quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

477 Buddha Brahma e o filho Narada



                 ( Imagem em pedra de Sañchi do Vessantara Jataka, 547, o último, em que o rei a rainha e o casal de filhos abandonam a cidade grande e vão para a floresta viver de raízes e frutos. A direita eles chegando na floresta  com a criança ainda no colo e à esquerda já sentados com as crianças debaixo da mangueira comendo manga na margem do rio que passa ; junto há animais soltos . Na extrema esquerda um ornamento de cavaleiros parece indicar que as cenas são duas )

477
           “Nenhuma lenha cortada...etc.” - A história inicial está contada no Jataka 348 que se repete no 435 e neste aqui.
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Certa vez, quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva nasceu em uma família brâhmane de grande riqueza e após sua educação ter terminado administrava os bens. Então sua esposa deu à luz um filho e morreu. Ele pensou, “Como com minha esposa amada, também comigo a morte não terá vergonha ; o que é uma casa para mim ? Me tornarei um asceta.” Assim abandonando suas luxúrias, foi com seu filho para o Himalaia ; e lá com ele entrou para a vida ascética, desenvolveu o Transe místico e o Conhecimento transcendente e vivendo nas florestas e se alimentando de raízes e frutos.
Naquele tempo pessoas das fronteiras assolavam o campo ; e tendo assaltado uma vila e feito prisioneiros, carregado de espólios retornaram para a fronteira. Entre eles havia um garota, bonita, mas dotada com toda a esperteza da falsidade. Esta garota pensou consigo mesma, “Estes homens, quando tiverem nos levado para suas casas nos usarão como escravos ; devo encontrar um jeito de escapar.” Então ela disse, “Meu senhor, preciso me retirar um instante ; deixe-me sair um momento.” Assim enganou os ladrões e fugiu.
Bem, o Bodhisatva havia saído para catar frutas e semelhantes, deixando seu filho na cabana. Enquanto ele estava fora, esta garota, enquanto vagava sozinha pela floresta, chegou no eremitério, de manhã ; e tentando o filho do asceta com o desejo do amor, destruiu as virtudes dele e o colocou sob seu poder. Ela disse a ele, “Por quê viver aqui na floresta ? Venha vamos para a cidade e façamos uma casa para nós mesmos. Lá é fácil gozar de todos os prazeres e paixões dos sentidos.” Ele consentiu e disse, “Meu pai está agora fora na floresta procurando frutos selvagens. Quando o tivermos visto, vamos juntos embora.” Então a garota pensou, “Este jovem inocente não sabe de nada ; mas seu pai deve ter se tornado asceta em sua velhice. Quando ele chegar, vae querer saber o que faço aqui e vae me bater e me arrastar para fora pelos pés e me jogar na floresta. Vou desaparecer antes que ele chegue.” Então ela disse ao rapaz, “Eu vou primeiro e você me segue” ; anotando então os pontos de referência, ela partiu. Após ela ter ido, o rapaz ficou triste e não fez nenhuma de suas tarefas como era de costume ; mas se cobriu da cabeça aos pés e deitou dentro da cabana atormentado.
Quando o Grande Ser chegou com seus frutos selvagens, notou as pegadas da garota. “Isto é uma pegada de mulher,” pensou ele ; “a virtude do meu filho deve estar perdida.” Então ele entrou na cabana, largou as frutas selvagens e questionou seu filho repetindo a primeira estrofe :

Nenhuma lenha cortada e não trouxeste água do poço,
Nenhum fogo acesso : por que estás deitado devaneando como um louco ?

Escutando a voz de seu pai, o rapaz levantou-se e o saudou ; e com todo o respeito o fez saber que ele não podia suportar a vida na floresta, repetindo um par de estrofes :

Não posso viver na floresta : isto, Ó Kassapa, juro ;
É dura a vida na floresta : vou voltar para o Reino.

Me ensine, Ó brahmin, quando eu partir, para onde ir,
Os costumes do país devo saber inteiramente.

“Muito bem, meu filho,” disse o Grande Ser, “Te direi os costumes do país.” E ele repetiu este par de estrofes :

Se tua mente quer deixar para trás as frutas e raízes da floresta
E morar na cidade, escute o ensino o caminho que se adequa àquela vida :

Mantenha-se afastado de todo precipício, e de veneno distante,
Não sente na lama e ande com cuidado onde estão as serpentes.

O filho do asceta, não entendendo este conselho profundo, perguntou :

O que tem teu precipício a ver com o caminho religioso,
Tua lama, teu veneno e tua cobra ? Vamos, prego, me diga.

O outro explicou :

Há uma bebida no mundo, meu filho, que as pessoas chamam vinho,
Fragrante, deliciosa, melíflua e barata, de sabor fino :
Isto, Narada, para homens santos é veneno, diz o sábio.

E mulheres no mundo podem fazer o entendimento dos tolos rodopiarem,
Elas capturam jovens corações, como furacões pegam algodão do chão :
O precipício significa isto antes que o homem bom caia.

Altas honras feitas por outros homens, respeito, fama e ganho,
Isto é lama, Ó Narada, que a homens santos pode manchar.

Grandes monarcas com seus séquitos residem neste mundo,
E eles são grandes, Ó Narada, cada um, um rei poderoso :

Diante dos pés de senhores e monarcas soberanos não andes tu,
Pois, Narada, estes são as serpentes as quais falei justo agora.

A casa que você for para comer, quando as pessoas sentarem,
Se vires bondade dentro da casa, lá pegue o suficiente e coma.

Quando entretido por outro para comer e beber, faça isto :
Não coma muito, nem beba muito, e evite luxúrias da carne.

De fofoca, bebida, companhia lasciva e lojas de artigos de ouro,
Fiques afastado como aqueles que andam em caminhos acidentados.

Enquanto seu pai seguia falando e falando, o rapaz voltou aos seus sentidos e disse, “Basta de mundo para mim, querido pai !” Então seu pai o instruiu como desenvolver gentileza e outros bons sentimentos. O filho seguiu as instruções do pai e não muito tempo depois fez o ênstase da meditação mística brotar de dentro de si. E ambos, pai e filho, sem quebrar o transe, nasceram novamente no mundo de Brahma.
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Quando o Mestre terminou este discurso, ele identificou o Jataka : “Naquele tempo a garota tosca era a jovem mulher, o Irmão descontente era o filho do asceta e eu era o pai.”

[ n. do tr. : Narada é filho de Brahma, da trindade hindu Brahma, Vishnu, Shiva ]


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

476 Buddha Ganso



Desenho reproduzindo imagens da caverna XVII de Ajanta que ilustram este Jataka feitos por Monika Zin baseados em rascunhos preliminares de Matthias Helmdach em Dieter Schlingloff, Guide to Ajanta Paintings, MM Publishers, New Delhi, 1999.

476
“Venha, nobre Ganso...etc.” - Esta história o Mestre contou em Jetavana sobre o Dalhadhamma Suttanta ou a Parábola dos Homens Fortes. O Abençoado disse : “Suponha, Irmãos, quatro arqueiros nos quatro cantos, pontos, cardiais, homens fortes, bem treinados e de grandes habilidades, perfeitos no arco e flecha ; e então deixe um homem vir e dizer, 'Se estes quatro arqueiros, fortes, bem treinados, e de grande habilidade, perfeitos no arco e flecha, atirarem flechas dos quatro cantos, apanharei estas flechas enquanto são atiradas e antes delas tocarem o chão' : vocês não concordariam, com toda certeza, que deve ser um homem muito rápido e a perfeição da rapidez ? Bem, Irmãos, grande como a rapidez de tal homem pode ser, grande como a rapidez do sol e da lua, há algo mais rápido : grande, digo, Irmãos, qual a rapidez de tal homem possa ser, grande qual a rapidez do sol e da lua e apesar dos deuses voarem mais rápido que o sol e a lua, há algo mais rápido que os deuses : grande, Irmãos, como a rapidez de tal homem ( e assim por diante ), ainda mais rápido que os deuses podem ir, os elementos fazem a vida decair. Portanto, Irmãos, vocês devem aprender isto, sejam cuidadosos ; verdadeiramente digo a vocês, isto vocês devem aprender.” Dois dias após este ensinamento, falando sobre isto no Salão da Verdade : “Irmãos, o Mestre, em seu lugar peculiar de Buddha, ilustrando a natureza do que faz a vida, mostrou-a ser transitória e fraca e atingiu com temor extremo Irmãos e inconversos semelhantemente. Oh, o poder de um Buddha !” O Mestre entrando questionou sobre o que conversavam. Eles disseram ; e ele falou, “Não é nenhuma maravilha, Irmãos, se em minha omnisciência alerto os Irmãos com meu ensino e mostro como transitórios são os elementos da vida. Mesmo eu, quando sem causa natural fui concebido como um Ganso, mostrei a natureza transitória dos elementos da vida e com meu ensino alertei toda a corte de um rei, junto com o rei de Benares mesmo.” Assim falando, ele contou uma história do passado.
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Certa vez, quando Brahmadatra reinava em Benares, o Grande Ser nasceu como um rápido Ganso, que viveu no Monte Cittakuta em um bando de noventa mil outros tais Gansos. Um dia, tendo, junto com seu bando, comido arroz selvagem que crescia em um certo lago nas planícies da Índia, voou pelos ares ( e foi como se uma esteira dourada houvesse se espalhado de uma extremidade a outra da cidade de Benares ) e voou lentamente por esporte para Cittakuta. Bem, o rei de Benares o viu ; e disse a seus cortesãos, “Aquele pássaro lá deve ser rei como eu sou.” Ele gostou do pássaro e pegando guirlandas, perfumes e unguentos, saiu em busca do do Grande Ser ; e com ele fez com que fosse junto todo tipo de música. Quando o Grande ser o viu fazendo honra desta maneira, perguntou aos outros Gansos, “Quando um rei faz tal honra para mim, o quê será que ele quer ?” “Ele quer fazer amizade contigo, meu senhor.” “Bem, que eu seja amigo do rei,” respondeu ; e fez amizade com o rei e retornou.
Um dia depois disso, quando o rei estava no parque e foi para o Lago Anotatta, o pássaro voou até o rei, tendo água numa asa e pó de sândalo na outra ; com àgua aspergiu o rei e jogou o pó sobre ele, e então enquanto a companhia olhava, voou para Cittakuta com seu bando. A partir daquele momento o rei passou a ter saudade do Grande Ser ; demorava-se olhando o caminho pelo qual ele veio e pensava - “Ho-je meu camarada virá.”
Bem os dois Gansos mais jovens pertencentes ao bando do Grande Ser, resolveram apostar uma corrida de vôo com o Sol. “Meus jovens,” cotejou ele, “a velocidade do sol é rápida e vocês nunca serão capazes de apostar corrida com ele. Vocês vão perecer durante o percurso portanto não vão.” Uma segunda vez eles pediram e uma terceira ; mas o Bodhisatva os conteve até a terceira vez que pediram. Mas eles teimaram não conhecendo a própria força e estavam resolvidos de, sem falar com o rei, voar até o sol. Assim, antes do sol nascer, eles tomaram seus lugares no pico do Monte Yugandhara ( n. do tr. : uma das sete grandes cordilheiras que circunda o Monte Meru ). O Grande Ser perdeu-os de vista e perguntou onde teriam ido. Quando escutou o quê tinha acontecido, pensou, “Nunca serão capazes de voar com o sol e vão perecer no percurso. Salvarei a vida deles.” Assim ele também foi para o pico do Yugandhara e sentou do lado deles. Quando o círculo do sol se apresentou acima do horizonte, os jovens Gansos levantaram-se e arremessaram-se na direção do sol ; o Grande Ser voou junto com eles. O mais novo voou na direção de antes do meio dia, e então foi ficando fraco ; nas juntas das suas asas sentiu como se um fogo tivesse sido acesso. Então fez um sinal para o Grande Ser : “Irmão, não vou conseguir !” “Nada tema,” disse o Grande Ser, “vou te salvar;” e tomando-o em suas asas abertas, o acalmou e transportou para o Monte Cittakuta e o colocou no meio dos Gansos. Partiu então novamente e alcançando o sol, voou lado a lado com o outro. Até próximo ao meio dia o outro voou junto com o sol e então ficou fraco e sentiu como se um fogo estivesse acesso nas juntas das suas asas. Fazendo um sinal para o Grande Ser, ele gritou, “Irmão, não vou conseguir !” A ele também o Grande Ser confortou do mesmo modo e tomando-o em suas asas abertas, o carregou até Cittakuta. Naquele momento o sol estava no prumo acima da cabeça. O Grande Ser pensou, “Ho-je vou testar a força do sol ;” e arremessando-se em um mergulho, pendurou-se no Yugandhara. Então com uma investida alcançou o sol e voando na frente e atrás, pensou consigo mesmo, “Para mim voar com o sol não tem nenhum ganho mas é apenas loucura : o quê ele significa para mim ? Vou até Benares, e lá, falar para meu camarada o rei uma mensagem de verdade e retidão.” Girando então, antes que o sol se movesse do meio do céu, ele atravessou todo o mundo de uma extremidade à outra ; depois diminundo a velocidade, atravessou de uma extremidade a outra, toda a Índia e chegou por fim à Benares. Toda a cidade , doze léguas de circunferência, estava como se sob a sombra do pássaro, não havendo quebra ou fresta ; diminuindo então gradativamente a velocidade, buracos e frestas apareceram. O Grande Ser indo mais devagar e descendo dos ares, pousou em frente a uma janela. “Meu camarada veio !” gritou o rei com grande alegria ; e pegando um assento dourado para o pássaro se pendurar, disse, “Venha amigo, sente aqui,” e recitou a primeira estrofe :

Venha, nobre Ganso, sente aqui ; ver você é um prazer ;
Agora você é o senhor deste lugar ; escolha o que quiseres.

O Grande Ser pendurou-se no assento dourado. O rei o ungiu debaixo das asas com unguentos refinados cem vezes, não, mil vezes, deu a ele arroz doce e água açucarada em um prato dourado e conversou com ele numa voz melíflua - “Bom amigo, vieste sozinho ; de onde estás vindo ?” O pássaro contou para ele toda a história, largamente. Disse o rei então para ele : “Amigo, mostre-me também tua velocidade contra a do sol.” - “Ó poderoso rei, esta velocidade não pode ser mostrada.” - “Então mostre algo parecido.” - “Muito bem, Ó rei, mostrarei algo parecido. Reúna seus arqueiros que podem atirar rápido como um relâmpago.” O rei mandou chamá-los. O Grande Ser escolheu quatro destes e com eles desceu do palácio para o paço. Lá fez com que erguesse no chão uma coluna de pedra e se amarrasse no seu próprio pescoço um sino. Ele então pendurou-se no topo do pilar de pedra e colocou os quatro arqueiros nos pontos cardiais a partir do pilar no centro e disse, “Ó rei, que estes quatro homens atirem quatro flechas ao mesmo tempo em quatro direções diferentes e eu apanharei estas flechas antes que toquem no chão e as colocarei aos pés dos atiradores. Você saberá quando eu tiver ido pegar as flechas, pelo tilintar deste sino mas eu não serei visto.” Então todos os homens ao mesmo tempo atiraram as quatro flechas ; ele as pegou e as colocou aos pés deles e foi visto sentando-se sobre o pilar. “Viu minha velocidade, Ó rei ?” ele perguntou ; então continuou - “esta velocidade, Ó grande rei, não é a minha mais rápida nem minha velocidade mediana, é a mais lenta das lentas : e isto mostra para você como sou rápido .” Então o rei perguntou, “Bem, amigo, há alguma velocidade mais rápida do que esta sua ?” “Há, meu amigo. Mais rápida cem vezes que a minha mais rápida, mil vezes, não, cem mil vezes, é o decaimento dos elementos da vida nos seres vivos : assim eles se desmoronam, assim se destroem.” Deste modo tornou claro, como o mundo das formas se desmorona, se desfazendo momento a momento. O rei escutando isto ficou com medo da morte, não conseguiu manter os sentidos e caiu desmaiado. A multidão se desesperou ; aspergiram água na face do rei e deram uma volta com ele. Então o Grande Ser disse, “Ó grande rei, nada tema ; mas lembre da morte. Ande retamente, faça ofertas e atos de bondade, cuide-se.” Respondendo o rei disse, “Meu senhor, sem um professor sábio como você não posso viver, não retorne para o monte Cittakuta mas fique aqui, me instrua, seja meu professor a me ensinar !” e colocou em duas estrofes seu pedido :

Escutando o amado, o amor é alimentado,
Pela vista o anseio pelo perdido, cae morto :
Já que vista e ouvido tornam as pessoas felizes e queridas,
Com a vista tua deixe-me ser favorecido.

Cara é tua voz e mais querida ainda tua presença quando a vejo :
Já então que amo te ver, Ó Ganso, more comigo !

O Bodhisatva disse :

Para sempre moraria contigo, com honra assim conferida;
Mas tu poderias dizer, bêbado, um dia – 'Assem para mim aquele Pássaro real' !

“Não,” disse o rei, “então nunca tocarei em vinho nem em bebida forte,” e ele fez esta promessa na estrofe seguinte :

Amaldiçoada a comida e bebida qu'eu ame mais que a ti ;
Não provarei nem uma gota nem um gole enquanto estiveres comigo !

Após isto o Bodhisatva recitou seis estrofes :

O grito dos chacais ou dos pássaros é entendido com facilidade ;
Sim, mas a palavra dos homens, Ó rei, é muito mais escura do que a destes !

Um homem pode pensar, 'este é meu amigo, meu camarada, meu parente,'
Mas amizade vae e frequentemente ódio e inimizade começam.

Quem está em teu coração, está próximo de ti, contigo, onde quer que esteja ;
Mas quem mora contigo, e é estranho a teu coração, longe está.

Quem em tua casa for de coração gentil
É gentil ainda que do outro lado do mar :
Quem em tua casa for hostil de coração,
Hostil será como se um oceano distante.

Teus inimigos, Ó senhor de carruagens ! apesar de próximos de ti, estão distantes :
Mas, Ó cuidador de teu reino ! os bons de coração estão unidos juntos.

Quem fica muito tempo, descobre geralmente que amizade muda para inimizade ;
Então antes qu'eu perca tua amizade, peço licença e vou.

O rei então disse para ele :

Ainda que de mãos postas suplique, você não me dará ouvidos ;
Não economizaste nenhuma palavra conosco, para quem teu serviço seria caro :
Anelo um favor : volte novamente e nos visite aqui.

O Bodhisatva disse :

Se nada vier interromper nossas vidas, Ó rei ! Se você e eu
Ainda vivermos, Ó cuidador de teu povo, talvez para cá voe,
E podemos nos ver novamente, enquanto os dias e noites passam.

Com esta fala ao rei, o Grande Ser partiu para Cittakuta.

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Quando o Mestre terminou seu discurso, disse : “Assim, Irmãos, muito tempo atrás, mesmo quando nasci qual um dos animais, mostrei a fragilidade de todos os elementos da vida e declarei a Verdade.” Assim falando, ele identificou o Jataka : “Naquele tempo Ānanda era o rei, Moggaallāna era o pássaro mais jovem, Sāriputra o segundo, os seguidores do Buddha eram todos os outros Gansos do bando e eu mesmo era o rápido Ganso.” 

[ n. do tr. : o pássaro pode ser imagem do fogo do sacrifício, o quê explica sua velocidade e centralidade assim como a impermanência dos elementos do mundo desenvolvida como tema. ]   

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

475 Buddha Árvore





[ Primeira cena : “Não devemos nos surpreender do próximo painel noos trazer de volta após um longo intervalo a Kapilavastu e nos mostrar de seu modo o 'Buddha perfeitamente realizado' retornar para sua cidade nativa pregando sua doutrina na Nyagrodha-arama. A árvore central apenas não seria suficiente para identificar a cena em que o Abençoado prega em uma assembleia de nobres Sakya com seu pai Suddhodana de chefe; o que finalmente a determina para nós é o carácter aristocrático e particularmente a atitude reverente da numerosa audiência. É claro que todos estes grandes personagens, sentados à maneira indiana em almofadas, estão escutando muito devotamente uma homilia. Podemos adicionar que o desenho de cima do mesmo modo acontece em Kapilavastu assim como o proximo painel com a mesma nyagrodha, a mesmo trono no topo do qual esta o Abençoado.”
Segunda cena : “o retorno a Kapilavastu ; a identificação parece certa ; atrás do Rei Suddhodana pode-se ver mulheres carregando o parassol e o abanador, uma terceira mulher ajudando e as cabeças de dois cortesãos. Acima, um dos três veneradores sobrenaturais, diferente dos usuais kinnaras, parece ser um Devaputra ou Yaksha em forma humana, montado em um leão alado. A cankrama ( trave horizontal ) simboliza a ponte entre o céu e a terra.” sir John Marshall, The monuments of Sañchi, Swati Publications, Delhi, 1983.

475
        “Ó homem, que estás...etc.” - Esta história o Mestre contou às margens do rio Rohini, sobre uma briga de família. As circunstâncias serão descritas largamente no Jataka 536. Nesta ocasião o Mestre dirigiu-se aos seus parentes e disse :
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Certa vez, quando Brahmadatra era rei de Benares, havia fora da cidade uma vila de carpinteiros. Nela havia um carpinteiro brahmin, que ganhava a vida trazendo madeira da floresta e construindo carroças.
Naquele tempo havia uma grande árvore espatódea na região do Himalaia. Um Leão negro costumava ir e deitar nas suas raízes quando caçando para comer. Um dia um vento atingiu a árvore e um galho seco caiu e atingiu seu ombro. O choque doeu e rapidamente, temeroso, levantou e afastou-se ; então virando, olhou o caminho pelo qual viera e não vendo nada pensou, “Não há nenhum outro leão ou tigre, nem ninguém perseguindo. Bem, me parece, que a deidade daquela árvore não me quer deitado lá. Descobrirei se é isto.” Assim pensando, ele ficou irado fora da hora, e bateu n'árvore e gritou - “Não comi nenhuma folha da tua árvore, nem quebrei nenhum galho ; você pode aguentar outras criaturas morando aqui e não pode me aguentar ! O quê há de errado comigo ? Espere alguns dias e te cortarei pela raiz e pelos galhos, te picando em pedaços pequenos !” Assim ele repreendeu a deidade da árvore e partiu em busca de um homem.
Naquele tempo o carpinteiro brahmin falado acima com outros dois ou três homens, veio com uma carroça para aquela vizinhança para conseguir madeira para seu comércio de carroças. Ele deixou sua carroça em certo lugar e com enxó e machadinha nas mãos foi em busca de árvores. Aconteceu de aproximar-se desta espatódea. O Leão vendo-o, foi e ficou debaixo d'árvore pois pensava, “Ho-je devo ver as costas do meu inimigo !” Mas o artesão olhando para um lado e outro fugiu da vizinhança da árvore. “Falarei com ele antes que se afaste demais,” pensou o Leão e repetiu a primeira estrofe :
Ó homem, que estás com machado nas mãos, rondando nesta floresta,
Venha diga-me a verdade, te pergunto, que árvore queres ?

“Olhem, um milagre !” respondeu o homem, escutando esta fala, “Juro nunca tinha visto ainda qualquer animal que pudesse falar como ser humano. Claro que ele sabe que tipo de madeira é boa para construção de carroça. Perguntarei a ele.” Assim pensando, repetiu a segunda estrofe :

Acima na montanha, abaixo no vale, pela planície, um rei você percorre a floresta :
Vamos diga-me a verdade que te pergunto – que árvore é boa para rodas ?

O Leão escutou e disse para si mesmo, “Agora conquistarei o desejo do meu coração !” e repetiu a terceiro estrofe :

Nem salgueiro, nem acácia, nem 'orelha de égua', muito menos arbusto é bom ;
Há uma árvore que chamam espatódea e aquela é a melhor madeira de roda.

O homem ficou feliz de escutar isto e pensou, “Um feliz dia me trouxe para a floresta. Aqui está uma criatura na forma de um animal me dizendo qual a melhor madeira para construir carroça ! Isto é bom !” Então questionou o Leão com a quarta estrofe :

Qual a forma das folhas, e o tronco de que tipo parece,
Vamos, diga-me a verdade, te pergunto, para que possa conhecer àrvore ?

Em resposta o Leão repetiu duas estrofes :

Esta é a árvore cujos ramos você vê curvar, dobrar mas nunca quebrar ;
Esta espatódea em cujas raízes fiz meu lugar de parada.

Para raios e aro, eixo do carro ou roda ou qualquer parte,
Esta espatódea fará para ti na construção de carroça.

Após esta declaração, o Leão afastou-se, alegre de coração. O artesão começou a derrubar àrvore. Então a deidade d'árvore pensou, “Nunca joguei nada naquele animal ; ele ficou irado no momento errado e agora está fazendo com que destruam minha casa e eu também serei destruído. Devo descobrir um jeito de destruir sua majestade.” Então assumindo a forma de um madeireiro, aproximou-se do artesão e disse para ele, “Ó cara ! É uma bela árvore que você tem aí ! O quê fará com ela quando estiver derrubada ?” - “Farei uma roda de carroça.” - “O quê?! Alguém te disse que esta árvore é boa para roda ?” “Sim, um Leão preto.” -”Muito bom, falou bem o Leão preto. Você pode fazer uma carroça boa com esta árvore disse ele. Mas te digo que se você esfolar a pele do pescoço de um leão preto e colocá-la ao redor da borda exterior da roda, como um revestimento de ferro, apenas uma tira de quatro dedos de largura, a roda ficará muito forte e você fará um grande negócio com isto.” -”Mas onde conseguirei uma pele de leão preto ?” -”Como és estúpido ! Àrvore permanecerá na floresta e não fugirá. Vá e encontre o leão que te falou sobre esta árvore e pergunte a ele em que parte da árvore deves cortar e traga-o aqui. Então enquanto ele não suspeita de nada e aponta um lugar ou outro, espere até ele esticar as mandíbulas e atinja-o enquanto ele fala com o machado mais afiado , mate-o, tire a pele, coma o melhor da carne e derrube a árvore quando oportuno.” Assim ele deu vazão à sua cólera.
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Para explicar o assunto, o Mestre repetiu as seguintes estrofes :

Assim certa vez a espatódea tornou clara sua vontade e desejo :
Também tenho uma mensagem para falar : escute Ó Bharadvaja !

Do ombro do rei dos animais corte fora uma pele de quatro dedos de largura,
E coloque na borda da roda, para ela ficar mais forte.

Assim em um instante a espatódea, indulgindo em sua ira,
Trouxe destruição medonha para leões nascidos e não nascidos.

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O artesão de carroças escutando as orientações da deidade d'árvore, gritou, “Ah, este é um dia de sorte para mim !” Ele matou o Leão, cortou àrvore e foi embora.

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O Mestre explicou a matéria recitando :

Então a espatódea brigou com a besta e a besta brigou com a espatódea,
E cada um em disputa mútua enviou o outro à morte.

Do mesmo modo entre as pessoas, onde quer que rixa ou querela surja,
Como a besta e àrvore fizeram agora, cortem a dança qual pavão inteligente.
[n. do tr.: alusão ao Jataka 32 ]

Digo isto a vocês : que sempre estão bem os que estão unidos :
Sejam concordes e não briguem, qual besta e árvore fizeram.

Aprendam a viver em paz com todas as pessoas ; todos os sábios louvam isto
E quem deseja paz e justiça, certamente atingirá a paz final.

Quando escutaram o discurso real do Buddha, se reconciliaram.

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O Mestre, tendo terminado este discurso, identificou o Jataka : “Naquele tempo, eu era a deidade que vivia na floresta e viu todo o negócio.”

[ n. do tr.: procurando as fábulas de Esopo referentes a este Jataka encontramos as de números 85 e 86 :
85 O lavrador e a árvore
Nos campos de um lavrador, havia uma árvore que não tinha frutos mas servia apenas como refugiu de pardais e de cigarras barulhentas. O lavrador, como a árvore era estéril, resolveu cortá-la. E então, tendo pego o machado, deu o primeiro golpe. As cigarras e os pardais puseram-se a suplicar que não abatesse o seu abrigo mas que o deixasse para que pudesse nele cantar e distrair o lavrador. O lavrador, sem se preocupar com eles, aplicou o golpe uma segunda e uma terceira vez. Como fizessem um buraco n'árvore, encontrou um enxame de abelhas e mel. Experimentou-o, atirou o machado fora e passou a honrar àrvore, como se fosse sagrada, e a tomar conta dela.

86 Os filhos do lavrador desunidos
Os filhos de um lavrador viviam brigando. E ele, apesar de muito tentar, com suas palavras não conseguia persuadi-los a mudarem. Sentiu que era preciso fazer isto por meio de atitudes e pediu-lhes que trouxessem um feixe de varas. Então primeiro lhes deu as varas reunidas e ordenou que as quebrassem. Apesar de todo o esforço, eles não conseguiram. Em seguida, tendo desatado os feixes deu-lhes as varas uma a uma. Como ele as quebrassem facilmente, disse : 'Pois bem, vocês também, filhos, se ficarem unidos, serão invencíveis aos inimigos mas se se dividirem, serão facilmente vencidos'. ] 
 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

474 Buddha e o milagre da mangueira




( “ na imagem em pedra de Sañchi vemos a representação do grande prodígio de Sravasti no sermão junto da mangueira carregada miraculosamente debaixo do parassol real e acima do trono do Buddha invisível. As quatro pessoas sentadas em almofadas na frente são sem dúvida o Rei Prasenajit no canto direito ( esquerda do trono ) seu vicerei no canto esquerdo e dois cortesãos no meio vistos de costas. As quatro personagens de pé acima deles cujos pés tocam o chão são os Quatro Reis Guardiães do Mundo ( Lokapalas ) sendo que acima estão os deuses em fileiras nos céus com Indra e seu vicerei à direita na primeira fila e Brahma acima na segunda com os deuses das puras moradas. Os dois tambores acima anunciam para todo o universo o milagre em que Buddha faz a mangueira crescer e dar mangas diante do rei e dos seis mestres heréticos “. sir John Marshall, The Monuments of Sañchi, Swati Publications, Delhi, 1983. )

474
“Jovens estudantes quando...etc.” - Esta história o Mestre contou enquanto residia em Jetavana, sobre Devadatra. Devadatra repudiou seu professor, dizendo, “Serei o Buddha eu mesmo e Gautama o asceta não é meu professor nem monitor !” Então, levantando de sua meditação mística, causou uma brecha na Ordem. Depois passo ante passo dirigiu-se para Savatthi e do lado de fora de Jetavana a terra escancarou-se e ele desceu para o ínfero de Avici.
Então todos falavam sobre isto no Salão da Verdade : - “Irmão, Devadatra abandonou seu Professor e teve destruição medonha, nascendo na outra vida no profundo ínfero Avici !” O Mestre, entrando, perguntou o que eles falavam e eles disseram. Ele falou, - “Não apenas agora mas em dias anteriores também Devadatra abandonou seu professor e teve destruição medonha.” Assim falando ele contou uma história do passado.
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Certa vez, quando Brahmadatra era Rei de Benares, o capelão de sua família foi destruído pela malária. Um filho apenas arrebentou a parede e escapou ( ver jataka 178 ). Ele veio para Takkasila ( Taxila ) e sob um professor renomado mundialmente aprendeu todas as artes e realizações. Depois deu adeus a seu professor e partiu com a intenção de viajar para diferentes regiões ; e em sua viagens chegou a uma cidade da fronteira. Próxima dela havia um grande cidade de Candalas de casta baixa ( casta misturada como a pukkusa e portanto desprezada igual à sudra ) . Neste tempo o Bodhisatva morava nesta cidade, era um sábio letrado. Conhecia um encanto que podia fazer colher fruto fora da estação. Cedo de manhã ele pega sua vara de transporte e sai da cidade até alcançar uma mangueira que crescia na floresta ; e permanecendo sete pés de distância, ele recita o encanto e joga uma mão cheia de água que atinge àrvore. Em um instante cae a sequência de folhas, brota novas, as flores se abrem e as flores caem, as mangas crescem : e em um momento – estão maduras, são doces e suculentas, crescem qual frutos divinos e caem d'árvore ! O Grande Ser escolhe e come as que quer e depois enche as cestas que pendura na vara e vae para casa, vende a fruta e assim encontra meio de vida para a esposa e criança.
Bem, o jovem brahmin viu o Grande Ser oferecer mangas maduras para vender fora da estação. “Sem dúvida”, pensou ele, “deve ser em virtude de algum encanto que elas crescem. Este homem pode me ensinar o encanto que não tem preço.” Ele vigiou para saber o modo como o Grande Ser conseguia as frutas e descobriu exatamente. Então foi para a casa do Grande Ser no momento em que não havia retornado da floresta e fingindo que não sabia de nada, perguntou à esposa do sábio, “Onde está o Professor ?” Ela respondeu, “Foi para a floresta.” Ele permaneceu esperando até vê-lo vir e então foi até ele e pegando a vara e as cestas, carregou-as até a casa e lá as deixou. O Grande Ser olhou para ele e disse para sua esposa, “Senhora, este jovem veio para pegar o encanto ; mas nenhum encanto permanecerá com ele, pois não é pessoa boa.” Mas o jovem pensava, “Pegarei o encanto sendo empregado do meu professor “ ; e assim a partir daquele momento ele fez tudo que devia ser feito na casa : trouxe lenha, bateu o arroz, cozinhou, trouxe todo o necessário para lavar o rosto, lavar os pés.
Um dia quando o Grande Ser disse a ele, “Meu filho, traga-me um banquinho para colocar os pés” , o jovem, não vendo outro jeito, manteve os pés do Grande Ser em sua própria coxa por toda a noite. Quando em uma estação posterior a esposa do Grande Ser deu à luz um filho, ele fez todo o serviço necessário para o parto. A esposa disse um dia ao Grande Ser :- “Marido, este jovem, apesar de bem nascido, para ganhar o encanto realiza trabalhos servis para nós. Deixe-o ter o encanto, apesar de permanecer com ele ou não.” Ele concordou com isto. Ensinou o encanto e falou deste modo : “Meu filho, este é um encanto sem preço ; e você vae conseguir grande ganho e honra a partir daí. Mas quando o rei, ou seu grande ministro, perguntarem a você que foi seu professor, não esconda meu nome ; pois se você tiver vergonha que um casta baixa ensine a você um encanto e disser que seu professor era um grande magnata de brahmins, você não terá mais nenhum fruto do encanto.” “Por quê eu deveria esconder teu nome ?” respondeu o rapaz. “Sempre que perguntado direi que é você.” Ele saudou então o professor e partiu da cidade de castas baixas, ponderando sobre o encanto e no tempo devido chegou a Benares. Lá ele vendeu mangas e ganhou muita riqueza.
Bem, um dia o guardador do parque apresentou ao rei uma manga que tinha trazido dele. O rei, tendo comido ela, perguntou onde encontrara fruta tão boa. “Meu senhor,” foi a resposta, “há um jovem que traz mangas fora da estação e as vende : consegui com ele.” “Diga-lhe,” disse o rei, “para de agora em diante trazer mangas aqui para mim.” O homem fez isto ; e a partir daquele momento o jovem levou mangas para a residência do rei. O rei, convidando-o a entrar a seu serviço, tornou-se um empregado do rei ; e ganhando grande riqueza, gradualmente cresceu na confiança do rei.
Um dia o rei questionou-o e disse : - “Jovem, onde você consegue estas mangas fora da estação, tão doces, fragrantes e de belas cores ? Alguma serpente ou garula ( pássaro ) as dá para você ou um deus ou é poder mágico ?” “Ninguém as dá para mim, Ó poderoso rei !” respondeu o jovem, “mas tenho um encanto sem preço e isto é poder do encanto.” “Bem, o quê me diz de mostrar-me o poder do encanto um dia destes ?” “Sem dúvida, meu senhor, mostrarei,” respondeu ele. Dia seguinte o rei foi com ele para o parque e pediu para mostrar o encanto. O jovem estava disposto e aproximando-se da mangueira permaneceu a uma distância de sete passos dela e repetiu o encanto jogando água n'árvore. Em um instante a mangueira produziu frutos da maneira descrita acima : uma chuva de mangas caiu, uma verdadeira tempestade ; o séquito mostrou grande alegria balançando os lenços ; o rei comeu do fruto e deu a ele uma grande recompensa dizendo, “Jovem, quem te ensinou este encanto tão maravilhoso ?” Agora, pensou o jovem, se eu disser que um candala casta baixa me ensinou, serei envergonhado e zombarão de mim ; sei o encanto de cor(ação) e agora nunca poderei perdê-lo ; direi que foi um professor renomado. Então ele mentiu e disse, “Aprendi em Taxila de um professor renomado mundialmente.” Enquanto ele dizia estas palavras, negando seu professor, naquele mesmo instante o encanto foi embora. Mas o rei, grandemente agradecido, retornou com ele para a cidade.
Um outro dia o rei desejou comer mangas ; e indo até o parque sentando num banco de pedra, usado em ocasiões de estado, pediu ao jovem que pegasse mangas para ele. O jovem, propenso para tanto, foi até a mangueira e permanecendo a uma distância de sete pés d'árvore, ficou repetindo o encanto ; mas o encanto não se realizou . Então ele soube que o tinha perdido e ficou envergonhado. Mas o rei pensou, “Anteriormente este sujeito me deu mangas mesmo no meio de uma multidão e o fruto choveu qual tempestade pesada. Agora ele permanece lá igual a um poste : qual será a razão ?” O que ele inquiriu repetindo a primeira estrofe :

Jovem estudante, quanto te pedi antes
Me trouxeste manga grande e pequena :
Agora nenhum fruto, brahmin, aparece n'árvore,
Apesar do mesmo encanto reiterar !

Quando escutou isto, o jovem pensou consigo mesmo, s'eu disser que ho-je nenhum fruto haverá, o rei se encolerizará ; portanto pensou em enganá-lo com uma mentira e repetiu a segunda estrofe :

A hora e o momento não são adequados : portanto espere
A junção dos planetas no céu.
A devida conjugação e o momento se aproximam,
Então trarei mangas em abundância.

“O que é isto ?” o rei cogitou. “O sujeito não disse nada de conjunção planetária antes !” Para resolver a questão, repetiu duas estrofes :

Você não disse nenhuma palavra de tempos e estações, nem
Conjunções planetárias antes disso :
Contudo mangas, fragrantes, delicadas em paladar,
De belas cores, me trouxeste em abundante estoque.

Anteriormente, brahmin, produziste tanta
Fruta n'árvore pronunciando teu encanto :
Ho-je não consegues, apesar de murmurares.
O quê significa esta conduta, vais me dizer ?

Escutando isto, o jovem pensou, “Não há como enganar o rei com mentiras. Se, quando a verdade for dita, ele me punir, que ele me puna : mas direi a verdade.” Então ele recitou duas estrofes :

Um homem de casta baixa foi meu professor, que me ensinou
Bem e devidamente o encanto e como funcionava :
Dizendo, 'Se te perguntarem meu nome e nascimento,
Nada esconda ou o encanto se desfará'.

Questionado pelo Senhor dos Homens, apesar de bem saber,
Em engano disse o quê não era verdade ;
'Encanto de um brahmin', disse mentindo ; e agora,
Encanto perdido, de minha loucura amargamente me arrependo.

Escutando isto, o rei pensou consigo mesmo, “O pecador não teve nenhum cuidado com o tal tesouro ! Quando se tem um tesouro tão precioso o que tem casta a ver com isto ?” E irado ele repetiu as seguintes estrofes :

Cânhamo, mamona ou espatódea, qualquer que seja a árvore
Onde o que procura colmeias encontra mel, é a melhor das árvores, pensa.

Seja Kshatria, Brahmin, Vaiça, aquele de quem se aprende o certo -
Sudra, Candala, Pukkusa – se mostra o principal a seus olhos.

Que se puna o mal educado sem valor, ou mesmo o mate,
Portanto arrastem-no pelo pescoço sem demora,
A quem tendo ganho um tesouro com grande esforço,
O joga fora com orgulho arrogante !

Os homens do rei fizeram isto, dizendo, “Volte a teu professor e ganho o perdão dele ; então, se conseguires ganhar o encanto outra vez podes voltar aqui de novo mas se não,
nunca mais coloque os olhos nesta terra.” Assim o baniram.
O homem era todo desespero. “Não há refúgio para mim,” ele pensou, “a não ser com meu professor. Irei até ele, ganharei seu perdão e aprenderei o encanto de novo.” Assim se lamentando seguiu seu caminho para a cidade. O Grande Ser percebendo sua chegada o apontou para a esposa dizendo, “Veja, senhora, lá vem aquele patife novamente com seu encanto perdido e saído !” O homem se aproximou do Grande Ser e o saudou sentando em um dos lados. “Por quê estais aqui ?” perguntou o outro. “Ó meu professor !” o sujeito disse, “pronunciei uma mentira e neguei meu mestre e estou completamente arruinado e defeito !” Então recitou sua transgressão em estrofe, pedindo novamente por encantos :

Frequentemente aquele que pensa em baixo nível pisa em falso,
Cae num poço, charco ou precipício, tropeça em raiz podre ;
Outro caminha no que parece corda e descobre ser serpente preta ;
Um terceiro anda no fogo porque seus olhos estão cegos :
Assim pequei e perdi meu encanto ; mas tu, mestre sábio,
Perdoe ! E deixe-me novamente encontrar favor a teus olhos !

Seu professor então respondeu, “O quê dizes, meu filho ? Dê apenas um sinal ao cego e ele se afasta de poços e semelhantes ; mas te disse uma vez e o quê queres aqui de novo ?” Então repetiu as seguintes estrofes :

A ti de modo devido contei,
A ti de modo devido ensinei, o encanto,
De boa vontade sua natureza expliquei :
Nunca teria te deixado, tivesses agido direito.

Quem com muito esforço, Ó tolo ! aprende um encanto
Difícil para aqueles que agora moram no mundo,
Então, tolo ! Ganhando por fim um meio de vida,
O joga fora porque fala mentiras,

A tal tolo, estúpido, ansioso em mentir,
Ingrato, que não consegue se conter,-
Encantos, realmente ! Encantos poderosos não se dá a este :
Saia daqui e não me peça novamente !

Assim enxotado pelo professor o sujeito pensou, “O quê é a vida para mim ?” e afundando na floresta, morreu sem esperança.
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O Mestre tendo terminado este discurso, disse, “Não apenas agora, Irmão, Devadatra negou seu professor e teve destruição medonha” ; e assim falando, ele identificou o Jataka : “Naquele tempo Devadatra era o homem ingrato, Ananda era o rei e eu mesmo o homem de casta baixa.”

  

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

473 Buddha conselheiro




473
“Como pode o sábio...etc.” - Esta história o Mestre contou enquanto residia em Jetavana sobre um cortesão justo e íntegro do rei de Kosala.
Este homem, dizem, era muito útil ao rei e por isto o rei o concedeu grande honra. Os outros cortesãos sendo incapazes de engulí-lo, o acusaram diante do rei de ter feito coisas para ferí-lo. O rei o inquiriu e não descobrindo nele nenhuma falta, pensou, “Não vejo nenhuma falta neste homem ; como posso saber se ele é amigo ou inimigo ?” E pensou, “Ninguém a não ser o Tathagata será capaz de decidir esta questão ; irei a ele e perguntarei.” Então após o desjejum visitou o Mestre e disse, “Como pode alguém dizer, Senhor, se uma pessoa é amiga ou inimiga ?” O Mestre então respondeu, “Sábios antigos, Ó rei, ponderaram este problema e questionaram o sábio sobre isto e seguindo o conselho deles, descobriram a verdade e afastando-se dos inimigos prestaram atenção a seus amigos.” Isto dito, com o pedido do outro, contou uma história do passado.

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Certa vez, quando Brahmadatra era rei de Benares, o Bodhisatva era um cortesão que o aconselhava em coisas temporais e espirituais. Naquele tempo, o resto insultava um certo cortesão que era correto. O rei não vendo nenhuma falta nele, perguntou ao Grande Ser, “Em quê pode alguém chamar outro de amigo ou inimigo ?” repetindo a primeira estrofe :

Como deve o sábio e prudente se esforçar, como discernir,
Quais gestos declaram ao olho ou ao ouvido a pessoa que é inimiga ?

Então o Grande Ser repetiu estas cinco estrofes para explicar as marcas de um inimigo :

Ele não sorri quando te vê, não indicará boas vindas,
Nem olhará para tal caminho e te responde com Não.

Teus inimigos ele honrá, não cuida dos teus amigos,
Aqueles que louvam teu valor ele pára, recomenda a teus detratores.

Não te conta nenhum segredo e teu segredo ele trai,
Nunca fala bem do que você faz, não louvará tua sabedoria.

Não se alegra com teu bem estar mas celebra teu mal :
Se recebe alguma iguaria, não pensa no teu nome,
Não se compadece de ti, nem grita alto – Ó, tenha meu amigo o mesmo !

Estas são as dezesseis marcas pelas quais se vê um inimigo
Estas se um sábio vê ou escuta ele conhece seu inimigo.

Como deve o sábio e prudente se empenhar, o que proporcionará discernimento,
Que gestos declaram ao olho ou ao ouvido a pessoa que é amiga ?

O outro assim questionado com estas linhas recitou as estrofes restantes :

Ausente ele lembra ; retornando ele se alegra :
Então na altura de sua alegria ele te saúda com sua voz.

Nunca honra teus inimigos e ama servir teus amigos,
Aqueles que te caluniam, ele pára ; quem te louva, ele recomenda.

Ele conta seus segredos para você e teus segredos nunca trai,
Fala sempre bem de tudo que você faz, tua sabedoria ama louvar.

Alegra-se de escutar sobre teu bem estar, e não celebra teu mal :
Se recebe alguma iguaria, direto pensa no teu nome,
Se compadece de ti e grita alto – Ó tenha meu amigo o mesmo !

Esta são as dezesseis marcas entre amigos bem estabelecidas,
As quais se um sábio vê ou escuta pode chamar um amigo de verdadeiro.

O rei, deleitado com a fala do Grande Ser, deu a ele grande honra.

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O Mestre, tendo terminado este discurso, disse, “ Assim, grande rei, esta questão surgiu em dias antigos, igual agora, e sábios falaram suas palavras ; por estes 32 sinais pode-se conhecer amigo ou inimigo.” Com estas palavras, ele identificou o Jataka : “Naquele tempo Ananda era o rei e eu mesmo era o sábio cortesão.”