terça-feira, 23 de outubro de 2012

454 Krishna e Buddha



   ( as Gopis, esposas de Brâmanes dando leite a Krishna tendo Balaram do lado em Mathura. o desenho é do séc. XVII, Pahâri. )
       
             454
Krishna Kanha, levante...etc.” - Esta história o Mestre contou em Jetavana sobre a morte de um filho. As circunstâncias são semelhantes àquelas no Jataka 449. Aqui também o Mestre pergunta ao irmão leigo, “Estás triste, irmão ?” Ele respondeu, “Sim, Senhor.” “Irmão,” disse o Mestre, “muito tempo atrás sábios escutaram sábias palavras e não choraram pela morte de um filho.” E com o pedido dele, contou uma história do passado. [ n. do tr. : a história é uma síntese da vida de Sri Krishna de olhos de lótus, negro, na era passada com os nomes das pessoas e das cidades sendo o mesmo assim como o enredo cf Bhagavata Purana parte IV vol 10 dos Puranas. Hari, Narayana, Govinda, Vasudeva, Kesava, Krishna e outros mil nomes são da mesma Pessoa, Sarva, Sambhu, Hrishikesa, Acyuta, Aquele que alimenta todas criaturas como o luminar marcado pela lebre, enfim Vishnu em todas suas encarnações, Mahabharata, Anusasana parva seç. CXLIX. Sri Krishna não matou ninguém na guerra do Mahabharata apenas dirigiu o carro de Arjuna tendo a misericórdia da autoridade espiritual suprema. Buddha teria sido um dos irmãos mais novos dele o quê aproxima as duas religiões e conta um encontro sagrado por excelência da Antiguidade. Aum, Om, saudações a Ele. ]
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Certa vez, um rei chamado Mahakamsa reinava em Uttarapatha no distrito de Kamsa na cidade de Asitañjana. Ele tinha dois filhos, Kamsa e Upakamsa e uma filha chamada Devagabbha. No dia do aniversário dela os brahmins que adivinhavam o futuro disseram dela : “Um filho nascido desta garota irá um dia destruir o país e a linhagem de Kamsa.” O rei gostava muito da garota para executá-la ; e deixando que os irmãos dela determinassem, viveu o resto de seus dias e depois morreu. Quando ele faleceu Kamsa se tornou rei e Upakamsa vicerey. Eles consideraram que haveria revolta se matassem sua irmã e então resolveram não dá-la em casamento para ninguém e mantê-la sem marido e vigiá-la ; e construíram uma torre redonda isolada para ela viver.
Bem, ela tinha uma empregada chamada Nandagopa e o marido da mulher, Andhakavenhu, era o empregado que a vigiava. Naquele tempo um rei chamado Mahasagara reinava em Madhura Superior e ele tinha dois filhos, Sagara e Upasagara. Com a morte do pai deles Sagara se tornou rei e Upasagara vicerey. Este rapaz era amigo de Upakamsa, criado junto com ele e ensinado pelo mesmo professor. Mas ele fez intriga na zenana ( aposento das mulheres ) do irmão e tendo sido detectada, fugiu correndo para Upakamsa no estado de Kamsa. Upakamsa o apresentou ao rei Kamsa e o rei o teve em grande honra.
Upasagara enquanto estava junto ao rei observou a torre onde morava Devagabbha ; e perguntando quem morava lá, escutou a história e ficou apaixonado pela garota. E Devagabbha um dia o viu quando junto com Upakamsa iam servir o rei. Ela perguntou quem era e sendo informada por Nandagopa que era Upasagara, filho do grande rei sagara, ela também caiu apaixonada por ele. Upasagara deu um presente para Nandagopa dizendo, “Irmã, podes arranjar um encontro meu com Devagabbha.”
Bastante fácil,” cotejou Nandagopa e contou à garota sobre. Ela estando já apaixonada por ele concordou imediatamente. Uma noite Nandagopa arranjou um local de encontro e trouxe Upasagara para cima da torre ; e lá ele ficou com Devagabbha. E com o constante encontro dos dois, Devagabbha concebeu. Logo ficou-se sabendo que ela estava grávida e os irmãos questionaram a Nandagopa. Ela os fez prometer que a perdoariam e então contou os ir e vir do assunto. Quando eles escutaram a história, pensaram, “Não podemos matar nossa irmã. Se ela gerar uma filha, pouparemos o bebê também ; se um filho, o mataremos.” E deram Devagabbha como esposa para Upasagara.
Quando o tempo de gestação se completou ela deu à luz uma menina. Os irmãos escutando isto ficaram aliviados e deram a ela o nome Senhora Añjana. E concederam a eles uma vila como feudo chamada Govaddhamana. Upasagara pegou Devagabbha e viveu com ela na vila de Govaddhamana.
Devagabbha ficou noamente grávida e no mesmo dia Nandagopa também. Quando o tempo delas chegou,deram a luz no mesmo dia, Devagabbha um filho e Nandagopa uma filha. Mas Devagabbha, temendo que matassem seu filho, o enviou secretamente para Nandagopa e recebeu a filha de Nandagopa em troca. Elas contaram aos irmãos o nascimento. “Filho ou filha ?” perguntaram. “Filha,” foi a resposta. “Então cuide da criação dela,” disseram os irmãos. Do mesmo jeito Devagabbha deu à luz dez filhos e Nandagopa dez filhas. Os filhos viviam com Nandagopa e as filhas com Devagabba e ninguém sabia do segredo.
O filho mais velho de Devagabbha foi chamado Vasu-deva, o segundo Bala-deva, o terceiro Canda-deva, o quarto Suriya-deva, o quinto Agni-deva, o sexto Varuna-deva, o sétimo Ajjuna, o oitavo Pajjuna, o nono Ghata-pandita e o décimo Amkura ( n. do tr. : Krishna, Bala-rama ( irmão de Krishna ), Lua, Sol, Fogo, Varuna o deus do céu, a árvore Terminalia Arjuna, a Nuvem de Chuva, o Sábio do Ghee ( manteiga ), Rebento ( broto ). A história parece conter um cerne de mito da natureza ). Eles ficaram conhecidos como os filhos de Andhakavenhu o servidor, os Dez Irmãos-Sudras.
Com o passar do tempo eles ficaram grandes e sendo muito fortes e também ferozes e furiosos, saíram saqueando ao redor, indo tão longe como saquear um presente que estava sendo transportado para o rei. O povo se amontoou no jardim da corte do rei, reclamando, “Os filhos de Andhakavenhu, os Dez Irmãos, estão saqueando a terra !” Então o rei mandou chamar Andhakavenhu e o censurou por permitir que seus filhos roubassem. Do mesmo jeito as reclamações foram feitas três ou quatro vezes e o rei o ameaçava. Ele temendo por sua vida suplicou o dom da incolumidade ao rei e contou o segredo, de como não eram seus filhos mas de Upasagara. O rei ficou atônito. “Como podemos pegá-los ?” ele perguntou aos cortesãos. Eles responderam, “Senhor, eles são lutadores. Vamos patrocinar disputas de lutas na cidade e quando eles entrarem no ringue nós os pegamos e os matamos.”
O ringue de luta foi preparado em frente ao portão do rei ; havia um estádio para os jogos, o ringue decorado alegremente, as bandeiras vitoriosas amarradas. Toda a cidade estava uma torvelinho ; fila após fila alinhava os assentos, fileira atrás de fileira. Canura e Mutthika desceram para o ringue e empertigados pulavam, gritavam e batiam as mãos. Os Dez Irmãos vieram também. No caminho saquearam a rua das lavanderias e vestiram-se em roupas de cores brilhantes e roubando perfumes das lojas de perfumes e coroas de flores de floristas,com seus corpos ungidos, guirlandas nas cabeças.brincos nas orelhas, empertigaram-se no ringue pulando, gritando, batendo as mãos.
Naquele momento, Canura andava e batia as mãos perto. Baladeva, vendo-o , pensou, “Não tocarei naquele sujeito lá com minhas mãos !” e pegando uma correia grossa no estábulo dos elefantes, pulando e gritando ele a atirou ao redor da barriga de Canura e juntando as duas extremidades as amarrou e levantando-o, o rodou em cima da cabeça e o esmagou no chão, rolando-o para fora da arena. Quando Canura estava morto, o rei enviou Mutthika. Levantou-se Mutthika, pulando, gritando batendo as mãos. Baladeva bateu nele e esmagou seus olhos ; e enquanto ele gritava - “Não sou lutador ! Não sou lutador !” Baladeva amarrou suas mãos dizendo, “Lutador ou não, é o mesmo para mim,” e o atirou no chão matando-o e atirando-o para fora da arena.
Mutthika em seus estertores de morte, pronunciou uma prece - “Possa me tornar um duende e devorá-lo !” E ele se tornou um duende, na floresta chamada pelo nome de Kalamattiya. O rei disse, “Retirem os Dez Irmãos Sudras.” Naquele momento, Vasudeva atirou um disco que cortou fora as cabeças dos dois irmãos ( o rey e o vicerey ). A multidão, aterrorizada, caiu aos pés dele e buscaram refúgio e proteção nele.
Assim os Dez Irmãos, tendo matado seus dois tios, assumiram a soberania da cidade e Asitañjana e trouxeram seus pais para ela.
Eles agora estabelecidos, pretendiam conquistar toda a Índia. Pouco depois chegaram na cidade de Ayojjha, o trono do rei Kalasena. Esta eles rodearam destruíram a floresta em volta fizeram uma brecha no muro aprisionaram o rei e tomaram a soberania do lugar para suas mãos. Dali foram para Dvaravati. Bem, esta cidade tem de um lado o mar e de outro as montanhas. Diziam que o lugar era assombrado por duendes. Um duende estaria de vigília, e vendo seus inimigos, na forma de um burro zurra como zurra um burro. Imediatamente, por magia de duende toda a cidade elevava-se nos ares e depositava-se em uma ilha no meio dos mares ; quando o inimigo já havia ido embora, ela volta e se estabelece no seu próprio lugar novamente. Desta vez como usualmente assim que o burro viu os Dez Irmãos vindo, zurrou como zurra um burro. Eleva-se a cidade nos ares e estaciona numa ilha. Não viam cidade alguma e voltaram ; então a cidade voltou para seu lugar novamente. Eles retornaram – novamente o burro fez como antes. A soberania desta cidade de Dvaravati eles não conseguiram tomar.
Então eles foram visitar Kanha Dipayana ( o sábio do Jataka 444 ) e disseram : “Senhor, falhamos em capturar o reino de Dvaravati ; nos diga como fazê-lo.” Ele disse : “Em uma vala, em tal lugar, está um burro andando ao redor. Ele zurra quando vê um inimigo e imediatamente a cidade se eleva nos ares. Vocês devem pedir a ele o modo de realizar o objetivo de vocês.” Eles então pediram licença ao asceta e foram todos os dez até o burro e suplicando a ele disseram, “Senhor, só você pode nos ajudar ! Quando viermos para tomar a cidade, não zurre !” O burro respondeu, ”Não posso não zurrar. Mas se primeiro quatro de vocês trouxer grandes arados de ferro e nos quatro portões da cidade enterrarem grandes postes de ferro no chão e quando a cidade começar a se elevar, se vocês fixarem ao poste uma corrente de ferro amarrada ao arado, a cidade não será capaz de se elevar.” Eles agradeceram ; e ele não emitiu um som enquanto pegavam arados e fixavam postes no chão dos quatro portões da cidade e ficaram esperando. Quando o burro zurrou, a cidade começou a se elevar mas aqueles que estavam nos quatro portões com os quatro arados, tendo fixado os postes de ferro no chão comcorrentes amarradas ao arado, a cidade não podia se elevar. Com isto os Dez Irmãos entraram na cidade, mataram o rei e tomaram o reino. [ n. do tr. : nos Puranas a cidade de Dvaraka é construída para que cercada pelos mares possam se proteger de inimigos muitos em um tempo de muita guerra : Sri Krishna com o poder da Yoga transfere os cidadãos todos para dentro dela ].
Assim eles conquistaram toda a Índia e em sessenta e três mil cidades eles mataram na roda os reis delas e viveram em Dvaravati, dividindo o reino em partes. Mas esqueceram sua irmã, a Senhora Añjana. Então “Façamos onze partes deste todo,” disseram eles. Mas Amkura respondeu, “Dêem minha parte para ela e eu farei algum negócio para viver ; mas que cada um desconte no próprio país minhas taxas.” Eles consentiram e deram a parte dele para a irmã ; e com ela viveram em Dvaravati, nove reis, enquanto Amkura embarcou fazendo comércio.
Com o passar do tempo, eles todos cresceram com filhos e filhas ; e após passar muito tempo, os pais morreram. Naquela era dizem que a vida humana era de vinte mil anos.
Então um filho querido do grande Rei Vasudeva faleceu. O rei, meio morto de tristeza, negligia tudo e deitado lamentava-se segurando o estrado da cama. Então Ghatapandita pensou consigo mesmo, “A não ser eu mesmo ninguém será capaz de aliviar a dor de meu irmão ; encontrarei um jeito de acalmar sua dor para ele.” Então assumindo uma aparência de louco, andava por toda a cidade olhando para o céu e gritando, “Deem-me uma lebre ! Deem-me uma lebre !” Toda a cidade estava excitada : “Ghatapandita ficou doido !” diziam. Justo então um cortesão chamado Rohineyya, entrou na presença do Rei Vasudeva e começou uma conversa com ele recitando a primeira estrofe :

Krishna Kanha, levante-se ! Por quê fechar os olhos para dormir ?
Por quê jaz aí ? Teu próprio irmão – veja, os ventos levaram sua
Consciência e sabedoria ! Ghata delira, oh tu de longos cabelos pretos !

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Quando o cortesão falou assim, o Mestre percebendo que ele levantara-se, em sua Perfeita Sabedoria pronunciou a segunda estrofe :

Assim que Kesava de longos cabelos escutou o grito de Rohineyya,
Levantou-se todo ansioso e preocupado com o sofrimento de Ghata.

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Levantou-se o rei e rapidamente desceu de seus aposentos ; e dirigindo-se até Ghatapandita, segurou-o com as duas mãos e falando com ele, pronunciou a terceira estrofe :

Com jeito louco, por quê atravessas Dvaraka,
E gritas repetidamente 'Lebre, lebre !' Diga, quem lá tirou a lebre de ti ?

A estas palavras do rei, ele só respondeu repetindo o mesmo grito de antes novamente. O rei contudo recitou mais duas estrofes :

Seja de ouro ou feita de jóias finas
Cobre, prata, como queiras,
Concha, pedra ou coral, diga
Farei uma lebre.

E muitas outras lebres há, que vagam na larga floresta,
Elas podem ser trazidas, as farei serem pegas : diga, que decides ?

Escutando estas palavras do rei, o sábio homem respondeu repetindo a sexta estrofe :

Não busco lebre terrena mas aquela na lua :
Faça-a descer, Ó Kesava ! Não peço outro dom !

Sem dúvida meu irmão ficou louco,” pensou o rei, quando escutou isto. Em grande dor, falou a sétima estrofe :

Em verdade, meu irmão, morrerás se fazes tal pedido,
E pedes aquilo que ninguém deve pedir, a lebre celestial lunar.

[ n. do tr. : a quarta estrofe ocorre tb no Jataka 449 e a Lebre na Lua no Jataka 316 em que ela se atira no fogo do sacrifício em oferta de si mesma. Kanha é mais um nome de Krishna aqui. ]

Ghatapandita, escutando a resposta do rei, ficou imóvel como um tronco e disse : “Meu irmão, sabes que se uma pessoa pede a lebre na lua e não consegue obtê-la, ela morrerá ; então por quê choras por teu filho morto ?”

Se, Kanha, sabes disto e podes consolar a dor de outro,
Por quê ainda choras o filho que morreu a tanto tempo atrás ?

Ele então continuou, em pé lá na rua - “E eu irmão peço apenas por o quê existe mas você se lamenta pelo que não existe.” Então ele o instruiu repetindo mais duas estrofes :

'Meu filho nasceu, que ele não morra !' Nem homem nem deidade
Pode ter esta dádiva ; então por quê pedir pelo quê nunca pode existir ?
Nem encantos místicos, nem raízes 'máyacas', nem ervas, nem dinheiro gasto,
Podem trazer de volta à vida aquele fantasma por quem choras, Kanha.

O Rei, escutando isto, respondeu, “Tua intenção foi boa, querido irmão. Você fez isto para acabar com meu problema.” Então em louvor de Ghatapandita ele repetiu quatro estrofes :

Homens tenho sábios e excelentes que me dão bom conselho :
Mas agora Ghatapandita me abriu os olhos
Eu queimava como quando alguém joga combustível no fogo ;
Trouxestes água e abrandaste a dor do meu desejo.

Sofria por meu filho, uma cruel flecha estava alojada dentro do coração ;
Consolaste-me no meu sofrer e retiraste o dardo.

A flecha extraída, livre da dor, tranquilo e calmo estou
Escutando,Ó jovem, tuas palavras verdadeiras, não mais choro nem lamento.

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E por fim :

Assim faz o misericordioso e assim aqueles realmente sábios :
Eles libertam do sofrimento qual Ghata aqui seu irmão mais velho libertou.

Esta estrofe é da Perfeita Sabedoria.

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Deste modo foi Vasudeva consolado pelo Príncipe Ghata.
Depois de passar muito tempo, durante o qual legislou seu reino,os filhos dos dezirmãos pensaram : “Eles dizem que Kanha Dipayana é possuidor de insight divino. Vamos testá-lo.” Então procuraram um garoto e o vestiram e colocando um travesseiro na barriga dele o fizeram parecer que estivesse com filho. Então o levaram à presença dele e perguntaram, “Quando, Senhor, esta mulher dará a luz ?” O asceta percebeu ( com sua visão miraculosa ) havia chegado da destruição dos dez irmãos ; então, olhando para ver qual o fim de sua própria vida, percebeu que deveria morrer naquele mesmo dia. Então ele disse, “Jovens senhores, o quê este homem é para vocês ?” “Responda-nos,” falaram persistentemente. Ele disse, “Este homem no sétimo dia a partir de agora dará à luz um nó de madeira de acácia. Com isto ele destruirá a linhagem de Vasudeva, mesmo que vocês peguem o pedaço de madeira e o queimem e joguem as cinzas no rio.” “Ah, falso asceta !” eles disseram, “um homem não pode nunca gerar uma criança !” e o mataram enforcado imediatamente. Os reis mandaram chamar os jovens e perguntaram a eles por quê haviam matado o asceta. Eles ficaram assustdos quando escutaram tudo. E colocaram um guarda no garoto ; e quando no sétimo dia ele evacuou da barriga um nó de acácia eles o queimaram e jogaram as cinzas no rio. As cinzas flutuaram no rio e grudaram no lado do portão de trás ; e dela brotou uma planta eraka.
Um dia, os reis propuseram que se divertissem e brincassem n'água. E vieram parao portão de trás ; e fizeram erigir um grande pavilhão e neste belo pavilhão comeram e beberam. Então de brincadeira começaram a pegar mãos e pés e dividindo em dois times acabou virando uma briga. Por fim um deles não achando nada com que bater pegou uma folha da planta eraka e assim que tirou se tornou um porrete de madeira de acácia nas mãos dele. Com isto ele bateu em muita gente. Depois os outros também tiraram folhas e enquanto tiravam tornavam porretes e com eles esbordoavam uns aos outros até que estavam mortos. Enquanto estes destruíam uns aos outros quatro apenas - Vasudeva, Baladeva, senhora Añjana irmã deles e o capelão – montados numa carruagem fugiram ; o resto morreu todos.
Bem, estes quatro, fugindo de carro chegaram na floresta Kalamatrika. Lá Mutthika o Lutador havia nascido tendo se tornado de acordo com sua prece um duende. Quando ele percebeu a aproximação de Baladeva, ele criou uma cidade no lugar ; e tomando a aparência de um lutador e seguiu pulando e gritando “Quem quer brigar ?” “Irmão, vou tentar derrubar este sujeito.” Vasudeva tentou o máximo que pode prevenindo-o mas ele desceu do carro [ que deveria estar em alta velocidade ] e foi até ele estalando os dedos. O outro apenas o pegou na palma da mão e o devorou feito um rabanete. Vasudeva percebendo que estava morto seguiua noite inteira com sua irmã e o capelão e ao nascer do dia chegou numa vila da fronteira. Ele deitou ao abrigo de um arbusto e mandou sua rimã e o capelão para a cidade com ordens de cozinharem alguma comida e trazerem para ele. Um caçador ( chamava-se Jara ou Velhice ) percebeu o arbusto se mexendo. “Um porco com certeza,” ele pensou ; jogou a lança que atingiu o pé dele. “Quem me feriu ?” gritou Vasudeva. O caçador, vendo que tinha ferido uma pessoa, fugiu aterrorizado. O rei recobrando o espírito, levantou e chamou o caçador -”Tio, venha cá, nada tema !” Quando ele chegou - “Quem é você ?” perguntou Vasudeva. “Meu nome é Jara, meu senhor.” “Ah,” pensou o rei, “quem velhice fere morre, assim dizem os antigos dizem. Sem dúvida devo morrer ho-je.” Então falou, “Nada tema, Tio ; venha, amarre meu ferimento.” A abertura da ferida estancada , o rei o deixou partir. Grandes dores o atingiram ; não pode comer a comida que os outros trouxeram. Então Vasudeva mesmo falou aos outros : “Ho-je morro. Vocês criaturas delicadas não serão capazes de aprender nada para sobreviver ; então aprendam esta ciência comigo.” E assim falando ele ensinou-os uma ciência e os deixou ir ; e morreu imediatamente.
Assim excetuando a senhora Añjana pereceram todos, é dito.

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Quando o Mestre terminou este discurso, disse, “Irmão Leigo, assim as pessoas livram-se da dor por um filho escutando sábias palavras antigas ; não pense nisto.” Declarou as Verdades ( na conclusão das Verdades o Irmão Leigo foi estabelecido na fruição do Primeiro Caminho ), e identificou o Jataka : “Naquele tempo Ananda foi Rohineyya, Sariputra era Vasudeva, os seguidores de Buddha eram as outras pessoas e eu mesmo era Ghatapandita.”       

  

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

453 Buddha Professor



453
Declare a verdade...etc.” - Esta história o Mestre contou enquanto residia em Jetavana sobre a Escritura Maha Mangala ou o Tratado dos Augúrios ( ver Sutta-nipata, II,4 )[ n. do tr.: segundo Raymond Bloch a etimologia de omen, augúrio, agouro, é do hitita ha- ter por verídico, aceitar por verdadeiro ] . Na cidade de Rajagaha por alguma causa ou outra uma grande companhia se juntou na casa de repouso real e e entre estes havia um
homem que levantava-se e saía dizendo as palavras, “Ho-je é de bom agouro.” Alguém escutou e disse, “Aquele companheiro saiu falando de 'agouros' ; o quê ele quer dizer com augúrio ?” Disse um terceiro,”A visão de qualquer coisa com olhar afortunado é de bom augúrio ; suponha uma pessoa que levanta-se cedo e vê um touro perfeitamente branco ou uma mulher com criança ou um peixe vermelho ( Cyprinus Rohita ) ou um jarro cheio até a borda ou ghee recém derretida de leite de vaca ou uma roupa nova não lavada ou pudim de arroz, não há agouros melhores que estes.” Alguns dos espectadores elogiaram esta explicação ; “Bem colocado” disseram. Mas um outro interrompeu, “Não, não há agouro nestes ; o quê vocês escutam é o augúrio. Uma pessoa escuta o povo falando 'Cheio', depois 'Pleno' ou 'Crescido' ou escuta 'Comer' ou 'Mastigar' : não há agouro melhor que estes.” Alguns espectadores disseram, “Bem colocado,” e louvaram a explicação. Outro disse, “Não há augúrio nenhum em tudo isto ; o quê você toca é o agouro. Se uma pessoa levanta cedo e toca a terra ou toca a grama verde, estrume fresco, roupa limpa, um peixe vermelho, ouro ou prata, comida, não há augúrios melhores que estes.” E aqui também alguns dos espectadores aprovaram e disseram que foi bem colocado. Então os adeptos dos agouros pela visão, agouros pelo som, agouros pelo toque se dividiram em três grupos e foram incapazes de convencer um ao outro. Dos deuses da terra até o céu de Brahma ninguém podia dizer exatamente o quê um augúrio era. Sakra pensou, “Entre os deuses e os homens ninguém a não ser o Abençoado é capaz de resolver esta questão dos agouros. Vou até o Abençoado e colocarei a questão a ele.” Então à noite ele prestou uma visita ao Abençoado e saudando colocou as mãos juntas em súplica, colocou a questão desde o começo, “Certa vez deuses e homens estavam juntos.” O Mestre então em doze estrofes contou a ele os trinta e oito grandes augúrios. E enquanto ele repetia as escrituras dos agouros uma após outra , dez milhões de deuses atingiram a santidade e daqueles que entraram nos outros três Caminhos foram incontáveis. Quando Sakra já tinha escutado os augúrio, voltou para seu próprio lugar. Quando o Mestre contou os augúrios, o mundo das pessoas e o mundo dos deuses aprovaram e disseram, “Bem colocado”.
Então no Salão da Verdade começaram a discutir as virtudes do Tathagata: “Senhores, o Problema do Augúrio estava além do nosso escopo mas ele compreendendo os corações das pessoas e dos deuses e resolveu suas dúvidas como se fizesse a lua se elevar no céu ! Ah, muito sábio é oTathagata meus amigos !” O Mestre entrando perguntou sobre o quê conversavam lá sentados. Disseram a ele. Ele respondeu, “Não é nenhuma maravilha, Irmãos, qu'eu resolva o problema dos agouros agora que possuo sabedoria perfeita ; mas mas quando andava na terra qual Bodhisatva, resolvi as dúvidas das pessoas e dos deuses, esclarecendo a Questão do Augúrio.” Assim falando, ele contou uma história do passado.

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Certa vez quando o Bodhisatva nasceu em uma certa vila na família de um brahmin rico e o chamaram Rakkhita-Kumara. Quando ele cresceu, completou sua educação em Takkasila ( Taxila ), casou com sua esposa e com a morte de seus pais fez um inventário de seus tesouros ; sendo então de mente muito exercitada, distribuiu ofertas e dominando suas paixões tornou-se um eremita nas regiões do Himalaia, onde desenvolveu poderes sobrenaturais e habitou em um certo lugar, alimentando-se de raízes e frutos da floresta. Com o passar do tempo seus seguidores tornaram-se muitos, quinhentos discípulos que viviam com ele.
Um dia, estes ascetas, aproximando-se do Bodhisatva, assim se dirigiram a ele : “Professor, quando a estação das chuvas vier, vamos descer do Himalaia, atravessar para o campo e conseguir sal e temperos ; assim nossos corpos se tornarão fortes e teremos realizado nossa peregrinação.” “Bem, podem ir,” disse ele,”mas eu continuarei morando aqui.” Então eles pediram licença, desceram do Himalaia e continuaram sua viagem até chegarem a Benares, onde fixaram residência no parque do rei. E foi mostrada muita honra e hospitalidade a eles.
Bem, um dia havia uma grande multidão reunida na sala de estar do rei em Benares e o Problema do Augúrio foi discutido. Tudo acontece, deve ser entendido, como na história da introdução. Então, como antes, a multidão não encontrou ninguém que pudesse aquietar as dúvidas das pessoas e resolver o problema dos agouros ; então eles voltaram para o parque e colocaram o problema para um corpo de sábios. Os sábios se dirigiram ao rei, dizendo, “Grande rei, não podemos resolver esta questão mas nosso Professor, o eremita Rakkhita, o mais sábio dos homens, mora no Himalaia, ele resolverá a dúvida pois ele compreende os pensamentos das pessoas e dos deuses.” Dissse o rei, “Himalaia, caros senhores, é longe, e difícil de chegar ; não podemos ir lá. Por quê vocês não vão até o Professor, perguntam a ele a questão e quando vocês tiverem aprendido , retornam e contam para nós ?” Eles prometeram fazer isto ; e quando chegaram junto do Professor, o saudaram e ele perguntou como estava o rei e as práticas do povo, contaram a ele toda a história dos agouros da visão e assim por diante, do começo até o fim e explicaram como vieram com mensagem do rei para escutar a resposta da pergunta com seus próprios ouvidos ; “Agora Senhor,” disseram eles, “por favor nos esclareça este Problema do Agouro para nós e diga-nos a verdade.” Então o discípulo mais velho fez a pergunta ao Professor recitando a primeira estrofe :

Declare a verdade às pessoas mortais perplexas
E diga que escritura, que texto sacro,
Estudado e dito em hora auspícia,
Produz benção neste mundo e no próximo ?

Quando o discípulo mais velho já tinha colocado o problema do agouro com estas palavras, o Grande Ser, apaziguando as dúvidas dos deuses e das pessoas, respondeu, “Isto e isto é um agouro,” e assim descrevendo os agouros com habilidade de Buddha disse,
Quem quer entre os deuses e todos os patriarcas
[ glosa : do mundo da forma e da não-forma]
Répteis e todos os seres, que vemos,
Honra sempre com coração gentil
Certamente ele é Benção para todas as criaturas.

Assim o Grande Ser declarou o primeiro augúrio e continuou para declarar o segundo e todo o resto :

Quem encarar o mundo com humor tranquilo
Amável com homens e mulheres, filhos e filhas
Que por natureza não responde insultando,
Certamente uma benção a toda brabeza.

Quem, claro de intelecto, sábio na crise
Sem desprezar parceiros e companheiros,
Nem jactar-se de nascimento, sabedoria, casta ou riqueza,
Entre seus camaradas faz surgir benção.

Quem toma como amigos pessoas boas e verdadeiras,
Que creem nele por sua língua livre de veneno,
Que nunca machuca um amigo, que divide sua riqueza,
Certamente é benção entre amigos.

A esposa que é amiga e da mesma idade,
Devota, boa e geradora de muitas crianças
Fiel, virtuosa e nobre,
Esta é a benção que aparece nas esposas.
O Rei que é o poderoso Senhor dos Seres,
Que conhece a vida pura e todas as potências
E diz, 'Ele é meu amigo', sem qualquer malícia -
Esta é a benção que descansa nos monarcas.
O verdadeiro crente, ofertando água e comida
Flores, guirlandas, perfumes, todas estas coisas,
Com o coração em paz e espalhando alegria ao redor -
Isto em todos os céus traz beatitude.

Quem vivendo bem procura sábios virtuosos
Purificar com esforço estrênuo,
Homens bons e inteligentes, edificados em vida tranquila,
Benção ele no meio de santa companhia.

Assim o Grande ser trouxe este discurso até uma pedra angular na santidade ; e tendo explicado em oito estrofes os Augúrios, em louvor a estes mesmos Agouros, Omens, recitou a última estrofe :

Estas bençãos que no mundo ocorrem,
Estimadas por todos os sábios magnífica,
A pessoa que é prudente sigam-las
Pois em augúrios nada há de verdadeiro.

Os sábios tendo escutado isto sobre os Augúrios, permaneceram sete ou oito dias e então pediram licença e partiram para aqule mesmo lugar.
O rei os visitou e perguntou sobre a questão. Eles explicaram o Problema dos Augúrios do mesmo modo que lhes foi contado, e voltaram para o Himalaia. Daí em diante o conteúdo sobre augúrios, omens, agouros, foi entendido pelo mundo. E tendo atendido o problema dos agouros quando morreram foram todos encher as hostes celestes. O Bodhisatva cultivou as Excelências e junto com seu bando de seguidores nasceu no céu de Brahma.
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O Mestre tendo terminado seu discurso disse : “Não apenas agora, Irmãos, mas em tempos antigos expliquei o Problema dos Augúrios” ; e então ele identificou o Jataka - “Naquele tempo a companhia dos seguidores de Buddha eram o bando de sábios ; Sariputra era o pupilo sênior, que perguntou a questão dos augúrios ; e eu mesmo era o Professor.”

[ n. do tr. : o importante aqui me parece é lembrar que augur- aparece em in-augurare, inauguração e também em augmentar de antiga graphia, uma palavra falada para fortificar. Torna-se uma benção. ] 

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

[ n. do tr.: hoc age ]




               Pintura de Ajanta, Índia

[ n. do tr. : É dito claramente nesta história de Mah' Osadha no jataka 350 quando da solução dos enigmas :

Assim ele tornou clara a resposta, como se fizesse o sol elevar-se no céu ; e escutando isto, a deusa mostrou metade de seu corpo na abertura do para-Sol e disse com voz doce, 'A questão está bem resolvida !' Ela então presenteou o Grande Ser com uma caixa preciosa cheia de perfumes e flores divinas e desapareceu.”

        Esta aparição na abertura do para-Sol repete-se na resolução dos outros três enigmas. É a deusa mesma que quer Osadha de volta à corte como vimos no jataka 364. Ao mesmo tempo as respostas dos enigmas são dadas debaixo do parassol. Como entender tudo isso ?

Ananda Coomaraswamy mais uma vez nos ajuda em seu artigo 'O simbolismo do domo' – é a mesma abertura no alto de construções com domo. Na realidade Coomaraswamy não se refere a este jataka mas a outros dois o de número 181 e o de número 522, onde Bodhisatva Asadisa e Bodhisatva Jotipala respectivamente, devem com seus arcos e flechas atingir igualmente este ponto central no alto, como um alvo. E ele lembra justamente, por incrível que pareça, o mesmo templo do Capitólio em Roma antiga que já nos referimos e que também tinha esta mesma abertura e debaixo da qual os presságios e enigmas eram pronunciados assim como suas respostas. Vejamos Ovídio em Fastos, II, 667 falando deste templo de Termino ( o limite, a beira, entre dois mundos, que separando e unindo vizinhos era representado por todo lado ):

Quer tosca pedra, ó Término, te embleme ; quer tronco informe, pela mão de antigos enterrado no chão, sempre és deidade. ( segue encontro e bródio ( lanche ) dos vizinhos que nas fronteiras se encontravam e libavam tudo às chamas ). Salve ó Termino sacro ! Ó tu que extremas bairros, cidades, reinos ! Cada campo fora sem ti um campo de batalha. Manténs, desambicioso, insubornável, as herdades em paz das leis à sombra ...
Capitolino Júpiter que o diga que invencível te achou quando, ao fundar-se-lhe a área do templo, ao passo que os outros numes para dar-lhe lugar retrocediam, tu só, qual no-lo conta anosa fama, ousaste resistir, ficar, ter parte no templo sublime com adorações a Jove ; e inda lá ( porque nada alfim t'ensombre ) sobre ti ao ceú livre é rota a abóbada ...
( para que nada seja visto acima dele senão as estrelas, tem o telhado do templo sua pequena abertura, exiguum foramen ) .

É Numa que constrói este templo e Plutarco em sua Vida de Numa completa a referência sobre este lugar único. Primeiro na consagração mesma de Numa que desde já teria sido educado junto com Pitágoras na Itália de então além de ser casado com a Ninfa Egéria e venerar as Musas em particular Tácita, o silêncio. Comecemos pelo parágrafo VI e depois passemos para o XIV :

VI. Logo que chegaram na praça, o que naquele tempo era por turno inter-Rei, Espurio Necio,deu aos cidadãos os cálculos para votar e todos votaram ; trouxeram-lhe então as insígnias reais, porém mandou que se detivessem porque não se dava por satisfeito até receber o reino também das mãos dos deuses. Congregando, pois, aos áugures e aos sacerdotes, subiu ao Capitólio, ao que então os romanos chamavam de colina Tarpeia. Ali o presidente dos áugures, cobrindo-o e virando-o para o Sul e posto de pé diante dele tocava-lhe coma mão a cabeça, fazendo orações ferventes e humildes : e dirigindo a vista a todas as partes, examinava o quê era que pronunciavam os deuses por meio de presságios ou prodígios. Apoderou-se então de toda a praça e seu imenso povo um incrível silêncio, estando todos em grande expectativa e como pendentes do que ia acontecer, até que as aves deram faustos agouros e voaram retas. Vestindo deste modo a púrpura real Numa, desceu da colina para onde estava o povo...

XIV. Depois que regulou os sacerdócios edificou junto ao templo de Vesta o que chamou de Régia, Casa ou Palácio Real e ali passava a maior parte do tempo ocupado nas coisas sagradas ou instruindo os sacerdotes ou entretido com eles nas investigações das coisas tocantes à divindade ... Nas grandes festas e geralmente em todas as procissões sacerdotais, iam certos ministros pela cidade avisando do repouso e que cessasse todo trabalho ; porque assim como se diz dos pitagóricos que não consentiam se adorasse ou orasse aos deuses de passagem, senão indo de casa preparados e dispostos, da mesma maneira cria Numa que os cidadãos não deviam ouvir ou ver de passagem e sem propósito nada do pertencente à religião mas desembaraçados de outro cuidado e aplicando seus sentidos, como na obra principal, maior, a que tinha por objeto a piedade ; para o quê se preparava as ruas de modo que estivessem livres de ruídos, alvoroços e vozes que costumavam acompanhar os trabalhos indispensáveis e manuais. Conserva-se ainda hoje certo vestígio quando no momento que o cônsul se ocupa em entender as aves ou em sacrificar, gritam os ministros : hoc age ; expressão que significa faz o quê fazes e com ela se excita atenção e a compostura aos que estão presentes.
( em tradução livre : agora ages )

Ovídio em suas Metamorfoses fala de Egéria esposa de Numa e de como ao morrer transforma-se em um rio ao mesmo tempo que da terra levanta-se, forma-se, um corpo humano que passa a andar e pronunciar presságios : seria Tagete o primeiro a ensinar o povo etrusco a adivinhar os acontecimentos futuros. Tanto Ovídio quanto Plutarco são unânimes em aproximar Numa e Pitágoras ( o quê o primeiro foi na política o segundo foi na filosofia ) : o vegetarianismo, a transmigração d'alma, a constituição de ordem religiosa ( com postulado, noviciado, silêncio, voto de pobreza, passagem para a classe dos esotéricos, ascese, contemplação, as diferentes classes de discípulo, morte simbólica e a leitura comum ), os sacrifícios incruentos, a ausência de estátuas ( elas surgiram depois )na representação dos deuses, a ideia de Deus invisível, juntam o Para-Sol branco oriental e o templo romano.

Ananda Coomaraswamy aproxima ainda a mesma imagem de um domo com abertura, do foramen do crânio humano com sua sutura nomeado brahmarandhra : no Evangelho o camelo que passa pelo buraco /olho da agulha revelaria este mesmo corpo cósmico de Deus. Não à toa depois que este mesmo templo romano é destruído pelos galos no séc IV a. C. , ao reconstruí-lo encontram um crânio humano e o fogo de Vesta.
Aqui cabe lembrar que em Takkasila ( Taxila ) falava-se o grego fluentemente na antiguidade a.C : Oriente e Ocidente juntos desde sempre.

 Este artigo encontra-se em Plutarco Védico, isbn 978-85-906438-0-7 ] 






quarta-feira, 29 de agosto de 2012

452 Osadha & Amara (cont.)




   Maha ( Grande ) Osadha ainda criança conversando com os sábios de Mithila na região de Videha, Senaka, Pukkusa, Kavinda e  Devinda em pintura em Ajanta : 'no meio do quadrinho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do quadrinho'. A pintura tem milhares de anos.


452
            Osadha & Amara (cont.)
           Seguem os números das contas todas: 110, 111, 112, 170, 192, 350, 364, 387, 402, 452, 471, 500, 508, 515, 517, 528 e o próprio 546. Aqui continua a história do jataka 364 com o reencontro de Osadha e o rei que aconteceu antes da resolução das questões que a deusa do parassol branco, da abertura no centro do parrasol, propõe e que estão no Jataka 350.

Neste momento o rei, atingido por medo mortal, enviou no dia seguinte quatro dos seus cortesãos, com ordens de cada um montar numa carruagem e se dirigirem aos quatro portões da cidade e onde quer que achassem seu filho, o sábio Mah'Osadha, mostrar a ele todo respeito e rapidamente trazê-lo de volta. Três destes não encontraram o sábio mas o quarto que se dirigira para o portão sul encontrou o Grande Ser na Vila Sul, que, após juntar argila e rodar a roda do seu patrão, sentou todo sujo de barro num monte de palha comendo bolinhos de arroz mergulhados em caldo pouco. Bem, a razão para ele estar fazendo isto : ele pensava que o rei pudesse suspeitar dele querer desejar pegar o trono, o poder soberano, mas se escutasse que estava vivendo do ofício de oleiro esta suspeita seria descartada. Quando ele viu o cortesão, percebeu que o sujeito viera por causa dele ; entendeu que sua prosperidade seria restaurada e que comeria todo tipo de comida fina preparada pela senhora Amarā : largou então o bolinho de arroz que segurava, levantou-se e lavou a boca. Naquele momento o cortesão subiu até ele : este era da facção de Senaka e dirigiu-se rudemente como segue : “Sábio Professor, o quê Senaka disse era informação útil. Tua prosperidade terminada, toda tua sabedoria de nada vale ; e agora aí estás sentado todo sujo de lama num monte de palha, comendo comida como esta !” e ele recitou esta estrofe deste Jataka :

É vero, como dizem, que és de sabedoria profunda ? Então grande prosperidade, habilidade e inteligência não te servem de nada, assim levado à insignificância, enquanto comes sopa como esta ?

Então o Grande Ser disse, “Tolo cego ! Pelo poder de minha sabedoria quando quiser restaurar aquela prosperidade, eu o farei “ ; e recitou um par de estrofes.

Faço a fortuna amadurecer do infortúnio, discrimino o tempo na estação e não, ocultando-me quando com vontade ; eu destranco as portas do lucro ; portanto estou contente com bolinhos de arroz. Quando percebeu o momento do esforço, amadurecendo os ganhos pelos propósitos, produzirei valentemente qual leão e por este poder potente me verás novamente.

Então o cortesão disse: “Sábio senhor, a deidade que vive no parassol fez uma pergunta ao rei e o rei perguntou aos quatro sábios – e nenhum deles conseguiu solucionar ! Por isto o rei me enviou até você.” “Neste caso,” disse o Grande Ser,”não vês o poder da sabedoria ? Em tais épocas prosperidade não é de utilidade alguma mas só alguém que seja sábio.” Assim ele louvou sabedoria. Então o cortesão entregou ao Grande Ser mil peças de dinheiro e um conjunto de roupas fornecidos pelo rei, para que ele se banhasse e se vestisse logo. O oleiro ficou aterrorizado de pensar que Mah' Osadha o sábio era seu empregado mas o Grande ser o consolou, dizendo, “Nada tema, meu mestre, você foi de grande ajuda para mim.” Entregou então a ele mil peças ; e com as manchas de lama ainda subiu na carruagem e foi para a cidade. O cortesão contou ao rei da chegada dele. “Onde encontraste o sábio meu filho ?” “Meu senhor, ele estava ganhando sustento como oleiro na Vila Sul ; mas assim que soube que você o mandou chamar, sem se banhar, ainda com lama de argila no corpo, ele veio.” O rei pensou, “Se ele fosse meu inimigo teria vindo com séquito e pompa ; ele não é meu inimigo.” Então ele deu ordens para levá-lo e dar banho e orná-lo e pedir para ele voltar com a pompa fornecida. Isto foi feito. Ele voltou entrou saudou o rei e permaneceu em um lado. O rei falou gentilmente com ele e para testá-lo disse a estrofe :

Alguns não pecam porque são ricos mas outros não pecam por medo da mancha da culpa. És hábil se tua mente desejar muita riqueza. Por quê não me atacas ?

O Bodhisatva disse :

Sábios não pecam pelo prazer que as riquezas dão.
Homens bons mesmo atingidos pelo infortúnio rebaixados, nem por amizade nem por inimizade renunciam o direito.

Novamente o rei recitou uma estrofe, o misterioso dito de Khattiya ( Dhammapada ) :

Aquele que por qualquer causa, pequena ou grande, levanta-se de um lugar rebaixado, daí em diante andará em retidão.

E o Grande Ser recitou esta estrofe com a ilustração de uma árvore :

De uma árvore que debaixo da sombra as pessoas podem sentar e descansar,
Seria traiçoeiro cortar os galhos. Detesto falsos amigos.

Então continuou : “Senhor, se é traiçoeiro cortar o ramo de uma árvore que alguém usa, que dizer de matar uma pessoa ? Sua majestade deu a meu pai grande riqueza e me fez muitos favores : não seria traiçoeiro em te atacar ? “ Assim falando demonstrando toda sua lealdade, reprovou o rei por sua falta :

Quando uma pessoa apresenta o direito a outro, ou esclarece suas dúvidas, o outro torna-se seu protetor e refúgio ; e um sábio não destruiria esta amizade.

Agora aconselhando o rei ele disse estas duas estrofes ( // jatakas 332 e 351 ).

Detesto o leigo sensual ocioso,
O falso asceta farsante declarado
Um mal rei decidirá um caso sem escutar;
Ira no sábio nunca se justificará.

O príncipe guerreiro dá um veredicto bem pesado,
Vive a fama para sempre de um justo juiz.

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terça-feira, 21 de agosto de 2012

451 Buddha Ganso Vermelho




451
Tu és colorido...etc”. - Esta história o Mestre contou enquanto residia em Jetavana, sobre um Irmão ganancioso. Este homem, é dito, insatisfeito com seu hábito de mendicante e coisas do gênero, costumava andar perguntando, “Onde há comida para a Ordem ? Onde há convite ?” e quando escutava menção de carne, mostrava-se bastante contente. Então alguns Irmãos bem intencionados, preocupados com ele, contaram ao Mestre sobre. O Mestre chamando-o, perguntou, “É vero, Irmão, o quê escutei que és ganancioso ?” “Sim, meu senhor, é vero,” disse ele. “Irmão,” disse o Mestre, “por quê és ganancioso, após abraçar uma fé como a nossa, que leva à salvação ? O estado de cobiça é ruim ; muito tempo atrás, por causa de ganância, estavas insatisfeito com carcaças de elefantes e outros restos em Benares e fostes para a grande floresta.” Assim falando, ele contou uma história do passado. ( cf. Jataka 434 )
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Certa vez, quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), um Corvo ganancioso não estava contente com carcaças de elefantes em Benares e todas outras carniças. “Agora imagino,” pensou ele, “como seria nas florestas ?” Então ele foi para a floresta ; mas não ficou satisfeito igualmente com os frutos do campo que lá encontrou e dirigiu-se para o Ganges. Enquanto passava ao longo da margem do Ganges, espreitando um par de Gansos Vermelhos, ele pensou, “Aqueles pássaros lá são muito bonitos ; acho que eles encontram abundante carne para comer nas margens do Ganges. Vou perguntar a eles e s'eu puder comer também da comida deles sem dúvida terei belas cores como eles.” Então empoleirando-se não muito distante do par, questionou o Ganso Vermelho recitando duas estrofes :

Tu és colorido, de belas formas, toda pena do corpo em cor rubra,
Ó Ganso ! Juro que és muito bonito, tua face e impressões claras e verdadeiras !

Sem pousar, nas margens do Ganges tu te alimentas de sardinhas, garoupa,
Robalo e carpa e todos os outros peixes que nadam na corrente do Ganges !

O Ganso Vermelho o contradisse recitando a terceira estrofe :

Não me alimento de corpos da maré, nem do que jaz na mata :
Todos os tipos de ervas – me alimento delas ; esta, amigo, é toda minha comida.

Então o Corvo recitou duas estrofes :

Não posso acreditar no que o Ganso afirma ser seu alimento.
Coisas na cidade conservadas em óleo e sal é o quê como,

Uma mistura de arroz, todo limpo e bonito, que um humano fez e derrama
Em sua comida ; mas ainda assim, minha cor, Ganso, não é como a tua.

Com isto o Ganso Vermelho recitou para ele as estrofes restantes mostrando a razão da sua cor feia e declarando o que é correto :

Vendo o pecado, teu coração por dentro, destruindo a humanidade,
Com temor e tremor comes tua comida ; por isto tens esta cor.

Corvo, erras por todo o mundo com os pecados de vidas passadas,
Não tens prazer na comida ; é isto que te dá tua cor.

Mas, amigo, eu como e não machuco, sem ansiedade, tranquilo,
Não tendo problema, nada temendo de qualquer inimigo.

Assim deves fazer, e a força cresce, renuncia teus caminhos ruins,
Andes no mundo sem machucar ; então tudo será amor e prazer.

Quem com todas as criaturas é gentil, sem ferir nem causar ferimento,
Sem saquear, ninguém o saqueia, contra este nenhum ódio é encontrado.

Portanto se queres ser amado pelo mundo, abstem-te de todas as paixões más ;” assim falou o Ganso Vermelho, declarando a retidão. O Corvo respondeu, “Não tagarele sobre seus modos alimentares !” e crocitando “Caw, caw” voou pelos ares para um monte de estrume em Benares.
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Quando o Mestre terminou este discurso, ele declarou as Verdades : ( então, com a conclusão das Verdades, o Irmão ganancioso foi estabelecido na fruição do Terceiro Caminho ) : “Naquele tempo, o Irmão ganancioso era o Corvo, a mãe de Rahula era a companheira do Ganso Vermelho e eu mesmo era o Ganso Vermelho”.