domingo, 21 de março de 2010

401 Buddha e o engolidor de espadas

401

A boa espada de Dasanna...etc.” - O Mestre contou esta, quando vivia em Jetavana, relativa à tentação de um Irmão por sua esposa de quando ainda era leigo. O Irmão confessou ser relapso por esta razão. O Mestre disse, “Aquela mulher te machuca : antes também estavas morrendo de uma doença mental devido a ela e ganhaste vida através de sábios,” e então ele contou um conto(a) antigo.


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Certa vez quando o grande rei Maddava reinava em Benares, o Bodhisatva nasceu em uma residência brahmin. Eles o batizaram como jovem Senaka. Quando cresceu, aprendeu todas as ciências em Takkasilā ( Taxila ) e voltando a Benares tornou-se conselheiro do rei Maddava nas coisas temporais e espirituais e sendo chamado sábio Senaka era admirado em toda a cidade como o sol ou a lua. O filho do capelão real veio e esperava pelo rei e vendo a rainha principal adornada com todos seus adornos e extremamente bonita, ficou apaixonado e quando foi para casa deitou sem se alimentar. Seus companheiros o perguntaram e ele contou qual era o problema. O rei disse, “O filho do capelão da casa não apareceu, por quê isto ?” Quando ele escutou a causa, mandou chamá-lo e disse, “Dou ela para você por uma semana e no oitavo dia mande-a de volta.” Ele disse, “Muito bem,” e levando-a para a casa dele deliciava-se com ela. Ficaram apaixonados um pelo outro e guardando segredo fugiram pela porta da frente e foram para o território de outro rei. Ninguém sabia o lugar para onde foram e seu caminho foi como de barco no mar. O rei fez proclamas com tambor ao redor da cidade e apesar de buscar em muitos lugares não achou o lugar para onde ela foi. Então grande tristeza por perdê-la abateu-se sobre ele : seu coração ficou em febre e cuspia sangue : depois sangue passou a sair de suas entranhas e a doença tornou-se grande. Os grandes médicos reais não podiam curá-lo. O Bodhisatva pensou, “A doença não está no rei, ele é tocado por um distúrbio mental por não ver sua rainha : o curarei através de certos meios” ; e então instruiu os sábios conselheiros do rei, chamados Ayura e Pukkusa, dizendo, “O rei não está doente, apenas com um distúrbio mental por não ver sua esposa : bem, ele nos é de grande valia e nós o curaremos através de certos meios : reuniremos pessoas no jardim real e faremos um homem que saiba como fazer, engolir uma espada : colocaremos o rei numa janela e o faremos olhar para baixo para o grupamento de gente : o rei vendo o homem engulir uma espada perguntará, 'Há algo mais difícil do que isto ?'. Então, caro Ayura, deves responder, 'É mais difícil dizer 'Desisto disto e disto' “ ; então ele perguntará para você, caro Pukkusa e você deve responder, “Ó rei, se um homem diz, 'Desisto disto e disto' e não desiste, sua palavra é sem fruto, ninguém vive ou alimenta-se ou bebe com tais palavras ; mas aqueles que fazem de acordo com tais palavras e desiste, entregando a coisa de acordo com a promessa, faz uma coisa mais difícil do que o outro : depois eu descobrirei o que fazer em seguida.” Então ele aglomerou pessoas. Os três sábios em seguida foram e falaram ao rei, dizendo, “Ó grande rei, há uma aglomeração no jardim do palácio ; homens que olham-na embaixo, tranformam tristeza em alegria, vamos até lá.” E assim levaram o rei abriram uma janela e o fizeram olhar para baixo para a reunião de pessoas. Muitas apresentavam suas próprias artes que ele já conhecia : e um homem estava engolindo uma pesada espada de trinta e três polegadas e afiada no gume. O rei vendo-o pensou, “Este homem está engolindo a espada, perguntarei aos sábios se há algo mais difícil do que isto” : e assim questionou Ayura, falando a primeira estrofe ( Dasanna é um reino na Índia central, aparentemente uma sede da arte de fazer espadas) :-


A boa espada de Dasanna sedenta de sangue, de gume afiado :

Ainda assim no meio da multidão ele a engole : façanha mais difícil não há :

Questiono se algo é mais difícil comparado a isto ; prego, me responda.


Então o outro falou a segunda estrofe em resposta :-


Cobiça podem levar um homem a engolir espadas apesar do gume afiado :

Mas dizer, 'Entrego isto de graça,” isto uma façanha mais difícil seria ;

Todas as outras coisas são fáceis ; rei de Magadha, te respondi.


Quando o rei escutou as palavras do sábio Ayura, ele pensou, “Então é mais difícil dizer, 'Entrego esta coisa,' do que engolir uma espada : eu disse, 'Entrego minha rainha para o filho do capelão' : fiz uma coisa muito difícil “ : e assim seu sofrimento no coração tornou-se um pouco mais leve. Então pensando, “Haveria algo mais difícil do que dizer, 'Entrego esta coisa para outro' ? “ ele falou com o sábio Pukkusa dizendo a terceira estrofe :-


Ayura resolveu minha questão, sábio em toda filosofia :

Pukkusa questiono agora, se existe façanha mais difícil :

Há algo que dificilmente se compara com isto ? Prego, me responda.


O sábio Pukkusa respondendo-o falou a quarta estrofe :-


Não vivem os homens por palavras, nem por linguagem ditas infrutiferamente :

Mas ofertar e não se arrepender, isto uma façanha maior seria :

Todas as outras coisas são fáceis ; rei de Magadha, te respondi.


O rei, escutando isto, considerou, “Eu primeiro disse, 'Darei a rainha ao filho do capelão,' e depois fiz de acordo com minha palavra e a ofereci: com certeza fiz uma coisa difícil” : e assim seu sofrimento tornou-se mais leve. Então veio à mente dele, “Não há ninguém mais sábio que Senaka, farei esta pergunta a ele” : e questinando-o falou a quinta estrofe :-


Pukkusa resolveu minha questão, sábio em toda filosofia :

Senaka te pergunto agora, se gesto mais difícil existe :

Há algo mais difícil comparado a isto ? Prego, me responda.


Então Senaka falou a sexta estrofe respondendo-o :-


Se um homem deve dar um presente, pequeno ou grande, em caridade

Sem arrepender-se da oferta depois : este um gesto mais difícil seria :

Todas as outras coisas são fáceis : rei de Magadha, te respondi.


O rei, escutando as palavras do Bodhisatva, refletiu : “Entreguei a rainha ao filho do capelão por conta própria : e agora não posso controlar minha mente, sofro e 'pinho' : isto não é digno de mim. Se ela me amasse não abandonaria seu reino e fugiria : o que tenho a ver com ela quando deixa de me amar e foge ?” Enquanto assim pensava então, todo seu sofrer dissipou-se e saiu como uma gota d'água numa folha de lótus. Naquele instante suas entranhas descansaram. Ele ficou bem e feliz e louvou o Bodhisatva, falando a estrofe final :-


Ayura respondeu a questão, bom Pukkusa também :

As palavras de Senaka o sábio excedeu todas as respostas.


E após este louvor deu a ele muitas riquezas na sua alegria.


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Após a lição, o Mestre declarou as Verdades e identificou o Jataka :- após as Verdades, o Irmão relapso foi estabelecido na fruição do Primeiro Caminho : - “Naquele tempo a rainha era a esposa nos tempos de leigo, o rei o Irmão relapso, Ayura era Mooggaallana, Pukkusa era Sariputra e o sábio Senaka era eu mesmo.”

Um comentário:

vilma disse...

Muito bonito, gostei mesmo. Achei interessante esta separação de doenças , do corpo e da mente.Não temos essa visão em psiquiatria. Elas se misturam todo o tempo. Falta na nossa formação a leitura destes textos antigos e de tanta sabedoria. Embora muito importantes, os medicamentos não dão conta de tudo. É preciso acrescentar formação humana desta qualidade à formação dos nossos médicos.