quarta-feira, 13 de maio de 2009

289 Vivemos numa única...etc.


289
“Vivemos numa única...etc.” - Esta história o Mestre contou em Jetavana sobre o venerável Ānanda aceitar um artigo valioso. As circunstâncias serão expostas no Jataka 456. "Durante os primeiros vinte anos da vida de Gautama enquanto Buddha, seus ajudantes não eram sempre os mesmos : as vezes Ancião Nagasamala, outras Nagita, Upavana, Sunakkhatra, Cunda, Sagala, e as vezes Meghiya ajudavam o Mestre. " Depois nos últimos vinte e cinco anos , é Ananda quem ajuda.
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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva nasceu como filho de sua Rainha. Ele cresceu e foi educado em Taxila (Takkasila) ; e tornou-se rei com a morte do pai. Havia um sacerdote da família que foi afastado do posto e sendo muito pobre vivia em uma casa velha.
Uma noite aconteceu que o rei estava andando pela cidade disfarçado, explorando-a. Alguns ladrões, já tendo realizado trabalho, bebiam em uma taberna, casa de vinhos, e levavam um pouco de bebida para casa numa jarra. Eles o viram na rua e gritaram - “Alô, quem és tu ?” socando-o, derrubando-o e tirando seu manto ; então eles pegaram a jarra e saíram fora, escarnecendo dele enquanto isto.

O brahmin acima citado, calhava de estar na rua observando as constelações. Ele viu o rei cair em mãos inimigas e chamou sua esposa ; rapidamente ela veio, perguntando o quê era. Disse ele, “Esposa, nosso rei caiu em mãos inimigas !” “Pois senhor,” disse ela, “que relações tens com o rei ? Os brahmins dele verão isto.” Isto o rei escutou e seguindo ainda um pouco, gritou para os tratantes, “Sou pobre, mestres – levem meu manto e deixem-me ir !” Como ele repetia isto várias vezes, eles o deixaram ir por piedade. Ele tomou nota do lugar que viviam e retornou.

Disse o brahmin para sua esposa, “Esposa, nosso rei livrou-se das mãos dos inimigos !” O rei escutou isto como antes ; e dirigiu-se para o palácio.

Quando aurora veio, o rei reuniu seus brahmins e fez perguntas a eles.
“Vocês têm feito observações ?”
“Sim, meu senhor.”
“São fastas ou nefastas ?”
“Fastas, meu senhor.”
“Nenhum eclipse ?”
“Não, meu senhor, nenhum.”
Disse o rei, “Vão e busquem para mim o brahmin de tal e tal casa,” dando as indicações.
Assim eles buscaram o velho capelão e o rei passou a questioná-lo.
“O senhor fez observações na noite passada, mestre ?”
“Sim, meu senhor, fiz.”
“Houve algum eclipse ?”
“Sim, meu senhor : noite passada tu caístes em mãos de teus inimigos e logo ficaste livre novamente.”
O rei disse, “Este é o tipo de homem que um contemplador de estrelas deve ser.” Ele demitiu os outros brahmins ; ele disse ao brahmin velho que estava agraciado com ele e o mandou que fizesse um pedido. O homem pediu licença para consultar a família e o rei permitiu.
O homem reuniu esposa e filho, nora e empregada, e colocou o problema diante deles. “O rei me concedeu um pedido ; que devo pedir ?”
Disse a esposa, “Me arranje cem vacas leiteiras.”
O filho, chamado Chatra, disse, “Para mim, uma charrete puxada por corcéis brancos como lírio.”
A nora, “Para mim, todo tipo de bijuterias, brincos com gemas e coisa assim !”
E a empregada (cujo nome era Punna), “Para mim, pilão e cuia e uma cesta com peneira.”
O brahmin mesmo queria ter o feudo de uma cidade como pedido. Então quando retornou para o rei e o rei querendo saber se a esposa pedira, o brahmin respondeu, “Sim, meu senhor rei ; mas os que pediram não são todos concordes “; e repetiu um par de estrofes :-

Vivemos numa única casa , Ó rei,
Mas não queremos todos a mesma coisa.
Minha esposa quer - cem vacas ;
Uma vila próspera, para mim ;
O estudante claro quer carro e cavalos,
A garota, brincos finos.
Enquanto a pobre e pequena Punna, a empregada,
Quer pilão e cuia, disse ela !

“Está certo,” disse o rei, “todos terão o que querem” ; e repetiu as linhas restantes :-

Dê cem vacas para a esposa,
Para o bom homem uma vila para viver,
E brincos em jóias para a filha :
Uma charrete com uma parelha, como parte do estudante,
E a empregada ganha seu pilão e cuia.

Assim o rei deu ao brahmin o quê ele desejava e grande honra além disso ; e mandando que ele se ocupasse daí em diante com os negócios do rei, manteve o brahmin ajudando ao rei mesmo.
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Quando o Mestre terminou este discurso, identificou o Jataka : “Naquele tempo o Brahmin era Ananda mas o rei era eu mesmo.”

terça-feira, 12 de maio de 2009

288 A espírita-do-Ganges



288
“Quem poderia acreditar ...etc.” - Esta história o Mestre contou em Jetavana sobre um mercador desonesto. As circunstâncias foram contadas acima.
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Certa vez quando Brahmadatra era rei de Benares, o Bodhisatva nasceu em uma família de um proprietário de terras.
Quando ele cresceu, se tornou um homem rico. Ele tinha um irmão mais jovem. Depois o pai deles morreu. Deciddiram cuidar de alguns negócios do pai. Isto os levou a um cidade, onde receberam mil peças de dinheiro. No seu caminho de volta, enquanto esperavam nas margens do rio por um barco, alimentaram-se com uma comida de um pote-cesta. O Bodhisatva atirou o quê sobrou no Ganges para os peixes, oferecendo o mérito para o espírito do rio. O espírito aceitou gratificado, o quê aumentou o divino poder dela (espírito feminino), e meditando neste aumento de seu poder, tornou-se consciente do que aconteceu. O Bodhisatva estendeu sua veste de cima n'areia e lá deitou para dormir.
Bem, o jovem irmão era de uma natureza mais ladra. Ele queria surrupiar o dinheiro do Bodhisatva e guardá-lo para si ; então empacotou uma porção de cascalho para assemelhar-se a uma porção de dinheiro e separou-os.
Quando já estavam a bordo e chegavam no meio do rio, o mais jovem tombou contra um dos lados do barco e deixou cair para fora do barco a porção de cascalho, pensava ele, mas na realidade a de dinheiro.
“Irmão, o dinheiro caiu n'água !” ele gritou. “Que faremos ?”
“Que podemos fazer ? O quê está perdido, está perdido. Não se preocupe com isto,” respondeu òutro.
Mas o espírito do rio (espírita) pensou como estava agradecida com o mérito que recebera e como seu poder divino crescera que resolveu cuidar da propriedade dele. Então através do poder dela fez com que um peixe de boca grande engulisse o pacote e ela mesma cuidou dele.
Quando o ladrão chegou em casa, regozijou-se com o truqueque usou contra seu irmão e desempacotou a porção que ficou. Nada havia a não ser cascalho ! Seu coração secou ; caiu na cama e agarrou-se ao estrado.
Bem, alguns pescadores, justo então, jogavam suas redes na correnteza. Através do poder da espírita do rio, o peixe caiu na rede. Os pescadores o pegaram para vender na cidade. O povo perguntou qual era o preço.
“Mil dinheiros e sete anás,” disseram os pescadores.
Todos riram deles. “Vimos um peixe sendo oferecido por mil dinheiros !” eles riam.
Os pescadores trouxeram seu peixe à porta do Bodhisatva e pediram a ele que o comprasse.
“Quanto custa ?” ele perguntou.
“Você o terá por sete anás,” eles disseram.
“Quanto vocês pediram por ele para o resto do povo ?”
“Para o resto do povo pedimos mil rúpias e sete anás ; mas você pode tê-lo por sete anás,” eles disseram.
Ele pagou sete anás por ele e enviou-o para sua esposa. Ela o abriu cortando e lá estava o pacote de dinheiro ! Ela chama o Bodhisatva. Ele olha e reconhecendo sua marca, identifica como sendo seu mesmo. Ele pensa, “Estes pescadores pediram para as outras pessoas o preço de mil rúpias e sete anás mas porque as mil rúpias me pertenciam , eles me deixaram obtê-lo por sete anás apenas ! Se uma pessoa não entender o significado disto, nada jamais a fará acreditar :” e então ele repetiu a primeira estrofe :-

Quem poderia acreditar nesta história, onde se contasse
Que peixes seriam vendidos por mil dinheiros ?
Para mim custaram sete centavos : como desejaria
Comprar uma fieira inteira desse tipo de peixe !

Quando disse isto, conjecturava como aconteceu dele recuperar seu dinheiro. Naquele momento a espírita-do-rio plainava invisível nos ares e declarou -
“Eu sou o Espírito do Ganges. Tu deste os restos de tua comida para os peixes e deixou-me ficar com os méritos. Portanto tomei conta de tua propriedade ;” e ela repetiu a estrofe :-

Você alimentou o peixe e deu-me um presente.
Lembro-me disto e de tua piedade.

Então a espírita contou sobre o truque maldoso que o jovem irmão tentou. Adicionando, “Lá ele jaz com o coração seco dentro de si. Não há prosperidade para o traiçoeiro. Mas trouxe para ti o que é teu e te aconselho a não perder. Não dê para teu jovem irmão ladrão mas guarde para ti mesmo.” Então ela repetiu a terceira estrofe :-

Não há boa fortuna para o coração mau,
E respeito dos espíritos ele não tem nenhum ;
Aquele que lesa o irmão da riqueza paternal
E obra más ações com arte e trapaça.

Assim falou a espírita não desejando que o ladrão traiçoeiro recebesse o dinheiro. Mas o Bodhisatva disse, “Isto é impossível,” e mesmo assim enviou ao irmão quinhentos dinheiros.
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Após este discurso, o Mestre declarou as Verdades :- na conclusão das quais o mercador entrou na fruição do primeiro caminho :- e identificou o Jataka :- “Naquele tempo o irmão mais jovem era o mercador desonesto mas o mais velho era eu mesmo.”

segunda-feira, 11 de maio de 2009

287 Em como granjear ganhos



287
“Aquele que é louco...etc.” - Esta história o Mestre contou em Jetavana sobre um sacerdote discípulo do Ancião Sariputra. Este irmão veio e saudou o Ancião, e sentando em um lado, perguntou a ele o modo de conseguir ganhos e como poderia arranjar roupas e coisas semelhantes. O Ancião respondeu, “Amigo, existem quatro qualidades que fazem um homem ter sucesso em conseguir ganhos. Ele deve livrar-se da modéstia de coração, deve resignar-se das suas ordens, deve aparentar ser louco mesmo que não o seja ; ele deve difamar ; ele deve se comportar como um dançarino ; deve utilizar palavras indelicadas em todo lugar.” Assim ele explicou como alguém consegue um grande ganho. O irmão constestou este método e saiu fora. O Ancião foi até o Mestre e contou a ele sobre isto. O Mestre disse, “Esta não é a primeira vez que este irmão fala menosprezando os ganhos ; ele fez o mesmo antes ;” e então, com o pedido do Ancião, ele contou um conto do mundo antigo.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva nasceu em uma família Brahmin. Quando estava com a idade de dezesseis anos, já dominava os Três Vedas e as dezoito realizações ; e ele se tornou um professor de larga fama, que educava um corpo de quinhentos jovens. Um dos jovens, de vida virtuosa, aproximou-se de seu professor um dia com a questão, “Como este pessoal consegue ganhos ?”
O professor respondeu, “Meu filho, existem quatro qualidades que granjeiam ganhos a este pessoal ;” e ele repetiu a primeira estrofe :-

Aquele que é louco, aquele que calunia,
Que tem trejeitos de ator, que conta histórias doentias,
Tal é a pessoa que ganha prosperidade,
Onde todos são tolos : que esta seja tua máxima.

O pupilo ouvindo estas palavras do mestre expressou sua desaprovação em granjear ganhos nas seguintes duas estrofes :-

Vergonha àquele que granjeia glória e ganhos
Por medonha destruição e pecados perversos.

Com a tigela na mão, levarei vida errante
Melhor que viver na corrupção e na ganância.

Assim o jovem louvou as qualidades da vida religiosa ; e logo se tornou um eremita e solicitava ofertas com retidão, cultivando as Consecuções, até se tornar destinado ao mundo de Brahma.

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Quando o Mestre terminou este discurso ele identificou assim o Jataka :- “Naquele tempo o irmão que desaprovava os ganhos era o jovem mas o professor era eu mesmo.”




sábado, 9 de maio de 2009

Buddha das ruínas de Taxila (Takkasila)




                             Buddha espremido, apertado, de Taxila ( Takkasilla ) no Paquistão entre o islamismo e o hinduísmo.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

286 Buddha Boi Pelo Vermelho


286
“Não inveje o quê ...etc.” - Esta história o Mestre contou em Jetavana sobre a tentação por uma garota gorda. As circunstâncias serão explicadas no Jataka 477. Então o Mestre perguntou a este irmão se era verdade que apaixonara-se. Sim, ele disse. “Por quem ?” o Mestre perguntou. “Por uma garota gorda.” “Esta mulher, irmão,” disse o Mestre, “é tua ruína ; tempos atrás, como agora, te tornaste comida para a multidão por causa do teu desejo de casar com ela.” Então com o pedido dos irmãos ele contou um conto do mundo antigo.
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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), o Bodhisatva era um boi chamado Grande Pelo Vermelho e seu irmão mais jovem chamava-se Pequeno Pelo Vermelho. Ambos trabalhavam para uma família em uma vila.

Havia nesta família uma garota crescida que foi pedida em casamento por outra família. Bem na primeira família, um porco chamado Saluka (lit. comedor de aipo), estava sendo engordado, com o propósito de ser servido na festa do dia do casamento ; ele costumava dormir em um chiqueiro.

Um dia, Pequeno Pelo Vermelho disse a seu irmão, “Irmão, trabalhamos para esta família e os ajudamos a ganhar o sustento deles. Contudo eles apenas nos dão grama e capim, enquanto alimentam aquele porco lá com mingau de arroz e o deixam dormir no chiqueiro ; o quê ele faz por eles ?”

“Irmão,” disse Grande Pelo Vermelho, “não cobice o mingau dele. Eles querem fazer uma festa com ele no dia de casamento da jovem senhora, daí porque o engordam. Espero alguns dias e o verás ser arrastado do chiqueiro, abatido, cortado em pedaços e comido pelos convidados.” Assim falando compôs duas estrofes :-

Não inveje o quê este Saluka come ;
É mortal o alimento que toma.
Fique feliz e coma teu farelo :
Significa longa vida para ti.

Logo chegarão os convidados.
Com suas fofocas e algo mais.
Todo cortado, pobre Saluka,
Com seu grande nariz chato, ficará.

Poucos dias depois, chegaram os convidados do casamento e Saluka foi abatido e transformado em comida. Ambos os bois, vendo o que aconteceu com ele, consideraram que seu próprio farelo, era melhor.
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O Mestre em sua perfeita sabedoria, repetiu a terceira estrofe a guisa de explicação:

Quando viram o nariz chato abatido
Cortado, pobre Saluka,
Disseram os bois, 'Melhor a metade',
Certamente é nosso humilde farelo !

Quando o Mestre terminou este discurso, ele declarou as Verdades e identificou o Jataka :- na conclusão das Verdades, o Irmão em questão atingiu a fruição do Primeiro Caminho :- “Naquele tempo, a garota gorda era a mesma, o irmão apaixonado era Saluka, Ananda era Pequeno Pelo Vermelho e eu era Grande Pelo Vermelho.”

 [ n. do tr. : Jatakas // são os de número 30 e 477. Esopo Buddhista coloca um Bezerro no lugar do porco em seu número 92. E o Jataka serve para o entendimento da frase platônico / socrática, e anteriormente Buddhista, 'a metade é maior que o todo'. Onde a metade é esta ausência dos sentidos soltos (tão cara à sociedade, perdida, moderna, que considera os sentidos, tanto na ciência quanto nas artes, o método, o fim e a finalidade principal, desconsiderando o entendimento mesmo) : como uma tartaruga que recolhe seus membros para dentro da couraça, carapaça. Imagem oriental. ]










quinta-feira, 7 de maio de 2009

285 A história de Sundari


285
“Para o inferno irá ...etc.” - Esta história o Mestre contou em Jetavana sobre o assassino de Sundari. Naquele tempo aprendemos que o Bodhisatva era honrado e respeitado. As circunstâncias são as mesmas que no Kandhaka [?] ; este é um resumo delas. A irmandade do Abençoado recebia ganho e honra como cinco rios que se derramam em uma forte correnteza ; os heréticos, descobrindo que estes ganhos e honras não mais vinham para eles , tornaram-se ofuscados como mariposas àurora, e reuniram-se em conselho : “Desde que o sacerdote Gautama apareceu, nosso ganho e glória saiu de nós. Nenhuma alma sabe mais que existimos. Quem nos ajudará a trazer reprovação a Gautama e impedí-lo de conseguir tudo isto ?” Então uma ideia ocorreu a eles. “Sundari nos fará capaz de fazer isto.” Então um dia quando Sundari visitou o bosque dos heréticos, eles a saudaram mas não disseram mais nada. Ela se dirigia a eles repetidamente mas não recebia nenhuma resposta. “Algo aborrece os santos padres ?” ela perguntou. “Pois, irmã,” disseram eles, “não vês como o sacerdote Gautama nos aborrece, privando-nos de ofertas e honras ?” “Que posso fazer quanto a isto ?” ela disse. “Você, irmã, é bela e amável. Você pode trazer desgraça para Gautama e tuas palavras influenciarão muitos e assim podes restaurar nossos ganhos e boa reputação.” Ela concordou e saiu. Após isto ela costumava pegar flores, essências, perfumes, cânfora, condimentos e frutas e à tardinha, quando uma grande multidão entrava na cidade após ter escutado o discurso do Mestre, e voltava seu rosto em direção à Jetavana. Se alguém perguntasse aonde ela estava indo ela dizia, “Até o Sacerdote Gautama ; vivo com ele em uma câmara perfumada.” Então ela passava a noite em um estabelecimento herético e de manhã entrava na estrada que ia de Jetavana para a cidade. Se alguém perguntasse aonde ela ia, replicava, “Estive com sacerdote Gautama em uma câmara perfumada e ele fez amor comigo.” Após o lapso de alguns dias, contrataram alguns bandidos para matar Sundari diante da câmara de Gautama e atirar o corpo dela em um monte de lixo. E assim fizeram. Os heréticos então fizeram um clamor público em busca de Sundari e informaram o rei. Ele perguntou sobre quem recaía as suspeitas. Eles responderam que ela fora nos últimos dias à Jetavana mas o que aconteceu em seguida eles não sabem. Ele os enviou em busca dela. Agindo com esta permissão, chamaram seus próprios empregados e foram à Jetavana, onde procuraram ao redor até encontrarem-na num monte de lixo. Chamando uma liteira, trouxeram o corpo dela para a cidade e contaram ao rei que discípulos de Gautama mataram Sundari e a atiraram num monte de lixo de modo a esconder o pecado de seu Mestre. O rei mandou que eles percorressem a cidade. Foram através de todas as ruas, gritando, “Venham e vejam o quê foi feito pelos sacerdotes do príncipe Sakya !” e depois voltaram para a porta do palácio. O rei colocou o corpo de Sundari em uma plataforma e ele/ela foi velado/a no cemitério. Todo o povo, exceto os discípulos santos, seguiam dentro da cidade, fora da cidade, nos parques e nas matas, xingando os Irmãos e gritando, “Venham e vejam o quê os sacerdotes do príncipe Sakya fizeram !” Os Irmãos contaram tudo isto ao Buddha. Disse o Mestre, “Bem, vão e censurem este povo com estas palavras:

Para o inferno irá aquele que se delicia em mentir,
E aquele que tendo feito algo, nega :
Ambos, quando a morte os levar,
Como pessoas de ações más, surgirão em outro lugar.

[N. do tr.: Dhammapada, v.306 ; Sutta Nipata, v. 661.]

O rei mandou alguns homens descobrirem se Sundari foi assassinada por outra pessoa. Bem, os bandidos beberam o dinheiro do crime e discutiam entre si. Disse um para outro, “Você matou Sundari com um golpe e depois atirou o corpo dela num monte de lixo e aí está você comprando bebida com o dinheiro do crime !” “Tudo certo, tudo certo,” disseram os mensageiros ; e prenderam os bandidos e os arrastaram para diante do rei. “Vocês mataram ela ?” perguntou o rei. Eles disseram, si, matamos. “Quem mandou ?” “Os heréticos, meu senhor.” O rei chamou os heréticos. “Levantem Sundari,” disse ele, “e a carreguem ao redor da cidade, gritando enquanto andam : 'Esta mulher Sundari quis trazer desgraça para o sacerdote Gautama ; nós a assassinamos ; a culpa não é de Gautama nem de seus discípulos ; a culpa é nossa !' “ Eles fizeram isto. A multidão de inconversos acreditou e os heréticos mantidos à distância de mais dano, recebendo punição pelo assassinato. Daí em diante a reputação de Buddha cresceu mais e mais. Então um dia começaram a fofocar no Salão da Verdade : “Amigo, os heréticos pensaram em manchar o Buddha e só mancharam a eles mesmos ; desde então nossos ganhos e glórias só têm aumentado !” O Mestre entrou e perguntou sobre o quê conversavam. Eles disseram. “Irmãos,” disse ele, “é impossível tornar o Buddha impuro. Tentar manchar o Buddha, é como tentar manchar uma gema preciosa. Em eras passadas , um povo desejava manchar uma joia fina e apesar de muito tentarem, falharam em conseguir.” E ele contou a eles um conto do mundo antigo.
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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), o Bodhisatva nasceu numa família Brahmin. Quando ele cresceu, percebendo o sofrimento que surge do desejo, saiu fora, e atravessou três cordilheiras do Himalaia, onde se tornou eremita e viveu em uma cabana de folhas.

Próximo a esta cabana havia uma gruta de cristal onde viviam trinta Javalis. Nas proximidades também, um Leão costumava vagar. A sombra dele costumava se refletir no cristal. Os Javalis viam este reflexo e aterrorizados, ficavam magros e fracos. Eles pensaram, “Vemos este reflexo porque o cristal é claro. Vamos sujá-lo e descolori-lo.” Então pegaram lama de um lago perto e esfregaram repetidamente no cristal. Mas o cristal sendo constantemente polido pelas cerdas (pelos das costas dos porcos) dos javalis, ficava mais brilhante ainda.

Eles não sabiam como lidar com a situação ; então decidiram perguntar ao eremita como podiam sujar o cristal. Foram portanto até ele e após saudação respeitável, sentaram do lado dele, e pronunciaram estes dois versos :-

Sete verões estamos aqui
Trinta em uma gruta de cristal.
Agora obscurecer o brilho tentamos -
Mas obscurecê-lo não conseguimos.

Apesar de tentarmos com toda a nossa força
Obscurecer seu brilho,
Mais ainda a luz resplandece,
Qual será a causa ?

O Bodhisatva escutou. Então repetiu a terceira estrofe :-

Este precioso cristal, sem sujeira, brilhante, e puro,
Nenhum vidro - com seu brilho com certeza
Pode-se comparar na terra ao brilho deste.
Javalis, é melhor procurarem outro lugar.

E assim eles fizeram, escutando esta resposta. O Bodhisatva perdeu-se em rapto enstático e tornou-se destinado ao mundo de Brahma.
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Após o término deste discurso, o Mestre identificou o Jataka : “Naquele tempo eu era o eremita.”










quarta-feira, 6 de maio de 2009

284 sobre Anatha pindika




       
                     
                            ( Yakshas : o braço elevado é porque a Planta desce o galho para ajudar )
284
“Quaisquer riquezas que...etc.” - Esta história o Mestre contou sobre um brahmin que roubou boa sorte. As circunstâncias deste Jataka são dadas acima no Jataka 40. Como anteriormente, o espírito 'herético' que vivia na torre do portão da casa de Anatha pindika, fazendo penitência, trouxe cinquenta e quatro crores (quinhentos e quarenta milhões) em ouro, encheu os depósitos e tornou-se amiga do grande homem. Ele a levou para diante do Mestre. O Mestre discursou para ela. Ela escutou e entrou na corrente da conversão. Daí em diante a honra do grande homem se tornou tão grande quanto antes. Bem, vivia em Savatthi um brahmin, versado em sinais de sorte, que pensava deste modo : “Anatha pindika estava pobre e então ficou famoso. Que aconteceria s'eu fingisse que fosse vê-lo e roubasse a sorte dele ?” Assim foi até a casa dele, onde o receberam com hospitalidade. Após troca de civilidades, o hospedeiro perguntou por quê viera. O brahmin olhava ao redor procurando onde a sorte do homem descansava. Bem, Anatha pindika tinha um galo, branco como concha polida, que ele mantinha numa gaiola dourada, e na crista deste galo descansava a sorte deste grande homem.

 O brahmin olhou ao redor e espreitou onde a sorte descansava. “Nobre senhor,” disse ele, “ensino encantos mágicos para quinhentos jovens seguidores. Somos castigados por um galo que canta na hora errada. Teu galo canta na hora certa. Vim por causa dele ; você me daria o galo ?” “Sim,” disse o outro : e no mesmo instante que a palavra foi pronunciada , a sorte deixou a crista do galo e se estabeleceu numa joia deixada numa almofada. O brahmin observou que a sorte foi para a joia e pediu ela também. Assim que o proprietário concordou em dá-la, a sorte deixou a joia e se estabeleceu em um porrete para auto-defesa que também estava numa almofada. O brahmin viu isto e o pediu novamente. “Leve-o e se vá,” disse o proprietário ; e no mesmo instante a sorte deixou o porrete e se estabeleceu na cabeça da esposa principal do proprietário, que se chamava Senhora Puññalakkhana. O brahmin ladrão pensou, quando viu isto, “Este é um bem inalienável que não posso pedir.” Então ele contou ao grande homem, “Nobre senhor,” disse ele, “vim à tua casa para roubar tua sorte. A sorte estava na crista do teu galo. Mas quando me deste o galo, a sorte passou para esta joia ; quando me deste a joia ela passou para teu porrete ; quando me deste o porrete, ela saiu dele e passou para a cabeça da Senhora Puññalakhana. Com certeza isto é inalienável, nunca poderei ter. É impossível roubar tua sorte – guarde-a, então !” e levantando-se do seu assento, partiu. Anatha pindika decidiu contar ao Mestre ; e assim foi ao mosteiro e após saudá-lo respeitosamente, sentou em um dos lados e contou ao Buddha tudo que aconteceu. O Mestre escutou e disse, “Bom homem, atualmente a sorte de uma pessoa não vai para outra. Mas anteriormente a sorte pertencente àqueles com pouco entendimento, iam para os sábios;” e contou a ele um conto do mundo antigo.
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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), o Bodhisatva nasceu em uma família Brahmin no reino de Kāsi. Crescendo, foi educado em Takkasila ( Taxila ) e vivia com sua família ; mas quando seus pais morreram, muito triste, retirou-se para viver vida de recluso no Himalaia e lá cultivou as Faculdades e as Consecuções.

Um longo tempo se passou e ele desceu para as terras habitadas na busca de sal e temperos, e se alojou nos jardins do rei de Benares. Dia seguinte, em suas rondas de coleta, chegou na porta de um treinador de elefantes. Este homem agradou-se dos seus modos e caminhos, alimentou-o e deu a ele alojamento em seu próprio terreno, servindo-lhe continuamente.

Bem, aconteceu justo então que um homem cujo negócio era catar lenha , não conseguiu voltar da floresta para a cidade à tempo. Deitou para passar a noite em um templo, colocando um feixe de gravetos debaixo de sua cabeça como travesseiro. Neste templo havia um bando de galos livres, pousados perto em um'árvore. Já próximo do dia, um deles, que cantava alto, deixou pingar algo nas costas do pássaro de baixo. “Quem deixou cair isto em mim ?” gritou este. “Eu deixei,” gritou o primeiro. “E por quê ?” “Não ligue,” disse o outro ; e depois fez de novo. Daí os dois começaram a abusar um do outro gritando - “Que poder você tem ? Que pode você fazer ?” Por fim o de baixo disse, “Quem quer que me mate e coma minha carne assada em brasas, ganhará mil dinheiros pela manhã !” E o de cima respondeu - “Ora, ora, bravateias coisa pouca como esta ! Quem quer que coma minha carne se tornará rei ; se comer as extremidades, se tornará comandante-chefe ou rainha, conforme seja homem ou mulher ; se comer as carnes juntos dos ossos, conseguirá o posto de Tesoureiro real, se for dono de casa ; ou, se for sacerdote, se tornará o favorito do rei !”

O catador de lenha escutou tudo isto e ponderou. “Bem, s'eu me tornar rei, não haverá necessidade nenhuma de mil dinheiros.” Mansamente subiu n'árvore, pegou o galo de cima e o matou : amarrou em uma dobra de sua roupa, dizendo a si mesmo - “Agora serei rei !” Logo que os portões foram abertos, ele entrou. Depenou o pássaro, o limpou e o deu a esposa, pedindo a ela que preparasse a carne para comer. Ela aprontou com um pouco de arroz e colocou diante dele, pedindo a seu esposo que comesse.

“Boa esposa,” disse ele, “há grande virtude nesta carne. Comendo-a me tornarei rei e você minha rainha !” Então eles levaram carne e arroz para baixo junto das margens do Ganges, pretendendo banharem-se antes de comê-la. Então, deixando carne e arroz no chão nas margens, entraram para se banhar.

Justo então uma brisa agitou àgua, que levou a carne. Descendo o rio ele flutuava, até chegar ser vista por um treinador de elefantes, um grande personagem, que banhava seus elefantes mais abaixo. “que temos aqui ?” disse ele e pegou a comida. “Carne de pássaro com arroz, meu senhor,” foi resposta.

Ele mandou que embrulhassem e selasse, e a enviou para casa para sua esposa, com uma mensagem para que abrisse quando ele retornasse.

O catador de lenha corria com sua barriga estufada de água e areia que engolira.

Bem, um certo asceta, que tinha visão divina, o capelão favorito do treinador de elefante, pensava consigo mesmo, “Meu patrão amigo não deixa este posto com os elefantes. Quando terá promoção ?” Quando ele assim ponderava, viu este homem com seu insight divino e percebeu o quê acontecia. Ele voltou antes e sentou na casa do patrão.

Quando o mestre retornou, ele o saudou respeitosamente e sentou em um dos lados. Então, mandando que viesse o embrulho, ordenou que comida e água fossem trazidas para o asceta. O asceta não aceitou a comida que era oferecida a ele ; mas disse, “Dividirei esta comida.” O mestre deu licença a ele. Então separando a ave em porções, deu ao treinador de elefantes a carne, as extremidades para a esposa e pegou a parte dos ossos como sua porção. Depois que a refeição estava terminada, ele disse, “No terceiro dia a partir de hoje, você se tornará rei. Cuidado com o quê fazes !” e saiu fora.

No terceiro dia um rei vizinho veio e cercou Benares. O rei mandou seu treinador de elefantes se vestir em vestes reais , montar seu elefante e lutar. Ele mesmo colocou um disfarce e se misturou às hostes ; rápida veio uma flecha e o perfurou, de modo que ele pereceu, lá e então. O treinador, entendendo que o rei estava morto, mandou vir uma grande quantidade de dinheiro e bateu o tambor proclamando, “Que aqueles que querem dinheiro, avancem e lutem !” A hoste de guerreiros em um piscar de olhos matou o rei inimigo.

Após as exéquias reais, os cortesãos deliberaram quem seria feito rei. Eles disseram, “Enquanto nosso rei ainda estava vivo, ele colocou as vestes reais no treinador de elefantes. Este mesmo homem lutou e salvou o reino. A ele o reino deve ser dado !” E o consagraram rei e sua esposa foi feita rainha. O Bodhisatva tornou-se seu confidente.
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Após este discurso o Mestre, em sua perfeita sabedoria, pronunciou as duas estrofes seguintes :-

Quaisquer riquezas que aqueles que se empenham vigorosamente
Sem a ajuda da sorte podem sempre ganhar,
Tudo isto, pelo favor da deusa Fortuna / Sorte,
Ambos hábeis e não hábeis, igualmente obtêm.
Todo mundo diante de muitos nossa vista encontra,
Não apenas bons, mas criaturas bem diferentes,
Cujo lote é a fruição possuir
De riquezas em estoque que não são delas por direito.

Após isto o Mestre adicionou, “Bom senhor, estes seres não têm outro recurso mas seus méritos ganhos em nascimentos prévios ; isto os habilita a obter tesouros em lugares onde não há nenhuma jazida.” Então ele recitou a seguinte escritura.

Há um tesouro em todas as coisas boas
Que realiza o desejo de pessoas e deuses.
Visões finas, vozes, figura, forma, e soberania
Com toda sua pompa, descansa neste tesouro.
Domínio e governo, benção imperial,
A coroa do céu, está dentro deste tesouro.
Toda a felicidade humana, as alegrias celestes,
O si-mesmo do Nirvana, é tirado deste depósito.
Laços verdadeiros de amizade, a liberdade da sabedoria,
Firme auto controle, descansa neste tesouro.
Salvação, entendimento, treinamento próprio
Para fazer Pacceka Buddhas vem dele.
Assim tem este mérito uma virtude mágica;
O sábio e constante louva-o inteiramente.

Por fim o Pássaro repetiu a terceira estrofe,explicando os tesouros em que descansava a sorte de Anatha pindika.

Um galo, uma gema, um porrete, uma esposa -
Tudo isto estava provido de sinais de sorte.
Pois todos estes tesouros, seja sabido,
Uma pessoa boa e sem pecado tinha.

Então ele identificou o Jataka : “Ancião Ananda era o Rei e o sacerdote da família era o Buddha Mesmo.”