quinta-feira, 11 de agosto de 2011

432 Buddha e a Yaksha



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                  O encontro da imagem de Ajanta, Índia, com seu texto nos Jatakas  


432
“Ó Patala, pelo Ganges...etc.” - Esta história o Mestre contou quando morava em Jetavana relativa a um certo menino. Ele era, dizem, filho de um dono de casa em Savatthi, com apenas sete anos de idade, e hábil em reconhecer pegadas. Bem, seu pai querendo testá-lo foi sem ele saber para a casa de um amigo. O garoto, sem perguntar onde seu pai havia ido, rastreando suas pegadas, veio e ficou diante dele. Então o pai perguntou um dia, “ Quando eu sai sem te dizer, como você soube onde eu havia ido ?” “Meu querido pai, reconheci tuas pegadas. Sou hábil nisto.” Então o pai, para prová-lo, saiu de casa após o café da manhã e indo para a casado vizinho, dela passou para outra e desta terceira casa novamente retornou para a sua e depois foi para o portão Norte e saindo por ele circundou a cidade da direita para a esquerda. E indo para Jetavana ele saudou o Mestre e sentou para escutar a Lei. O menino perguntou onde seu pai estava e quando disseram, “Não sabemos”, rastreando as pegadas do seu pai, começando pela casa do vizinho fez o mesmo caminho que seu pai fizera para Jetavana e após saudar o Mestre, permaneceu na presença de seu pai e quando questionado por ele como soube que ele estava ali, disse, “Rastreei tuas pegadas e segui tua trilha até aqui.” O Mestre perguntou, “Irmão Leigo, o quê dizes ?” Ele respondeu, “Vossa Reverência, este garoto é hábil no conhecimento de rastros. Para testá-lo vim para cá de tal e tal modo. Não me encontrando em casa, seguindo minhas pegadas, ele chegou aqui.” “Não há nenhuma maravilha,” disse o Mestre, “em reconhecer pegadas no chão. Sábios antigos reconheciam pegadas no ar,” e sendo questionado, ele contou uma história do passado.

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Certa vez no reinado de Brahmadatra, rei de Benares ( Varanasi ), sua rainha após cair em pecado foi questionada pelo rei e tomando juramento ela disse, “Se pequei contra ti, me tornarei uma Yaksha fêmea com a face como de égua.” Após sua morte ela se tornou uma Yaksha com face de égua e morava em uma caverna de pedra numa vasta floresta aos pés de uma montanha, e costumava pegar e devorar as pessoas que frequentavam a estrada que levava do Leste para a fronteira Oeste. Após servir Vessavana ( o senhor dos Yakshas ) por três anos, é dito que ela teve licença para comer pessoas em uma certa área com trinta léguas de comprimento e cinco léguas de largura. Bem, um dia um rico, saudável e belo brahmin, acompanhado por um largo séquito, subia aquela estrada. A Yaksha, vendo-o, com um alto riso investiu contra ele e todos os seus ajudantes fugiram. Com a velocidade do vento ela pegou o brahmin e o jogou em suas costas e entrando na gruta, através do contacto com o homem, sob a influência da paixão ela concebeu afeição pelo brahmin e ao invés de devorá-lo fez dele seu marido e eles viveram harmoniosamente juntos. E daí em diante a Yaksha onde quer que capturasse pessoas, também pegava as roupas, arroz, óleo e semelhantes e servindo-o com variadas comidas ela mesma comia a carne da pessoa. E sempre que ela saía, com medo dele escapar, ela fechava a entrada da caverna com uma pedra pesada antes de partir. E enquanto eles estavam assim vivendo amigavelmente juntos, o Bodhisatva passando de sua existência anterior foi concebido no útero da Yaksha pelo brahmin. Após dez meses ela deu a luz a um filho e cheia de amor pelo brahmin e seu filho, ela alimentava-os. Logo, quando o garoto estava crescido, ela colocava-o também dentro da caverna com seu pai e fechava a porta. Bem, um dia o Bodhisatva sabendo que ela havia saído removeu a pedra e deixou seu pai sair. E quando ela perguntou na sua volta quem removera a pedra, ele disse, “Eu removi, mãe : não podemos ficar sentados na escuridão.” E por amor à sua criança ela não disse outra palavra. Bem, um dia o Bodhisatva questionou seu pai dizendo, “Querido pai, tua boca é diferente da da mamãe ; qual a razão ?” “Meu filho, tua mãe é uma Yaksha e vive de carne humana mas você e eu somos pessoas.” “Se é assim, por quê vivemos aqui ? Venha, iremos para os lugares das pessoas.” “Meu caro garoto, se tentarmos escapar tua mãe nos matará.” O Bodhistava tranquilizou seu pai e disse, “Nada temas, querido pai ; que você retorne ao mundo das pessoas será meu encargo.” E dia seginte quando sua mãe havia saído, ele pegou o pai e fugiu. Quando a Yaksha retornou e não os viu, correu com a velocidade do vento e os pegou e disse, “Ó brahmin, por quê foges ? Há algo que queiras aqui ?” “Minha querida,” ele disse, “não fique irada comigo. Teu filho me levou embora com ele.” E sem outra palavra, devido a seu amor pelo filho, ela os confortou e retornando para sua residência, ela os trouxe de volta após um vôo de alguns dias. O Bodhisatva pensou, “Minha mãe deve ter uma esfera limitada de ação. Suponhamos que eu pergunte a ela os limites espaciais sobre os quais a autoridade dela se estende. Depois eu escaparia ultrapassando-os.” Então um dia sentado respeitosamente ao lado de sua mãe ele disse, “Querida mãe, aquilo que pertence a mãe é herdado pelos filhos ; diga-me agora qual os limites de nosso território.” Ela disse a ele todos os limites, montanhas e semelhantes em todas as direções e apontou para seu filho todo o espaço, trinta léguas em extensão e cinco léguas em largura e disse, “Considere este tanto, meu filho.” Após um lapso de dois ou três dias, quando sua mãe tinha ido para a floresta, colocou seu pai nos ombros e correndo com a velocidade do vento, com as indicações dadas por sua mãe, alcançou a margem de um rio que era o limite. A mãe também, quando retornando sente falta deles, persegue-os. O Bodhisatva carregava seu pai no meio do rio e ela veio e ficou na margem e quando ela viu que eles haviam ultrapassado os limites de sua esfera de ação, ela parou onde estava e gritou, “Meu querido filho, venha para cá com teu pai. Em que os ofendi ? Em que aspectos as coisas não estão boas para vocês ? Volte meu senhor. “ Assim ela implorava e suplicava ao filho e ao marido. Então o brahmin atravessou o rio ( de volta ). Ela pediu a seu filho também e disse, “Querido filho, não haja deste modo : volte para cá.” “Mãe, somos pessoas : você é uma Yaksha. Não podemos morar para sempre contigo.” “E você não voltará ?” “Não, mãe.” “Então se você se recusa a voltar – já que é doloroso viver no mundo das pessoas e aqueles que não têm nenhum ofício não vivem – sou hábil no 'lore' ( conhecimento, como em folk-lore ) da pedra filosofal : com o poder dela, podes seguir em um intervalo de doze anos os passos de alguém que partiu. Isto se mostrará um meio de vida para ti. Pegue meu filho este encanto, charm, inestimável.” E apesar de tomada de tristeza, devido ao amor por seu filho, ela deu a ele o encanto. O Bodhisatva, ainda em pé no rio, dobrou suas mãos no modo tartaruga e pegou o encanto e saudando sua mãe gritou, “Adeus, mãe.” A Yaksha disse, “Se você não volta, meu filho, não posso viver,” e então ela bateu no próprio peito e direto triste por seu filho seu coração quebrou, parou e ela caiu morta no chão. O Bodhisatva, quando entendeu que sua mãe estava morta, chamou seu pai e foram e fizeram uma pilha funeral e queimaram o corpo. Após as chamas apagarem ele fez ofertas de várias flores coloridas e com lamentações e choros voltou com seu pai para Benares.

Foi dito ao rei, “Um jovem hábil em rastrear pegadas está na porta.” E quando o rei mandou ele entrar ele entrou e saudou o rei. “Meu amigo,” ele disse, “sabes algum ofício ?” “Meu senhor, seguindo os rastros de alguém que furtou uma propriedade qualquer doze anos atrás, posso pegá-lo.” “Então entre a meu serviço,” disse o rei. “Servirei o Senhor por mil dinheiros ao dia.” “Muito bem, meu amigo, me servirás.” E o rei fez com que se lhe pagasse mil dinheiros por dia. Bem, um dia o capelão da família disse ao rei, “Meu senhor, porque este jovem nada faz com o poder de sua arte , não sabemos se tem alguma habilidade ou não : vamos testá-lo agora.” O rei prontamente consentiu. E os dois fizeram saber aos guardiães dos vários tesouros e tirando as jóias mais valiosas desceram do terraço e depois de tatear o caminho três vezes ao redor do palácio, colocaram uma escada no alto da parede e desceram para fora do muro. Depois entraram no Salão da Justiça e após sentarem lá voltaram e novamente colocando a escada no muro desceram por ele para a cidade ( mercado ). Chegando na borda de um tanque, o rodearam três vezes solenemente e então largaram o tesouro dentro do tanque e subiram de volta para o terraço. Dia seguinte houve um tumulto e as pessoas diziam,“Tesouro do palácio foi roubado.” O rei fingindo ignorância chamou o Bodhisatva e disse, “Amigo, um tesouro muito valioso foi roubado do palácio : devemos rastreá-lo.” “Meu senhor, para alguém hábil de seguir rastros de roubos e recuperar tesouros furtados de doze anos atrás, nada há de maravilhoso em recuperar propriedade furtada após uma única noite e dia. Vou recuperá-lo não se preocupe.” “Então recupere-o amigo.” “Muito bem, meu senhor,” ele disse e em seguida saudando a memória de sua mãe repetiu o encanto e ainda em pé no terraço disse, “Meu senhor, os passos dos dois ladrões são vistos.” E seguindo os passos do rei e do sacerdote ele entrou nos aposentos reais e saindo de lá desceu do terraço e depois de três vezes circundar o palácio aproximou-se do muro. Em pé nele disse, “Meu senhor, começando neste lugar a partir do muro vejo pegadas no ar : tragam-me uma escada.” E tendo colocado uma escada contra o muro , ele desceu por ela, e ainda seguindo os rastros chegou no Salão da Justiça. Então retornando para o palácio colocou a escada contra o muro e desceu por ela para o tanque. Após rodeá-lo andando por três vezes ele disse, “Meu senhor, os ladrões desceram o tanque,” e retirando o tesouro, como se houvera ele mesmo depositado, deu-o ao rei e disse, “Meu senhor, estes dois ladrões são pessoas distintas : através deste caminho eles subiram para o palácio.” O povo estalava os dedos em alto estado de alegria e houve uma grande agitação de panos. O rei pensou, “Este jovem, parece-me, seguindo as pegadas sabe o lugar onde os ladrões colocaram o tesouro mas os ladrões ele não pode pegar.” Então ele disse, “Você logo nos trouxe a propriedade furtada mas será capaz de pegar os ladrões e trazê-los até nós ?” “Meu senhor, os ladrões estão aqui : não estão distantes.” “Quem são eles ?” “Grande rei, quem quiser ser o ladrão pode ser. A partir do momento que recuperaste o tesouro, por quê queres os ladrões ? Não me perguntes sobre isto.” “Amigo, te pago mil dinheiros por dia : traga-me os ladrões.” “Senhor, quando o tesouro está já recuperado para que os ladrões ?” “Para nós, amigo, é melhor pegar os ladrões do que o tesouro.” “Então, senhor, não te direi, 'tal e tal são os ladrões' mas te direi algo que aconteceu muito tempo atrás. Se és sábio, saberás o quê significa.” E com isto ele contou um conto antigo.

Certa vez, senhor, um certo dançarino chamado Patala vivia não longe de Benares, Varanasi numa cidade à margem do rio. Um dia ele entrou em Benares com sua esposa e após ganhar dinheiro cantando e dançando nofinal da festa ele procurou um pouco de arroz e bebida forte. No caminho para sua cidade chegou à amrgem do rio e sentou contemplando o refrescante fluxo da corrente para beber sua bebida forte. Quando estava bêbado e inconsciente de sua fraqueza, disse, “Amarrarei meu grande violão no pescoço e descerei para dentro do rio.” E ele pegando sua esposa pela mão entrou no rio. Àgua entrou no bojo do violão e o peso o fez começar àfundar. Quando sua esposa o viu se afogando, o largou no rio e ficou na margem. O dançarino Patala emergia e submergia e sua barriga inchou d'água engulida. A esposa então pensou , “Meu marido morrerá : pedirei a ele uma música e cantando-a no meio do povo ganharei minha vida.” E dizendo, “Meu senhor, afundas n'água : dê-me apenas uma música e ganharei a vida com ela.” , ela falou a estrofe :

Ó Patala, pelo Ganges levado,
Famoso e hábil em dança de roda e canto de ave,
Patala, viva ! Enquanto és carregado,
Cante-me, prego, de música um pedaço.

Então o dançarino Patala disse, “Minha querida, como te darei um pedaço de música ? Àgua que é a salvação do povo está me matando ,” e falou a estrofe :

Onde se aspergem as almas oprimidas com dor
Morro direto. O refúgio se mostra minha perdição.

O Bodhisatva explicando a estrofe disse : “Senhor, assim como àgua é o refúgio do povo também o são os reis. Se perigo surgem deles, quem evitaria tal perigo ? Este, senhor, é um assunto secreto. Contei uma história inteligível ao sábio: entenda-a, senhor.” “Amigo, não entendo história esotérica como esta. Pegue os ladrões e tragam-los para mim.” Então o Bodhisatva disse, “Escute então senhor, e entenda.” E ele contou então outro conto.
“Meu senhor, anteriormente em uma vila do lado de fora da cidade de Benares, um oleiro usava pegar argila para sua olaria e constantemente a pegando no mesmo lugar, cavou um poço fundo dentro de uma gruta de montanha. Bem, um dia enquanto ele estava pegando argila, uma tempestade fora de época se espalhou e deixou cair chuva pesada e a inundação subiu e derrubou um dos lados do poço e quebrou a cabeça do oleiro. Lamentando-se em voz alta ele falou esta estrofe :

Aquela que faz as sementes crescerem, sustentando as pessoas,
Esmagou minha cabeça. O refúgio se mostra minha perdição.

“Pois assim como a poderosa terra, senhor, que é refúgio do povo, quebrou a cabeça do oleiro, do mesmo modo quando um rei, que como a poderosa terra é o refúgio de todo mundo, levanta-se e finge de ladrão, quem pode evitar o perigo ? Podes, senhor, reconhecer o ladrão escondido debaixo desta história ?” “Amigo, não queremos sentidos obscuros. Diga, 'Aqui está o ladrão' e e pegue-o e me entregue.”
Ainda protegendo o rei e sem dizer em palavras, 'És tu o ladrão', ele contou ainda outra história.

Nesta mesma cidade, senhor, a casa de um certo homem estava em chamas. Ele ordenou que outra pessoa entrasse na casa e trouxesse para fora sua propriedade. Quando este último estava dentro da casa e trazia os bens para fora, a porta fechou. Cego com a fumaça e incapaz de encontrar a saída e atormentado com o fogo que se espalhava, ele permaneceu dentro se lamentando e falou esta estrofe :

Aquele que destrói o frio e tosta os grãos,
Consome meus membros. O refúgio se mostra minha perdição.

“Um homem, ó rei, que como o fogo foi o refúgio do povo, roubou as jóias. Não me pergunte sobre o ladrão.” “Amigo, apenas me traga o ladrão.” Sem falar ao rei que ele era o ladrão, contou ainda outra história.

Certa vez, senhor, nesta mesma cidade um homem comeu em excesso e foi incapaz de digerir a comida. Louco de dor e lamentando falou esta estrofe :

Comida que sustenta a vida de incontáveis brahmins
Me mata direto. O refúgio se mostra minha perdição.

“Alguém, que como o arroz, senhor, foi o refúgio do povo, roubou a propriedade. Quando esta é recuperada, por quê perguntar sobre o ladrão ?” “Amigo, se podes, traga-me o ladrão.” Para fazer o rei compreender ele contou ainda outra história.

Anteriormente, senhor, nesta mesma cidade um vento soprou e quebrou os membros de um homem. Lamentando ele falou esta estrofe :

Vento que em Junho sábios rezando ganhariam,
Quebraram meus membros. O refúgio se mostra minha perdição.

“Assim, senhor, o perigo surgiu do refúgio. Entenda esta história.” “Amigo, traga-me o ladrão.” Para fazer o rei entender ele contou ainda outra história.

Certa vez, senhor, junto aos Himalaias crescia uma árvore com ramos bifurcados, moradia de pássaros incontáveis. Dois destes galhos esfregavam-se um no outro. E daí surgiu fumaça e fagulhas de fogo caiam. Vendo isto o chefe dos pássaros pronunciou esta estrofe :

Chamas surgem d'árvore onde descansamos :
Espalhem-se, pássaros. O refúgio se mostra nossa perdição.

“Pois justo como, senhor, àrvore é o refúgio dos pássaros, do mesmo modo o rei é o refúgio do seu povo. Se ele finge ser ladrão, quem evitará o perigo ? Note isto, senhor.” “Amigo, apenas me traga o ladrão.” Então ele contou ao rei mais uma história.

Em uma vila de Benares, senhor, no lado oeste da casa de um nobre havia um rio cheio de crocodilos selvagens e nesta família havia um único filho, que com a morte do pai cuidava da mãe. Sua mãe contra sua vontade trouxe para casa uma filha de nobre para ser esposa dele. No começo ele mostrou afeição pela sogra mas depois quando abençoada com numerosos filhos e filhas dela mesma, passou a querer se livrar dela. Sua própria mãe vivia na mesma casa. Na presença de seu marido procurava todo tipo de falta na sogra para colocá-lo contra ela,dizendo, “Não consigo suportar mais tua mãe: você tem que matar ela.” E quando ele respondia, “Matar é um assunto sério : como posso matá-la ?” ela dizia, “Quando ela dormir nós a pegamos com cama e tudo a a atiramos aos crocodilos no rio. Os crocodilos então darão fim nela.” “E onde está tua mãe ?” ele disse. “Ela dorme no mesmo quarto que tua mãe.” “Então vá e coloque uma marca na cama em que ela está deitada, amarrando uma corda.” Ela fez isto e disse, “Coloquei uma marca na cama.” O marido disse, “Espere um tempo ; deixe as pessoas irem para a cama primeiro.” E ele deitou fingindo que tinha ido dormir e e depois foi e amarrou uma corda na cama da sogra dele. Depois acordou a esposa e eles juntos a levantaram, com cama e tudo, e a atiraram no rio. Os crocodilos então a mataram e a comeram. Dia seguinte ela se deu conta do que aconteceu com sua própria mãe e disse, “Meu senhor, minha mãe está morta, agora vamos matar a sua.” “Muito bem então,” ele disse, “faremos uma pilha fúnebre no cemitério e a jogaremos no fogo e a matamos.” Então o marido e a esposa a levaram enquanto ela dormia para o cemitério e a deixaram lá. O marido disse então para a esposa, “Você trouxe fogo ?” “Esqueci m meu senhor.” “Então vá e pegue.” “Não tenho coragem, senhor, e se você for não ficarei aqui sozinha : vou junto.” Quando eles já tinha ido, a velha senhora acordou com o vento frio e descobrindo-se no cemitério, ela pensou, “Eles querem me matar : foram pegar fogo. Não sabem como sou forte.” E ela colocou um cadáver na cama e cobriu com uma roupa e correu e se escondeu numa caverna na montanha naquele mesmo lugar. O marido e a esposa trouxeram fogo e acreditando que o cadáver era da velha o queimaram e foram embora. Um certo ladrão havia deixado seu saque nesta caverna na montanha e voltando para pegá-lo ele viu a velha mulher e pensou, “Esta deve ser uma Yaksha : meu saque foi tomado por duendes,” e ele foi buscar um exorcista. O médico pronunciou um encantamento e entrou na gruta. Então ela disse a ele, “Não sou uma Yaksha : venha vamos gozar deste tesouro juntos.” “Como posso crer nisto ?” “Coloque tua língua na minha língua.” ele fez isto e ela mordeu um pedaço da língua dele e a deixou cair no chão. O médico exorcista pensou, “Esta é certamente uma Yaksha,” e ele gritou e saiu correndo com o sangue pingando da língua. Dia seguinte a velha mulher colocou roupa limpa e pegou o o pacote com o saque contendo todo tipo de jóias e foi para casa. A nora vendo-a perguntou, “Onde, mãe, conseguiste isto ?” “Minha querida, todos que são queimados em pilha de madeira neste cemitério recebeu a mesma coisa.” “Minha querida mãe, também posso conseguir isto ?” “Se se tornares como eu, receberás.” Então sem dizer uma palavra a seu marido, em seu desejo por muitos ornamentos para vestir, ela foi lá e queimou-se a si mesma. Seu marido dia seguinte sentiu falta dela e disse, “Querida mãe, nesta hora do dia e sua nora ainda não veio ?” Então ela o censurou dizendo, “Uuu ! És mau, como podem os mortos voltar ?” E ela pronunciou esta estrofe :

Uma donzela bonita, com guirlanda na cabeça,
Fragrante de óleo de sândalo, por mim foi levada
Uma noiva feliz para dentro da minha casa a reinar :
Ela levou-me para fora. O refúgio se mostrou minha perdição.

“Como a nora, senhor, está para a sogra, do mesmo modo o rei é refúgio para seu povo. Se perigo surge então que pode alguém fazer ? Note isto senhor.” “Amigo, não entendo as coisas que tu me dizes : apenas me traga o ladrão.” Ele pensou, “Protegerei o rei,” e ele contou ainda outra história.

Antigamente, senhor, nesta mesma cidade um homem em resposta a suas preces teve um filho. Com o seu nascimento o pai estava cheio de alegria e felicidade com o pensamento de ter tido um filho e o agradava. Quando o garoto estava crescido, o casou com uma esposa e logo ele mesmo estava velho e não podia mais trabalhar. Então seu filho disse, “Você não pode mais trabalhar : deves ir para outro lugar,” e o levou para fora de casa. Com grande dificuldade ele se manteve vivo com esmolas e lamentando pronunciou esta estrofe :

Aquele por cujo nascimento ansiei, e não esperei em vão,
Me leva para fora de casa. O refúgio se mostrou minha perdição.

“Justo como um pai de idade, senhor, deve ser cuidado por um filho capacitado,assim também todo o povo deve ser protegido pelo rei e este perigo agora presente surgiu do rei, que é guardião de todas as pessoas. Saiba, senhor, deste fato que o ladrão e tal e tal.” “Não entendo isto, fatos são fatos : ou me traga o ladrão ou você mesmo deve ser o ladrão.” Deste jeito o rei repetidamente questionava o jovem. Então o jovem disse ao rei, “Gostaria,senhor, realmente que o ladrão fosse pego ?” “Sim,amigo.” “Então proclamarei no meio de uma assembléia, tal e tal são os ladrões.” “Faça isto, amigo.” Escutando estas palavras ele pensou, “Este rei não me deixa protegê-lo : então pegarei o ladrão.” E quando o povo se reuniu, ele se dirigiu a eles e falou estas estrofes :

Que o povo da cidade e do campo juntos deem ouvidos,
Olhem ! Àgua está em chamas. Da proteção vem o medo.
O reino saqueado podem bem reclamar do rei e do sacerdote ;
De agora em diante protejam a si mesmos. O refúgio se mostra perdição.

Quando escutaram o quê ele disse, o povo pensou, “O rei, apesar de ter que proteger as pessoas, atira a culpa em outro. Após ter com suas próprias mãos colocado o tesouro no tanque, ele continuou procurando o ladrão. Que no futuro ele não finja mais de ser ladrão, matemos este rei ruim.” E assim se levantaram com porretes e bastões nas mãos e bateram no rei e no sacerdote até morrerem. E ungiram o Bodhisatva e o colocaram no trono.

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O Mestre, após relatar esta história ilustrou as Verdades, dizendo, “Irmão Leigo, não há nada de maravilhoso em reconhecer pegadas no chão : sábios antigos reconheciam-nas nos ares,” e ele identificou o Jataka :- na conclusão das Verdades o Irmão leigo e seu filho atingiram a fruição do Primeiro Caminho :- “Naquele dias o pai era Kassapa e o jovem hábil em pegadas era eu mesmo.”

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

431 Buddha asceta Harita


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431
“Amigo Harita...etc.” - Esta história o Mestre contou enquanto residia em Jetavana relativa a um Irmão descontente. Bem, este Irmão após ver uma mulher elegantemente vestida ficou descontente e deixou os cabelos e as unhas crescerem e desejou retornar para o mundo. E quando foi levado contra sua vontade por seus professores e preceptores até o Mestre e foi questionado por Ele se era verdade que se tornara relapso, e se sim por quê, ele disse, “Sim, vossa Reverência, é devido ao poder da paixão pecadora, após ver uma mulher bela.” O Mestre disse, “Pecado, Irmão, destrói a virtude e sendo insípido também, leva um ser humano a re-nascer nos ínferos ; e por quê não seria este pecado causa da tua destruição? Pois o furacão que atinge Monte Sineru não se intimida em levar uma folha seca. Mas devido a este pecado, pessoas que andam de acordo com o conhecimento e a sabedoria e adquiriram as cinco Faculdades ( confiança / fé ; força ; consciência ; concentração ; sabedoria ) e as oito Consecuções ( yama, nyama, asana, pranayama, pratyahara, dharana, dhyana e samadhi ) , apesar de serem pessoas grandes e santas, sendo incapazes de fixar seus pensamentos, caíram da meditação mística.” E então ele contou uma história do passado.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ),o Bodhisatva nasceu em uma certa vila em uma família brahmin rica de oitocentos milhões e devido a seu aspecto dourado o chamaram Harittacakumara ( Jovem Pele Dourada ). Quando ele estava crescido e já educado em Takkasila ( Taxila ), estabeleceu-se como dono de casa e com a morte de seu pai e de sua mãe fez a inspeção de seus tesouros e pensou, “O tesouro apenas continua a existir mas aqueles que o produziram deixaram de existir : eu também serei reduzido àtomos com a morte,” e assustado com o medo da morte ele fez grandes ofertas e entrando na região do Himalaia adotou a vida religiosa e no sétimo dia assumiu as Faculdades e as Consecuções. Lá por um longo tempo ele viveu de raízes e frutos selvagens e descendo da montanha em busca de sal e vinagre, no devido tempo chegou em Benares / Varanasi . Lá fixou residência no parque real e no dia seguinte indo à coleta de ofertas, chegou na porta do palácio do rei. O rei ficou tão feliz em vê-lo que mandou chamá-lo e o fez sentar no sofá real à sombra do parassol branco, o alimentou com todos os tipos de comida e bastante agradecido perguntou a ele, “Reverendo Senhor, para onde vais ?” “Grande Rei, procuro por uma residência para a estação das chuvas.” “Muito bem, Reverendo Senhor,” ele disse, e após a refeição da manhã acompanhou-o até o parque, fez contruir quartos para ele, para o dia e para a noite, designou um guardião para o parque como ajudante dele, o saudou e partiu. O Grande Ser a partir de então alimentava-se no palácio e viveu lá por doze anos.

Bem, um dia o rei foi acalmar um distúrbio na fronteira e designou o Bodhisatva para tomar contar da rainha, dizendo, “Não negligencie 'Campo de Mérito' “ ( parece ser este o nome da rainha ). Daí em diante ela atendia o Grande Ser com suas próprias mãos.
Bem, um dia ela preparou a comida dele e como ele demorava a chegar, foi tomar banho com água perfumada e colocou uma túnica de tecido fino e abrindo a treliça deitou-se num sofá pequeno deixando o vento bater em seu corpo. E o Bodhisatva mais tarde do dia, vestido em bons hábitos e mantos, pegou sua tigela e andando pelos ares chegou na janela. Quando a rainha levantou-se assustada com o farfalhar dos grossos hábitos dele, o robe de tecido fino caiu dela. Um extraordinário objeto dos sentidos atingiu o olho do Grande Ser. Então o sentimento de pecado, que havia habitado por incontáveis eras no coração dele, surgiu como uma cobra descansando em uma caixa e colocou para fora sua meditação mística. Sendo incapaz de fixar seus pensamentos, ele foi e pegou a mão da rainha e daí em diante estenderam uma cortina ao redor deles. Após o adultério, ele se alimentou um pouco e retornou para o parque. E todo dia daí em diante ele agiu do mesmo modo.

O mal comportamento dele espalhou-se por toda a cidade. Os ministros do rei enviaram uma carta a ele dizendo, “Harita o asceta, age assim e assim.”

O rei pensou, “Eles falam isto porque estão ansiosos em nos separar,” e não acreditou. Quando ele pacificou o país na fronteira retornou para Benares e após marchar em procissão solene ao redor da cidade, foi até a rainha e perguntou a ela , “É verdade que o asceta santo Harita prevaricou contigo ?” “É verdade, meu senhor.” Ele não acreditou nela também e pensou, “Vou perguntar a ele mesmo,” e indo até o parque saudou-o e sentando respeitosamente em um dos lados falou a primeira estrofe perguntando :

Amigo Harita, ouvi frequentemente dito
Uma vida pecadora leva sua Reverência ;
Creio não haver verdade alguma neste relato,
E tu és inocente em gesto e pensamento ?

Ele pensou, “S'eu disser que não sou indulgente com pecado, este rei acreditaria em mim mas neste mundo não há chão mais seguro que falar a verdade. Aqueles que abandonam a verdade, ainda que sentem no recinto sagrado d'árvore Bo, não podem atingir Buddhidade. Preciso apenas falar a verdade.” Em certos casos um Bodhisatva pode destruir a vida, tomar o quê não foi dado, cometer adultério, beber bebida forte, mas ele não pode falar uma mentira, atendendo ao engano que viola a realidade das coisas. Com isto falando a verdade apenas ele pronunciou a segunda estrofe :

Em maus caminhos, grande rei, como escutaste,
Pego pelas artes ilusórias do mundo, errei.

Escutando isto o rei falou a terceira estrofe :

Vã é a mais profunda sabedoria humana para dispersar
As paixões que em seu íntimo crescem

Então Harita apontou para ele o poder do pecado e falou a quarta estrofe :

Existem quatro paixões no mundo, grande rei,
Que em seu poder são dominantes :
Luxúria, ódio, excesso e ignorância são seus nomes ;
Conhecimento não pode aqui, clamar posição segura.

O rei escutando isto falou a quinta estrofe :

Dotado de santidade e intelecto
O santificado Harita ganha nosso respeito.

Então Harita falou a sexta estrofe :

Maus pensamentos, com vícios prazerosos se combinados,
Corrompem o sábio à santidade inclinado.

O rei então encorajando-o a atirar para fora a paixão pecadora, falou a sétima estrofe :

A beleza que dos corações mais puros deve brilhar
Está desfigurada pela luxúria, nascida desta mortal estrutura ;
Fora com ela e bençãos devem ser tuas,
E multidões tua sabedoria proclamar.

Então o Bodhisatva recobrou o poder de concentrar seu pensamento e observando a miséria do desejo pecaminoso, falou a oitava estrofe :

Já que paixões cegas produzem amargos frutos,
Todo crescer da luxúria agora pela raiz corto.

Assim falando ele pediu licença ao rei e tendo ganho seu consentimento entrou em sua cabana de eremita e fixando o olhar no círculo místico entrou em transe, saiu da cabana e sentando de pernas cruzadas nos ares ensinou ao rei a verdadeira doutrina e disse, “Grande rei, incorri em censura no meio do povo porque minha residência está em lugar que não devia. Mas estejas tu vigilante. Agora voltarei para alguma floresta livre de toda infecção feminina.” E no meio de lágrimas e lamentações do rei ele retornou para o Himalaia e sem cair da sua meditação mística ele entrou no mundo de Brahma.

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O Mestre sabendo da história toda disse :

Assim Harita com coragem sustentou a reta verdade,
E luxúria abandonando subiu para ao mundo de Brahma.

E tendo em sua Perfeita Sabedoria falado esta estrofe, declarou as Verdades e identificou o Jataka : - Na conclusão das Verdades o Irmão com a mente mundana atingiu santidade : - “Naquele tempo o rei era Ananda e Harita era eu mesmo.”





sábado, 30 de julho de 2011

430 Buddha Papagaio rei


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430
“Vejam ! Inúmeras árvores...etc.” - Esta história o Mestre contou enquanto residia em Jetavana relativa a Verañja. Quando o Mestre após passar a estação chuvosa em Verañja no devido tempo chegou em Savatthi, os Irmãos no Salão da Verdade levantaram uma discussão dizendo, “Senhores, um Tathagata, um kshatria delicadamente nutrido e Buddha, apesar de possuir poderes sobrenaturais com o convite de um brahmin de Verañja permaneceu três meses com ele, e quando devido a tentação de Mara falhou em receber ofertas das mãos do brahmin, mesmo por um único dia, desistiu de todos os caminhos da cobiça e mantendo-se no mesmo lugar por três meses viveu de água e um pouco de farinha de raízes da terra. Oh, a natureza contente dos Tathagatas !” Quando o Mestre veio e inquirindo entendeu o conteúdo da discussão, ele disse, “ Não é nenhuma maravilha, Irmãos, que um Tathagata agora tenha perdido toda a cobiça, sabendo que anteriormente quando nascido em uma forma animal ele abandonou cobiça.” E com isto ele contou uma história do passado. A história toda agora é relatada em detalhe em exatamente do mesmo modo que no conto precedente.

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Vejam ! Inúmera árvores hão aqui, todas verdes e com frutas !
Por quê, papagaio, tu te apegas a esta pobre árvore seca ?

Por longos anos gozamos do suculento fruto que ela carregava,
E apesar destes agora terem ido, ela ainda clama nosso cuidado.

Nem folhas nem frutos ela produz, ai ! Àrvore está morta :
Por quê culpar teus companheiros pássaros, por terem todos partidos?

Eles amava-na por seus frutos e agora que não há nenhum,
Pobres tolos egoístas ! O amor e a gratidão deles acabou.

Tua gratidão reconheço, teu amor constante e verdadeiro,
Virtude certa tal como esta o sábio sempre aprovará.
Te ofereço, Ó pássaro, o que quer que queiras escolher ;
Diga-me, prego, que dom mais regozijaria teu coração ?

Seria que esta árvore pudesse carregar de novo de folhas e frutos frescos ;
Ficaria feliz como aqueles que obtêm um tesouro escondido.

Então foi àrvore borrifada toda com ambrosia por Sakra,
E os galhos brotaram com sombra refrescante tão amável quanto antes

Possa Sakra e todos amados por Sakra abençoados serem,
Como ho-je sou abençoado ao ver esta visão jubilosa.

Assim foi àrvore frutificada pela escolha do papagaio agradecido,
E Sakra e sua rainha nos bosques de Nandana se alegraram.

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O Mestre, sua lição terminada, identificou o Jataka : “ Naqueles dias Sakra era Anuruddha e o papagaio rei era eu mesmo.”




terça-feira, 12 de julho de 2011

429 Buddha rei Papagaio


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429
“Onde quer que árvores frutíferas...etc.” - Esta história o Mestre contou enquanto residia em Jetavana relativa a um certo Irmão. A história diz que ele vivia em uma floresta próxima a uma vila na fronteira país de Kosala e recebeu instruções na forma de meditações do Mestre. O povo fez para ele um lugar para morar em um lugar onde as pessoas continuamente passavam indo e vindo, fornecendo alojamentos noturno e diurno e atentamente servindo-o. No primeiro mês após entrarem na estação chuvosa, a vila foi incendiada e o povo ficou sem nem mesmo um semente e foi incapaz de fornecer comida gostosa para a tigela dele ; e apesar dele estar em um lugar agradável de morar, ele ficou tão estressado por causa das ofertas que não podia nem entrar no Caminho nem nas suas Fruições. Então no final de três meses ele foi visitar o Mestre e após palavras de saudações gentis o Mestre esperava que apesar de estressado por causa das ofertas ele tinha um lugar agradável para viver. O Irmão contou a ele como estavam as coisas. O Mestre escutando que ele tinha aposentos agradáveis disse, “ Irmão, se é assim, um asceta deve deixar de lado caminhos cobiçosos e ficar contente em comer qualquer comida que ele conseguir e em realizar todas as obrigações de um sacerdote. Sábios antigos quando nasceram no mundo dos animais, apesar de viverem na poeira de uma árvore decaída na qual tinha sua moradia, deixaram de lado desejos gananciosos e ficaram contentes de estar onde estavam e cumpriram a lei do amor. Por quê então tu abandonas uma moradia agradável devido a comida pouca e tosca que recebes ?” E com o pedido dele o Mestre contou uma história do passado.

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Certa vez muitas miríades de papagaios viviam no Himalaia nas margens do Ganges em um bosque de figueiras. Um rei dos papagaios lá, quando o fruto d'árvore na qual ele morava terminou, comia do que quer que sobrasse, seja broto, ou folha, ou casca ou crosta, e bebia água do Ganges e estando muito feliz e contente ficou onde estava. Devido a sua felicidade e contentamento a residência de Sakra foi sacudida. Sakra refletindo sobre a causa viu o papagaio e para testar a virtude dele, com seu poder sobrenatural secou àrvore, que se tornou um mero toco perfurado com buracos e lá ficou sendo fustigada pelos ventos com poeira saindo dos buracos. O rei papagaio comia esta poeira e bebia água do Ganges e não indo para nenhum outro lugar, sentava empoleirado no topo do tronco de figueira, não se importando com o vento e com o sol.
Sakra percebeu como o papagaio estava contente e disse, “Após escutá-lo falar da virtude da amizade, irei e darei a ele a escolha de um dom e farei a figueira ficar carregada com frutos ambrosíacos.” Então ele assumiu a forma de ganso real e precedido de Sujā na forma de uma ninfa Asura, foi para o bosque de figueiras e pendurou-se no galho de uma árvore próxima, entrando em conversação com o papagaio e falando a primeira estrofe :

Onde quer que árvores frutíferas abundem,
Pássaros famintos se encontram aos bandos :
Mas caso as árvores todas sequem,
Logo para longe os pássaros voam.

E após estas palavras, para tirar o papagaio dali, ele fala a segunda estrofe :

Apresse-se, Sr. Bico Rubro, em partir ;
Por quê sentas e sonhas sozinho ?
Vamos, diga-me, por favor, pássaro da primavera,
A este tronco morto por quê te apegas ?

Então o papagaio disse, “Ó ganso, com sentimento de gratidão, não abandono esta árvore,” e ele repetiu duas estrofes :

Aqueles que foram amigos próximos desde a juventude,
Cientes da bondade e da verdade,
Na vida e na morte, na alegria e na tristeza
Os clamores d'amizade nunca esquecem.

Também anseio em ser gentil e bom
Com alguém que por longo tempo foi amigo ;
Quero viver, mas não tenho ânimo nenhum
De deixar, apesar de morta, esta velha figueira.

Sakra escutando o quê ele disse ficou deliciado e louvando-o desejou oferecê-lo um dom e pronunciou duas estrofes :

Sei de tua amizade e de teu amor de gratidão,
Virtudes que sábios certamente devem aprovar.

Te ofereço o que quer que desejes escolher ;
Papagaio, que dom mais regozijaria teu coração ?

Escutando isto, o rei papagaio fez sua escolha falando a sétima estrofe :

Se, tu, Ó ganso, o quê mais anelo quer me dar,
Conceda que esta árvore que amo, possa viver novamente.
Que ela uma vez mais brote com seu velho vigor,
Reúna fresca doçura e carregue frutos bondosamente.

Sakra então concedendo o dom falou a oitava estrofe :

Veja ! Amigo, uma nobre e justa árvore frutífera,
Própria para tua residência ser.
Que ela uma vez mais brote com seu velho vigor,
Reúna fresca doçura e carregue frutos bondosamente.

Com estas palavras Sakra deixou sua forma apresentada e manifestando seu poder sobrenatural e de Sujā, pegou água do Ganges com a mão e lançou-a contra o tronco da figueira. Imediatamente àrvore cresceu rica em ramos e galhos e com fruto doce elevava-se numa bela vista, como um Monte-Jóia solitário. O rei papagaio vendo-a ficou altamente agraciado e cantando os louvores de Sakra ele falou a nona estrofe :

Possa Sakra e todos amados por Sakra abençoados serem,
Como eu ho-je sou abençoado vendo esta visão bondosa !

Sakra, após conceder o dom ao papagaio e fazer a figueira carregar fruto ambrosíaco, retornou com Sujata a seu próprio domicílio.

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Ilustrando esta história, estas estrofes inspiradas pela Perfeita Sabedoria foram adicionadas no fim :

Assim que rei papagaio sabiamente fez sua escoha,
Àrvore uma vez mais ofereceu seus frutos ;
Então Sakra com sua rainha voaram velozmente
Para onde em Nandana os deuses se regozijam.

O Mestre, sua lição terminada, disse, “Assim, Irmão, sábios antigos apesar de nascidos em forma animal foram libertos da cobiça. Por que então tu, após ser ordenado sob dispensação, administração, tão excelente , segue caminhos gananciosos ? Vá e more no mesmo lugar.” E deu a ele uma forma de meditação e assim identificou o Jataka :- o Irmão voltou e com insight espiritual atingiu a Santidade :- “Naquele tempo Sakra era Anuruddha e o papagaio rei era eu mesmo.”

segunda-feira, 27 de junho de 2011

428 Buddha discursa pousado no ar


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                          pintura de Ajanta , Índia

428
“Onde quer que a Irmandade...etc.” - Esta história o Mestre contou enquanto residia no parque Ghosita próximo a Kosambi, relativa a certo povo briguento de Kosambi. O incidente que levou à história é encontrado na seção do Vinaya relativa a Kosambi ( Mahavagga X, 1-10 ). Aqui um pequeno resumo dela. Naquele tempo, é dito, dois Irmãos viviam na mesma casa, um versado no Vinaya, o outro nos Sutras. Este último um dia tendo ido ao lavatório saiu deixando um resto de água para enxaguar a boca em um pote. Depois disto aquele versado no Vinaya entrou e vendo àgua saiu e perguntou a seu companheiro se àgua fora deixada lá por ele. A resposta foi, “Sim, senhor.” “O quê ! Não sabes que isto é pecado ?” “Não, não estava ciente disto.” “Bem, Irmão, é pecado.” “Então compensarei isto.” “Mas se fizestes inadvertida e desatentamente, não é pecado.” Então ele ficou como alguém que não viu pecado no que era pecado. O estudioso do Vinaya disse a seus pupilos, “Este estudioso dos Sutras, apesar de cair em pecado não está consciente disto.” Estes vendo os pupilos do outro Irmão disseram, “O mestre de vocês apesar de cair em pecado não reconhece isto.” Eles foram e contaram ao mestre deles. Ele disse, “Este estudioso do Vinaya antes disse que não havia pecado e agora diz que há pecado : ele é um mentiroso.” Eles foram e contaram aos outros, “O mestre de vocês é um mentiroso.” Assim começaram uma querela entre eles. O estudioso do Vinaya então, vendo uma oportunidade, começou um processo de excomunhão do Irmão por recusar a ver a ofensa. A partir daí mesmo os laicos que proviam os requisitos ( hábitos, agulha, filtro, cinto, navalha ) aos sacerdotes, ficaram divididos em duas facções. As irmãs também que aceitam seus conselhos e deuses tutelares, com seus amigos e próximos e deidades que descansam no espaço até aquelas do Mundo de Brahma, mesmo todos os inconversos, formaram dois partidos e a discussão alcançou o domícilio dos deuses Sublimes.
Então um certo Irmão aproximou-se do Tathagata e falou do ponto de vista do partido excomungante que dizia, “O sujeito está excomungado na forma ortodoxa,” e o ponto de vista dos seguidores do excomungado que diziam, “Ele está ilegalmente excomungado,” e a prática daqueles que, apesar de proibidos pelo partido excomungante ainda reuniam-se ao redor dele para ampará-lo. O Abençoado disse, “Há um cisma, sim, um cisma na Irmandade,” e foi até eles e apontou a miséria envolvida na excomunhão àqueles que excomungaram e a miséria resultante no sigilo de um pecado ao partido oposto e depois partiu. Novamente quando estavam realizando o Uposatha e serviços similares no mesmo lugar, dentro dos limites e disputavam no refeitório e em outros lugares, ele estabeleceu a regra de que deveriam sentar juntos, um do lado do outro alternadamente. E entendendo que eles ainda assim brigavam no mosteiro ele foi lá e disse, “Basta, Irmãos, que não tenhamos mais brigas.” E um do lado herético que não queria importunar o Abençoado, disse, “Deixemos o Abençoado Senhor da Verdade ficar em casa. Deixemos o Abençoado residir em paz, gozando da benção que já obteve nesta vida. Nos tornaremos famosos por esta querela, disputa, briga e altercação.”
Mas o Mestre disse a eles, “Certa vez, Irmãos, Brahmadatra, reinava no reino de Kasi em Benares e ele roubou Dighati, rei de Kosala, de seu reino e o matou quando vivia disfarçado e quando príncipe Dighavu poupou a vida de Brahmadatra, tornaram-se a partir daí amigos próximos. E já que tal deve ter sido a brandura e a resignação destes reis cetrados e portadores de espadas, verdadeiramente, Irmãos, deve ficar claro que vocês também, tendo abraçado a vida religiosa de acordo com uma doutrina e disciplina tão bem ensinada, podem ser brandos e pacientes.” E então advertindo-os pela terceira vez ele disse, “Basta Irmãos, que não haja disputa.” E quando ele viu que não cessavam apesar do seu pedido, ele foi embora dizendo, “Verdadeiramente, este povo tolo são como pessoas possuídas, não são de fácil persuasão.” Dia seguinte retornando da coleta de oferta ele descansou um pouco em sua câmara perfumada e colocou seu quarto em ordem e então pegando sua tigela e hábito ficou pousado no ar e pronunciou estes versos no meio d'assembléia :

Onde quer que a Irmandade divida-se em duas,
O povo comum dá ouvidos a gritos de bocas barulhentas :
Cada um acredita que si mesmo é sábio,
E vê seu vizinho com olhos desdenhosos.
Almas desnorteadas, infladas com auto estima,
Com boca aberta blasfemam tolamente ;
E como através de toda extensão da palavra eles extraviam,
Não sabem a quem como líder obedecer.
“Este sujeito abusou de mim, e aquele me socou,
Um terceiro me dominou e tempos atrás me roubou.”
Todos acolhem sentimentos deste tipo,
E a mitigar sua ira nunca estão inclinados.
“Ele abusou de mim e me deu um tapa tempos atrás,
Me dominou e me oprimiu até machucar.”
Aqueles que se recusam a tais pensamentos entreter,
Apaziguam sua ira e vivem unidos novamente.
Não o ódio mas o amor apenas, faz o ódio cessar :
Esta é a perpétua lei da paz.
Algumas pessoas, a lei do auto controle desprezam,
Mas aqueles que querelas conciliam , são sábios.
Se pessoas todas marcadas deferidas em disputas mortais,
Ladrões e assaltantes, tirantes de vida humana,
Até aqueles que saqueiam um reino inteiro, podem ser
Amigos de seus inimigos, devem Irmãos não concordarem ?
Encontres tu um sábio e honesto camarada,
Alma gentil, inclinada a contigo habitar,
Todos perigos ultrapassados, com ele ainda tu te extraviarás,
Em feliz contemplação por todo o dia.
Mas falhando tu em encontrares com tal amigo,
Tua vida será melhor gastar em solitude,
Como um príncipe que abdica do trono,
Ou um elefante que vaga sozinho apenas.
Por escolha adote a vida solitária,
Companhia de tolos só leva a luta ;
Em inocência descuidada persiga teu caminho,
Como elefante na floresta selvagem extraviado.

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Quando o Mestre falou assim, já que falhava em reconciliar estes Irmãos, ele foi para Balakalonakaragama ( a cidade de Balaka, o fazedor de sal ), e discursou para o venerável Bhagu sobre a benção da solidão, soledad. Depois ele encaminhou-se para o domicílio dos três jovens nobres e conversou com eles sobre a benção achada na doçura da concórdia. Em seguida ele viajou para a floresta Parileyyaka e residiu lá por três meses sem retornar para Kosambi foi direto para Savatthi. E o povo laico de Kosambi se reuniu e disse, “Certamente estes reverendos Irmãos de Kosambi nos fizeram muito dano ; chateado com eles o Abençoado foi embora. Nós não saudaremos nem mostraremos respeito a eles nem daremos ofertas quando nos visitarem. Assim irão embora ou retornarão ao mundo ou pedirão desculpa ao Abençoado.” E fizeram isto. E estes Irmãos acabrunhados com esta forma de punição foram a Savatthi e pediram perdão ao Abençoado.

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O Mestre assim identificou o Jataka : “O pai era o grande rei Suddhodana, a mãe era Mahāmāyā, príncipe Dighavu era eu mesmo.”

segunda-feira, 6 de junho de 2011

427 Buddha Abutre


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             pintura de Ajanta, Índia. 

427
“Formada por pesados troncos...etc.” - Esta história o Mestre contou em Jetavana relativa a um Irmão desobediente. Ele era, dizem, de família nobre e apesar de ordenado na doutrina que leva à Salvação, foi aconselhado por seus professores, mestres, conselheiros e colegas deste jeito : “Assim deves andar e assim recuar ; assim olhar os objetos ou afastar a vista ; assim deve o braço ser estendido ou recolhido ; assim as vestes de dentro e de fora devem ser vestidas ; assim deve-se segurar a tigela e quando receberes comida suficiente para o sustento da vida, após auto-exame, assim deves dividí-la, mantendo guarda sobre as portas dos sentidos ; comendo deves ser moderado e exercitar a vigilância ; deves reconhecer tais e tais tarefas em relação aos Irmãos que vêm e vão do mosteiro ; estas são as quatorze tarefas sacerdotais e as oitenta grandes tarefas a serem devidamente realizadas ( conforme contido no Vinaya ) ; estas são as treze práticas Dhuta ; tudo isto deve ser escrupulosamente realizado.” Ainda assim ele era desobediente e impaciente e não recebia as instruções respeitosamente mas recusava a escutá-los dizendo, “Não te fiz nenhum mal porque falas assim comigo ? Saberei o que me fará bem e o quê não.” Então os Irmãos, escutando a desobediência dele, sentaram no Salão da Verdade falando destes erros. O Mestre veio e perguntou-os o que estavam conversando e mandando chamar o Irmão disse, “É vero Irmão que és relapso ?” E quando ele confessou que sim, o Mestre disse, “Por quê, Irmão, após ser ordenado em uma doutrina tão excelente que leva à Salvação, não escutas a fala de teus conselheiros ? Antes também desobedecestes o conselho dos sábios e fostes explodido em átomos pelo vento Veramba.” E com isto ele contou uma história do passado.

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Certa vez o Bodhisatva veio à vida como um jovem abutre no Monte Abutre. Então seu herdeiro Supatra, o rei dos abutres, era forte e poderoso e tinha um séquito de muitos milhares de abutres e ele alimentava os pais pássaros. E devido a sua força costumava voar até distâncias muito grandes. Então seu pai o aconselhou dizendo, “Meu filho, não deves ir além de tal e tal ponto.” Ele disse, “Muito bem,” mas um dia quando chovia, ele voou alto com os outros abutres e deixando o resto para trás e indo para além dos limites prescritos, entrou no alcance do vento Veramba e foi explodido em átomos.

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O Mestre, em sua Perfeita Sabedoria, para ilustrar este incidente, pronunciou estes versos :

Formada por pesados troncos, um antigo caminho leva
A vertiginosas alturas, onde um jovem abutre alimenta
Os pais pássaros. Poderoso e forte de asas
Ele frequentemente trazia gordura de serpentes ;
E quando seu pai o viu voando alto
E aventurando-se longe no céu, assim gritou,
“Meu filho, quando não puderes ver com os olhos
A esfera redonda da terra cercada pelos oceanos,
Não vá mais longe, mas retorne imediatamente, peço.”
Então foi este rei dos pássarosrápido em seu caminho,
E inclinando-se sobre a terra, com olhar penetrante
Viu abaixo florestas e montanhas altas :
E a terra aparecia, como seu pai descreveu,
Entre os oceanos ao redor como esfera redonda.
Mas quando além destes limites ele passou,
Apesar de forte pássaro ser, uma tempestade explodiu
Varrendo-o para morte inesperada,
Sem poder para enfrentar o sopro feroz de tempestade de vento.
Assim o pássaro pela desobediência mostrou
Ser fatal àqueles dependentes de seu amor :
Assim morrem todos que desprezam a anciedade
Rindo de avisos pronunciados pelos sábios,
Como o jovem abutre desafiando as palavras da Sabedoria
Desprezando os limites estabelecidos para restringir seu orgulho.

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“Portanto Irmão, não seja como este abutre mas obedeça a seus conselheiros.” E sendo assim advertido pelo Mestre, ele a partir daí tornou-se obediente.

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O Mestre, sua lição terminada, identificou o Jataka : “ O abutre desobediente daqueles dias é agora o Irmão desobediente. O pai do abutre era eu mesmo.”

[ Cf. Jatakas 161, 381 e 439 : a lição é a mesma que a de Dédalo para Ícaro : Oriente e Ocidente juntos desde sempre. ]