sexta-feira, 14 de novembro de 2008

224 Buddha Macaco.


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224
Ó Macaco...etc.” - Esta história o Mestre contou no Bosque de Bambu, sobre Devadatra.

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Ó Macaco, estas quatro virtudes trazem a vitória:
Verdade, Sabedoria, Auto-controle, e Fé (Piedade).
Sem essas bençãos não há vitória -
Verdade, Sabedoria, Auto-controle, e Fé.


cf. Jatakas 57 e 58

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

223 Buddha Conselheiro


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223
Honra por honra...etc.” - Esta história o Mestre contou em Jetavana sobre um fazendeiro.
Tradição diz que certa vez um fazendeiro que era cidadão de Sāvatthi fez negócio com um fazendeiro do campo. Levando a esposa consigo, ele foi visitar este homem, seu devedor ; mas o devedor afirmou que não podia pagar. Òutro, com raiva, voltou para casa sem fazer o desjejum. Na estrada, algumas pessoas encontraram com ele ; e vendo como estavam famintos, deram a ele comida, pedindo que dividisse com a esposa.

Quando ele pegou a comida, ficou com inveja da parte da esposa. Então dirigindo-se a ela, disse, “Esposa, este é um antro de ladrões reconhecido, então é melhor você seguir em frente.” Tendo assim se livrado dela, ele comeu toda a comida e depois mostrando a ela o pote vazio, falou - “Olhe aqui, mulher ! Me deram um pote vazio !” Ela adivinhou que ele comeu tudo sozinho e ficou muito chateada.

Quando ambos passavam pelo mosteiro de Jetavana, decidiram entrar no parque e tomar um gole d'água. Lá estava sentado o Mestre, esperando com o propósito de vê-los, como um caçador na trilha, sentado debaixo da sombra da sua cela perfumada. Ele os saudou com gentileza, dizendo, “Irmã Leiga, o seu marido é gentil e amigo ?” “Eu o amo, senhor,” ela respondeu, “mas ele não me ama ; ficando só, noutro dia, neste dia mesmo foi dado a ele um pote de comida no caminho ; e não me deu nem um pedaço mas comeu tudo sozinho.” “Irmã Leiga, assim tem sido sempre – você amiga e gentil e ele sem amor ; mas quando com àjuda do sábio ele aprender o teu valor, ele te dará toda a honra.” Então, ao pedido dela, ele contou um conto(a) do mundo antigo.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva era o filho de um da corte do rei. Amadurecendo em idade, torna-se conselheiro nas coisas temporais e espirituais. Aconteceu do rei estar temendo pelo filho, temendo que o ferissem ; e o mandou embora. Levando a esposa, o filho partiu da cidade e chegou na cidade de Kāsi, onde passaram a morar. Logo logo morrendo o pai, o filho escutando isto, partiu de volta para Benares ; “lá receberei o reino que é meu por direito de nascença,” disse ele. No caminho alguém deu a ele um pouco de caldo de legumes, dizendo, “Coma e dê para sua esposa também.” Mas ele não deu nada para ela e comeu o caldo todo sozinho. Ela pensou - “Este realmente é um homem cruel !” e ela ficou cheia de tristeza.

Quando ele chegou em Benares e recebeu seu reino, ele fez dela rainha ; mas pensando - “Um pouco é suficiente para ela,” ele não mostra mais nenhuma consideração ou honraria, nem mesmo pergunta como ela se sente.

Esta rainha,” pensou o Bodhisatva, “serve bem ao rei e o ama ; mas o rei não gasta nem um pensamento com ela. Farei ele mostrar a ela honra e respeito.”

Ele então vai até a rainha e a saúda e fica em um dos lados. “Que queres, caro senhor ?” ela pergunta.

Senhora,” ele pergunta, “como podemos serví-la ? Não queres doar aos Padres anciãos um pedaço de roupa ou um prato de arroz ?”

Caro senhor, nunca recebo nada eu mesmo ; o quê daria para vocês ? Quando recebo, também não ofereço ? Mas atualmente o rei não me dá nada : estando só, tendo dado algo em troca, enquanto andava na estrada ele recebeu uma tigela de arroz [c/ caldo de legumes] e não me deu nem um pedaço – ele comeu tudo sozinho.”

Bom, madame, serias capaz de dizer isto na presença do rei ?”

Sim,” ela respondeu.

Muito bem então. Ho-je, quando eu estiver diante do rei, quando eu fizer minha pergunta, você dê a mesma resposta : neste mesmo dia farei conhecida a sua bondade.” Então o Bodhisatva entrou para diante da presença do rei. E ela também foi e ficou na presença do rei.

Então disse o Bodhisatva, “Madame, és muito cruel. Não deves dar aos Padres um pedaço de roupa ou um prato de comida ?” E ela respondeu, “Bom senhor, eu mesma não recebo nada do rei : o quê poderia dar para vocês ?”

Não és a rainha ?” cotejou ele.

Bom senhor,” disse ela, “de que vale o lugar de rainha quando nenhum respeito é prestado ? O quê o rei me dará agora ? Quando ele recebeu um prato de arroz na estrada, não me deu nada mas comeu tudo sozinho.” E o Bodhisatva perguntou a ele, “aconteceu isto, Ó rei ?” E o rei assentiu. Quando o Bodhisatva viu que o rei assentiu, “Então senhora,” adicionou ele, “por quê morar aqui com o rei depois dele ter se tornado rude ? No mundo, união sem amor é dor. Enquanto moras aqui, união sem amor com o rei trará sofrimento para você. Este povo honra aquele que o honra e quando alguém não é honrado – logo que vê isto, deve ir para outro lugar ; são muitos os quê vivem no mundo.”

E ele repetiu estas estrofes seguintes:-

Honra por honra, àmor, amor é devido :
Faça o bem a quem o faz a ti :
Observância cria observância ; porém é simples
Ninguém precisa ajudar àquele que não ajudará em seguida.

Retorno negligido por negligência, não permaneça
Para confortar aquele cujo amor passou.
O mundo é largo ; e quando os pássaros percebem
Que as árvores perderam seu fruto - voam para longe.

Escutando isto, o rei deu toda as honras para a rainha ; e a partir daquele momento ele moraram juntos em amizade e harmonia.

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Quando o Mestre terminou este discurso, ele declarou as Verdades e identificou o Jataka :- na conclusão das Verdades o marido e a esposa entraram no Fruto do Primeiro Caminho :- “O marido e a esposa era os mesmos em ambos os casos e o sábio conselheiro era eu mesmo.” Cf. Jatakas 320 e 333.






sexta-feira, 7 de novembro de 2008

222 Buddha Macaco


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222
Lembro-me...etc.” - Esta história foi contada enquanto no Bosque de Bambu, sobre Devadatra.

Um dia os Irmãos ficaram conversando no Salão da Verdade : “Amigo, este homem Devadatra é cruel, duro e tirânico, cheio de artifícios perniciosos contra o Supremo Buddha. Atirou uma rocha, e mesmo usou d' ajuda de Nalagiri (o elefante furioso) ; não existe nele piedade e compaixão pelo Tathāgata.”

O Mestre entra e pergunta sobre o quê falavam enquanto estavam lá sentados. Eles dizem. Então ele fala, “Esta não é a primeira vez, Irmãos, que Devadatra fui duro, cruel e sem misericórdia. Ele foi do mesmo jeito antes.” E contou a eles um conto do mundo antigo.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), o Bodhisatva tornou-se um Macaco chamado Nandiya ou Divertido ( Palhaço, Folgazão ) ; e morava na região do Himalaia ; e seu irmão mais moço levava o nome de Divertidinho. Os dois comandavam um bando de oitenta mil macacos e cuidavam da mãe cega em casa.

Deixavam a mãe na toca dela nos arbustos e saíam pelas árvores procurando frutas doces de todos os tipos na selva, as quais enviavam para ela em casa. Os mensageiros não entregaram as frutas e atormentada de fome, ela torna-se apenas pele e osso. Disse o Bodhisatva a ela, Mãe, enviamos para você uma profusão de frutas doces : então por quê estais tão magra ?”

Meu filho, não recebi nada !”

O Bodhisatva ponderou. “Enquanto cuido da horda, minha mãe morre ! Deixarei a horda e vou cuidar apenas da minha mãe.” Então chamando seu irmão, “Irmão,” diz ele, “cuida da horda e eu cuidarei de nossa mãe.”

Não, Irmão,” ele respondeu, “que interesse tenho eu em legislar uma horda ? Eu também cuidarei apenas de nossa mãe !” Então os dois sendo con-cordes e deixando a horda, desceram sua mãe do Himalaia e passam a morar em uma árvore banian na fronteira, aonde cuidavam dela.

Bem, um certo Brahmin que vivia em Takkasila ( Taxila ), recebeu sua educação de um famoso professor e após pedir licença a ele, disse que partiria. Este professor tinha o poder de adivinhar a partir dos sinais do corpo das pessoas ; e assim percebia que seu pupilo era duro, cruel e violento. “Meu filho,” disse ele, “és duro, cruel e violento. Tais pessoas não prosperam em todas as estações igualmente ; elas alcançam dor terrível e destruição medonha. Não seja duro, nem faça algo que depois se arrependa.” Com este conselho, o deixou ir.

O jovem tomou licença do professor e seguiu seu caminho para Benares. Lá casou e estabeleceu-se ; e sendo incapaz de ganhar sustento através de qualquer das artes outras, decidiu-se a viver pelo arco e flecha. Então passa a trabalhar como caçador ; e deixa Benares para ganhar seu sustento. Morando em vila na fronteira, vagava pela mata, cingido com o arco e aljava e vivia vendendo carne de todo tipo de bicho que matava.

Um dia, quando voltava para casa, após nada conseguir pegar na floresta, observa uma árvore banian que elevava-se na beira de uma clareira. “Talvez,” ele pensou, “possa haver alguma coisa aqui.” E virou o rosto para a árvore banian. Bem, os dois irmãos tinham justamente alimentado sua mãe com frutos e sentavam-se atrás dela na árvore, quando viram vir o homem. “Mesmo que ele veja nossa mãe,” disseram, “o quê ele fará ?” e esconderam-se nos galhos. Então este homem cruel, quando já havia subido na árvore e visto a macaca mãe fraca e idosa, e cega, pensou consigo mesmo, “Por quê eu voltaria de mãos vazias ? Matarei esta macaca !” e levantou o arco para acertá-la. Isto o Bodhisatva viu, e disse a seu irmão, “Divertidinho, meu caro, este homem quer matar nossa mãe ! 

Salvarei a vida dela. Quando eu estiver morto, você tome conta dela.” Assim falando, desceu saindo da árvore, e gritou, Ó homem, não mate minha mãe! Ela é cega e fraca pela idade. Salvarei a vida dela ; não a mate mas ao invés mate a mim !” e quando o outro aceitou, ele sentou em um lugar ao alcance do tiro de arco. O caçador sem piedade atinge o Bodhisatva ; quando ele já estava caído, o homem prepara seu arco para acertar a macaca mãe. Divertidinho viu isto, e pensou consigo, “Aquele caçador lá quer matar minha mãe. Mesmo que ela viva apenas um dia, ela terá recebido o dom da vida ; darei minha vida pela dela.” Concordemente, desce ele saindo da árvore e diz, Ó homem, não mate minha mãe ! Trocarei minha vida pela dela. Mate-me – leve nós dois, irmãos, e poupe a vida de nossa mãe !” O caçador consente e Divertidinho agacha-se embaixo ao alcance de um tiro de arco. O caçador acerta ele também e o mata - “Farei por minhas crianças em casa,” ele pensa – e atinge a mãe em seguida ; pendura os três em uma vara de transportar e vira o rosto para sua morada. Naquele momento um relâmpago cai na casa deste homem ruim e queima sua esposa e seus dois filhos dentro da casa : nada sobrou a não ser o telhado e um bambu em pé.

Uma pessoa encontra com ele na entrada da vila e conta a ele sobre isto. Tristeza apodera-se dele pelas perdas da esposa e filhos : solta no lugar a vara com sua caça e o arco , tira as roupas e nu vai para casa, chorando com as mãos esticadas. Então o bambu em pé quebra, e cai na cabeça dele e esmaga ela. A terra abre-se escancaradamente e chamas levantam-se do ínfero. Enquanto era tragado pela terra, pensou sobre o conselho de seu mestre : “Então era este o ensinamento que o Brahmin Pārāsariya me dera !” e lamentando pronunciou estas estrofes:

Lembro-me das palavras do meu professor : então era isto que queria dizer!
Cuide de não fazer nada que depois possa arrepender-se.

O que quer que uma pessoa faça, o mesmo encontrará para si mesma
A pessoa boa, bondade ; a má, a maldade que projetou ;
E assim nossos atos são todos sementes e produzem frutos em espécie.

Assim lamentando-se, ele desce para dentro da terra e vai viver nas profundezas dos ínferos.
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Quando o Mestre terminou seu discurso, pelo qual mostrou como em outros tempos, como então agora, Devadatra foi duro, cruel, e sem misericórdia, ele identificou o Jataka nestas palavras : “Naqueles dias Devadatra era o caçador, Sāriputra era o famoso professor, Ānanda era Divertidinho, a nobre Senhora Gotami era a mãe e eu era o macaco Divertido.”








quarta-feira, 5 de novembro de 2008

221 Buddha Elefante


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221
Se qualquer pessoa...etc.” - Esta história o Mestre contou enquanto em Jetavana sobre Devadatra.

Foi ocasionada por algo que ocorrera em Rājagaha. Por um tempo o Capitão da Fé vivia com quinhentos irmãos no Bosque de Bambu. E Devadatra, com um grupo de irmãos tão ruins quanto ele, vivia em Gayasisa.

Naquele tempo os cidadãos de Rajagaha usavam se reunir para dar esmolas e fazer caridade. Um comerciante, que lá chegara à negócios, trouxe um magnífico e perfumado hábito amarelo, pedindo para tornar-se um deles e dando esta roupa como sua contribuição. O povo da vila trouxera muitos presentes. Toda a contribuição daqueles que se reuniram consistia de dinheiro vivo. Havia esta roupa amarela de sobra. A multidão que viera junto disse, “Aí está esta bela roupa perfumada que foi deixada. Quem vai ficar com ela – Ancião Sāriputra ou Devadatra ?” Alguns eram a favor de Sariputra ; outros diziam, “Ancião Sariputra vai ficar aqui uns dias e depois vai sair viajando de acordo com sua vontade ; mas Devadatra vive sempre junto de nossa cidade ; ele é nosso refúgio no bem e no mal. Devadatra deve ficar com ele !” Fizeram uma divisão e aqueles que votaram em Devadatra era a maioria. Então deram a roupa para Devadatra. Ele desfez a costura e costurou de novo e coloriu de dourado e depois a vestiu.

Ao mesmo tempo, trinta Irmãos vinham de Sāvatthi para saudar o Mestre. Após a troca de cumprimentos, eles contaram a ele toda a história da roupa, adicionando, “E assim, senhor, Devadatra veste esta marca de santidade, que cai bastante mau nele.” “Irmãos,” disse o Mestre, “esta não é a primeira vez que Devadatra coloca hábito santo, roupa mais que inadequada. Ele fez o mesmo antes.” E então contou a eles um conto do mundo antigo.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva veio ao mundo como um Elefante na região do Himalaia. Senhor da horda que atingia o número de oitenta mil elefantes selvagens, ele morava na floresta.

Um homem pobre que vivia em Benares, vendo os trabalhos em marfim no bazaar de marfim, pulseiras e bijuterias de todo tipo, perguntou a eles se comprariam presas de elefante, se ele as trouxesse. Eles responderam sim à pergunta.

Deste modo ele pega uma arma e veste-se com o hábito amarelo, disfarçando-se como um Pacceka-Buddha ( n. do tr.: Alguém que atingiu o saber necessário para atingir o Nirvana mas não prega às pessoas.), com uma banda (da roupa) cobrindo a cabeça. Ficando parado na trilha dos elefantes , matou um deles com sua arma, e vendeu as presas em Benares ; e fez disso um meio de subsistência. Depois disso ele passa a matar sempre o último elefante na tropa do Bodhisatva. Dia a pós dia os elefantes vão diminuindo e diminuindo. Então eles foram perguntar ao Bodhisatva por quê o número deles minguava. 

Ele percebe a razão. “Alguma pessoa,” ele pensou, “postou-se no lugar em que os elefantes passam, tendo se disfarçado na aparência de Pacceka-Buddha. Será ele que mata os elefantes ? Descobrirei.” Então um dia enviou outros na frente dele e seguiu atrás.

 O homem viu o Bodhisatva e correu para ele com sua arma. O Bodhisatva virou e esperou. “Vou derrubá-lo em terra e matá-lo !” ele pensa : e estica a tromba, - é quando vê a veste amarela que o homem usa. “Devo prestar respeito a estas sacras vestes !” disse ele. Deste modo recolhendo a tromba, grita - “Ó homem! Não é esta veste , a bandeira da santidade inadequada para ti ? Por quê a usas ?” e repetiu estas linhas:-

Se qualquer pessoa, ainda que cheia de pecado, ousa
Trajar o manto amarelo, e nela não se
encontrar temperança e amor à verdade,
Não é digna, ela, em vestir tal manto

Aquele que colocou para fora o pecado, que em todo lugar
Está firme na virtude, e que o cuidado principal
é controlar suas paixões, e ser verdadeiro,
Este, bem merece vestir o manto amarelo.


Com estas palavras, o Bodhisatva censurou o sujeito e mandou que ele nunca mais voltasse lá de novo ou ele morreria. Deste jeito ele o mandou embora.

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Após este discurso terminado, o Mestre identificou o Jataka :- “Devadatra era o homem que matava elefantes e o chefe da horda era eu .”




sexta-feira, 31 de outubro de 2008

220 Buddha Dharmaddhaja


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220
Você parece como se ...etc.” - Isto foi contado pelo Mestre enquanto no Bosque de Bambu sobre as tentativas de matá-lo. Em certa ocasião, como antes, o Mestre disse, “Esta não é a primeira vez que Devadatra tenta me matar e nem consegue mesmo me amedrontar. Ele fez o mesmo antes.” E ele contou esta história.

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Certa vez reinava em Benares um rei chamado Yasapāni, o Glorioso. Seu capitão chefe chamava-se Kālaka, ou Negrão. Naquele tempo o Bodhisatva era seu capelão e tinha o nome de Dharmaddhaja, a Bandeira da Fé. Havia também um homem chamado Chatrapāni, fazedor de ornamentos para o rei. O rei era um bom rei. Mas seu capitão chefe, ganhava subornos para julgar causas ; ele era caluniador ; ganhava subornos e defraudava os legítimos donos.

Um dia, uma pessoa que perdeu sua causa, deixava a corte, chorando e estirando os braços quando caiu diante do Bodhisatva que se dirigia para prestar serviços ao rei. Caindo a seus pés, o homem gritou, dizendo como fora derrotado em suas causas : “Apesar de pessoas como você, meu senhor, instruir o rei em coisas deste mundo e do próximo, o Comandante em Chefe aceita subornos, e defrauda os legítimos donos !” 

O Bodhisatva teve pena dele. “Venha, meu bom companheiro,” disse ele, “julgarei sua causa para você !” e ele se dirigiu para a corte de justiça. Uma grande multidão se reuniu lá. O Bodhisatva reverteu a sentença e deu juízo para ele que estava com o direito. Os espectadores aplaudiram. Foi grande o barulho. O rei escutou e perguntou - “Que barulho é este que escuto ?”

Meu senhor rei,” eles responderam, “é uma causa julgada erradamente que foi julgada com correção pelo sábio Dharmaddhaja ; daí porque há esta barulhada de aplauso.”
O rei ficou agraciado e mandou chamar o Bodhisatva. “Me disseram,” ele começou, “que julgaste uma causa ?”

Sim, grande rei, julguei aquilo que Kālaka não julgou certo.” 

Seja você a partir de hoje o juiz,” disse o rei ; “seria uma alegria para meus ouvidos e prosperidade para o mundo !” Ele não queria mas o rei pediu muito a ele - “Com misericórdia por todas as criaturas, sente você para julgar !” e assim o rei ganhou o consentimento dele.

A partir daquele momento Kālaka não mais recebeu presentes ; e perdendo seus ganhos, passou a caluniar o Bodhisatva diante do rei, dizendo, “Ó poderoso Rei, o sábio Dharmaddhaja cobiça o reino !” Mas o rei não acreditaria ; e ordenou-lhe que não dissesse isso.

Se não acreditas em mim,” disse Kalaka, “olhes pela janela no momento em que ele chega. Então verás que ele tem toda a cidade em suas própias mãos.”
O rei viu a multidão daqueles que estavam ao redor dele em sua corte de justiça. “Lá está o séqüito dele,” ele pensou. E cedeu. “O quê faremos, Capitão ?” ele perguntou.
Meu senhor, ele deve ser executado.”

Como podemos executá-lo sem encontrar nele algum grande erro ?”
Há um jeito,” disse o outro.
Que jeito ?”
Diga a ele para fazer algo impossível e se ele não puder, execute-o por isto.”
Mas o quê é impossível para ele ?”
Meu senhor rei,” respondeu ele, “leva dois anos ou duas vezes dois para um jardim com solo bom dar fruto, sendo plantado e cuidado. Envie alguém até ele e diga – 'Queremos um jardim para nosso desporte a-manhã. Faça-nos um jardim !' Isto ele não será capaz de fazer ; e nós o mataremos por este erro.”

O rei dirigiu-se ele mesmo ao Bodhisatva. “Sábio Senhor, já fizemos esporte o suficiente em nosso velho jardim ; agora desejamos fazer esporte em um novo. Faça-nos um jardim ! Se não puderes fazer, deves morrer.”

O Bodhisatva raciocinou, “Deve ter sido Kalaka que colocou o rei contra mim, porque deixou de ganhar presentes. - S'eu puder,” disse ele ao rei, “Ó poderoso rei, providenciarei isto.” E ele foi para casa. Após boa refeição ele deitou na cama e ficou pensando. O palácio de Sakra ficou quente ( n. do tr.: supõem-se que isto acontece quando uma boa pessoa está em dificuldades). Ele apressa-se até ele, entra na câmara dele e pergunta - “Sábio Senhor, em que meditas ?” - enquanto pousado no meio do ar.

Quem é você ?” perguntou o Bodhisatva.

Sou Sakra.”

O rei me pediu para fazer um jardim : é sobre isto que medito.”

Sábio Senhor, não se apoquente : farei um jardim para ti como os dos boscos de Nandana e Cittalatā ! Em que lugar devo fazê-los ?”

Em tal e tal lugar,” ele disse a ele. Sakra o fez e retornou à cidade dos deuses.

Dia seguinte, o Bodhisatva verificou que lá verdadeiramente estava o jardim e procurou a presença real. “Ó rei, o jardim está pronto : vá praticar esportes !”
O rei veio ao lugar e viu um jardim com uma cerca de dezoito metros de largura, pintada de vermelha, tendo portões e lagos, embelezado com todos os tipos de árvores carregadas pesadamente de flores e frutos ! “O sábio fez o quê pedi,” disse ele a Kalaka : “agora o quê faremos ?”
Ó poderoso Rei !” ele respondeu, “s'ele pode fazer um jardim em uma noite, não pode tomar seu reino ?”
Bem, o quê faremos ?”
Faremos ele realizar outra coisa impossível.”
Qual é desta vez ?” perguntou o rei.
Faremos ele fazer um lago que possua as sete jóias preciosas !”

O rei concordou e assim falou com o Bodhisatva:
Professor, fizeste um parque. Faça agora um lago para casar com ele, que possúa as sete jóias preciosas. Se não puderes fazer, não viverás !”

Muito bom, grande Rei,” respondeu o Bodhisatva, “o farei se puder.”

Então Sakra fez um lago de grande esplendor, tendo uma centena de lugares para ficar, outra de enseadas, cobertas de lótus das cinco cores diferentes, como o lago em Nandana.

Dia seguinte, o Bodhisatva viu este também e contou ao rei : “Veja, o lago está pronto !” E o rei viu também e perguntou a Kalaka o quê fazer.
Peça a ele, meu senhor, que faça uma casa adequada ao lago,” disse ele.
Faça uma casa, Professor,” disse o rei ao Bodhisatva, “toda de marfim, que combine com o lago e o parque : se não fizeres, deves morrer !”

Então Sakra fez um casa que combinasse. O Bodhisatva a viu no dia seguinte e contou ao rei. Quando o rei a viu, ele pergunta a Kalaka novamente, o quê fazer. Kalaka diz a ele para pedir ao Bodhisatva para fazer uma jóia adequada a casa. O rei disse a ele, “Sábio Senhor, faça uma joia que case com a casa de marfim ; eu passearei por ela olhando com a luz da joia : se não puderes fazer uma, deves morrer !” Então Sakra fez para ele uma joia também. Dia seguinte o Bodhisatva a viu e contou ao rei. Quando o rei também viu, ele novamente pergunta a Kalaka o quê era para ser feito.

Poderoso rei !” respondeu ele, “acho que existe um espírito poderoso que faz as coisas que o Brahmin Dharmaddhaja deseja. Agora peça a ele que faça algo que mesmo uma divindade não possa fazer. Nem mesmo uma divindade pode fazer uma pessoa com as quatro virtudes ( n. do tr.: Caturanga-samannagatam ; é estranha coincidência que os Pitagóricos chamem o homem perfeito τετράγωνος, 'quatro-cantos' (ver poema de Simônides em Plato, Protágoras, 339b)) ; portanto peça-o que faça um guardião com estas quatro.” Então o rei disse, “Professor, fizeste um parque, um lago, e um palácio e uma joia para iluminar. Agora faça-me um guardião com as quatro virtudes, para vigiar o parque ; se não puderes, deves morrer.”

Assim seja,” ele respondeu, “se for possível, vou providenciar.” Ele foi para casa , fez uma boa refeição e deitou. Quando acordou de manhã, sentou na cama e pensou assim. “O quê o grande rei Sakra pode fazer com seu poder, ele fez. Ele não pode fazer um guardião com as quatro virtudes. Isto sendo assim, é melhor morrer solitário na floresta do que morrer nas mãos de outros homens.” Então, sem falar com ninguém, ele desceu de sua morada e passou pelo portão principal da cidade, e entrou na floresta, onde sentou debaixo de uma árvore e refletiu sobre a religião da bondade. Sakra percebeu ; e na aparência de mateiro, aproximou-se do Bodhisatva dizendo, Brahmin, és jovem e delicado : por quê sentas aí nesta floresta, como se nunca tivesses sofrido antes ?” Enquanto ele perguntava isto, repetia a primeira estrofe:-

Você parece como se sua vida fosse feliz;
Ainda assim estais nesta floresta selvagem sem lar
Como um pobre infeliz cuja a vida fosse miséria
E pinha debaixo desta árvore em solitário pesar.

A isto o Bodhisatva respondeu com a segunda estrofe:-

Eu pareço como se minha vida fosse feliz;
Ainda assim estou na floresta selvagem sem lar
Como um pobre infeliz cuja a vida fosse miséria
E pinho debaixo desta árvore em solitário pesar
Ponderando a verdade que todos os santos conhecem.

Disse Sakra então, “Se é assim, então por quê, Brahmin, sentas aí ?”

O rei,” ele respondeu, “pede um guardião de jardim com as quatro qualidades boas ; tal pessoa não pode ser encontrada ; com isto pensei – Por quê perecer às mãos dos homens ? Sairei para a floresta e morrerei morte solitária. Deste modo aqui estou, e aqui sento.”
Ooutro então respondeu, “Brahmin, sou Sakra, rei dos deuses. Por mim foi feito seu parque e as outras coisas todas. Um guardião possuidor das quatro virtudes não pode ser feito ; mas em seu país há um chamado Chatrapāni que faz ornamentos p'ra cabeça, ele é tal pessoa. Se um guardião é pedido, vá e faça deste trabalhador o guardião.” Com estas palavras Sakra partiu para sua cidade divina, após consolá-lo e ordená-lo que nada mais temesse.

O Bodhisatva foi para casa e tendo quebrado seu jejum, dirigiu-se para os portões do palácio e lá naquele lugar viu Chatrapāni. Ele o pega pela mão e pergunta - “É verdade, o quê escutei, Chatrapāni, que estais dotado com as quatro virtudes ?”
Quem te disse isto ?” perguntou  o outro.
Sakra, rei dos deuses.”
Por quê ele te disse isso ?” Ele reconta tudo e conta a razão. O outro diz,
Sim, estou dotado com as quatro virtudes.” O Bodhisatva tomando-o pelas mãos, o leva até a presença do rei. “Aqui, poderoso monarca, está Chatrapāni, dotado com as quatro virtudes. Se há necessidade de um guardião para o parque, faça-o guardião.”
É vero, como ouço,” pergunta o rei a ele, “que tens as quatro virtudes ?”
Sim, poderoso rei.”
Quais são elas ?” ele pergunta.

Não invejo nada e não bebo vinho ;
Não tenho fortes desejos, nem ira alguma,

disse ele.
Por quê, Chatrapāni,” gritou o rei, “dizes que não invejas nada ?”
Sim, Ó rei, nada invejo.”
Quais as coisas que não invejas ?”
Escute, meu senhor!” disse ele ; e então contou como não sentia inveja nenhuma nas seguintes linhas ( n. do tr.: O quê segue é a glosa destas linhas. A história é a mesma do Jataka 120, em que os versos canônicos que seguem agora, aparecem. “Este é o significado. Em dias idos, eu era rei de Benares como este e por causa de uma mulher, prendi um capelão.

O livre é amarrado, enquanto a loucura tem a palavra ;
Quando sabedoria fala, o amarrado liberta-se.

Justo como no Jataka dito, este Chatrapani tornara-se rei. A rainha fez intriga com sessenta e quatro dos escravos. Ela tenta o Bodhisatva e quando ele não consente ela tenta arruiná-lo, caluniando-o ; quando o rei então o atira na prisão. O Bodhisatva é levado para diante do rei, amarrado e explica os acontecimentos reais do caso. Ele é liberto então novamente ; e consegue com o rei a libertação dos escravos todos que estavam presos e aconselha-o a perdoar todos inclusive a rainha. Mas no momento pensara, 'Eu evitei dezesseis mil mulheres e não pude satisfazer esta única no caminho da paixão. Tal é a ira das mulheres, difícil de satisfazer'....A partir daquele momento fiquei livre da inveja”.) :-

Um capelão certa vez em grilhões atirei -
Algo que uma mulher me fez fazer :
Ele me erigiu em ensino santo (holy lore);
Desde então, não mais invejo.

O rei então disse, “Querido Chatrapani, por quê abstem-se de bebida forte ?” E ooutro respondeu com o seguinte verso ( n. do tr.: a glosa conta a seguinte história para ilustrar este verso. - “Eu era antes,” diz o narrador, “rei de Benares ; não podia viver sem bebida forte e carne. Bem naquela cidade animais não podiam ser mortos no Sabbath ( uposatha-divasesu ) ; então o cozinheiro preparara alguma carne para minha refeição de Sabbath na véspera (o décimo-terceiro da quinzena lunar). Esta, armazenada mal, os cachorros comeram. O cozinheiro não ousa aproximar-se do rei no Sabbath para servir seu rico e variado repasto no quarto de cima, sem carne e então pede conselho à rainha. “Minha senhora, ho-je não tenho carne ; e sem ela não ouso trazer comida para ele, o quê farei ?” Ela disse, “O rei é muito afetuoso com meu filho. Quando ele brinca com ele, nem sabe se existe ou não. Vou vestir meu filho e colocá-lo nas mãos do rei e enquanto ele estiver brincando com o garoto, você serve o jantar; ele não notará.” Deste modo vestiu seu filho querido e o colocou nas mãos do rei. Quando brincava com o garoto o cozinheiro serviu a janta. O rei, bêbado louco, e não vendo carne no prato, perguntou onde estava a carne. A resposta foi que não havia carne naquele dia porque não se matava no Sabbath. “É difícil eu conseguir carne, não é?” disse ele ; e então torceu o pescoço do seu filho querido enquanto este estava sentado no seu colo e o matou ; atirou-o aos pés do cozinheiro dizendo que ficasse atento e o cozinhasse. O cozinheiro obedeceu e o rei comeu a carne do seu próprio filho. Por medo do rei nem uma única alma ousou chorar ou lamentar-se ou dizer qualquer palavra. O rei comeu e foi dormir. Dia seguinte, tendo livrado-se de sua intoxicação, perguntou pelo filho. A rainha então cai chorando aos pés dele e diz, “Ó senhor, ontem mataste teu filho e comeste a carne dele !” O rei chorou e gemeu de dor, e pensou, “Isto foi por causa da bebida forte !” Então, percebendo o erro que é beber, tomei uma decisão, temendo nunca me purificar, que não mais tocaria nunca nesta bebida assassina ; pegando poeira e esfregando em meus lábios. A partir daquele momento nunca mais bebi bebida forte.”) :-

Certa vez fui bêbado e comi
A carne de meu próprio filho no prato ;
Depois, tocado de arrependimento e dor,
Jurei nunca mais beber novamente.

Então o rei disse, “Mas o quê, caro senhor, o fez indiferente, sem amor ?” O homem explicou nestas palavras ( n. do tr.: A glosa conta esta história: “O significado é, Certa vez fui um rei chamado Kitavāsa e um filho nasceu para mim. Os adivinhos disseram que o garoto pereceria por falta d'água. E assim foi chamado Durthakumara. Quando ele cresceu, foi vice-rei. O rei mantinha o filho junto dele, atrás e na frente ; e para quebrar a profecia fez construir tanques nos quatro portões da cidade e lá e cá dentro dela ; fez salas nas esquinas e corredores e colocou jarros d'água neles. Um dia o jovem, finamente vestido, foi sozinho para o parque. No seu caminho ele encontrou um Pacceka-Buddha na estrada e muitas pessoas falavam com ele, louvando-o e cumprimentando-o. 'O quê?' pensou o príncipe, 'quando alguém como eu está passando, as pessoas mostram todo respeito para aquele careca ?' Irado, ele desmontou do elefante, e perguntou ao Buddha se ele recebera comida. 'Sim,' foi a resposta. O príncipe pega a tigela dele, joga-a no chão, arroz e tigela juntos, e esmigalha tudo debaixo dos pés. 'O ser humano está perdido, realmente !' disse o Buddha e olhou no rosto dele. 'Sou Príncipe Durtha, filho do rei Kitavasa !' disse o príncipe – 'que dano você me fará, olhando com raiva e abrindo os olhos ?' O Buddha, tendo perdido sua comida , elevou-se nos ares e foi para a caverna no sopé do Nanda no Norte do Himalaia. Naquele mesmo momento a má ação do príncipe começou a dar frutos e ele gritou – 'Queimo ! Queimo!' Seu corpo queimou em chamas e ele caiu na estrada em que estava ; toda àgua que estava perto desapareceu, os dutos secaram, ele pereceu lá e então e passou para os ínferos. O rei escutou o que aconteceu, e foi tomado pela dor. Então pensou – 'Esta dor acontece comigo porque meu filho me era querido. Se eu não tivesse afeição a nada, não teria nenhuma dor. De agora em diante, resolvo que não fixarei minha afeição em nada, animado ou inanimado.'” ) :-

Rei Kitavasa era meu nome
Eu era um rei poderoso ;
Meu filho quebra a tigela do Buddha
E assim ele morre.

Disse o rei então, “O quê, bom amigo, o faz ficar sem raiva ?” E ooutro torna o assunto claro nestas linhas:

Como Araka, por sete anos
Pratiquei caridade ;
E então por sete idades morei
No alto céu de Brahma.

Quando Chatrapāni assim explicou seus quatro atributos, o rei fez um sinal para seus atendentes. E em um instante toda a corte, sacerdotes e leigos, todos, levantaram-se, e gritaram para Kalaka - “Fiau, corrupto, ladrão, e farsante ! Você não consegue seus subornos e daí quer matar o sábio, falando mal dele !” O pegam pelas mãos e pelos pés e jogam ele para fora do palácio ; e cada um pegando o que pode, este uma pedra, este uma vara, quebram na cabeça dele e o matam : e arrastando-o pelos pés o colocam em cima de um monte de lixo.
Daí em diante o rei legislou com retidão, até que passou, sendo tratado de acordo com seus méritos.

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Este discurso terminado, o Mestre identificou o Jataka:- “Devadatra era o Comandante Kalaka, Sāriputra era o artesão Chatrapani e eu mesmo era Dharmaddhaja.”