sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Ellora - Shiva

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T. A. Gopinatha Rao, Elements of Hindu Iconography, p. 379s. -
“De Diti nasceram para Kasyapa dois filhos conhecidos como Hiranyaksha e Hiranyakasipu. Foram respectivamente mortos por Vishnu em seu avatara Varaha ( Javali ) e avatara Nrisimha ( Leão ) [ N. do tr.: em representações de Ellora estes demônios, filhos de Kasyapa e Diti, têm cara de gente ] . Prahlada, o filho de Hiranyaksha, tornou-se um devoto de Vishnu e renunciou a tudo relativo à vida mundana. Após ele Andhakasura passou a legislar sobre os asuras [N. do tr.: devas e asuras, deuses e demônios]. Piamente praticando uma longa série de austeridades, ele obteve vários dons de Brahma e tornou-se muito poderoso. Ele então passou incomodar os devas ; e estes correram para Kailasa para reclamar com Shiva sobre os problemas causados pelo chefe asura. No momento mesmo que Shiva estava escutando a reclamação deles, andhakasura apareceu em Kailasa querendo raptar Parvati. Shiva com isto preparou-se para enfrentar o asura ; fez as três bem conhecidas serpentes Vasuki, Takshaka e Dhananjaya servirem como seus braceletes e cinto. Um asura chamado Nila, que secretamente planejava matar Shiva, apareceu enquanto isto na forma de um elefante. Nandi [ o touro de Shiva ] soube disto e informou Virabhadra [parte de Shiva] ; e este tomou a forma de um leão (o inimigo natural do elefante) e atacou e matou Nila. A pele deste elefante foi presente de Virabhadra para Shiva. Shiva a vestiu como veste exterior. Coberto com esta curiosa roupa e ornado com as serpentes, e brandindo seu poderoso trisula [ tridente ], Shiva partiu em sua expedição contra Andhakasura levando consigo seu exército constituído de ganas. Vishnu e os outros deuses também foram com ele oferecer ajudar. Mas na luta que seguiu Vishnu e os outros devas tiveram que fugir. Por fim Shiva apontou seu arco e flecha e atirou no asura e o feriu ; sangue começou a sair em profusão da ferida e cada gota dele quando tocava a terra assumia a forma de outro Andhakasura. Assim, surgiram milhares de andhakasuras para lutar contra Shiva. Imediatamente Shiva espetou, furou, o corpo do Andhakasura real e original, com seu trisula e começou a dançar. Vishnu destruiu com seu chakra-yudha ( disco ) os asuras secundários produzidos com as gotas de sangue que caíam. Para parar o sangue que caía na terra, Shiva criou a partir da chama que saía de sua boca uma shakti [n. do tr.: equivalente feminino dele] chamada Yogeshvari. Indra e os outros devas também enviaram suas shaktis para servir ao mesmo propósito. Elas eram Brahmani, Mahesvari, Kaumari, Vaishnavi, Varahi, Indrani e Chamunda. Estas eram as contrapartes femininas dos deuses, Brahma, Mahesvara, Kumara, Vishnu, Varaha, Indra e Yama e estavam armadas com as mesmas armas e vestiam os mesmos ornamentos e cavalgavam os mesmos vahanas e transportavam as mesmas bandeiras correspondentes aos deuses machos. Tal é o relato da origem das Sapta-Matrikas ou as Sete Mães Deusas.
No Vahara purana contudo, se diz que estas Deusas Mães são oito em número e inclui entre elas a deusa Yogeshvari mencionada acima, apesar dos outros puranas e agmas mencionarem somente sete. Vahara purana adiciona que estas Matrikas representam oito qualidades mentais que são moralmente más ; concordemente Yogeshvari representa kama ou desejo ; Maheshvari, krodha ou ira ; Vaishnavi, lobha ou cobiça ; Brahmani, mada ou soberba ; Kaumari, moha ou ilusão ; Indrani, matsarya ou crítica ; Yami ou Chamunda, paisunya, quer dizer, intriga ; e Varahi, asuya ou inveja.
As sete Matrikas pegaram todas as gotas que sangue enquanto caíam na batalha entre Shiva e andhakasura e assim impediram a multiplicação de Andhakasuras secundários. Na luta andhakasura finalmente perdeu seu poder conhecido como asura-maya e foi derrotado por Shiva. Contudo através da graça de Shiva ele teve bom fim.”

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Ellora - trinta cavernas

Clique na imagem para vê-la ampliada. São trinta as cavernas em Ellora, esta maravilha do mundo. As cavernas eram utilizadas como templos e como mosteiros. Ainda o devem ser. É um lugar sagrado.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Ellora - maravilha do mundo.


Clique na imagem para vê-la ampliada. Aqui, no alto, vemos a pedreira de de onde foi esculpida diretamente o templo chamado Kailasa, Kailash, em Ellora, Índia, remetendo, em analogia, ao centro do mundo em Kailash, a montanha sagrada, no Tibet, esculpido de cima para baixo, da mente para a realidade. Painéis decoram as paredes esculpidas em pedra com histórias e imagens do Hinduísmo. É uma maravilha do mundo. 

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

391 Buddha Sakra



391
“Nobre face...etc.” - O Mestre contou isto quando em Jetavana, relativo a suas andanças pelo bem do mundo. Um dia, diz-se, os Irmãos sentados no Salão da Verdade, conversavam. “Senhores,” um teria dito, “o Mestre, sempre amigo da multidão das pessoas, abandonou agradável moradia e viveu apenas para o bem do mundo. Ele atingiu sabedoria suprema, e de próprio proceder, tomou tigela e hábito, e saiu numa jornada de trinta quilômetros ou mais. Para os Cinco Anciãos (os cinco que acompanharam Buddha quando ele começou sua vida ascética: Aññakondañña, Bhaddiya, Vappa, Assaji, Mahā Nāma) ele girou a Roda da Lei; no quinto dia dos idos do mês recitou as Escrituras Anattalakkhana, e outorgou santidade a eles todos; foi até Uruvela (lá pregou aos adoradores do Jataveda, o fogo do lar), e aos ascetas de tranças no cabelo mostrou três mil e quinhentos milagres, e os persuadiu a juntarem-se à Ordem; em Gayāsisa (agora Brahmāyoni, uma montanha perto de Gayā) recitou o Discurso sobre o Fogo, e outorgou santidade a milhares destes ascetas; para Mahā Kasyapa, quando locomoveu-se cinco quilômetros para encontrar com ele, depois de três discursos ele deu as mais altas Ordens; sozinho apenas, depois do almoço, começou uma jornada de setenta quilômetros, e então estabeleceu Pukkusa no Fruto do Terceiro Caminho (um jovem muito nobre); para encontrar Mahā Kappina ele locomoveu-se três mil quilômetros e outorgou santidade a ele; só, à tarde, saiu numa jornada de quarenta quilômetros e estabeleceu em santidade o cruel e terrível Angulimāla; quarenta quilômetros também atravessou para estabelecer Alavaka (este era um demônio-árvore, que clamava sacrifício de uma vítima por dia. O próprio filho do rei estava para ser comido, quando Buddha o salvou) no Fruto do Primeiro Caminho, e salvar o príncipe; no Céu do Trinta e Três habitou três meses, e ensinou a compreensão integral da Lei a oitocentos milhões de deidades; foi ao mundo de Brahma, e destruiu a falsa doutrina de Baka Brahma (cf jātaka 346), e outorgou santidade a dez mil Brahmas; todo ano saía em peregrinação em três distritos, e às pessoas capazes de receber, ele dava os Refúgios, as Virtudes, e os frutos das diferentes etapas; ele até agia em benefício das cobras, dos pássaros e semelhantes, de muitos modos.” Com tais palavras eles louvavam a bondade e o valor da vida de Dasabala pelo bem do mundo.” Então o Mestre disse, “Irmãos esta não é a primeira vez que o Tathāgata saiu andando pelo bem do mundo,” e contou uma velha história. // Jataka 469.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva era Sakra. Naqueles dias um mago, usando sua mágica, veio à meia-noite e corrompeu a rainha de Benares. As empregadas tiveram conhecimento. Ela mesma foi ao rei e disse, “Sua majestade, algum homem entrou na câmara real à meia-noite e me corrompeu.” “Poderia fazer uma marca nele?” “Posso.” Então ela tomou uma tigela tinta de vermelhão, e quando o homem veio à noite e estava indo embora depois do prazer, ela colocou a marca dos seus cinco dedos nas costas dele e de manhã disse ao rei. O rei deu ordens a seus homens para irem e procurarem em todo lugar um homem com a marca vermelha das mãos nas costas.
Então o mago depois do seu erro à noite ficava de dia em um cemitério em um pé apenas venerando o sol. Os homens do rei o viram e o cercaram: mas ele, entendendo que a ação dele fora descoberta por eles, usando sua mágica voou pelos ares. O rei perguntou a seus homens quando voltaram de terem visto isto, “Viram-no?” “Sim, vimo-lo.” “Quem é ele?” “Um Irmão, sua majestade.” Pois depois do erro noturno ele vivia de dia disfarçado de Irmão. O rei pensou, “Estas pessoas andam de dia em roupas de asceta e erram à noite;” assim irado com a Irmandade, ele adotou visões heréticas, e enviou um proclama em tambor pela rua que todos os Irmãos deviam sair do reino e que seus homens os puniriam quando encontrados. Todos os ascetas fugiram do reino de Kāsi, que tinha quase seiscentos quilômetros de extensão, para outras cidades reais, e não ficou nenhum, reto Buddhista ou Brahmin, para pregar às pessoas todas de Kāsi; então as pessoas sem pregação tornam-se selvagens, e sendo avessas à caridade e aos mandamentos nascem em estado de punição já que a maior parte morre e nunca nasce no céu. Sakra, sem escutar novas, refletiu qual seria a razão, e viu a expulsão dos Irmãos do reino pelo rei de Benares devido ‘adoção de costumes heréticos com raiva por causa do mago : então ele pensou, “A não ser eu mesmo não há ninguém que poderá acabar com esta heresia do rei; ajudarei o rei e seus súditos,” e assim foi até os paccekabuddhas na gruta Nandamula e disse. “Senhores, dêem-me um velho paccekabuddha, quero converter o reino de Kāsi.” Ele pegou o mais velho dentre eles. Quando tomou sua tigela e hábitos Sakra colocou-se atrás e o mais velho à frente, fazendo respeitosa saudação e venerando o paccekabuddha : ele mesmo se tornou um belo jovem Irmão e em três tempos já tinham atravessado toda a cidade e chegando no portão do rei pousava no ar. Eles falaram ao rei, “Sua majestade, há um belo jovem Irmão com um padre pousado no ar no portão real.” O rei levantou-se do trono e parando na gelosia disse, “Jovem Irmão, por quê você, que é belo, permanece venerando este feio padre e segura seus hábitos e tigela?” e assim conversando falou a primeira estrofe:-

Nobre face, praticas a humilde obediência;
Atrás de um pobre e humilde à vista, tu vais
Ele é melhor ou igual à você, diga,
Declare-nos seu nome e o dele, prego.

E Sakra respondeu, “Grande rei, padres estão no lugar de professores [ n. do tr. : é errado falar o nome de um santo professor, cf. Mahavagga I, 74,1 ]; portanto não é certo que eu pronuncie seu nome : mas lhe direi meu próprio nome,” e falou a segunda estrofe:-

Deuses não falam a linhagem e o nome
De santos devotos e perfeitos no caminho:
Quanto a mim mesmo, meu título proclamo,
Sakra, o senhor a quem obedecem trinta deuses.

O rei escutando isto perguntou na terceira estrofe qual a benção em venerar o Irmão:-

Aquele que contempla o santo de méritos perfeitos,
E anda atrás dele com a humilde obediência:
Te pergunto, ó rei dos deuses, o que ele herda,
Que bençãos será dada em outra vida?

Sakra respondeu com a quarta estrofe:-

Aquele que contempla o santo de méritos perfeitos,
Que anda atrás dele com humilde obediência:
Grande louvor entre as pessoas neste mundo herda,
E à morte para ele o caminho do céu será mostrado.

O rei escutando as palavras de Sakra desistiu de suas visões heréticas, e com prazer falou a quinta estrofe:-

Ó, o sol da fortuna ho-je levanta-se para mim,
Nossos olhos viram tua majestade divina:
Teu santo apareceu, Ó Sakra, a nossos olhos,
E muitos atos virtuosos agora serão meus.

Sakra escutando-o louvar a seu mestre, falou a sexta estrofe:-

Certamente é bom venerar o sábio,
Ao conhecimento que seus pensamentos estudados inclinam:
Agora que o santo e eu encontramos teus olhos,
Ó rei, que muitos sejam teus atos virtuosos.

Escutando isto o rei falou a última estrofe:-

Livre de ira, com a graça em todo pensar,
Prestarei ouvidos onde quer que estranhos solicitem:
Seguirei teu conselho, e terei por nada
Meu orgulho e servirei-te, Senhor, com homenagem devida.

Tendo dito isto saiu do terraço , saudou o paccekabuddha e ficou do lado. O paccekabuddha sentou de pernas cruzadas no ar e disse, “Grande rei, o mago não era Irmão : de agora em diante reconheça que o mundo não é vaidade, que existem bons Buddhistas e bons Brahmins, e assim faça ofertas, pratique os mandamentos e mantenham os dias santos,” pregando ao rei. Sakra também com seu poder pousou no ar, e pregou ao povo, “De agora em diante sejam zelosos,” mandou pelas ruas proclama em tambor que Buddhistas e Brahmins que fugiram devem retornar. Depois ambos voltaram para seu próprio lugar. O rei permaneceu firme no conselho e fez boas obras.

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Depois da lição, o Mestre declarou as Verdades e identificou o Jātaka:- “Naqueles dias o paccekabuddha alcançou o Nirvāna, o rei era Ānanda, Sakra era eu mesmo.”





segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

390 Buddha Mercador


390
“Alegramo-nos ...etc.” - O Mestre contou isto enquanto residia em Jetavana sobre um estranho mercador. Havia em Sāvatthi um estranho mercador, rico e de grandes posses: ele nem usava a riqueza nem a dava para outros: se comida fina fosse servida não comia, comendo só caldo de casca de arroz e mingau azedo; se roupas de seda perfumadas com incenso fossem trazidas ele mandava voltar e vestia roupas grossas de pelo de bicho por dinheiro; se uma charrete adornada com jóias e ouro e puxada por cavalos puro sangue fosse trazida, ele mandava voltar e vinha uma carroça velha meio quebrada com um parassol de folhas em cima. Toda sua vida não quis presentes ou outros méritos, e quando morreu renasceu no ínfero Roruva. Suas posses ficaram sem herdeiro: e os homens do rei ficaram carregando tudo para o palácio durante sete dias e sete noites. Quando já estava tudo no palácio real, o rei foi após o café da manhã à Jetavana, e saudou o Mestre. Quando perguntado por quê demorara para ver o Buddha, ele respondeu, “Senhor, um estranho mercador morreu em Sāvatthi : sete dias foram gastos transportando sua riqueza, à qual não deixou herdeiro, para meu palácio : e apesar de ter tanta riqueza ele nem usava nem dava para outros : sua riqueza era como um tanque de lótus guardado por demônios. Um dia ele caiu nas mandíbulas da morte depois de recusar saborear carne e semelhantes. Bem, por quê este homem egoísta e sem mérito ganhou tanta riqueza, e por quê razão não inclinava os pensamentos em usá-la?” Esta foi a questão que ele coloca para o Mestre. “Grande rei, a razão porque ele ganhou sua riqueza e ainda assim não usá-la, foi esta,” e com a pergunta o Mestre contou uma história de tempos antigos.

Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, havia um mercador egoísta descrente em Benares : não dava nada pra ninguém, não ajudava ninguém. Um dia indo esperar junto ao rei ele viu um paccekabuddha, chamado Tagarasikhi, colhendo ofertas, e saudando ele perguntou, “Senhor, colheste oferta?” O paccekabuddha disse, “Não estou colhendo, mercador?” O mercador deu ordens a um empregado, “Vá, leve-o a minha casa, coloque-o na minha cadeira e encha a tigela dele com a comida preparada para mim.” O empregado levou-o à casa, sentou-o, e falou com a esposa do mercador: ela colocou na tigela comida de excelentes sabores. Ele comeu a comida e deixando a casa foi pela rua. O mercador, voltando da corte, o viu e saudando-o perguntou se comera a comida. “Comi, mercador.” O mercador, olhando a tigela, não conseguiu reconciliar sua vontade, mas pensando, “Se meus empregados comeram a comida, me prejudicariam: ai, é uma perda de tempo para mim!” e não conseguia controlar o pensamento. Bem, dar é rico em frutos só para quem pode aperfeiçoar os três pensamentos:-

Alegramo-nos em sentir o desejo de dar,
Dê o presente, e dê animadamente,
Nunca arrependa-se de dar enquanto vivermos,
Crianças nascidas de nós não morreriam.
Alegria diante do dom munificente, dê animadamente,
Prazer no pensar a partir daí, isto é caridade aperfeiçoada.

Assim o estranho mercador ganhou muita riqueza, por ter dado ofertas a Tagarasikhi, mas não pode usar sua riqueza porque não purificou posteriormente o pensamento. “Senhor, por quê ele não tinha filhos?” O Mestre disse, “Ó rei, esta é a causa dele não ter tido filho” : e assim com a pergunta contou uma velha história.
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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva nasceu numa família de mercadores ricos de oitenta milhões. Quando ele cresceu, com a morte dos pais ajudava o irmão mais novo e cuidava da casa : fez um átrio de ofertas no portão da casa e vivia como chefe de casa fazendo ofertas. Nasceu um filho dele; e quando o filho já podia andar nos próprios pés, viu a miséria dos desejos e a benção da renúncia, e assim entregando todas suas posses e a esposa e o filho para o irmão mais jovem, exortou-o a contiuar a fazer ofertas com diligência; e então ele se torna asceta, e ganhando as Faculdades e as Consecuções habitava no Himālaia. O irmão mais jovem pegou o filho único : mas vendo que ele crescia pensou, “Se o filho de meu irmão vive, os haveres serão divididos em duas partes, matarei o filho de meu irmão.” Então um dia, afogando-o num rio, o matou. Depois que banhou-se e voltou para casa, a esposa de seu irmão perguntou-o, “Onde está meu filho?” “Ele estava brincando no rio : procurei-o mas não encontrei.” Ela chora e nada diz. O Bodhisatva, sabendo do problema, pensa, “Tornarei tudo isto público” ; e indo pelos ares e pousando em Benares com belas vestes, ficou na porta : não vendo o átrio de ofertas, ele pensou, “Aquele perverso destruiu o átrio.” O irmão mais jovem escutando que tinha chegado, veio e saudou o Bodhisatva e levando-o ao terraço, deu-lhe boa comida. E quando acabaram a refeição e sentados em conversa amigável ele disse, “Meu filho não aparece : onde ele está ?” “Morto, meu senhor.” “De que jeito?” “No rio : mas não sei de que jeito.” “Não sabe, seu cruel ! Seu ato foi conhecido por mim : não o mataste de tal modo? Serás capaz de manter as posses quando destruída por reis ou outros? Que diferença existe entre você e o pássaro Mayha?” Assim o Bodhisatva expondo a lei com a simplicidade de um Buddha falou estas estrofes:-

Há um pássaro chamado Mayhaka, vive nas grutas das montanhas:
Em árvores pipal [Ficus religiosa] com frutos maduros, ‘meu’, ‘meu’ ele grita.

Os outros pássaros, enquanto ele assim clama, em bandos ao redor voam:
Eles comem o fruto, mas o grito choroso do Mayha continua.

E do mesmo jeito uma única pessoa pode ganhar imensa riqueza,
E ainda assim não dividí-la com justiça entre ele e parentes.

Nenhum prazer ele colhe, de roupa ou comida,
De perfumes ou de guirlandas alegres; nem seu bom povo.

‘Meu, meu,’ ele lamuria enquanto guarda cobiçoso seu tesouro:
Mas reis, ou ladrões, ou seus herdeiros que desejam vê-lo morto
Pilham sua riqueza : ainda assim continua o choro lamúria do miserável.

Pessoa sábia, ganhando grandes riquezas, ajuda parentes :
Então ganhará reputação na terra e no céu depois.

Assim o Grande Ser expondo a ele a lei fê-lo reconstruir o átrio de ofertas, e indo para o Himālaia buscou meditação sem interrupção e depois foi para o céu Brahmaloka.

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Após a lição, o Mestre disse, “Então, grande rei, o estranho mercador não teve nem filho nem filha todo este tempo porque ele matou o filho do irmão, o sobrinho,” e então identificou o Jātaka: “O irmão mais jovem era o estranho mercador, o mais velho era eu mesmo.”




quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

389 Ananda Caranguejo



389
“Criatura de garras douradas...etc.” - O Mestre contou esta história quando residia no Bosque de Bambu, sobre Ānanda morrer por ele [ele queria ficar na frente do elefante bêbado que Devadatra atirou contra Gautama]. A ocasião será apresentada no Jātaka 542, sobre a contratação de arqueiros [para matá-lo] e no Jātaka 533 sobre o atroar do elefante Dhanapāla [Gautama grita com ele, que pisaria numa criança no caminho, e o elefante converte-se deixando de chamar-se Nalāgiri]. Então começaram uma discussão no Salão da Verdade : “Senhores, o Ancião Ānanda, Tesoureiro da Lei, que atingiu toda sabedoria possível àlguém em disciplina, deu a vida pelo Buddha Perfeito quando Dhanapāla veio?” O Mestre chegando e sabendo do tema da discussão , disse, “Irmãos, em tempos anteriores também Ānanda deu sua vida por mim :” e contou um conto antigo.
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Certa vez havia uma vila brahmin chamada Sālindiya no lado leste de Rājagaha. O Bodhisatva nasceu lá nesta vila numa família de fazendeiro brahmin. Quando cresceu ele estabeleceu-se e trabalhava numa fazenda de mil karisas [oito mil acres] em um distrito de Magadha à nordeste da vila. Um dia ele foi para o campo com seus empregados e dando ordens para arar, foi para um poço no fim do campo lavar o rosto. Neste poço vivia um caranguejo dourado, belo e encantado. O Bodhisatva com a escova de dentes na boca entrou no poço. Quando estava lavando a boca, o caranguejo aproximou-se. Então levantou o caranguejo e o colocou no seu casaco : e depois de fazer seu trabalho no campo colocou o caranguejo novamente no poço e foi para casa. A partir de então quando ia ao campo passou sempre primeiro naquele poço, colocando o caranguejo no casaco e então indo para o trabalho. Assim um forte sentimento de confiança nasceu entre eles. O Bodhisatva vinha ao campo constantemente. Em seus olhos eram vistas as cinco graças e os três círculos muito puros. Uma ‘corva’ (corvo fêmea) no ninho duma palmeira no canto daquele campo viu seus olhos e desejando comê-los disse para o corvo, “Marido, tenho um desejo.” “Desejo de que?” “Desejo comer os olhos de um certo brahmin.” “Seu desejo é ruim : quem será capaz de pegá-los para você?” “Sei que você não pode : mas no cupinzeiro perto da nossa árvore vive uma serpente preta : espere por ela : ela morderá o brahmin e o matará, então você arrancará os olhos e os trará para mim.” Ele concordou e depois foi esperar a serpente preta. O caranguejo tinha crescido e estava grande no tempo em que a semente semeada pelo Bodhisatva brotava. Um dia a serpente disse ao corvo, “Amigo, estais sempre me esperando : o que posso fazer por você?” “Senhor, sua escrava fêmea está com desejo dos olhos do dono deste campo : espero com a esperança de pegar os olhos com a sua ajuda.” A serpente disse, ”Bem, isto não é difícil, você os pegará,” e o encorajou. Dia seguinte a serpente esperou pelo brahmin chegar, escondida na grama, no limite do campo onde ele vinha. O Bodhisatva entrando no poço e lavando a boca sentiu um retorno de afeição pelo caranguejo, e abraçando-o colocava-o no casaco e ia para o campo. A serpente viu ele vir, e correndo rapidamente mordeu-o na panturrilha e fazendo-o cair no lugar fugiu para o cupinzeiro. A queda do Bodhisatva, o salto do caranguejo dourado do casaco, e o pousar do corvo no peito do Bodhisatva seguem junto um do outro. O corvo pendurado coloca o bico nos olhos do Bodhisatva. O caranguejo pensou, “Foi por causa deste corvo que veio perigo para meu amigo : s'eu segurá-lo a serpente virá,” e assim segurou o corvo pelo pescoço com sua garra firmemente como num torno, até cansar e soltar um pouquinho. O corvo chamou a serpente, “Amigo, por quê me abandonas e foges? Este caranguejo me aflige, venha antes qu’eu morra,” e falou a primeira estrofe:-

Criatura de garras douradas com olhos projetados,
Alimentada em mangues montanhosos, careca, encouraçada em concha óssea,
Ele me pegou : ouça meus gritos de dor !
Por quê deixas um companheiro que te quer bem?
A serpente escutando-o, alargou a crista e veio consolar o corvo.

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O Mestre explicando o caso em sua Sabedoria Perfeita falou a segunda estrofe:-

A serpente caiu em poder do caranguejo, não abandonaria seu amigo:
Estufando sua crista poderosa veio : mas o caranguejo dominou a serpente.

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O caranguejo cansando soltou um pouquinho. A serpente pensando, “Caranguejos não comem carne de corvo nem de serpentes, então por quê razão este aí nos segura ?” e perguntando falou a terceira estrofe:-

Não é por causa de comida
Que caranguejo segura serpente e corvo:
Diga-me, tu com olhos para fora,
Por quê nos segura e aperta tanto?

Escutando-o, o caranguejo explicou a razão em duas estrofes:-

Este homem me tirou do poço,
Grande gentileza ele fez;
Se ele morrer, minha dor é toda:
Serpente, ele e eu somos um.

Vendo-me crescido e grande
Todos me quererão matar:
Gordo e doce e delicado,
Corvos me vendo atacariam!

Escutando-o, a serpente pensou: “De algum modo devo enganá-lo e libertar-me e ao corvo.” Então para enganá-lo falou a sexta estrofe:-

Se tu nos segura somente pelo bem dele,
Dele tirarei o veneno : que ele se levante:
Rápido! Tire as pinças de mim e do corvo;
Senão o veneno aprofunda e ele morre.

Escutando-o o caranguejo pensou, “Este aí quer que eu solte os dois e ambos fujam, não sabe minha habilidade em tramas; afroxarei a garra para que a serpente mova-se, mas não libertarei o corvo,” e falou a sétima estrofe:-

Libertarei a serpente mas não o corvo;
O corvo será refém amarrado:
Nunca o deixarei sair
Até meu amigo estar são e salvo.

Assim dizendo soltou a garra para a serpente sair. A serpente tirou o veneno e deixou o corpo do Bodhisatva livre dele. Ele levantou-se e ficou na sua cor natural. O caranguejo pensando, “Se estes dois ficarem bem não haverá prosperidade para meu amigo, matarei-os,” esmagando ambas as cabeças com suas garras como brotos de lótus e tirou a vida deles. A ‘corva’ fugiu do lugar. O Bodhisatva espetou o corpo da serpente com um pau e atirou em um arbusto, deixou o caranguejo dourado livre no poço, banhou-se e foi para Sālindiya. A partir daquele dia houve maior amizade ainda entre ele e o caranguejo.
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A lição terminada, o Mestre declarou as Verdades, e identificando o Jātaka falou a última estrofe:-

Māra era a serpente escura, Devadatra era o corvo,
Bom Ānanda era o caranguejo, eu mesmo o brahmin tempos atrás.

Ao final das Verdades muitos alcançaram o Primeiro Caminho e outros Caminhos. A ‘corva’ era Ciñcamānavikā, apesar disto não estar dito na última estrofe.”




sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

388 Buddha Porco pregando alto











                 Imagem de Vishnu Vahara, Javali, em Khajuharo, Índia. O Javali então teria levantado os três vedas de enterrados que estavam, levantado com as presas os três vedas que afundavam. 

388
Algo estranho ho-je...etc.” - O Mestre contou esta história enquanto residia em Jetavana relativa a um Irmão que temia a morte. Ele nasceu em Sāvatthi em boa família e foi ordenado na Fé: mas temia a morte e quando escutava um mover de folha, ou um cair de galho ou um piar de pássaro ou de uma besta qualquer, aterrorizava-se com medo da morte, e fugia como uma lebre ferida na barriga. Os Irmãos no Salão da Verdade começaram a discutir o caso dizendo, “Senhores, dizem que um certo Irmão, temendo a morte, corre agitado quando escuta mesmo um pequeno som : bem , para seres neste mundo morte é certa, vida incerta, e deve isto ser sabiamente comportado na mente?” O Mestre os encontra neste tema e que o Irmão admitido temia a morte : então ele disse, “Irmãos, ele não está com medo da morte pela primeira vez,” e assim contou um conto antigo.
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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), o Bodhisatva foi concebido por uma porca selvagem : no tempo devido ela concebeu dois bacurinhos machos. Um dia ela os levou a um fosso e lá deitou. Uma velha da vila no portão de Benares estava voltando para casa com uma cesta cheia de algodão colhido no campo de algodão e batia o chão com sua bengala. A porca escutando o som com medo da morte deixou os bacurinhos e correu. A velha vendo-os, e gostando deles como filhos dela, colocou-os na cesta e levou-os para casa : então ela chamou o mais velho de Mahātundila ( grande focinho ) e o mais jovem Cullatundila ( pequeno focinho ) , e deles cuidou como filhos. Com o tempo cresceram e ficaram gordos. Quando à velha perguntada de vendê-los por dinheiro, respondeu, “Eles são meus filhos,” e não vendia-os. Em certa festa bêbados lúbricos quando ficaram sem carne congitavam onde conseguir carne : e descobrindo que haviam porcos na casa da velha, pegaram dinheiro e indo lá, disseram, “Mãe, pegue este dinheiro e dê-nos os porcos.” Ela disse, “Chega, jovens : há alguém que venda seus filhos para compradores comerem suas carnes ?” e assim recusava-os. Os bêbados disseram, “Mãe, porcos não podem ser filhos de gente, dê-nos” : mas não conseguiram por mais que pedissem de novo e de novo. Então eles fizeram a velha ficar bêbada e quando ela estava bêbada disseram, “Mãe, o que a senhora fará com os porcos ? pegue o dinheiro e gaste-o,” eles colocando moedas de dinheiro na mão dela. Ela pegou as moedas dizendo, “Não posso dar Mahātundila, leve Cullatundila.” “Onde ele está?” “Lá está ele, naquele arbusto.” “Chame-o.” “Não vejo comida para ele.” Os bêbados foram comprar arroz. A velha pegou-o e enchendo a manjedoura dos porcos que ficava à porta esperou por ele. Trinta bêbados estavam do lado com laços às mãos. A velha chamou-o, “Venha, pequeno Cullatundila, venha.” Mahātundila escutando pensou, “Todo este tempo a mãe nunca chamou Cullatundila primeiro, sempre me chama primeiro; certamente algum perigo nos surge ho-je.” Ele disse ao irmão mais novo, “Irmão, a mãe te chama, vá e veja.” Ele foi, e vendo-os parados junto à manjedoura pensou, “Morte chega sobre mim ho-je,” e então com medo da morte voltou tremendo para o irmão; e quando ele voltou ele não podia se conter e tremia de medo. Mahātundila vendo-o disse, “Irmão, estais tremendo ho-je e olhando a saída: o que houve ?” Ele explicando o quê tinha visto falou a primeira estrofe:-

Algo estranho ho-je temo:
A manjedoura está cheia e a patroa de lado;
Homens, laços às mãos, estão perto:
Comer parece um risco.

Então o Bodhisatva escutando disse, “Irmão Culatundila, o propósito pelo qual minha mãe alimentou porcos todo este tempo ho-je preencheu-se : não chore,” e então com voz doce e simples de um Buda expôs a lei e falou duas estrofes:-

Você teme, e busca ajuda, e treme,
Mas, desamparado, para onde fugirás?
Fomos engordados por causa de nossa carne :
Coma Tundila, e com alegria.

Mergulhe corajoso poço cristalino,
Tire toda sujeira suor:
Verás que nossa unção é maravilhosa,
Cuja fragrância nunca decai.

Enquanto ele dissertava sobre as Dez Perfeições, estabelecendo a Perfeição do Amor como seu guia, e falando a primeira linha, sua voz alcançou e extendeu-se até Benares por até vinte quilômetros. No instante em que a escutaram o povo de Benares de rei a vicerei pra baixo vieram, e aqueles que não vieram ficaram escutando em casa. Os homens do rei quebraram o arbusto e nivelaram o chão com areia. A bebedeira deixou os bêbados, e largando os laços ficaram escutando a lei : e a bebedeira deixou a velha também. O Bodhisatva começou a pregar a lei a Cullatundila diante da multidão.
Cullatundila escutando-o, pensou, “Meu irmão diz para mim: mas nunca foi nosso comportamento mergulhar no poço, e banhando tirar suor sujo e depois ungir-se : por quê meu irmão me diz isto?” E então falou a quarta estrofe:-

Mas que é este poço cristalino,
E que sujeira de suor, prego?
E que unção maravilhosa,
Cuja fragrância não decai?

O Bodhisatva escutando disse, “Então escute com ouvido atento,” e expondo a lei com a simplicidade de Buddha falou estas estrofes:-

A lei é o belo poço cristalino,
Pecado o suor sujo, dizem:
Virtude a unção maravilhosa,
Cuja fragrância não decai.

Pessoas que perdem a vida são felizes,
Pessoas que a mantém sentem-se incomodados:
Pessoas devem morrer e não entristecerem-se,
Como numa alegria de festa de meio de mês.

Assim o Grande Ser expôs a lei em voz doce com encanto de Buddha. A multidão de milhares estalava os dedos e balançava as roupas, e o ar estava cheio de gritos, “Bom, bom.” O rei de Benares honrou o Bodhisatva com lugar real, e glorificou a velha, fez os dois porcos serem banhados em água perfumada e vestidos de roupas, e ornados com jóias no pescoço, e os colocou na posição de filhos na cidade : e os guardou com um grande cortejo. O Bodhisatva deu os cinco preceitos ao rei, e todos os habitantes de Benares e Kāsi mantiveram os preceitos. O Bodhisatva pregou a lei a eles nos dias santos (luas cheia e nova), e sentado para julgar decidiu causas : enquanto viveu lá não houve queixas de decisões injustas. Depois o rei morreu. O Bodhisatva fez as últimas honras ao corpo : então fez um livro de julgamentos ser escrito e disse, “Observando este livro vocês estabelecerão processos” : então expondo a Lei às pessoas e pregando com zelo, foi para a floresta com Cullatundila enquanto todos choravam e se lamentavam. Assim a pregação do Bodhisatva durou por sessenta mil anos.
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Após a lição, o Mestre declarou as Verdades e identificou o jātaka:- ao fim das Verdades o Irmão que temia a morte foi estabelecido na fruição do primeiro Caminho:- “Naqueles dias o rei era Ananda, Cullatundila era o Irmão que temia a morte, a multidão era a Congregação, Mahātundila eu mesmo.””

  As dez perfeições cf https://vidasdebuddha.blogspot.com.br/2017/12/buddha-sumedha-as-dez-perfeicoes.html