segunda-feira, 16 de novembro de 2015

496 Buddha e a oferta ao Dharma




                                 ( Os quatro ashramas, estágios da vida )

 496
Vi alguém válido...etc.” - Esta história o Mestre contou enquanto residia em Jetavana sobre um certo dono de casa. Ele era um crente sincero e verdadeiro e mostrava reverência continuamente ao Tathagata e à Ordem. Um dia estes pensamentos ocorreram lhe ocorreram : “Mostro reverência constantemente ao Buddha, esta joia preciosa, e à Ordem, esta joia preciosa, doando-lhes comida fina e roupas macias. Agora gostaria de honrar à joia preciosa que é a Lei ( Dharma ): mas como alguém venera a isto ?” Então ele pegou bastante guirlandas perfumadas e coisas como estas e dirigiu-se a Jetavana e saudando o Mestre, fez uma pergunta : “Meu desejo, Senhor, é de honrar a joia da Lei : como uma pessoa deve realizar isto ?”. O Mestre respondeu, “Se você deseja honrar a joia da Lei, então reverencie-se Ananda, O Tesoureiro da Lei.” “Está bem,” ele disse e prometeu fazer isto. Ele convidou o ancião para visitá-lo e o levou dia seguinte a sua casa em grande pompa e esplendor ; colocou o Ancião sobre um assento magnífico e o venerou com guirlandas perfumadas e assim por diante, deu a ele comida fina de muitos tipos, presenteou-o com tecidos de grande preço suficiente para fazer três hábitos. Pensou o Ancião, “Esta honra é devida a joia da Lei ; não condiz comigo mas sim com o Comandante da Fé.” Então a comida colocada na tigela e os tecidos, ele levou para o mosteiro e os deu para Ancião Sariputra. Ele pensou do mesmo modo, “Esta honra é devida à joia da Lei ; ela convem simplesmente e apenas ao Supremo Buddha, senhor da Lei,” e deu as coisas para o Dasabala. O Mestre não vendo ninguém acima de si mesmo, partilhou da comida, aceitou o tecido para hábitos. E os Irmãos conversavam sobre isto no Salão da Verdade : “Irmãos, tal e tal fazendeiro na intenção de honrar a Lei, fez uma oferta ao Ancião Ananda, Tesoureiro da Lei ; ele pensou consigo mesmo que não convinha e a deu ao Comandante da Fé ; e ele pensando a si mesmo não ser digno, ao Tathagata. Mas o Tathagata não vendo ninguém acima de si mesmo, entendeu ser digno dela como Senhor da Lei e comeu a comida e aceitou o tecido de roupas. Assim a oferta da comida encontrou seu senhor, indo direta para quem de direito.” O Mestre entrando perguntou-lhes o que conversavam lá sentados. Eles disseram a ele. “Irmãos,” ele disse, “esta não é a primeira vez que comida dada caiu em sucessivas etapas para o lote do de mérito ; assim aconteceu muito tempo atrás, antes dos dias de Buddha.” Com estas palavras, ele contou-lhes uma história do passado.

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Certa vez Brahmadatra reinava retamente em Benares ( Varanasi ), tendo renunciado os caminhos errados e guardado as Dez Virtudes Reais. Sendo assim sua corte de justiça tornou-se como que vazia. O rei, a guisa de achar suas próprias faltas, questionava todos, começando com aqueles que residiam a seu redor ; mas nem nos apartamentos das mulheres nem na cidade, nem nas vilas próximas, pode ele encontrar alguém que alguma falta para lhe contar ( comparar com jataka 151 ). Então decidiu tentar o campo. Então entregando o governo aos cortesãos e levando o capelão consigo, ele atravessou o reino de Kasi disfarçado ; e ainda assim não encontrou ninguém com uma falta para lhe contar.

Por fim ele chegou numa vila da fronteira e sentou num salão de fora do portão. Naquele momento um dono de casa daquela cidade, um rico de oitocentos milhões, descendo com um grande séquito para o lugar de banho, viu o rei sentado no salão, com seu corpo forte e pele de cor dourada. Ele gostou dele e entrando no salão disse, “Fiquem aqui um pouco.” Então ele foi para a sua casa e aprontou todo tipo de comida fina e retornou com seu grande cortejo carregando pratos de comidas. Naquele momento, um asceta do Himalaia chegou e sentou lá, um homem que tinha as Cinco Faculdades Transcendentes. E um Pacceka Buddha também, de uma caverna no Monte Nanda, veio e sentou lá. O dono de casa deu ao rei água para lavar suas mãos e preparou um prato de comida com todo tipo de temperos gostosos e condimentos e colocou diante do rei. Ele recebeu-o e deu-o ao capelão brahmin. O capelão pegou-o e deu-o ao asceta. O asceta andou até o pacceka Buddha em sua mão esquerda segurando o vaso de comida e na direita o pote d'água,primeiro ofereceu àgua da doação ( água derramada na mão direita ratifica alguma promessa feita ou dom concedido ) e depois colocou a comida na tigela. Ele passou a comer, sem convidar ninguém a dividir ou pedir licença. Quando a refeição estava feita , o dono de casa pensou : “ “Dei esta comida ao rei e ele ao capelão e o capelão para o asceta e o asceta para o Pacceka Budda ; o Pacceka Buddha comeu tudo sem nem pedir licença. O quê significa este modo de oferta ? Por quê o último comeu tudo sem tua licença ou com tua licença ? Vou perguntar um por um.” Então ele aproximou-se de cada um por vez e saudando-os, perguntou sua dúvida, enquanto eles respondiam :

Vi alguém válido de um trono, que de um reino veio
Para o deserto gasto, de palácios, de estrutura delicada.

Para ele gentilmente dei para comer arroz com grãos escolhidos,
Um prato de arroz cozido, belo como se derrama nas refeições.

Você recebeu a comida e a deu ao brahmin, nada comendo :
Data venia pergunto, o quê foi que fizeste ?

Meu professor, pastor, zela por deveres grandes e pequenos,
Devo dar a comida para ele, pois ele merece ela toda.

Brahmin, quem até os reis respeitam, diga por quê não comeste
O prato de arroz, cozido, belo como se derrama nas refeições ?

Você não soube o alcance do dom mas para o sábio passou o prato :
Data venia pergunto, o quê foi que fizeste ?

Mantenho esposa e família, em casa também habito,
Legislo as paixões de um rei, e sou indulgente com as minhas.

Para um sábio asceta há muito habitante dos bosques,
Ancião, praticante de ensino religioso, devo dar a comida.

Bem ao sábio magro pergunto, cuja pele mostra debaixo todas as veias,
Com unhas grandes crescidas, cabelos engrenhados, dentes e cabeça sujos :

Não cuidas da vida, Ó solitário habitante dos bosques?
Como é que este monge é melhor pessoa, a quem deste a comida ?

Escavo raízes e bulbos do mato, menta e ervas busco,
Arroz selvagem, mostarda preta pego e ponho pra secar,

Jujuba, ervas, mel, ramos de lótus, myrobolans, pedaços de refeição,
Esta é minha riqueza e estes tomo e preparo pra comer.

Cozinho, ele não cozinha : tenho riquezas, ele nada : amarro-me apertado
Às coisas do mundo mas ele é livre : a comida é dele por direito.

Pergunto ao Irmão, sentado aqui,com desejos todos dominados;
- Este prato de arroz, cozido e belo, como se derrama nas refeições,

Você o pegou e comeu com apetite sem dividir com ninguém ;
Data venia pergunto, o quê foi que fizeste ?

Não cozinho, nem faço com que cozinhem, nem destruo nem faço destruir ;
Ele sabia que não possuo riqueza, todos os erros evito.

O pote ele carregava na direita e a comida na esquerda,
Me deu o caldo que se derrama nas refeições, o prato de arroz tão bom ;

Eles têm posses, eles têm riquezas, dar é dever deles :
Quem pede a um oferente que divida, é um inimigo.

Escutando estas palavras, o dono de casa altamente deliciado repetiu as últimas duas estrofes :

Foi um feliz fado para mim ho-je que me trouxe o rei :
Nunca soube antes como ofertas frutos abundantes podem trazer.

Reis em seus reinos, brahmins em seus trabalhos, são cheios de cobiça,
Sábios catando frutos e raízes : Irmãos de erros são livres.

O Pacceka Buddha tendo discursado para ele, depois partiu para seu próprio lugar e o asceta também. E o rei, após permanecer alguns dias com ele, voltou para Benares.

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Quando o Mestre terminou este discurso ele disse : “Não é a primeira vez, Irmãos, que comida vai para aquele que merece ela, pois a mesma coisa aconteceu antes.” Então ele identificou o Jataka : “Naquele tempo o dono de casa que honrou a Lei era o dono de casa da história. Ananda era o rei, Sariputra o capelão e eu mesmo era o asceta que vivia no Himalaia.”


[ Os quatro ashramas parece ser indicado ].


   

terça-feira, 3 de novembro de 2015

495 Buddha Vidhura


           
                              ( Imagem da antiga Indraprastha, Índia )

495
O rei reto...etc.” - Esta história o Mestre contou enquanto residia em Jetavana sobre uma oferta incomparável. Isto foi explicado no Jataka 424. Escutamos que o rei enquanto fazia sua distribuição de ofertas, examinou quinhentos Irmãos com o Mestre seu chefe e ofertou aos santos mais sagrados entre eles. Então sentaram no Salão da Verdade e falando sobre a bondade dele : “Irmãos, o rei, ao ofertar a oferta incomparável, a deu nos casos de muito mérito.” O Mestre entrando, quera saber o quê sentados conversavam lá : e disseram a ele. Ele respondeu : “Não é nenhuma maravilha, Irmãos, que o Rei de Kosala, sendo um seguidor de alguém como eu, dê com discriminação. Sábios antigos, quando ainda não havia surgido Buddha, mesmo eles ofertavam com discriminação.” Com estas palavras, ele contou a eles uma história do passado.

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Certa vez, no reino Kuru na cidade de Indrapastra , reinava o rei Koravya, do tronco de Yudhisthira. Seu conselheiro nas coisas temporais e espirituais era um ministro chamado Vidhura. O rei com sua grande quantidade de ofertas, colocou toda a Índia em comoção ; mas entre todos aqueles que recebiam e partilhavam destes dons não havia ninguém que guardasse pelo menos as Cinco Virtudes : todos eram fracos para um ser humano e a oferta do rei não lhe trouxe satisfação. O rei pensou, “Grande é o fruto de ofertar discriminadamente;” e, desejoso de doar para os virtuosos, decidiu tomar conselho com o sábio Vidhura. Quando, portanto, Vidhura veio para atendê-lo o rei mandou que sentasse e colocou para ele uma questão.

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Explicando isto o Mestre recitou metade da primeira estrofe. Todo o resto é pergunta e resposta, do rei e de Vidhura.

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O reto rei Yudhisthira certa vez questionou o sábio Vidhura :

'Vidhura, ache-me bons brahmins, nos quais descanse muita sabedoria :
Homens livres de atos de maldade luxuriosa, que possam comer minha comida :
A estes ofertaria, meu amigo, para qu'eu possa colher colheita de bens.'

( Vidhura )

'É difícil encontrar tais homens santos, tais brahmins, sábios e bons,
Que se guardem sem manchas de toda a luxúria, para que possam comer tua comida.

De brahmins, Ó mais poderoso dos reis, existem dez tipos diversos :
Escute, enquanto os distinguo e todos os tipos declaro.

Alguns carregam sacos nas costas, cheios de raízes e amarrado apertado ;
Eles colhem ervas medicinais, batizam e recitam encantos mágicos.

Estes são como médicos, Ó rei, e enaltecem também aos brahmins :
Tais brahmins devemos buscar, agora que você conhece este tipo ?'

Cotejou Rei Koravya :

Estes não têm direito a tal nome : perdidos em sua brahmidade :
Vidhura encontre-me outro tipo que seja sábio e bom,

Pessoas livres de atos de maldade luxuriosa, que possam comer minha comida :
A estes ofertaria, para qu'eu mesmo possa colher colheita de bens.

( Vidhura )

'Alguns carregam sinos e seguem adiante e enquanto vão, tocam,
Uma carruagem podem dirigir com habilidade e mensagens trazer :

Estes são como empregados, poderoso rei, e aos brahmins também enaltecem :
Tais brahmins devemos buscar, agora que você conhece este tipo ?'

Cotejou Rei Koravya :

Estes não têm direito a tal nome : perdidos em sua brahmidez :
Vidhura, encontre-me outro tipo que seja sábio e bom,

Pessoas livres de atos de maldade luxuriosa, que possam comer minha comida :
A estes ofertaria, para qu'eu mesmo possa colher colheita de bens.

( Vidhura )

'Com moringa e cajado quebrado, alguns correm para encontrar o rei,
Através de todas as cidades e vilas e enquanto seguem, cantam -
'Na cidade ou no campo nunca nos arredamos, até que um brinde você traga !'

Qual coletores de impostos estes importunam e enaltecem também aos brahmins
Tais brahmins devemos buscar, agora que você conhece este tipo ?'

Cotejou Rei Koravya :

Estes não têm direito a tal nome : perdidos em sua brahmitude :
Vidhura, encontre-me outro tipo que seja sábio e bom,

Pessoas livres de atos de maldade luxuriosa, que possam comer minha comida :
A estes ofertaria, para qu'eu mesmo possa colher colheita de bens.

( Vidhura )

'Alguns com longas unhas e membros peludos, dentes sujos, e cabelos em tranças,
Cobertos de poeira, enfarruscados de sujeira quais mendicantes vagam :

Cortadores de lenha, Ó poderoso rei ! E enaltecem aos brahmins também :
Tais brahmins devemos buscar, agora que você conhece este tipo ?'

Cotejou Rei Koravya :

Estes não têm direito a tal nome : perdidos em sua brahmidade :
Vidhura, encontre-me outro tipo que seja sábio e bom,

Pessoas livres de atos de maldade luxuriosa, que possam comer minha comida :
A estes ofertaria, para qu'eu mesmo possa colher colheita de bens.

( Vidhura )

'Myrobolan, marmelo, jambo, mangas maduras,
Fruta labuj e tábuas de madeira, escova de dentes e cachimbo,

Cestos de cana de açúcar, doce mel e unguento também, Ó rei,
Negociam com tudo isto e muitas outras coisas.

Estes são como mercadores, Ó grande rei, e enaltecem também aos brahmins :
Tais brahmins devemos buscar,agora que você conhece este tipo ?'

Cotejou Rei Koravya :

Estes não têm direito a tal nome : perdidos em sua brahmitude :
Vidhura, encontre-me outro tipo que seja sábio e bom,

Pessoas livres de atos de maldade luxuriosa, que possam comer minha comida :
A estes ofertaria, para qu'eu mesmo possa colher colheita de bens.

( Vidhura )

'Alguns seguem comércio e vida doméstica, guardam rebanho de cabras em curral,
Casam e dão em casamento e vendem suas filhas por ouro.

Como Vessa ( vaiça ) e Ambattha estes ; e enaltecem também aos brahmins :
Tais brahmins devemos buscar, agora que você conhece este tipo ?'

Cotejou Rei Koravya :

Estes não têm direito a tal nome : perdidos em sua brahmidade :
Vidhura, encontre-me outro tipo que seja sábio e bom,

Pessoas livres de atos de maldade luxuriosa, que possam comer minha comida :
A estes ofertaria, para qu'eu mesmo possa colher colheita de bens.

( Vidhura )

'Alguns capelãos leem a sorte ou castram e marcam uma besta em troca de pagamento :
Com apresentação de comida o Povo da cidade os convida frequentemente para ficar.
Então gado e bezerros, porcos e cabras são abatidos muitos num dia.

Como açougueiros estes são grosseiros, Ó rei e aos brahmins também enaltecem :
Tais brahmins devemos buscar, agora que você conhece este tipo ?'

Cotejou Rei Koravya :

Estes não têm direito a tal nome : perdidos em sua brahmidez :
Vidhura, encontre-me outro tipo que seja sábio e bom,

Pessoas livres de atos de maldade luxuriosa, que possam comer minha comida :
A estes ofertaria, para qu'eu mesmo possa colher colheita de bens.

( Vidhura )

'Alguns brahmins armados de espadas e escudos, com machado de guerra na mão,
Prontos para guiar uma caravana, permanecem à frente dos mercadores.

Como vaqueiros estes, ou bandidos atrevidos, ainda assim enaltecem também aos brahmins :
Tais brahmins devemos buscar, agora que você conhece este tipo ?'

Cotejou Rei Koravya :

Estes não têm direito a tal nome : perdidos em sua brahmitude :
Vidhura, encontre-me outro tipo que seja sábio e bom,

Pessoas livres de atos de maldade luxuriosa, que possam comer minha comida :
A estes ofertaria, para qu'eu mesmo possa colher colheita de bens.

( Vidhura )

'Alguns constrõem cabanas e colocam armadilhas em qualquer floresta,
Apanham peixes e tartarugas, a lebre, caçam gato e lagarto.

Caçadores são estes, Ó poderoso rei, e aos brahmins também enaltecem :
Tais brahmins devemos buscar, agora que você conhece este tipo ?'

Cotejou Rei Koravya :

Estes não têm direito a tal nome : perdidos em sua brahmitude :
Vidhura, encontre-me outro tipo que seja sábio e bom,

Pessoas livres de atos de maldade luxuriosa, que possam comer minha comida :
A estes ofertaria, para qu'eu mesmo possa colher colheita de bens.

( Vidhura )

'Outros por amor à riqueza dormem debaixo da cama real,
No sacrifício de Soma : os reis banham-se acima de suas cabeças. 

[ n. do tr. : após uma oferta de Soma,o costume era o rei banhar-se em um leito esplêndido. Um brahmin deita debaixo e àgua benta, lava os pecados do rei, levando-os para o brahmin, que recebe a cama e seus ornamentos como recompensa de bancar o bode expiatório. Fick, Sociale Gliederung,p.143, nota, quotejando Oldenberg, Religion des Veda, pp. 407 ss. ]

Estes são como barbeiros ? Ó grande rei, e aos brahmins também enaltecem :
Tais brahmins devemos buscar, agora que você conhece este tipo ?'

Cotejou Rei Koravya :

Estes não têm direito a tal nome : perdidos em sua brahmitude :
Vidhura, encontre-me outro tipo que seja sábio e bom,

Pessoas livres de atos de maldade luxuriosa, que possam comer minha comida :
A estes ofertaria, para qu'eu mesmo possa colher colheita de bens.

Assim tendo Vidhura descrito aqueles que são brahmins no nome apenas, ele seguiu descrevendo os brahmins no sentido mais elevado com as seguintes duas estrofes :

Mas existem brahmins, também, meu senhor, pessoas muito sábias e boas,
Livres dos atos de maldade luxuriosa, para comer tua comida oferecida.

Comem apenas uma refeição de arroz : nunca tocam bebida forte :
E agora que conheces bem este tipo, diga, devemos buscá-los ?

Quando o rei escutou estas palavras, ele perguntou “Onde, amigo Vidhura, onde habitam estes brahmins, merecedores das melhores coisas ?” “No distante Himalaia, Ó rei, na caverna do Monte Nanda.” “Então, sábio senhor, traga-me estes brahmins aqui, através do seu poder.” Então em grande alegria o rei recitou esta estrofe :

Vidhura, traga aqueles brahmins aqui, tão santos e tão sábios,
Convide-os, Ó Vidhura, aqui, que nada se atrase !

O Grande Ser concordou em fazer como a ele foi pedido, adicionando isto : “Agora, Ó rei !, mande o tambor tocar ao redor da cidade, que a cidade deve ser adornada gloriosamente e todas as pessoas dela devem fazer ofertas e guardar os votos de dia santo e empenharem-se na virtude ; e você com toda tua corte deve guardar os votos de dia santo.” Ele mesmo, cedo, aurora, tendo feito sua refeição e tomado os votos de dia santo, ao entardecer pediu uma cesta de jasmim e junto com o monarca fez uma saudação em prostração completa, e chamou à memória as virtudes dos Pacceka Buddhas pronunciando estas palavras : “Que os quinhentos Pacceka Buddhas que habitam o Himalaia Norte, na caverna do Monte Nanda , a-manhã partilhem de nossa comida !” e jogou oito mãos cheias de flores nos ares. Imediatamente as flores caíram sobre os quinhentos Pacceka Buddhas, no lugar onde eles moravam. Eles ponderaram e entenderam o fato e aceitaram o convite dizendo, “Reverendos Senhores, somos convidados pelo sábio Vidhura e ele não é criatura insignificante : ele tem a semente de um Buddha dentro dele e neste mesmo ciclo ele será um Buddha. Vamos mostrá-lo nosso apoio.” O Grande Ser entendeu que eles consentiram pelo sinal de que as flores não retornaram. Então ele disse, “Ó grande rei ! A-manhã os Pacceka Buddhas virão ; honre e venere-os.” Dia seguinte o rei fez a eles grande honra preparando preciosos assentos em cima de um estrado. Os Pacceka Buddhas, no Lago Anotatta, tendo esperado o tempo da necessidade de seuscorpos, viajaram pelos ares e desceram no jardim real. O rei eo Bodhisatva, com fé nos corações, receberam as tigelas das mãos deles e os fizeram subir ao terraço, sentar e deram-lhes àgua da doação nas mãos [ n. do tr. : água derramada namão direita ratificando alguma promessa ou dom ofertado ] e os serviram com a mais deliciosa comida sólida e macia.

Após a refeição, ele os convidou para o dia seguinte e assim seguiu por sete dias, presenteando-os com muitos dons e no sétimo dia deu a eles todos os requisitos. Então eles agradeceram e passando através dos ares retornaram para o mesmo lugar e os requisitos também foram com eles ( aceitaram os presentes ).

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O Mestre, após terminar este discurso, disse : “Nenhuma maravilha, Irmãos, que o rei de Kosala sendo meu seguidor, oferte a oferta incomparável, pois sábios antigos quando não havia Buddha ainda,fizeram o mesmo.” Então ele identificou o Jataka : “Naquele tempo Ananda era o rei e o sábio Vidhura era eu mesmo.”



[ O rei Yudhisthira e a cidade de Indraprastha se remetem diretamente ao Mahabharata, assim como o nome de Vidhura mesmo, irmão de Dhrtharastra o rei cego, que fica do lado dos Pandavas e se mostrará a encarnação de Dharma como o próprio Yudhisthira, o que novamente aproxima buddhismo e hinduísmo ].


   

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

494 Buddha Rei Sadhina





                                              ( Vesali, Vaisali, Stupa, Índia  )



494
Uma maravilha no mundo foi vista...”. - Esta história o Mestre contou enquanto residia em Jetavana sobre Irmãos leigos que fizeram votos de jejum. Naquela ocasião o Mestre disse : “Irmãos Leigos, sábios antigos, em virtude de guardarem votos de jejum, foram com o corpo para o céu e lá habitaram por um longo tempo.” Então com o pedido deles, ele contou uma história do passado.

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Certa vez houve um Rei Sadhina em Mithila, que reinava em retidão. Nos quatro portões da cidade e no meio dela, e na porta mesma do seu palácio, erigiu seis salões de dons, presentes, ofertas, e com sua bondade causou um grande alvoroço por toda a Índia. Diariamente seiscentos mil peças eram doadas em caridade : ele guardou as Cinco Virtudes, observou os votos de jejum ; e as pessoas da cidade também seguindo seus conselhos, fizeram ofertas e obras boas e quando eles morreram, foram viver todos juntos na cidade dos deuses.

Os príncipes do céu, sentados em pleno conclave na sala de justiça de Sakra, louvaram a vida virtuosa e caridosa de Sadhina. O relato sobre ele fez todos os outros deuses desejarem vê-lo. Sakra, rei dos deuses, percebendo a mente deles, eprguntou, “Vocês querem ver Rei Sadhina ?” Eles respodneram que sim, queriam. Então ele falou a Matali, “Vá a meu palácio Vejayanta, atrele meu carro e traga Sadhina aqui.” Ele obedeceu a ordem e atrelou o carro e foi para o reino de Videha.

Era então o dia de lua cheia. Naquele momento quando o Povo já tinha compartilhado a janta e estavam sentados em suas portas tranquilos, Matali direcionou seu carro lado a lado com o disco da lua. Todo o Povo gritou, “Vejam, duas luas no céu!” Mas quando eles viram o carro passar a lua e vir na direção deles, então eles gritaram, “Não é lua mas um carro ; um filho dos deuses, parece. Para quem ele traz este veículo divino, com este time de puro sangues, criaturas da imaginação ? Não será para nosso rei ? Sim, nosso rei é um rei bom e reto !” Em sua alegria eles juntaram as mãos com reverência e de pé repetiram a primiera estrofe :

Uma maravilha no mundo foi vista, que fez os cabelos eriçarem :
Para o grande rei de Videha é enviado um carro dos céus !

Matali aproximou o carro e então enquanto o Povo venerava com flores e perfumes, dirigiu-o por três vezes ao redor da cidade no sentido horário. Depois procedeu para a porta do rei e lá permaneceu no carro parado diante da janela do oeste , fazendo um sinal de que ascenderia. Bem, naquele dia mesmo o rei inspecionava os salões de caridade e deu conselhos sobre como devia ser feita a distribuição ; o que realizado, passou a guardar os votos de jejum e assim passou o dia. Justo então ele estava sentado em um belo sofá, diante da janela leste, com seus cortesãos ao redor, discursando para eles a respeito de direito e justiça. Naquele momento Matali o convidou a entrar no carro e tendo feito isto saiu fora com ele.

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Para explicar isto, o Mestre repetiu as seguintes estrofes :

O deus mais poderoso, Matali, o auriga, trouxe
Uma convocação a Videha, quem em Mithila era rei.

Ó poderoso monarca, nobre rei, suba neste carro comigo :
Indra te verá e os deuses, os gloriosos Trinta e Três,
Agora sentam em pleno conclave, pensando em ti.

Então Rei Sadhina girou a sua face e montou no carro :
O qual com seus mil corcéis o carregou para os deuses distantes.

Os deuses contemplaram o rei chegar : e então, saudando o convidado
Gritaram,'Bem vindo poderoso monarca, a quem somos gratos em conhecer !
Ó Rei ! Ao lado do rei dos deuses pedimos tome assento.'

E Sakra recebeu Videha, o rei da cidade de Mithila,
Sim, Vasava ( Indra / Sakra ) ofereceu a ele todas as alegrias e pediu que sentasse.

'Entre os legisladores do mundo Ó bem vindo a nossa terra :
More com os deuses, Ó rei ! Que tem todos os desejos atendidos,
Goze de prazeres imortais,onde estão os Trinta e Três.'

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Sakra rei dos deuses deu a ele metade da cidade dos deuses, dez mil léguas de extensão e de vinte e cinco milhões de ninfas e do palácio de Vejayanta. E lá ele residiu por setecentos anos pela contagem humana, gozando felicidade. Mas então seu mérito exauriu-se naquele carácter celeste ; insatisfação surgiu nele e então falou a Sakra com estas palavras, repetindo a estrofe :

Alegrei-me quando primeiro vim para o céu,
Danças, canções e claras músicas :
Agora não mais sinto o mesmo.
Minha vida acabou, a morte se aproxima,
Ou é a loucura, rei, que devo temer ?

Então Sakra disse a ele :

Tua vida não acabou e morte está longe,
Nem és doido, poderoso rei :
Mas tuas boas ações estão exauridas
E agora teu mérito está todo acabado.

Permaneça morando aqui, Ó poderoso rei,sob minha divina atenção;
Goze de prazeres imortais,onde estão os Trinta e Três.

[ n. do tr. : o Escoliasta explica : “Te darei metade do meu mérito, portanto permaneça aqui sob meu poder.” ]

Mas o Grande Ser recusou e disse a ele :

Como quando um carro ou bens são dados em demanda,
Do mesmo modo é gozar de benção dada pelas mãos de outro.

Não quero bençãos recebidas pelas mãos de outro,
Meus bens são meus quando permaneço nos meus atos apenas.

Irei e farei muita caridade às pessoas, darei ofertas por toda a terra,
Seguirão virtude, exercício de controle e auto domínio :
Aquele que age assim é feliz e não teme remorso nas mãos.

Escutando isto, Sakra então deu ordens a Matali : “Vá agora, transporte Rei Sadhina para Mithila e coloque-o em seu próprio parque.“ Ele fez isto. O rei andava daqui para lá no parque ; o guardião do parque espreitou-o e após perguntá-lo quem ele era, foi até o Rei Narada com as novidades. Quando ele escutou sobre a chegada do rei, enviou o guardião com estas palavras : “Você vá antes e prepare dois assentos, um para ele e um para mim.” Ele fez isto. Então o rei questionou-o, “Para quem você prepara estes dois assentos ?” Ele respondeu, “Um para você, e um para nosso rei'. Então o rei disse, “Quaoutro ser sentará em minha presença ?” ele sentou em um assento e colocou os pés no outro. Rei Narada chegou e tendo saudado seus pés sentou em um lado : agora, é dito que ele era o sétimo em descendência direta do rei e naquele tempo a idade humana era cem anos. Tal era o tempo que o Grande Ser gastou, pelo poder de sua bondade. Ele tomou Narada pelas duas mãos e subindo e descendo pela mansão, recitou três estrofes :

Aqui estão as terras, os canais ao redor nos quais àgua corre,
A grama verde vestindo tudo, os riachos que fluem,

Os lagos aprazíves, que escutam os gansos dourados chamarem,
Onde lótus branca e azul crescem e árvores quais corais,
- Mas aqueles que amavam este lugar comigo, Ó diga, onde eles estão ?

São estas terras, este lugar,
A mansão e os campos estão aqui :
Mas não vejo nenhum rosto familiar,
Me parece um deserto sombrio.

Aqui Narada disse a ele : “Meu senhor, desde que partiste para o mundo dos deuses, setecentos anos se passaram; sou o sétimo em linhagem de ti, teus ajudantes desceram todos para as mandíbulas da morte. Mas este é teu próprio domínio de direito e peço que receba-o.” O rei respondeu, “Meu querido Narada, não vim aqui para ser rei mas para fazer e bem eu farei.” Então disse como segue :

Vi mansões celestiais, brilhando em todo canto,
Os Trinta e três arcanjos e seu monarca, face a face.

Alegrias mais quehumanas senti, tinha uma casa celeste,
Com tudo que o coração pode desejar, entre os divinos Trinta e três.

Isto vi e para fazer obras virtuosas desci :
Viverei uma vida santa : não quero coroa real.

O Caminho que nunca leva ao pesar, o Caminho que os Buddhas apresentam,
Neste Caminho entro agora pelo qual o sagrado vai.

Assim falou o Grande Ser, por sua onisciência sintetizando tudo nestas três estrofes. Então Narada novamente disse a ele,
Tome o governo do reino para você” ; e ele respondeu, “Meu filho querido, não quero o reino ; mas por sete dias desejo distribuir novamente ofertas dadas durante estes setecentos anos.” Narada estava disposto e fazendo o que ele pediu, preparou uma larga quantidade para distribuição. Por sete dias o rei fez ofertas ; e no sétimo dia ele morreu e nasceu no céu dos Trinta e três.

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Quando o Mestre terminou este discurso, ele disse, “Tal é a realização de votos sagrados que se deve guardar,” e declarou as Verdades : ( bem, na conclusão das Verdades, alguns dos Irmãos leigos entraram na fruição do Primeiro Caminho e alguns do Segundo :) e ele identificou o jataka : “Naquele tempo Ananda era o Rei Narada, Anurudha era Sakra e eu mesmo era o Rei Sadhina.”




[ Cabe aqui uma nota sobre os Trinta e três e a aproximação numérica com as 33 cúrias das 3 tribos romanas – sim é a mesma cultura. A fundação de Roma um ritual védico seguido por Rômulo. A obra do grande historiador francês Georges Dumèzil trata desta aproximação que complementa-se revelando que esta unidade é geral, iraniana, germana, celta, etc, compondo o quadro de uma grande identidade védica do mundo antigo. Flamen = Brahman. Urano = Varuna ( apesar de contestarem ). Numa = Manu. A economia política neste jataka aparece novamente mostrando que a riqueza deve naturalmente ser distribuída e não acumulada como o 1% faz no atual totalitarismo financeiro – a moeda destrói a economia. Etc. ]