quinta-feira, 21 de novembro de 2013

[n. do tr. : sobre a ambrosia, amrita ]





               ( pintura de Ajanta )

           Georges Dumézil, Le festin d'immortalité. Étude de mythologie comparée indo-européenne. Annales du Musée Guimet, Paris, 1924 . Neste livro o autor fala da história comum da ambrosia, amrita, néctar, cerveja, soma, esta bebida, alimento, sagrado de que trata o Jataka anterior. A tradição védica unia culturalmente todo o mundo. Ele fez uma tábua de concordância resumindo no final do livro resumindo os paralelos. Entre colchetes são acréscimos meus. O autor B. Chakravarti, The Indians and the Amerindians, 4 vol, Calcutta, 1992, mostra todas as provas e evidências que o 'batimento do mar de leite', é a travessia do oceano Pacífico entre Ásia e América em comércio nos tempos antigos. O aeroporto de Nazca é para pousar veículos aéreos desta época. O asura Maya são os Mayas experts em construção e arquitetura. Daí o asura Mali é Mali o grande império africano. Bali Bali. A tábua de concordância permite dizer que a cultura védica espalhava-se por todo o mundo unindo-o.

Tábua de Concordância


            1. O Ciclo Hindu ( amrta )

I. - Os Devas temem a morte. Eles deliberam sobre os meios de preparar o alimento da imortalidade, a amrta. Aconselhados por Vishnu, decidem bater o oceano em seu “vaso”. Combinam com os Asuras sobre isto [ ambos trabalham no batimento ].
Conquista dos instrumentos : os Devas, entre outras coisas, vão pedir ao Mestre das Águas que emprestem o oceano para a operação.
Batem o oceano ; [ a espuma do mar batido é como a espuma do leite batido gerando todos os alimentos ]. A amrta aparece assim como diversos seres divinos ( Lakshmi, uma multidão de Apsaras, ... ). Um veneno, nascido do batimento excessivo, ameaça o mundo ; ele é absorvido por Shiva.

III. - Os Asuras pegam a amrta e reclamam além do mais a posse da deusa Lakshmi.
Vishnu – Narayana se reveste com a aparência de Lakshmi e acompanhado de Nara também disfarçado de mulher, seguiu para a residência dos Asuras. Estes loucos de amor, entregam a amrta à falsa deusa que a leva aos Devas.

II. - Os Devas reunidos bebem a amrta. O Asura Rahu se junta subrepticiamente a eles. Denunciado, é decapitado por Vishnu. Ao cair seu corpo faz tremer a terra.

IV. Guerra generalizada. Os Asuras, vencidos sobretudo por Vishnu, são precipitados nas águas e sobre a terra. Os Devas guardam definitivamente a amrta. [ Entre os Asuras perdem a amrta por não seguir, permanecer com, Vishnu, o sacrifício ].


             2. O Ciclo Iraniano ( Ameretât e a Criação )

I. - Ahura-Mazda busca livrar sua criação da morte, da fome, da sede... Ele oferece aliança à Angra-Mainyu que recusa. ( Outra versão : trata-se de preparar em comunhão um festim ( Eznik ) ).
O deus Tistrya vae conquistar o Mar do demônio Apaosha no curso de um duelo de metamorfoses.
Ahura-Mazda cria, a partir da “boa luz” ( que está neste mar ? ), os Amesha-Spenta ( os santos imortais ), entre outros Ameretât, gênio da imortalidade ( cf. Gaokerena, a planta da imortalidade que está neste mar ). Um veneno, originário deste mar, e ameaçando de destruir a criação, é neutralizado por Tistrya.
III. - Angra-Mainyu quer tirar da criação de Ahura-Mazda a saúde, a vida, etc... ( cf. Ameretât ) : sua filha, Djahi, vae em expedição contra o ser humano, a criação, etc..., e arranca dele tudo isto.
II. - IV. - Angra-Mainyu penetra no Céu, de onde Ahura-Mazda o precipita.
Guerra entre os Daeva e os Yazata. Os Daeva são massacrados e Angra-Mainyu amarrado ao monte Arezura.

    3. O Ciclo Escandinavo ( cerveja dos Ases )

I. - Os Ases não têm o quê comer. Eles deliberam. Com o conselho de Thor, eles decidem que é Aegir, deus do mar, que baterá a cerveja para eles. Aegir pede que lhe forneçam primeiro uma Cuba.
Conquista da Cuba : Thor e Tyr vão na residência do gigante Hymir ( gênio do mar de inverno ) ; elas trazem a imensa Cuba do Mar após uma série de provas ( Thor mata o boi preto, pesca a serpente ... ).
Nesta cuba, Aegir bate a cerveja dos Ases.
II.- Os Ases, reunidos, bebem a ceveja. Loki, “excomungado”, se junta a eles e pede para beber. Após uma cena de briga, os Ases expulsam Loki e o amarram em um rochedo. Com seus estremecimentos, Loki provoca os tremores de terra.

III. - O gigante Thrym rouba o único objeto que assegura aos Ases duração e hegemonia : o martelo de Thor. Thrym declara que não o devolverá se não o entregarem em troca a deusa Freya.
Thor se disfarça de Freya e seguido de Loki vae na casa de Thrym que louco de amor, entrega o objeto de perenidade à falsa noiva.
IV.- Thor massacra Thrym e os Gigantes.


                     4. Ciclos Gregos ( ambrosia e Ambrosia )

I.- Os deuses precisam de um alimento; - ou Zeus, Dionisos de uma ama
Este alimento é ambrosia produzida pelo oceano; ou antes esta nutriz é a Oceânida Ambrosia.

II. - Um homem ( Tântalo... ) senta à mesa dos deuses. Ele furta ambrosia.
Os deuses o esmagam debaixo de um monte ( Sipyle ) ou sob a ameaça de um rochedo suspenso ...

III. - Ambrosia ( nutriz de Dionisos ) envelheceu. Então Dionisos lhe torna jovem trocando o sexo. [ Teseu e os atenienses disfarçados de mulher entregues ao minotauro no labirinto de Minos em Creta, o dédalo das prescrições do legislador da Grécia ; na volta Ariadne vae com Dionisos ].

IV. - Guerra dos Deuses e dos Titãs : ambrosia assegura aos deuses a vitória, pela aliança dos Cem – Braços ( cf. o pharmakon da imortalidade na guerra dos Deuses e dos Gigantes ).

           4 bis. Um Ciclo Grego, Beócio ? ( Prometeu e o tonel da imortalidade ).

I. - Os deuses ( ao redor de Zeus ) e os homens ( ao redor de Prometeu ) se reúnem para uma refeição solene. [ a cena é semelhante a de devas e asuras sentados em dois grupos separados, com Mohini, Vishnu mulher, servindo a ambos ].
Prometeu prepara a comida. ( Segundo Ésquilo, colaboração de Prometeu e Oceano ).

II.- Prometeu dá aos homens por astúcia a parte da comida que parecia de direito aos deuses. Zeus se vinga escondendo o trigo ( e também o fogo necessário para cozinhar este alimento ; Prometeu rouba o fogo num oco de bambu ).
Os deuses prendem Prometeu e o amarram a um monte.

III.- Prometeu e Epimeteu furtam de Zeus o tonel que contem “ausência de morte” ( ou as doenças mortais ).Os deuses fabricam uma forma feminina misteriosa, Pandora, que enviam,conduzida por Hermes, qual noiva à Epimeteu. Pandora, enlouquecendo Epimeteu de amor, abre o tonel de onde escapa “ausência de morte” ( ou as doenças mortais ).

IV.- Os deuses supliciam os irmãos de Prometeu e de Epimeteu : Menoitos, Atlas.



              5. O Ciclo Latino ( Anna Perenna )

I. Os Plebeus estão ameaçados de morrer de fome sobre o Monte Sacro. Anna Perenna, “nutriz de perenidade”, [ anna é comida, alimento, em sânscrito ] prepara e leva a eles comida.
( O ciclo laviniano guardou aqui um traço de duelo marinho : Battus, rei da ilhota de Melita, intimado a libertar Anna Perena ).
Anna Perenna é promovida a deusa.
III. - Marte quer Minerva para esposa. Anna Perenna se disfarça de Minerva e acompanhada do cortejo normal de noivas caminha para a casa de Marte. Marte enganado.. Estrondo geral de riso. ( Sobre a cista de Preneste, Minerva vae reconquistar na casa de Marte, através de um “duelo amoroso”, um dolium de conteúdo líquido ).

II. - ( A cena de Mamurius ( = Marte ) expulso e flagelado está amarrada em outro ciclo ). [ no caso o ciclo de Mamurius Veturius, veterem memoriam, e do escudo que desce do céu ].




[ Referências hindus :

Pramenta / Prometeu é o pedaço de cima de madeira que no batimento com outra de baixo faz o fogo védico ritual, simbolizando a unidade homem/mulher. Prometeu e as Oceânidas. A história de Eros e Psiquê reproduz a de Pururavas e Urvasi. Pururavas teria criado o primeiro fogo sacrifical.

Agni se afastou dos deuses ; entrou num bambu daí ser oco e daí dentro dele ser, como que, esfumaçado : por isto que o bambu é o útero de Agni ... ; o útero não injuria a criança. Pois é do útero que quem nasce, nasce : 'do útero ele Agni nascerá quando nascer', assim se pensa.” Satapatha Brahmana parte 3 pg 200.


O significado místico deste altar de Fogo, sem dúvida, é a Fala ( Verbo ) ; pois ele é construído com fala : com Rig ( veda ), o Yagus ( veda ) e o Saman ( veda ) quais divinas ( falas ) ; ... Bem esta fala é tripla – os versos Rig, as fórmulas Yagus e as músicas Saman ; - portanto o altar de Fogo é triplo, enquanto construído com esta tríade... Este corpo ( do altar ) realmente é triplo ; e com este corpo triplo ele obtem a Amrita ( nectar, imortalidade ) tripla divina. Todas estas lajotas são femininas pois são chamadas a partir da fala ( vak, f. ) pois tudo aqui é feminino – apesar de feminino, masculino ou neutro – pois pela fala foi tudo aqui obtido.” Satapatha Brahmana parte IV pg 364 s.

  Kathopanisad IV, 7s
                                         "Ele sabe através da experiência direta que o fogo sacrifical que é produzido dentro de si mesmo pela meditação dia após dia sobre Brahma na inspiração e na expiração. Qual mulher grávida que alimenta o embrião, ou a pessoa que cuidadosamente preserva o fogo sacrifical jogando oblações nele, o Brahmayoguin também está sempre desperto para preservar o fogo do conhecimento de Brahman nele meditando constantemente. É este sopro vital ( prana ) portanto na qual a meditação em Brahman é praticada que constitue o eixo da roda por assim dizer, na qual os aros são fixos. Em outras palavras, este tipo de sopro ou prana é o Brahman de quem manifesta-se as várias deidades dos sentidos, fogo e sol e em quem eles todos descansam." ]


 

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