terça-feira, 3 de novembro de 2015

495 Buddha Vidhura


           
                              ( Imagem da antiga Indraprastha, Índia )

495
“O rei reto...etc.” - Esta história o Mestre contou enquanto residia em Jetavana sobre uma oferta incomparável. Isto foi explicado no Jataka 424. Escutamos que o rei enquanto fazia sua distribuição de ofertas, examinou quinhentos Irmãos com o Mestre seu chefe e ofertou aos santos mais sagrados entre eles. Então sentaram no Salão da Verdade e falando sobre a bondade dele : “Irmãos, o rei, ao ofertar a oferta incomparável, a deu nos casos de muito mérito.” O Mestre entrando, quera saber o quê sentados conversavam lá : e disseram a ele. Ele respondeu : “Não é nenhuma maravilha, Irmãos, que o Rei de Kosala, sendo um seguidor de alguém como eu, dê com discriminação. Sábios antigos, quando ainda não havia surgido Buddha, mesmo eles ofertavam com discriminação.” Com estas palavras, ele contou a eles uma história do passado.

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Certa vez, no reino Kuru na cidade de Indrapastra , reinava o rei Koravya, do tronco de Yudhisthira. Seu conselheiro nas coisas temporais e espirituais era um ministro chamado Vidhura. O rei com sua grande quantidade de ofertas, colocou toda a Índia em comoção ; mas entre todos aqueles que recebiam e partilhavam destes dons não havia ninguém que guardasse pelo menos as Cinco Virtudes : todos eram fracos para um ser humano e a oferta do rei não lhe trouxe satisfação. O rei pensou, “Grande é o fruto de ofertar discriminadamente;” e, desejoso de doar para os virtuosos, decidiu tomar conselho com o sábio Vidhura. Quando, portanto, Vidhura veio para atendê-lo o rei mandou que sentasse e colocou para ele uma questão.

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Explicando isto o Mestre recitou metade da primeira estrofe. Todo o resto é pergunta e resposta, do rei e de Vidhura.

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O reto rei Yudhisthira certa vez questionou o sábio Vidhura :

'Vidhura, ache-me bons brahmins, nos quais descanse muita sabedoria :
Homens livres de atos de maldade luxuriosa, que possam comer minha comida :
A estes ofertaria, meu amigo, para qu'eu possa colher colheita de bens.'

( Vidhura )

'É difícil encontrar tais homens santos, tais brahmins, sábios e bons,
Que se guardem sem manchas de toda a luxúria, para que possam comer tua comida.

De brahmins, Ó mais poderoso dos reis, existem dez tipos diversos :
Escute, enquanto os distinguo e todos os tipos declaro.

Alguns carregam sacos nas costas, cheios de raízes e amarrado apertado ;
Eles colhem ervas medicinais, batizam e recitam encantos mágicos.

Estes são como médicos, Ó rei, e enaltecem também aos brahmins :
Tais brahmins devemos buscar, agora que você conhece este tipo ?'

Cotejou Rei Koravya :

Estes não têm direito a tal nome : perdidos em sua brahmidade :
Vidhura encontre-me outro tipo que seja sábio e bom,

Pessoas livres de atos de maldade luxuriosa, que possam comer minha comida :
A estes ofertaria, para qu'eu mesmo possa colher colheita de bens.

( Vidhura )

'Alguns carregam sinos e seguem adiante e enquanto vão, tocam,
Uma carruagem podem dirigir com habilidade e mensagens trazer :

Estes são como empregados, poderoso rei, e aos brahmins também enaltecem :
Tais brahmins devemos buscar, agora que você conhece este tipo ?'

Cotejou Rei Koravya :

Estes não têm direito a tal nome : perdidos em sua brahmidez :
Vidhura, encontre-me outro tipo que seja sábio e bom,

Pessoas livres de atos de maldade luxuriosa, que possam comer minha comida :
A estes ofertaria, para qu'eu mesmo possa colher colheita de bens.

( Vidhura )

'Com moringa e cajado quebrado, alguns correm para encontrar o rei,
Através de todas as cidades e vilas e enquanto seguem, cantam -
'Na cidade ou no campo nunca nos arredamos, até que um brinde você traga !'

Qual coletores de impostos estes importunam e enaltecem também aos brahmins
Tais brahmins devemos buscar, agora que você conhece este tipo ?'

Cotejou Rei Koravya :

Estes não têm direito a tal nome : perdidos em sua brahmitude :
Vidhura, encontre-me outro tipo que seja sábio e bom,

Pessoas livres de atos de maldade luxuriosa, que possam comer minha comida :
A estes ofertaria, para qu'eu mesmo possa colher colheita de bens.

( Vidhura )

'Alguns com longas unhas e membros peludos, dentes sujos, e cabelos em tranças,
Cobertos de poeira, enfarruscados de sujeira quais mendicantes vagam :

Cortadores de lenha, Ó poderoso rei ! E enaltecem aos brahmins também :
Tais brahmins devemos buscar, agora que você conhece este tipo ?'

Cotejou Rei Koravya :

Estes não têm direito a tal nome : perdidos em sua brahmidade :
Vidhura, encontre-me outro tipo que seja sábio e bom,

Pessoas livres de atos de maldade luxuriosa, que possam comer minha comida :
A estes ofertaria, para qu'eu mesmo possa colher colheita de bens.

( Vidhura )

'Myrobolan, marmelo, jambo, mangas maduras,
Fruta labuj e tábuas de madeira, escova de dentes e cachimbo,

Cestos de cana de açúcar, doce mel e unguento também, Ó rei,
Negociam com tudo isto e muitas outras coisas.

Estes são como mercadores, Ó grande rei, e enaltecem também aos brahmins :
Tais brahmins devemos buscar,agora que você conhece este tipo ?'

Cotejou Rei Koravya :

Estes não têm direito a tal nome : perdidos em sua brahmitude :
Vidhura, encontre-me outro tipo que seja sábio e bom,

Pessoas livres de atos de maldade luxuriosa, que possam comer minha comida :
A estes ofertaria, para qu'eu mesmo possa colher colheita de bens.

( Vidhura )

'Alguns seguem comércio e vida doméstica, guardam rebanho de cabras em curral,
Casam e dão em casamento e vendem suas filhas por ouro.

Como Vessa ( vaiça ) e Ambattha estes ; e enaltecem também aos brahmins :
Tais brahmins devemos buscar, agora que você conhece este tipo ?'

Cotejou Rei Koravya :

Estes não têm direito a tal nome : perdidos em sua brahmidade :
Vidhura, encontre-me outro tipo que seja sábio e bom,

Pessoas livres de atos de maldade luxuriosa, que possam comer minha comida :
A estes ofertaria, para qu'eu mesmo possa colher colheita de bens.

( Vidhura )

'Alguns capelãos leem a sorte ou castram e marcam uma besta em troca de pagamento :
Com apresentação de comida o Povo da cidade os convida frequentemente para ficar.
Então gado e bezerros, porcos e cabras são abatidos muitos num dia.

Como açougueiros estes são grosseiros, Ó rei e aos brahmins também enaltecem :
Tais brahmins devemos buscar, agora que você conhece este tipo ?'

Cotejou Rei Koravya :

Estes não têm direito a tal nome : perdidos em sua brahmidez :
Vidhura, encontre-me outro tipo que seja sábio e bom,

Pessoas livres de atos de maldade luxuriosa, que possam comer minha comida :
A estes ofertaria, para qu'eu mesmo possa colher colheita de bens.

( Vidhura )

'Alguns brahmins armados de espadas e escudos, com machado de guerra na mão,
Prontos para guiar uma caravana, permanecem à frente dos mercadores.

Como vaqueiros estes, ou bandidos atrevidos, ainda assim enaltecem também aos brahmins :
Tais brahmins devemos buscar, agora que você conhece este tipo ?'

Cotejou Rei Koravya :

Estes não têm direito a tal nome : perdidos em sua brahmitude :
Vidhura, encontre-me outro tipo que seja sábio e bom,

Pessoas livres de atos de maldade luxuriosa, que possam comer minha comida :
A estes ofertaria, para qu'eu mesmo possa colher colheita de bens.

( Vidhura )

'Alguns constrõem cabanas e colocam armadilhas em qualquer floresta,
Apanham peixes e tartarugas, a lebre, caçam gato e lagarto.

Caçadores são estes, Ó poderoso rei, e aos brahmins também enaltecem :
Tais brahmins devemos buscar, agora que você conhece este tipo ?'

Cotejou Rei Koravya :

Estes não têm direito a tal nome : perdidos em sua brahmitude :
Vidhura, encontre-me outro tipo que seja sábio e bom,

Pessoas livres de atos de maldade luxuriosa, que possam comer minha comida :
A estes ofertaria, para qu'eu mesmo possa colher colheita de bens.

( Vidhura )

'Outros por amor à riqueza dormem debaixo da cama real,
No sacrifício de Soma : os reis banham-se acima de suas cabeças. 

[ n. do tr. : após uma oferta de Soma,o costume era o rei banhar-se em um leito esplêndido. Um brahmin deita debaixo e àgua benta, lava os pecados do rei, levando-os para o brahmin, que recebe a cama e seus ornamentos como recompensa de bancar o bode expiatório. Fick, Sociale Gliederung,p.143, nota, quotejando Oldenberg, Religion des Veda, pp. 407 ss. ]

Estes são como barbeiros ? Ó grande rei, e aos brahmins também enaltecem :
Tais brahmins devemos buscar, agora que você conhece este tipo ?'

Cotejou Rei Koravya :

Estes não têm direito a tal nome : perdidos em sua brahmitude :
Vidhura, encontre-me outro tipo que seja sábio e bom,

Pessoas livres de atos de maldade luxuriosa, que possam comer minha comida :
A estes ofertaria, para qu'eu mesmo possa colher colheita de bens.

Assim tendo Vidhura descrito aqueles que são brahmins no nome apenas, ele seguiu descrevendo os brahmins no sentido mais elevado com as seguintes duas estrofes :

Mas existem brahmins, também, meu senhor, pessoas muito sábias e boas,
Livres dos atos de maldade luxuriosa, para comer tua comida oferecida.

Comem apenas uma refeição de arroz : nunca tocam bebida forte :
E agora que conheces bem este tipo, diga, devemos buscá-los ?

Quando o rei escutou estas palavras, ele perguntou “Onde, amigo Vidhura, onde habitam estes brahmins, merecedores das melhores coisas ?” “No distante Himalaia, Ó rei, na caverna do Monte Nanda.” “Então, sábio senhor, traga-me estes brahmins aqui, através do seu poder.” Então em grande alegria o rei recitou esta estrofe :

Vidhura, traga aqueles brahmins aqui, tão santos e tão sábios,
Convide-os, Ó Vidhura, aqui, que nada se atrase !

O Grande Ser concordou em fazer como a ele foi pedido, adicionando isto : “Agora, Ó rei !, mande o tambor tocar ao redor da cidade, que a cidade deve ser adornada gloriosamente e todas as pessoas dela devem fazer ofertas e guardar os votos de dia santo e empenharem-se na virtude ; e você com toda tua corte deve guardar os votos de dia santo.” Ele mesmo, cedo, aurora, tendo feito sua refeição e tomado os votos de dia santo, ao entardecer pediu uma cesta de jasmim e junto com o monarca fez uma saudação em prostração completa, e chamou à memória as virtudes dos Pacceka Buddhas pronunciando estas palavras : “Que os quinhentos Pacceka Buddhas que habitam o Himalaia Norte, na caverna do Monte Nanda , a-manhã partilhem de nossa comida !” e jogou oito mãos cheias de flores nos ares. Imediatamente as flores caíram sobre os quinhentos Pacceka Buddhas, no lugar onde eles moravam. Eles ponderaram e entenderam o fato e aceitaram o convite dizendo, “Reverendos Senhores, somos convidados pelo sábio Vidhura e ele não é criatura insignificante : ele tem a semente de um Buddha dentro dele e neste mesmo ciclo ele será um Buddha. Vamos mostrá-lo nosso apoio.” O Grande Ser entendeu que eles consentiram pelo sinal de que as flores não retornaram. Então ele disse, “Ó grande rei ! A-manhã os Pacceka Buddhas virão ; honre e venere-os.” Dia seguinte o rei fez a eles grande honra preparando preciosos assentos em cima de um estrado. Os Pacceka Buddhas, no Lago Anotatta, tendo esperado o tempo da necessidade de seuscorpos, viajaram pelos ares e desceram no jardim real. O rei eo Bodhisatva, com fé nos corações, receberam as tigelas das mãos deles e os fizeram subir ao terraço, sentar e deram-lhes àgua da doação nas mãos [ n. do tr. : água derramada namão direita ratificando alguma promessa ou dom ofertado ] e os serviram com a mais deliciosa comida sólida e macia.

Após a refeição, ele os convidou para o dia seguinte e assim seguiu por sete dias, presenteando-os com muitos dons e no sétimo dia deu a eles todos os requisitos. Então eles agradeceram e passando através dos ares retornaram para o mesmo lugar e os requisitos também foram com eles ( aceitaram os presentes ).

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O Mestre, após terminar este discurso, disse : “Nenhuma maravilha, Irmãos, que o rei de Kosala sendo meu seguidor, oferte a oferta incomparável, pois sábios antigos quando não havia Buddha ainda,fizeram o mesmo.” Então ele identificou o Jataka : “Naquele tempo Ananda era o rei e o sábio Vidhura era eu mesmo.”



[ O rei Yudhisthira e a cidade de Indraprastha se remetem diretamente ao Mahabharata, assim como o nome de Vidhura mesmo, irmão de Dhrtharastra o rei cego, que fica do lado dos Pandavas e se mostrará a encarnação de Dharma como o próprio Yudhisthira, o que novamente aproxima buddhismo e hinduísmo ].


   

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

494 Buddha Rei Sadhina





                                              ( Vesali, Vaisali, Stupa, Índia  )



494
“Uma maravilha no mundo foi vista...”. - Esta história o Mestre contou enquanto residia em Jetavana sobre Irmãos leigos que fizeram votos de jejum. Naquela ocasião o Mestre disse : “Irmãos Leigos, sábios antigos, em virtude de guardarem votos de jejum, foram com o corpo para o céu e lá habitaram por um longo tempo.” Então com o pedido deles, ele contou uma história do passado.

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Certa vez houve um Rei Sadhina em Mithila, que reinava em retidão. Nos quatro portões da cidade e no meio dela, e na porta mesma do seu palácio, erigiu seis salões de dons, presentes, ofertas, e com sua bondade causou um grande alvoroço por toda a Índia. Diariamente seiscentos mil peças eram doadas em caridade : ele guardou as Cinco Virtudes, observou os votos de jejum ; e as pessoas da cidade também seguindo seus conselhos, fizeram ofertas e obras boas e quando eles morreram, foram viver todos juntos na cidade dos deuses.

Os príncipes do céu, sentados em pleno conclave na sala de justiça de Sakra, louvaram a vida virtuosa e caridosa de Sadhina. O relato sobre ele fez todos os outros deuses desejarem vê-lo. Sakra, rei dos deuses, percebendo a mente deles, eprguntou, “Vocês querem ver Rei Sadhina ?” Eles respodneram que sim, queriam. Então ele falou a Matali, “Vá a meu palácio Vejayanta, atrele meu carro e traga Sadhina aqui.” Ele obedeceu a ordem e atrelou o carro e foi para o reino de Videha.

Era então o dia de lua cheia. Naquele momento quando o Povo já tinha compartilhado a janta e estavam sentados em suas portas tranquilos, Matali direcionou seu carro lado a lado com o disco da lua. Todo o Povo gritou, “Vejam, duas luas no céu!” Mas quando eles viram o carro passar a lua e vir na direção deles, então eles gritaram, “Não é lua mas um carro ; um filho dos deuses, parece. Para quem ele traz este veículo divino, com este time de puro sangues, criaturas da imaginação ? Não será para nosso rei ? Sim, nosso rei é um rei bom e reto !” Em sua alegria eles juntaram as mãos com reverência e de pé repetiram a primiera estrofe :

Uma maravilha no mundo foi vista, que fez os cabelos eriçarem :
Para o grande rei de Videha é enviado um carro dos céus !

Matali aproximou o carro e então enquanto o Povo venerava com flores e perfumes, dirigiu-o por três vezes ao redor da cidade no sentido horário. Depois procedeu para a porta do rei e lá permaneceu no carro parado diante da janela do oeste , fazendo um sinal de que ascenderia. Bem, naquele dia mesmo o rei inspecionava os salões de caridade e deu conselhos sobre como devia ser feita a distribuição ; o que realizado, passou a guardar os votos de jejum e assim passou o dia. Justo então ele estava sentado em um belo sofá, diante da janela leste, com seus cortesãos ao redor, discursando para eles a respeito de direito e justiça. Naquele momento Matali o convidou a entrar no carro e tendo feito isto saiu fora com ele.

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Para explicar isto, o Mestre repetiu as seguintes estrofes :

O deus mais poderoso, Matali, o auriga, trouxe
Uma convocação a Videha, quem em Mithila era rei.

Ó poderoso monarca, nobre rei, suba neste carro comigo :
Indra te verá e os deuses, os gloriosos Trinta e Três,
Agora sentam em pleno conclave, pensando em ti.

Então Rei Sadhina girou a sua face e montou no carro :
O qual com seus mil corcéis o carregou para os deuses distantes.

Os deuses contemplaram o rei chegar : e então, saudando o convidado
Gritaram,'Bem vindo poderoso monarca, a quem somos gratos em conhecer !
Ó Rei ! Ao lado do rei dos deuses pedimos tome assento.'

E Sakra recebeu Videha, o rei da cidade de Mithila,
Sim, Vasava ( Indra / Sakra ) ofereceu a ele todas as alegrias e pediu que sentasse.

'Entre os legisladores do mundo Ó bem vindo a nossa terra :
More com os deuses, Ó rei ! Que tem todos os desejos atendidos,
Goze de prazeres imortais,onde estão os Trinta e Três.'

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Sakra rei dos deuses deu a ele metade da cidade dos deuses, dez mil léguas de extensão e de vinte e cinco milhões de ninfas e do palácio de Vejayanta. E lá ele residiu por setecentos anos pela contagem humana, gozando felicidade. Mas então seu mérito exauriu-se naquele carácter celeste ; insatisfação surgiu nele e então falou a Sakra com estas palavras, repetindo a estrofe :

Alegrei-me quando primeiro vim para o céu,
Danças, canções e claras músicas :
Agora não mais sinto o mesmo.
Minha vida acabou, a morte se aproxima,
Ou é a loucura, rei, que devo temer ?

Então Sakra disse a ele :

Tua vida não acabou e morte está longe,
Nem és doido, poderoso rei :
Mas tuas boas ações estão exauridas
E agora teu mérito está todo acabado.

Permaneça morando aqui, Ó poderoso rei,sob minha divina atenção;
Goze de prazeres imortais,onde estão os Trinta e Três.

[ n. do tr. : o Escoliasta explica : “Te darei metade do meu mérito, portanto permaneça aqui sob meu poder.” ]

Mas o Grande Ser recusou e disse a ele :

Como quando um carro ou bens são dados em demanda,
Do mesmo modo é gozar de benção dada pelas mãos de outro.

Não quero bençãos recebidas pelas mãos de outro,
Meus bens são meus quando permaneço nos meus atos apenas.

Irei e farei muita caridade às pessoas, darei ofertas por toda a terra,
Seguirão virtude, exercício de controle e auto domínio :
Aquele que age assim é feliz e não teme remorso nas mãos.

Escutando isto, Sakra então deu ordens a Matali : “Vá agora, transporte Rei Sadhina para Mithila e coloque-o em seu próprio parque.“ Ele fez isto. O rei andava daqui para lá no parque ; o guardião do parque espreitou-o e após perguntá-lo quem ele era, foi até o Rei Narada com as novidades. Quando ele escutou sobre a chegada do rei, enviou o guardião com estas palavras : “Você vá antes e prepare dois assentos, um para ele e um para mim.” Ele fez isto. Então o rei questionou-o, “Para quem você prepara estes dois assentos ?” Ele respondeu, “Um para você, e um para nosso rei'. Então o rei disse, “Quaoutro ser sentará em minha presença ?” ele sentou em um assento e colocou os pés no outro. Rei Narada chegou e tendo saudado seus pés sentou em um lado : agora, é dito que ele era o sétimo em descendência direta do rei e naquele tempo a idade humana era cem anos. Tal era o tempo que o Grande Ser gastou, pelo poder de sua bondade. Ele tomou Narada pelas duas mãos e subindo e descendo pela mansão, recitou três estrofes :

Aqui estão as terras, os canais ao redor nos quais àgua corre,
A grama verde vestindo tudo, os riachos que fluem,

Os lagos aprazíves, que escutam os gansos dourados chamarem,
Onde lótus branca e azul crescem e árvores quais corais,
- Mas aqueles que amavam este lugar comigo, Ó diga, onde eles estão ?

São estas terras, este lugar,
A mansão e os campos estão aqui :
Mas não vejo nenhum rosto familiar,
Me parece um deserto sombrio.

Aqui Narada disse a ele : “Meu senhor, desde que partiste para o mundo dos deuses, setecentos anos se passaram; sou o sétimo em linhagem de ti, teus ajudantes desceram todos para as mandíbulas da morte. Mas este é teu próprio domínio de direito e peço que receba-o.” O rei respondeu, “Meu querido Narada, não vim aqui para ser rei mas para fazer e bem eu farei.” Então disse como segue :

Vi mansões celestiais, brilhando em todo canto,
Os Trinta e três arcanjos e seu monarca, face a face.

Alegrias mais quehumanas senti, tinha uma casa celeste,
Com tudo que o coração pode desejar, entre os divinos Trinta e três.

Isto vi e para fazer obras virtuosas desci :
Viverei uma vida santa : não quero coroa real.

O Caminho que nunca leva ao pesar, o Caminho que os Buddhas apresentam,
Neste Caminho entro agora pelo qual o sagrado vai.

Assim falou o Grande Ser, por sua onisciência sintetizando tudo nestas três estrofes. Então Narada novamente disse a ele,
“Tome o governo do reino para você” ; e ele respondeu, “Meu filho querido, não quero o reino ; mas por sete dias desejo distribuir novamente ofertas dadas durante estes setecentos anos.” Narada estava disposto e fazendo o que ele pediu, preparou uma larga quantidade para distribuição. Por sete dias o rei fez ofertas ; e no sétimo dia ele morreu e nasceu no céu dos Trinta e três.

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Quando o Mestre terminou este discurso, ele disse, “Tal é a realização de votos sagrados que se deve guardar,” e declarou as Verdades : ( bem, na conclusão das Verdades, alguns dos Irmãos leigos entraram na fruição do Primeiro Caminho e alguns do Segundo :) e ele identificou o jataka : “Naquele tempo Ananda era o Rei Narada, Anurudha era Sakra e eu mesmo era o Rei Sadhina.”




[ Cabe aqui uma nota sobre os Trinta e três e a aproximação numérica com as 33 cúrias das 3 tribos romanas – sim é a mesma cultura. A fundação de Roma um ritual védico seguido por Rômulo. A obra do grande historiador francês Georges Dumèzil trata desta aproximação que complementa-se revelando que esta unidade é geral, iraniana, germana, celta, etc, compondo o quadro de uma grande identidade védica do mundo antigo. Flamen = Brahman. Urano = Varuna ( apesar de contestarem ). Numa = Manu. A economia política neste jataka aparece novamente mostrando que a riqueza deve naturalmente ser distribuída e não acumulada como o 1% faz no atual totalitarismo financeiro – a moeda destrói a economia. Etc. ]    

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

493 Buddha e os mercadores




493

“Mercadores de muitos...”. - Esta história o Mestre contou enquanto residia em Jetavna sobre alguns comerciantes que viviam em Savatthi. Estes, escutamos, quando saíam inclinados a negócios, vinham com presentes para o Mestre, acolhendo-se nos Refúgios e nas Virtudes. “Senhor,” eles disseram, “se voltarmos sãos e salvos, beijaremos teus pés.” Com quinhentos carretos de mercadorias eles partiram e logo chegaram em uma floresta selvagem onde não viam nenhuma estrada. Perdidos, sem água e sem comida, atravessaram a floresta até, vendo uma grande árvore banian que era assombrada por dragões, desatrelaram os carros e sentaram debaixo dela. Olhando as folhas, viram que estavam brilhantes como se molhadas com água e os ramos pareciam estar cheios de água, o que os fez pensar assim : “Parece que água corre através desta árvore. E se cortarmos um ramo dela do lado leste ?encontraremos algo para beber.” Com isto um deles subiu n'árvore e cortou um galho : jorra uma corrente d'água grossa como tronco de palmeira e nela lavaram-se e nela beberam. Depois cortaram um galho do aldo sul : jorra dele todo tipo de comida e delas eles comeram. Então cortaram um galho do lado oeste d'árvore : jorram mulheres lindas e adornadas com quem tiveram prazeres. Por fim, cortaram galhos do lado norte : deles jorraram as sete coisas preciosas e eles as pegaram e encheram quinhentos carros e retornaram para Savatthi . Lá fizeram com que o tesouro fosse cuidadosamente guardado. Levando em suas mãos guirlandas e perfumes e coisas semelhantes retornaram a Jetavana e saudaram o Mestre,presttaram reverência a ele e sentaram em um dos lados. Naquele dia escutaram a pregação do Dharma ; e dia seguinte trouxeram um presente munificente e renunciaram o mérito dele todo, dizendo, “O mérito deste presente Senhor, nós o renunciamos em favor de uma deidade d'árvore que nos deu todo o tesouro.” A refeição terminada o Mestre os questionou, “A que deidade d'árvore vocês doam o mérito deste presente ?” Os mercadores contam então ao Tathagata o modo como eles conseguiram o tesouro de uma árvore baniam. Disse o Mestre, 'Este tesouro vocês receberam porque são moderados e porque não se entregaram ao poder do desejo ; mas em dias anteriores as pessoas eram imoderadas e estavam no poder do desejo e por isto perderam ambos, o tesouro e a vida.” Então com o pedido deles, contou uma história dos passado.
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Certa vez, próximo a Benares estava esta mesma floresta selvagem e esta mesma árvore banian. Os mercadores desviaram-se do caminho e viram àrvore banian.

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O Mestre em sua perfeita sabedoria explicou o assunto nestes versos :-
Mercadores de muitos reinos vieram e todos encontrando-se
Escolhem um chefe e logo partem em busca de um tesouro.

A esta floresta ressequida, parca em comida, seu caminho os viajantes fizeram,
E perceberam uma grande árvore banian com sombra fria e agradável.

Lá debaixo da sombra d'árvore todos os mercadores sentaram,
E raciocinavam assim, com loucura coberta e pouca inteligência :

Esta árvore está cheia de umidade e parece qu'água flue dentro :
'Cortemos um dos galhos, o quê para o leste cresce'.

O galho foi cortado ; então águas fluem escorrendo clara e pura :
Os mercadores se lavaram, os mercadores beberam até saciarem-se.

Novamente com pouca inteligência, com loucura coberta, disseram,
'Um dos galhos do sul, vamos cortá-lo fora'.

Este galho sendo cortado ambos arroz e carne jorraram em profusão,
Bastante mingau, gengibre, sopa de lentilha e muitas outras comidas.

Os mercadores comeram, os mercadores beberam, fartaram-se,
E então disseram, com loucura coberta, parca inteligência :

'Vamos, companheiros mercadores, cortemos um galho do oeste'.
Jorra um bando de lindas garotas todas adornadas belamente.

E, Ó, as vestes de muitas cores, joias, anéis abundantes !
Cada mercador teve um bela garota, cada um dos vinte e cinco.

Estes todos juntos estavam ao redor da sombra d'árvore :
Elas e os mercadores divertiram-se muito.

Novamente com parca inteligência e loucura coberta, disseram,
'Um dos galhos do norte vamos cortá-lo fora.'

E quando o galho do norte foi cortado, jorra um rio de ouro ,
Prata em profusão, tapetes preciosos, joias muitas ;

E roupas delicadas de Benares, cobertores grossos e finos.
OS mercadores então começaram a enrolá-los como em pacotes.

Novamente disseram louca e tolamente como antes :
'Vamos cortá-la pela raiz e assim podemos conseguir mais'.

Então levantou-se o chefe deles e disse com uma inclinação respeitosa,
'Que pecado a banian fez, bons senhores ? Deus vos abençoe !

Do galho do leste brotou rios d'água, o sul nos deu comida,
O oeste nos deu belas garotas, o norte todas as coisas preciosas :
Que pecado a banian fez, bons senhores ? Deus vos abençoe !

Àrvore que vos dá sombra agradável, para sentar e deitar à vontade,
Vocês não deviam cortar seus ramos até embaixo, ato cruel e desumano.'

Mas eles eram muitos, ele apenas uma voz que os proibia de fazer :
Eles bateram os machados afiados nela para derrubá-la pela raiz.

Então o Rei Serpente, que os viu se aproximando da raiz para derrubar àrvore, pensou consigo mesmo : “Dei a estes sujeitos água para beber quando estavam sedentos, então dei a eles comida divina, depois camas para dormir e garotas para atendê-los e depois tesouros para encher quinhentos vagões e agora eles dizem , Vamos derrubar àrvore pela raiz ! Gananciosos são além do limite e exceto o chefe da caravana eles todos morrerão.” Então reuniu um exército : “Muitos armados em couraças estavam de pé, muitos arqueiros, muitos com espada e escudo.”

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Para explicar isto o Mestre repetiu uma estrofe :

Então vinte e cinco cobras encouraçadas ficaram de pé e tomaram o lugar,
Trezentos arqueiros e seis mil armados com espada e escudo.

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A estrofe seguinte é dita pelo Rei Serpente :

Derrubem os homens e amarrem-los apertado, não poupe a vida de nenhum,
Queimem-os até cinzas a não ser o chefe e então tua tarefa está feita.

E assim fizeram as serpentes. Então carregaram os tapetes do ramo norte e todo o resto dele em quinhentos vagões e levaram os vagões e o chefe da caravana para Benares e colocaram os bens na casa dele e pedindo licença retornaram para seu próprio lugar de domicílio.

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Quando o Mestre viu isto, repetiu duas estrofes de conselho :

Portanto que o sábio veja seu próprio bem e nunca seja
Escravo da ganância, que desarme o objetivo de seu inimigo.

Portanto ele vendo esta coisa ruim, sofrimento enraizado no desejo,
Chacoalha para fora desejo e grilhões e à vida santa aspira.

Tendo terminado este discurso, ele disse, “Assim, Irmãos, em dias antigos mercadores possessos de ganância tiveram destruição medonha, portanto vocês devem não dar lugar a ganância.” Então tendo assim declarado as Verdades ( nas conclusões as Verdades aqueles mercadores tornaram-se estabelecidos nos frutos do Primeiro Caminho ) - ele identificou o Jataka : “Naquele tempo Sariputra era o Rei das Serpentes e eu mesmo o chefe da caravana.”


[  muito apropriada para a destruição da Natureza que os mercadores atuais promovem e.g. os pesticidas assassinando as abelhas todas ]