quinta-feira, 15 de agosto de 2013

465 Buddha Árvore



           A cidade de Kapilavastu, de nascimento de Buddha, retratada na pedra de Sanchi em suas colunas de tradição hanayana e portanto com a representação do Mestre enquanto árvore ou na cankrama, uma trave, que representa a escada que fez ligando céu e terra quando depois de sete anos voltou para ela, Kapilavastu. Na primeira se vê o carro vazio e o cavalo também saindo da cidade na grande renúncia e o povo junto de coração, sabendo do sacrifício e em baixo já depois do retorno escutando o Dharma. Na segunda Mahamaya lá no alto e o Elefante da Concepção. Embaixo o rei e a corte saindo para ver a cankrama, a escada em representação reta horizontal ; nota-se as mãos postas.

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Quem és tu... etc.” - Esta história o Mestre contou enquanto residia em Jetavana sobre fazer o bem aos amigos e parentes. Em Savatthi na casa de Anathapindika havia sempre comida inesgotável para os quinhentos Irmãos e o mesmo acontecia com Visakha e com o rei de Kosala. Mas no palácio do rei, apesar de várias e boas as porções dadas, ninguém era amigo dos Irmãos. O resultado era que nunca ninguém comia no palácio mas pegavam a comida e saiam para comer na casa de Anathapindika ou Visakha ou algum outro dos amigos verdadeiros.
Um dia o rei disse, “Um presente foi trazido : leve-o aos Irmãos,” e enviou para o refeitório. Trouxeram a resposta que não havia nenhum Irmão no refeitório. “Onde eles foram ?” ele perguntou. Eles estão sentados nas casas dos amigos comendo, foi a réplica. O rei então após sua refeição matinal veio para a presença do Mestre e questionou-o, “Bom Senhor, qual é o melhor tipo de comida ?” “A comida da amizade é a melhor, grande rei,” disse ele ; “mesmo mingau de arroz azedo dado com amizade torna-se doce.” “Bem, Senhor, e com quem os Irmãos encontram amizade ?” “Com seus semelhantes, grande rei, ou com as famílias Sakya.” O rei então pensou, e se ele fizesse uma garota Sakya sua rainha : então os Irmãos seriam seus amigos, como se fossem parentes.
Levantando-se do assento, retornou para o palácio e mandou uma mensagem para Kapilavasthu ( quartel general do clã Sakya e lugar de nascimento do Buddha ) com este conteúdo : “Por favor me dêem uma de suas filhas em casamento, pois desejo me tornar ligado a sua família.” Ao receber tal mensagem os Sakyas reuniram-se e deliberaram. “Vivemos em um lugar sujeito à autoridade do rei de Kosala ; se recusarmos uma filha ele ficará muito irado e se dermos, o costume de nosso clã será quebrado. O quê faremos ?” Então Mahanama ( príncipe Sakya ) disse a eles, “não se preocupem com isto. Tenho uma filha, chamada Vasabhakhattiya. Sua mãe é uma mulher escrava, chamada Nagamunda ; ela tem em torno de dezesseis anos, é de grande beleza e de aparência auspiciosa e nobre pelo lado do pai. Enviaremos ela, como a garota de nascimento nobre.” Os Sakyas concordaram e enviaram os mensageiros dizendo que gostariam de dar uma filha do clã e que eles deviam leva-la logo. Mas os mensageiros refletiram, “Estes Sakyas são encarniçadamente orgulhosos em matéria de nascimento. Suponhamos que mandem uma garota que não seja deles e digam que seja ? Não levaremos nenhuma a não ser que faça a refeição com eles.” Então eles responderam, “Levaremos ela mas a levaremos enquanto se alimenta com vocês.”
Os Sakyas designaram uma hospedagem para os mensageiros e então cogitaram o quê fazer. Mahanama disse : “Bem, não se preocupem com isto ; darei um jeito. Durante minha refeição tragam Vasabhakhattiya vestida com todos seus ornamentos ; então justo quando eu tiver comido um bocado, produzam uma carta e digam, Meu senhor, tal rei o envia uma carta ; por favor escute está mensagem imediatamente.”
Eles concordaram ; e enquanto ele tomava sua refeição, vestiram e adornaram a garota. “Tragam minha filha,” disse Mahanama, “e deixe-a comer comigo.” “Um momento,” eles disseram, “assim que ela estiver apropriadamente adornada,” e após pouco tempo a trouxeram para dentro. Esperando comer com seu pai, ela mergulhou sua mão no mesmo prato. Mahanama pegou um bocado com ela e o colocou em sua boca ; mas justo quando ele esticava sua mão para outro, trouxeram para ele uma carta, dizendo, “Meu senhor, tal rei o envia uma carta : por favor escute a mensagem imediatamente.” Disse Mahanama, “Continue com sua refeição, minha querida,” e segurando sua mão direita no prato, com sua esquerda pegou a carta e a leu. Enquanto ele examinava a mensagem a garota continuou comendo. Quando ela já tinha comido, ele lavou a mão e enxaguou a boca. Os mensageiros ficaram firmemente convencidos de que ela era sua filha, pois não adivinharam o segredo.
Então Mahanama enviou sua filha com grande pompa. Os mensageiros a trouxeram para Savatthi e disseram que a donzela era verdadeiramente filha nascida de Mahanama. O rei ficou agraciado e fez com que toda a cidade fosse decorada e a colocou sobre uma pilha de tesouros e através de uma aspersão cerimonial fez dela sua rainha. Ela era cara ao rei e amada.
Em pouco tempo a rainha concebeu e o rei fez com que se desse o tratamento próprio de costume ; e no final do décimo mês, ela deu à luz um filho cuja cor era marrom dourado. No dia do seu batismo, o rei mandou uma mensagem à sua avó, dizendo “Um filho nasceu de Vasabhakhattiya, filha do rei Sakya ; qual será o nome dele ?” Bem, o cortesão encarregado desta mensagem era ligeiramente surdo ; mas foi e falou à avó do rei. Quando ela escutou, disse, “Mesmo quando Vasabhakhattiya não gerara um filho, era mais cara que todo o mundo ; e agora será a mais amada ( Vallabha ) do rei.” O homem surdo não escutou a palavra “mais amada” certo mas pensou que ela dissera “Vidudabha” ; voltou então ao rei e disse para nomear príncipe Vidudabha. Este, o rei pensou, deve ser algum nome antigo da família e assim chamou-o Vidudabha.
Após o quê o príncipe cresceu sendo tratado como príncipe deve ser.
Quando estava na idade de sete anos, observando como os outros príncipes recebiam presentes de elefantes de brinquedos, cavalos e outros brinquedos, das famílias dos pais de suas mães, o garoto disse à sua mãe, “Mãe, os outros ganham presentes das famílias das mães deles mas da minha nenhum manda nada. Você é orfã ?” Ela respondeu então, “Meu filho, seus avós são reis Sakyas mas vivem fora e é por isto que não enviam nada.” Novamente quando ele tinha dezesseis, disse, “Mãe, quero conhecer a família de seu pai.” “Não fale isto, criança, ” ela disse. “O quê você fará quando lá chegar ?” Mas apesar dela dissuadi-lo ele pedia repetidamente. Por fim sua mãe disse, “Bem, vá então.” Assim o garoto obteve o consentimento do pai e partiu com um número de seguidores. Vasabhakhattiya mandou uma carta antes dele com o seguinte conteúdo : “Vivo aqui feliz ; não digam a ele nada sobre o segredo.” Mas os Sakyas, escutando sobre a vinda de Vidudabha, mandaram todas as sua crianças para o campo. “É impossível,” disseram, “recebê-lo com respeito.”
Quando o Príncipe chegou em Kapilavasthu, os Sakyas haviam se reunido numa casa de descanso real. O Príncipe aproximou-se da casa de descanso e esperou. Então disseram a ele, “Este é o pai de sua mãe e este é o irmão dela,” indicando-os. Ele dirigiu-se para um e outro, saudando-os. Contudo apesar de se inclinar diante deles até as costas doerem, nenhum outorgou uma saudação ; então ele perguntou, “Por quê nenhum de vocês me cumprimenta ?” Os Sakyas responderam, “Meu caro, os jovens príncipes estão todos no campo ;” e então o entreteram com excelência.
Após permanecer alguns dias, ele partiu para casa com todo seu séquito. Justo então uma escrava lavava o assento em que ele tinha usado na hospedagem com água alcalina, dizendo insultuosamente, “Aqui está o assento onde sentou o filho de Vasabhakhattiya a garota escrava !” Um homem que deixara sua lança para trás e estava recolhendo-a quando escutou o abuso ao Príncipe Vidudabha. Ele questionou o quê aquilo significava. A ele foi dito que Vasabhakhatthiya nasceu de uma escrava de Mahanama o Sakya. Ele contou isto aos soldados : um grande alvoroço levantou-se , todos gritando - “Vasabhakhattiya é filha de escrava, assim eles falam !” O Príncipe escutou isto. “Sim,” ele pensou, “deixe-os derramar água alcalina no assento que sentei para lavá-lo ! Quando for rei, lavarei o lugar com sangue do coração deles !”
Quando ele voltou para Savatthi, os cortesãos contaram toda a história para o rei. O rei ficou irado com os Sakyas por terem dado a ele uma esposa filha de escrava. Cortou toda a renda dada a Vasabhakhattiya e seu filho e deu a eles somente o quê é próprio ser dado a escravos e escravas.
Alguns poucos dias mais tarde o Mestre chegou no palácio e tomou assento. O rei se aproximou dele e com uma saudação disse, “Senhor, me disseram que seus parentes me deram para esposa uma filha de escrava. Cortei seus estipêndios, da mãe e do filho, e dei a eles apenas o quê os escravos ganham.” Disse o Mestre : “Os Sakyas fizeram errado, Ó grande rei ! Se eles deram alguém, deviam dar uma garota com o sangue deles mesmos. Mas, Ó rei, isto eu digo : Vasabhakhattiya é uma filha de rei e na casa de um rei nobre ela recebeu a aspersão cerimonial ; Vidudabha também foi gerado por um nobre rei. Sábios antigos disseram, que importa a nascimento da mãe ? O nascimento do pai é a medida : e a uma pobre esposa, uma catadora de gravetos, eles deram posição de rainha ; e o filho nascido dela obteve a soberania de Benares, numa extensão de doze léguas e tornou-se Rei Katha-Vahana, o Transportador de Lenha :” depois do que contou a ele a história do Jataka n.º 7.
Quando o rei escutou esta história, ficou agraciado ; a dizendo a si mesmo, “O nascimento do pai é a medida da pessoa,” ele novamente deu à mãe e filho o tratamento adequado a eles.
O comandante em chefe do rei era um homem chamado Bandhula. Sua esposa, Mallika, estava estéril e ele a mandou para Kusinara, dizendo que retornasse para sua própria família. “Irei,” disse ela, “depois que tiver saudado o Mestre.” Ela foi à Jetavana e cumprimentando o Tathagata esperou em um dos lados. “Para onde vais ?” ele perguntou. Ela respondeu. “Meu marido me mandou para casa, Senhor.” “Por quê ?” questionou o Mestre. “Estou estéril, Senhor, não tenho filhos.” “Se isto é tudo,” disse ele, “não há razão porque devas ir. Retorne.” Ela ficou muito agraciada e saudando o Mestre foi para casa novamente. Seu marido perguntou à ela porque voltava. Ela respondeu, “O Dasabala me mandou voltar, meu senhor.” “Então,” disse o comandante em chefe, “o Tathagata deve ter visto uma boa razão.” A mulher logo depois concebeu e quando seus desejos começaram, disse a ele. “Qual é seu desejo ?” ele perguntou. “Meu senhor,” ela disse, “desejo ir e me banhar e beber d'água do tanque da Cidade de Vesali onde as famílias dos reis pegam água para a aspersão cerimonial.” O comandante em chefe prometeu tentar. Pegando seu arco, forte qual mil arcos, colocou sua esposa na carruagem, deixou Savatthi e dirigiu sua carruagem para Vesali.
Bem, nesta época vivia junto ao portão um Licchavi chamado Mahali, que fora educado pelo mesmo professor que o general do rei dos Kosalas, Bandhula. Este homem era cego e costumava aconselhar os Licchavis em todos os assuntos temporais e espirituais. Ouvindo o tropel da carruagem enquanto atravessava o lumiar do portão, ele disse, “O barulho da carruagem de Bandhula, o Mallian! Este dia haverá medo entre os Licchavis !” Junto ao tanque havia estabelecida uma forte guarda, dentro e fora ; acima dele estava esticada uma rede de aço ; nem mesmo um pássaro encontraria espaço para entrar. Mas o general, desmontando de seu carro, colocou os guardas em fuga com golpes de espada e irrompeu através da rede de ferro e no tanque banhou sua esposa e deu a ela de beber d'água ; então após banhar-se, ele colocou Mallika na carruagem e deixou a cidade e voltou pelo caminho que veio.
Os guardas foram e contaram tudo aos Licchavis. Os reis dos Licchavis então ficaram irados ; e quinhentos deles, montados em quinhentos carros, partiram para capturar Bandhula o Mallian. Eles informaram Mahali disto e ele disse, “Não vão ! Pois ele matará a todos vocês.” Mas eles disseram, “Não ; nós iremos.” “Então se chegarem num lugar onde a roda afunde até o eixo, vocês devem retornar. Se não retornarem então, voltem no lugar em que vocês escutarem um barulho de trovão. Se então vocês não voltarem, voltem então quando vocês virem um buraco na frente de suas carruagens. Não sigam adiante ! “ Mas eles não voltaram de acordo com a palavra dele mas continuaram a perseguição mais e mais. Mallika os espreitava então e disse, “Meu senhor, vejo carruagens.” “Me diga,” disse ele, “quando eles todos parecerem uma só carruagem.” Quando eles todos em linha pareciam uma só, ela disse, “Meu senhor, vejo como se fosse apenas uma carruagem.” “pegue as rédeas, então,” disse ele e colocou as rédeas nas mãos dela : ele ficou de pé na carruagem e esticou seu arco. A roda da carroça afundou na terra até o eixo. Os Licchavis chegaram no local e viram isto, mas não voltaram. O outro então seguiu mais um pouco e tangiu a corda de seu arco ; então se fez o som de um trovão e mesmo assim eles não voltaram mas continuaram a perseguição. Bandhula de pé no carro e soltou uma flecha e ela cortou as direções de todas as quinhentas carruagens e passando direto pelos quinhentos reis no lugar em que o cinto é amarrado, depois afundou-se na terra. Eles não percebendo que estavam feridos continuaram perseguindo gritando, “Pare, alô, pare !” Bandhula parou seu carro e disse, “Vocês estão mortos ; não lutarei com mortos.” “O quê ?” eles disseram, “mortos, como agora estamos ?” “Solte o cinto do primeiro homem,” disse Bandhula. Eles soltaram o cinto dele e no mesmo instante que o cinto soltou, ele caiu morto. Então falou para eles, “Todos vocês estão na mesma condição : vão para casa e estabeleçam o que deve ser estabelecido e deem ordens às esposas e às familias e então tirem a armadura.” Eles fizeram isto e depois todos entregaram os espíritos.
E Bandhula levou Mallika para Savatthi. Ela deu à luz filhos gêmeos dezesseis vezes sucessivamente e eles eram toos homens poderosos e heróis e tornaram-se perfeitos em todos os tipos de realizações. Cada um deles tinha mil homens para ajudá-lo e quando iam com seu pai para atender o rei, apenas eles enchiam a corte do palácio até o limite.
Um dia allguns homens que foram derrotados na corte em um falso processo, vendo Bandhula se aproximar, levantaram um grande clamor e informaram-no que os juízes da corte sustentaram um falso processo. Então Bandhula entrou na corte e julgou o caso e deu a cada uma das pessoas o quê era dela. A multidão deu altos gritos de aplauso. O rei perguntou o quê significava aquilo e entendendo ficou bastante satisfeito ; todos aqueles funcionários ele mandou embora e deu a Bandhula o encargo de julgamento da corte e daí em diante ele julgava retamente. Os juízes anteriores então ficaram pobres porque não recebiam mais subornos e caluniaram Bandhula aos ouvidos do rei, acusando-o de almejar o reino para ele mesmo. O rei escutou as palavras deles e não pode controlar suas suspeitas. “Mas,” refletiu, “se ele for assassinado aqui, serei acusado de culpa.” Ele subornou alguns homens para saquear os distritos da fronteira ; enviando então Bandhula disse, “As fronteiras estão em chamas ; vá com seus filhos e capture os bandidos.” Com ele também enviou outros homens hábeis, poderosos homens de guerra, com instruções de matá-lo e a seus trinta e dois filhos, cortar as cabeças deles e trazê-las de volta.
Enquanto ele estava no caminho, os bandidos contratados tendo notícias da vinda do general, fugiram. Ele estabeleceu o povo daquele distrito em suas casas e aquietou a província e dirigiu-se para casa. Então quando estava não distante da cidade , aqueles guerreiros cortaram a cabeça dele e as de seus filhos.
Naquele dia Mallika enviou um convite para os dois discípulos chefes junto com quinhentos Irmãos. Cedo de manhã uma carta foi trazida para ela, com novidades que seu marido e filhos perderam as cabeças. Quando ela escutou isto, sem falar com ninguém, ele pregou a carta em seu vestido e esperou a companhia dos Irmãos. Seus empregados davam arroz para os Irmãos, quando trazendo uma tigela de ghee aconteceu de quebrarem a tigela justo em frente dos Anciãos. Então o Capitão da Fé disse, “Potes são feitos para quebrar ; não se preocupe com isto.” A senhora tirou a carta da dobra do seu vestido dizendo, “Aqui tenho uma carta me informando que meu marido e seus trinta e dois filhos foram decapitados. Se não me preocupo com isto, voume preocupar quando uma tigela quebra ?” O Capitão da Fé então iniciou, “Invisível, desconhecida” ( Sutta Nipata 574 : Invisível, desconhecida é a vida das pessoas aqui debaixo” etc. Sallasuta. ) e então levantando-se de sua cadeira pronunciou um discurso e foi para casa. Ela reuniu suas trinta e duas noras e disse a elas, “Seus maridos apesar de inocentes colheram os frutos de seus atos passados. Não se lamentem nem cometam um pecado d'alma pior ainda mesmo que o do rei.” Este foi o conselho dela. Os espiões do rei escutando esta fala disseram a ele que elas não estavam enraivecidas. Então o rei ficou triste, foi à casa dela e pediu o perdão de Mallika e de seus noras, oferecendo um dom. Ela respondeu, “Nós aceitamos.” Ela dispôs a festa fúnebre, se banhou e então foi para junto do rei . “Meu senhor,” ela disse, “me concedeste um dom. Nada quero a não ser isto, que me permitas e as minhas trinta e duas noras que retornemos para nossas casas.” O rei consentiu. Cada uma das trinta e duas esposas dos filhos, ela enviou de volta para casa e ela mesma retornou para a casa de sua família em Kusinara. E o rei deu o posto de comandante em chefe para Digha-karayana, filho de uma irmã do general Bandhula. Mas ele ficou culpando o rei e dizendo, “Ele assassinou meu tio.”
Para sempre após o assassinato do inocente Bandhula o rei foi devorado por remorso e não teve paz na mente, não sentindo mais alegria em ser rei. Naquele tempo o Mestre morava próximo à cidade rural dos Sakyas chamada Ulumpa. Para lá se dirigiu o rei, acampando não distante do parque e com uns poucos ajudantes até o mosteiro para saudar o Mestre. Os cinco símbolos da realeza ele entregou a Karayana e sozinho entrou na Câmara Perfumada. Tudoo quê segue deve ser descrito como no Dhammacetiya Sutta. Quando ele entrou na Câmara Perfumada, Karayana tomou aqueles símbolos da realeza e fez Vidudabha rei ; e deixando para o rei apenas um cavalo e uma empregada, foi para Savatthi.
Após uma conversa agradável com o Mestre, o rei ao retornar não viu nenhum exército. Ele perguntou à mulher e entendeu o quê acontecera. Partiu então para a cidade de Rajagaha, resolvido a levar seu sobrinho consigo e capturar Vidudabha. Era tarde quando ele chegou na cidade e os portões estavam fechados : e deitando em um abrigo, exausto com a exposição ao vento e ao sol, lá morreu.
Quando a noite passou a crescer em brilho,a mulher começou a chorar, “Meu senhor, o rei de Kosala precisa de ajuda !” O som foi ouvido e as notícias chegaram até o rei. Ele realizou as exéquias de seu tio com grande magnificência.
Vidudabha uma vez firmemente estabelecido no trono lembrou-se daquele seu ressentimento e determinou a destruição de todos os Sakyas ; para a finalidade do que partiu com um largo exército. Naquele dia àurora o Mestre, olhando sobre o mundo, viu a destruição ameaçando seus parentes. “Devo ajudar meus parentes,” pensou ele. De manhã saiu em busca de ofertas e depois de voltar de sua refeição deitou na postura leonina em sua Câmara Perfumada e à noite, passando pelos ares até um lugar próximo a Kapilavastu sentou debaixo de um' árvore que produzia pouca sombra. Junto daquele lugar, uma grande e pesada árvore banian estava nos limites do reino de Vidudabha. Vidudabha vendo o Mestre, aproximou-se e saudou-o, dizendo, “Por quê, Senhor, estais sentado debaixo de um'árvore tão fina com todo este calor ? Senta debaixo desta banian cheia de sombra, Senhor.” Ele respondeu, “Deixa estar, Ó rei ! A sombra do meu clã me mantém frio.” - “O Mestre,” pensou o outro, “deve ter vindo aqui para proteger seus parentes.” Assim ele saudou-o e retornou para Savatthi. E o Mestre levantando-se foi para Jetavana. Uma segunda vez o rei lembrou-se do ressentimento contra os Sakyas, uma segunda vez ele partiu e novamente viu o Mestre sentado no mesmo lugar então de novo retornou. Uma quarta vez ele partiu ; e o Mestre, verificando os atos anteriores dos Sakyas, percebeu que nada poderia afastar o efeito de seus erros, ao jogarem veneno no rio ; assim ele não foi para lá na quarta vez. Então rei Vidudabha matou todos os Sakyas começando pelos bebês que mamam e com o sangue do coração deles lavou o assento e retornou.
Um depois depois que o Mestre tinha saído a terceira vez e retornado, ele, tendo saído em suas coletas de ofertas e sua refeição terminado, descansava em sua Câmara Perfumada, os Irmãos reunidos de todas as direções no Salão da Verdade e sentados, começaram a contar as virtudes do Grande Ser : “Senhores, o Mestre apenas mostrou-se e fez o rei voltar e libertou seu clã do medo da morte. Um amigo precioso é o Mestre para seus parentes !” O mestre entrou e perguntou o quê falavam lá sentados. Eles disseram. Então ele disse, “Não apenas agora, Irmãos, o Tathagata age para benefício de seus parentes ; ele fez o mesmo muito tempo atrás.” Com estas palavras ele contou uma história do passado.
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Certa vez quando Brahmadatra legislava como rei de Benares e observava as Dez Virtudes Reais, ele pensou consigo mesmo : “Por toda a Índia os eis vivem em palácios suportados por muitas colunas. Não há maravilha então em um palácio amparado por muitas colunas ; mas e s'eu fizer um palácio com uma coluna apenas de suporte ? Então serei o rei chefe de todos os reis !” Então ele reuniu seus construtores e disse a eles para construir para ele um palácio magnífico sustentado por uma coluna. “Muito bem,” eles disseram e foram para a floresta.
Lá viram muitas árvores, altas e grandes, válidas de serem a coluna única de tal palácio. “Aqui estão estas árvores,” eles disseram, “mas a estrada é ruim e nunca conseguiremos transportá-las ; iremos ao rei perguntá-lo sobre isto.” Quando fizeram isto, o rei disse, “Seja como for vocês devem trazê-las e rapidamente.” Mas eles responderam “Não há meios de fazer isto.” “Então,” disse o rei, “procurem uma árvore no meu parque.”
Os construtores foram para o parque e lá viram uma senhora árvore sal, alta e madura, venerada pelo campo e pela cidade e à ela a família real também tinha o hábito de prestar tributo e venerar ; e disseram ao rei. O rei falou, “No meu parque vocês me encontraram um' árvore : bom – vão e cortem-na.” “Assim seja,” eles disseram e retornaram ao parque com as mãos cheias de grinaldas perfumadas e coisas semelhantes ; pendurando nela então a guirlanda de cinco dedos ( Nota do tradutor W. H. D. Rouse, M.A., sometime fellow of Christ College, Cambridge : o significado de gandhapañcangulikam é incerto talvez uma guirlanda na qual os os brotos ou ramos estão arranjados radiantes quais os dedos das mãos. Ver Morris em J.P.T.S., 1884, s.v. Ver vol. i.p. 71 para leituras diferentes ; mas esta gandhena pañcangulikam datva parece antes significar 'fazendo tranças de cinco dedos com essências.' A mão espalmada é em muitos lugares um símbolo usado para evitar mal olhado. Em algumas cidades da Índia está marcada nas paredes das casas ( North Ind. N. and Q., i, 42 ) ; está gravada em tumbas fenícias , veja aquelas na BnF em Paris, a vi em toda a parte na Síria, nas casas dos Hebreus , Cristãos e Muçulmanos. ) e cercando-a com uma corda, amarraram nela ramalhetes de flores e acenderam uma lâmpada fizeram veneração explanando : “No sétimo dia a partir de agora devemos cortar esta árvore : tal é ordem do rei, que ponha ela abaixo. Que as deidades que habitam nesta árvore vão para outro lugar e que a culpa não caia em nós.”
O deus que morava n'árvore escutando isto, pensou consigo mesmo : “Estes construtores estão determinados a cortar abaixo esta árvore e em destruir meu lugar de moradia. Bem, minha vida dura tanto quanto este meu lugar de habitação. E todas as jovens árvores sal que estão ao redor desta, onde moram as deidades meus parentes, e eles são muitos, serão destruídos. Minha própria destruição não me atinge tão de perto quanto a destruição de minhas crianças : portanto devo proteger a vida delas.” De acordo com isto à meia noite, adornado em esplendor divino, ele entrou na magnífica câmara do rei e enchendo toda a câmara com brilho radiante, ficou chorando ao lado do travesseiro do rei. À vista dele o rei tomado de pavor, pronunciou a primeira estrofe :

Quem és tu, pousado alto nos ares, envolto em vestes celestes :
De onde vem teus temores, por quê fluem lágrimas que banham teus olhos ?

Escutando o quê o rei dos deuses repetiu duas estrofes :

Dentro de teu domínio, Ó Rei, me conhecem como Árvore Afortunada :
Por sessenta mil anos estou aqui e todos me veneraram.

Apesar de muitas casas e vilas fazerem e muitos reis residirem,
Ainda a mim nunca molestaram, a mim nenhum dano trouxeram :
Então assim como prestam veneração, também veneres, Ó Rei !

Então o rei repetiu duas estrofes :

Mas outro tronco tão poderoso nunca vi antes,
Tão firme na forma na altura e na largura, grossa e forte árvore.

Um lugar amável construirei, uma coluna de suporte :
Lá te colocarei para morar – tua vida não será curta.

Escutando isto o rei dos deuses repetiu duas estrofes :

Já que tu estás inclinado a arrancar meu corpo de mim, corte-me curto,
Corte-me gradativamente, membro a membro, Ó Rei, não inteira.

Corte primeiro o topo, o meio em seguida, e então por último, minha raiz :
Se me cortares assim, Ó Rei, morte não me será dolorosa.

O rei então repetiu duas estrofes :

Primeiro mãos e pés, depois nariz e orelhas, enquanto ainda vive a vítima,
E por último de todos a cabeça deixa cair – isto dá uma morte dolorosa.

Ó Árvore Afortunada ! Ó rei da floresta ! Que prazer poderias sentir,
Por qual razão desejas que te corte gradativamente ?

Então a Árvore Afortunada respondeu repetindo duas estrofes :

A razão, razão inteiramente nobre, porque gradativamente
Seria cortada, Ó poderoso rei ! Venha escute enquanto falo.

Meus parentes e amigos todos prósperos ao redor, crescem bem protegidos :
A estes esmagaria em uma queda pesada, - grande seria a dor deles.

O rei escutando isto, ficou muito feliz : “Este é um deus valoroso,” pensou ele, “ele não quer que seus parentes percam seus lugares de habitação porque ele perde o seu ; ele faz o bem para seu povo.” E repetiu a estrofe restante :

Ó Árvore Afortunada ! Ó rei da floresta ! Teus pensamentos são nobres :
Você ampara teus parentes, então do temor te liberto.

O rei dos deuses, tendo discursado para este rei, partiu em seguida. E o rei se estabelecendo de acordo com seus mandamentos, fez ofertas e outras boas ações, até que foi preencher as hostes celestes.
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O Mestre tendo terminado o discurso disse : “Assim são, Irmãos, os atos do Tathagata para o bem de seus parentes e amigos ;” e então ele identificou o Jataka : “Naquele tempo Ananda era o rei, os seguidores do Buddha eram as deidades encorporadas nas pequenas mudas da árvores sal e eu mesmo era a Árvore Afortunada, o rei dos deuses.”













quarta-feira, 7 de agosto de 2013

464 Mulheres e homens


  464
Mais uma história das várias contadas pelos pássaros no Jataka 536 seguindo as do 327, 341, 360.
Certa vez Brahmadatra matou o rei de Kosala e tomou seu reino. Levando sua rainha principal, que estava grávida com criança no útero, voltou para Benares e apesar de saber de sua condição, fez sua sua rainha também. Quando chegou o tempo, ela deu à luz um filho semelhante a uma imagem dourada. E a rainha pensou, “Quando ele crescer o rei de Benares dirá, 'Ele é filho do meu inimigo : o que ele é para mim ?' e o mandará matar. Não, que meu filho não morra pelas mãos de um inimigo.” Então disse à babá dele, “Cubra esta criança, minha cara, com farrapos e o deixe na capela mortuária.” A babá fez isto e após se banhar voltou para casa. O rei de Kosala também após sua morte nasceu na forma de um anjo guardião do garoto e por seu poder divino uma cabra pertencente a um pastor de cabras que deixava seu rebanho pastar neste lugar, vendo o garoto concebeu afeição por ele e após dar a ele leite para mamar, pastou um pouco e voltou duas, três ou quatro vezes e dava a ele de mamar. O pastor de cabras, vendo o quê a cabra fazia, veio até o lugar e quando viu o garoto também dele se afeiçoou e o levou para sua esposa. Bem, ela não tinha filhos e portanto não tinha leite para dar. Então a cabra continuou a dar de mamar. A partir daquele dia dois ou três bodes passaram a morrer todo dia. O pastor de cabras pensou, “Se este garoto continuar a ser cuidado por nós, todos os bodes morrerão. O que é ele para nós?” Então o depositou numa urna de argila, cobrindo-o com outra e ungiu sua face toda, sem deixar nenhum pedaço, com farinha de feijões e o largou no rio. A criança foi levada pela corrente e foi encontrada na margem mais baixa próxima do palácio do rei por um casta baixa consertador de lixo velho, que lá estava com sua esposa, lavando o rosto. Ele correu apressado e retirou o vaso d'água e o deixou na margem. “O quê temos aqui ?” ele pensou e des-cobrindo a urna encontrou a criança. Sua esposa também era sem filhos e também se afeiçoou dele. Então ela o levou para casa e cuidou dele. Quando ele estava com sete ou oito anos de idade, seu pai e mãe o levavam com eles quando iam ao palácio. Quando estava com dezesseis anos, o rapaz frequentemente ia ao palácio para pegar coisas velhas para consertar. E o rei e a rainha tinham uma filha chamada Kurangavi, uma garota de beleza extraordinária. No momento que colocou os olhos nele ela caiu apaixonada pelo jovem e sem ligar para mais ninguém ela constantemente ia para o lugar onde ele trabalhava. A partir de repetidamente verem um ao outro, ficaram mutuamente enamorados e secretamente dentro dos recintos reais relações culpáveis foram estabelecidas. Com o passar do tempo os empregados contaram ao rei. Em sua cólera ele chamou seus conselheiros e disse, “Tais e tais atos foram cometidos por este sujeito de casta baixa : considerem o quê deve ser feito com ele.” Seus conselheiros responderam : “Grande é esta ofensa ; depois de puní-lo com todo tipo de punição devemos matá-lo.” Neste momento o pai do garoto ( o rei de Kosala ), que tornara-se seu anjo da guarda, apossou-se do corpo da mãe do rapaz e sob a influência do ser divino ela se aproximou do rei e disse, “Senhor, este jovem não é nenhum casta baixa. Ele é meu filho com o rei de Kosala. Quando disse que o menino morreu, menti para você. Sabendo ser a criança filho do seu inimigo eu o dei a uma babá e ela o expôs no cemitério. Então um pastor de cabras cuidou dele mas quando os bodes começaram a morrer, ele o colocou no rio e sendo transportado para cá pela corrente foi encontrado pelo casta baixa que conserta lixo velho no palácio e o abrigou e se não acredita em mim, chame todas estas pessoas e pergunte a eles.” O rei chamou todos eles, começando pela babá e percebendo pelo inquérito que os fatos eram os apresentados, ficou deliciado de saber que o jovem era de nasciemnto nobre e dando ordens para que ele tomasse banho e colocasse roupa esplêndida, deu-o em casamento à sua filha. Bem, por ter causado a morte dos bodes eles o chamaram Elakamara ( perdição dos bodes ). O rei depois designou a ele um transporte e um exército e o enviou, dizendo, “Vá e tome posse do reino que era de teu pai.” Assim ele partiu com Kurangavi e foi estabelecido no trono. Então o rei de Benares pensou, “Ele é bastante mal educado,” e para instruí-lo nas artes enviou Chalangakumara para ser seu professor. Aceitando-o como professor deua ele o posto de comandante em chefe. Logo Kurangavi peca com ele. E o comandante em chefe tendo um atendente chamado Dhanantevasi e ele enviou pelas mãos deste roupas e outros adornos para Kurangavi e ela também peca com este. Tão viciadas e imorais são as mulheres fracas e portanto não as louvo. Isto o Grande Ser ensinou contando uma história do passado pois naquele tempo ele era Chalangakumara e portanto o incidente relatado foi assistido com seus próprios olhos.

Outra história. Certa vez o rei de Kosala tomou o reino de Benares e fez a rainha principal, que estava grávida, sua rainha e então voltou para sua própria cidade. Logo ela deu à luz um filho. O rei, porque não tinha nenhum filho seu, orgulhosamente cuidou do menino e o fez ser instruído em toda aprendizagem e quando estava na idade o enviou mandando que tomasse posse do reino que fora de seu pai. Ele foi e reinou lá. Então sua mãe dizendo que tinha saudades de ver seu filho pediu licença ao rei de Kosala e partindo para Benares com um séquito grande e fez estadia em uma cidade que estava entre os dois reinos. Neste lugar morava um belo jovem brahmin chamado Pañcalacanda. Ele trouxe para ela um presente. Vendo-o, ela caiu de paixão e prevaricou com ele. Após passar alguns dias lá, ela foi para Benares e viu seu filho. Retornando ela fez estadia na mesma cidade e após passar vários dias em intercurso culpável com seu amante, partiu para a cidade de Kosala. Logo depois, dando esta ou aquela razão para visitar seu filho, pediu licença ao rei e indo e voltando permaneceu quinze dias na mesma vila, prevaricando com seu amante. Tão fracas e falsas, Sampunnamukha, são as mulheres. E contando esta história do passado ele começou com estas palavras, “Do mesmo jeito é este conto.”
Com isto, em uma variedade de modos exibindo o encanto com o qual prega a Lei, ele disse, “Amigo Punnamukha, existem quatro coisas que, se certas circunstâncias surgem, se mostram injuriosas – estas, digo, não devem ser depositadas na casa do vizinho doméstico – um boi, uma vaca, uma carruagem, uma esposa. Destas quatro coisas um sábio deve manter sua casa limpa :

Boi, vaca, nem carro para vizinhos emprestar,
Nem confiar uma esposa à casa de amigo :
O boi mata-se de trabalhar.
A vaca é ordenhada em excesso,
A esposa na casa de amigos erra.

Estas são seis coisas, amigo Punnamukha, que sob certas circunstâncias se mostram injuriosas - um arco sem sua corda, uma esposa vivendo na casa de amigo, um barco, um carro com eixo quebrado, um amigo ausente, um camarada mau, sob certas circunstâncias se mostram injuriosos. Verdadeiramente em oito modos, amigo Punnamukha, uma mulher despreza seu esposo : por pobreza, por doença, por velhice, por bebedeira, por estupidez, por falta de cuidado, por fazer todo tipo de negócio, por negligenciar todo dever para com ela – verdadeiramente, nestes oito casos uma esposa despreza seu senhor. Daí acontece este verso :

Se pobre ou doente, bêbado, de pensar imprudente,
Se estúpido ou se cuida demais do trabalho,
Ou descuidando do dever – tal senhor a esposa estima como nada.

Verdadeiramente de nove modos uma mulher incorre em culpa : se gosta de frequentar parques, jardins e margens de rios, de visitar casas de conhecidos ou de estranhos, se é dada a vestir adornso de roupas usadas por homens, se bebe bebida forte, de se destacar, ou de ficar em pé na porta - nestes nove modos, digo, uma mulher incorre em culpa. Daí o seguinte verso :

Uma mulher vestida em roupas vistosas, bebendo gole, apta a vagar
Em parques agradáveis, em margens de rios, em casas de amigos ou estranhos
Parada em pé na própria porta, contemplando com olhar vadio,
Em tais noves modos corrompe-se logo, extravia-se do caminho da virtude.

  

terça-feira, 23 de julho de 2013

463 Buddha sábio Supparaka


   
                   463
Homens com focinhos ...etc.” - Esta história o Mestre contou enquanto residia em Jetavana sobre a Perfeição do Conhecimento. Um dia, nos é dito, à tardinha, os Irmãos esperavam a chegada do Tathagata para pregar a eles e sentados no Salão da Verdade, falavam um ao outro, “Verdadeiramente Irmão, o Mestre tem grande sabedoria ! Larga sabedoria ! Sabedoria pronta ! Sabedoria rápida ! Sabedoria penetrante ! Sua sabedoria atinge o lugar certo no momento certo ; larga como o mundo, semelhante ao imenso e poderoso oceano, qual os céus que se espalham para todos os lados : em toda a Índia não existe nenhum sábio que se compare a Dasabala. Qual vagalhão que se levanta sobre o grande mar não pode atingir a costa ou se a alcança, quebra ; do mesmo modo nenhuma pessoa pode alcançar Dasabala em sabedoria, ou se chega nos pés do Mestre, se quebra.” Com estas palavras eles cantavam louvores à Perfeita Sabedoria do Dasabala. O Mestre entra e pergunta, “O quê vocês conversavam, Irmãos, sentados aí ?” Eles disseram. Ele falou, “Não apenas agora é o Tathagata cheio de sabedoria. Em dias anteriores, mesmo quando seu conhecimento era imaturo, ele era sábio. Apesar de estar cego ele sabia pelos sinais do oceano que em tal e tal oceano uma joia estava escondida.” Então ele contou uma história do passado.
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Certa vez, um rei chamado Bharu reinava no reino de Bharu. Havia uma cidade portuária chamada Bharukaccha, ou Mangue de Bharu. Naquele tempo o Bodhisatva nasceu na família de um mestre marinheiro de lá ; ele era amável e tinha aparência marrom dourada. Deram a ele o nome de Supparaka-kumara. Ele cresceu com grande distinção e mesmo quando não tinha feito ainda dezesseis anos, ganhou a mestria completa na arte de navegar. Depois com a morte de seu pai tornou-se chefe dos marinheiros e aplicou-se na vocação de marinheiro : ele era sábio e cheio de inteligência ; com ele a bordo nenhum barco nunca se danificou.

Com o tempo aconteceu de, machucado pela água salgada, ambos os seus olhos perderem a vista. Após o quê, apesar de ser chefe dos marinheiros, não se dedicou mais ao comércio marítimo mas decidido a viver prestando serviço ao rei, aproximou-se dele com este fim. E o rei o indicou para o ofício de avaliador e assessor. A partir de então assessorava na avaliação de elefantes, cavalos, pérolas e gemas.

Um dia um elefante foi trazido ao rei, da cor de uma rocha preta, para se tornar elefante de estado. O rei olhou-o e ordenou que o mostrassem ao homem sábio. Levaram a criatura para diante dele. O homem passou sua mão por cima do corpo do elefante e disse, “Este elefante não é adequado para se tornar elefante de estado. Este tem as qualidades de um elefante que está deformado atrás. Quando sua mãe deu-lhe a luz, ela pode segurá-lo no ombro ; então o deixou cair no chão e assim ele deformou sua pata traseira.” Perguntaram àqueles que trouxeram o elefante ; e eles responderam que o sábio falara a verdade. Quando o rei escutou isto, ficou agraciado e ordenou que oito peças de dinheiro fossem dadas a ele.

Um outro dia, um cavalo foi trazido para ser cavalo de estado do rei. Este também foi enviado ao sábio. Ele o sentiu inteiro com a mão e depois disse, “Este não é apropriado para ser cavalo de batalha do rei. No dia que este cavalo nasceu, sua mãe morreu e assim por falta do leite da égua, não cresceu adequadamente.” Esta afirmação dele era verdadeira também. Quando o rei escutou isto, ficou agraciado e ordenou que lhe presenteassem com mais oito peças de dinheiro.

Outro dia, uma carruagem foi trazida para ser a carruagem de estado do rei. Esta também o rei enviou a ele que a sentiu com as mãos e disse, “Esta carruagem foi feita com árvore oca e portanto não é apropriada para o rei.” Esta afirmação dele era verdadeira como as outras. O rei ficou agraciado novamente quando escutou isto e deu a ele mais oito peças.
Então novamente trouxeram uma manta preciosa de grande preço, que o rei enviou ao sábio como antes. Ele o sentiu inteiro e disse, “Há um lugar aqui onde um rato roeu um buraco.” Eles examinaram e encontraram o lugar e então contaram ao rei. O rei ficou agraciado e ordenou que oito peças fossem dadas novamente.

Então o homem pensou, “Só oito peças de dinheiro, com tais maravilhas como estas para se ver ! Isto é presente de barbeiro ; este rei deve ser fedelho de barbeiro. Por quê serviria a tal rei ? Retornarei para minha própria casa.” Assim voltou para o porto de Bharukaccha e lá viveu.

Aconteceu de alguns mercadores terem aprontado um barco e estarem contratando um capitão de navio. “Aquele esperto Supparaka,” eles pensaram, “é sábio e habilidoso ; com ele a bordo nenhum barco se danifica. Apesar de ser cego, o sábio Supparaka é o melhor.” Então foram até ele e pediram que fosse o capitão deles. “Sou cego, amigos,” ele respondeu, “como posso comandar o navio de vocês ?” “Pode ser que sejas cego, mestre,” disseram os mercadores, “mas és o melhor.” Como eles insistiam, acabou consentindo : “Já que vocês me encarregam,” disse ele, “serei seu capitão.” Então ele embarcou no navio deles.

Navegaram neste barco em altos mares. Por sete dias o barco navegou sem contratempo, revés : até que um vento fora de época se levantou. Por quatro meses o navio foi lançado no oceano primevo, até que chegou no chamado Mar de Khuramala. Aqui os peixes com corpos semelhantes ao de gentes e focinhos pontudos como navalhas, emergiam e submergiam n'água. Os mercadores observando isto perguntaram ao Grande Ser como era chamado aquele mar, repetindo a primeira estrofe :

Homens com focinhos em navalha emergindo e submergindo !
Fale, Supparaka e nos diga como é chamado este mar ?

O Grande Ser, com esta pergunta, examinando em sua mente o conhecimento de marinheiro, respondeu repetindo a segunda estrofe :

Mercadores vindos de Bharukaccha, buscando se abastecer de riquezas,
Este é o oceano Khuramali onde seu barco se extraviou.

Bem acontece que neste oceano se encontram diamantes. O Grande Ser refletiu que se lhes dissesse que este era um mar de diamantes, eles afundariam o barco em sua ganância por coletar os diamantes. Então não lhes disse nada ; mas levando o navio, pegou uma corda e abaixou uma rede como se para pegar peixe. Com isto ele trouxe para dentro um arrastão de diamantes e os guardou no barco ; depois fez com que mercadorias de pouco valor fossem jogadas para fora.

O navio atravessou este mar e chegou em outro chamado Aggimala. Este mar emitia um brilho como de fogueira ardente, semelhante ao sol no meio dia. Os mercadores perguntaram a ele com esta estrofe :

Olhem ! Um oceano semelhante a fogueira ardente, ao sol, nós vemos !
Fale, Supparaka, e nos diga qual deve ser o nome deste ?

O Grande Ser respondeu a eles na estrofe seguinte :

Mercadores vindos de Bharukaccha, buscando se abastecer de riquezas,
Este é o oceano Aggimali onde seu barco se extraviou.

Bem neste mar o ouro era abundante. Do mesmo modo que antes ele fez um arrastão de ouro e deixou à bordo. Atravessando este mar, o barco em seguida veio para um oceano chamado Dadhimala, reluzindo como leite ou yogurte. Os mercadores perguntaram seu nome em uma estrofe :

Olhem ! Um oceano branco e leitoso, branco qual yogurte parece que vemos !
Fale, Supparaka, e nos diga qual deve ser o nome deste ?

O Grande Ser respondeu-lhes com a estrofe seguinte :

Mercadores vindos de Bharukaccha, buscando se abastecer de riquezas,
Este é o oceano Dadhimali onde seu barco se extraviou.

Neste mar havia abundância de prata. Ele as conseguiu do mesmo modo que antes e a deixou à bordo. Sobre este mar o navio navegou e chegou a um oceano chamado Nilavannakusa-mala, que tinha a aparência de uma esteira de grama kusa escura ( Poa Cynosuroides ) ou um campo de milho. Os mercadores perguntaram seu nome em uma estrofe :

Olhem ! Um oceano verde e de grama, qual milho verde parece que vemos !
Fale, Supparaka, e nos diga qual deve ser o nome deste ?

Ele respondeu com as palavras da estrofe seguinte :

Mercadores vindos de Bharukaccha, buscando se abastecer de riquezas,
Este é o oceano Kusamali onde seu barco se extraviou.

Bem neste oceano havia uma grande quantidade de esmeraldas preciosas. Como antes, ele fez um arrastão delas e as guardou à bordo. Atravessando este mar, o barco chegou no mar chamado Nalamala, que tinha o aspecto vermelho de juncos ou bambus como corais. Os mercadores perguntaram seu nome em uma estrofe :

Olhem ! Um oceano qual cama de junco ou bosque de bambu vemos !
Fale, Supparaka e nos diga qual deve ser o nome deste ?

O Grande Ser respondeu a seguinte estrofe :

Mercadores vindos de Bharukaccha, buscando se abastecer de riquezas,
Este é o oceano Nalamali onde seu barco se extraviou.

Bem este oceano era cheio de corais da cor de bambus. Ele fez um arrastão deste também e levou à bordo.

Após passar o Mar Nalamali, os mercadores chegaram a um mar chamado Valabhamukha. Aqui àgua era sugada e jogada para todo lado ; e àgua assim jogada para todo lado levantava um precipício escarpado mostrando o quê parecia ser um grande poço. Uma onda levantou-se de um lado qual parede : um terrível rugido foi ouvido, que parecia que estouraria os ouvidos e quebraria os corações. À vista disso os mercadores ficaram aterrorizados e perguntaram seu nome em uma estrofe :

Escutem o terrível som assustador do pesado mar sem terra !
Olhem um buraco e olhem as águas em um profundo declive !
Fale Supparaka e nos diga qual pode ser o nome disto ?

O Bodhisatva respondeu na seguinte estrofe, “Mercadores”, etc, terminando- “Este é o oceano Valabhamukhi,” etc.

Ele prosseguiu, “Amigos, uma vez um barco entre no Mar Valabhamukha não há retorno. Se este barco entrar lá, ele afundará e será destruído.” Bem, haviam setecentas almas à bordo deste barco e eles estavam com medo da morte ; com uma voz eles pronunciaram um grito muito agudo, como o grito daqueles que queimam no ínfero mais profundo. O Grande Ser pensou, “A não ser eu mesmo, ninguém mais pode salvar estas pessoas ; as salvarei com um Ato de Verdade.” Então ele falou alto, “Amigos, banhem-me rapidamente em água perfumada e me coloquem novas roupas, preparem uma tigela cheia e me enviem para a frente do navio.” Eles rapidamente fizeram isto. O Grande Ser pegou a tigela cheia com ambas as mãos e em pé na frente do barco, realizou um Ato de Verdade, repetindo a estrofe final :

Desde quando me lembro, desde quando inteligência primeiro surgiu,
Nem uma vida de ser vivo, que eu saiba tirei :
Possa este barco retornar à salvo se minhas solenes palavras são verdadeiras.

Quatro meses o barco viajou por regiões distantes ; e agora como que dotado com poder sobrenatural, ele retornou em um único dia para a cidade portuária de Bharukaccha e mesmo sobre a terra seca seguia, até descansar diante da porta do marinheiro, tendo se elevado por um espaço de quatrocentos metros. O Grande Ser dividiu entre os mercadores todo o ouro e prata, jóias, coral e diamantes, dizendo, “Este tesouro é o suficiente para vocês : viagem no mar não mais.” Então ele discursou para eles ; e após dar presentes e fazer caridade por toda a vida, foi preencher as hostes celestes.
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O Mestre, tendo terminado seu discurso, disse, “ Então, Irmãos, o Tathagata era o mais sábio em dias anteriores como o é agora,” e identificou o Jataka : “Naquele tempo a companhia do Buddha era a companhia ( dos mercadores ) e eu mesmo era o sábio Supparaka.”

  

segunda-feira, 24 de junho de 2013

[ n. do tr.: Roma e Índia : a unidade das tradições (2) ]

       
      [ n. do tr. : Roma e Índia : unidade das tradições (2)  in
                                           Plutarco Védico isbn 978-85-906438-0-7

      A mãe de Rômulo e Remo, Ilia, uma vestal, teria concebido os dois irmãos a partir do semen do fogo sacrifical que enquanto deus teria se encarnado para isto e como já dissemos Ilia é o mesmo nome da filha de Prajapati que teria nascido de Agni, este mesmo fogo no primeiro sacrifício segundo o Satapatha Brahmana . Os irmãos colocados numa cesta, berço, baú, foram largados para morrer no rio Tibre na primeira metade do séc. VIII a. C. Mas as águas os deixaram ao pé de uma figueira onde uma Loba, deles se afeiçoou e deu-lhes de beber leite de suas tetas e onde também um Abutre trouxe alimento. O tio deles, Amúlio, queria o trono para si e daí a vontade de matá-los. Eles contudo crescem exilados e desconhecidos, unificam o povo mas com discórdia quanto a quem estabeleceria, construiria, a nova cidade, colônia : os de Alba não os queriam. Em determinado dia estão distraídos cada um com seu povo ( Quintílios e Fábios ) e têm o gado furtado : saem correndo pelados mesmo sem tempo de se vestir e conseguem salvar o que é seu. Mas a correria continua ( ela tornou-se um ritual depois, as Lupercais, em que se corre com faixas de couro de cabra nas mãos a bater em quem está no caminho, purificando e abençoando as mulheres para que engravidem ) de modo que chegam a casa de Amúlio ( Remo dentro e Rômulo por fora ), são identificados e sem resistência deste último entregam a cidade ao pai da mãe, Numitor, e continuam a correria, junto com seus exércitos de excluídos, até o lugar onde foram expostos debaixo da figueira e lá combinam de no dia seguinte consultarem os auspícios para saber quem lideraria a nova cidade ( Roma ; é uma semana e tanto ). A disputa e correria acaba com a morte de Remo, Fáustulo e outros que se opõem a Rômulo, o que antecede a construção mesma do altar védico como vimos. Mas a decisão acontece no campo dos auspícios, ave-spicere, espreitar pássaros, quem vê mais aves : Remo vê seis abutres e Rômulo doze. O quê significa isto ? Que pássaros são estes ?

               A resposta está no Mahabharata, Vana parva, seção CCXXII e seguintes onde se disserta sobre o nascimento justamente do fogo garhapatya, fogo sacrifical que Rômulo constrói em seguida. Na seção em questão Indra se dirige para onde está os grandes Brahmanas, os poderosos Rishis celestiais, homens comuns, Vasishtha e outros :
           
            “E com Indra na frente deles, os outros deuses também desejosos de beber Soma, foram para os sacrifícios daqueles Rishis para receber suas respectivas partes das ofertas. Tendo devidamente realizado as cerimônias com o brilhante fogo em chamas, aquelas pessoas de grande mente oferecem oblações aos deuses celestiais. E o fogo Adbhuta ( garhapatya ) o transportador das oblações, foi convidado com mantras. E saindo do disco solar, aquele senhor fogo apareceu lá, contendo a fala. E, Ó chefe da raça dos Bharatas [ n. do tr.: Markandeya conta a história a Yudhisthira, diga-se de passagem o Mahabharata é relatado e escrito em Takkasilla, Taxila ] , aquele fogo entrando no fogo sacrifical que foi ligado e dentro do qual várias ofertas foram feitas pelos Rishis com récitas de hinos, tomou-as para ele e as transmitiu para os habitantes do céu. E enquanto retornava daquele lugar, ele observou as esposas daqueles Rishis de alma elevada dormindo soltas em suas camas. E aquelas senhoras tinham uma aparência muito linda como a de um altar de ouro, sem manchas, qual raios da Lua, parecendo chamas ardentes e semelhantes a estrelas brilhantes. E vendo estas esposas dos ilustres Brahmanas com cobiça nos olhos, sua mente ficou agitada e ele foi atingido pelo charme delas. Restringindo seu coração ele considerou impróprio para si ficar assim agitado. E disse a si mesmo, “As esposas destes grandes Brahmanas são castas e fiéis e além do alcance dos desejos de outras pessoas. Estou cheio de desejo de possuí-las. Não posso com justiça colocar meus olhos nelas, nem nunca tocá-las quando elas não estão cheias de desejos. Devo portanto gratificar-me diariamente apenas olhando para elas tornando-me seu fogo garhapatya ( doméstico ).
           Markandeya continuou, “ O fogo Adbhuta, assim transformando a si mesmo em fogo doméstico, ficou altamente gratificado vendo aquelas senhoras de aparência dourada e tocando nelas com suas chamas. E influenciado por seus encantos ele habitou lá por um longo tempo, dando a elas seu coração e cheio de um intenso amor por elas. E frustado em todos seus esforços para ganhar os corações daquelas senhoras Brahmanas e seu próprio coração torturado de amor, ele foi para a floresta como objetivo certo de destruir a si mesmo. Bem pouco tempo antes, Swaha, a filha de Daksha, dedicou seu amor a ele. A excelente senhora empenhava-se por um longo tempo em detectar os momentos de fraqueza dele ; mas aquela senhora sem culpa não teve sucesso em descobrir qualquer fraqueza no calmo e recolhido deus-fogo. Mas agora que o deus dirige-se para uma floresta, realmente torturado pelas dores do amor, ela pensou, “Como estou também aflita de amor, assumirei a aparência das esposas dos sete Rishis e neste disfarce, procurarei o deus-fogo tão abatido com os encantos delas. Isto feito, ele ficará agradecido e meu desejo também satisfeito.”
            Markandeya continuou,”Ó senhor dos homens, a bela Siva dotada de grandes virtudes e caráter imaculado era a esposa de Angiras ( um dos sete Rishis ). aquela excelente senhora ( Swaha ) no princípio assumindo o disfarce de Siva, buscou a presença de Agni para quem disse, “Ó Agni, estou torturada de amor por ti. Pense que é adequado mecortejar. E se você não atender meupedido, saiba que cometerei auto destruição. Sou Siva esposa de Angiras. Vim aqui de acordo com o conselho das esposas dos outros Rishis, que me enviaram aqui após a deliberação devida.”
            Agni respondeu, “Como você sabia qu'eu estava torturado de amor e como pode as outras, as amáveis esposas dos sete Rishis, com as quais falastes, saber disto ?”
Swaha respondeu, “Tu és sempre um favorito entre nós mas tememos você. Agora tendo lido tua mente com sinais bem conhecidos, elas me enviaram à tua presença. Venho aqui para gratificar meu desejo. Seja rápido, Ó Agni, em cingir o objeto de teu desejo, minhas cunhadas estão me esperando. Devo retornar logo.”
           Markandeya continuou, “Então Agni, cheio de grande alegria e deliciado, casou com Swaha disfarçada de Siva e aquela senhora alegremente coabitando com ele, segurou o semen virile em suas mãos. E então ela pensou consigo mesma que aqueles que a vissem naquele disfarce na floresta, lançariam mácula não merecida na conduta daquelas senhoras Brahmanas em relação com Agni. Portanto para prevenir isto ela devia assumir o disfarce de um pássaro e naquele estado sairia mais facilmente da floresta.
          Markandeya continuou, “Então assumindo o disfarce de uma criatura com asas, ela saiu da floresta e alcançou a Montanha Branca cercada com moitas de arbustos e outras plantas e árvores, guardada por estranhas serpentes de sete cabeças com veneno nos próprios olhares, abundante de Rakshasas, Pisachas machos e fêmeas, espíritos terríveis e vários tipos de pássaros e animais. Aquela excelente senhora rapidamente alcançando um pico daquelas montanhas, jogou aquele semen em um lago dourado. E assumindo sucessivamente as formas das esposas dos Rishis de alma elevada, ela continuou a divertir-se com Agni. Mas devido ao grande mérito ascético de Arundhati e sua devoção ao marido ( Vasishtha ), ela foi incapaz de assumir sua forma. E, Ó chefe da raça kuru, a senhora Swaha no primeiro dia lunar jogou seis vezes naquele lago o semen de Agni. E atirados lá, eles produziram uma criança macho dotada de grande poder.”
            
                   Que como Rômulo e Remo são filhos do fogo com mulheres santas. O ser nascido do fogo tem seis faces sendo a do meio de cabra e ao ser questionado em sua existência por Indra é atingido por um raio do deus, que o atravessa pelo lado dando origem a um novo ser, que sai de dentro do filho do fogo, também com cara de cabra e que abençoa a mulheres para que engravidem. A disputa com Indra na semana mesma de nascimento deste ser-fogo causa uma guerra com mortes, o quê seria equivalente a disputa de Remo com Rômulo com a morte de irmãos e amigos : o acontecimento de todos os fatos em uma semana também aproxima as histórias. Remo ao ver seis pássaros divide a unidade dos casais Brahmanes o quê Plutarco ilustra dizendo que os abutres não são aves de rapina mas comem apenas restos de carcaças sem matar outros pássaros. Em Satapatha Brahmana IX,4 e VI,1 confirma-se a imagem com a representação do altar védico como a reunião dos sete Rishis, sete sopros, assumindo também a forma de um pássaro, quatro no meio, dois nas asas e um nos pés. A união dos sete formaria o corpo único de Prajapati. A festa das Lupercais portanto teria também sua origem védica. ] 




quarta-feira, 5 de junho de 2013

[ n. do tr.: Roma e Índia ]


[ Nota do tradutor : Roma e Índia : a unidade das tradições  in 
          Plutarco Védico isbn 978-85-906438-0-7 ] 

Plutarco, Vida de Rômulo, paragr. XI
Deu Rômulo sepultura no sítio chamado Remuria [ depois Lemuria onde se lamentavam, penitenciavam ] a Remo e aos que lhe haviam criado [ Fáustulo e outros que também morreram na dissensão ] e seguiu com a fundação da cidade, fazendo vir da Etruria ou Tirrenia certos varões que com ritos e cerimônias distintos, faziam e ensinavam a fazer cada coisa a maneira de uma iniciação. Porque no que agora chamam Comicio se abriu uma cova circular e nela se jogaram primícias de todas as coisa que pela lei nos servem de proveito ou que por natureza usamos e necessitamos ; e da terra de onde veio, cada um colheu e trouxe um punhado e a jogou também ali, como para mesclá-las. Dão a esta cova o mesmo nome que ao céu, chamando-a 'mundo'.
Depois ( o quê são os outros ritos ) com um círculo descrevem desde seu centro a cidade e o fundador colocando no arado uma relha de bronze e unindo duas reses de boi, macho e fêmea, por si mesmo as leva e abre pelas linhas descritas um sulco profundo, ficando ao cuidado dos que o acompanham ir recolhendo para dentro os torrões que se levantam, sem deixar que nenhum salte para fora. Para a parte de fora desta linha fabricam um muro, devido ao qual por síncope, chamam pomerio, como promerio ou antes do muro. Onde querem que se faça uma porta, tiram a relha e levantando o arado, fazem uma pausa ; assim os romanos têm por sagrado todo o muro a exceção das portas porque se estas se reputassem sagradas, seria sacrilégio introduzir e tirar por elas muitas coisas sejam necessárias ou sujas.”

Os ritos e cerimônias distintos que os varões da Etruria / Tirrenia trouxeram” são os ritos védicos de fundação dos altares de fogo Garhapatya e Ahavaniya ; segue a descrição de suas construções em Satapatha Brahmana VII,1,1,8s e VII,2,2,9s respectivamente, como no texto de Plutarco acima :

Ele cobre todo o Garhapatya circular com terra, solo salgado, areia, pois o altar Garhapatya é o útero e o solo salino o âmnio ( membrana do útero ); cobre portanto todo o útero com âmnio. Joga-se assim terra para impedí-lo de estragar ... E novamente joga-se areia – areia não é outra coisa que semente de Agni que está sendo construído ... pois o altar Garhapatya é o útero e a terra semente : e se preenche todo o útero com semente ... é circular pois o útero é circular e além do mais o Garhapatya é este mundo terrestre e este mundo sem dúvida é circular.

Arou-se então – arar significando comida ... na direita ( sul ) do altar de fogo, arou-se um sulco para leste ... corretamente possa com sorte a relha do arado levantar o chão, com sorte os lavradores aplicam-se com seus bois ! ... 10 Então na parte de trás ( arou-se um sulco ) para o norte, “Com doce ghee o sulco seja saturado ... aprovado por Todos os deuses e os Maruts que têm poder sobre a chuva ; 'cheio de seiva e abundante leite', - leite significa seiva : assim 'abundante com seiva e comida' – 'com leite, ó sulco, volte tu em nossa direção !” ... 11 Então na esquerda( norte) ( arou-se um sulco ) para leste, “ A relha divisora do arado – isto é, o arado abundante em riqueza” - propício, oferecendo amostra para o copo de Soma – pois Soma é comida - “jogou para cima vaca, ovelha, a esposa gostosa, o vagão com rápidas rodas” , pois tudo isto o sulco produz, joga para cima. 12 Então na parte da frente ( arou um sulco ) sul ... “Ordenhe Ó vaca da abundância, os desejos de Mitra e Varuna, de Indra, dos Asvins, de Pushan, das criaturas e plantas ! Lavoura é ( benéfico ) para todas as deidades : portanto, “Ordenhe para todas estas deidades seus desejos !”

Georges Dumèzil assinalou esta identidade cultural oriente ocidente em 'Aedes rotunda vestae' in Rituels Indo-Européens à Rome, Paris, Klincksieck, 1954 na página 33 :

Aqui e lá, o fogo perpetual, o “fogo reservatório” destinado não a receber ofertas mas a materializar -se por uma lareira ( vestíbulo, é do fogo de Vesta que se fala, foyer ) a morada legítima de uma pessoa ou de um grupo de pessoas sobre um ponto de terra, requer um contorno redondo ; ao contrário o fogo sacrifical e em Roma o santuário onde o fogo era o móvel essencial, como nos 'templa' político-religiosos, quer dizer os lugares onde um comércio ativo e preciso deve se estabelecer entre os homens e os deuses, requer um contorno quadrangular,orientado leste oeste ; além do que no caso arcaico da urbs quadrata, este quadrado é traçado – fulcros, sulcos, abertos por um arado e uma trelagem – da mesma maneira que os da ahavaniya e com eles, em seu centro comporta uma embocadura mística colocando o visível em comunicação como o invisível.
Não creio que os etnógrafos tenham em algum lugar assinalado uma articulação análoga de estruturas antitéticas.”

Estas “estruturas antitéticas” seria a quadratura do círculo propriamente dita. O fogo do ritual saía do templo redondo de Vesta e dirigia-se aos outros templos para o ritual de cada um, dos diversos deuses. A cidade tem um centro e quatro cantos, quatro portas, distintas nos nomes dos deuses e que sim distinguem-se já pelas castas, ordens, classes, estados, tradicionais. O conjunto todo tem vida, respira, sendo os templos quadrados, olhos, ouvidos, cabeça e o redondo no centro útero com as sementes de todos da cidade templo unidos em Com- ( seja com-ício, con-sílio ou con-junto ). Em Satapatha Brahmana II, 2,18 é dito “Os fogos sacrificais certamente são estes sopros o ahavaniya e o garhapatya são o ex-pirar e o ins-pirar e o anvaharya pakana é o trans-pirar” ( este último é o transporte do centro ao templo ).

Os gestos com as mãos nas duas construções, na primeira atirando, jogando, sementes e terra e na segunda retirando, tirando, os torrões que saem para cima, a riqueza mesma, aproximam as duas culturas, romana e indiana com uma origem indoeuropeia comum. A transmissão da Tradição através de imagens parece existir desde sempre uma vez que se repete em Plutarco. Obviamente estes fogos são estabelecidos espiritualmente dentro do mais íntimo d'alma. ]