segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

251 Buddha Eremita


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251
Nenhum arqueiro...etc.” - Esta história o Mestre contou em Jetavana sobre um Irmão relapso.

Um jovem nobre, vivendo em Savatthi, emprestou seus ouvidos à doutrina dos Tesouros (Buddha, Dharma, Sangha – as três jóias) e abraçou a vida religiosa. Mas um dia, quando fazia suas rondas em Savatthi, aconteceu d'ele ver uma mulher vestida em roupas bonitas. Paixão brotou no coração dele ; e ele ficou desconsolado. Quando seus professores, conselheiros e amigos o viram deste jeito, disseram um ao outro, “Meu amigo, o Mestre pode remover os pecados daqueles que estão atormentados pela luxúria e semelhantes, e declarando as Verdades, os traz ao gozo da fruição da santidade. Vamos, levemo-lo ao Mestre.” Assim ao Mestre eles o levaram. Disse ele, “Por quê vocês me trazem este jovem contra a vontade dele, Irmãos ?” Eles disseram a ele a razão. “É vero,” ele perguntou, “que és relapso, como eles dizem?” Ele assentiu. O Mestre perguntou a razão e eles contaram o quê acontecera. Disse ele, “Ó Irmão, aconteceu antes destas mulheres serem a causa de impureza brotar mesmo em seres puros cujos pecados foram sustados pelo poder do ênstase. Por quê não seriam contaminados homens comuns como você quando contaminação atinge até o puro ? Mesmo homens da mais alta reputação caíram em desonra ; quanto mais os não purificados ! Não deve o vento que balança o Monte Sineru também agitar um monte de folhas ? Este pecado atormentou mesmo o Buddha iluminado, sentado em seu trono, e não deve atormentar alguém como tu ?” e ao pedido deles, ele contou um conto do mundo antigo.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), o Bodhisatva nasceu em uma grande família brahmin, que tinha riquezas que amontoavam a oitocentos milhões de dinheiros. Ele cresceu e recebeu sua educação em Takkasilā ( Taxila ) e retornou a Benares. Lá ele casou com uma esposa e com a morte de seus pais, realizou as exéquias. 

Então, enquanto inspecionava seu tesouro, refletiu - “O tesouro está ainda aqui mas aqueles que o juntaram não mais estão !” Ele foi tomado de dor e o suor escorria de seu corpo.

Ele viveu um longo tempo em casa e doou muito em ofertas ; ele dominou suas paixões, então ele deixou seus amigos chorando e foi para os Himalaias, onde construiu uma cabana em um lugar aprazível e viva de frutos e raízes da floresta, que achava nos seus passeios para cá e para lá. Logo cultivava as Faculdades e as Consecuções e vivia assim na benção da alegre meditação.

Então um pensamento surgiu nele. Ele iria para entre os humanos comprar sal e temperos ; assim seu corpo cresceria forte e ele vagaria por lá a pé. “Todos que fizerem ofertas a um homem virtuoso como eu,” ele pensou, “e me saudarem com respeito, preencherão as regiões celestes.” Assim ele desceu do Himalaia e logo logo, já que caminhava a passos largos para frente, chegou em Benares no momento do crepúsculo. Ele procura ao redor um lugar para ficar e vê o parque real. “Aqui,” disse ele, “é um lugar adequado de isolamento ; aqui vou residir.” E ele entra no parque e senta no pé de uma árvore e passa a noite na alegria da meditação.

Dia seguinte de manhã, depois das necessidades corporais e ajustado seu cabelo em pregas, sua pele e hábitos de casca de árvore, tomou sua tigela de ofertas ; todos seus sentidos estavam quietos, seu orgulho calmo, comportava-se com nobreza, não olhando mais que uma distância de arado diante de si ; devido a glória de sua aparência, que era perfeita em todos os sentidos, ele trouxe para si os olhos do mundo. Deste jeito entrou na cidade e colhia ofertas de porta em porta, até chegar no palácio do rei.

Bem, o rei estava no seu terraço, andando para cá e para lá. Ele viu o Bodhisatva através de uma janela. Ele estava agraciado com a postura dele ; “Se,” ele pensou, “existe tal coisa como quietude perfeita, deve se encontrar neste homem .” Então enviou um de seus cortesãos, mandando que buscasse o asceta. O homem alcançou-o com uma saudação e pegou a tigela de ofertas dele dizendo, “O rei te chama, Senhor.”

Nobre amigo,” respondeu o Bodhisatva, “o rei não me conhece !”

Então, Senhor, por favor permaneça aqui até qu'eu retorne.” E ele contou ao rei o quê o mendicante dissera. Disse o rei, Nós não temos padre confessor : vá, busque-o;” e no mesmo momento ele acenou pela janela, chamando-o - “Aqui, venha, Senhor !” 

O Bodhisatva ofereceu sua tigela de ofertas ao cortesão e subiu para o terraço. O rei então o saudou e o colocou no assento real e ofereceu a ele todas as comidas e carnes preparadas para ele mesmo. Quando já tinha se alimentado, ele colocou algumas questões para ele ; e as respostas que foram dadas agradavam-no cada vez mais e mais, de modo que com uma palavra de respeito, perguntou,
Bom Senhor, onde vives ? Vieste de onde para cá ?”

Moro no Himalaia, poderoso rei, e do Himalaia eu vim.”

O rei perguntou, “Por quê ?”

Na estação das chuvas, Ó rei, devemos buscar uma residência fixa.”

Então,” o rei disse, “more aqui no meu parque real, não te faltará as quatro coisas necessárias ; devo adquirir mérito que leve ao céu.”

Promessa foi feita ; e tendo feito o desjejum, foi com o Bodhisatva para o parque e fez com que fosse construída uma cabana de folhas lá. Um caminho coberto foi preparado e todos os lugares para se viver noite e dia. Todos os móveis e requisitos para uma vida de anchorita foram trazidos e dizendo a ele que ficasse confortável, deixou o guardião do parque encarregado dele.

Por doze anos após isto, o Bodhisatva teve sua morada neste lugar.

Uma vez aconteceu de um distrito da fronteira levantar-se em rebelião. O rei desejou ele mesmo ir lá acalmar as coisas. Chamando sua rainha, ele disse - “Senhora, ou eu ou você devemos ficar na retaguarda.”
Por quê dizes isto, meu senhor ?” ela perguntou.
Pelo bem do bom asceta.”
Não vou negligenciá-lo,” ela disse. “Seja minha a tarefa de cuidar do pai santo ; você pode ir sem ansiedade.”

Então o rei partiu ; e a rainha cuidava atentamente pelo Bodhisatva.

Bem, o rei se fora ; na estação determinada o Bodhisatva veio. Quando ele queria, ele vinha ao palácio e fazia sua refeição lá. Um dia, ele se atrasou muito tempo. A rainha tinha preparado toda a comida dele ; ela se banhou e se adornou e preparou um assento baixo ; com uma roupa leve largada por cima de si, ela se reclinou, esperando o Bodhisatva chegar. Bem o Bodhisatva notou a hora do dia ; pegou sua tigela de ofertas e passando através dos ares, chegou na grande janela. Ela escutou o roçar das roupas de casca de árvore dele e quando ela se levantou apressada, seu vestido amarelo escorregou. O Bodhisatva deixou esta visão incomum penetrar seus sentidos e olhou para ela com desejo.

 Então a má paixão que estava acalmada pelo poder do ênstase, levantou-se como uma cobra que levanta sua cabeça, da cesta na qual está guardada : ele ficou como uma árvore leitosa atingida por machado. Enquanto sua paixão ganhava força, sua calma enstática cedia, seus sentidos perdiam pureza ; ele ficou como se fosse um corvo com asa quebrada.

 Não podia mais sentar como antes e fazer a refeição ; nem mesmo ela pedindo que ele sentasse, pode ele fazer a refeição. Então a rainha colocou toda a comida junta na tigela de ofertas ; mas naquele dia ele não pode fazer como estava acostumado a fazer após a refeição e sair fora pela janela pelos ares ; pegando a comida ele desceu pela grande escadaria e daí foi para o bosque.

Quando chegou lá, não podia comer nada. Ele colocou a comida aos pés do banco, murmurando, “Que mulher! Mãos amáveis, pés amáveis ! Que cintura, que coxas !” e assim por diante. Assim ele ficou, prostrado, por sete dias. A comida estragou e ficou coberta por um enxame de moscas pretas.

Então o rei voltou, tendo colocado ordem na fronteira. A cidade estava toda decorada ; ele a rodeou em procissão solene, mantendo-a sempre a sua direita e depois foi para o palácio. Em seguida foi ao bosque, desejando ver o Bodhisatva. Ele percebe a sujeira e o lixo ao redor do eremitério e pensando que ele se fora, empurrou a porta da cabana e entrou. Lá jazia o eremita (anacoreta). “Ele deve estar doente,” pensou o rei. Fez com que se jogasse fora a comida estragada e se colocasse em ordem a cabana e depois perguntou,
Qual é o problema, Senhor ?”
Senhor, estou ferido !”

Então o rei pensou, “Suponho que meus inimigos devem ter feito isto. Não tiveram nenhuma chance comigo e resolveram atingir a quem amo.” Então o vira, procurando pela ferida ; mas não encontrou nenhuma. Perguntou, “Em qual lugar, Senhor ?”

Ninguém me feriu,” respondeu o Bodhisatva, “eu sozinho machuquei meu próprio coração.” E ele se levanta, senta numa cadeira e repete os versos seguintes:

Nenhum arqueiro armou flecha aos ouvidos
Para fazer esta ferida: nenhuma flecha com pena há aqui
Tirada de uma asa de pavão, e armada delicadamente
Por flecheiros habilidosos: - é meu coração,

Uma vez limpo da paixão por firme vontade minha,
E arguta inteligência, que através do desejo
Fez a ferida que quase me mata,
E me queima em todos os membros como fogo.

Não vejo ferida por onde possa sair o sangue :
A loucura do meu próprio coração é que me perfura assim.

Assim o Bodhisatva explicou o assunto ao rei nestas três estrofes. Fez depois o rei se retirar da cabana e induziu o transe místico ; e recobrou seu ênstase interrompido. Deixou a cabana e pousado no ar, exortou o rei. Após isto ele declarou que subiria para o Himalaia. O rei o tentou dissuadí-lo mas ele disse,
Ó rei, veja em que estado humilhante fiquei enquanto morei aqui ! Não posso permanecer.” E apesar do rei rogar que ficasse, ele se elevou nos ares e partiu para o Himalaia, onde morou em sua longa vida e então foi para o mundo de Brahma.

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Quando o Mestre terminou este discurso, declarou as Verdades e identificou o Jataka :- nas conclusões das Verdades o Irmão relapso tornou-se santo e alguns entraram no Primeiro Caminho, alguns no Segundo e alguns no Terceiro:- “Ānanda era o rei e eu o eremita.”















quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

250 Um sábio santo...etc.


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250
Um santo sábio...etc.”- Esta história foi contada pelo Mestre enquanto vivia em Jetavana sobre um Irmão hipócrita.

A Irmandade descobriu a hipocrisia dele. No Salão da Verdade eles estavam falando sobre : “Amigo, Irmão Tal-e-tal, após abraçar a religião do Buddha, que leva à salvação, ainda pratica a hipocrisia.” O Mestre entrando, pergunta o quê conversavam. Contaram a ele. Ele disse, “Irmãos, não é esta a única vez que este Irmão foi hipócrita ; pois hipócrita ele foi antes, quando aviltou simplicidade apenas para aquecer-se ao fogo.” Então ele contou a eles um conto do mundo antigo.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), o Bodhisatva nasceu como alguém de uma família brahmin. Quando cresceu e seu próprio filho estava na idade de correr pra lá e pra cá, sua esposa morreu ; ele pegou a criança no colo e partiu para os Himalayas, onde se tornou um asceta e educou o filho na mesma vida, morando em uma cabana de folhas.

Era a estação das chuvas e o céu derramava seus dilúvios incessantemente : um Macaco vagando ao redor, atormentado com o frio, tremia e rangia os dentes. O Bodhisatva catara uma grande lenha, acedera o fogo e sentara em seu catre. Seu filho sentara a seu lado e esfregava seus pés.

Bem, o Macaco encontrara um hábito que pertencia a algum anchorita morto. Ele se veste com a roupa de baixo e a de cima, atirando a pele por cima de um dos ombros ; pega o cajado e a tigela d'água e neste hábito de sábio vem para a cabana de folhas em busca de fogo : e lá ele fica em 'plumas emprestadas'.

O rapaz o vê e grita para o pai, “Veja, pai – há um asceta, tremendo de frio ! Chame-o aqui ; ele deve se esquentar.” Então dirigindo-se a seu pai, pronuncia a primeira estrofe:-

Um sábio santo está de pé tremendo em nosso portão,
Um sábio, à paz e bondade consagrado.
Ó pai ! Peça ao santo homem que entre,
Que todo seu frio e miséria possa aplacar.

O Bodhisatva escutou seu filho ; ele se levantou e olhou ; então entendeu que era um macaco e repetiu a segunda estrofe:

Nenhum sábio santo ele é : ele é um vil
E repugnante Macaco, desejoso de a tudo estragar
A tudo que tocar, aquele que mora nas árvores ;
Uma vez que o deixemos entrar, nossa casa sujará.

Com estas palavras, o Bodhisatva apanhou um tição e espantou o macaco para longe ; e ele pulou para cima, e gostasse ou não da floresta, não mais retornou para aquele lugar. O Bodhisatva cultivou as Faculdades e as Consecuções e ao jovem asceta explicou o processo de transe místico ; e ele também deixou as Faculdades e as Consecuções brotarem dentro dele. E ambos, sem quebrar seus ênstases, tornaram-se destinados ao mundo de Brahma.

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Assim o Mestre discursava a guisa de mostrar como este homem era não apenas então, mas desde sempre, um hipócrita. Isto terminado, ele declarou as Verdades e identificou o Jataka : - na conclusão das Verdades alguns alcançaram o Primeiro Caminho, outros o Segundo e ainda alguns o Terceiro : - “O Irmão hipócrita era o Macaco, Rahula era o filho e eu mesmo era o eremita.” Cf. Jataka 173 .

[ n. do tr.: Mono e Momo, o macaco e o Sarcasmo em grego, Momo, a zombaria, filha da Noite ( Hesíodo,Teog, 211) senhor do carnaval, origem das farsas teatrais. Esopo (nº 74) faz deste Momo, juiz entre as obras de Júpiter, Prometeu e Atena, no Olimpo respectivamente criadores de : touro, ser humano e a casa.

Momo diz que ao touro falta olhos no chifre para poderem ver, ao homem colocar o coração do lado de fora para podermos ver o espírito das pessoas e à casa, rodas para escapar de um vizinho ruim. Expulsam-no do Olimpo por causa da inveja que mostrava. Mas continuou senhor do carnaval e desta zombaria da obra dos deuses e homens em cujo tempo troca-se a ordem das coisas.

Plato (cf. Livro X da República) quando aos heróis gregos concede que escolham uma outra vida, em mitos do Julgamento das almas, mitos armênios , coloca na boca de Ulisses querer ser um homem simples, na de Agaménon uma águia, na de Ajax um leão, e um macaco na de Tersites, que, perto de Ulisses, zombava da guerra toda como farsa para enriquecer ricos e empobrecer pobres. Mono. Ulisses bate-lhe na cabeça com o cetro de ouro. Tinha razão o Mono. Também tinha razão Momo. A explicitar a farsa toda.

Não esquecer que são os Macacos da sua cidade de Kishkindah (ho-je Vijayanagara, Hampi) que salvam Sita com Rama, sequestrada por Ravana. Os Macacos então têm sua cidade são inteligentes, fiéis, piedosos e transformam-se, se querem, em gente. São macacos? Cf a coleção Ramayana que relata esta história em pinturas de Saib Din séc XVII editada recentemente pela British Library

   https://plus.google.com/u/0/collection/gZZ4XB ]








terça-feira, 6 de janeiro de 2009

249 Buddha vendedor de milho


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249
Como meu próprio filho...etc.” - Esta história o Mestre contou enquanto vivia em Jetavana, sobre um distinto Ancião. 

É dito que ele ordenara um jovem a quem tratava sem gentileza. O noviço por fim não pode suportar mais e retornou para o mundo. O Ancião então tentou coagi-lo. “Olhe aqui, rapaz,” disse ele, “seu hábito deve ser de sua propriedade e sua tigela também ; tenho outro hábito e outra tigela que darei para ti. Junte-se a nós novamente.” No começo ele recusou mas por fim após muitos pedidos ele aceitou. A partir do dia mesmo que se juntou novamente à irmandade, o Ancião passou a maltratá-lo como antes. O rapaz de novo achou demais e deixou a ordem. Como o Ancião suplicava novamente a ele que se juntasse à ordem, o rapaz respondeu, “Você não pode comigo nem sem mim ; deixe-me sozinho – não me juntarei !”

Os Irmãos falavam disto no Salão da Verdade. “Amigo,” disseram eles, “que rapaz sensível ! Ele conhecia o Ancião muito bem para se juntar a nós.” O Mestre entrando pergunta sobre o quê conversavam. Eles contaram a ele. Ele continuou, “Não apenas agora este rapaz é sensível, Irmãos, mas foi justo o mesmo antes ; quando certa vez viu as faltas deste homem, não o aceitou novamente.” E contou uma história dos tempos antigos.

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Certa vez no reino de Brahmadatra rei de Benares, o Bodhisatva nasceu numa família de fazendeiros e ganhava a vida vendendo milho. Outro homem, um encantador de serpentes, treinou um macaco, o fez engolir um antídoto e fazendo a serpente brincar com o macaco, ganhava a vida, deste jeito.

Um festival foi proclamado ; este homem desejava fazer festa no festival e confiou o macaco a este mercador, pedindo a ele que não fosse negligente. Sete dias depois ele veio ao mercador e pediu o seu macaco. O macaco escutou a voz do seu mestre e saiu fora rapidamente da loja de grãos. Imediatamente o homem bateu nas costas dele com um pedaço de bambu ; então o levou para a floresta, o amarrou e caiu no sono. Assim que o macaco viu que ele estava dormindo, soltou seus laços e fugiu subindo em uma mangueira. Comeu uma manga e soltou o caroço na cabeça do encantador de serpentes. O sujeito acordou e olhou para cima : lá estava o macaco. “Vou engabelá-lo !” ele pensou, “e quando tiver descido da árvore, o pegarei !” Então para engabelá-lo, repetiu a primeira estrofe :-

Como meu próprio filho deves ser,
Mestre em nossa família :
Desça, Cunhado, da árvore -
Venha e corramos para casa juntos !

O macaco escutou e repetiu o segundo verso :-

Você está rindo à socapa !
Esqueceste que me bateste ?
Estou contente de viver aqui,
(Portanto adeus) comendo mangas maduras.

Para cima ele foi e logo sumiu na floresta ; enquanto o encantador de serpentes retornou para casa furioso.

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Quando este discurso estava terminado, o Mestre identificou o Jataka : “Nosso noviço era o Macaco. O Ancião era o encantador de serpentes e eu mesmo era o vendedor de milho.”










segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

248 Àrvore da Judeia


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248
Todos viram...etc.”- Esta história o Mestre contou enquanto estava em Jetavana, na Assembléia sobre a árvore da Judéia (Kimsuka = Butea Frondosa ; Olaia).

Quatro Irmãos, aproximando-se do Tathagata, pediram a ele que expusesse os meios pelos quais o ênstase pudesse ser induzido. Ele expôs. Isto feito, eles se dispersaram para vários lugares onde passaram suas noites e dias. Um deles, tendo entendido as Seis Esferas do Tato, tornou-se santo ; com outro aconteceu o mesmo após entender os Cinco Elementos do Ser, o terceiro após entender os Quatro Principais Elementos e o quarto após entender os Dezoito Constituintes do Ser. Cada um deles recontou para o Mestre a excelência particular que atingiu. Um pensamento surge na mente de um deles ; e ele pergunta ao Mestre, “Há somente um Nirvana para todos estes modos de meditação ; como é que todos eles levam à santidade ?” Então o Mestre perguntou, “Isto não é como o pessoal que viu àrvore da Judéia ?” Quando eles pediram a ele que falasse sobre, ele repetiu um conto de dias idos.

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Certa vez Brahmadatra o rei de Benares ( Varanasi ) teve quatro filhos. Um dia eles chamaram o auriga e disseram a ele, Nós queremos ver uma árvore da Judéia ; mostre-nos uma !”

Muito bem, mostrarei,” respondeu o auriga. Mas ele não a mostrou a eles todos juntos.

 Levou o mais velho primeiro para a floresta na carruagem e mostrou a ele a árvore no tempo em que os brotos estavam rebentando nos galhos. Ao segundo ele a mostrou quando as folhas estavam verdes, ao terceiro no momento da floração e ao quarto quando estava carregada de frutos.

Após isto aconteceu que os quatro irmãos estavam sentados juntos e algum perguntou, “Que tipo de árvore é a árvore da Judéia ?” 

Então o primeiro irmão respondeu, Como um cepo ardente !”

E o segundo gritou, “Como uma árvore banian !”

E o terceiro - “Como um pedaço de carne ! “ [ n. do tr.: ela tem flores rosas ]

E o quarto disse, “Como a acácia !” 

Eles ficaram vexados com as respostas uns dos outros e correram para encontrar o pai deles. “Meu senhor,” eles perguntaram, “que tipo de árvore é a árvore da Judéia ?”

O quê vocês dizem disso ?” ele perguntou. Eles contaram a ele as maneiras com que responderam. Disse o rei, Todos vocês quatro viram a árvore. Só que quando o auriga apresentou a vocês a árvore, vocês não perguntaram a ele 'Como a árvore se parece em tal estação ?' ou 'em tal outro momento ?' Vocês não fizeram nenhuma distinção e esta é a razão do erro de vocês.” E ele repetiu a primeira estrofe :-

Todos viram a árvore da Judéia -
Por quê a perplexidade?
Nenhum perguntou ao auriga
Qual o jeito dela durante o ano todo !
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O Mestre tendo explicado o assunto, então se dirigiu aos Irmãos : “Bem, como os quatro irmãos, porque não fizeram distinção e perguntaram, sentindo dúvida sobre àrvore, do mesmo modo vocês sentem dúvida sobre o certo” : e em sua sabedoria perfeita ele pronuncia o segundo verso :-

Quem sabe o certo com alguma deficiência
Sente dúvida, como aqueles quatro irmãos com a árvore.

Quando este discurso estava terminado, o Mestre identificou o Jataka : “Naquele tempo eu era o rei de Benares.”













sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

247 Ancião Laludayi


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247
Certamente este rapaz...etc.” - Esta história o Mestre contou enquanto residia em Jetavana sobre o Ancião Laludayi.

Um dia, é dito, os dois discípulos chefes estavam discutindo uma questão. Os Irmãos que escutaram a discussão louvavam os Anciãos. Ancião Laludayi, que estava sentado no grupo, fez beiço e pensou - “Qual é o conhecimento deles comparado com o meu ?” Quando os Irmãos notaram isto, o deixaram. E o grupo se espalhou.

Os Irmãos estavam falando sobre isto no Salão da Verdade. “Amigo, você viu como Laludayi fez beiço desprezando os dois discípulos chefes ?” Escutando isto o Mestre disse, “Irmãos, em dias idos, como agora, Laludayi não tinha outra resposta que fazer beiço (franzir os lábios).” Então ele contou a eles um conto do mundo antigo.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva era seu conselheiro nas coisas espirituais e temporais. Bem, o rei tinha um filho, Padañjali de nome, um ocioso preguiçoso vagabundo. Logo logo o rei morreu. Suas exéquias terminadas, os cortesãos falavam em consagrar seu filho Padañjali como rei. Mas o Bodhisatva disse,
É um camarada preguiçoso, um vagabundo ocioso,- devemos pegá-lo e consagrá-lo rei ?”

Os cortesãos fizeram uma experiência. Eles sentaram o jovem diante deles e tomaram uma decisão errada. Sentenciaram algo para o proprietário errado e perguntaram a ele, “Jovem senhor, nós decidimos certo ?”

O rapaz fez beiço.

Ele é um rapaz sábio, acho eu,” pensou o Bodhisatva; “ele deve saber que decidimos erradamente :” e recitou o primeiro verso :-

Certamente o rapaz é sábio acima de todos os homens.
Ele fez beiço – ele deve ver além de nós, então !

Dia seguinte, como antes, eles arranjaram uma sentença mas desta vez a julgaram com correção. Novamente perguntaram a ele o quê pensava.

E ele fez beiço de novo. Então o Bodhisatva percebeu que ele era um cego tolo e repetiu o segundo verso :-

Ele não sabe distinguir certo do errado, nem mau de bom :
Ele faz beiço – e não mostra mais nenhum senso.

Os cortesãos entenderam então que o jovem Padañjali era um tolo e fizeram o Bodhisatva rei.

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Quando o Mestre terminou este discurso, ele identificou o Jataka : “Laludayi era Padañjali e eu era o sábio cortesão.”