sexta-feira, 12 de junho de 2009

312 Se a tola juventude...etc.



312
“Se a tola juventude...etc.” - Esta história o Mestre contou enquanto residia em Jetavana, sobre um Irmão de idade. Um jovem nobre de Savatthi, diz a tradição, com senso das consequências ruins dos desejos pecaminosos, recebeu ordenação das mãos do Mestre e devoto ao rito pelo qual ênstase pode ser induzido, em não muito tempo atingiu Santidade. Logo logo com a morte de sua mãe, ele admitiu o pai e o irmão mais novo às ordens e fixaram residência em Jetavana.
Com o começo da estação das chuvas, ao saberem de um retiro em vilarejo, onde roupas dos requisitos eram obtidas facilmente, todos os três foram para a residência Vassa [ n. do tr.: entrar em um retiro prescrito para a estação das chuvas, três meses, com todo o necessário para tal período. Mahavagga III, 14 ] lá, e quando a estação das chuvas terminou eles voltaram direto para Jetavana. O jovem Irmão,, quando chegaram em um lugar próximo a Jetavana, disse ao rapaz noviço que trouxesse o pai devagar, enquanto ele mesmo ia mais rápido na frente para preparar a cela deles. O velho sacerdote andava lentamente. O noviço repetidamente o empurrava, com a cabeça, e o arrastava a força, gritando, “Vamos, Senhor.” O ancião dizia, “Você está me empurrando contra minha vontade,” e girando de volta, começava tudo novamente desde o começo. Enquanto eles assim discutiam, o sol se pôs e a escuridão desceu. O jovem Irmão enquanto isto, varreu sua cabana, colocou água nos potes e não percebendo eles chegarem, pegou uma tocha e saiu a seu encontro. Quando os viu, perguntou o quê os fez se atrasarem tanto. O pai explicou a razão. Então os fez descansarem e os trouxe lentamente pelo caminho. Naquele dia não encontraram tempo para prestar respeitos ao Buddha. Então no dia seguinte, quando foram prestar respeitos ao Buddha, após saudá-lo e tomarem assentos, o Mestre perguntou, “Quando vocês chegaram ?” “Ontem, Senhor,” ele respondeu e contou a razão. O Mestre censurou o ancião : “Não apenas agora ele agiu assim. Antigamente também ele fez justo o mesmo. Hoje é você que ele aborrece. Antes ele aborreceu sábios.” E ao pedido do Irmão ele contou uma velha história.
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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva veio a vida em uma família brahmin numa vila no país Kasi. Quando estava crescido, sua mãe morreu. E após a performance devida dos ritos funerais, no final de seis semanas ele deu em ofertas todo o dinheiro que havia na casa e tomando o pai e o irmão mais novo consigo, colocou roupa de casca de árvore de algum outro e adotou vida religiosa de asceta na região do Himalaia. E lá morou em um bosque agradável, ganhando a vida catando nos campos e de raízes e frutos.
Bem, no Himalaia, durante a estação das chuvas, quando as chuvas são incessantes, como é impossível cavar qualquer bulbo ou raiz, ou conseguir qualquer fruto selvagem, e as folhas começam a cair, os ascetas, na maior parte, descem do Himalaia, e fixam residência nos antros humanos. E nesta época o Bodhisatva, após viver aqui com seu pai e seu jovem irmão, assim que a região do Himalaia começou a florir novamente e a carregar-se de frutos, tomou seus dois companheiros e retornou para o eremitério nos Himālaias. E ao crepúsculo quando não estava longe de sua cabana, os deixou dizendo, “Vocês venham lentamente, enquanto irei na frente para colocar a ermida em ordem.”
Bem o jovem eremita vindo lentamente com seu pai passou a empurrá-lo nos quadris com a cabeça. O pai disse, “Não gosto do modo como como me levas para casa.” E assim girou retornando, começando novamente do mesmo lugar. E enquanto discutiam baixou a escuridão. O Bodhisatva logo que já tinha varrido a cabana de folhas e preparado àgua, pegou uma tocha e retornou no caminho e quando os encontrou perguntou por quê demoraram tanto tempo. E o garoto asceta contou a ele o que o pai fizera. Mas o Bodhisatva trouxe-os calmamente para casa e tendo guardado em segurança todos os requisitos Buddhistas, deu um banho em seu pai, lavou e ungiu os pés dele e ensaboou as suas costas. Arrumou então uma 'panelada' de carvão e quando seu pai já havia se recuperado da fadiga, sentou-se junto dele e disse, “Pai, garotos jovens são justo como vasos de barro : quebram em um momento e uma vez quebrados, é impossível emendá-los novamente. Homens de idade devem suportá-los com paciência, quando eles são abusados.” E como conselho a seu pai Kassapa, repetiu estas estrofes :-

Se a tola juventude ofende em ato ou palavra,
É a parte da sabedoria mostrar longanimidade ;
Querelas entre homens bons encontram fim rápido,
Tolos separam-se em partes, como argila não temperada.

Homens sábios em aprender, conscientes do próprio pecado,
Podem provar àmizade, que não sofre decaimento ;
Assim é pesada de suportar a carga de um irmão,
E discórdia de vizinhos, habilidosa em apaziguar.

Assim o Bodhisatva aconselhou seu pai. E ele daí em diante exercitou o auto-controle.
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O Mestre, tendo terminado sua lição, identificou o Jataka : “Naquele tempo o velho sacerdote era o pai eremita, o noviço era o garoto eremita e eu mesmo era o filho que aconselhou o pai.”

quinta-feira, 11 de junho de 2009

311 Buddha Espírito da árvore Nimb



                           Veluvana, Bosque de Bambu ou Bambual, Índia.

311
“Ladrão levantes...etc.” - O Mestre enquanto residia no Bosque de Bambu, contou esta história sobre o venerável Moggallāna .
Quando este Ancião vivia perto de Rājagaha em uma cabana na floresta, um certo ladrão, depois de assaltar uma casa no subúrbio, fugiu com as mãos cheias de pilhagem, até chegar ao átrio da cela do ancião, e pensando que lá encontrava-se a salvo, descansou, na entrada da cabana de folhas. O ancião notou-o, lá descansando, e suspeitando do seu caráter disse a si mesmo, “Seria errado para mim ter qualquer negócio com um ladrão.” E assim, saindo da cela, disse-lhe para não descansar lá e mandou-o embora.
O ladrão adiantou-se e fugiu rapidamente. E homens com tochas na mão, seguindo de perto o rastro do ladrão, vieram e viram as várias marcas da presença do ladrão e disseram, “Foi por este caminho que o ladrão veio. Aqui ele descansou. Ali ele sentou. E por ali ele fugiu. Ele não será encontrado aqui.” Então correram para lá e para cá mas por fim retornaram sem nada encontrar. No dia seguinte cedo de manhã, o ancião saiu em sua coleta de ofertas em Rājagaha e voltando de sua peregrinação foi ao Bosque de Bambu e contou ao Mestre o que tinha acontecido. O Mestre disse, “Você não é o único Moggallāna, a suspeitar quando suspeita é justificada. Sábios passado suspeitaram do mesmo modo.” E a pedido do ancião contou uma história de tempos antigos.
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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva veio à vida como espírito de uma árvore Nimb no bosque do cemitério desta cidade. Bem um dia um ladrão, culpado de um ato de roubo no arraial próximo da cidade, entrou no bosque do cemitério. Neste tempo duas velhas árvores estavam lá, uma árvore Nimb e uma árvore Bo. O ladrão colocou seus bens roubados nos pés da árvore Nimb e lá deitou. Bem, nesta epóca ladrões pegos eram torturados sendo impalados em estaca de árvore Nimb. Então o espírito da árvore Nimb pensou : “Se o povo vier e capturar este ladrão, eles cortarão um ramo e farão uma estaca de árvore Nimb e o impalarão nela. E neste caso àrvore será destruída. Então vou espantar o sujeito para longe.” Assim dirigindo-se a ele, ele repetiu a primeira estrofe :-

Ladrão levantes! por que dormes ? Não é tempo de cochilo,
Os homens do rei estão atrás de ti, vingadores do teu crime.

Além do mais adicionou estas palavras, “Parta antes que os homens do rei te apanhem.” Deste modo ele espantou o ladrão. E logo após ele ter fugido, a deidade da árvore Bo repetiu a segunda estrofe :-

E se este ladrão ousado de mãos vermelhas fosse pego,
A ti, Ó árvore Nimb, espírito da floresta , que diferença faria ?

A deidade da árvore Nimb escutando isto pronunciou a terceira estrofe :-

Ó árvore Bo, certamente não sabes o segredo do meu temor ;
Não queria que os homens do rei achassem aqui o mau ladrão.
Eles, da minha árvore sacra, sei, logo retirariam um ramo,
E para retribuir o infeliz culpado, impalariam-o na estaca.

Enquanto as deidades silvícolas assim conversavam juntas, os donos dos pertences , seguindo os rastros do ladrão, com tochas na mão, quando viram o lugar em que ele descansara, disseram, “ Vejam ! O ladrão acabou de levantar-se e fugir deste lugar. Ainda não o pegamos mas se o fizermos, voltaremos e o impalaremos aos pés desta árvore Nimb ou o enforcaremos em um de seus galhos.”
E com estas palavras correndo para cá e para lá e não encontrando o ladrão, eles partiram. E escutando o quê eles disseram o espírito da árvore Bo pronunciou a quarta estrofe :-

Acautele-se de um perigo ainda que despercebido: suspeite antes que seja tarde,
O sábio mesmo no mundo presente, olha para um estado futuro.
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O Mestre quando terminou esta lição, identificou o Jataka : “Naquele tempo Sariputra era o espírito da árvore Bo. Eu mesmo era o Espírito da árvore Nimb.”

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Buddha e sua família, negros.


Ajanta , caverna 2. Acima, Buddha nos céus. Abaixo, a direita Mahamaya (mãe do Siddharta Gautama) reclinada contra um pilar ; a esquerda, Suddhodana (pai de Sidartha Gautama) e Mahamaya com o sábio Asita.
Ajanta é no sudoeste da Índia. E apesar da representação da família de Buddha como negra, dever ser comum, não o é. Rama, filho de Dasaratha, também era negro. Krishna o grande Deus também é representado negro. Depois postaremos imagens que confirmam isto. África Buddhista e Hinduísta também.
(Clique na imagem para vê-la ampliada)

310 Buddha Eremita


                                      Takkasilla, Taxila, Paquistão.

310
“Nenhum trono na terra...etc.” - O Mestre contou esta história enquanto residia em Jetavana , sobre um irmão relapso, que em suas rondas em Savatthi por ofertas viu uma bela mulher : e daí ficou descontente e perdeu todo prazer na Lei. Assim os Irmãos o trouxeram para diante do Abençoado. Bento disse, “É verdade, Irmão, o quê ouvi, que estais descontente?” Ele confessou que sim. O Mestre ouvindo a causa do descontentamento falou,” Por quê, Irmão, desejas o mundo, depois de tomar ordens em uma religião que leva à Salvação ? Sábios antigos quando a eles ofertada a dignidade de capelão real rejeitaram, e adotaram a vida ascética.” E contou a eles uma história dos tempos antigos.
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Certa vez quando Bramadatra reinava em Benares, o Buda foi concebido no útero da esposa brahmin do capelão real, e nasceu no mesmo dia que o filho do rei. Quando o rei perguntou a seus ministros se alguma criança nascera no mesmo dia que seu filho, eles disseram, “Sim, Senhor, o filho do sacerdote da família real.” Então o rei fez com que o trouxessem, fosse colocado a cargo de nutrizes e cuidado junto com o jovem príncipe. E ambos vestiam os mesmos ornamentos e comiam e bebiam exatamente as mesmas coisas. E quando estavam crescidos foram juntos estudar em Takkasilā (Taxila) e logo que atingiram proficiência em todas as ciências voltaram para casa.
O rei fez seu filho vice-rei e concedeu a ele grande honra. Naquele tempo o Bodhisatva comia, bebia e vivia com o príncipe e havia uma grande amizade entre eles. Logo, com a morte do pai, o jovem príncipe ascendeu ao trono e gozava de grande prosperidade. Pensou o Bodhisatva : “ Meu amigo agora governa o reino ; quando ele encontrar oportunidade, ele certamente me dará o ofício de capelão real. O quê eu tenho a ver com vida de pai de família ? Torna-me-ei asceta e me devotarei à solidão.”
Assim ele saudou seus pais e tendo pedido a permissão deles para tomar ordens, abriu mão de sua fortuna mundana e partindo totalmente sozinho entrou no país do Himalaia. Lá em um lugar encantador, ele construiu para si um eremitério e adotando a vida religiosa de um anacoreta ele desenvolveu todas as Faculdades e as Consecuções e vivia no gozo do prazer da vida mística.
Em determinado momento o rei lembrou dele e disse, “O que aconteceu com meu amigo ? Não o vejo em lugar algum.” Seus ministros contam que ele tomara ordens e vivia, eles souberam, em algum bosque aprazível. O rei perguntou o lugar da residência dele e disse a seu conselheiro chamado Sayha, “Vá e traga meu amigo de volta contigo. Farei dele meu capelão.” Sayha prontamente assentiu e partindo de Benares no curso de tempo devido alcançou uma vila na fronteira e fixando residência lá, foi com alguns mateiros até o lugar onde o Bodhisatva morava e o encontrou sentado como uma estátua dourada na porta da sua cabana. Após saudá-lo com os cumprimentos costumeiros, sentou a uma distância respeitosa e assim se dirigiu a ele : “Reverendo Senhor, o rei deseja teu retorno, estando ansioso em elevá-lo a dignidade de sacerdote da família real.” O Bodhisatva respondeu, “S'eu fosse receber não apenas o posto de capelão mas toda Kasi e Kosala e o reino da Índia e a glória de um Império Universal, ainda assim recusaria ir. Os sábios não tomam de volta os pecados que abandonaram, não tanto quanto não engolem a fleuma /flegma que já lançaram.” Assim falando ele repetiu estas estrofes :-

Nenhum trono na terra me tentará para me envergonhar,
Nenhum reino à beira mar, guardado profundamente ;
Amaldiçoo a luxúria da riqueza e da fama
Que condena o pobre ser humano a chorar em “Mundos de Sofrimento”.

Melhor pela terra um vagabundo sem lar a extraviar-se
E tigela na mão a pedir de porta em porta,
Do que como rei, presa de luxúrias pecaminosas,
Suportar lei tirânica e avexar o povo.

Assim o Bodhisatva apesar de novamente oportunado por ele, rejeitou a oferta. E Saya sendo incapaz de convencê-lo, saudou-o e retornou e contou ao rei a recusa dele em voltar.
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Quando o Mestre terminou sua lição, ele revelou as Verdades e identificou o Jataka :- Na conclusão das Verdades o Irmão relapso atingiu a fruição do Primeiro Caminho. Muitos outros também experienciaram fruições semelhantes de Conversão :- “Naquele tempo Ananda era o rei, Sariputra era Sayha e eu mesmo era o sacerdote da família.”

terça-feira, 9 de junho de 2009

309 Buddha Pariah


309
“Santo Professor...etc.” - O Mestre enquanto residia em Jetavana contou esta história sobre a Fraternidade dos Seis Sacerdotes. Está relatado em detalhe no Vinaya. Aqui temos um breve resumo.
O Mestre enviou os Seis Padres e perguntou se era verdade que eles ensinavam a lei de um assento mais baixo, enquanto seus pupilos de um assento mais alto. Eles confessaram que sim, e o Mestre reprovando estes irmãos por querer o respeito deles por sua lei, disse que sábios antigos tiveram que reprovar homens que ensinavam, mesmo doutrinas heréticas, de assento mais baixo. Então contou a eles uma história do passado.
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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Boddhisatva veio a vida como filho de mulher pariah, e quando cresceu tornou-se pai de família, dono de casa. A mulher grávida teve um grande desejo de comer manga e disse a seu marido, “Meu senhor, tenho desejo de comer mangas.”
“Minha querida,” ele disse, “não há mangas nesta estação, te trarei algum outro fruto ácido.”
“Meu senhor,” ela disse, “s'eu puder comer manga, viverei. Se não, morrerei.”
Apaixonado pela esposa, ele pensou, “Em que lugar deste mundo posso conseguir manga ?” Bem, naquela época havia manga no jardim do rei de Benares que tem fruta o ano inteiro. Então ele pensou, “Apanharei manga madura lá para aplacar os desejos dela.” E indo para o jardim à noite, ele trepa n'árvore e vai de galho em galho procurando fruto e assim atarefado, surge àurora e o dia começa. Ele pensa, “S'eu descer para ir embora agora, serei visto e pego como ladrão. Esperarei até que escureça. “ Então sobe até uma forquilha d'árvore e lá permanece, pendurado nela.
Bem, naquele tempo o rei de Benares aprendia os textos sagrados com o seu capelão. E chegando no jardim ele senta em um assento mais alto aos pés da mangueira e colocando seu professor em um assento mais baixo, dele recebe aulas. O Bodhisatva sentado acima deles pensou, “Como é mau este rei. Está aprendendo os textos sagrados sentado em assento alto. O brahmin também é igualmente ruim, sentando e ensinando de um assento mais baixo. Eu também sou mau pois caí em poder de uma mulher e contando minha vida como nada, estou aqui roubando manga.” Então segurando um galho desceu da árvore diante dos dois e disse, “Ó grande Rei, sou um homem perdido, tu um grande tolo e este padre é como um morto.” E sendo questionado pelo rei o que ele queria dizer com aquelas palavras, pronunciou a primeira estrofe :-

Santo Professor, Aluno Real, contemplem! vejo um ato de pecado,
Ambos caídos da graça, ambos transgridem a lei.

[ N. do tr.: A Glosa adiciona este verso: Fé verdadeira na terra prevalecia / Falsa doutrina surgiu depois.]

O brahmin, escutando isto, repetiu a segunda estrofe :-

Minha comida é arroz puro da montanha,
Com um leve tempero de carne,
Pois por quê deveria um pecador ater-se
A regra observada por santos, enquanto comem?

Escutando isto o Bodhisatva recitou duas estrofes mais :-

Brahmin, vá medir a largura e o comprimento da terra;
Contemple ! Sofrimento, se observa, é o lote comum.
Aqui estragada pelo pecado tua vida arruinada vale
Menos que fragmentos de um pote quebrado.
Acautele-se da ambição e domine a cobiça:
Vícios como estes levam aos “Mundos de Sofrimento”.”

O rei agraciado com a exposição da lei, perguntou a ele de que casta era. “Sou um pariah, meu senhor,” ele disse. “Amigo,” ele respondeu, “foste tu de uma família de alta casta, teria te feito rei único. Mas de agora em diante serei rei de dia e você será rei de noite.” E com estas palavras colocou no pescoço dele uma guirlanda de flores que o adornava e o fez protetor da cidade. Daí vem o costume dos prefeitos vestirem guirlandas de flores vermelhas no pescoço. E deste então o rei escutando seus conselhos prestou respeito ao professor e aprendia os textos sagrados de um assento mais baixo.
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O Mestre sua lição terminada, identificou o Jataka : “Naquele tempo Ananda era o rei e eu mesmo era o pariah.”

segunda-feira, 8 de junho de 2009

308 Buddha Pica-pau



         Imagem do sarcófago de Ravena como leão de boca aberta bem no meio.

308
“Gentileza tanta quanto...etc.” - Esta história foi contada pelo Mestre enquanto residia em Jetavana sobre a ingratidão de Devadatra.
Ele a terminou dizendo, “Não apenas agora mas em dias anteriores Devadatra mostrou ingratidão,” e com estas palavras ele contou um história do passado.
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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva veio a vida como um pica-pau no país do Himalaia.
Bem, um certo leão, enquanto devorava sua presa, ficou com um osso espetado em sua garganta. Sua garganta inchou de modo que ele não podia comer nenhuma comida e ficou com dores agudas. Então este pica-pau, enquanto buscava sua própria comida, pousado em um galho, viu o leão e perguntou a ele, falando, “Amigo, o quê te aflige ?” Ele contou qual era o problema e o pássaro disse, “Eu tiraria o osso para fora da tua garganta, amigo, mas não ouso colocar minha cabeça denro da tua boca, temendo que me comas.”
“Nada temas, amigo ; não te comerei. Apenas salve minha vida.”
“Está certo,” disse o pássaro e ordenou ao leão que deitasse de lado. Então ele pensou : “Quem sabe o que este sujeito fará ?” E para prevenir que fechasse a boca, fixou uma vara entre a mandíbula superior e a inferior e então colocando sua cabeça dentro da boca do leão, quebrou a extremidade do osso com seu bico. O osso caiu e sumiu. Então o pica-pau retirou sua cabeça de dentro da boca do leão e com um golpe de seu bico quebrou a vara e saltando fora sentou no topo de um galho.
O leão recuperado de sua doença, um dia devorava um búfalo selvagem que ele matara. Pensou o pica-pau : “Agora vou colocá-lo em teste,” e pousando em um galho acima da cabeça do leão, passou a conversar com ele e pronunciou a primeira estrofe :-

Gentileza tanta quanto a que existe entre nós,
Para ti, meu senhor, certa vez mostramos:
Para nós desta vez, humildemente pedimos,
Conceda tu um dom insignificante.

Escutando isto o leão repetiu a segunda estrofe :-

Confiar tua cabeça numa boca de leão,
Uma criatura vermelha nas presas e nas garras
Ousar tal façanha e ainda viver,
É prova suficiente de minha boa vontade.

O pica-pau escutando isto pronunciou mais duas estrofes :-

Do egoísta ingrato não espere obter
A recompensa devida por serviço bem prestado;
De pensamento amargo e palavra irada, refrei ,
E rapidamente a presença do miserável, evite.

Com estas palavras o pica-pau voou para longe.
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O Mestre sua lição terminada, identificou o Jataka : “Naquele tempo Devadatra era o Leão e eu mesmo era o Pica-pau.”

[N. do tr.: Esopo Buddhista repete a história igualzinha com lobo no lugar do leão e garça no do pica-pau na famosa fábula número 224. A boca do leão aberta com uma vara entre as duas mandíbulas é uma imagem forte. Siddharta Gautama está vencendo a morte e a perseguição com que Devadatra ameaçou Sua vida. Segue texto de Ananda Coomaraswamy de seu livro “The door in the sky” pgs 27s sobre o assunto.

“Assim śarkara apropriadamente designa o svayamātrnnā mais alto, não só no seu sentido de “pedra,” mas também naquele de graha: a Porta do Sol é ou a Porta da Vida ou as Mandíbulas da Morte, tudo dependendo do entendimento do Sacrificante, que se pensa de si mesmo Tal-e-tal, “pensando ‘Ele é um, e eu outro,’ não é um Entendedor, mas como se ele fosse uma besta a ser sacrificada aos deuses” (BU I, 4, 10 ). Todas “passagens” (de um estado do ser para outro) são neste sentido “perigoso” ; e não pode haver dúvidas que o makara (= śimśumāra) colocado acima de corredores, e conhecidos em Java como kāla-makara (kāla, “Tempo,” sendo um dos bem conhecidos nomes da Morte) tem uma significado semelhante; cf. J. Scheftelowitz, Die Zeit als Schicksalsgottheit in der indischen und iranischen Religion, Stuttgart, 1929. A cabeça kāla-makara é chamada na Índia e no Ceilão, dos dois, “ face makara (makara vaktra )” e “mandíbulas do leão (simha-mukha ),” e é de se notar que no que é talvez a primeira referência a este motivo, Kh A 172, o siha-mukha é um ornamento lateral da nave do carro do rei,” evidentemente como no exemplo Chinês, B. Laufer, Jade (Chicago, 1912), pr. XVI, fig. I.
Um autor (extraviei a referência) descrevendo uma tumba Frígia do século segundo A.D. , remarca o leão representado nela “enquanto aparece ao arco do portão da cabana da porta da morte” e “como símbolo do poder do leão para quem pelo portão quiser passar.” Não será esquecido que Cristo, que disse de si mesmo que Eu sou a porta,” é o “Leão de Judá” assim como o “Sol dos Homens.”
A teoria da arte Indiana e universal assume protótipos angélicos como mimesis. O palácio do rei, por exemplo, reproduz as formas da cidade celestial. Uma notável ilustração disto, é dada pela fortaleza-palácio de Sihagiri no Ceilão, descrita como “difícil de ascender, para seres humanos (durārohan manussehi, Mhv XXXIX, 2; cf. o durohana de AB IV, 21 ).” Aqui Kassapa construiu uma “escada na forma de um leão (sihākārena ... nisseni-gehāni) ... e construiu um palácio real encantador e belo, como um segunda Ālakamanda (Cidade celestial, D. II, 147, 170) e habitou lá como Kuvera” (ibid., 3-5). A escada principal levava, de fato, através das mandíbulas de um leão colossal em tijolo e estuque, do qual a fortaleza toma seu nome e da qual pedaços ainda existem (Archaeological Survey of Ceylon, Annual Report, 2 vols., 1898, p.9, e Culavamsa, tr. Wilhelm Geiger e C. M. Rickmers, 2 vols., Oxford, 1929, 1930, p. 42, n.2 ). Uma assimilação do palácio-fortaleza com um protótipo divino e a ascenção em um Caminho celeste é manifestamente intencionado.
O lugar e a natureza de uma máscara de coroa de um makara torana (e.g., Coomaraswamy, História da Arte Indiana e Indonésia, 1927, fig. 225) são os mesmos: a torana funciona, realmente, como o nicho de uma imagem, mas ela chama-se torana porque o nicho é essencialmente um portal e para ser entendido como parte do aspecto frontal da deidade cuja imagem preenche o corredor. As costas da imagem ficam encobertas, e geralmente deixadas sem terminar e sem forma, relativamente, não sem razões que soam metafísicas. Não deve haver dúvida da similaridade entre este tipo de figura e as figuras radiantes de Cristo em Majestade (uma concepção complexa, geralmente conectada com a psicostasis e o Julgamento Final) estabelecida nos portais das catedrais Romanescas como se a dizer, “ninguém vem ao Pai a não ser por mim,” e ,”a não ser que você nasça novamente” ; tais são as figuras do Sol dos Homens, que separa os carneiros dos bodes na “encruzilhada dos caminhos.” A figura acima do portal prefigura a do Pantokrator que preenche o círculo do que é realmente o “olho” do domo ( “O domo central era caibro de uma carranca estupenda de Cristo Pantokrator, o juiz soberano,” Robert Byron e David Talbot Rice, em The Birth of Western Painting, London, 1930, p. 81; Vicent de Beauvais fala da ferocitas de Cristo ). O Caminho para o “olho” do domo é horizontal (tiryak) até que o altar, o umbigo [navel] da terrra, seja alcançado, e a partir daí ele é vertical (urddhvam); ou dizendo o mesmo em outras palavras, o caminho dentro da Igreja prefigura a entrada no Céu. Na arquitetura Muçulmana os mesmos princípios estão implicados pela abertura circular que, em muitos casos, se sobrepõem a nichos e entradas.
A bem conhecida “máscara de ogro” Chinesa, que aparece em muitos meios característicos nos primeiros bronzes Chineses, é certamente, formalmente relacionada a “face makara” da tradição Indiana. Devemos reconhecer que a relação é não somente de forma mas também de significado, e que a designação t’ao t’ieh, significando “glutão” (cf. Agni como grasisnu, kravyāt, etc., e textos tais como BU 1, 2, 1, tam jātam abhivyādadāt ), apesar de “máscara de ogro” ser dada pelos acadêmicos há bastante tempo, é dado mais apropriadamente (ver também nota 78). Uma interpretação similar pode ser dada dos monstros devoradores das empunhaduras de espadas Indonésias, que foram brilhantemente estudadas por R. Heine-Geldern; estes, contudo, não devem tanto se ligar, a lendas particulares, mas antes vê neles uma ilustração do princípio geral que está refletido em tais lendas. (...) A utilização da “cabeça da Morte” à empunhadura de uma arma é tão apropriado como o do simha-mukha e “t’ao t’ieh” ao cubo de uma roda, notado acima e na nota 77. A “cabeça da Morte,” seja leonina, aquilina, réptil, ou na forma de “glutão” , é a Face de Deus que faz os dois, “mata e faz viver.” Como Carl Hentze corretamente viu, “A exposição do T’ao-t’ieh une os símbolos da noite e obscuridade ... com os símbolos da luz e da renovação ... o T’ao-t’ieh é aquele demônio da obscuridade que deixa sair direto de si a luz e a vida,” assim combinando os caracteres lunar e solar (Frühchinesische Bronzen- und Kulturdarstellungen, Antuérpia, 1937, p. 85 ). Esta é unidade de Mitrāvarunau, Amor e Morte: “A Treva Divina é a Luz inacessível ... todos que entram são julgados dignos de conhecerem e verem a Deus” (Dionísio, Ep. ad Dor. Diac. ); “E a profundeza das trevas é tanta quanto a da habitação da luz; e elas não estão distantes uma da outra, mas juntas são uma a outra” (Jacob Boehme, Three Principles of the Divine Essence, tr. Jonh Sparrow, London, 1910, XIV, 76 ).
As mesmas relações podem ser estudadas no sarcófago de Ravena, em que o retângulo do Cosmos é sobreposto pela abóbada do Paraíso supra-solar, o Sol e a Face de Deus estando representadas pela máscara do leão (simha-mukha) colocada no centro do telhado dos mundos abaixo e base dos céus acima. Reconhecemos em ordem descendente Leão, Pomba, e Cruz, i.e., Sol, Espírito, Cristo – ou, em Sânscrito, Āditya,Vāyu, Agni. A Cruz está suportada em e ergue-se de um vaso (kumbha de RV VII, 33, 13) que, na medida que esta é especificamente uma representação do Batismo, significa o Jordão (como indicado por J. Strzygowski), mas também as Águas Inferiores impregnadas pela descida do raio, ou, em outras palavras, a Theotokos, Mãe Terra. Quanto mais detalhado nosso conhecimento de ontologia Védica e sua iconografia última, mais óbvios serão os paralelos. Aqui, em relação a Theotokos, podemos meramente aludir ao nascimento de Agni das Águas, que é também o do Profeta Vasishta na lótus = vaso = barco (da terra) (RV VII, 33, 11-12 e 88,4 ), e à freqüente representação iconográfica de Śri Laksmi pelo Vaso Transbordante (purna-kumbha, etc.) na primeira arte Indiana. Mais imediatamente pertinente a este estudo é o fato que a boca aberta do Leão é a Janua Coeli [Porta do Céu], o Auto-perfurado superior, do qual procede o Espírito; e a boca do vaso abaixo, o Auto-perfurado terrestre correspondente, o lugar de nascimento do Filho, que é ele mesmo o Leão e quem está lá para seguir-mos no seu retorno ao Pai através das mandíbulas do Leão. É, claro, o ponto de intercessão dos braços da Cruz que corresponde ao Auto-perfurado intermediário do altar Védico.” No mesmo livro o autor relaciona a imagem às aldravas das portas em que um aro é seguro pela boca do leão, dragão, ogro, lobo, etc.]

sexta-feira, 5 de junho de 2009

A libertação final


O Livramento Final (parinirvana, parinibbana) de Buddha. Gandhara, segundo ou terceiro século A.D. Baixo relevo em ardósia micácea . 0,48 m de altura. Boston Museum of Fine Arts.
Há um vaso d'água em frente a cama e a figura da direita com a cabeça abaixada chorando deve ser Ananda.