segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

251 Buddha Eremita


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251
Nenhum arqueiro...etc.” - Esta história o Mestre contou em Jetavana sobre um Irmão relapso.

Um jovem nobre, vivendo em Savatthi, emprestou seus ouvidos à doutrina dos Tesouros (Buddha, Dharma, Sangha – as três jóias) e abraçou a vida religiosa. Mas um dia, quando fazia suas rondas em Savatthi, aconteceu d'ele ver uma mulher vestida em roupas bonitas. Paixão brotou no coração dele ; e ele ficou desconsolado. Quando seus professores, conselheiros e amigos o viram deste jeito, disseram um ao outro, “Meu amigo, o Mestre pode remover os pecados daqueles que estão atormentados pela luxúria e semelhantes, e declarando as Verdades, os traz ao gozo da fruição da santidade. Vamos, levemo-lo ao Mestre.” Assim ao Mestre eles o levaram. Disse ele, “Por quê vocês me trazem este jovem contra a vontade dele, Irmãos ?” Eles disseram a ele a razão. “É vero,” ele perguntou, “que és relapso, como eles dizem?” Ele assentiu. O Mestre perguntou a razão e eles contaram o quê acontecera. Disse ele, “Ó Irmão, aconteceu antes destas mulheres serem a causa de impureza brotar mesmo em seres puros cujos pecados foram sustados pelo poder do ênstase. Por quê não seriam contaminados homens comuns como você quando contaminação atinge até o puro ? Mesmo homens da mais alta reputação caíram em desonra ; quanto mais os não purificados ! Não deve o vento que balança o Monte Sineru também agitar um monte de folhas ? Este pecado atormentou mesmo o Buddha iluminado, sentado em seu trono, e não deve atormentar alguém como tu ?” e ao pedido deles, ele contou um conto do mundo antigo.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), o Bodhisatva nasceu em uma grande família brahmin, que tinha riquezas que amontoavam a oitocentos milhões de dinheiros. Ele cresceu e recebeu sua educação em Takkasilā ( Taxila ) e retornou a Benares. Lá ele casou com uma esposa e com a morte de seus pais, realizou as exéquias. 

Então, enquanto inspecionava seu tesouro, refletiu - “O tesouro está ainda aqui mas aqueles que o juntaram não mais estão !” Ele foi tomado de dor e o suor escorria de seu corpo.

Ele viveu um longo tempo em casa e doou muito em ofertas ; ele dominou suas paixões, então ele deixou seus amigos chorando e foi para os Himalaias, onde construiu uma cabana em um lugar aprazível e viva de frutos e raízes da floresta, que achava nos seus passeios para cá e para lá. Logo cultivava as Faculdades e as Consecuções e vivia assim na benção da alegre meditação.

Então um pensamento surgiu nele. Ele iria para entre os humanos comprar sal e temperos ; assim seu corpo cresceria forte e ele vagaria por lá a pé. “Todos que fizerem ofertas a um homem virtuoso como eu,” ele pensou, “e me saudarem com respeito, preencherão as regiões celestes.” Assim ele desceu do Himalaia e logo logo, já que caminhava a passos largos para frente, chegou em Benares no momento do crepúsculo. Ele procura ao redor um lugar para ficar e vê o parque real. “Aqui,” disse ele, “é um lugar adequado de isolamento ; aqui vou residir.” E ele entra no parque e senta no pé de uma árvore e passa a noite na alegria da meditação.

Dia seguinte de manhã, depois das necessidades corporais e ajustado seu cabelo em pregas, sua pele e hábitos de casca de árvore, tomou sua tigela de ofertas ; todos seus sentidos estavam quietos, seu orgulho calmo, comportava-se com nobreza, não olhando mais que uma distância de arado diante de si ; devido a glória de sua aparência, que era perfeita em todos os sentidos, ele trouxe para si os olhos do mundo. Deste jeito entrou na cidade e colhia ofertas de porta em porta, até chegar no palácio do rei.

Bem, o rei estava no seu terraço, andando para cá e para lá. Ele viu o Bodhisatva através de uma janela. Ele estava agraciado com a postura dele ; “Se,” ele pensou, “existe tal coisa como quietude perfeita, deve se encontrar neste homem .” Então enviou um de seus cortesãos, mandando que buscasse o asceta. O homem alcançou-o com uma saudação e pegou a tigela de ofertas dele dizendo, “O rei te chama, Senhor.”

Nobre amigo,” respondeu o Bodhisatva, “o rei não me conhece !”

Então, Senhor, por favor permaneça aqui até qu'eu retorne.” E ele contou ao rei o quê o mendicante dissera. Disse o rei, Nós não temos padre confessor : vá, busque-o;” e no mesmo momento ele acenou pela janela, chamando-o - “Aqui, venha, Senhor !” 

O Bodhisatva ofereceu sua tigela de ofertas ao cortesão e subiu para o terraço. O rei então o saudou e o colocou no assento real e ofereceu a ele todas as comidas e carnes preparadas para ele mesmo. Quando já tinha se alimentado, ele colocou algumas questões para ele ; e as respostas que foram dadas agradavam-no cada vez mais e mais, de modo que com uma palavra de respeito, perguntou,
Bom Senhor, onde vives ? Vieste de onde para cá ?”

Moro no Himalaia, poderoso rei, e do Himalaia eu vim.”

O rei perguntou, “Por quê ?”

Na estação das chuvas, Ó rei, devemos buscar uma residência fixa.”

Então,” o rei disse, “more aqui no meu parque real, não te faltará as quatro coisas necessárias ; devo adquirir mérito que leve ao céu.”

Promessa foi feita ; e tendo feito o desjejum, foi com o Bodhisatva para o parque e fez com que fosse construída uma cabana de folhas lá. Um caminho coberto foi preparado e todos os lugares para se viver noite e dia. Todos os móveis e requisitos para uma vida de anchorita foram trazidos e dizendo a ele que ficasse confortável, deixou o guardião do parque encarregado dele.

Por doze anos após isto, o Bodhisatva teve sua morada neste lugar.

Uma vez aconteceu de um distrito da fronteira levantar-se em rebelião. O rei desejou ele mesmo ir lá acalmar as coisas. Chamando sua rainha, ele disse - “Senhora, ou eu ou você devemos ficar na retaguarda.”
Por quê dizes isto, meu senhor ?” ela perguntou.
Pelo bem do bom asceta.”
Não vou negligenciá-lo,” ela disse. “Seja minha a tarefa de cuidar do pai santo ; você pode ir sem ansiedade.”

Então o rei partiu ; e a rainha cuidava atentamente pelo Bodhisatva.

Bem, o rei se fora ; na estação determinada o Bodhisatva veio. Quando ele queria, ele vinha ao palácio e fazia sua refeição lá. Um dia, ele se atrasou muito tempo. A rainha tinha preparado toda a comida dele ; ela se banhou e se adornou e preparou um assento baixo ; com uma roupa leve largada por cima de si, ela se reclinou, esperando o Bodhisatva chegar. Bem o Bodhisatva notou a hora do dia ; pegou sua tigela de ofertas e passando através dos ares, chegou na grande janela. Ela escutou o roçar das roupas de casca de árvore dele e quando ela se levantou apressada, seu vestido amarelo escorregou. O Bodhisatva deixou esta visão incomum penetrar seus sentidos e olhou para ela com desejo.

 Então a má paixão que estava acalmada pelo poder do ênstase, levantou-se como uma cobra que levanta sua cabeça, da cesta na qual está guardada : ele ficou como uma árvore leitosa atingida por machado. Enquanto sua paixão ganhava força, sua calma enstática cedia, seus sentidos perdiam pureza ; ele ficou como se fosse um corvo com asa quebrada.

 Não podia mais sentar como antes e fazer a refeição ; nem mesmo ela pedindo que ele sentasse, pode ele fazer a refeição. Então a rainha colocou toda a comida junta na tigela de ofertas ; mas naquele dia ele não pode fazer como estava acostumado a fazer após a refeição e sair fora pela janela pelos ares ; pegando a comida ele desceu pela grande escadaria e daí foi para o bosque.

Quando chegou lá, não podia comer nada. Ele colocou a comida aos pés do banco, murmurando, “Que mulher! Mãos amáveis, pés amáveis ! Que cintura, que coxas !” e assim por diante. Assim ele ficou, prostrado, por sete dias. A comida estragou e ficou coberta por um enxame de moscas pretas.

Então o rei voltou, tendo colocado ordem na fronteira. A cidade estava toda decorada ; ele a rodeou em procissão solene, mantendo-a sempre a sua direita e depois foi para o palácio. Em seguida foi ao bosque, desejando ver o Bodhisatva. Ele percebe a sujeira e o lixo ao redor do eremitério e pensando que ele se fora, empurrou a porta da cabana e entrou. Lá jazia o eremita (anacoreta). “Ele deve estar doente,” pensou o rei. Fez com que se jogasse fora a comida estragada e se colocasse em ordem a cabana e depois perguntou,
Qual é o problema, Senhor ?”
Senhor, estou ferido !”

Então o rei pensou, “Suponho que meus inimigos devem ter feito isto. Não tiveram nenhuma chance comigo e resolveram atingir a quem amo.” Então o vira, procurando pela ferida ; mas não encontrou nenhuma. Perguntou, “Em qual lugar, Senhor ?”

Ninguém me feriu,” respondeu o Bodhisatva, “eu sozinho machuquei meu próprio coração.” E ele se levanta, senta numa cadeira e repete os versos seguintes:

Nenhum arqueiro armou flecha aos ouvidos
Para fazer esta ferida: nenhuma flecha com pena há aqui
Tirada de uma asa de pavão, e armada delicadamente
Por flecheiros habilidosos: - é meu coração,

Uma vez limpo da paixão por firme vontade minha,
E arguta inteligência, que através do desejo
Fez a ferida que quase me mata,
E me queima em todos os membros como fogo.

Não vejo ferida por onde possa sair o sangue :
A loucura do meu próprio coração é que me perfura assim.

Assim o Bodhisatva explicou o assunto ao rei nestas três estrofes. Fez depois o rei se retirar da cabana e induziu o transe místico ; e recobrou seu ênstase interrompido. Deixou a cabana e pousado no ar, exortou o rei. Após isto ele declarou que subiria para o Himalaia. O rei o tentou dissuadí-lo mas ele disse,
Ó rei, veja em que estado humilhante fiquei enquanto morei aqui ! Não posso permanecer.” E apesar do rei rogar que ficasse, ele se elevou nos ares e partiu para o Himalaia, onde morou em sua longa vida e então foi para o mundo de Brahma.

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Quando o Mestre terminou este discurso, declarou as Verdades e identificou o Jataka :- nas conclusões das Verdades o Irmão relapso tornou-se santo e alguns entraram no Primeiro Caminho, alguns no Segundo e alguns no Terceiro:- “Ānanda era o rei e eu o eremita.”















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