; releva a dor; deixa a cabeça cair; enrola a língua para fora; baba o corpo todo; infla-se tomando vento; gira os olhos; respira muito sutilmente; e fica tão duro e rígido que parece um cadáver. Varejeiras enxamearam ao redor; e aqui e lá corvos aparecem.
O caçador veio e cutucou o cervo na barriga com a mão, falando, “Ele deve ter sido pego de manhã; ele já ‘tá apodrecendo.” Assim dizendo, o homem solta o cervo dos laços, dizendo a si mesmo, “Vou cortá-lo aqui mesmo onde jaz, e levar a carne comigo para casa.” Mas logo que o homem ingênuo passa a catar graveto e folha (para fazer fogo), o cervo jovem levanta-se nas patas, sacode-se, estica o pescoço, e, como uma pequeno nuvem escudada por poderoso vento, rapidamente volta para sua mãe.

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Após repetir o que dissera de Rāhula ter mostrado o mesmo anela as regras no passado como no presente, o Mestre fez a conexão e identificou o Jātaka dizendo, “Rāhula era o jovem cervo daqueles dias, Uppala-vannā sua mãe, e eu o cervo seu tio.”


15 "Pois enquanto um cervo...".




15
Pois enquanto um cervo...etc.” – Esta história foi contada pelo Mestre enquanto em Jetavana sobre um Irmão relapso. Tradição diz que este Irmão era relapso e não escutava advertência. Concordemente, o Mestre perguntou sobre ele, dizendo, “É verdade, como dizem, que és relapso e não escutas advertência?”
“É verdade, Abençoado,” foi a resposta.
“Em dias passados também,” disse o Mestre, “foste relapso e não escutaste advertência do que era sábio e bom, - resultando que foste pego por armadilha e morto.” E assim contou uma história do passado.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares o Bodhisatva nasceu como um cervo e morava na floresta liderando uma horda de cervos. Sua irmã trouxe o filhote até ele, dizendo, “Irmão, este é seu sobrinho; ensine a ele os truques dos cervos.” E assim colocou o filho aos cuidados do Bodhisatva. Disse este último a seu sobrinho, “Venha em tal e tal hora e lhe darei aula.” Mas o sobrinho não aparecia à aula na hora marcada. E, como no primeiro dia, em sete dias seguidos ele faltou à aula e não aprendeu os truques dos cervos; e por fim, quando vagava, foi pego numa armadilha. Sua mãe veio e disse ao Bodhisatva, “Irmão, seu sobrinho não aprendeu os truques dos cervos?” “Não pense no farsante que não aprende,” disse o Bodhisatva; “seu filho falhou em aprender os truques dos cervos.” E assim dizendo, tendo perdido toda a vontade de instruir o patife mesmo em perigo de morte, repetiu esta estrofe:-

Pois enquanto um cervo tem duas vezes quatro patas para correr
E chifres galhardos armados com inúmeras pontas
E quando sabe os sete truques, ele se salva,
Não ensinei a quem faltou a aula sete vezes.

Mas o caçador matou o cervo de vontade própria que foi pego na armadilha, e foi embora com sua carne.

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Quando o Mestre terminou a lição justificando o que dissera do Irmão errado em dias passados como no presente, mostrou a conexão, e identificou o Jātaka, dizendo “Naqueles dias o Irmão relapso era o sobrinho cervo, Uppala-vannā (N. do Tr.: Ver a interessante Vida desta theri no artigo de Mrs. Bode ‘Women Leaders of the Buddhist Reformation’ (Ceylon R. A. S. Journal 1893, pp. 540-552) onde é explicado que Uppala-vannā “tem este nome porque sua pele tinha a cor do âmago da lótus azul escura.”) era a irmã, e eu mesmo o cervo que dava aula.”

  Duas vezes quatro patas explica-se pela divisão em duas das patas unguladas, com o casco separado em duas unhas .


14 "Não há nada pior...".



14
Não há nada pior...etc.” – Esta história foi contada pelo Mestre enquanto em Jetavana, sobre o Ancião Tissa, chamado Diretor de ofertas (coletas) o Menor. A Tradição diz que, quando o Mestre morava no bosque de Bambu perto de Rājagaha, o filho de uma próspera família, chamado Príncipe Tissa, veio um dia ao Bosque de Bambu e lá, escutando o discurso do Mestre, desejou juntar-se à Irmandade, mas, sendo recusado porque seus pais não dariam consentimento, obteve o consentimento seguindo o exemplo de Rattha-pāla, recusando comida por sete dias, e finalmente tomou os votos com o Mestre.

Quinze dias após a admissão deste jovem, o Mestre encaminha-se do bosque de Bambu para Jetavana, onde o jovem comprometeu-se com as Treze Obrigações e passava o tempo na coleta de ofertas de casa em casa sem omitir nenhuma. Com o nome de Ancião Tissa Diretor de coletas o Menor, ele tornou-se uma luz tão brilhante e radiante no Budismo como a lua na abóbada celeste.

Naqueles dias foi proclamado um festival em Rājagaha ; num escrínio (cofre, porta-jóias) de prata, sua mãe e seu pai levaram as bijuterias que usava vestir quando leigo e levando ao coração, choravam assim, - “Em outros festivais nosso filho usava isto ostentar guardando as festas; e, ele, nosso único filho, foi levado pelo sábio Gautama para a cidade de Sāvatthi. Onde agora ele se senta e se levanta?” Bem, uma garota sutta (da última casta, a casta que serve) que veio à casa, notou que a dona da casa chorava, e perguntou por quê chorava; e a senhora contou tudo a ela.
“Do que seu filho gostava, madame?” “De tais e tais coisas,” respondeu a lady. “Bem, se me deres autoridade nesta casa trarei seu filho de volta.” “Muito bem,” disse a senhora assentando, e dando à garota as despesas e despachando com várias pessoas, disse, “Vá e arranje para trazer meu filho de volta.”

Saiu então a garota num palanquin para Sāvatthi, onde fixou residência numa rua que o Ancião usava passar na coleta. Cercando-se apenas de pessoas suas, nunca deixando o Ancião ver as pessoas de seu pai, ela esperou o momento em que o Ancião entrou na rua e logo concedeu-lhe ofertas de comida e bebida. E depois que ela já o enlaçara nos laços dos apetites do paladar, ela o fez eventualmente sentar-se em sua casa, até que ela soube que seus presentes de comidas e ofertas o colocara em seu poder. Então ela fingiu doença e deitou no quarto.

No tempo devido da ronda de coletas, o Ancião veio à porta da casa dela; e seus empregados tomaram a tigela do Ancião e o fizeram sentar.
Quando ele estava sentado, disse, “Onde está a irmã leiga?” “Ela ‘tá mal, senhor; ela adoraria vê-lo!”
Enlaçado como estava pelos laços dos desejos gostosos, quebrou seu voto e obrigação, e foi para onde a mulher jazia.
Então ela lhe disse o porque viera, e trabalhou tanto com ele, tudo porque o enlaçara nos laços dos desejos gostosos, que ela o fez abandonar a Irmandade; já em poder dela, ele voltou de palanquin com um largo séqüito para Rājagaha novamente.

Tudo isto foi propagado. Sentados no Salão da Verdade, o Irmãos discutiram a matéria, dizendo, “Senhores, estão dizendo que uma garota sutta enlaçou em laços de desejos gostosos, e carregou embora, Ancião Tissa o Menor, chamado Diretor de coletas.” Entrando no Salão o Mestre sentou em seu assento cheio de jóias, e disse, “Qual, Irmãos, é o assunto em discussão neste conclave ?” Eles contaram o incidente. “Irmãos,” ele disse, “não é a primeira vez que, em laços de desejos gostosos, ele cai em poder dela; em dias passados também ele caiu em poder dela do mesmo jeito.” E contou uma história do passado.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ele tinha um jardineiro chamado Sañjaya. Bem, veio para o jardim do rei um Antílope-vento, que voou fugindo à vista de Sañjaya mas este último o deixou ir sem aterrorizar a tímida criatura. Após várias visitas o antílope passou a rondar o jardim. Bem, o jardineiro tinha o hábito de catar flores e frutas e leva-las todo dia ao rei. Disse o rei a ele um dia, “Notou algo diferente, amigo jardineiro, no jardim?” “Senhor, apenas um Antílope-vento desceu ao chão.” “achas que podes pegá-lo?” “Ah, sim; s’eu tivesse um pouco de mel, o traria direto para o palácio de sua majestade.”
O rei ordenou que mel fosse dado ao homem e ele saiu levando-o para o jardim, onde primeiro colocou mel nas gramas do lugar em que o antílope freqüentava, e depois se escondeu. Quando o antílope veio e provou a grama com mel foi tão enlaçado pelo gosto do paladar que só conseguia ir para o jardim do rei. Notando o sucesso de suas iscas, o jardineiro começou lentamente a se mostrar. A aparência de uma pessoa fez o antílope voar fugindo no dia um e dois, mas tornando-se familiar à vista dele, ganhou confiança e gradualmente passou a comer grama na mão do homem. Ele, notando que ganhara a confiança da criatura, primeiro fez um caminho espalhando galhos cortados, como se um tapete; então amarrando um grande favo de mel no ombro e um tufo de grama na cintura, manteve o pingar de mel na grama À frente do antílope até que por fim ele estava dentro do palácio. Logo que o antílope estava dentro, fecharam as portas. À vista das pessoas o antílope, tremendo e temendo pela vida, batia de parede em parede no salão; e o rei descendo de sua câmara acima, e vendo a criatura tremente, disse, “Tão tímido é um Antílope-vento que por uma semana não volta a um lugar em que tenha vista uma pessoa; e se em algum lugar apavorou-se, nunca lá retornará por toda a vida. Ainda assim, enlaçado pela luxúria do paladar, esta coisa selvagem da mata chegou até aqui. Em verdade, meus amigos, nada há mais vil no mundo do que a luxúria do paladar.” E colocou o ensino em estrofe:-

Nada há pior, as pessoas dizem, do que provar isca,
Em casa ou com os amigos. Vejam! Prová-las foi
O que entregou a Sañjaya,
O antílope da selva que não se vê.

E com estas palavras ele deixou o antílope voltar novamente para a floresta.

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Quando o Mestre terminou esta lição, e repetiu como dissera que o Irmão caíra em poder da mulher em dias passados como nos dias de hoje, mostrou a conexão e identificou o Jātaka, dizendo, “Naqueles dias a garota suta era Sañjaya, o Diretor de coletas o Menor era o antílope-vento, e eu mesmo era o Rei de Benares.”

13 "Maldito o dardo do amor...".




   ( Imagem de Rajagaha atualmente )

13
Maldito o dardo do amor, etc” – Esta história foi contada pelo Mestre enquanto em Jetavana sobre a tentação causada aos Irmãos pelas esposas na vida mundana. Será relatada no Jātaka 423 (é a história do monge que queria voltar para casa, para o carro de boi, para a esposa e para os filhos, que reaparece também nos Jātakas 145, 318, 386 ). Disse Bento ao Irmão, “Irmão, foi por causa desta mulher mesma que em dias passados encontraste a morte e foste torrado em brasas incandescentes.” Os Irmãos pediram ao Abençoado que contasse a história. Bento tornou claro o que deles escondia-se pelo re-nascer.
(De agora em diante omitiremos as palavras relativas ao pedido dos Irmãos por explicações e para tornar claro o que escondia-se pelo re-nascer; e diremos apenas “contou esta história do passado.” Quando apenas isto é dito, todo o resto é suposto e repete-se como acima, - o pedido, semelhante a lua que liberta-se de nuvens, e tornando claro o que escondia-se pelo re-nascer.)

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Certa vez no reino de Magadha o rei reinava em Rājagaha, e quando os frutos estavam maduros os cervos eram expostos a grande perigo, de modo que retiravam-se para a floresta. Bem, um certo cervo da montanha na floresta, ligou-se a uma cerva que aproximava-se de uma vila, foi movido por seu amor a ela, a acompanhá-la enquanto os cervos retornavam para a casa saindo da floresta. Ela disse, “Você, senhor, é apenas um simples cervo da floresta, e a vizinhança das cidades está cheia de perigos e armadilhas. Então não desça conosco.” Mas ele por causa do grande amor a ela não permaneceria, mas foi com ela.
Sabendo que era tempo dos cervos descerem das montanhas (por causa dos frutos maduros), o povo de Magadha colocou-se de emboscada na estrada; e um caçador estendia-se no caminho a espera justo aonde o par viajava. Sentindo o cheiro de gente, a jovem cerva suspeitando de que havia caçador de emboscada, e deixando o cervo ir na frente, seguia a uma certa distância. Com uma única flecha o caçador fez o cervo cair, e a cerva vendo-o atingido fugiu como o vento. Então o caçador saiu de seu esconderijo e tirou a pele do cervo e acendendo um fogo cozinhou na brasa a doce carne . Tendo comido e bebido, levou para casa o que sobrou da carcaça sangrenta pendurado no cajado para regalo das crianças.
Bem, naqueles dias a Bodhisatva era uma fada que morava naquele mesmo bosque de árvores, e notou o que ocorrera. “Não foi nem pai nem mãe mas paixão apenas que destruiu este cervo tolo. Causar a morte de outro é contado como infâmia neste mundo; infame também é a terra submissa ao vai e vem da paixão; e infames os homens que se entregam a domínio da paixão.” E com isso, enquanto as outras fadas do bosque aplaudiam e ofereciam perfumes e flores e semelhantes em homenagem, a Bodhisatva reunia as três infâmias em uma única estrofe, e fez o bosque ecoar em doces tons enquanto ensinava a verdade nestas linhas:-

Maldito o dardo do amor que leva os homens à dor!
Maldita a terra em que a paixão rege suprema!
E maldito o tolo que se curva ao vai vem da paixão!

Assim em uma única estrofe foram reunidas as três infâmias pelo Bodhisatva e o bosque ecoou enquanto ensinava a Verdade com toda a mestria e graça de um Buddha.

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A lição terminada, o Mestre pregou as Quatro Verdades, ao final das quais o Irmão apaixonado foi estabelecido no Fruto do Primeiro Caminho. Tendo contado as duas histórias, o Mestre mostrou a conexão juntando as duas, e identificou o Jātaka.
(De agora em diante, omitiremos as palavras ‘Tendo contado as duas histórias,’ e simplesmente diremos ‘mostrou a conexão...;’ as palavras omitidas são para serem supostas como acima.)
“Naqueles dias,” disse o Mestre, “o apaixonado Irmão era o cervo da montanha; sua esposa do mundo era a jovem cerva, e eu mesmo era a fada que pregou a Verdade mostrando o erro da paixão.”

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

12 "Permaneça com Cervo Banian..."




   ( Imagem de Rajagaha atualmente  )


12
Permaneça só com o Cervo Banian, etc.” – Esta história foi contada pelo Mestre enquanto em Jetavana sobre a mãe do Ancião chamado Príncipe Kassapa. A garota, como aprendemos, filha de um rico mercador de Rājagaha estava profundamente enraizada no bem e desprezava todas as coisas temporais ; ela atingiu sua última existência, e dentro do peito, como uma lâmpada em um cântaro, fulgia sua certa esperança de ganhar Arahat(idade). Logo que alcançou consciência de si, não tinha prazer na vida mundana mas aspirava a renúncia ao mundo. Com este objetivo, disse a seus, pai e mãe, “Meus queridos pais, meu coração não alegra-se em coisas do mundo; de bom grado abraçaria a doutrina salvadora do Buddha. Permitam-me tomar os votos.”
“O quê, minha querida? Nossa família é próspera, e és filha única. Não podes tomar os votos.”
Tendo falhado em ter o consentimento dos pais, apesar de pedir de novo e de novo, ela pensou consigo mesma, “Que seja então; quando tiver casada em outra família, ganharei o consentimento do marido e tomarei os votos.” E quando, tendo crescido, ela entrou em outra família, mostrou-se uma esposa devota e vivia vida virtuosa e de bondade em sua nova casa. O que acontece é que ela fica grávida, sem perceber.
Um festival foi proclamado naquela cidade, e todos guardaram o feriado, a cidade adornada como um cidade dos deuses. Ela contudo, mesmo na elevação da festa, nem ungiu-se nem colocou qualquer jóia, andando com sua roupa diária. Então o marido disse a ela, “Minha querida esposa, todos curtem a festa feriado; mas você não se colocou em esplendor.”
“Meu senhor e mestre,” ela respondeu, “o corpo é preenchido de trinta e duas partes componentes. Portanto por quê adorná-lo? Esta estrutura corporal não é de molde angélico ou arcangélico ; não é feita de ouro, jóias, ou de madeira de sândalo amarelo; não nasce do útero da flor de lótus, branca ou vermelha ou azul; não está cheio de nenhum bálsamo imortal. Não, é alimentada de corrupção, e nascida de pais mortais ; as qualidades que a marcam são gastar e desgastar, o decaimento e a destruição do meramente transiente ; está fadada a enfunar-se num túmulo, e dedica-se a luxúrias ; ela é a fonte do sofrer, e ocasiões de lamentações ; ela é o domicílio de todas as doenças, e o repositório dos trabalhos do Karma. Suja dentro, - está sempre excretando. Sim, como todo o mundo pode ver, seu fim é morte, passando para o cemitério, para lá ser de vermes domicílio (N. do Tr.: uma longa lista de estrofes repulsivas sobre anatomia humana é omitida aqui.). O quê conseguirei, meu esposo, com bijuterias pelo corpo? Não seria como adornar por fora uma privada de banheiro?”
“Minha querida esposa,” respondeu o jovem mercador, “se vês este corpo como tão ruim, por quê não te tornas uma Irmã?”
“S’eu for aceita, meu esposo, tomo os votos hoje mesmo.” “Muito bem,” ele disse, “farei com que sejas admitida à Ordem .” E depois de mostrar caridade e hospitalidade à Ordem, a escoltou com muitas seguidoras ao convento feminino e foi admitida como Irmã, - mas dos seguidores de Devadatra. Grande foi a alegria dela ao realizar o desejo de tornar-se Irmã.
Quando os dias do parto aproximavam-se, as Irmãs notaram a mudança na aparência, o inchar das mãos e dos pés e do corpo todo, e disseram, “Senhora, pareces prestes a tornar-se mãe; o que significa isto?”
“Não sei senhoras; só sei que levo vida virtuosa.”
Então as Irmãs a trouxeram para diante de Devadatra, dizendo, “Senhor, esta jovem mulher, que foi admitida como Irmã com a relutância do marido, mostra-se agora prestes a parir ; mas se isto foi antes da admissão à Ordem ou não, não sabemos. Que faremos?”
Não sendo Buddha, e não tendo qualquer caridade, amor, ou piedade, Devadatra pensou assim: - “Seria uma reportagem danosa
espalhada se uma de minhas Irmãs estivesse grávida, e que eu perdoei a ofensa. Claro é meu curso; - devo expulsar esta mulher da Ordem.” Sem qualquer questionamento, como se afastando uma pedra, ele disse, “Fora com esta mulher, expulsem-na!”
Recebendo esta resposta, elas levantaram e com reverente saudação saíram para seu próprio convento. Mas a garota falou para as Irmãs, “Senhoras, Devadatra o Ancião não é o Buddha. Tomei votos não sob Devadatra mas sob o Buddha, o Antes de tudo do mundo. Não me roubem minha vocação que ganhei com tanta dificuldade; levem-me contudo ao Mestre de Jetavana.” Então com ela partiram para Jetavana, e viajando sessenta quilômetros até lá de Rājagaha, chegaram no tempo devido ao destino, onde com saudação reverente ao Mestre, colocaram o problema para ele.
Pensou o Mestre, “Embora a criança tenha sido gerada enquanto ainda leiga, ainda assim será ocasião para os heréticos dizerem que o asceta Gautama aceitou uma Irmã expulsa por Devadatra. Portanto, para encurtar a conversa, este caso deve ser exposto diante do rei e da corte.” Então de manhã mandou chamar Pasenadi rei de Kosala, o Anātha-pindika mais velho e mais novo, a senhora Visākhā a grande discípula leiga, e outros personagens conhecidos; e à tarde quando as quatro classes de fiéis estavam em assembléia – Irmãos, Irmãs, leigos e leigas – ele disse ao Ancião Upāli, “Vá e esclareça este problema da jovem Irmã na presença das quatro classes de discípulos.”
“Será feito, reverendo senhor,” disse o Ancião, e foi para a assembléia ; e lá, sentando-se no seu lugar, ele chamou Visākhā a discípula leiga à vista do rei, e colocou nas mãso dela a condução do inquérito, dizendo, “Primeiro veja o dia preciso e o mês preciso em que este garota juntou-se à Ordem, Visākhā ; e em seguida compute se concebeu antes ou depois desta data.” Concordemente a senhora fez com que se colocasse uma cortina como tela, atrás da qual ficou a garota. ‘Spectatis manibus, pedibus, umbilico, ipso ventre puellae’, a senhora descobriu, computando dias e meses, que a concepção aconteceu antes da garota tornar-se Irmã. Ela contou isto ao Ancião, que proclamou a Irmã inocente, diante de toda a assembléia. E ela, agora que sua inocência foi estabelecida, reverencialmente saudou o Mestre e a Ordem, e com as Irmãs retornou para seu convento.
Quando chegou a hora do parto, deu a luz um filho de espírito forte, por quem pedira aos pés do Buddha Padumuttara em idades anteriores. Um dia, quando o rei passava pelo convento, ele escutou o choro de criança e perguntou aos cortesãos o quê significava aquilo. Eles, sabendo dos acontecimentos, contaram a sua majestade que o choro vinha da criança que nasceu da jovem Irmã. “Senhores,” disse o rei, “o cuidado de crianças é um estorvo para as Irmãs em vida religiosa; deixe que nós tomamos conta dele.” Assim a criança foi cedida com ordem do rei às mulheres da sua família, e cresceu como príncipe. Quando chegou o dia de ser nomeado, foi chamado Kassapa, mas ficou conhecido como Príncipe Kassapa porque cresceu como príncipe.
Na idade de sete anos foi admitido como noviço sob o Mestre, e pleno Irmão quando tinha idade suficiente. Com o passar do tempo, ficou famoso entre os expositores da Verdade. Então o Mestre deu a ele precedência, dizendo, “Irmãos, o primeiro em eloqüência entre meus discípulos é Príncipe Kassapa.” Após o que em virtude do Vammika Sutta, ganhou Arahat(idade). Também sua mãe, a Irmã, cresceu na clara visão e ganhou o Supremo Fruto. Príncipe Kassapa o Ancião brilhou na fé do Buddha como a lua cheia mesmo no meio do céu. Um dia à tarde quando o Tathāgata voltou da coleta de ofertas, falou com os Irmãos e passou para sua câmara perfumada. Depois desta fala os Irmãos gastaram o resto de dia nos aposentos diurnos ou noturnos até que ao crepúsculo reúnem-se no salão da Verdade e falam como segue: - “Irmãos, Devadatra, porque não era um Buddha e porque não tinha caridade, amor e piedade, quase foi a ruína do Ancião Príncipe Kassapa e de sua reverenda mãe. Mas o Buddha todo iluminado, sendo o Senhor da Verdade e sendo perfeito em caridade, amor e piedade, mostrou-se a salvação deles.” E enquanto lá sentados louvavam o Buddha, ele entrou no salão com toda sua graça de Buddha, e perguntou, enquanto sentava, do que conversavam sentados juntos.
“De suas próprias virtudes, senhor,” eles disseram, e contaram tudo a ele.
“Esta não é a primeira vez, Irmãos,” ele disse, “que o Tathāgata mostrou-se refúgio e salvação destes dois : o mesmo aconteceu no passado também.”
Então, com os Irmãos pedindo que contasse a história, ele revelou o que estava escondido pelo re-nascer.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva nasceu como cervo. Quando nasceu era de cor dourada; seus olhos eram redondos como jóias; o brilho de seus chifres era como o da prata; sua boca era vermelha como um punhado de pano escarlate; seus quatro cascos eram como que laqueados; sua cauda era como a do yak; e era tão grande quanto um jovem potro. Ajudado por quinhentos cervos, habitava na floresta com o nome de Cervo Rei Banian [Figueira de Bengala]. E junto dele habitava outro cervo também com quinhentos seguidores cervos de horda, chamado Cervo Dissidência [Ramo], que era de cor dourada como o Bodhisatva.
Naqueles dias o rei de Benares era adicto apaixonado da caça, e sempre comia carne nas refeições. Todo dia reunia todos os cidadãos, do campo e da cidade, apesar de terem trabalho para fazer, e ia para a caça. Pensou este povo, “Este nosso rei, atrapalha todo nosso trabalho. Suponha que semeemos comida e supramos água para os cervos em seu próprio jardim, e, tendo conduzido um sem número de cervos, fechássemos eles e entregássemos ao rei!” Então semearam grama para os cervos comerem e supriram de água para beberem, abrindo bem os portões. Então chamaram os camponeses e entraram na floresta armados com paus e armas de todos os tipos para encontrarem cervos. Cercaram dois quilômetros de floresta de modo a pegar cervos dentro do círculo, e assim fazendo tomaram o espaço do cervo Banian e de Dissidência. Logo que perceberam os cervos, começaram a bater nas árvores, arbustos e chão com os paus até que os cervos saíssem das covas; então fizeram um barulho tão grande com espadas lanças e arcos que conduziram todos os cervos para o jardim e fecharam o portão. Depois foram ao rei e falaram, “Senhor, tu páras sempre nosso trabalho indo à caça; portanto trouxemos cervos suficientes da floresta para dentro do jardim. De agora em diante alimente-se deles.”
Daí em diante o rei dirigiu-se ao jardim, e olhando a horda viu um cervo dourado, a quem deu imunidade. Algumas vezes ia por conta própria e acertava um cervo e trazia para casa; outras, seu cozinheiro ia e acertava um. Ao verem o arco, os cervos saem correndo tremendo pelas suas vidas, mas depois que recebem duas ou três flechadas, enfraquecem caem e são mortos. A horda de cervos contou isto ao Bodhisatva, que chamou Dissidência e disse, “Amigo, os cervos são destruídos em grande número; e apesar de não poderem escapar da morte, pelo menos não sejam feridos sem necessidade. Que os cervos dirijam-se à pedra (dharmagandikā) em turnos, um dia um da minha horda, outro dia um da sua horda, - os cervos em que caírem a sorte vão para o lugar de execução e deitam com a cabeça na pedra. Deste jeito os cervos escaparam de serem feridos à toa.” O outro concordou ; e daí em diante o cervo em que caía a vez, usava ir e deitando, colocar o pescoço na pedra. O cozinheiro ia e pegava só a vítima que já o esperava.
Bem, um dia a sorte caiu para uma cerva prenhe da horda de Dissidência e ela foi até Dissidência e disse, “Senhor, estou prenhe. Depois que tiver parido haverão dois para tirar a sorte. Ordene que passem a minha vez.” “Não, não posso passar a sua vez para outro,” ele disse; “deves suportar as conseqüências de tua própria sorte. Vá!” Sem obter dele favor, a cerva foi para o Bodhisatva e contou a ele sua história. E ele respondeu, “Muito bem; não vá, farei com que passem a sua vez.” E daí ele mesmo foi para o lugar de execução e colocou o pescoço na pedra. Ao vê-lo o cozinheiro gritou, “Por quê aí está o rei dos cervos a quem é dada imunidade! O quê isto significa ?” E correu para avisar o rei. No momento que escutou, o rei montou na charrete e chegou com largo séqüito. “Meu amigo rei dos cervos,” disse ele olhando o Bodhisatva, “não te prometi a vida? Por quê estais deitado aí?”
“Senhor, veio a mim uma cerva prenhe, que pediu p’ra passar a vez; e, como não podia passar o fado para um ou outro, eu, dando a vida por ela e tomando para mim seu fado, deito aqui. Não pense que haja qualquer outra coisa além disto, sua majestade.”
“Meu senhor rei dourado dos cervos,” disse o rei, “nunca antes tinha visto, nem entre as pessoas, alguém com tanta caridade, amor e piedade. Estou contente contigo. Levante! Poupo a vida dela e tua.”
“Apesar de dois serem poupados, o que farão o resto, ó rei das pessoas?” “Poupo a vida deles também, meu senhor.” “Senhor, só os cervos do jardim ganharão imunidade; o que será de todo o resto?” “Poupo a vida deles também, meu senhor.” “Senhor, cervos serão salvos; mas o que será de todas as outras criaturas de quatro patas?” “Poupo a vida deles também, meu senhor.” “Senhor, as criaturas de quatro patas estão salvas; mas o que será dos bandos de pássaros?” “Eles também serão poupados, meu senhor.” “Senhor, pássaros estão salvos; mas o que será dos peixes que vivem nas águas?” “Poupo a vida deles também, meu senhor.”
Após pedir ao rei pela vida de todas as criaturas, o Grande Ser levantou-se, estabelecendo o rei nos Cinco Preceitos, dizendo, “Ande na retidão, grande rei. Ande em retidão e justiça com os pais, crianças, camponeses, citadinos, para que quando o corpo terreno dissolver-se, entrares na benção celeste.” Assim, com a graça e o encanto que marca um Buddha, ele ensinou a Verdade ao rei. Uns dias ainda instruiu o rei no jardim e então com sua horda passou novamente para a floresta.
E aquela cerva pariu um corço belo como o botão do lótus, que usava brincar com o cervo Dissidência. Vendo isto sua mãe disse a ele, “Minha criança, não vá com ele, só vá com a horda do cervo Banian.” E à guisa de exortação, falou a estrofe:-

"Fique somente com o cervo Banian, e evite
a manada da Dissidência; é muito mais bem vinda
a morte, minha criança, na companhia de Banian
do que a vida mais longa com a Dissidência."

Daí em diante, os cervos, agora gozando de imunidade, usavam comer as colheitas das pessoas, e as pessoas lembrando da imunidade garantida a eles, não ousavam atingir ou afastar os cervos. Então reuniram-se na corte real e colocaram o problema ao rei. Ele disse, “Quando o cervo Banian ganhou meu favor, prometi-lhe um dom. Antes abandonar o reino do que uma promessa. Saiam! Ninguém em meu reino ferirá cervos.”
Quando o caso chegou aos ouvidos do cervo Banian, ele chamou sua horda e disse, “De agora em diante não deveis comer os frutos dos outros.” E tendo assim os proibido, enviou mensageiros às pessoas, dizendo, “A partir deste dia, que nenhum pai de família cerque seu campo, mas meramente indique com folhas amarradas ao redor.” E assim, escutamos [shruti], a idéia de amarrar folhas para indicar os campos; e nunca mais soube-se de cervo que ultrapassasse campo marcado. Para isto foram instruídos pelo Bodhisatva.
Assim o Bodhisatva exortou os cervos da sua horda, e assim agiu por toda a longa vida, ao encerrar da qual passou sendo tratado de acordo com seus méritos. O rei também permaneceu nas instruções do Bodhisatva, e após a vida gasta em boas obras passou sendo tratado de acordo com seus méritos.

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Ao final da lição, quando o Mestre repetiu, como agora, também em dias passados foi a salvação do par, pregou as Quatro Verdades. Ele mostrou a conexão, juntando as duas histórias contadas, e identificando o Jātaka dizendo,- “Devadatra era Cervo Dissidência naqueles dias, e seus seguidores a horda daquele cervo; a freira era a cerva, e Príncipe Kassapa seu filhote; Ānanda era o rei; e eu mesmo era Cervo Rei Banian.”