quarta-feira, 29 de agosto de 2012

452 Osadha & Amara (cont.)




   Maha ( Grande ) Osadha ainda criança conversando com os sábios de Mithila na região de Videha, Senaka, Pukkusa, Kavinda e  Devinda em pintura em Ajanta : 'no meio do quadrinho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do quadrinho'. A pintura tem milhares de anos.


452
            Osadha & Amara (cont.)
           Seguem os números das contas todas: 110, 111, 112, 170, 192, 350, 364, 387, 402, 452, 471, 500, 508, 515, 517, 528 e o próprio 546. Aqui continua a história do jataka 364 com o reencontro de Osadha e o rei que aconteceu antes da resolução das questões que a deusa do parassol branco, da abertura no centro do parrasol, propõe e que estão no Jataka 350.

Neste momento o rei, atingido por medo mortal, enviou no dia seguinte quatro dos seus cortesãos, com ordens de cada um montar numa carruagem e se dirigirem aos quatro portões da cidade e onde quer que achassem seu filho, o sábio Mah'Osadha, mostrar a ele todo respeito e rapidamente trazê-lo de volta. Três destes não encontraram o sábio mas o quarto que se dirigira para o portão sul encontrou o Grande Ser na Vila Sul, que, após juntar argila e rodar a roda do seu patrão, sentou todo sujo de barro num monte de palha comendo bolinhos de arroz mergulhados em caldo pouco. Bem, a razão para ele estar fazendo isto : ele pensava que o rei pudesse suspeitar dele querer desejar pegar o trono, o poder soberano, mas se escutasse que estava vivendo do ofício de oleiro esta suspeita seria descartada. Quando ele viu o cortesão, percebeu que o sujeito viera por causa dele ; entendeu que sua prosperidade seria restaurada e que comeria todo tipo de comida fina preparada pela senhora Amarā : largou então o bolinho de arroz que segurava, levantou-se e lavou a boca. Naquele momento o cortesão subiu até ele : este era da facção de Senaka e dirigiu-se rudemente como segue : “Sábio Professor, o quê Senaka disse era informação útil. Tua prosperidade terminada, toda tua sabedoria de nada vale ; e agora aí estás sentado todo sujo de lama num monte de palha, comendo comida como esta !” e ele recitou esta estrofe deste Jataka :

É vero, como dizem, que és de sabedoria profunda ? Então grande prosperidade, habilidade e inteligência não te servem de nada, assim levado à insignificância, enquanto comes sopa como esta ?

Então o Grande Ser disse, “Tolo cego ! Pelo poder de minha sabedoria quando quiser restaurar aquela prosperidade, eu o farei “ ; e recitou um par de estrofes.

Faço a fortuna amadurecer do infortúnio, discrimino o tempo na estação e não, ocultando-me quando com vontade ; eu destranco as portas do lucro ; portanto estou contente com bolinhos de arroz. Quando percebeu o momento do esforço, amadurecendo os ganhos pelos propósitos, produzirei valentemente qual leão e por este poder potente me verás novamente.

Então o cortesão disse: “Sábio senhor, a deidade que vive no parassol fez uma pergunta ao rei e o rei perguntou aos quatro sábios – e nenhum deles conseguiu solucionar ! Por isto o rei me enviou até você.” “Neste caso,” disse o Grande Ser,”não vês o poder da sabedoria ? Em tais épocas prosperidade não é de utilidade alguma mas só alguém que seja sábio.” Assim ele louvou sabedoria. Então o cortesão entregou ao Grande Ser mil peças de dinheiro e um conjunto de roupas fornecidos pelo rei, para que ele se banhasse e se vestisse logo. O oleiro ficou aterrorizado de pensar que Mah' Osadha o sábio era seu empregado mas o Grande ser o consolou, dizendo, “Nada tema, meu mestre, você foi de grande ajuda para mim.” Entregou então a ele mil peças ; e com as manchas de lama ainda subiu na carruagem e foi para a cidade. O cortesão contou ao rei da chegada dele. “Onde encontraste o sábio meu filho ?” “Meu senhor, ele estava ganhando sustento como oleiro na Vila Sul ; mas assim que soube que você o mandou chamar, sem se banhar, ainda com lama de argila no corpo, ele veio.” O rei pensou, “Se ele fosse meu inimigo teria vindo com séquito e pompa ; ele não é meu inimigo.” Então ele deu ordens para levá-lo e dar banho e orná-lo e pedir para ele voltar com a pompa fornecida. Isto foi feito. Ele voltou entrou saudou o rei e permaneceu em um lado. O rei falou gentilmente com ele e para testá-lo disse a estrofe :

Alguns não pecam porque são ricos mas outros não pecam por medo da mancha da culpa. És hábil se tua mente desejar muita riqueza. Por quê não me atacas ?

O Bodhisatva disse :

Sábios não pecam pelo prazer que as riquezas dão.
Homens bons mesmo atingidos pelo infortúnio rebaixados, nem por amizade nem por inimizade renunciam o direito.

Novamente o rei recitou uma estrofe, o misterioso dito de Khattiya ( Dhammapada ) :

Aquele que por qualquer causa, pequena ou grande, levanta-se de um lugar rebaixado, daí em diante andará em retidão.

E o Grande Ser recitou esta estrofe com a ilustração de uma árvore :

De uma árvore que debaixo da sombra as pessoas podem sentar e descansar,
Seria traiçoeiro cortar os galhos. Detesto falsos amigos.

Então continuou : “Senhor, se é traiçoeiro cortar o ramo de uma árvore que alguém usa, que dizer de matar uma pessoa ? Sua majestade deu a meu pai grande riqueza e me fez muitos favores : não seria traiçoeiro em te atacar ? “ Assim falando demonstrando toda sua lealdade, reprovou o rei por sua falta :

Quando uma pessoa apresenta o direito a outro, ou esclarece suas dúvidas, o outro torna-se seu protetor e refúgio ; e um sábio não destruiria esta amizade.

Agora aconselhando o rei ele disse estas duas estrofes ( // jatakas 332 e 351 ).

Detesto o leigo sensual ocioso,
O falso asceta farsante declarado
Um mal rei decidirá um caso sem escutar;
Ira no sábio nunca se justificará.

O príncipe guerreiro dá um veredicto bem pesado,
Vive a fama para sempre de um justo juiz.

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terça-feira, 21 de agosto de 2012

451 Buddha Ganso Vermelho




451
Tu és colorido...etc”. - Esta história o Mestre contou enquanto residia em Jetavana, sobre um Irmão ganancioso. Este homem, é dito, insatisfeito com seu hábito de mendicante e coisas do gênero, costumava andar perguntando, “Onde há comida para a Ordem ? Onde há convite ?” e quando escutava menção de carne, mostrava-se bastante contente. Então alguns Irmãos bem intencionados, preocupados com ele, contaram ao Mestre sobre. O Mestre chamando-o, perguntou, “É vero, Irmão, o quê escutei que és ganancioso ?” “Sim, meu senhor, é vero,” disse ele. “Irmão,” disse o Mestre, “por quê és ganancioso, após abraçar uma fé como a nossa, que leva à salvação ? O estado de cobiça é ruim ; muito tempo atrás, por causa de ganância, estavas insatisfeito com carcaças de elefantes e outros restos em Benares e fostes para a grande floresta.” Assim falando, ele contou uma história do passado. ( cf. Jataka 434 )
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Certa vez, quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), um Corvo ganancioso não estava contente com carcaças de elefantes em Benares e todas outras carniças. “Agora imagino,” pensou ele, “como seria nas florestas ?” Então ele foi para a floresta ; mas não ficou satisfeito igualmente com os frutos do campo que lá encontrou e dirigiu-se para o Ganges. Enquanto passava ao longo da margem do Ganges, espreitando um par de Gansos Vermelhos, ele pensou, “Aqueles pássaros lá são muito bonitos ; acho que eles encontram abundante carne para comer nas margens do Ganges. Vou perguntar a eles e s'eu puder comer também da comida deles sem dúvida terei belas cores como eles.” Então empoleirando-se não muito distante do par, questionou o Ganso Vermelho recitando duas estrofes :

Tu és colorido, de belas formas, toda pena do corpo em cor rubra,
Ó Ganso ! Juro que és muito bonito, tua face e impressões claras e verdadeiras !

Sem pousar, nas margens do Ganges tu te alimentas de sardinhas, garoupa,
Robalo e carpa e todos os outros peixes que nadam na corrente do Ganges !

O Ganso Vermelho o contradisse recitando a terceira estrofe :

Não me alimento de corpos da maré, nem do que jaz na mata :
Todos os tipos de ervas – me alimento delas ; esta, amigo, é toda minha comida.

Então o Corvo recitou duas estrofes :

Não posso acreditar no que o Ganso afirma ser seu alimento.
Coisas na cidade conservadas em óleo e sal é o quê como,

Uma mistura de arroz, todo limpo e bonito, que um humano fez e derrama
Em sua comida ; mas ainda assim, minha cor, Ganso, não é como a tua.

Com isto o Ganso Vermelho recitou para ele as estrofes restantes mostrando a razão da sua cor feia e declarando o que é correto :

Vendo o pecado, teu coração por dentro, destruindo a humanidade,
Com temor e tremor comes tua comida ; por isto tens esta cor.

Corvo, erras por todo o mundo com os pecados de vidas passadas,
Não tens prazer na comida ; é isto que te dá tua cor.

Mas, amigo, eu como e não machuco, sem ansiedade, tranquilo,
Não tendo problema, nada temendo de qualquer inimigo.

Assim deves fazer, e a força cresce, renuncia teus caminhos ruins,
Andes no mundo sem machucar ; então tudo será amor e prazer.

Quem com todas as criaturas é gentil, sem ferir nem causar ferimento,
Sem saquear, ninguém o saqueia, contra este nenhum ódio é encontrado.

Portanto se queres ser amado pelo mundo, abstem-te de todas as paixões más ;” assim falou o Ganso Vermelho, declarando a retidão. O Corvo respondeu, “Não tagarele sobre seus modos alimentares !” e crocitando “Caw, caw” voou pelos ares para um monte de estrume em Benares.
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Quando o Mestre terminou este discurso, ele declarou as Verdades : ( então, com a conclusão das Verdades, o Irmão ganancioso foi estabelecido na fruição do Terceiro Caminho ) : “Naquele tempo, o Irmão ganancioso era o Corvo, a mãe de Rahula era a companheira do Ganso Vermelho e eu mesmo era o Ganso Vermelho”.

 

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

450 Buddha Sakra, Sariputra Canda ...etc.


                   O céu dos Trinta e três, Sakra / Indra no centro com a coroa. Pintura de Ajanta,

450
Quando não há comida... etc.” - Esta história o Mestre contou, enquanto residia em Jetavana, sobre um Imão que era devoto de ofertas.
Este homem, nos é dito, tendo escutado a pregação da Lei, a partir do momento que abraçou a Doutrina tornou-se ávido em dar, devoto de ofertas. Nunca comeu uma tigela cheia sem a dividir com alguém ; nem mesmo água não bebia sem a ofertar a outro : tão absorvido que estava em dons, presentes.
Então começaram a falar das sua boas qualidades no Salão da Verdade. Entra o Mestre e pergunta o quê conversavam lá sentados. Eles disseram. Mandando chamar o Irmão, perguntou a ele, “É vero, o quê escuto, Irmão, que és devoto de ofertas, ávido em dar ?” Ele respondeu, “ Sim, Senhor.” Disse o Mestre, “Muito tempo atrás, Irmãos, este homem era sem fé e descrente ; nem mesmo uma gota de óleo numa extremidade de folha de grama dava para alguém ; então eu o humilhei e o converti e o tornei humilde e o ensinei a fruição em ofertar ; e este coração com prazer em presentear dele não o deixa nem em outra vida.” Assim falando, ele contou uma história do passado.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), o Bodhisatva nasceu numa família rica ; e chegando na idade ele adquiriu uma propriedade e com a morte do pai recebeu o ponto comercial dele como mercador.
Um dia, enquanto contabilizava sua riqueza, ele pensou, “Minha riqueza está aqui, isto é certo, mas onde estão aqueles que a juntaram ? Devo dispersar minha riqueza, e fazer ofertas.” Então ele construiu uma casa de caridade e enquanto viveu deu muitos presentes ; e quando seus dias estavam se aproximando do fim, encarregando seu filho de não descontinuar a prática de fazer ofertas, nasceu novamente como Sakra no céu dos Trinta e Três. E o filho deu esmolas como o pai havia dado e encarregando seu filho do mesmo modo nasceu como Canda, a Lua, entre os deuses. E o filho deste tornou-se Suriya, o Sol, que deu origem a outro que se tornou Matali o Auriga e seu filho novamente nasceu como Pañcasikha, um dos Gandharvas, ou músicos celestiais. Mas o sexto da linha sucessória era sem fé, de coração duro, sem amor, avaro ; destruiu a casa de ofertas, a queimou, bateu nos mendicantes e os mandou cuidarem da vida ; não dava nem mesmo uma gota de óleo na extremidade de uma folha de grama.
Então Sakra, rei dos deuses, olhou para trás, para seus atos passados, cogitando, “Minha tradição de fazer ofertas continua ou não ?” Ponderando ele percebeu : “ Meu filho continuou ofertando e ele se tornou Canda ; e o filho dele é Suriya e o filho deste é Matali e o filho deste nasceu Pañcasikha ; mas o sexto na linhagem quebrou a tradição.” Então este pensamento ocorreu a ele ; ele iria humilhar este homem de pecado, e ensiná-lo a fruição em ofertar. Ele então chamou Canda, Suriya, Matali, Pañcasikha e disse, “Senhores, o sexto em nossa linhagem quebrou a tradição familiar ; queimou a casa de caridade e expulsou os mendicantes ; não dá nada para ninguém. Então vamos humilhá-lo !” Então dirigiu-se para Benares com eles.
Naquele momento o mercador tinha vindo de um encontro com o rei e tendo retornado, andava para lá e para cá acima da torre do sétimo portão, olhando para a estrada. Sakra disse aos outros, “Vocês esperem até eu entrar e então me sigam um após o outro.” Com estas palavras ele seguiu adiante e parando diante do rico mercador, disse a ele, “Ei Senhor ! Dê-me algo para comer !” - “Não há nada para você comer aqui , brahmin ; vá para outro lugar.” - “Ei, grande Senhor ! Quando brahmins pedem comida não se deve recusá-los !” - “Em minha casa, brahmin, não há nem comida feita nem pronta para fazer ; vá embora !” - “Grande Senhor, repetirei para ti um verso de poesia, - escute.” Disse ele, “Não quero nenhuma poesia tua ; passa fora e não fique aí parado.” Mas Sakra, sem escutar estas palavras, recitou duas estrofes :

Quando comida não está dentro do pote, o bom conseguirá e não negará :
E tu estás cozinhando ! Não seria bom que tu agora não a desse.

Aquele que é omisso e avaro, sempre se nega a ofertar ;
Mas aquele que ama a virtude, deve doar, aquele cuja mente é sábia.

Quando o homem escutou isto, ele respondeu, “Bem, entre e sente ; e terás um pouco.” Sakra entrou, falando estes versos e sentou.
Em seguida veio Canda e pediu alimento. “Não há comida alguma para você,” disse o homem, “Vá embora !” Ele respondeu, “Grande Senhor, há um brahmin sentado aí dentro ; deve haver boca livre para um brahmin, suponho, portanto vou entrar também.” “Não há boca livre alguma para brahmin nenhum !” disse o homem ; “Sai fora !” Então Canda disse,”Grande Senhor, por favor escute um verso ou dois,” e repetiu duas estrofes : ( Glosa : onde quer que um aterrorizado avaro nada dê, aquela coisa mesma que ele teme acontece já que ele não dá :) -

Quando medo da fome e da sede tornam almas avaras aterrorizadas,
Neste mundo e no próximo estes tolos deverão tudo restituir.

Portanto dê esmolas, fuja da cobiça, a sujeira da ganância purgue para fora,
Os gestos de virtude das pessoas serão suporte certo no próximo mundo.

Tendo escutado a estas palavras também, o homem disse, “'Tá bem, entre e e terás um pouco.” Ele entrou e sentou com Sakra. Após esperar um pouco, Suriya veio e pediu comida repetindo duas estrofes :

É difícil fazer como os homens bons fazem, ofertar como eles ofertam,
Pessoas ruins dificilmente podem imitar a vida que homens bons vivem.
Então quando bem e mal vão deixar a terra,
O mal nasce no ínfero abaixo, no céu o bom tem nascimento.

O homem rico, não vendo como sair dali, disse a ele, “Bem, venha e sente com este brahmin e você terá um naco.” E Mātali, após esperar um pouco, chegou e pediu comida ; e quando foi dito a ele que não havia comida, assim que as palavras eram pronunciadas, repetiu a sétima estrofe :

Alguns dão tendo pouco, outros não ofertam nada apesar de terem dispensas cheias :
Os que dão tendo pouco, se dessem mil, não seria mais.

A ele também o homem disse, “'Tá bem, entre e sente.” Então após esperar um pouco, Pañcasikha chegou e pediu alimento. “Não há nenhum, vá embora,” foi a resposta. Ele disse, “Já visitei tantos lugares ! Deve haver boca livre para brahmins aqui, suponho !” E ele passou a dissertar, repetindo a oitava estrofe :

Mesmo aquele que vive de migalhas deve ser correto,
Ofertando a partir de um estoque pequeno, apesar de ter filhos ;
Os cem mil que o rico doa,
Não vale um pequeno presente de tal como aquele.

O homem rico ponderou, escutando a fala de Pañcasikha. Então ele repetiu a nona estrofe, questionando a explicação do pequeno valor de tais presentes :
Por quê um sacrifício rico e generoso
Não é em preço igual a um presente correto
Como que mil, que o rico oferece,
Não vale o dom de um homem pobre ainda que pouco em tamanho ?

Em resposta Pañcasikha recitou a estrofe conclusiva :

Alguns que em caminhos ruins vivem
Oprimem e matam e então dão conforto :
Seus cruéis presentes ranzinzas são menos
Que qualquer um dado com retidão.
Assim nem mil do abastado pode
Igualar a pouca oferta de tal homem.

[ n. do tr. : cabe lembrar aqui a oferta da viúva no templo de Jerusalém à qual IHS disse ser a maior de todas apesar de apenas duas moedinhas de cobre : era tudo que a mulher possuía. Em plena semana santa. ]

Tendo escutado o conselho de Pañcasikha, ele respondeu, “'Tá bem, entre e sente ; ganharás um tico.” E ele também entrou, e sentou com os outros.
Então o rico mercador Bilarikosiya, acenando para uma empregada disse a ela, “Dê àqueles Brahmins lá uma medida de arroz com casca para cada um.” Ela trouxe o arroz e o apresentando a eles mandando que o cozinhasse em algum lugar e comessem. “Nunca tocamos em arroz com casca,” eles disseram. - “Mestre, eles disseram que nunca tocam em arroz com casca !” - “Bem, então dê a eles arroz descascado.” Ela levou então arroz descascado e pediu a eles que o pegassem. Eles disseram, “Nada aceitamos que não esteja cozido.” - “Senhor, eles não aceitam nada que não esteja cozido !” - “Então cozinhe para eles a mistura do gado numa panela e dê a eles isto.” Ela cozinhou em um a panela uma mistura de ração de vaca e levou para eles. Todos os cinco pegaram um pouco e colocaram na boca mas grudou na garganta ; girando os olhos ficaram inconscientes e deitaram como mortos. A empregada vendo isto pensou que eles faleceram e bastante temerosa contou ao mercador, dizendo, ”Patrão, os brahmins não podem engolir comida de vaca e morreram !” Ele pensou, “Agora vão dizer 'Este lúbrico deu mistura de vaca para os brahmins delicados, que não conseguiram engolir e morreram !' Então disse para a empregada, “Vá rápido, jogue fora a comida das tigelas deles e cozinhe uma mistura com todo tipo de arroz mais fino.” Ela fez isto. O mercador reuniu pessoas que passavam na estrada dentro de casa e quando já tinha um número deles disse, “Dei a estes brahmins comida da minha mesa mesma e eles foram gananciosos e pegaram grandes bocados e enquanto engoliam a comida grudou na garganta e eles morreram. Chamo vocês de testemunhas de que estou sem culpa.” Diante da multidão assim aglomerada os brahmins ressuscitaram e disseram encarando a multidão, “Olhem o engano deste mercador ! Ele nos deu de sua própria comida, disse ele ! Uma mistura de ração de gado foi tudo que ele nos deu e depois quando jazíamos como mortos, ele mandou preparar esta comida aí.” E eles cuspiram a comida que travou na garganta e a mostraram. Multidão censurou o mercador, gritando, “Tolo cego ! Você quebrou o costume da tua família ; queimaste a casa de caridade ; os mendicantes você pegou pelo pescoço e atirou fora ; e agora quando estavas dando comida a estes brahmins delicados, tudo que ofereceste foi uma mistura de ração de vaca ! Quando fores para o outro mundo, supomos que carregarás a riqueza de tua casa amarrada no teu pescoço !”
Neste momento, Sakra perguntou à multidão, “Sabes de quem é esta riqueza desta casa ?” “Não sabemos,” responderam. Ele disse, “Vocês ouviram falar de um grande mercador de Benares, que viveu nesta cidade uma vez e construiu a casa de caridade e em ofertas ofereceu muito ? “ “Sim,” eles disseram, “escutamos falar dele.” “Sou aquele mercador,” disse ele, “e através daqueles dons tornei-me agora Sakra, rei dos deuses ; e meu filho, que não quebrou minha traição, tornou-se um deus, Canda ; e seu filho é Suriya e o filho deste é Matali, e o deste Pañcasikha ; destes, aquele lá é canda e aquele outro e Suriya e este é Matali o auriga e este é Pañcasikha, agora um músico celeste, antes pai daquele sujeito lascivo ! Tão poderoso é o dom de ofertas ; portanto sábios devem agir com virtude.” Assim falando, com vistas a expelir as dúvidas do Povo lá reunido, eles elevaram-se nos ares e permaneceram planando, e com a força poderosa que os circundava com uma grande hoste, seus corpos todos acenderam de modo que toda a cidade parecia em chamas. Então Sakra se dirigiu à multidão : “Deixamos nossa glória celeste vindo aqui e viemos por conta deste pecador Biļārikosiya, este último de sua raça, o devorador de toda sua ascendência. Por piedade dele que viemos, porque sabíamos que este pecador quebrara a tradição de sua família e queimara a casa de caridade e atirou fora os mendicantes pela garganta e violou nosso costume cessando de fazer ofertas iria renascer no ínfero.” Assim ele discursou para a multidão, falando do potencial dos dons. Biļārikosyia juntou as mãos em súplica e fez um voto ; “Meu senhor, de agora em diante não quebrarei o costume familiar mas distribuirei presentes, dons, ofertas, esmolas ; e começando de ho-je mesmo, nunca me alimentarei sem partilhar com outro meu suprimento, até àgua que bebo e me limpo.”
Sakra tendo assim o humilhado e tornado abnegado e estabelecido nas Cinco Virtudes foi para seu próprio lugar, levando os cinco deuses consigo. E o mercador fez ofertas enquanto viveu e nasceu no céu dos Trinta e Três.
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O Mestre, tendo terminado seu discurso disse, “Assim, Irmãos, este Irmão em tempos anteriores eram descrente e nunca deu nem um pouco nem partícula para ninguém mas eu o humilhei e o ensinei o fruto de ofertar ; e esta ideia não mais o deixou mesmo quando entrou na outra vida.” Então ele identificou o Jataka : “Naquele tempo o Imão generoso era o homem rico, Sariputra era Canda, Mooggaallana era Suriya, Kaçyapa era Matali, Ananda era Pañcasikha e eu mesmo era Sakra.”




         

sexta-feira, 13 de julho de 2012

449 Buddha Filho dos Deuses



449
Por quê na floresta ...etc.” - Esta história o Mestre contou enquanto hospedava-se em Jetavana sobre um fazendeiro cujo filho morreu. Em Savatthi, escutamos que a morte levou um filho amado de um certo fazendeiro que costumava permanecer junto ao Buddha. Aflito com o sofrimento por seu filho, o homem não se lavava nem comia, não continuou com seus negócios nem permanecia mais junto ao Buddha, só chorava, “Oh, meu filho amado, tu me deixaste e foste antes !”

Quando de manhã o Mestre contemplava o mundo, ele percebeu que este homem estava maduro para atingir o Fruto do Primeiro Caminho. Então, dia seguinte, dirigindo seus seguidores através da cidade de Savatthi em coleta de oferta, depois que sua refeição estava feita, ele mandou os Irmãos seguirem e junto com Ancião Ananda caminhou até o lugar onde este homem vivia. Disseram ao fazendeiro que o Mestre chegara. As pessoas da casa dele prepararam um assento e pediram ao Mestre que sentasse e levaram o fazendeiro até a presença do Mestre. A ele após saudação, e sentado em um dos lados, o Mestre se dirigiu com voz macia cheia de compaixão : “Você se lamenta, Irmão leigo, com a morte do filho único ?” Ele respondeu, “Sim, Senhor.” Disse o Mestre, “Muito, muito tempo atrás, Irmão leigo, sábios que se afligiam com a morte de um filho, escutaram as palavras de outro sábio e claramente discernindo que nada poderia trazer de volta o quê foi perdido, não choraram, nem mesmo um pouco.”
Assim falando, com seu pedido o Mestre contou uma história do passado.
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Certa vez, quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), o filho de um brahmin muito rico, na idade de quinze ou dezesseis anos, foi atacado por uma doença e morrendo veio a ser, nasceu, novamente no mundo dos deuses. Desde o momento da morte do filho o brahmin ia ao cemitério e lamentava-se andando ao redor do monte de cinzas ; e deixando de fazer todas suas tarefas, ele andava ao redor tomado de dor. Um filho dos deuses, enquanto passava, viu o pai, e arquitetou um plano para consolá-lo em seu sofrimento. Ele foi ao cemitério no momento do lamento dele, tomando para si o semblante do filho mesmo do homem e adornado com todo tipo de ornato, permaneceu em um lado, segurando a cabeça com ambas as mãos e chorando em alta voz. O brahmin escutou o barulho e olhou e cheio do amor que carregava pelo filho, parou diante dele dizendo, “Meu filho, garoto querido, por quê estais chorando no meio deste cemitério ?” Questão que ele colocou nas palavras da estrofe seguinte :

Por quê estais aqui na floresta,
Engrinaldado com brincos em cada ouvido,
Fragrância de sândalo saindo de tuas mãos ?
Que dor te faz deixar lágrima cair ?

Então o jovem contou sua história repetindo a segunda estrofe :

Feita de ouro puro e brilhante bastante
Minha carruagem está, onde costumo parar :
Pois um par de rodas não consigo encontrar ;
Por isto sofro tão dolorosamente que devo morrer !

O brahmin escutou e repetiu a terceira estrofe :

Dourada, ou feita com jóias, de qualquer tipo,
De bronze ou de prata, aquilo que tens em mente,
Fale e com tua palavra uma carruagem será feita,
E com isto um par de rodas encontraremos !

Bem, o Mestre ele mesmo, em sua perfeita sabedoria, tendo escutado a estrofe repetida pelo jovem, repetiu a primeira linha de outra -

O jovem brahmin respondeu, quando o outro acabou ;

enquanto o Jovem falava o restante :

Irmãos distantes lá estão sol e a lua !
Com tal par de rodas como aqueles dois lá
Meu carro dourado novo brilho ganhou !

E imediatamente depois :

Tu és um tolo por isto que fazes,
Pedes o quê não deve ser desejado por ninguém ;
Parece-me, jovem senhor, que tua carência deve acabar logo,
Pois nunca conseguirás sol ou lua !

Então -

Diante de nossos olhos eles se põe e se levantam, sem falhar na cor e no curso :
Ninguém vê fantasma : então quem é o mais tolo neste choro ?

Assim disse o garoto ; e o brahmin compreendendo repetiu uma estrofe :

De nós dois chorões, Ó jovem sapientíssimo,
Sou o maior tolo – dizes a verdade,
Em ansiar por um espírito dos mortos,
Como uma criança chorando pela lua, é vero !

Então o brahmin, consolado pelas palavras do jovem, o agradeceu recitando as estrofes restantes :

Ardendo eu estava,como quando uma pessoa derrama óleo no fogo :
Tu realmente trouxeste água e temperaste a dor do meu desejo.

Chorando por meu filho – uma seta cruel estava alojada dentro do meu coração ;
Tu me consolaste na dor e retiraste o dardo.

O dardo extraído, livre do sofrimento, fiquei calmo e tranquilo ;
Escutando, Ó jovem, tuas palavras verdadeiras não choro mais, nem me lamento.

Disse o jovem então, “Sou aquele filho, brahmin, por quem choras ; nasci no mundo dos deuses. De agora em diante não chores mais por mim mas faça ofertas e observe virtude e mantenha o dia santo de jejum.” Com este conselho ele partiu para seu próprio lugar. E o brahmin viveu com o conselho dele ; e depois de muita oferta e outras obras boas ele morreu e nasceu no mundo dos deuses.

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O Mestre, tendo terminado este discurso,declarou as verdades e identificou o Jataka : ( bem na conclusão das Verdades, o fazendeiro foi estabelecido no fruto do Primeiro Caminho :) “Naquele tempo, eu mesmo era o filho dos deuses que pronunciou o conselho.” 

 Confrontar Jatakas 352, 372 e 410 em que aparecem versos canônicos semelhantes.

   

terça-feira, 3 de julho de 2012

448 Buddha Pássaro








448
Não acredite naqueles...etc.” - Esta história o Mestre contou no Bosque de Bambu, sobre o tentar assassinar. No Salão da Verdade, os Irmãos estavam discutindo a natureza má de Devadatra. “Pois, Senhor, subornando arqueiros e outros para a tarefa, Devadatra tenta assassinar o Dasabala !” O Mestre, entrando, perguntou, “O quê é isto, Irmãos, que vocês estão falando ahi sentados juntos ?” Eles disseram. Ele falou, “Esta não é a primeira vez que ele tenta me assassinar mas aconteceu o mesmo antes” ; e ele contou a eles uma história do passado.
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Certa vez quando reinava em Kosambi ( uma cidade à margem do Ganges ) um rei chamado Kosambaka. Naquele tempo o Bodhisatva tornou-se rebento de uma ave selvagem que habitava num bosque de bambus e além disso era chefe de um bando de centenas de pássaros na floresta. Não longe vivia um Falcão, que quando achava oportuno pegava as aves uma a uma e as comia e no curso do tempo devorou todas e só sobrou o Bodhisatva. Mas ele usava de toda a cautela na busca de comida e morava numa moita de bambu. Nela o Falcão não podia pegá-lo e então passou a pensar com que truque o enganaria para o capturar.
Então ele pousou num ramo próximo e gritou, “Valorosa Ave, o que te faz me temer ? Estou ansioso em fazer amizade contigo. Olha, em tal lugar há comida em abundância ; vamos comer juntos lá, como amigos e companheiros.” - “Não bom Senhor,” respondeu o Bodhisatva, “entre você e eu nunca haverá amizade ; portanto cae fora !” - “Bom Senhor, por meus pecados anteriores você não pode confiar em mim agora ; mas prometo que nunca mais fazer igual !” - “Não, não quero tal amigo ; cae fora eu disse !” Novamente pela terceira vez o Bodhisatva recusou : “Com uma criatura com tais qualidades,” cotejou ele, “amizade nunca deve haver” ; e fez a ampla floresta ressoar, as deidades aplaudindo enquanto ele pronunciava o discurso :

Não confie naqueles cujas palavras são mentiras, nem naqueles que só conhecem
Interesse próprio, nem nos que pecam, nem nos que muito piedosos se mostram.

Algumas pessoas tem natureza como do gado, sedento e cheio de fome :
Têm palavras verdadeiras para lisonjear um amigo mas nunca as realizam.

Estes estendem mãos secas e vazias ; a voz esconde seus corações ;
Daqueles que não conhecem gratidão ( vãs criaturas !) fique longe.

Não coloque tua confiança em homem ou mulher de mente volúvel,
Nem naqueles que tendo feito um pacto estão inclinados a quebrá-lo.

A pessoa que anda em maus caminhos, ameaçando de morte todas as coisas,
Inconstante, não confie nele, como espada afiada na bainha.

Alguns falam palavras macias que não vem do coração e tentam agradar
Fingindo com muitos mostrar amizade : não confie nestes.

Quando pessoas com tal mente má vê comida ou ganho,
Obra todo mal e ela irá mas primeiro será teu dano.

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Estas sete estrofes foram repetidas pelo Rei das Aves. Então foram as quatro estrofes seguintes recitadas pelo rei da Fé, palavras inspiradas pelo insight de Buddha :

Em ampla mostra de amizade muitos seguem um inimigo, ajudando-o ;
Como a Ave deixou o Falcão, é melhor deixar as pessoas ruins.

Quem não é rápido em reconhecer o significado dos eventos,
Cae sob o controle de seus inimigos e depois se arrepende.

Quem o significado dos eventos é rápido em reconhecer,
Como a faina do Falcão a Ave, assim do seu inimigo foge.

De tal armadilha inevitável e traiçoeira,
Mortal, colocada fundo no meio de muitas árvores da floresta,
A pessoa com olhos que veem, longe andará.

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E ele novamente após recitar estas estrofes, chamou o Falcão e o reprovou dizendo, “Se continuares a viver neste lugar, saberei o que fazer contigo.” O Falcão voou para longe dali e foi para outro lugar.

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O Mestre, tendo terminado este discurso, disse, “Irmãos, muito tempo atrás como agora Devadatra tentou planejar minha destruição,” e então ele identificou o Jataka : “Naquele tempo, Devadatra era o Falcão e eu mesmo a Ave.”

      

terça-feira, 26 de junho de 2012

447 Siddharta e Suddhodana



447
Que costume é este...etc.” - Esta história o Mestre contou, após sua primeira visita ( como Buddha ) a Kapilapura , enquanto hospedava-se no Bosque Banian do seu pai, sobre a recusa do rei seu pai em acreditar.

Naquele tempo, dizem que o grande Rei Suddhodana , tendo dado ao Buddha uma refeição de mingau de arroz em sua própria residência à cabeça de vinte mil Irmãos, durante a refeição falando amigavelmente com ele, dizendo, “Senhor, quando no tempo de teu esforço, empenho, luta ( os seis anos de austeridades praticados pelo Buddha antes dele encontrar a paz de Buddhista ) vieram umas deidades até mim e pousadas nos ares disseram, “Teu filho, príncipe Siddharta, Siddhattha, morreu de fome.” E o Mestre respondeu, “Você acreditou neles grande Rei ?” - Senhor, não acreditei ! Mesmo quando as deidades vieram adejando, pairando, flutuando nos ares e me disseram isto, me recusei a acreditar dizendo que não havia morte para meu filho até que ele tenha obtido o estado de Buddha no pé d'árvore Bo.” Disse o Mestre, “Grande Rei, muito tempo atrás no tempo do grande Dhammapala mesmo quando um professor afamado disse – 'Teu filho é morto, estes são os ossos dele,' você recusou a  acreditar, respondendo, 'Em nossa família, nunca se morre cedo' ; então porque acreditarias agora ?” e com o pedido de seu pai, o Mestre contou um conto de muito tempo atrás.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), havia no reino de Kasi uma cidade chamada Dhammapala e ele tomou este nome devido a família de um Dhammapala que vivia lá. Guardando os Dez Caminhos da Virtude este brahmin era conhecido onde ele morava como Dharmapala ou o Guardador da Lei. Em sua residência até os empregados faziam ofertas, observavam a virtude e guardavam o dia santo.

Naquele tempo o Bodhisatva veio à vida naquela casa e deram a ele o nome de Príncipe Dhammapala ou o Guardador da Lei Júnior. Assim que ele atingiu idade seu pai deu a ele mil dinheiros e o enviou para estudar em Takkasilā ( Taxila ). Para lá ele foi e estudou com um professor afamado e tornou-se pupilo chefe em uma companhia de quinhentos jovens.
Justo então morre o filho mais velho do professor ; e o professor, cercado de seus pupilos no meio de sua parentela e amigos, chorando fez as exéquias do garoto no cemitério.

 Então o professor com sua companhia de parentela todos os seus pupilos foram chorando e se lamentando mas Dhammapala nem chorou nem se lamentou. Quando após tudo os quinhentos jovens retornaram do cemitério,eles sentaram na presença de seu professor e disseram, “Ah, um garoto tão bom, tão belo, criança ainda, ser cortado em idade tenra e separado de pai e mãe !” Dhammapala respondeu, “Tenro realmente, como dizes ! Bem, por quê ele morreu em idade pouca ? Não é certo que crianças de idade pouca morram.” Então disseram a ele, “Por quê senhor, não sabes que tais pessoas são mortais ?” - “Sei disto ; mas em tenros anos não morrem ; as pessoas morrem quando estão velhas.” - “Então não são todos os seres compostos transitórios e irreais ?” “Transitórios eles são é verdade ; mas nos dias da juventude as criaturas não morrem ; só quando ficam maduras e velhas é que morrem.” -”Oh, isto é costume entre tua família ?” -”Sim, este é costume em minha família.” Os garotos contaram esta conversa ao professor. Ele mandou chamar Dharmapala e perguntou a ele, “É verdade, Dharmapala, meu filho, que em tua família não morrem cedo ?” “Sim, professor,” disse ele, “é vero.”

Escutando isto, o professor pensou, “Que coisa maravilhosa que ele diz ! Farei uma viagem até o pai dele e o perguntarei sobre isto ; e ser for verdade, viverei de acordo com esta regra.”

Então quando acabou tudo que devia fazer para seu filho, após um lapso de sete ou oito dias chamou Dhammapala e disse, “Meu filho, estou saindo de casa ; enquanto eu estiver fora, você instrui estes meus pupilos.” Assim falando, ele arranjou ossos de cabra selvagem, lavou-os e ungiu-os e os colocou num saco ; então levando consigo um pequeno pagem, deixou Takkasilā ( Taxila ) e no devido tempo chegou naquela cidade. Lá perguntou como chegar a casa do Grande Dhammapala e parou na porta.

O primeiro empregado do brahmin que o viu, quem quer que fosse, tomou o parassol de sua mão e os sapatos e pegou o saco do empregado. Ele pediu que falassem ao pai do garoto que ali estava o professor de seu filho Dharmapala Júnior, em pé na porta. “Bom,” disseram os empregados e chamaram o pai para ele. Rapidamente ele veio à entrada e “Entre !” disse ele, mostrando o caminho para dentro da casa. Sentando o visitante num sofá, ele fez os deveres de hóspede lavando os pés dele e daí por diante.

Quando o professor já tinha se alimentado e eles sentaram para uma conversa amigável juntos, ele disse, “Brahmin, teu filho Dhammapala júnior, estando cheio de sabedoria e sendo um mestre perfeito dos Três Vedas e das Dezoito Consecuções por uma infeliz sorte perdeu sua vida. Todas as coisas compostas são transitórias ; não chore por ele !” O brahmin bateu palmas e riu sonoramente. “Por quê você ri, brahmin ?” perguntou o outro. “Porquê,” disse ele, “não é meu filho que está morto ; deve ser algum outro.” “Não brahmin,” foi a resposta, “teu filho está morto e nenhum outro. Olhe seus ossos e acredite.” Assim falando ele desembrulhou os ossos. “Estes são os ossos de teu filho,” disse ele. “ossos de uma cabra selvagem, talvez,” cotejou o outro, “ou de um cachorro ; mas meu filho não está morto. Em nossa família por sete gerações não há tal coisa como morte com pouca idade ; e você está falando mentira.” Então todos bateram palmas e riram sonoramente.

O professor quando observou esta coisa maravilhosa, ficou muito contente e disse, “Brahmin, este costume em sua descendência familiar não pode ser sem causa, que o jovem não morra. Por quê então que vocês não morrem cedo ?” E ele perguntou falando a primeira estrofe :

Que costume é este, ou que caminho santo,
De que gesto bom é este o fruto, prego ?
Diga-me, Ó Brahmin, qual a razão,
Por quê na descendência de vocês o jovem nunca morre – diga !

Então o brahmin, para explicar que virtudes têm o resultado que ninguém em sua família morre jovem, repetiu as seguintes estrofes :

Andamos em probidade, não falamos mentiras
De todos os pecados tolos e ruins mantemos distância,
Evitamos todas as coisas que são más,
Com isto nenhum jovem entre nós morre.

Escutamos os atos do tolo e do sábio ;
O quê o tolo faz não consideramos ,
O sábio nós seguimos e os tolos evitamos ;
Com isto nenhum jovem entre nós morre.

Em ofertas descansa antecipadamente nosso contentamento ;
Mesmo enquanto ofertando estamos bastante contentes ;
Não ter ofertado, então nos arrependemos :
Com isto nenhum jovem entre nós morre.

Sacerdortes, brahmins, caminhantes, satisfazemos,
Mendicantes e suplicantes e todos que precisam,
Damos de beber e alimentamos o povo faminto :
Com isto nenhum jovem entre nós morre.

Casados, por esposas dos outros não suspiramos,
Mas somos fiéis ao voto de casamento ;
E fiéis são nossas esposas, creio :
Com isto nenhum jovem entre nós morre.

As crianças que destas esposas verdadeiras brotam
São abundantemente sábias, alimentadas de estudo,
Versadas nos Vedas e perfeitas em tudo ;
Com isto nenhum jovem entre nós morre.

Cada um tenta fazer o certo por amor ao céu :
Assim vive o pai, e assim vive a mãe,
Assim o filho e a filha, irmã e irmão :
Com isto nenhum jovem entre nós morre cedo.

Por amor ao céu nossos empregados também se consagram
Suas vidas para o bem, homens e donzelas todos,
Criados, servidores, o menor servo :
Com isto nenhum jovem entre nós morre cedo.

E finalmente, com estas duas estrofes ele declarou a bondade daqueles que andam em retidão :

Retidão salva aquele que a ela esta curvado;
Retidão bem praticada traz felicidade ;
Aqueles que praticam retamente esta dádiva são abençoados -
O probo não entra em punição.

A justiça salva o correto, como um retiro
Salva no tempo da chuva : o garoto ainda vive.
Bondade a Dhammapala dá segurança ;
Ossos de algum outro são estes que você transportou.

Escutando isto, o professor respondeu : “Uma viagem feliz esta minha viagem, frutífera, não sem resultados !” Então cheio de felicidade, ele pediu perdão a Dhammapala pai e adicionou, “Vim aqui e trouxe estes ossos de cabra selvagem com o propósito de testá-lo. Teu filho está bem e a salvo. Prego, me conceda tua regra para preservar a vida.” O outro então escreveu-a em uma folha ; e após permanecer naquele lugar por alguns dias, ele retornou para Takkasila ( Taxila ) e tendo instruído Dhammapala em todos os ramos das ciências e do conhecimento, o despachou com uma grande tropa de seguidores.
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Quando o Mestre tinha assim discursado para o Grande Rei Suddhodana, ele declarou as Verdades e identificou o Jataka : ( na conclusão das verdades o rei tornou-se estabelecido na fruição do Terceiro Caminho :) - “Naquele tempo, mãe e pai eram os parentes do Maharaja, o professor era Sariputra, o séquito era o séquito de Buddha e eu mesmo era o jovem Dhammapala.”