quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

474 Buddha e o milagre da mangueira




( “ na imagem em pedra de Sañchi vemos a representação do grande prodígio de Sravasti no sermão junto da mangueira carregada miraculosamente debaixo do parassol real e acima do trono do Buddha invisível. As quatro pessoas sentadas em almofadas na frente são sem dúvida o Rei Prasenajit no canto direito ( esquerda do trono ) seu vicerei no canto esquerdo e dois cortesãos no meio vistos de costas. As quatro personagens de pé acima deles cujos pés tocam o chão são os Quatro Reis Guardiães do Mundo ( Lokapalas ) sendo que acima estão os deuses em fileiras nos céus com Indra e seu vicerei à direita na primeira fila e Brahma acima na segunda com os deuses das puras moradas. Os dois tambores acima anunciam para todo o universo o milagre em que Buddha faz a mangueira crescer e dar mangas diante do rei e dos seis mestres heréticos “. sir John Marshall, The Monuments of Sañchi, Swati Publications, Delhi, 1983. )

474
Jovens estudantes quando...etc.” - Esta história o Mestre contou enquanto residia em Jetavana, sobre Devadatra. Devadatra repudiou seu professor, dizendo, “Serei o Buddha eu mesmo e Gautama o asceta não é meu professor nem monitor !” Então, levantando de sua meditação mística, causou uma brecha na Ordem. Depois passo ante passo dirigiu-se para Savatthi e do lado de fora de Jetavana a terra escancarou-se e ele desceu para o ínfero de Avici.
Então todos falavam sobre isto no Salão da Verdade : - “Irmão, Devadatra abandonou seu Professor e teve destruição medonha, nascendo na outra vida no profundo ínfero Avici !” O Mestre, entrando, perguntou o que eles falavam e eles disseram. Ele falou, - “Não apenas agora mas em dias anteriores também Devadatra abandonou seu professor e teve destruição medonha.” Assim falando ele contou uma história do passado.
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Certa vez, quando Brahmadatra era Rei de Benares, o capelão de sua família foi destruído pela malária. Um filho apenas arrebentou a parede e escapou ( ver jataka 178 ). Ele veio para Takkasila ( Taxila ) e sob um professor renomado mundialmente aprendeu todas as artes e realizações. Depois deu adeus a seu professor e partiu com a intenção de viajar para diferentes regiões ; e em sua viagens chegou a uma cidade da fronteira. Próxima dela havia um grande cidade de Candalas de casta baixa ( casta misturada como a pukkusa e portanto desprezada igual à sudra ) . Neste tempo o Bodhisatva morava nesta cidade, era um sábio letrado. Conhecia um encanto que podia fazer colher fruto fora da estação. Cedo de manhã ele pega sua vara de transporte e sai da cidade até alcançar uma mangueira que crescia na floresta ; e permanecendo sete pés de distância, ele recita o encanto e joga uma mão cheia de água que atinge àrvore. Em um instante cae a sequência de folhas, brota novas, as flores se abrem e as flores caem, as mangas crescem : e em um momento – estão maduras, são doces e suculentas, crescem qual frutos divinos e caem d'árvore ! O Grande Ser escolhe e come as que quer e depois enche as cestas que pendura na vara e vae para casa, vende a fruta e assim encontra meio de vida para a esposa e criança.
Bem, o jovem brahmin viu o Grande Ser oferecer mangas maduras para vender fora da estação. “Sem dúvida”, pensou ele, “deve ser em virtude de algum encanto que elas crescem. Este homem pode me ensinar o encanto que não tem preço.” Ele vigiou para saber o modo como o Grande Ser conseguia as frutas e descobriu exatamente. Então foi para a casa do Grande Ser no momento em que não havia retornado da floresta e fingindo que não sabia de nada, perguntou à esposa do sábio, “Onde está o Professor ?” Ela respondeu, “Foi para a floresta.” Ele permaneceu esperando até vê-lo vir e então foi até ele e pegando a vara e as cestas, carregou-as até a casa e lá as deixou. O Grande Ser olhou para ele e disse para sua esposa, “Senhora, este jovem veio para pegar o encanto ; mas nenhum encanto permanecerá com ele, pois não é pessoa boa.” Mas o jovem pensava, “Pegarei o encanto sendo empregado do meu professor “ ; e assim a partir daquele momento ele fez tudo que devia ser feito na casa : trouxe lenha, bateu o arroz, cozinhou, trouxe todo o necessário para lavar o rosto, lavar os pés.
Um dia quando o Grande Ser disse a ele, “Meu filho, traga-me um banquinho para colocar os pés” , o jovem, não vendo outro jeito, manteve os pés do Grande Ser em sua própria coxa por toda a noite. Quando em uma estação posterior a esposa do Grande Ser deu à luz um filho, ele fez todo o serviço necessário para o parto. A esposa disse um dia ao Grande Ser :- “Marido, este jovem, apesar de bem nascido, para ganhar o encanto realiza trabalhos servis para nós. Deixe-o ter o encanto, apesar de permanecer com ele ou não.” Ele concordou com isto. Ensinou o encanto e falou deste modo : “Meu filho, este é um encanto sem preço ; e você vae conseguir grande ganho e honra a partir daí. Mas quando o rei, ou seu grande ministro, perguntarem a você que foi seu professor, não esconda meu nome ; pois se você tiver vergonha que um casta baixa ensine a você um encanto e disser que seu professor era um grande magnata de brahmins, você não terá mais nenhum fruto do encanto.” “Por quê eu deveria esconder teu nome ?” respondeu o rapaz. “Sempre que perguntado direi que é você.” Ele saudou então o professor e partiu da cidade de castas baixas, ponderando sobre o encanto e no tempo devido chegou a Benares. Lá ele vendeu mangas e ganhou muita riqueza.
Bem, um dia o guardador do parque apresentou ao rei uma manga que tinha trazido dele. O rei, tendo comido ela, perguntou onde encontrara fruta tão boa. “Meu senhor,” foi a resposta, “há um jovem que traz mangas fora da estação e as vende : consegui com ele.” “Diga-lhe,” disse o rei, “para de agora em diante trazer mangas aqui para mim.” O homem fez isto ; e a partir daquele momento o jovem levou mangas para a residência do rei. O rei, convidando-o a entrar a seu serviço, tornou-se um empregado do rei ; e ganhando grande riqueza, gradualmente cresceu na confiança do rei.
Um dia o rei questionou-o e disse : - “Jovem, onde você consegue estas mangas fora da estação, tão doces, fragrantes e de belas cores ? Alguma serpente ou garula ( pássaro ) as dá para você ou um deus ou é poder mágico ?” “Ninguém as dá para mim, Ó poderoso rei !” respondeu o jovem, “mas tenho um encanto sem preço e isto é poder do encanto.” “Bem, o quê me diz de mostrar-me o poder do encanto um dia destes ?” “Sem dúvida, meu senhor, mostrarei,” respondeu ele. Dia seguinte o rei foi com ele para o parque e pediu para mostrar o encanto. O jovem estava disposto e aproximando-se da mangueira permaneceu a uma distância de sete passos dela e repetiu o encanto jogando água n'árvore. Em um instante a mangueira produziu frutos da maneira descrita acima : uma chuva de mangas caiu, uma verdadeira tempestade ; o séquito mostrou grande alegria balançando os lenços ; o rei comeu do fruto e deu a ele uma grande recompensa dizendo, “Jovem, quem te ensinou este encanto tão maravilhoso ?” Agora, pensou o jovem, se eu disser que um candala casta baixa me ensinou, serei envergonhado e zombarão de mim ; sei o encanto de cor(ação) e agora nunca poderei perdê-lo ; direi que foi um professor renomado. Então ele mentiu e disse, “Aprendi em Taxila de um professor renomado mundialmente.” Enquanto ele dizia estas palavras, negando seu professor, naquele mesmo instante o encanto foi embora. Mas o rei, grandemente agradecido, retornou com ele para a cidade.
Um outro dia o rei desejou comer mangas ; e indo até o parque sentando num banco de pedra, usado em ocasiões de estado, pediu ao jovem que pegasse mangas para ele. O jovem, propenso para tanto, foi até a mangueira e permanecendo a uma distância de sete pés d'árvore, ficou repetindo o encanto ; mas o encanto não se realizou . Então ele soube que o tinha perdido e ficou envergonhado. Mas o rei pensou, “Anteriormente este sujeito me deu mangas mesmo no meio de uma multidão e o fruto choveu qual tempestade pesada. Agora ele permanece lá igual a um poste : qual será a razão ?” O que ele inquiriu repetindo a primeira estrofe :

Jovem estudante, quanto te pedi antes
Me trouxeste manga grande e pequena :
Agora nenhum fruto, brahmin, aparece n'árvore,
Apesar do mesmo encanto reiterar !

Quando escutou isto, o jovem pensou consigo mesmo, s'eu disser que ho-je nenhum fruto haverá, o rei se encolerizará ; portanto pensou em enganá-lo com uma mentira e repetiu a segunda estrofe :

A hora e o momento não são adequados : portanto espere
A junção dos planetas no céu.
A devida conjugação e o momento se aproximam,
Então trarei mangas em abundância.

O que é isto ?” o rei cogitou. “O sujeito não disse nada de conjunção planetária antes !” Para resolver a questão, repetiu duas estrofes :

Você não disse nenhuma palavra de tempos e estações, nem
Conjunções planetárias antes disso :
Contudo mangas, fragrantes, delicadas em paladar,
De belas cores, me trouxeste em abundante estoque.

Anteriormente, brahmin, produziste tanta
Fruta n'árvore pronunciando teu encanto :
Ho-je não consegues, apesar de murmurares.
O quê significa esta conduta, vais me dizer ?

Escutando isto, o jovem pensou, “Não há como enganar o rei com mentiras. Se, quando a verdade for dita, ele me punir, que ele me puna : mas direi a verdade.” Então ele recitou duas estrofes :

Um homem de casta baixa foi meu professor, que me ensinou
Bem e devidamente o encanto e como funcionava :
Dizendo, 'Se te perguntarem meu nome e nascimento,
Nada esconda ou o encanto se desfará'.

Questionado pelo Senhor dos Homens, apesar de bem saber,
Em engano disse o quê não era verdade ;
'Encanto de um brahmin', disse mentindo ; e agora,
Encanto perdido, de minha loucura amargamente me arrependo.

Escutando isto, o rei pensou consigo mesmo, “O pecador não teve nenhum cuidado com o tal tesouro ! Quando se tem um tesouro tão precioso o que tem casta a ver com isto ?” E irado ele repetiu as seguintes estrofes :

Cânhamo, mamona ou espatódea, qualquer que seja a árvore
Onde o que procura colmeias encontra mel, é a melhor das árvores, pensa.

Seja Kshatria, Brahmin, Vaiça, aquele de quem se aprende o certo -
Sudra, Candala, Pukkusa – se mostra o principal a seus olhos.

Que se puna o mal educado sem valor, ou mesmo o mate,
Portanto arrastem-no pelo pescoço sem demora,
A quem tendo ganho um tesouro com grande esforço,
O joga fora com orgulho arrogante !

Os homens do rei fizeram isto, dizendo, “Volte a teu professor e ganho o perdão dele ; então, se conseguires ganhar o encanto outra vez podes voltar aqui de novo mas se não,
nunca mais coloque os olhos nesta terra.” Assim o baniram.
O homem era todo desespero. “Não há refúgio para mim,” ele pensou, “a não ser com meu professor. Irei até ele, ganharei seu perdão e aprenderei o encanto de novo.” Assim se lamentando seguiu seu caminho para a cidade. O Grande Ser percebendo sua chegada o apontou para a esposa dizendo, “Veja, senhora, lá vem aquele patife novamente com seu encanto perdido e saído !” O homem se aproximou do Grande Ser e o saudou sentando em um dos lados. “Por quê estais aqui ?” perguntou o outro. “Ó meu professor !” o sujeito disse, “pronunciei uma mentira e neguei meu mestre e estou completamente arruinado e defeito !” Então recitou sua transgressão em estrofe, pedindo novamente por encantos :

Frequentemente aquele que pensa em baixo nível pisa em falso,
Cae num poço, charco ou precipício, tropeça em raiz podre ;
Outro caminha no que parece corda e descobre ser serpente preta ;
Um terceiro anda no fogo porque seus olhos estão cegos :
Assim pequei e perdi meu encanto ; mas tu, mestre sábio,
Perdoe ! E deixe-me novamente encontrar favor a teus olhos !

Seu professor então respondeu, “O quê dizes, meu filho ? Dê apenas um sinal ao cego e ele se afasta de poços e semelhantes ; mas te disse uma vez e o quê queres aqui de novo ?” Então repetiu as seguintes estrofes :

A ti de modo devido contei,
A ti de modo devido ensinei, o encanto,
De boa vontade sua natureza expliquei :
Nunca teria te deixado, tivesses agido direito.

Quem com muito esforço, Ó tolo ! aprende um encanto
Difícil para aqueles que agora moram no mundo,
Então, tolo ! Ganhando por fim um meio de vida,
O joga fora porque fala mentiras,

A tal tolo, estúpido, ansioso em mentir,
Ingrato, que não consegue se conter,-
Encantos, realmente ! Encantos poderosos não se dá a este :
Saia daqui e não me peça novamente !

Assim enxotado pelo professor o sujeito pensou, “O quê é a vida para mim ?” e afundando na floresta, morreu sem esperança.
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O Mestre tendo terminado este discurso, disse, “Não apenas agora, Irmão, Devadatra negou seu professor e teve destruição medonha” ; e assim falando, ele identificou o Jataka : “Naquele tempo Devadatra era o homem ingrato, Ananda era o rei e eu mesmo o homem de casta baixa.”

  

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

473 Buddha conselheiro




473
Como pode o sábio...etc.” - Esta história o Mestre contou enquanto residia em Jetavana sobre um cortesão justo e íntegro do rei de Kosala.
Este homem, dizem, era muito útil ao rei e por isto o rei o concedeu grande honra. Os outros cortesãos sendo incapazes de engulí-lo, o acusaram diante do rei de ter feito coisas para ferí-lo. O rei o inquiriu e não descobrindo nele nenhuma falta, pensou, “Não vejo nenhuma falta neste homem ; como posso saber se ele é amigo ou inimigo ?” E pensou, “Ninguém a não ser o Tathagata será capaz de decidir esta questão ; irei a ele e perguntarei.” Então após o desjejum visitou o Mestre e disse, “Como pode alguém dizer, Senhor, se uma pessoa é amiga ou inimiga ?” O Mestre então respondeu, “Sábios antigos, Ó rei, ponderaram este problema e questionaram o sábio sobre isto e seguindo o conselho deles, descobriram a verdade e afastando-se dos inimigos prestaram atenção a seus amigos.” Isto dito, com o pedido do outro, contou uma história do passado.

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Certa vez, quando Brahmadatra era rei de Benares, o Bodhisatva era um cortesão que o aconselhava em coisas temporais e espirituais. Naquele tempo, o resto insultava um certo cortesão que era correto. O rei não vendo nenhuma falta nele, perguntou ao Grande Ser, “Em quê pode alguém chamar outro de amigo ou inimigo ?” repetindo a primeira estrofe :

Como deve o sábio e prudente se esforçar, como discernir,
Quais gestos declaram ao olho ou ao ouvido a pessoa que é inimiga ?

Então o Grande Ser repetiu estas cinco estrofes para explicar as marcas de um inimigo :

Ele não sorri quando te vê, não indicará boas vindas,
Nem olhará para tal caminho e te responde com Não.

Teus inimigos ele honrá, não cuida dos teus amigos,
Aqueles que louvam teu valor ele pára, recomenda a teus detratores.

Não te conta nenhum segredo e teu segredo ele trai,
Nunca fala bem do que você faz, não louvará tua sabedoria.

Não se alegra com teu bem estar mas celebra teu mal :
Se recebe alguma iguaria, não pensa no teu nome,
Não se compadece de ti, nem grita alto – Ó, tenha meu amigo o mesmo !

Estas são as dezesseis marcas pelas quais se vê um inimigo
Estas se um sábio vê ou escuta ele conhece seu inimigo.

Como deve o sábio e prudente se empenhar, o que proporcionará discernimento,
Que gestos declaram ao olho ou ao ouvido a pessoa que é amiga ?

O outro assim questionado com estas linhas recitou as estrofes restantes :

Ausente ele lembra ; retornando ele se alegra :
Então na altura de sua alegria ele te saúda com sua voz.

Nunca honra teus inimigos e ama servir teus amigos,
Aqueles que te caluniam, ele pára ; quem te louva, ele recomenda.

Ele conta seus segredos para você e teus segredos nunca trai,
Fala sempre bem de tudo que você faz, tua sabedoria ama louvar.

Alegra-se de escutar sobre teu bem estar, e não celebra teu mal :
Se recebe alguma iguaria, direto pensa no teu nome,
Se compadece de ti e grita alto – Ó tenha meu amigo o mesmo !

Esta são as dezesseis marcas entre amigos bem estabelecidas,
As quais se um sábio vê ou escuta pode chamar um amigo de verdadeiro.

O rei, deleitado com a fala do Grande Ser, deu a ele grande honra.

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O Mestre, tendo terminado este discurso, disse, “ Assim, grande rei, esta questão surgiu em dias antigos, igual agora, e sábios falaram suas palavras ; por estes 32 sinais pode-se conhecer amigo ou inimigo.” Com estas palavras, ele identificou o Jataka : “Naquele tempo Ananda era o rei e eu mesmo era o sábio cortesão.”

  

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

472 Buddha no reino das serpentes

              




( Imagem em pedra do templo de Sañchi, próximo a Bhopal na Índia onde se vê o rei das serpentes com suas cinco cristas, com a esposa com apenas uma carregando cântaro e prato com ofertas para Buddha no stupa no centro da imagem, sendo a pessoa inclinada um auxiliar : o vice rei está do lado com menos cristas mas a criança herdeira já tem três. Do outro lado está o imperador buddhista Asokha ( séc. III a. C. ) e seu vice rei em elefantes, carros, cavalos : vieram em busca da relíquia de Buddha e a encontraram venerada no reino das serpentes para onde foi convidado a ir. Na imagem seguinte temos a extremidade a esquerda apagada em melhor definição com os nagas dentro d'água. As árvores são palmeiras, mangueiras, champakas e bignonias. No meio dos quadrinhos tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio dos quadrinhos. )

472
Nenhum rei... etc.” Esta história o Mestre contou enquanto residia em Jetavana sobre Ciñcamanavika.
Quando o Dasabala atingiu a sabedoria suprema, após os discípulos se multiplicarem e inúmeros deuses e pessoas nascerem em estados celestes e as sementes da bondade ter sido espalhada largamente, grande honra foi mostrada a ele e grandes ofertas feitas. Os heréticos eram como mariposas após o nascer do sol ; nenhum honra nem ofertas eles tiveram ; nas ruas eles ficaram e gritavam para as pessoas, “O quê , o asceta Gautama é o Buddha ? Nós somos Buddha também ! A oferta que gera grandes frutos, é apenas a dada a ele ? Aquela dada a nós também gera muitos frutos para vocês ! Dê-nos também, trabalhe conosco !” Mas apesar de gritarem, nenhuma honra nem ofertas conseguiram. Então reuniram-se em segredo e se aconselharam : “Como poderemos colocar uma mancha em Gautama o asceta diante das pessoas e acabar com estas honras e ofertas ?”
Bem, havia naquele tempo em Savatthi uma certa Irmã chamada Ciñcamanavika ; extremamente bela ela era, cheia de todos os encantos, uma sílfide mesmo ; raios brilhantes se projetavam de seu corpo. Alguém pronunciou em conselho uma crueldade assim : “Com a ajuda de Ciñcamanavika jogamos uma mancha no asceta Gautama e terminamos com as honras e ofertas que recebe.” “Sim,” todos concordaram, “este é o jeito de fazer isto.”
Ela veio para o mosteiro dos hereges, os saudou e permaneceu parada. Os hereges nada disseram a ela. Ela falou, “Tenho culpa de que ? Três vezes os saudei !” Ela disse novamente, “Senhores, de que me acusam ? Por quê não falam comigo ?” Eles responderam, “Não sabes, Irmã, que Gautama o asceta vae por aí causando-nos dano, cortando toda honra e liberalidade que nos era apresentada ?” - “Não sabia disto, Senhores ; mas o quê posso fazer ?” - “Se você nos quer bem, Irmã, faça algo que manche o asceta Gautama e acabe com as honras e ofertas que recebe.” Ela respondeu, “Muito bem, Senhores, deixem comigo ; não se perturbem com isto.” Com estas palavras ela partiu.
Após o quê, ela usou toda a habilidade feminina para enganar. Quando o povo de Savatthi escutava a Lei e saíam de Jetavana, ela passou a ir em direção a Jetavana, vestida com uma roupa tingida de cochinilha, vermelho, e com guirlandas fragrantes nas mãos. Quando alguém a questionava, “Para onde vais a esta hora ?” ela respondia “O que você tem a ver com minhas idas e vindas ?” Ela passava a noite no mosteiro dos hereges que era próximo de Jetavana : e quando cedo pela manhã, os leigos associados da ordem saíam da cidade para prestar sua saudação matinal, ela encontrava com eles como se tivesse passado a noite em Jetavana, indo em direção à cidade. Se alguém questionasse onde ela estava, ela respondia, “O quê você tem a ver com minhas estadias e hospedagens ?” Mas após algumas seis semanas ela respondia, “Passei a noite em Jetavana, com Gautama o asceta, em uma cela fragrante.” Os inconversos passaram a cogitar se podia ser verdade ou não. Após três ou quatro meses, ela amarrou faixas ao redor da barriga e fez parecer como se tivesse grávida e vestiu um manto vermelho sobre si mesma. Então declarou que estava com filho do asceta Gautama e fez tolos cegos acreditarem. Após oito ou nove meses, amarrou pedaços de madeira em uma trouxa e por toda sua roupa vermelha ; mãos, pés e costas ela fez que se batessem com mandíbula de vaca de modo a produzir inchaços ; e fez como se todos os seus sentidos estivessem cansados. Uma noite, quando o Tathagata estava sentado no esplêndido assento da pregação, e pregava a Lei, ela foi para o meio da congregação e ficando de frente para o Tathagata disse, -”Ó grande asceta ! Pregas realmente para grandes multidões ; doce é sua voz e macio seu lábio que cobre os dentes ; mas você me engravidou e meu tempo está próximo ; e ainda assim não me designas nenhum recinto para ter a criança, nem me dás ghee nem óleo ; o quê você mesmo não faz, nem pede para outro associado leigo fazer, o rei de Kosala ou Anathapindika, ou Visakha a grande Irmã leiga. Por quê não falas para um destes fazer o quê deve ser feito por mim ? Você sabe ter seu prazer mas não sabe cuidar do que nascerá !” Então ela insultou o Tathagata no meio da congregação, qual alguém que pode tentar enodoar a face da lua com uma mão cheia de poeira. O Tathagata parou seu discurso e gritando como um leão em tons de clarim, ele disse, “Irmã, se isto que dizes é verdadeiro ou falso, apenas eu e você sabemos.” “Sim, verdadeiramente,” disse ela, “este acontecimento apenas eu e você sabemos.”
Justo neste momento, o trono de Sakra tornou-se quente. Refletindo, ele percebeu a razão : “Ciñcamanavika está acusando o Tathagata de algo falsamente.” Determinado a esclarecer este assunto, ele foi para lá acompanhado de quatro deuses. Os deuses tomaram então a forma de camundongos e todos juntos roeram as cordas que amarravam a trouxa de madeira : uma brisa soprou a roupa que ela vestia e a trouxa de madeira apareceu e caiu aos pés dela : os dedos de ambos seus pés foram cortados. O povo gritava - “Uma bruxa está acusando o Supremo Buddha !” Eles cuspiram na cabeça dela e a expulsaram de Jetavana com paus e pedras em suas mãos. E quando ela passou para além do alcance da visão do Tathagata, a grande terra escancarou-se e expôs uma grande abertura, chamas saíram do mais baixo ínfero e a envolveram como se fora roupa que amigas vestem nela em casamento, levando-a ao mais baixo ínfero e lá re- nascendo. As honras e receitas dos hereges cessaram, as do Dasabala cresceram mais abundantemente.
Dia seguinte conversavam no Salão da Verdade : “Irmão, Ciñcamanavika falsamente acusou o Supremo Buddha, grande em virtude, merecedor de todos os dons ! E acabou em destruição medonha.” O Mestre entrou e perguntou sobre o quê conversavam sentados lá juntos. Disseram a ele. Ele respondeu, “Não apenas agora, Irmãos, esta mulher falsamente me acusou e acabou em medonha destruição mas antes aconteceu o mesmo.” Assim falando, ele contou uma história do passado.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares o Bodhisatva nasceu como filho de sua rainha ; e porque sua aparência toda abençoada era como uma lótus inteiramente aberta, o chamaram Paduma Kumara, que quer dizer, Príncipe Lótus. Quando cresceu foi educado em todas as artes e realizações. Então sua mãe deixou a vida ; o rei arranjou outra esposa e indicou seu filho para vice rei.
Depois disso o rei, saindo para apaziguar um levante na fronteira, disse a sua esposa, “Você, senhora, fique aqui, enquanto parto para apaziguar a insurreição na fronteira.” Mas ela respondeu, “ Não, meu senhor, aqui não vou ficar mas irei contigo.” Ele então apresentou a ela o perigo que estava colocado no campo de batalha adicionando a ele isto : “Fique portanto aqui sem se avexar até que eu retorne e encarregarei Príncipe Paduma que cuide de tudo que deva ser feito para você e então irei.” Assim ele fez e partiu.
Quando já tinha dispersado os inimigos e pacificado o campo, retornou e erigiu acampamento fora da cidade. O Bodhisatva sabendo da volta de seu pai, adornou a cidade e colocando um vigia no palácio real, saiu sozinho para encontrar seu pai. A Rainha observando a beleza de sua aparência, ficou apaixonada por ele. Pedindo licença a ela o Bodhisatva disse, “Posso fazer algo por vós, mãe ?” “Mãe, você me chama ?” cotejou ela. Se levantou e pegou as mãos dele dizendo, “Deite na minha cama !” “Por quê ?” ele perguntou. “Apenas até o rei chegar,” ela disse, “gozemos ambos as bençãos do amor !” “Mãe, és minha mãe, tens um marido vivo. Nunca se ouviu tal coisa que uma mulher, uma matrona, deva quebrar a lei moral à guisa de luxúria carnal. Como faria tal ato poluidor com você ?” Duas, três vezes ela o buscou e quando ele não quis, ela disse, “Então você se recusa a fazer como peço ?” - “Sim, realmente recuso.” - “Falarei então ao rei e farei com que sejas decapitado.” “Faça como quiseres,” respondeu o Grande Ser ; e ele a deixou envergonhada. Então grandemente assustada ela pensou : “Se ele contar ao rei primeiro, não sairei viva ! Devo falar dele primeiro eu mesma.” De acordo com isto, deixando sem tocar sua comida ela vestiu uma roupa suja e fez arranhões com as unhas no seu corpo ; dando ordens a suas atendentes que no momento que o rei perguntasse sobre como estava a rainha ele devia saber que ela estava doente, deitou-se fingindo uma pretensa doença.
Bem, o rei fez uma procissão solene ao redor da cidade no sentido horário e foi para sua residência. Quando não a viu, perguntou, “Onde está a rainha ?” “Ela está doente,” eles disseram. Ele entrou no quarto de estado e a questionou, “O quê há de errado contigo, senhora ?” Ela fingiu que anda escutou. Duas, três vezes ele perguntou e então ela respondeu, “Ó grande rei, por quê perguntas ? Fique em silêncio : mulheres que têm marido devem ficar quietas como eu.” “Quem te incomodou ?” disse ele. “Diga-me rapidamente e eu cortarei a cabeça dele.” - “A quem você deixou na tua retaguarda nesta cidade quando partiste ?” - “Príncipe Paduma.” “E ele,” ela continuou, “entrou no meu quarto e eu disse, Meu filho, não faça isto, sou tua mãe : mas apesar do que eu falava ele gritava, Ninguém é rei aqui a não ser eu e levarei você para minha residência e gozarei do teu amor ; então me pegou pelos cabelos da cabeça e puxava repetidamente e como não me rendia à vontade dele, me feriu, me bateu e partiu.” O rei não investigou nada mas furioso como uma serpente, ordenou a seus homens, “Vão e amarrem Príncipe Paduma e tragam-no para mim !” eles foram na casa dele, como se infestando a cidade, amaram e bateram nele, amarraram sua mãos apertadas atrás das costas, colocaram no seu pescoço a guirlanda de flores vermelhas, tornando-o criminoso condenado e o levaram para lá, batendo nele durante o caminho. Para ele era claro que isto era obra da rainha e enquanto ia gritava, “Ei companheiros, não sou eu que fez ofensa ao rei ! Sou inocente.” Toda a cidade ficou borbulhante com a notícia : “Dizem que o rei irá executar Príncipe Paduma à mando de uma mulher !” Reuniram-se, caíram aos pés do príncipe, lamentando com muito barulho, “Você não merece isto, meu senhor !”
Por fim o trouxeram para diante do rei. À vista dele, o rei não pode conter o quê estava em seu coração e gritou, “Este sujeito não é rei mas se faz de rei muito bem ! Meu filho ele é ainda assim insultou a rainha. Fora com ele, atirem-no do penhasco dos ladrões, terminem com ele !” Entretanto o príncipe disse a seu pai, “Tal crime não jaz à minha porta, pai. Não me mate devido à palavra de uma mulher.” O rei não o escutava. Então todos aqueles da corte real, dezesseis mil em número, levantaram um grande lamento, dizendo, “Querido Paduma, poderoso Príncipe, nunca mereceste este procedimento !” E todos os chefes guerreiros e os grandes magnatas da terra e todos os cortesãos ajudantes gritaram, “Meu senhor ! O príncipe é um homem de bondade e vida virtuosa, que observa as tradições de sua raça, herdeiro do trono ! Não o mate devido a palavra de uma mulher, sem uma audiência ! O dever de um rei é agir com toda circunspecção.” Assim falando, eles repetiram sete estrofes :

Nenhum rei deve punir uma ofensa sem ouvir qualquer defesa,
Sem examinar inteiramente todos os pontos, grandes e pequenos.

O chefe guerreiro que pune uma falta antes de a pôr à prova,
É como uma pessoa nascida cega, que come osso e moscas na comida .
Quem pune o sem culpa e deixa ir o culpado, sabe
Tanto quanto um que cego vae numa estrada escarpada.

Aquele que tudo isto examina bem, as coisas grandes e pequenas,
E a tanto administra, merece ser o líder de todos.

Aquele que se eleva não deve ser todo gentilezas
Nem todo severidade : mas ambas estas coisas praticar junto.

Desprezo, o todo gentilezas ganha e o apenas severo, ira :
Portanto esteja bem ciente do par e mantenha o caminho do meio.

Muito faz a pessoa irada, Ó rei, e muito pode dizer o desonesto :
Portanto por causa de uma mulher não mate teu filho.

Contudo apesar de tudo que disseram e de vários modos, não conseguiram que seguisse seus conselhos. O Bodhisatva também, por mais que suplicasse não conseguiu persuadi-lo a escutar : não, o rei disse, cego tolo - “Fora ! Joguem-no do promontório dos ladrões !” repetindo a oitava estrofe :

De um lado está todo o mundo, minha rainha sozinha do outro ;
Ainda assim me apego a ela : joguem-no para baixo do penhasco e saiam !
Com estas palavras, nenhuma das dezesseis mil mulheres ( do harém ) puderam permanecer sem se mexer, enquanto toda a população esticava as mãos e puxava os cabelos, lamentando-se. O rei disse, “Deixem estes protestarem contra o jogar este sujeito do penhasco !” e e entre seus seguidores, apesar da multidão lastimar ao redor, fez com que o príncipe fosse pego e atirado do precipício pelos tornozelos de cabeça para baixo.
Então a deidade que habitava na montanha, pelo poder de sua própria gentileza, confortou o príncipe, dizendo, “Nada tema, Paduma !” e com ambas as mãos o pegou, apertou-o no coração, enviou um arrepio divino através dele, colocou-o na morada das serpentes de oito níveis, debaixo da crista do rei das serpentes. O rei serpente recebeu o Bodhisatva na morada das serpentes e deu a ele metade de sua própria glória e propriedade. Lá ele morou durante um ano. Então ele disse, “Voltarei para os caminhos das pessoas.” “Para onde ?” eles perguntaram. “para o Himalaia, para viver uma vida religiosa.” O rei serpente deu seu consentimento ; pegando-o, o transportou até o lugar onde pessoas vão e vêm e deu a ele todos os requisitos dos religiosos e voltou para seu próprio lugar.
Então ele seguiu para o Himalaia e abraçou a vida religiosa e cultivou a faculdade da benção ênstática ; lá residiu, alimentando-se de frutas e raízes da floresta.
Bem, um mateiro que morava em Benares, chegou naquele lugar e reconheceu o Grande Ser, “Não és,” ele perguntou, “o grande Príncipe Paduma, meu senhor ?” “Sim, Senhor,” ele respondeu. O outro saudou-o e lá por alguns dias permaneceu. Então ele retornou para Benares e disse ao rei ; “Teu filho, meu senhor, abraçou a vida religiosa na região do Himalaia e vive numa cabana de folhas. Estive com ele e de lá venho.” “Você o viu com seus próprios olhos ?” perguntou o rei. “Sim, meu senhor.” O rei com uma grande hoste foi lá e na franja da floresta fincou acampamento ; então, com seus cortesãos ao redor, foi saudar o Grande Ser, que estava sentado na porta de sua cabana de folhas, em toda a glória de sua forma dourada, e sentou a um dos lados dele ; os cortesãos também o saudaram, falaram agradavelmente com ele e também sentaram em um dos lados. O Bodhisatva por sua parte convidou o rei a partilhar de suas frutas silvestres, conversando também simpaticamente. Então disse o rei, “Meu filho, por mim foste jogado num precipício abismal e contudo estás vivo ?” Perguntando o quê, repetiu a nona estrofe :

Qual dentro de uma boca do inferno, foste atirado de montanha saliente,
Sem socorro – muitas palmeiras no fundo : como ainda estás vivo ?

Estas são as estrofes restantes e das cinco, tomadas alternativamente, três foram ditas pelo Bodhisatva e duas pelo rei.

Uma serpente poderosa, cheia de força, nascida naquela montanha
Me acolheu nos seus anéis ; e aqui salvo da morte estou.

Olhem ! Te levarei de volta, Ó príncipe, para minha própria residência :
E lá – o quê é a floresta par ti ? - com bençãos reinarás.

Qual alguém que engoliu um anzol e arrancando-o faz sangrar,
Arrancar é felicidade : assim vejo em mim esta benção e bondade.

Por quê falas sobre anzol, por quê falas de sangue,
Por quê falas de arrancar ? Diga-me, imploro.

Luxúria é o anzol : bons elefantes e cavalos qual sangue apresento ;
Estes renunciando, arranco ; isto, chefe, deves saber.

Assim, Ó grande rei, ser rei nada é para mim ; mas vejas que não quebres as Dez Virtudes Reais e evites fazer o mal e legisle retamente.” Com estas palavras o Grande Ser aconselhou o rei. Ele com choro e lamento partiu e no caminho para sua cidade perguntou a seus cortesãos : “Por culpa de quem rompi com um filho tão virtuoso ?” eles responderam, “Da rainha.” A ela o rei fez com que se pegasse e jogasse de cabeça para baixo no promontório dos ladrões e entrando em sua cidade legislou retamente.
__________________________

Quando o Mestre terminou seu discurso, disse, “Assim, Irmãos, esta mulher me fez mal em dias anteriores e alcançou destruição medonha ;” e então identificou o Jataka repetindo a última estrofe :

Senhora Ciñca era a mãe,
Devadatra era meu pai,
Eu era então o Príncipe seu filho :
Sariputra era o espírito,
E a boa cobra, declaro,
Era Ananda.


quarta-feira, 27 de novembro de 2013

471 Osadha e Amara ( cont. )





( na ilustração pintura nas paredes da caverna de Ajanta dos quatro sábios, Senaka, Pukkusa, Kavinda e Devinda conversando com o sábio Osadha )

     471    Osadha & Amara (cont.)

             Seguem os números das contas todas: 110, 111, 112, 170, 192, 350, 364, 387, 402, 452, 471, 500, 508, 515, 517, 528 e o próprio 546.

Outro dia, o rei após o café da manhã andava para cima e para baixo na longa calçada quando viu através de um portão um bode e um cachorro tornando-se amigos. Este bode tinha o hábito de comer a grama atirada aos elefantes do lado do estábulo deles antes que eles a tocassem ; os guardadores dos elefantes batiam nele e o afastavam ; e enquanto fugia balindo, um sujeito correndo rapidamente atrás, bate nas costas dele com uma vara. O bode com as costas curvadas de dor foi e deitou junto da grande muralha do palácio , em um banco. Havia um cachorrro que alimentava-se todos os dias dos restos, ossos, peles, da cozinha real. Naquele mesmo dia quando o cozinheiro terminou de preparar a comida e a colocar nas travessas, enquanto limpava o suor de seu corpo, o cachorro não conseguiu suportar o cheiro da carne e do peixe e entrando na cozinha, puxou o pano de prato e começou passou a comer a carne. Mas o cozinheiro escutando o barulho dos pratos correu para dentro e viu o cachorro : ele fechou ruidosamente a porta e bateu nele com varas e pedras. O cachorro soltou a carne da boca e fugiu latindo ; e o cozinheiro vendo-o correr, correu atrás e o atingiu em cheio nas costas com uma vara. O cachorro com as costas dobradas e mancando de uma perna chegou no lugar onde o bode estava deitado. Então o bode disse,”Amigo, por quê suas costas estão dobradas ? Sofres de cólica ?” O cachorro respondeu, “Você também está com as costas curvadas, está tendo um ataque de cólicas ?” Ele contou a sua história. Então obode adicionou, “Bem, voltarás à cozinha novamente ?” “Não, vale tanto quanto minha vida – Poderás voltar ao estábulo novamente ?” “Não, mais do que você, vale tanto quanto a minha vida.” Passaram a cogitar como viveriam. Então o bode disse, “Se arranjássemos de viver juntos, tenho uma ideia.” “Prego, diga.” “Bem, senhor, deves ir ao estábulo ; os guardadores de elefantes não vão te notar, pois ( pensam eles ) que você não come grama ; trarás miha grama. Irei até a cozinha e o cozinheiro não me notará pensando que não como carne e assim te trarei carne.” “Este é um bom plano”, disse o outro e fizeram uma barganha : o cachorro foi para os estábulos e trouxe um punhado de grama em seus dentes e deixou junto do grande muro ; o outro foi para a cozinha e trouxe para fora um grande pedaço de carne em sua boca para o mesmo lugar. O cachorro comeu a carne e o bode comeu a grama ; e então com este artifício viveram juntos em harmonia ao lado da grande muralha. Quando o rei viu a amizade deles pensou -”Nunca tinha visto tal coisa antes. Aqui temos dois inimigos naturais vivendo em amizade juntos. Colocarei isto na forma de uma pergunta para meus sábios ; aqueles que não entenderem banirei do reino e se algum adivinhar, o declararei sábio incomparável e prestarei toda honra. Ho-je não dá tempo ; mas a-manhã quando vierem para junto de mim, farei a pergunta.” Dia seguinte quando os sábios vieram para junto dele, fez a pergunta com estas palavras :

Dois inimigos naturais, que nunca antes no mundo poderiam aproximar-se sete passos um do outro, tornaram-se amigos inseparáveis. Qual a razão ?

Após isto adicionou outra estrofe :

Se ho-je antes do meio dia não puderes resolver esta questão,
banirei vocês todos. Não preciso de pessoas ignorantes.

Bem, Senaka estava sentado no primeiro assento, o sábio ( mah'Osadha ) no último ; e pensou o sábio consigo mesmo, “Este rei é muito lento de raciocínio para ter pensado esta questão por si mesmo, ele deve ter visto algo. Se conseguir um dia de prazo resolverei o enigma. Senaka com certeza encontrará um meio de adiar por um dia.” Os quatro outros sábios nada conseguiam enxergar sendo como homens emum quarto escuro : Senaka olhou para o Bodhisatva para ver o quê ele faria, o Bodhisatva olhou para Senaka. Pelo jeito que Mah'Osadha olhou Senaka percebeu seu estado de mente ; percebeu que mesmo este homem sábio não entendeu a questão, não poderia responder ho-je mas queria um dia de prazo ; ele realizaria este desejo. Então riu alto para ganhar confiança e disse, “O quê, senhor, você banirá todos nós se não pudermos responder tua questão ?” “Sim, senhor.” “Sabes que é uma questão espinhosa e que não podemos resolvê-la ; mas dê um pouco de tempo. Uma questão difícil não pode ser resolvida no meio da multidão. Vamos meditar nela, e depois explicá-la a ti. De modo que , dê-nos uma chance.” Assim ele falou confiando no Grande Ser e então recitou estas duas estrofes :

Em uma grande multidão, onde há um grande barulho de gente reunida, nossas mentes são distraídas, nossos pensamentos não podem se concentrar e não podemos resolver o enigma. Mas sozinhos, calmos em pensamentos, separados, iremos e vamos ponderar sobre o assunto, em solitude agarrando-se a ele então o resolveremos para ti, Ó senhor dos homens.

O rei, exasperado como estava na fala, disse, ameaçando-os, “Muito bem, meditem sobre e me digam ; se não resolverem, banirei vocês.” Os quatro sábios deixaram o palácio e Senaka disse aos outros, “Amigos, uma questão difícil esta que o rei nos colocou ; se não a resolvermos, tememos por nós mesmos. Portanto alimentem-se bem e reflitam cuidadosamente.” Após o quê foram cada um para sua própria casa. O sábio por seu lado levantou-se e procurou a Rainha Udumbara e disse a ela, “Ó rainha, onde ficou o rei ho-je e ontem ?” “Andando para cima e para baixo no grande corredor, bom senhor, e olhando para fora pela janela.” “Ah,” pensou o Bodhisatva, “ele deve ter visto algo lá.” Então foi para o lugar e olhou para fora e viu os afazeres do bode e do cachorro. “O enigma do rei estava resolvido !” ele concluiu e foi para casa. Os três outros não descobriram nada e foram até Senaka que perguntou, “Resolveram o enigma ?” “Não mestre.” “Se é assim, o rei banirá vocês ; o quê farão ?” “Mas você descobriu ?” “Na realidade não, não eu.” “Se você não pode resolver, como nós poderíamos ? Rugimos feito leões diante do rei e dissemos, Deixe-nos pensar que resolveremos ; e agora que não podemos, ele ficará irado. Que faremos ?” “Este enigma não é para nós resolvermos : sem dúvida o sábio o resolveu de cem modos diferentes.” “Então vamos até ele.” Foram todos os quatro até a porta do Bodhisatva e mandaram avisar de sua chegada e entraram e falaram polidamente com ele ; permanecendo em um lado perguntaram ao Grande Ser, “Bem, senhor, pensaste no enigma ?” “Se eu não tivesse pensado, quem o faria ? Claro que pensei.” “Então nos diga.” Ele pensou consigo mesmo, “S'eu não dizer o rei os banirá e me honrará com as sete coisas preciosas. Mas não deixemos que estes tolos pereçam - direi a eles.” Então os fez sentarem em lugares baixos e levantarem suas mãos em saudação e sem dizer o que o rei realmente viu, compôs quatro estrofes e ensinou uma para cada um deles na língua Pali, para recitarem quando o rei perguntar e os mandou saírem. Dia seguinte eles foram para juto do rei e sentaram onde lhes foi indicado e o rei perguntou a Senaka,”Resolveste o enigma, Senaka ?” “Senhor, s'eu não soubesse quem o poderia ?” “Diga-me então.” “Escute, meu senhor, “ e ele recitou a estrofe como lhe foi ensinada :

Jovens mendigos e jovens príncipes gostam e se deliciam com carne de carneiro ; carne de cachorro não comem. Ainda assim pode haver amizade entre carneiro e cachorro.

Apesar de Senaka recitar a estrofe não sabia o significado ; mas o rei sabia porque ele viu a coisa. “Senaka descobriu,” ele pensou ; e então se virou para Pukkusa e questionou-o. “O quê ? Não sou sábio ?” perguntou Pukkusa e recitou a estrofe que lhe foi ensinada :

Eles tiram a pele do carneiro para cobrir as costas do cavalo mas pele de cachorro não usam para cobrir : ainda assim pode haver amizade entre carneiro e cachorro.

Nem ele entendeu a matéria mas o rei pensou que ele entendia porque vira a cena. Então ele perguntou a Kavinda que também recitou esta estrofe :

Chifres torcidos tem um carneiro, o cachorro não tem nenhum ; um come grama, outro come carne : ainda assim pode haver amizade entre carneiro e cachorro.

Ele descobriu também,” pensou o rei e passou para Devinda ; que como os outros recitou a estrofe que lhe fora ensinada :

Gramas e folhas come o carneiro, o cachorro nem grama nem folhas ; o cão comeria uma lebre ou um gato : ainda assim pode haver amizade entre carneiro e cachorro.

Em seguida o rei questiona o sábio : “ Meu filho, você entendeu este enigma ?” “Senhor, quem mais pode entendê-lo de Avici a Bhavarga, do mais baixo ínfero ao mais alto céu ?” “Diga-me então.” “Escute, senhor” ; e ele esclareceu seu conhecimento do fato recitando estas duas estrofes :

O carneiro, com oito meias patas em seus quatro pés, oito cascos, sem ser observado, traz carne para o outro e este leva grama para ele. O chefe de Videha, o senhor dos homens, em seu terraço contemplou com seus próprios olhos o intercâmbio de alimentos ofertados de cada um para o outro, entre 'au-au' e 'mé-mé'.

O rei, sem saber que os outros tem seu conhecimento através do Bodhisatva, ficou deliciado em pensar que os cinco haviam descoberto o enigma cada um por suaprópria sabedoria e recitou esta estrofe :

Não é pouco ganho ter pessoas tão sábias em minha casa. Um assunto profundo e sutil, expuseram em nobres falas, homens inteligentes !

Então disse a eles, “O bem com o bem se paga” e disse a seguinte estrofe :


Para cada um dou uma carruagem e uma mula, para cada um uma rica cidade, bem rica, estas dou a todos os sábios, deliciado com suas nobres palavras.”

    

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

[ n. do tr. : sobre a ambrosia, amrita ]





                        ( pintura de Ajanta )

           ( capítulo de 'Plutarco Védico' isbn 978-85-906438-0-7 )
            
            Georges Dumézil, Le festin d'immortalité. Étude de mythologie comparée indo-européenne. Annales du Musée Guimet, Paris, 1924 . Neste livro o autor fala da história comum da ambrosia, amrita, néctar, cerveja, soma, esta bebida, alimento, sagrado de que trata o Jataka anterior. A tradição védica unia culturalmente todo o mundo. Ele fez uma tábua de concordância resumindo no final do livro resumindo os paralelos. Entre colchetes são acréscimos meus. O autor B. Chakravarti, The Indians and the Amerindians, 4 vol, Calcutta, 1992, mostra todas as provas e evidências que o 'batimento do mar de leite', é a travessia do oceano Pacífico entre Ásia e América em comércio nos tempos antigos. O aeroporto de Nazca é para pousar veículos aéreos desta época. O asura Maya são os Mayas experts em construção e arquitetura. Daí o asura Mali é Mali o grande império africano. Bali Bali. A tábua de concordância permite dizer que a cultura védica espalhava-se por todo o mundo unindo-o.

                                             Tábua de Concordância


            1. O Ciclo Hindu ( amrta )

I. - Os Devas temem a morte. Eles deliberam sobre os meios de preparar o alimento da imortalidade, a amrta. Aconselhados por Vishnu, decidem bater o oceano em seu “vaso”. Combinam com os Asuras sobre isto [ ambos trabalham no batimento ].
Conquista dos instrumentos : os Devas, entre outras coisas, vão pedir ao Mestre das Águas que emprestem o oceano para a operação.
Batem o oceano ; [ a espuma do mar batido é como a espuma do leite batido gerando todos os alimentos ]. A amrta aparece assim como diversos seres divinos ( Lakshmi, uma multidão de Apsaras, ... ). Um veneno, nascido do batimento excessivo, ameaça o mundo ; ele é absorvido por Shiva.

III. - Os Asuras pegam a amrta e reclamam além do mais a posse da deusa Lakshmi.
Vishnu – Narayana se reveste com a aparência de Lakshmi e acompanhado de Nara também disfarçado de mulher, seguiu para a residência dos Asuras. Estes loucos de amor, entregam a amrta à falsa deusa que a leva aos Devas.

II. - Os Devas reunidos bebem a amrta. O Asura Rahu se junta subrepticiamente a eles. Denunciado, é decapitado por Vishnu. Ao cair seu corpo faz tremer a terra.

IV. Guerra generalizada. Os Asuras, vencidos sobretudo por Vishnu, são precipitados nas águas e sobre a terra. Os Devas guardam definitivamente a amrta. [ Entre os Asuras perdem a amrta por não seguir, permanecer com, Vishnu, o sacrifício ].


             2. O Ciclo Iraniano ( Ameretât e a Criação )

I. - Ahura-Mazda busca livrar sua criação da morte, da fome, da sede... Ele oferece aliança à Angra-Mainyu que recusa. ( Outra versão : trata-se de preparar em comunhão um festim ( Eznik ) ).
O deus Tistrya vae conquistar o Mar do demônio Apaosha no curso de um duelo de metamorfoses.
Ahura-Mazda cria, a partir da “boa luz” ( que está neste mar ? ), os Amesha-Spenta ( os santos imortais ), entre outros Ameretât, gênio da imortalidade ( cf. Gaokerena, a planta da imortalidade que está neste mar ). Um veneno, originário deste mar, e ameaçando de destruir a criação, é neutralizado por Tistrya.
III. - Angra-Mainyu quer tirar da criação de Ahura-Mazda a saúde, a vida, etc... ( cf. Ameretât ) : sua filha, Djahi, vae em expedição contra o ser humano, a criação, etc..., e arranca dele tudo isto.
II. - IV. - Angra-Mainyu penetra no Céu, de onde Ahura-Mazda o precipita.
Guerra entre os Daeva e os Yazata. Os Daeva são massacrados e Angra-Mainyu amarrado ao monte Arezura.

    3. O Ciclo Escandinavo ( cerveja dos Ases )

I. - Os Ases não têm o quê comer. Eles deliberam. Com o conselho de Thor, eles decidem que é Aegir, deus do mar, que baterá a cerveja para eles. Aegir pede que lhe forneçam primeiro uma Cuba.
Conquista da Cuba : Thor e Tyr vão na residência do gigante Hymir ( gênio do mar de inverno ) ; elas trazem a imensa Cuba do Mar após uma série de provas ( Thor mata o boi preto, pesca a serpente ... ).
Nesta cuba, Aegir bate a cerveja dos Ases.
II.- Os Ases, reunidos, bebem a ceveja. Loki, “excomungado”, se junta a eles e pede para beber. Após uma cena de briga, os Ases expulsam Loki e o amarram em um rochedo. Com seus estremecimentos, Loki provoca os tremores de terra.

III. - O gigante Thrym rouba o único objeto que assegura aos Ases duração e hegemonia : o martelo de Thor. Thrym declara que não o devolverá se não o entregarem em troca a deusa Freya.
Thor se disfarça de Freya e seguido de Loki vae na casa de Thrym que louco de amor, entrega o objeto de perenidade à falsa noiva.
IV.- Thor massacra Thrym e os Gigantes.


                     4. Ciclos Gregos ( ambrosia e Ambrosia )

I.- Os deuses precisam de um alimento; - ou Zeus, Dionisos de uma ama
Este alimento é ambrosia produzida pelo oceano; ou antes esta nutriz é a Oceânida Ambrosia.

II. - Um homem ( Tântalo... ) senta à mesa dos deuses. Ele furta ambrosia.
Os deuses o esmagam debaixo de um monte ( Sipyle ) ou sob a ameaça de um rochedo suspenso ...

III. - Ambrosia ( nutriz de Dionisos ) envelheceu. Então Dionisos lhe torna jovem trocando o sexo. [ Teseu e os atenienses disfarçados de mulher entregues ao minotauro no labirinto de Minos em Creta, o dédalo das prescrições do legislador da Grécia ; na volta Ariadne vae com Dionisos ].

IV. - Guerra dos Deuses e dos Titãs : ambrosia assegura aos deuses a vitória, pela aliança dos Cem – Braços ( cf. o pharmakon da imortalidade na guerra dos Deuses e dos Gigantes ).

           4 bis. Um Ciclo Grego, Beócio ? ( Prometeu e o tonel da imortalidade ).

I. - Os deuses ( ao redor de Zeus ) e os homens ( ao redor de Prometeu ) se reúnem para uma refeição solene. [ a cena é semelhante a de devas e asuras sentados em dois grupos separados, com Mohini, Vishnu mulher, servindo a ambos ].
Prometeu prepara a comida. ( Segundo Ésquilo, colaboração de Prometeu e Oceano ).

II.- Prometeu dá aos homens por astúcia a parte da comida que parecia de direito aos deuses. Zeus se vinga escondendo o trigo ( e também o fogo necessário para cozinhar este alimento ; Prometeu rouba o fogo num oco de bambu ).
Os deuses prendem Prometeu e o amarram a um monte.

III.- Prometeu e Epimeteu furtam de Zeus o tonel que contem “ausência de morte” ( ou as doenças mortais ).Os deuses fabricam uma forma feminina misteriosa, Pandora, que enviam,conduzida por Hermes, qual noiva à Epimeteu. Pandora, enlouquecendo Epimeteu de amor, abre o tonel de onde escapa “ausência de morte” ( ou as doenças mortais ).

IV.- Os deuses supliciam os irmãos de Prometeu e de Epimeteu : Menoitos, Atlas.



              5. O Ciclo Latino ( Anna Perenna )

I. Os Plebeus estão ameaçados de morrer de fome sobre o Monte Sacro. Anna Perenna, “nutriz de perenidade”, [ anna é comida, alimento, em sânscrito ] prepara e leva a eles comida.
( O ciclo laviniano guardou aqui um traço de duelo marinho : Battus, rei da ilhota de Melita, intimado a libertar Anna Perena ).
Anna Perenna é promovida a deusa.
III. - Marte quer Minerva para esposa. Anna Perenna se disfarça de Minerva e acompanhada do cortejo normal de noivas caminha para a casa de Marte. Marte enganado.. Estrondo geral de riso. ( Sobre a cista de Preneste, Minerva vae reconquistar na casa de Marte, através de um “duelo amoroso”, um dolium de conteúdo líquido ).

II. - ( A cena de Mamurius ( = Marte ) expulso e flagelado está amarrada em outro ciclo ). [ no caso o ciclo de Mamurius Veturius, veterem memoriam, e do escudo que desce do céu ].




[ Referências hindus :

Pramenta / Prometeu é o pedaço de cima de madeira que no batimento com outra de baixo faz o fogo védico ritual, simbolizando a unidade homem/mulher. Prometeu e as Oceânidas. A história de Eros e Psiquê reproduz a de Pururavas e Urvasi. Pururavas teria criado o primeiro fogo sacrifical.

Agni se afastou dos deuses ; entrou num bambu daí ser oco e daí dentro dele ser, como que, esfumaçado : por isto que o bambu é o útero de Agni ... ; o útero não injuria a criança. Pois é do útero que quem nasce, nasce : 'do útero ele Agni nascerá quando nascer', assim se pensa.” Satapatha Brahmana parte 3 pg 200.


O significado místico deste altar de Fogo, sem dúvida, é a Fala ( Verbo ) ; pois ele é construído com fala : com Rig ( veda ), o Yagus ( veda ) e o Saman ( veda ) quais divinas ( falas ) ; ... Bem esta fala é tripla – os versos Rig, as fórmulas Yagus e as músicas Saman ; - portanto o altar de Fogo é triplo, enquanto construído com esta tríade... Este corpo ( do altar ) realmente é triplo ; e com este corpo triplo ele obtem a Amrita ( nectar, imortalidade ) tripla divina. Todas estas lajotas são femininas pois são chamadas a partir da fala ( vak, f. ) pois tudo aqui é feminino – apesar de feminino, masculino ou neutro – pois pela fala foi tudo aqui obtido.” Satapatha Brahmana parte IV pg 364 s.

  Kathopanisad IV, 7s
                                         "Ele sabe através da experiência direta que o fogo sacrifical que é produzido dentro de si mesmo pela meditação dia após dia sobre Brahma na inspiração e na expiração. Qual mulher grávida que alimenta o embrião, ou a pessoa que cuidadosamente preserva o fogo sacrifical jogando oblações nele, o Brahmayoguin também está sempre desperto para preservar o fogo do conhecimento de Brahman nele meditando constantemente. É este sopro vital ( prana ) portanto na qual a meditação em Brahman é praticada que constitue o eixo da roda por assim dizer, na qual os aros são fixos. Em outras palavras, este tipo de sopro ou prana é o Brahman de quem manifesta-se as várias deidades dos sentidos, fogo e sol e em quem eles todos descansam." ]